Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

Proposta para o desenvolvimento de um multicronômetro de baixo custo utilizando um detector de interferência

Leila Maria De Freitas Souza, Sara Guimarães Negreiros, Glaydson Francisco Barros De Oliveira, Francisco Ernandes Matos Costa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2019

Texto completo

## Proposta para o desenvolvimento de um multicronômetro de baixo custo utilizando um detector de interferência

## Leila Maria de Freitas Souza 1 , Sara Guimaraes Negreiros 2 , Glaydson Francisco Barros de Oliveira 3 , Francisco Ernandes Matos Costa 4

- 1 Universidade Federal Rural do Semi-Árido, leilafreitas159@gmail.com
- 2 Universidade Federal Rural do Semi-Árido, sguimaraaes@gmail.com
- 3 Universidade Federal Rural do Semi-Árido, glaydson.barros@ufersa.edu.br
- 4 Universidade Federal Rural do Semi-Árido, ernandesmatos@ufersa.edu.br

## Resumo

- O ensino de física no Brasil é cada vez mais dificultado pela falta de equipamento laboratoriais. Considerando esse déficit presente em diversas instituições públicas como um dos fatores agravantes para o avanço educacional, o presente trabalho traz uma proposta de desenvolvimento de um multicronômetro de baixo custo com uso de um microcontrolador didático, o ATmega328 na placa open-source arduino, e impressão 3D. O sistema cronometra o intervalo de tempo por meio da interceptação do feixe de luz que é refletido com o auxílio de espelhos planos e da estrutura tridimensional. Além disso, foram analisados alguns fenômenos físicos que explicam o funcionamento dos principais equipamentos utilizados como o sensor LDR (Light Dependent Resisto) e o laser. O estudo de refração e reflexão, é crucial para a compreensão dos dados coletados e para a elaboração dimensional da estrutura. Desse modo, observa-se a utilização de diversos métodos estruturais e montagens eletrônicas visando a viabilidade da execução deste projeto no ensino de Física.

Palavras-chave : arduino; óptica; multicronômetro.

## Introdução

- O desenvolvimento de projetos com materiais de baixo custo é bastante difundido no ensino de ciências exatas, pois objetivam ressarcir a ausência de equipamento laboratoriais na maioria das instituições públicas do país. Neste trabalho buscou-se analisar a viabilidade do desenvolvimento de um multicronômetro de laboratório com, principalmente, o uso de arduino e impressão 3D.

Por ser open-source , ou seja, é uma plataforma de computador livre, o arduino é acessível para qualquer pessoa. Além disso, este dispositivo é bastante utilizado atualmente, pois possui uma vasta área de aplicação na automação (MC ROBERTS, 2011). Há, ainda, uma ampla comunidade criando e aprimorando diversos projetos tecnológicos. Além disso, o estudo de Ótica e aspectos da Mecânica Quântica foram cruciais para o desenvolvimento das estruturas e compreensão dos equipamentos utilizados.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Funcionamento do laser

O desenvolvimento de teorias que expliquem o funcionamento da natureza mostrou-se ser uma característica intrínseca dos seres humanos. As discussões acerca do átomo, que explicam o funcionamento do laser, mostram as diversas teorias propostas a fim compreender o real fenômeno físico.

Rutherford em 1911 propõem o átomo constituindo-se por um núcleo positivo com elétrons percorrendo órbitas circulares ao seu redor. Com a teoria moderna da eletricidade e magnetismo, esses elétrons iriam emitir energia constantemente devido ao movimento acelerado que é realizado. Desse modo, a raio de sua órbita iria diminuir gradativamente até que os elétrons se chocasse com o núcleo. Assim, não haveria mais a existência de um átomo (YOUNG; FREEDMAN, 2008).

Suprindo essa discordância, em 1913 Bohr sugere que os elétrons transitam em órbitas circulares sem a emissão de energia, porém, ao transitar de uma órbita interna para uma externa ou de uma externa para a interna ele irá absorver ou emitir energia, respectivamente. A esse processo de absorção ou emissão de energia associamos os fótons, ou seja, as partículas que transmitem a radiação eletromagnética (YOUNG; FREEDMAN, 2008).

Os dois processos citados são tidos como espontâneos, ocorrem sem necessidade de um agente externo. Por outro lado, é comum que os elétrons estejam inseridos em uma órbita que necessite de mais energia que a sua. Assim, estão propensos a emitirem radiação eletromagnética e reduzirem o raio de sua órbita. Esse processo, entretanto, costuma ser demorado. Para estimular o decaimento energético desse elétron, é emitido um fóton que o faz passar para uma órbita menor e emitir também um fóton idêntico ao que estimulou o elétron (BAGNATO, 2001). Desse modo, originam-se dois fótons que serão responsáveis por outras emissões estimuladas. Após as diversas ocorrências desta ação, temos um conjunto de fótons, todos idênticos entre si. Esse conjunto representa a ocorrência do surgimento de um feixe de luz - o laser.

O laser possui em sua constituição um meio ativo que contém os átomos e moléculas em estado de excitação. Este meio ativo pode ser gasoso, líquido ou sólido. Por meio de um agente externo energia é fornecida ao sistema e os átomos adquirem elétrons em estados excitados. Após o início da emissão estimulada, surgem os primeiros fótons cujo uso de espelhos possibilita a realização de múltiplas reflexões. Por fim, esses fótons ultrapassam uma abertura denominada ressonadores ópticos e como tem-se um alto quantitativo dessas partículas é possível observar a formação de um feixe de luz (BAGNATO, 2001).

## Estudo com o arduino e o sensor LDR

O arduino consiste em um dispositivo de entrada/saída e opensource . Sua linguagem de programação é similar a C/C++ e pode ser realizada via IDE ( Integrated Development Environment - Ambiente de Desenvolvimento Integrado) (MC ROBERTS, 2011). Atualmente o uso desse equipamento é bastante difundido para amadores e projetos de automação básica.

Um sensor LDR ( Light Dependent Resisto - Resistor dependente da luz) é basicamente um resistor elétrico que varia conforme a incidência da luz. Para uma

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

luminosidade alta, tem-se uma baixa resistência enquanto que uma baixa luminosidade leva a uma resistência alta. A composição desse componente eletrônico é o sulfeto de cádmio. Associado ao efeito fotoelétrico, esse semicondutor ao possuir incidência de luminosidade (radiação eletromagnética) tem ruptura das ligações dos elétrons entre os átomos. (MC ROBERTS, 2011).

Com a absorção dessa energia carregada pelos fótons os elétrons que antes participavam das ligações atômicas agora são elétrons livres e proporcionam uma condução cada vez maior no material. No arduino, a leitura da luz incidente em um LDR é obtida com a montagem do circuito na Figura 01 (a). Neste, conectamos em uma protoboard um resistor de 10k Ω, o próprio sensor e alguns cabos auxiliaram na conexão com o arduino. Além disso, pelo código da Figura 01 (b) é possível coletar os dados do sensor com uma escala que varia de 0 a 1023, aumentando de acordo com a luminosidade.

Figura 01: (a) Montagem do circuito; (b) Código para obtenção de dados.Fonte: Própria dos autores

<!-- image -->

## Estudo de refração e reflexão

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Diante das características reflexivas do espelho plano, temos que a incidência de um raio laser implicará na reflexão desse feixe. Consecutivas reflexões podem ser realizadas desde que se tenha um outro espelho paralelo ao primeiro e que o laser tenha sua inclinação calibrada para isso. Por outro lado, em cada incidência o feixe de fótons interage com a matéria, isto é, perde sua intensidade gradativamente. Na Figura 02 (a)-(d) temos a caracterização de alguns casos específicos com a luz laser sendo representada pela linha pontilhada e os espelhos pelas duas linhas verticais paralelas que possibilitam que esta seja refletida em um ângulo de 5º com a horizontal.

Figura 02: (a) Nenhuma reflexão no feixe do laser; (b) Uma reflexão no feixe do laser; (c) Duas reflexões no feixe do laser; (d) Três reflexões no feixe do laser.Fonte: Própria dos autores

<!-- image -->

Na Figura 02 (a) não há nenhuma reflexão, logo, temos a medição direta da luminosidade. Ainda assim, há interação dos fótons com o ar, porém, por possuir pouca interferência no valor obtido, ela é desconsiderada. Já nas Figura 02 (b)-(d) temos uma, duas e três reflexões, respectivamente. Em cada uma destas parte do laser é refletido enquanto outra parcela é absorvida pelo espelho. Desse modo, para cada reflexão temos uma diminuição da luminosidade, pois a interação com o meio (espelho) passa a interferir de modo considerável. Com base nisto, e sabendo que a medida do LDR para o ambiente foi de 580, montamos a Tabela 01.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Tabela 01 : Dados coletados de acordo com o número de reflexões do laser.

Com base nesses dados definimos que para o nosso sistema os lasers com o LDR's devem ser acoplados de modo a fornecer uma área mínima de 13 cm por 9,2 cm. Com essas dimensões e um ângulo de 5º com a horizontal para a luz laser obtemos a Figura 03 com a esquematização dimensional, em centímetros, do projeto. Da base surge um feixe de luz do laser que é refletido e incide no LDR, o mesmo processo ocorrem mais três vezes até que o laser incida no último LDR.

Figura 03: Diagrama da montagem da localização dos sensores LDR, laser e espelho.

<!-- image -->

Fonte: Própria dos autores.

## Esboço estrutural do multicronômetro e sua aplicação no movimento de queda livre

Em diversos fenômenos físicos, a medida de tempo é indispensável para a análise. Em um pêndulo físico ou um pêndulo simples é necessário medir o tempo decorrente de uma oscilação. Por outro lado, na mecânica clássica precisa-se dessa medida ao tratarmos de um objeto em queda livre ou do tempo para mais de um estágio no movimento oblíquo.

Na busca por ressarcir essa necessidade e com base em todos os estudos realizados nas seções anteriores obtivemos a Figura 04 com a descrição dos trabalhos finais. Nela temos a Figura 04 (a) com uma montagem que ilustra o equipamento montado para alocarmos o laser e o sensor LDR. A Figura 04(b) ilustra as vistas da estrutura. A Figura 04 (c) ilustra como ocorre a disposição dos lasers e

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

LDR's e na Figura 04 (d) é apresentada a alocação de dois conjuntos dessas estruturas, cada um com quatro, para coletarem um intervalo de tempo no movimento de queda livre.

Figura 04: (a) Estrutura para o laser e o LDR; (b) Vista lateral e vista frontal da estrutura (a); (c) Arranjo de 4 estruturas apresentadas em (a) para fixação de 4 lasers e 4 LDR's; (d) aplicação da estrutura.

(a)

Fonte: Própria dos autores

<!-- image -->

No arduino, cada sensor LDR deve ser conectado a um terminal analógico, porém, precisamos de quatro sensores para cada estrutura da Figura 04 e no arduino temos apenas 6 terminais. Para evitar o uso de muitos terminais, é possível realizar a associação dos sensores em série (Figura 05 (a)). Desse modo, basta redefinir qual a luminosidade do LDR com o laser pelo código da Figura 01 (b) e determinar que para valores menores que o lido há o indício de que o feixe foi interrompido. Além disso, o código na Figura 05 (b) será utilizado para obtermos a variação temporal de determinado fenômeno físico com dois sistemas da Figura 04, sendo um para uma posição inicial e outro para a posição final.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Figura 05: (a) Associação dos sensores LDR em série; (b) Código para obtenção de uma variação temporal.Fonte: Própria dos autores

<!-- image -->

## Considerações finais

O desenvolvimento do multicronômetro é viável, pois, além de utilizar equipamentos de baixo custo e acessíveis, auxilia em diversas análises físicas. Entretanto, faz-se necessário alto grau de precisão nas medidas dos equipamentos. Além disso, é crucial a exposição dos conceitos físicos para que o discente realmente compreenda a análise fenomenológica por trás dos equipamentos utilizados. A utilização do arduino foi realizada também com o intuito de introduzir tecnologias modernas, componentes eletrônicos e métodos de automação.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Referências

- [1] BAGNATO, V. S. Os fundamentos da luz laser. Física na Escola, volume 2, n° 1, 4 (2001).
- [2] MC ROBERTS, Michel. Arduino básico. São Paulo: Novatec Editora, 2011. 453 páginas.
- [3] YOUNG, Hugh D., FREEDMAN, Roger A. Física IV: Ótica e Física Moderna. Volume 4, 10ª edição. São Paulo: Addison Wesley, 2003.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.