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ANÁLISE DOS RESULTADOS DAS OLIMPÍADAS DE FÍSICA OBF E OBFEP

Yasmin Paiva De Souza Silveira, João Paulo Casaro Erthal

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ANÁLISE DOS RESULTADOS DAS OLIMPÍADAS DE FÍSICA OBF E OBFEP

## Yasmin Paiva de Souza Silveira 1 , João Paulo Casaro Erthal 2

1 Universidade Federal do Espirito Santo, yasmin.pss@hotmail.com

2 Universidade Federal do Espirito Santo/ Departamento de Química e Física, jperthal@gmail.com

## Resumo

Este trabalho visa investigar e catalogar dados referentes aos medalhistas da Olimpíada Brasileira de Física (OBF) e da Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP) com objetivo de contrapor os resultados e averiguar particularidades entre as regiões geográficas nas quais se concentram o maior quantitativo de vencedores e os índices educacionais da educação básica e de desenvolvimento social para essas regiões, de modo a se compreender por que algumas localidades conseguem melhores desempenhos do que outras. A OBF existe desde de 1999 e a OBFEP existe desde 2010, ambas com o intuito de despertar o interesse pelo estudo da Física. O levantamento de dados foi realizado utilizando os resultados de todos os anos de ambas as olimpíadas, os quais foram retirados do site da Sociedade Brasileira de Física (SBF). As informações foram organizadas em tabelas e categorizadas por nível e ano. A análise inicial dos resultados mostrou que nos anos do projeto piloto da OBFEP, São Paulo teve um grande número de ganhadores, o que permaneceu até 2015. Em outros Estados a quantidade de ganhadores varia por ano e na OBF o Ceará obteve excelentes resultados. Além de possibilitar essa análise sobre o número de ganhadores por unidade federativa, esta pesquisa mostrou claramente o motivo da existência das duas olimpíadas, pois quando existia apenas a OBF a maioria de seus ganhadores eram estudantes provenientes de escolas privadas, havendo um desestímulo de participantes de escolas públicas, e com isso foi criada a OBFEP que é voltada exclusivamente para escolas públicas. Por fim analisamos os gráficos produzidos com base nas tabelas juntamente com os índices educacionais dos Estados que obtiveram melhor resultado nas olímpiadas. A análise mostrou que os resultados obtidos na OBF são contraditórios em relação as notas aferidas pelo IDEB para os Estados com mais medalhistas.

Palavras-chave : OBF, OBFEP, IDEB, Olímpiadas Cientificas.

## Introdução

Olimpíadas cientificas tem intuito de fomentar conhecimento cientifico por meio de provas, estimulando e testando aptidão de estudantes pela área das ciências. Essas olimpíadas são essenciais para a divulgação cientifica, além de serem utilizadas pelo Ministério da Educação como forma de avaliar os estudantes brasileiros em relação a estudantes de outros países, ou seja, avaliar o quão eficiente estão sendo os métodos educacionais aplicados. Esse tipo de olimpíada vem ganhando destaque nas diversas áreas do conhecimento e consequentemente tem sido mais estudada. Um exemplo dessas pesquisas são os trabalhos de Erthal e colaboradores (2014) e de Erthal e Louzada (2016) que investigam características dessas avaliações para um melhor entendimento sobre suas particularidades.

A Olimpíada Brasileira de Física, que existe desde 1999, foi desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Física com objetivo de atrair o interesse de estudantes para o estudo da Física e, por conseguinte testar aptidão dos estudantes quanto aos fenômenos físicos. Além da premiação, os 40 primeiros medalhistas são

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classificados para o Programa de Preparação para as Olimpíadas Internacionais de Física (OIF's). Já a Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas foi criada em 2010 para que fosse possível ver os resultados de escolas públicas, pois quando existia somente a OBF a maioria dos medalhistas eram provenientes de escolas privadas, no entanto a existência da OBFEP não impede a participação de escola públicas na OBF. Para incentivar a participação nessa olimpíada a OBFEP premia também professores e escolas.

- No presente artigo analisamos os resultados das olímpiadas de conhecimento físico OBF e OBFEP com objetivo de verificar as regiões geográficas com maior quantitativo de medalhistas e explorar os motivos pelos quais essas regiões tem um melhor rendimento nessas olímpiadas. Essa análise qualitativa foi contraposta com os índices educacionais de cada região geográfica que se sobressaiu nos resultados, para verificar se havia relações entre o IDEB e os resultados das referidas olimpíadas.
- O Brasil é uma das maiores economias do mundo, mas contraditoriamente a educação não acompanha esse nível elevado. A Constituição de 1988 tornou a educação obrigatória, porém tardiamente em relação a outros países. O artigo 205 da constituição afirma que:
- 'A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho' (BRASIL,1988).
- O problema da qualidade na educação é uma preocupação mundial que foi progressivamente se tornando central no debate educacional a partir da década de 1940, quando tem início, inclusive no Brasil, um processo significativo de expansão das oportunidades de escolarização da população (HOBSBAWM,1995). Porém isso não garantiu um avanço na qualidade do ensino. É visível a defasagem de qualidade nos índices educacionais de alguns estados e do país. Países desenvolvidos tem índices educacionais com média de 6 pontos, o mais próximo a isso que o Brasil chegou foi com escolas privadas. Os índices educacionais dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio verificados até o ano de 2015 não chegaram a nota de 4 pontos no país, com exceção das instituições privadas. Essas notas são calculadas pelo IDEB.
- O Índice de Desenvolvimento Educacional Brasileiro foi desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) em 2007 com intuito de averiguar a qualidade de aprendizado nacional, estipular metas para melhoria e atuar como indicador da qualidade de ensino nacional, afim de que a população tenha conhecimento desses índices e possa vir a cobrar melhorias, tendo como objetivo alcançar a média de 6 pontos até 2022. O IDEB é calculado com base nas taxas de rendimento escolar, obtidas através do censo escolar, e das médias de desempenho em exames nacionais, estaduais e municipais aplicados pelo INEP. As médias de desempenho são oriundas do Sistema de Avaliação Nacional de Rendimento Escolar (Saeb) que é constituído por avaliações externas de larga escala com propósito de fazer um diagnóstico sobre a educação.
- O Saeb é composto pela Avaliação Nacional de Rendimento Escolar - Prova Brasil (Anresc), que é uma avaliação bianual aplicada para alunos dos anos finais do ensino fundamental I e II (5º ano e 9º ano) de escolas públicas, com o mínimo de 20 alunos matriculados nas séries avaliadas, pela Avaliação Nacional de Educação

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Básica (Aneb) que é aplicada com os mesmos parâmetros da Anresc, com a diferença de abranger escolas privadas e o 3º ano do ensino médio, e a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) que é aplicada apenas para o 3º ano do ensino fundamental I.

O censo escolar emite anualmente um índice de aprovação, porém, esses índices são apenas números e não conjecturam qualidade de ensino. Como já discutido em artigos educacionais como o de Gama e Terrazzan (2013), a autonomia de professores no ambiente escolar é essencial para a formação do aluno.

Diante deste contexto percebe-se que a autonomia do professor fica à mercê do próprio sistema que usufrui de estratégias que o levam a promover o aluno em aspectos de número e não de qualidade de ensino. Todavia, esses números não elevam o IDEB, pois apesar do número de aprovações, os alunos não estão aptos a serem promovidos a séries superiores, porque o aprendizado não foi suficiente e em consequência disso o rendimento em provas do Saeb não são gratificantes.

## Metodologia

Para a realização desta pesquisa foi necessária uma investigação quantitativa e qualitativa baseada nos resultados das Olimpíadas Cientificas de Física (OBF e OBFEP) e nos resultados do Índice de Desenvolvimento Educacional Brasileiro.

O levantamento dos dados foi realizado a partir das listas dos vencedores de todos os anos de ambas as olimpíadas, resultados estes extraídos do site da SBF. Após coletados, os dados foram organizados em tabelas e categorizadas por ano e níveis de acordo com cada Estado. Posteriormente, foram confeccionados gráficos, com as informações catalogadas nas tabelas, para demonstrar de forma mais eficaz a diferença de quantitativo de medalhistas de acordo com o ano, nível e Estado.

Tabela 01: Resultados dos anos de 2010 e de 2012 até 2016 da OBFEP

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Tabela 02: Resultados dos anos de 1999 até 2016 da OBF.

A partir dos resultados obtidos, foi possível iniciar a investigação qualitativa, comparando os dados das tabelas com o IDEB de cada Estado, dos anos finais do ensino fundamental II (8º e 9º ano) e do 3º ano do ensino médio, destacando-se os Estados com maior número de medalhistas, os quais são apresentados nas tabelas seguintes. Cabe salientar que os resultados em azul referem-se as metas atingidas.

Tabela 03: IDEB do 3º ano do ensino médio do estado de São Paulo.

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Tabela 05: IDEB do 3º ano do ensino médio do estado do Ceará.

## Metas

Tabela 04: IDEB dos anos finais do ensino fundamental II do estado de São Paulo.

## Metas

## Ceará - 3º Ano do Ensino Médio

## Observado

## Metas

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Tabela 06: IDEB dos anos finais do ensino fundamental II do estado do Ceará.

## Resultados

A análise inicial dos resultados mostrou que, nos anos de 2010 e 2011, a OBFEP estava em projeto piloto e participavam apenas Bahia, Goiás, Piauí e São Paulo, sendo que este último teve um grande número de ganhadores, o que permaneceu até o ano de 2015. Em outros estados a quantidade de ganhadores varia por ano. Estados como Acre, Sergipe e Tocantins tem um baixo rendimento nessa olímpiada. Na OBF São Paulo e Ceará tem os melhores resultados em relação aos outros estados.

Figura 01: Gráfico dos resultados da OBFEP em São Paulo.

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Figura 02: Gráfico dos resultados da OBF no Ceará.

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Contudo, ao analisar os índices educacionais do Ceará, as notas atribuídas ao ensino privado não condizem com os resultados presentes na OBF, pois as notas atribuídas ao ensino privado estão abaixo das metas estipuladas pelo IDEB. As metas intermediárias estipuladas pelo IDEB utilizam como um de seus parâmetros o esforço que as instituições fazem para atingir a meta final brasileira, ao não cumprir essas metas as instituições estão retardando o processo de avanço educacional brasileiro. Entretanto as notas do índice educacional estadual obtêm bons resultados em relação as metas, principalmente os anos finais do ensino fundamental II (8º e 9º ano), resultando assim em bons resultados nas olimpíadas.

Assim como o Ceará, São Paulo obtêm bons índices educacionais em relação ao ensino estadual, que refletem diretamente nos resultados olímpicos do Estado.

Diante de toda análise ficou perceptível que ambos os Estados obtêm bons resultados nas olimpíadas, estando sempre com uma grande quantidade de medalhistas em relação a outros Estados, porém em ambos as notas atribuídas ao índice educacional do ensino privado não estão de acordo com o resultado obtido na OBF.

## Considerações Finais

A análise dos resultados além de possibilitar contrapor os diferentes quantitativos de vencedores de diferentes Estados, mostrou claramente o motivo da existência das duas olímpiadas. Quando existia apenas a OBF a maioria de seus ganhadores eram alunos provenientes de escolas privadas, o que causava um desestimulo em participantes de escolas públicas, e com isso foi criada a OBFEP que é voltada exclusivamente para escolas públicas, porém mesmo com a existência da OBFEP é notável como os institutos federais se sobressaem sobre escolas estaduais e municipais em ambas as olimpíadas, visto os resultados presentes no site da SBF. No entanto, as notas atribuídas pelo IDEB para rede pública, incluem instituições federais, estaduais e municipais, ou seja, as notas atribuídas para o nível educacional de institutos federais são as mesmas para escolas estaduais e

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municipais, porém, são instituições com infraestrutura e formação escolar diferentes, desde a carga horária de sala de aula até a formação dos professores.

Ao final da investigação ficou perceptível o bom rendimento olímpico do Ceará na OBF, contraditório ao índice educacional das instituições privadas no Estado. Cabe salientar que a maioria desses medalhistas são de escolas privadas. Esse bom rendimento é, provavelmente, resultado do investimento que escolas privadas fazem na preparação de alunos para olimpíadas cientificas e exames nacionais, pois apesar de não contribuir com a nota do IDEB, bons resultados exaltam o nome das escolas, atribuindo a escola qualidade e atraindo assim maior quantidade de alunos. Essas instituições oferecem aulas no contra turno para aperfeiçoar os conhecimentos obtidos em sala de aula e suprir a dificuldade de aprendizado em determinadas áreas do conhecimento. Infelizmente estudantes de escolas públicas não recebem o mesmo preparo, pois a carga horária e currículo escolar não permitem.

## Referências

BRASIL. Constituição ( 1988 ). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. 292 p.

ERTHAL, Joao Paulo Casaro et al. Análise e caracterização das questões das provas da Olimpíada Brasileira de Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , Florianópolis, v. 32, n. 1, p. 142-156, jul. 2014. ISSN 2175-7941.

ERTHAL, João Paulo Casaro; LOUZADA, Matheus de Oliveira. Olimpíada Brasileira de Física das escolas públicas: uma análise dos conteúdos e da evolução do exame em todas suas edições. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , Florianópolis, v. 33, n. 3, p. 927-942, dez. 2016. ISSN 2175-7941.

GAMA, Maria Eliza; TERAZZAN, Eduardo Adolfo. Trabalho docente e o sistema de ensino: a falta de autonomia e as regulações da atividade docente na legislação municipal de Santa Maria , (2013). Disponível em: http://www.anpae.org.br/simposio26/3relatos/MariaElizaGama-relatodeexperienciaint.pdf Acesso em: 22 Jun. 2018.

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1989 . São Paulo: Companhia da Letras (1995).

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.