INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE MATERIAIS MAGNÉTICOS: UMA ABORDAGEM CONCEITUAL E EXPERIMENTAL
Aryane Da Silva Spadeto, Maurício Matos Bomfim, Marcelo Esteves De Andrade, Luiz Otávio Buffon
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 28/01/2019
- Linha de pesquisa
- Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE MATERIAIS MAGNÉTICOS: UMA ABORDAGEM CONCEITUAL E EXPERIMENTAL.
## *Aryane da Silva Spadeto 1 , Maurício Matos Bomfim 2 , Marcelo Esteves de Andrade 3 , Luiz Otávio Buffon 4
- 1 Instituto Federal do Espírito Santo, spadetoaryane@gmail.com
- 2 Instituto Federal do Espírito Santo, mauriciomatosbomfim@gmail.com
- 3 Instituto Federal do Espírito Santo, marcelo.andrade@ifes.edu.br
- 4 Instituto Federal do Espírito Santo, buffon@ifes.edu.br
## Resumo
O presente texto que discorre, consiste em um relato de uma atividade realizada pelos bolsistas do PIBID na EEEFM José Leão Nunes localizada no bairro Jardim América no município de Cariacica-ES, teve como público-alvo os alunos da terceira série do Ensino Médio. A atividade constituiu-se de momentos de exposição geral do assunto abordado até a realização de experimentos que retratassem de forma qualitativa os conceitos abordados. A exposição se deu de forma oral, contudo com a participação ativa dos alunos por meio de questionamentos investigativos, com isso visamos uma maior integração entre a teoria e o cotidiano do aluno.Optou-se por uma abordagem conceitual por se tratar de uma introdução ao assunto, logo a modelagem matemática, neste primeiro momento, não foi explorada. De acordo com MOREIRA (2014), Ausubel diz que o conhecimento deve partir de algo que o aluno conhece, com isso, tanto a aula quanto as atividades foram pautadas em fenômenos do cotidiano e na realidade dos alunos. Apoiados nisso, buscamos sempre investigar o quanto que o alunado já conhecia e entendia de determinado assunto e ou conceito para só então darmos prosseguimento ao conteúdo, isso para que o conhecimento fosse construído (e não imposto de forma arbitrária), pelo aluno ao longo do processo, e que esta construção se desse de forma significativa.
Palavras-chave: Magnetismo; Cotidiano;Atividade investigativa.
## INTRODUÇÃO
Atualmente, é notória a dificuldade que os alunos do ensino médio têm em compreender e manipular modelos matemáticos aplicados às ciências. No último ano o Exame Nacional do Ensino médio vem retratando essa realidade. Segundo o portal de notícias G1 ocorreu queda nas médias nacionais de três das quatro áreas do conhecimento, sendo que a de Ciências da Natureza e suas tecnologiasfoi uma delas, a reportagem se encontra disponível no site http://g1.globo.com/educacao/enem/2015/noticia/2016/01/enem-2015-nota-media-cai -em-tres-das-quatro-areas-do-conhecimento.html. De acordo com MOREIRA (2008), Ausubel fala que para que se alcance a aprendizagem é necessário conhecer o aluno e o conhecimento que este já possui, e a partir daí se pode ensinar algo novo
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a ele. Pautados nisso, no início do ano foi realizada uma pesquisa com 26 alunos e os resultados das respostas podem ser sintetizados da seguinte maneira:
- ● Os alunos que disseram ter dificuldades em matemática representam 54% e os que disseram não ter representam 46%.
- ● Em relação a metodologia utilizada, tivemos que 50% dos alunos acreditam que aulas experimentais seriam mais interessantes e atrativas, 46,15% dos alunos acreditam que aulas dinâmicas seriam uma melhor opção, e apenas 3,85% disseram preferir aulas expositivas.
- ● No que concerne a afinidade com a disciplina de física o resultado foi que 53,80% alega ter pouco afinidade, os que disseram ter afinidade representam 23,10%, os que disseram não ter nenhuma afinidade foram 15,40%, e os que se declaram indiferentes totalizaram 7,70%.
Assim, buscamos verificar se uma abordagem pautada na consulta ao aluno se mostra mais produtiva.
## METODOLOGIA
No primeiro momento nós solicitamos aos alunos que se dividissem em cinco grupos. Em seguida, apresentamos para eles uma problemática para identificar qual seria a interação entre uma geleca e um imã. Os alunos não sabiam que a geleca estava misturada com limalha de ferro, logo foi necessário que levantassem hipóteses para sustentar suas afirmações. As respostas em relação à questão foram bem diversificadas, tiveram alunos que disseram que 'Nada iria acontecer', outros disseram que 'Os dois vão se grudar' e ainda teve os que disseram que 'O imã puxaria a geleca em sua direção'. Após a discussão entre as hipóteses foi explicado aos alunos que se tratava de uma experiência simples, que consistia em misturar limalha de ferro a geleca e que por isso havia interação magnética entre a geleca e o imã. Diante dos resultados, optamos por realizar uma abordagem conceitual do conteúdo e expusemos desde a percepção do fenômeno até uma formalização conceitual que temos hoje do que é o magnetismo. Após a explanação oral, acerca da evolução das idéias até a formulação do conceito de magnetismo e materiais magnéticos e não magnéticos, realizamos a primeira atividade. A atividade consistiu em apresentar para os alunos uma série de objetos como um clipe de papel; uma moeda; um pedaço de papel; um pedaço de canudo; um pedaço de madeira, um prego e um imã. Os alunos deviam aproximar o imã de cada material separadamente e verificar quais deles sofriam interação. Após o momento em que os alunos se dedicaram a realizar a atividade realizamos com eles uma breve discussão sobre os materiais magnéticos e não magnéticos. Finalizada a discussão demos prosseguimento ao conteúdo proposto e iniciamos uma explanação geral sobre os pólos magnéticos, bem como a sua relação com os pólos geográficos, buscamos uma interdisciplinarização e um link entre as ciências (neste caso entre a física e a geografia) para que houvesse uma contextualização do conteúdo com o cotidiano; trabalhamos também com os alunos a ideia de atração e repulsão e associamos isso com o funcionamento da bússola. Após esse momento de discussão sobre a interferência do imã na bússola, propomos aos alunos que
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construíssem uma bússola de baixíssimo custo. Para esta atividade utilizamos uma tampa de garrafa pet, água, agulha e copos descartáveis. A atividade consistiu em imantar a agulha de costura, apoiá-la sobre a tampa de garrafa pet e colocar o conjunto dentro do recipiente (copo) com água. Com este experimento os alunos puderam observar que a agulha imantada apontava sempre na mesma direção que a da agulha de uma bússola. Em seguida, passamos de mesa em mesa para comparar a bússola artesanal com bússola do 'app bússola' do celular. Após isso lançamos uma pergunta aos alunos, 'Você sabe explicar por que a agulha aponta sempre na mesma direção?' As respostas foram recolhidas e analisadas. Para análise da segunda atividade tomamos como base a ideia de Análise de Conteúdo do Roque Moraes. Para Moraes(1999):
'A análise de conteúdo constitui uma metodologia de pesquisa usada para descrever e interpretar o conteúdo de toda classe de documentos e textos. Essa análise, conduzindo a descrições sistemáticas qualitativas ou quantitativas, ajuda a reinterpretar as mensagens e a atingir uma compreensão de seus significados num nível que vai além de uma leitura comum.(...) A matéria-prima da análise de conteúdo pode constituir-se de qualquer material oriundo de comunicação verbal ou não-verbal…'
Para tanto tomamos como categorias e parâmetros de enquadramento os seguintes:
- ● Não soube responder: foi atribuído ao aluno que deixou a questão em branco, ou que respondeu sem aproximação alguma dos conceitos ou fenômenos em que ocorrem.
- ● Não Tem Conceito Definido: foi atribuído ao aluno que não definiu corretamente, mas se aproximou do conceito ou de situações em que o conceito é aplicado.
- ● Soube Responder: Foi atribuído ao aluno que definiu de forma correta, precisa e ou extremamente próxima do conceito em questão.
Após recolhermos a atividade dos alunos, as guardamos e demos prosseguimento ao conteúdo proposto e falamos sobre a inseparabilidade dos pólos magnéticos de forma expositiva e para encerrarmos a aula sobre magnetismo falamos sobre o personagem da Marvel Magneto, neste momento questionamos a turma quais seriam os poderes do personagem e as características mais marcantes deles.
De posse das respostas dos alunos iniciamos uma exploração dos conceitos físicos de forma lúdica e descontraída, essa discussão teve o objetivo de desmistificar alguns dos poderes, expor erros científicos e mostrar que se o Magneto estudasse física ele saberia utilizar melhor seus poderes, e consequentemente ser bem mais poderoso do que a Marvel o apresenta. Com essa discussão nós finalizamos a abordagem introdutória acerca do magnetismo.
Assim que finalizamos as atividades, realizamos novamente uma nova consulta aos alunos, desta vez objetivando verificar o quanto eles tinham se
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identificado com a forma que discorremos a aula. O questionário foi escrito e tinha as seguintes interrogações:
- ● O que mais te chamou atenção na aula?
- ● Você conseguiu compreender os assuntos abordados? Comente.
- ● Você curtiu o modo de abordagem dessa aula?
A análise desta consulta será discutida nos resultados.
## RESULTADOS E DISCUSSÃO
De posse das respostas dos alunos, realizamos uma análise que resultou no gráfico abaixo:
Gráfico 1: Consulta aos alunos.Fonte: Acervo Próprio.
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Ao optarmos por um instrumento avaliativo qualitativo podemos identificar uma visão geral acerca do conteúdo, podemos conhecer pontos que podem ser melhorados, onde pode haver avanços, onde já há conhecimento consolidado, onde há equívocos e ou falhas conceituais no que tange a física. No que diz respeito a primeira e segunda atividades pudemos inferir, com base nos dados, que havia um conhecimento prévio sobre o magnetismo, mesmo que o do senso comum, daquilo que é visto no dia-a-dia sem uma exatidão conceitual e científica, sem um rigor científico. Quando partimos para o âmbito do aluno e propomos uma abordagem do conteúdo com o personagem da Marvel Magneto a discussão se mostrou muito rica e os alunos se mostraram muito interessados por se tratar de algo do cotidiano e da realidade deles. Foi possível chamar a atenção da maioria dos alunos e construir um link consistente entre conceitos físicos, realidade/cotidiano e ficção científica.
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No que se refere a consulta sobre as impressões gerais que a turma teve da aula, após análise das considerações, podemos constatar que:
- ● Em relação ao que mais atraiu a atenção na aula, foi o uso de experimentação e a abordagem sobre o Magneto.
- ● Quando se tratou do questionamento sobre o que eles julgam ter compreendido os assuntos abordados, a maioria relata ter compreendido e atribuem isso ao fato de que a aula foi proposta em um formato diversificado e dinâmico.
- ● No que foi questionada sobre os alunos terem 'curtido' a aula, uma grande maioria afirma que sim e argumenta que o fato de se ter 'fugido' do formato rotineiro de aulas foi interessante, mas ressaltaram que mesmo fugindo de tal formato o conteúdo não foi desprezado e o foco se manteve no assunto.
## CONSIDERAÇÕES FINAIS OU CONCLUSÕES
Com a realização das atividades supracitadas podemos constatar que, ao utilizarmos as respostas dos alunos para subsidiar o planejamento, construção e execução da aula, conseguimos atingir uma quantidade maior de alunos e manter a atenção dos alunos voltada para a atividade por mais tempo. Foi muito gratificante para nós, bolsistas, ver a interação dos alunos em momentos de investigação e de discussão conceitual, envolvidos em atividades produtivas que permitiram a eles construir conceitos e links do conteúdo com o mundo. Ficamos extremamente contentes com a segunda consulta que realizamos ao alunado, a que diz respeito a impressão que os alunos tiveram da aula, pois com ela podemos verificar que os atingimos de maneira positiva, e assim alcançamos o nosso objetivo.
## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MORAES, Roque. Análise de Conteúdo. Revista Educação. Porto Alegre - RS, Brasil. Disponível em<http://cliente.argo.com.br/~mgos/analise\_de\_conteudo\_moraes.html>. Acesso em 19/10/2016.
MOREIRA, Marco Antonio. Organizadores prévios e aprendizagem significativa. Porto Alegre, Ed. da Universidade, UFRGS, 2012.
SILVA, Sani de Carvalho Rutz da, SCHIRLO, Ana Cristina. Teoria da aprendizagem significativa de Ausubel: Reflexões para o ensino de física ante a nova
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realidade social. In.: Revista Imagens da Educação. V. 4, n. 1, p. 36-42, 2014
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