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AVALIAÇÃO DO SURDO NA DISCIPLINA DE FÍSICA: UM DESAFIO A VENCER

Daniele Leandro, Cynthia Cibelle Urague, Júnias Belmont Alves

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## AVALIAÇÃO DO SURDO NA DISCIPLINA DE FÍSICA: UM DESAFIO A VENCER

## Daniele Leandro¹, Cynthia Cibelle Urague², Júnias Belmont alves³

- 1 Escola Estadual Marechal Rondon, danieleleandro\_23@hotmail.com
- 2 Escola Estadual Marechal Rondon, cynthia\_urague@hotmail.com
- ³ Escola Estadual Marechal Rondon, junias31@hotmail.com

## Resumo

O presente trabalho tem por objetivo apresentar uma proposta avaliativa da disciplina de Física utilizada com uma aluna surda, matriculada no primeiro ano do Ensino Médio, na Escola Estadual Marechal Rondon, em Mundo Novo, Mato Grosso do Sul. Uma vez que existe uma grande dificuldade de se trabalhar os conceitos desta disciplina com alunos surdos, também se faz necessário repensar sua avaliação. Neste sentido, foi necessário realizar pesquisas e discussões de como melhor avaliá-la, para que a mesma não fosse discriminada e nem tão pouco prejudicada em suas notas. Deste modo, se propôs uma avaliação diferenciada e com itens de múltiplas escolhas, o que facilita a compreensão da aluna. O modelo de avaliação vigente na sociedade tanto de ouvintes, quanto de surdos reflete as críticas de Perrenoud (1999) acerca da avaliação, ele afirma que esta prática é dolorosa e que sua origem não é nem medieval nem antiga. A prática avaliativa é uma invenção nascida na modernidade, com os colégios no século XVII. A avaliação é 'indissociável do ensino de massa (séc. XVIII), com a escolaridade obrigatória'. E pensando nessa prática é que o presente trabalho propõe um modelo de avaliação que atenda as dificuldades inerentes da aluna.

Palavras-chave : Física, avaliação, surda

## Avaliação do Surdo e a Física

Em relação à avaliação didática do surdo pouco se encontra nas literaturas brasileiras, na disciplina de Física especificamente é mais escasso ainda.

Conforme o art. 14, incisos VI e VII, do Decreto Federal 5626/2005, o surdo tem assegurado uma avaliação que condiz com sua especificidade:

- VI -adotar mecanismos de avaliação coerentes com aprendizado de segunda língua, na correção das provas escritas, valorizando o aspecto semântico e reconhecendo a singularidade lingüística manifestada no aspecto formal da Língua Portuguesa;

VII - desenvolver e adotar mecanismos alternativos para a avaliação de conhecimentos expressos em Libras, desde que devidamente registrados em vídeo ou em outros meios eletrônicos e tecnológicos;

Diante do exposto acima, percebemos a garantia dos direitos, mas nos esbarramos nos entraves que dispõem sobre a capacitação dos profissionais nessa área, a qual ainda é muito deficitário.

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Segundo Gutierres e Gama (1999) dos cinco sentidos, sem dúvidas, a audição desempenha papel indispensável para aquisição e desenvolvimento da linguagem. A linguagem oral é um meio de comunicação que além de satisfazer uma necessidade humana importante, ou seja, o comportamento social é a maneira pela qual ocorre a exteriorização de pensamentos abstratos por meio de palavras.

Quando o individuo é privado do sentido da audição, compromete-se a aquisição da linguagem e consequentemente aumenta sua dificuldade de compreensão de muitos conceitos.

Segundo Cavalcante (2010), especificamente no ensino da Física há algumas particularidades, por exemplo: a dificuldade com os cálculos básicos, com a contextualização dos conteúdos científicos e os conhecimentos empíricos trazidos pelos estudantes e os problemas com interpretação de texto e leitura são alguns fatores que atrapalham o primeiro contato com a Física. Assim, propor uma avaliação de conceitos de difícil compreensão torna-se ainda mais comprometedor para o processo ensino e aprendizagem do aluno surdo.

Philippe Perrenoud em sua Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens, entre duas lógicas (1999) afirma que na prática da avaliação da aprendizagem não só se classificam os alunos na sala de aula, também, estas práticas possuem um efeito social muito mais definido: a avaliação cria as hierarquias sociais que consolidam a sociedade atual.

A avaliação proposta para o surdo diversas vezes desmotiva-os, impedindoos de seguir em frente nos estudos, pois avaliar o surdo da mesma forma que se avalia um ouvinte é desconsiderar sua deficiência e aumentar significativamente a distancia social que os separam dos demais alunos, uma vez que a dificuldade de comunicação entre os alunos já existe devido a o uso de sua própria língua, a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais).

O modelo de avaliação proposto tem por objetivo confirmar o que realmente a aluna compreendeu dos conceitos e conteúdos apresentados no primeiro bimestre, deste ano de 2018, considerando que a mesma possui intérprete de Libras, que pela legislação fará a interpretação do que o professor apresenta, porém

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esta não é habilitada em Física, o que a impede de explicar os conteúdos na íntegra, sendo assim, o conteúdo, provas e trabalho são adaptados pela professora de Física, com apoio da coordenação e direção da escola.

## Segundo Gesser (2009),

[...] o surdo precisa de intérprete em espaços institucionais em que as pessoas não falam a sua língua já é um direito reconhecido pela Lei nº 10.436, aprovada em 24 de abril de 2002. Então escolas, universidades, repartições públicas, tribunais, hospitais etc. devem atender essa população específica assegurando-lhe o seu direito linguístico de poder ser assistido em sua própria língua. (GESSER, 2009, p. 47).

## Metodologia

O presente estudo foi realizado em uma escola pública da Rede Estadual, localizada no município de Mundo Novo - MS, com o objetivo de desenvolver uma proposta avaliativa na disciplina de Física para uma estudante surda da turma do 1º Ano - Ensino Médio, período matutino.

Buscando apresentar uma metodologia de avaliação no ensino de Física, que visa além de sanar algumas dúvidas e inquietações de profissionais que atuam com esses alunos, responder os seguintes questionamentos: Como o aluno surdo deve ser avaliado? Quais os recursos a serem utilizados?

Para tal, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, buscando respaldo em alguns autores que trabalham com avaliação de aprendizagem na educação com surdos e também utilizando a lei que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais Libras que asseguram alguns direitos a esse tipo de clientela.

Segundo Silva (2010) [...] a Libras sempre deverá estar presente, não como meio de comunicação secular restrito a crianças em horário de intervalo, mas como língua de instrução, aprendizagem, pois é possível perceber que a Libras é entendida como a primeira língua e o português como segunda (SILVA, 2010, p. 144).

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Inicialmente, procuramos saber o seu nível de surdez e a causa, bem como seu nível de aprendizagem, para partir de então propor novas metodologias de trabalho e avaliação.

## Resultados

Primeiramente, procuramos descobrir qual o nível de surdez da aluna, verificando que se trata de uma surdez severa ou profunda, e que a mesma nasceu com esse problema auditivo, mas que não foi identificada a causa, visto que, ninguém da família apresenta essa deficiência. Utilizando assim, a Língua de sinais como um meio de comunicação.

Para elaborar uma proposta de avaliação que condizia com a especificidade da aluna surda, foram tomados como base, referenciais teóricos que trabalham com essa diversidade.

O modelo de avaliação proposta pela docente valoriza o uso das imagens nas avaliações, não utiliza textos muito longos para não dificultar o entendimento da mesma. As opções por alternativas, ao invés das dissertativas são também bastante propícias, pois sabemos que não teria como cobrar um texto bem escrito e dentro das normas que a Língua Portuguesa exige, conforme Bolsanello (2005) bem preceitua.

Ensinar um aluno surdo significa, em primeiro lugar, entender que a perda auditiva lhe traz novas possibilidades de apropriação do conhecimento, muito mais baseadas em experiências visuais do que em experiências auditivas. Se há ou pouca ou nenhuma audição, a visão será o sentido mais importante para a criança em seu processo de aprendizagem (BOLSANELLO, 2005, p.04).

Assim, segundo a mesma autora, os alunos aprendem de maneiras diferentes e por isso são avaliados de acordo com sua especificidade, definindo critérios que melhor atendem as suas particularidades, buscando não realizar comparações de aprendizagens entre alunos surdos e ouvintes.

Alguns exemplos de atividades avaliativas elaborada para a estudante surda:

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Figura 1. Atividade avaliativa sobre energia

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Figura 2. Atividade avaliativa sobre os tipos de energia.

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27 de janeiro a 01 de fevereiro de 2019 - Salvador - BA

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Figura 3. Atividade avaliativa sobre Força.

Assim, foi verificado que atividades com este formato visual facilitam o aprendizado da estudante em estudo e que a mesma obtém notas satisfatórias nas avaliações propostas com este modelo. Tudo isso, se deve a uma metodologia também pensada e elaborada para atender a todos dentro da sala de aula, destacando as aulas com vídeos e imagens como facilitadores da aprendizagem.

## Conclusão

Diante do exposto, percebe-se que se faz necessário discutir com urgência o processo de avaliação pedagógica no âmbito educacional, tanto de alunos sem alguma deficiência e ainda mais em se tratando de alunos: surdos, cegos, autistas, etc.

Conforme a cartilha Saberes e Práticas da Inclusão produzida pela Secretaria de Educação Especial (2006, p.23):

... a presença de alunos com deficiências em turmas regulares faz com que muitos professores, dentre outras inquietações que o trabalho com esses educandos lhes acarretam, manifestem as dificuldades que sentem em 'dar provas', corrigi-las e atribuir notas, usando os mesmos critérios que são usados para os 'outros' ditos normais.

Percebe-se que o professor enfrenta muitos obstáculos ao avaliar o aluno surdo, pois ele não conhece as especificidades da deficiência e os conflitos existentes na vida educacional desses alunos. Assim, diversas vezes fica difícil o docente adaptar os instrumentos de avaliação.

Pode-se concluir que apesar de todos os percalços existentes no processo de ensino-aprendizagem do surdo, quando o professor e o grupo gestor se propõem a realizar um trabalho inclusivo, onde o centro das discussões é a aprendizagem é possível haver êxito.

Objetiva-se com este estudo, auxiliar para a elaboração de trabalhos semelhantes, buscando a reflexão da prática avaliativa dos professores que trabalham com alunos surdos, com o propósito de colaborar com um critério justo, contribuindo para uma sociedade inclusiva e igualitária.

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## Referências

BOLSANELLO, Maria Augusta; ROSS, Paulo Ricardo [ et all ] Educação especial e avaliação de aprendizagem na escola regular: caderno 2 Universidade Federal do Paraná, Pró-Reitoria de Graduação e Ensino Profissionalizante, Centro Interdisciplinar de Formação Continuada de Professores; Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica- Curitiba: Ed. da UFPR, 2005.

BRASIL. Decreto n. 5.626, de 22 de dezembro de 2005 . Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 23 dez. 2005.

\_\_\_ Saberes de Prática da Inclusão: avaliação para identificação das necessidades educacionais especiais . [2. ed.] / coordenação geral SEESP/MEC. Brasília : MEC, Secretaria de Educação Especial, 2006.

CAVALCANTE, K. A Importância da Matemática do Ensino Fundamental na Física do Ensino Médio. Canal do Educador, Estratégia de Ensino, Física. Disponível em: . Acesso em 14 de jul de 2010.

GESSER, Audrei. LIBRAS? que lingual é essa? Crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da realidade surda . Parábola. São Paulo. Curitiba 2009.

GUTTIERRES, C. Gama, MCR; Detecção tardia de deficiências auditiva em crianças com alteração de linguagem. ACTA AWHO. VOL 18, 1999 .

PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens, entre duas lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1999.

SILVA, Lídia. Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS . CURITIBA: Editora Fael, 2010.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.