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UM PROJETO PEDAGÓGICO INTERDISCIPLINAR SOBRE FÍSICA, ARTE E LITERATURA

Ana Márcia Lopes Pereira, Suzerléa Leite Barreto, Maxwell Roger Da Purificação Siqueira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Cultura E Arte No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## UM PROJETO PEDAGÓGICO INTERDISCIPLINAR SOBRE FÍSICA, ARTE E LITERATURA

## Ana Márcia Lopes Pereira 1 , Suzerléa Leite Barreto 2 , Maxwell Roger da Purificação Siqueira 3

1 Colégio Estadual de Ipiaú, anamarcia500@yahoo.com.br

- 2 Complexo Integrado de Educação de Ipiaú, lealeitebarreto@hotmail.com
- 3 Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas-UESC, mrpsiqueira@uesc.br

## Resumo

Tendo em vista que os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio definem como uma das habilidades, para o final da escolaridade básica, a percepção da Física como parte integrante da cultura contemporânea, identificando sua presença nas manifestações artísticas ou literárias, nesse trabalho, recorre-se a interdisciplinaridade, no intuito de relacionar a Física, à Arte e à Literatura como forma de contextualizar e viabilizar sua compreensão. Para isso, propõe-se uma prática docente interdisciplinar, desenvolvida em um colégio de Ensino Médio de tempo integral, por meio do projeto pedagógico Model'art, que une esses componentes em atividades artísticas, desenvolvidas pelos alunos e oficinas, que são realizadas de modo a não interferir no planejamento anual das disciplinas, cujos conteúdos são abordados de forma completa e independente. O projeto é uma alternativa ao modelo tradicional de ensino e articula tópicos de Física Moderna e Contemporânea à música, à dança, à pintura, à literatura, à fotografia e ao teatro, tornando o processo ensino-aprendizagem mais inclusivo, atrativo e contextualizado. Dessa forma, desperta no aluno, não só, o interesse pela disciplina Física, mas também pelas de Ciências, Artes e Literatura, nos seus variados ramos e modalidades, o que estimula a criatividade e o desenvolvimento físico, mental e social. Trata-se de uma estratégia pedagógica que também oportuniza a alfabetização científica por meio de processos artísticos e investigativos. Assim, espera-se, que este trabalho, possibilite ao professor inserir a interdisciplinaridade em sua prática docente de maneira mais eficaz e, para o aluno, a inclusão proativa no processo de ensino-aprendizagem, bem como o desenvolvimento de saberes científicos essenciais à compreensão do mundo e à percepção da Física como cultura.

Palavras-chave : Projeto Pedagógico Interdisciplinar; Física Moderna e Contemporânea; Arte; Literatura.

## Introdução

A abordagem interdisciplinar no ensino, há muito, vem sendo alvo de estudos e discussões, explorando aspectos científicos, históricos e/ou socioculturais nas várias disciplinas do Ensino Médio. A inquietação dos pesquisadores que se dedicam ao assunto data do início da década de 1960 (Fazenda, 2008) e, ainda assim, pouco tem mudado no ensino de Física na sala de aula, na perspectiva da interdisciplinaridade. Isso se deve a vários fatores, desde a dificuldade de relacionar conhecimentos de disciplinas diferentes, até mesmo o entendimento do que venha a ser, de fato, interdisciplinaridade.

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Nesse sentido, Augusto et al. (2004) constatam que:

há ainda, muitas lacunas (entre elas, destaca-se a falta de compreensão do significado do conceito de interdisciplinaridade), que devem ser supridas para a realização de projetos que possam alcançar maiores níveis de integração entre as disciplinas. (p.288)

Diante disso, busca-se descrever uma prática docente interdisciplinar, desenvolvida em uma escola pública de tempo integral, do estado da Bahia. Tratase do Model'art, um projeto pedagógico que acontece há 18 anos, sempre no mês de novembro e que, neste ano, une Física, Arte e Literatura.

- O projeto, em todas as edições, vem sendo coordenado por uma professora de Língua Portuguesa e Literatura com auxílio de colaboradores da instituição e da comunidade, a depender do tema escolhido para o evento. Neste ano, professores de Física foram convidados a participar do projeto, que conta também com as turmas de terceiros anos do Ensino Médio, que são as responsáveis pela elaboração e execução das atividades.

No projeto, as oficinas ministradas pelos professores e as atividades desenvolvidas pelos alunos, são realizadas de forma a não interferir no planejamento das disciplinas, cujos respectivos conteúdos são abordados de forma completa e independente. Assim, propõe-se uma prática docente interdisciplinar que torne o processo de ensino e aprendizagem mais inclusivo, atrativo e contextualizado, articulando conhecimentos de Física à música, dança, pintura, teatro, literatura e fotografia, o que desperta no aluno, não só, o interesse pelas Ciências, Artes e Literatura, nos seus variados ramos e modalidades, como também, promove a autonomia, o protagonismo, a criatividade e o desenvolvimento físico, mental e social, possibilitando também, a descoberta de novos talentos.

- A importância deste trabalho justifica-se pela dificuldade e, às vezes, aversão que alguns alunos têm com a disciplina Física, no Ensino Médio. Desse modo, abordar a disciplina interdisciplinarmente mostra-se como uma alternativa para a inclusão no processo de ensino e aprendizagem, daquele aluno que não se sente motivado a estudar Física no modelo tradicional de ensino.

Corroborando essa ideia, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, PCN+ Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, definem como uma das principais habilidades em Física, esperadas ao final da escolaridade básica, a de compreender a Física como parte integrante da cultura contemporânea, identificando sua presença nas manifestações artísticas ou literárias, destacando a contribuição da Ciência para a cultura humana e a influência da Física na interpretação do mundo atual. (BRASIL, 2002, p.68).

Percebe-se também, no que tange a interdisciplinaridade, que nem sempre é fácil inseri-la na prática docente. A adaptação dos conteúdos das disciplinas para o contexto interdisciplinar, gerando uma relação harmoniosa entre eles, de modo que resulte em uma complementação recíproca de conhecimentos, talvez seja um dos entraves para a sua prática. Assim, esse trabalho se faz oportuno, já que colabora com a prática da interdisciplinaridade escolar.

## Interdisciplinaridade e o Ensino de Física.

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Pode-se dizer que a interdisciplinaridade é a forma de se trabalhar um tema sob pontos de vista diferentes, o que permite não só a percepção do vínculo entre as áreas do conhecimento ou entre conteúdos que se complementam, como também uma visão global das relações socioculturais, histórica e científica do saber. Isso, ao mesmo tempo em que possibilita diálogo entre os vários atores do processo de ensino e aprendizagem, já que uma atividade interdisciplinar potencializa o convívio social e o compartilhar de opiniões, ideias e conhecimentos.

Contudo, para Fazenda (2011), que considera o termo polissêmico:

Interdisciplinaridade é uma nova atitude frente à questão do conhecimento, de abertura à compreensão de aspectos ocultos do ato de aprender e dos aparentemente expressos colocando-os em questão. Exige, portanto, uma profunda imersão no trabalho cotidiano, na prática. (p.10)

Quando Fazenda (2011) associa o atitudinal à definição de interdisciplinaridade, percebe-se que, para a autora, não se trata apenas de uma prática, adotada em uma ou outra atividade pedagógica, mas algo que é incorporado à prática docente, de modo que o raciocínio passa a ser interdisciplinar. Pode-se dizer que a interdisciplinaridade envolve sensibilização e internalização.

Nesse seguimento, Azevedo e Andrade (2007) destacam que:

A interdisciplinaridade tem como proposta promover uma nova forma de trabalhar o conhecimento, na qual haja interação entre sujeitos-sociedadeconhecimentos na relação professor-aluno, professor-professor e alunoaluno, de maneira que o ambiente escolar seja dinâmico e vivo e os conteúdos e/ou temas geradores sejam problematizados e vislumbrados juntamente com as outras disciplinas. (p. 259)

Vale ressaltar que, quando se percebe a existência do conhecimento interdisciplinar, o disciplinar não deve ser desprezado, respeitando as características e contribuições de cada uma das diferentes áreas do conhecimento. Nesse sentido, Zanetic (2006) enfatiza que 'para trabalharmos a interdisciplinaridade na escola, é necessário destacar o papel da disciplinaridade' (p.52).

Com a elaboração da Base Nacional Comum Curricular, o Ensino Médio tem sido objeto de discussões, principalmente no que se refere ao ensino propedêutico, descontextualizado e compartimentalizado praticado nas escolas. E no que se refere à disciplina Física, ressalta-se que, no Ensino Médio, o objetivo principal não é formar físicos, de modo que se pode destacar duas tendências no ensino de Física nas escolas: a física como possibilidade de compreensão do mundo e a física como cultura, base para alfabetização científica. Sendo assim, espera-se um ensino que permita uma nova percepção da realidade, relacionando a Física com outros aspectos, o que, segundo Zanetic (2005), é crucial para a compreensão do papel cultural desta ciência.

## Nesta vertente, o autor declara que

o ensino de física não pode prescindir, além de um número mínimo de aulas, da conceituação teórica, da experimentação, da história da física, da filosofia da ciência e de sua ligação com a sociedade e com outras áreas da cultura. Isso favoreceria a construção de uma educação problematizadora, crítica, ativa, engajada na luta pela transformação social. (Zanetic, 2005, p.21)

Diante da intenção de se conectar Arte e Física, percebe-se inicialmente que, pelo fato de a última estar relacionada à razão, à exatidão e à precisão das medidas, enquanto que a primeira, à emoção, à criatividade e à liberdade de

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expressão; conclui-se que elas fazem parte de áreas diferentes do conhecimento humano. Porém, esta ideia cai por terra quando se constata a presença da razão no Impressionismo e a sua ausência no Surrealismo ou, a exatidão e a precisão no Cubismo. Vale destacar o fato de que grandes cientistas se dedicaram a Ciência e as Artes, a exemplo de Leonardo da Vinci.

Expondo sobre a ligação entre Ciência e Arte, Araújo-Jorge (2007) relata que ambas se complementam para o entendimento da natureza e seus efeitos; e fundamenta a utilização destas duas culturas como estratégia pedagógica.

A arte pode se combinar com a ciência como parte de uma estratégia pedagógica explícita para a educação científica da população. Atividades de ciência e arte possibilitam o desenvolvimento de novas intuições e compreensões através da incorporação do processo artístico a outros processos investigativos. (Araújo-Jorge, 2007, p.12)

Percebe-se que conhecimentos científicos, em muitas situações, se confundem com o fictício na arte cinematográfica, nos filmes de ficção científica que, em algumas situações, reproduzem obras literárias. E este diálogo, entre a Física, a Arte e a Literatura, entre o real e o imaginário, há muito tem permeado as criações artísticas. Reis et al. (2005) relatam que em 1895, H. G. Wells, em seu livro Máquina do Tempo, faz referência às relações entre espaço e tempo; o autor 'parece prenunciar o que a teoria da relatividade traria a partir de 1905' (p.31). Segundo os autores, alguns questionamentos da Física faziam parte do ambiente cultural da época, tornando perceptível a visão de mundo dos artistas e cientistas.

A Física perpassa pela Arte, ainda no século XIX, no Impressionismo, movimento artístico no qual elementos como tempo e o movimento podiam ser percebidos na pintura, por meio do jogo de luz e cores das obras.

Um caso bastante significativo foi o de Claude Monet, que construiu vários quadros em que repetia o motivo, mas mudava o instante em que pintava. Numa de suas várias séries de quadros, ele pintou diversos montes de feno em diferentes épocas do ano. Numa outra, denominada 'Catedral de Rouen', ele pintou a fachada do templo em diferentes horas do dia. Com isso Monet passou a incorporar a temporalidade à pintura, uma vez que construiu imagens que não existiam apenas no espaço, mas também no tempo. (Reis et al., 2005, p.31)

Já no início do século XX, Pablo Picasso, por exemplo, com o Cubismo, utilizou formas geométricas para representar a natureza. A ideia era retratar o objeto em três dimensões no plano, para que pudesse ser visto, sob todos os ângulos ao mesmo tempo, passando a ideia de simultaneidade; tema tratado por Albert Einstein na Teoria da Relatividade Especial.

Podemos ver que Picasso transcendeu Monet na representação temporal que este introduziu na pintura. Enquanto Monet pintou vários quadros para mostrar a temporalidade do espaço, Picasso colocou a simultaneidade, a junção espaço-tempo num único quadro. No 'Les Demoiselles D'Avignon' a mulher agachada está representada simultaneamente de costas e de frente. (Reis et al., 2005, p.31)

Percebe-se, então, que Física, Arte e Literatura têm mais coisas em comum do que se pode imaginar, inclusive o fato de surpreender, encantar, impactar e até mesmo mudar a percepção do entorno. Isso, sem falar que cientistas e artistas têm em comum a sensibilidade de observar a natureza e captar elementos peculiares nem sempre percebidos por outrem. E este fascínio, comum a essas culturas, pode ser usado como forma de inclusão no processo de ensino e aprendizagem, como

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opção ao modelo tradicional de ensino. Porém, qual prática pedagógica poderia integrar conhecimentos de Física, Arte e Literatura, criando uma alternativa de construção do conhecimento, de forma interdisciplinar?

## Model'art: O Projeto Pedagógico Interdisciplinar

- O Model'art, enquanto projeto pedagógico, traz a ideia de algo desejado e previsto. Dessa forma, não pode ser confundido com uma atividade em que, fornecido o tema, os alunos executam, conforme determinado. Ao contrário, a proposta é lançada e cabe aos professores 'viabilizar a criação de situações que propiciem aos alunos desenvolverem seus próprios projetos' (Prado, 2005, p.82), orientar e delimitar do percurso, visando garantir a aprendizagem.

Trabalhar com projetos pressupõe criar um ambiente, dinâmico e criativo, de aprendizagem extraclasse, que favorece o desenvolvimento da autonomia e da solidariedade do trabalho em equipe, da liberdade e responsabilidade da busca de soluções para uma situação-problema e oportuniza o aluno ser protagonista, de fato, do processo de construção do conhecimento. Afinal, ele investiga, cria hipóteses, pesquisa e investe a sua aptidão e habilidade, na busca do saber, de acordo com a sua realidade cotidiana, suas as expectativas e interesses próprios.

Além disso, conforme enfatiza Prado (2009),

a metodologia de projeto potencializa a integração de diferentes áreas do conhecimento [...] as quais permitem ao aluno expressar seu pensamento por meio de diferentes linguagens e formas de representação. Por esta razão, a pedagogia de projetos evidenciou seu caráter potencializador de práticas interdisciplinares. (p. 58)

Assim, tem-se no projeto pedagógico interdisciplinar, uma prática adequada para integrar a Física, a Arte e a Literatura, ao mesmo tempo em que favorece a inclusão do aluno no processo de ensino e aprendizagem, permitindo o desenvolvimento de competências e habilidades que possibilitam a compreensão do mundo e o reconhecimento da Física como cultura e da Ciência, como construção humana.

No desenvolvimento deste projeto pedagógico interdisciplinar tomou-se como base o trabalho realizado por Batista et al. (2008). Os autores sugerem 'uma análise diagnóstica do contexto educativo, como as características dos alunos e da comunidade escolar' (p.215). O resultado da análise provocou a inquietação que originou o projeto: a dificuldade e, consequentemente, o desinteresse de alguns diante da disciplina Física e, ao mesmo tempo, entusiasmo e envolvimento nas atividades de Artes e Literatura.

Para Batista et al. (2008), o desenvolvimento de projetos interdisciplinares é uma idealização coletiva, que envolve professores e alunos, e compreende várias fases: a escolha do tema, a identificação do que se sabe sobre o assunto, a determinação das questões centrais, a definição das estratégias de trabalho e o desenvolvimento dessas estratégias, sistematização e apresentação, divulgação e avaliação. Para este trabalho, será adotado o termo 'culminância' no lugar de 'divulgação', por ser considerado mais adequado.

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Para a escolha do tema, a proposta de um projeto interdisciplinar é apresentada para os alunos dos terceiros anos do Ensino Médio. Isso porque, em todas as edições, são estas turmas as responsáveis pela elaboração e execução do Model'art, com a participação de alunos das outras séries.

O tema sugerido e aceito pelos alunos une a Física, Arte e Literatura em torno das produções científicas do século XX: a Física Moderna e Contemporânea. Inicia-se, então, a fase seguinte, de identificação do que se sabe sobre o assunto.

Nesta etapa, realiza-se uma Roda de Conversa, da qual participam professores e alunos, que têm a oportunidade de expor suas concepções, ler produções textuais sobre o assunto e participar de debates com intervenções dos professores, que devem pontuar o que houver de relevante. É 'importante considerar todas as opiniões, concepções prévias, idéias intuitivas e construídas, que os alunos manifestem, sendo tal levantamento uma primeira imagem do grupo sobre o tema em questão.' (Batista et al., 2008, p. 216)

Após a Roda de Conversa e com base nas informações coletadas, tem-se a fase de determinação das questões centrais,

que se apresentam como orientadoras de um processo de busca, seleção e análise de informações pelos alunos participantes do projeto, ou ainda a realização de estudos mais abrangentes em torno de questões que eventualmente já tenham sido trabalhadas disciplinarmente, mas que necessitem serem retomadas e aprofundadas na perspectiva interdisciplinar esboçada pelo projeto. (Batista et al., 2008, p. 216)

Nesta fase, planeja-se abordar nas oficinas, conteúdos de Física Moderna e Contemporânea, Vanguardas Europeias, Modernismo e o que se fizer necessário, com o intuito de esclarecer possíveis dúvidas adquiridas nas pesquisas realizadas pelos alunos e estimular a percepção interdisciplinar dos conteúdos.

Na definição e desenvolvimento das estratégias de trabalho, os alunos são orientados quanto a forma mais adequada de, em equipe, buscar mais informações, visando responder as questões centrais e realizar uma abordagem detalhada sobre o assunto escolhido. Eles podem pesquisar em livros, revistas, artigos e internet, informações sobre a produções científicas relacionadas à Física Moderna e Contemporânea, destacando fatos relevantes do contexto sociocultural que influenciaram essas produções; o Modernismo, as Vanguardas Europeias e as possíveis conexões entre a Física, a Arte e a Literatura do início do século XX.

Na sistematização e apresentação da sistematização, as equipes elaboram um relatório, que servirá como um dos instrumentos de avaliação e será apresentado para professores e colegas. Na apresentação, os alunos podem utilizar slides com imagens, fotos e recortes para melhor relatar o trabalho realizado e os conhecimentos e habilidades adquiridos.

Para Batista et al. (2008), na fase de sistematização, é importante que os alunos sejam orientados a confrontar as concepções consensuais e as opiniões divergentes identificadas nas fases iniciais em relação aos conhecimentos adquiridos posteriormente.

A culminância do projeto, que também é objeto de avaliação, consiste de uma apresentação na unidade escolar, para a comunidade escolar e aberta ao público. Aqui, deve-se permitir que o aluno aprenda fazendo e se reconheça naquilo que produz, contextualizando conceitos já conhecidos e descobrindo outros durante

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o desenvolvimento do projeto (Prado, 2005). E já na escolha do tema, foram aceitas propostas de um musical na abertura do evento, intercalando dança com encenações de fatos importantes relativos à Física Moderna e Contemporânea. Foi sugerido também a realização de uma exposição de releituras de obras concernentes ao tema, permitindo, por meio da intertextualidade, que os alunos percebam o diálogo entre a Arte e as produções científicas.

O quadro a seguir mostra, de forma sintética, as fases do projeto pedagógico interdisciplinar, desenvolvido em um período de 3 meses, aproximadamente.

Quadro 1 - Síntese do Projeto Pedagógico Interdisciplinar

## Considerações Finais

É inegável que a prática da interdisciplinaridade é instigante. Ela desafia o professor a ampliar o conhecimento, não só da sua disciplina, mas também de outras e a identificar o elo de ligação entre elas. Logo, as atividades interdisciplinares ficam mais fáceis quando acontece a integração entre professores de áreas diferentes.

A proposta pedagógica aqui tratada está em fase de implementação, logo, não é possível a sua plena avaliação. Contudo, já se percebe o envolvimento dos alunos na realização das atividades, de forma proativa, despertando o espírito investigativo e contribuindo positivamente para a aprendizagem. Espera-se, com esse trabalho, no que tange ao professor, como uma possibilidade de inserção da interdisciplinaridade em sua prática docente de forma mais eficaz e, para o aluno, que o projeto pedagógico interdisciplinar, tendo as Artes e a Literatura como recurso, possibilite o desenvolvimento de saberes científicos essenciais à compreensão do mundo e à percepção da Física como cultura. Assim, tem-se na perspectiva interdisciplinar uma forma de se viabilizar a construção de conhecimento de forma inclusiva e integrada, pois é desta forma que as Ciências, as Artes e a Literatura se manifestam no cotidiano, englobando tudo e todos.

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Nesse sentido, a interdisciplinaridade permite explorar as possibilidades de cada área do conhecimento, criando condições para se desenvolver competências e habilidades para a compreensão do mundo, influenciando o aluno na sua forma de pensar e agir.

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