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TEATRO DE FANTOCHES E O ENSINO DE FÍSICA

Juliano Aparecido Hernandes, Carolina Rodrigues De Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Cultura E Arte No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## TEATRO DE FANTOCHES E O ENSINO DE FÍSICA

Juliano Aparecido Hernandes 1 , Carolina Rodrigues de Souza 2

- 1 UFSCar/Departamento Metodologia de Ensino, juliano\_physis@hotmail.com
- 2 UFSCar/Departamento Metodologia de Ensino, carolinasouza@ufscar.br

## Resumo

A experiência como recepcionista de uma Unidade Pronto Atendimento (UPA), localizada em uma região carente da cidade de São Carlos -SP, somado ao desenvolvimento do curso em licenciatura em Física, proporcionou saberes no que diz respeito a importância do conhecimento científico no cotidiano das pessoas. Baseado nessa hipótese, enquanto bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), desenvolvi uma atividade, junto a uma escola pública desse bairro, com o objetivo de propiciar a emancipação da comunidade escolar quanto a utilização do termômetro de mercúrio, usando a linguagem do teatro de fantoches, buscando demonstrar as relações das Ciências e Tecnologias com a Sociedade (CTS). Atividade foi realizada com a modalidade de Ensino de Jovens e Adultos (EJA). A verificação da efetividade da abordagem, no tocante ao aprendizado dos alunos foi realizada através da aplicação de um questionário, antes e depois da atividade. Dessa maneira, podemos concluir que a abordagem da linguagem do teatro de fantoche no ensino de Física juntamente com a abordagem CTS, é fecunda no aprendizado de termodinâmica e possui uma potencialidade de atrair a atenção dos alunos.

Palavras-chave : Ensino de Física, Teatro de fantoches, PIBID.

## Introdução

Na qualidade de bolsista ID (Iniciação à docência), no segundo semestre de 2016, no PIBID - Ensino de Física, surgiu o interesse de desenvolver um trabalho que fosse capaz de emancipar os alunos sobre o uso de termômetro de mercúrio, e fomentar que eles fossem multiplicadores em suas residências e círculos sociais. Visto que o local para a execução desse trabalho seria na II Jornada Estudantil de Ciência, Cultura e Artes (JECCA), em uma sala do segundo ano do ensino médio, da modalidade EJA (Ensino de Jovem e Adulto), as liberdades metodológicas eram amplas.

Buscando relacionar o conhecimento científico com o dia a dia dos alunos optou-se por trabalhar com a linguagem do teatro de fantoches, teatralizando uma situação do contexto dos alunos com a inserção de textos científicos. Pois como aponta GWENDOLA 1 (2003, p.4 apud, GADAIR; SCHALL, 2009, p.8) 'o teatro coloca em cena o mundo para ajudar a compreendê-lo', e segundo Campanini e Rocha (2017, p.2) 'permitindo ao professor teatralizar determinados textos científicos visto que este pode ser um instrumento facilitador para o aprendizado', dessa forma, acreditou-se que com essa abordagem lúdica, a capacidade de aprendizado dos alunos seria potencializada.

No presente trabalho, apresentamos o relato de uma experiência envolvendo a discussão de conceitos científicos e tecnológicos. A experiência que relatamos se

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deu no âmbito de um projeto executado em uma escola pública da cidade de São Carlos-SP, Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan. O trabalho teve como motivação a emancipação da comunidade em relação ao uso de termômetros de mercúrio. Diante do apresentado, esse trabalho objetiva apontar as etapas e resultados de uma abordagem lúdica, utilizando a linguagem do teatro de fantoches, para o ensino de Física.

## Referencial Teórico

Pretendeu-se nesse trabalho que apresentamos, uma tentativa de preparar os alunos para o exercício da cidadania, relacionando o seu contexto social com a ciência e tecnologia, assim como a aprimoração da comunicação oral dos mesmos era uma preocupação. Nesse sentido, nos baseamos na abordagem CTS, que desde 1960 propõem currículos, como assinalam Santos e Mortimer (2002). Tal abordagem dialoga com nossos objetivos, e trazemos o seguinte trecho,

'Dentre os conhecimentos e as habilidades a serem desenvolvidos, HOFSTEIN, AIKENHEAD e RIQUARTS (1988) incluem: a autoestima, a comunicação escrita e oral, o pensamento lógico e racional para solucionar problemas, a tomada de decisão, o aprendizado colaborativo/cooperativo, a responsabilidade social, o exercício da cidadania, a flexibilidade cognitiva e o interesse em atuar em questões sociais. ' (Santos e Mortimer 2002, p. 114)

## Metodologia

Como forma de trabalhar a comunicação oral dos alunos, optamos pelo teatro de fantoche que segundo Macedo et al. (2013) 'O Teatro é uma linguagem artística que envolve conhecimentos e questionamentos sobre o mundo. Uma forma de comunicação, um espaço onde cada um se permite ser um pouco de tudo e muito de si mesmo'.

Nas situações que é comtemplada a utilização de bonecos de fantoches, aspectos educacionais relativos à comunicação são desenvolvidos, como por exemplo, fala, escrita e leitura. Nesse mesmo sentido, a socialização também é favorecida na medida em que esse tipo de metodologia necessariamente é realizada em grupos, dessa maneira desencadeando as trocas de conhecimentos, tanto dos alunos com seus pares quanto com o professor.

Atividade foi realizada na Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan, escola pública situada na periferia da cidade de São Carlos-SP, em quatro aula de 50 minutos, com a presença de 19 alunos da modalidade de Ensino EJA, no período noturno.

## Apresentação da atividade

Para a realização da atividade foi utilizado o material que consta no quadro 1, e os textos autorais que constam no quadro 2 e quadro 3, assim como livros textos de termodinâmica do ensino médio disponíveis na biblioteca da escola.

Em sala, o bolsista ID, iniciou de maneira expositiva uma introdução, dos conceitos da termodinâmica e suas aplicações, com o auxílio de slides. Nesse mesmo momento foi proposta a oficina. Logo após os alunos formaram quatro

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grupos de alunos, no meio tempo em que os alunos se organizavam, foi comentado quais eram as estruturas de cada pré-roteiro, dessa forma, os grupos escolheram o pré-roteiro com qual mais se identificou. Nesse mesmo momento foi entregue o material para a confecção dos fantoches. Durante a confecção dos fantoches, por parte dos alunos, cada grupo foi percorrido e nessas interações a buscou-se um aprofundamento sobre o tema termodinâmica.

## Quadro 01: Material Utilizado na Confecção dos fantoches

-  Saco de papel Kraft (Saco para pão);
-  Novelos de lã, diversas cores, a fim de dar conta de diversidades étnicas;
-  Canetas hidrográficas, diversas cores.
-  Fita adesiva;
-  Cola de papel;
-  Tesoura;
-  Termômetros de mercúrios;
-  Álcool e algodão para higienização dos termômetros;
-  Imagens impressas acerca de Termodinâmica e termômetros;
-  Textos orientadores para a discussão e apresentação do teatro de fantoche;
-  Placas de papelão para a construção do palco.

## Quadro 02: Texto 1, Contextualização

Em todos os dias letivos, as alunas Beatriz, Agatha e Alessandra, vão juntas para a escola, mas, hoje Agatha estranhou ao ver Beatriz descer a ladeira sinuosa de sua casa sozinha, sem Alessandra. Agatha curiosa, se perguntava: cadê a Alessandra?

Quando Beatriz chegou, ela foi logo perguntando:

- - Cadê a Alessandra? Indagou Agatha.
- - Está com febre, a mãe dela vai levar ela na UPA. Respondeu Beatriz.
- - Mas Beatriz, o que é febre? Perguntou Agatha.
- -Não sei, a mãe dele disse que ele está muito quente... Respondeu Beatriz.
- - Nossa quente!? Como a água fervendo? Perguntou curiosamente Agatha.
- As duas amigas seguem à escola, a dúvida sobre a saúde da colega e sobre o que é febre instala um silêncio sepulcral no percurso de ida para escola. Ao virar a rua que dá acesso à escola Agatha vê uma colega.
- - Raquel! Grita Agatha.
- -Oi, Agatha... Responde Raquel.
- -O que é febre? Pergunta Agatha.
- -Não sei, por que quer saber? Replica Raquel.
- - Alessandra está com febre. Responde Agatha.
- - O professora de Física Raquel, vai falar de calor hoje, será que ele sabe o que é

## febre?

- - Na escola perguntamos. Sugeriu Beatriz.

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## Quadro 03: Texto 2, O que é febre.

- O corpo humano apresenta uma temperatura normal entre 36ºC e 37,5ºC. É considerado febre a temperatura maior que 38ºC, entre 37,6ºC e 37,9ºC, é considerado pela literatura médica como febrícula.

A febre não é uma doença. É uma resposta natural, um sistema de defesa do corpo quando o organismo percebe que existe algo que possa ameaçar seu bom funcionamento (geralmente algum vírus ou bactéria, na maior parte dos casos). O aumento da temperatura corporal tem como objetivo atrapalhar as funções básicas destes invasores e também estimular a função das nossas células de defesa, que passam a funcionar melhor quando aumentada a temperatura.

Para medir a temperatura de forma precisa, deve ser utilizado um termômetro e posiciona-lo abaixo da axila por 5 minutos. O termômetro é utilizado para medir a temperatura corporal e trabalha com base no equilíbrio térmico. O equilíbrio térmico funciona da seguinte forma, ao se colocar o termômetro em contato com o corpo humano ele ficará na mesma temperatura que o corpo. Existem outros métodos de medir a temperatura, pelo ânus e boca, porém não são utilizados com frequência. Esses métodos como regra geral apresentam 1ºC a mais que a temperatura medida pela axila.

Atualmente existem diversos modelos de termômetros, os digitais são os mais recomendados pela facilidade do seu uso e preço acessível. Alguns ainda utilizam o mercúrio, porém devido às características tóxicas do mercúrio para os seres humanos e o meio ambiente a proibição de seu uso está em discussão na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que propõe proibir a fabricação, importação, venda e uso de termômetros de mercúrio em serviços de saúde. Caso aprovada, a resolução deve entrar em vigor em janeiro de 2019.

## Resultados e discussões

Como forma de ter a percepção dos conhecimentos adquiridos pelos alunos por intermédio da oficina, foi elaborado um questionário, com oito perguntas objetivas sobre o tema termodinâmica, e aplicado no início da oficina. Nessa aplicação inicial do questionário supracitado, os alunos acertaram três questões em médias, de oitos possíveis acertos. O mesmo questionário aplicado no início da oficina, foi novamente aplicado após a encenação das peças teatrais, ou seja, no final da oficina. Nessa nova aplicação notou-se um salto de três para seis acertos de oito possíveis acertos.

## Quadro 04: Questionário.

- 1. O que é febre?
- 2. Febre é um sintoma ou uma doença?
- 3. Você é capaz de descrever a forma correta da utilização do termômetro de mercúrio (aquele de vidro, com uma das extremidades de metal)?
- 4. De que maneira o calor de um corpo ou de uma pessoa pode ser aferido?
- 5. Quais são os tipos de transferência de calor?
- 6. Defina o que é calor, e também defina o que é frio?
- 7. Explique o fenômeno das correntes marítimas?

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Abaixo trago algumas fotos dos momentos da oficina, confecção dos fantoches e apresentação da peça teatral.

Figura 01: Alunos Confeccionando Fantoches

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Figura 02: Aluna e seu Fantoche

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Figura 03: Alunos na encenação da oficina Teatro de Fantoches.

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## Conclusão

Para além do salto quantitativo das respostas consideradas certas, a oficina mostrou-se eficiente em termos da participação dos alunos. A metodologia de uso de linguagem do teatro de fantoche mostrou-se eficaz, pois, a aceitação da oficina pelos alunos do segundo ano do ensino médio modalidade EJA, foi muito boa, pois apenas dois alunos não aceitaram a participar da encenação, num total de 19 alunos presente, ainda assim, todos os alunos confeccionaram seus bonecos de fantoches e participaram da construção do enredo da peça em seu grupo e todos assistiram à apresentação dos seus colegas de sala. Tendo em vista, a grande concorrência que os professores vivenciam em sala de aula, como instrumentos eletrônicos, fones de ouvido e conversas paralelas ao assunto de aula, a metodologia adotada demonstrou que tem a capacidade de reunir os alunos em torno do tema proposto pelo professor.

## Referências

UMA AN'LISE DE PRESSUPOSTOS TEÓRICOS DA ABORDAGEM C-TS (CI˚NCIA - TECNOLOGIA - SOCIEDADE) NO CONTEXTO DA EDUCA˙ˆO BRASILEIRA. Belo Horizonte: Scielo, v. 2, n. 2, 01 jul. 2000. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/epec/v2n2/1983-2117-epec-2-02-00110.pdf&gt;. Acesso em: 23 jul. 2018

CAMPANINI, Barbara Doukay; ROCHA, Marcelo Borges. CIÊNCIA E ARTE: CONTRIBUIÇÕES DO TEATRO CIENTÍFICO PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS EM ATAS DO ENPEC . In: 11° ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS - 11° ENPEC UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, FLORIANÓPOLIS, SC - 3 A 6 DE JULHO DE 2017, 11., 2017, Florianópolis. Anais. Florianópolis: ENPEC, 2017. p. 1 - 10. Disponível em: &lt;http://www.abrapecnet.org.br/enpec/xi-enpec/anais/indiceautor.htm#C&gt;. Acesso em: 22 jul. 2018

MACEDO, Erlane Santana et al. A IMPORTÂNCIA DO TEATRO NA FORMAÇÃO DO ALUNO: UMA ANÁLISE A PARTIR DO GRUPO DE TEATRO PESSOAS DO IFMA CAMPUS - ZÉ DOCA. 2013. Disponível em: &lt;http://www.sbpcnet.org.br/livro/65ra/resumos/resumos/5104.htm&gt;. Acesso em: 22 jul. 2018.

GARDAIR, Thelma Lopes Carlos; SCHALL, Virgínia Torres. CIÊNCIA, TEATRO E APRENDIZAGEM NO DESENVOLVIMENTO DE EVENTOS CULTURAIS . In: 7° ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS - 7° ENPEC UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, FLORIANÓPOLIS, SC - 8 A 13 DE NOVEMBRO DE 2009, 7., 2009, Florianópolis. ENPEC. Florianópolis: Abrapec, 2009. p. 1 - 10. Disponível em: &lt;http://posgrad.fae.ufmg.br/posgrad/viienpec/pdfs/1276.pdf&gt;. Acesso em: 13 set. 2018.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.