ISSO É MANDINGA? FEITIÇARIA? COISA DO DAVID COPERFIELD?: O HOMEM-FORMIGA NO ENSINO DE FÍSICA
Fabiana Gozze Soares, Michele Silva Oliveira, Leonardo Araújo Silva, Carolina Arrufo De Almeida, Angelica Teodoro Gouveia, Dulcimeire Ferreira De Azevedo, Robson Marcello Antunes, Silvana Silva Lima, José Tomaz De Oliveira Junior
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 29/01/2019
- Linha de pesquisa
- Cultura E Arte No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ISSO É MANDINGA? FEITIÇARIA? COISA DO DAVID COPERFIELD?: O HOMEM-FORMIGA NO ENSINO DE FÍSICA
Fabiana G. Soares 1 , Michele S. Oliveira 2 , Leonardo A. Silva 3 , Carolina A. de Almeida 4 , Angélica Teodoro Gouveia 5 , Dulcimeire F. de Azevedo 6 , Robson M. Antunes 7 , Silvana S. Lima 8 , José T. de O. Junior 9
1 UNIFEI, fabi.gozze@gmail.com 2 UFABC, oliveiras2mih@gmail.com 3 UFABC, l.araujo@ufabc.edu.br 4 SEE, carol.arrufo@gmail.com 5 SEE, angelica\_gouveia@hotmail.com 6Educamais, meiredeazevedo@hotmail.com 7 IFSP-SPO, marcelloantunes@Hotmail.co.uk 8 IFSP-SPO, siluminista@hotmail.com 9 IFSP-SPO, jtjtoj@gmail.com
## Resumo
O presente trabalho tem como objetivo indicar uma proposta de recurso didático utilizando personagens apresentados como Super-Heróis nas Histórias em Quadrinhos e no Cinema. Este trabalho propõe que o professor educador apresente nas aulas de disciplina de Física o personagem Homem- Formiga criado em 1962 pelo desenhista Stan Lee através dos Estúdios Marvel com o intuito de tratar a Física Moderna com a temática de Física de Partículas e Relatividade com a introdução do que seria espaço-tempo. Tal sugestão tem o intuito de apresentar um recurso que possa levar o aluno a verificar a forma com a qual a Ciência é apresentada nesses veículos culturais e midiáticos com o propósito de causar curiosidade, a fim de potencializar o interesse e criticidade atrelados à sua postura tanto nas aulas de Física quanto em seu cotidiano. Tal recurso também visa auxiliar na prática pedagógica do professor reflexivo atuante na Educação Básica, pois concebe-se que apesar de haver pesquisas que favorecem e contribuem para melhoria do Ensino existem algumas lacunas a serem supridas no Ensino de Ciências, inclusive no Ensino de Física. Sendo assim, espera-se através deste trabalho colaborar com o aumento do leque de opções do professor de Ensino de Física em sua prática docente.
Palavras-chave : Ensino de Ciências, Ensino de Física, História em Quadrinhos.
## Introdução
As Histórias em Quadrinhos possuem forte presença histórica e sociocultural na sociedade atual, principalmente no que tangem as histórias de super-heróis no qual estes, desde a década de 40 do século passado, têm grande influência no mercado como influenciadora de massas e formadora de opinião (CERENCIO, 2011).
Isso acontece, pois segundo Candido et al (2007 ) o leitor tende a viver através das aventuras desses personagens e ainda
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Boa parte dos leitores, porém, põe o mundo imaginário quase que imediatamente em referência com a realidade exterior à obra, já que as objectualidades puramente intencionais, embora tendam a prender a intenção, são tomadas na sua função mimética, como reflexo do mundo empírico (p.20).
A utilização de personagens da História em Quadrinhos pode ainda contribuir com o aprendizado e desenvolvimento de habilidades e competências dos alunos (BIERHALZ et al, 2017). Além disso, tal ferramenta auxilia o professor na introdução de assuntos pertinentes a formação do educando a serem discutidos em aula, tais como, ética, ciência, religião e história (WESCHENFELDER e KRONBAUER, 2010).
Entretanto, os Super-Heróis não aparecem atualmente apenas nas revistas de Histórias em Quadrinhos, mas também ganharam vida no cinema, sendo este um importante veículo pedagógico (BLUHN et al, 2015).
Alguns pesquisadores apontam que a utilização de cine-aulas é vista como uma metodologia de ensino que favorece não somente a prática pedagógica, mas também auxilia na formação do conhecimento científico dos alunos (OLIVEIRA, 2012; LERA e ROSA, 2013).
- O Cinema de um modo geral, veicula diversos temas de modo a propagar o conhecimento de forma democrática, tal conhecimento em sala de aula pode vir a ser estudado com o intuito de se verificar a veracidade de tais informações contribuindo para que o aluno possa discernir o que é ou não realidade (BRITO e NOLASCO, 2011).
- E ainda, segundo SOUZA e GUIMARÃES (2013) pode auxiliar na compreensão da cultura como
produtora de significados implica em reconhecer que a escola não é a única instituição envolvida no processo de educar, e as mídias, como os filmes cinematográficos, por exemplo, nos ensinam modos de pensar e ver, de se relacionar no e com o mundo, com os outros sujeitos e seres vivos (p.100).
As histórias de Super-Heróis podem ser utilizadas pelo professor por apresentar diversos conceitos e temas passíveis de discussão e investigação. Esta ferramenta além de contribuir para a formação do professor visando ampliar metodologias de ensino também pode favorecer o aprendizado do aluno tornando a aula mais dinâmica (BLUHN et al, 2015).
Tem-se ainda a importância de se trabalhar temas ligados a áreas distintas, segundo Nardi (2014)
Mais do que decidir qual de todas é a interpretação mais pertinente, torna-se produtivo entender em que medida o sentido da interdisciplinaridade, em suas diversas formas, oferece respostas e progressos na construção do conhecimento (p. 24.)
Posto isto, este trabalho tem como objetivo apontar a utilização da história de Super-Heróis como recurso didático favorável à prática docente, além de contribuir para uma discussão acerca do modo como a ciência é apresentada no cinema e como se pode utilizar essa mídia para auxiliar de forma positiva as aulas de física.
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## De Hank Pym a Scott Lang: Bem-vindo Homem-Formiga
Em 1962 Stan Lee criava mais um personagem de sucesso, o HomemFormiga. Este super-herói foi atribuído ao cientista Hank Pym com aparição na revista em quadrinhos Tales to Astonish número 27, no qual Pym desenvolve uma partícula que carrega seu nome com o poder de fazer uma pessoa encolher ao modificar suas moléculas a nível atômico. 1
Hank Pym não apenas conseguiu mudar seu tamanho, mas também enviar mensagens para os insetos de forma que estes pudessem ser controlados e realizassem tarefas de acordo com as mensagens enviadas.
Figura 01: Homem-Formiga, Scott Lang e Hank Pym 2
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No cinema, Hank Pym aparece procurando um substituto para ocupar seu lugar, pois a utilização do traje por muitos anos deixou sequelas, problemas neurais devido a uma afetação na química cerebral provocada pela utilização a longo prazo do capacete. Além disso, um outro cientista, Darren Cross, que havia sido seu assistente se encontra prestes a criar a partícula Pym, sua pretensão é usá-la para construir o traje Jaqueta Amarela, no qual poderá vender a organização Hidra (a mesma que lutou contra o Capitão América) e assim dar suporte a espionagem industrial, chamando de ações protetivas.
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## O Homem- Formiga como possibilidade no ensino de Física
- O Ensino de Física apesar dos grandes avanços devido as pesquisas na área, ainda carece de transformação dentro da sala de aula. Tais transformações podem ser realizadas com o emprego de estratégias que leve o aluno a estimular sua imaginação e capacidade criativa, além de estimular sua criticidade em relação ao mundo a sua volta (NASCIMENTO, 2013).
- A utilização de temas ligado a ficção científica no Ensino de Ciências têm sido apontadas por diversos pesquisadores como um recurso importante nesta área de conhecimento (PIASSI e PIETROCOLA, 2009).
Se apropriar de tais conceitos não significa diminuir as personagens ao encontrar erros conceituais, mas sim apontar as diferenças e possibilidades de tais poderes existirem ou não nos Super-Heróis.
Neste trabalho visa-se tomar como exemplo os poderes do Homem-Formiga, este ao diminuir seu tamanho, Hank Pym explica a Scott Lang que isso acontece por ter criado uma fórmula que muda a distância atômica relativa, mudando a distância entre os átomos quando se torna pequeno, fazendo com que ele quando encolhido mantenha a força de um homem de 95kg no tamanho de um punho de 0,25mm, se transformando em um projétil, mantendo sua massa e densidade ao encolher.
Além disso, ele possui um dispositivo que fica no capacete, que também pode ser usado sem ele, que quando introduzido na orelha, pode estimular o centro nervoso olfativo dos insetos através de ondas eletromagnéticas, fazendo com que esses insetos cumpram ordens.
Na Física pode-se procurar explicações para o que ocorre. A ideia de mudança de tamanho deste super-herói será o ponto de partida deste estudo. Até onde se sabe, não é possível mudar a estrutura atômica de um ser vivo sem lhe causar danos a sua estrutura, ou seja, a estrutura atômica é rígida, o que impossibilita uma mudança na sua organização (GONZAGA et al, 2014).
Há ainda o problema com a massa e o peso, pois segundo Abdalla (2016) em relação a massa
Massa das partículas elementares não é uma medida obtida por meio de seu peso. Massa é a medida de uma quantidade de matéria, ou seja, o quanto de estofo há no objeto (p.27).
## E em relação ao peso
O peso depende da massa: quanto mais massa se tem, mais a ação gravitacional puxa o objeto para baixo e mais ele pesa (p.27).
Sendo assim, deduz-se que o Homem-Formiga acaba ficando muito leve para se portar com a mesma força de seu tamanho natural e poder se comportar como um projétil, no qual para que isso acontecesse sua massa deveria se manter constante.
Há ainda uma segunda possibilidade, a de se deslocar em diferentes mundos. Em tese, ele não diminuiria de tamanho, mas se transportaria para uma quarta dimensão, impossibilitando que fosse visto, embora ele pudesse ver e interagir em nossa dimensão.
Seres que estão na quarta dimensão tem uma percepção maior das coisas (KAKU, 2010), e além de ver o que está na terceira dimensão pode ver o interior das
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coisas como acontece no romance de Edwin A. Abbott, Planolândia, escrito em 1884 3 .
Ao tratar-se da forma com a qual a comunicação com as formigas é realizada, parte-se do princípio que
Sabemos que existem insetos que podem receber informações por meio de sons, da dança, dos odores, dos sabores, do tato, da visão proporcionada por parcelas do espectro de radiações solares; que podem se orientar pela polarização da luz (ZMITROWICZ, 2001, p.211).
Na natureza, as formigas possuem um par de antenas que são utilizadas para se comunicarem, sendo esta comunicação liberada por substâncias químicas chamadas de ferormônios que são captadas através do toque entre as antenas das formigas próximas e por caminhos traçados por elas, inclusive próximo ao formigueiro (PESCARA et al, 2014). Sendo assim, a ideia de se comunicar com elas através de ondas eletromagnéticas está distante da realidade.
Tais explicações podem fomentar maior participação dos alunos durantes as aulas, além de incentivar a curiosidade e interesse pelos assuntos científicos.
## Considerações finais
A utilização de Super-Heróis para promover discussões acerca de temas pré-estabelecido presente no currículo de física pode se mostrar como um recurso didático favorável a estimular a criticidade, imaginação e interesse dos alunos por temas relacionados a ciência.
Tem-se ainda, que a ficção científica pode servir para auxiliar na ilustração de exemplos de fenômenos que podem ou não ocorrer no mundo real (BLUHN et al, 2015) e ainda apontar que em alguns casos, o que há 50 anos pensávamos alguns fenômenos como magia, hoje é possível devido ao desenvolvimento da ciência (SCALITER, 2013).
Diversos autores afirmam que o emprego de recursos diferenciados na prática docente contribui para um ensino conectado com a vivência dos alunos, segundo Zanetic (2005)
O ensino de física dominante se restringe à memorização de fórmulas aplicadas na solução de exercícios típicos de vestibulares. Para mudar esse quadro o ensino de física não pode prescindir, além de um número mínimo de aulas, da conceituação teórica, da experimentação, da história da física, da filosofia da ciência e de sua ligação com a sociedade e com outras áreas da cultura (p.21).
Com isto, pretendeu-se com este trabalho estimular o docente à novas perspectivas de recurso didático. Contextualizar o ensino com a utilização das histórias de Super-Heróis pode contribuir para a formação de significados e de posição à frente da Ciência no aprendizado tanto do aluno quanto do professor.
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## Referências
ABDALLA, M. C. B. O discreto charme das partículas elementares. São Paulo: Editora UNESP, 2006.
BIERHALZ, C. D. K.; ANTUNES, A. A.; FERREIRA, V. E. M.; SILVA, L. G. Interdisciplinaridade e histórias em quadrinhos: concepções dos bolsistas PIBIDCiências da Natureza. II Jornada Ibero-Americana de Pesquisas Políticas Educacionais e Experiências Interdisciplinares na Educação, Natal, 2017.
BLUHN, J.; KROLOW, T.; GÓIS, D.; BECKER, M.; CAVAGNOLI, R. A física dos super-heróis. XXIV Congresso de Iniciação Científica da Universidade de Pelotas, 2015.
BRITO, C. E. C. de; NOLASCO, D. O. A física dos filmes de Hollywood: seria essa uma fonte segura de conhecimento?. Trabalho de conclusão de curso. Universidade Católica de Brasília, 2011.
CANDIDO, A.; ROSENFELD, A.; PRADO, D. de A.; GOMES, P. E. S. A personagem de ficção. 11 ed. Editora Perspectiva, 2007.
CERENCIO, P. F. O escudo da América: O discurso patriótico na revista Capitain America Comics (1941-1954). Dissertação - Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo, 2011.
GONZAGA, L. A.; MACETI, H.; LAUTENSCHLEGUER, I. J.; LEVADA, C. L. A física dos super-heróis de quadrinhos (HQ). Caderno de Física da UEFS, v.12, n1, p. 7-30, 2014.
KAKU, M. Física do impossível: uma exploração pelo mundo de phasers, campos força, teletransporte e viagens no tempo. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.
LERA, J. M. C.; ROSA, C. S. O cinema na escola: metodologia para o ensino de história. Educ. foco, v.18, n.2, p. 189-210, 2013.
NARDI, R.; CASTIBLANDO, O. Didática da Física (recurso eletrônico) 1.ed. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014.
NASCIMENTO JUNIOR, F. de A. Quarteto fantástico: ensino de física, histórias em quadrinhos, ficção científica e satisfação cultural. Dissertação Universidade de São Paulo. Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química e Instituto de Biociências. São Paulo, 2013.
OLIVEIRA, B. J. de. Ciência e cinema na sala de aula. Belo Horizonte, MG: Fino Traço, 2012.
PESCARA, J. C. de A.; SILVA, K. C. M. da; SANTOS, M. E. S.; CARVALHO, T. S. de; SOUZA, E. O. P. de S. O mistério do encontro das formigas. III Mostra de Iniciação Científica no Pantanal, Cáceres, 2014.
PIASSI, L. P.; PIETROCOLA, M. Ficção científica e ensino de ciências: para além do método de encontrar 'erros em filmes'. Educação e Pesquisa, v. 35, n. 3, p. 525-540, São Paulo, 2009.
SCALITER, J. A ciência dos superpoderes: ficção e realidade sobre os poderes e proezas dos heróis, anti-heróis e vilões no universo dos quadrinhos. São Paulo: Cultrix, 2013.
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SOUZA, F. R; GUIMARÃES, L. B. Filmes nas salas de aula: as ciências em foco. Textura, n.28, 2013.
ZANETIC, J. Física e cultura. Cienc. Cult., July/Sept., vol.57, no.3, p.21-24, 2005.
ZMITROWICZ, W. As estruturas territoriais dos insetos. Estudos Avançados, v. 15, n.41, 2011.
WESCHENFELDER, G. V.; KRONBAUER, L. G. As HQ's e a formação da consciência moral das crianças. V Congresso Internacional de Filosofia e Educação, Rio Grande do Sul, 2010.
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