DISCUTINDO CONCEITOS DE ONDAS ATRAVÉS DE UMA ENCENAÇÃO MUSICAL
Evellyn Maia Cardoso, Mateus Loures, Antonio Dos Anjos P. Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 29/01/2019
- Linha de pesquisa
- Cultura E Arte No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## DISCUTINDO CONCEITOS DE ONDAS ATRAVÉS DE UMA ENCENAÇÃO MUSICAL
## Evellyn Maia Cardoso 1 , Mateus Loures², Antonio dos Anjos P. Silva 2
1 Universidade Federal de Lavras/Departamento de Ciências Exatas, evellyn.maia2@gmail.com
2 Universidade Federal de Lavras/Departamento de Ciências Exatas, mateusloureslucas@hotmail.com
2 Universidade Federal de Lavras/Departamento de Ciências Exatas, spaanjos@dex.ufla.br
## RESUMO:
- O seguinte trabalho trata de uma atividade desenvolvida pelo grupo de pesquisa do PIBID/Física/UFLA, envolvido com a estratégia do teatro científico no ensino de física. Através do teatro o grupo tem procurado desenvolver atividades que visam, auxiliar o professor no desenvolvimento de conteúdos, facilitar a interação professor-aluno e também sua participação em sala de aula. O grupo atual foi estruturado por alunos de graduação do curso de licenciatura em física, que demonstraram interesse por esse tipo de abordagem. A presente produção trata de uma escolha feita pelo grupo para o desenvolvimento de conceitos pertinentes ao movimento ondulatório. Considerando as muitas vertentes do teatro o grupo optou por uma coreografia da música 'Como uma onda no mar', de autoria de Lulu Santos e Nelson Motta, para mostrar as características de uma onda. A representação das frentes de ondas foram modeladas por guarda-chuvas que simbolizavam uma porção da frente de onda. No final da exibição um dos alunos faz a discussão com platéias dos conceitos que podem ser desenvolvidos a partir dos movimentos executados. Esta coreografia, foi apresentada no segundo ano do ensino médio da Escola Estadual Firmino Costa em Lavras e no 'UFLA de Portas Abertas', um evento de regularidade anual, que Universidade Federal de Lavras realiza, tendo como público alvo alunos e professores do ensino médio da região. Na edição de 2017 tivemos um público de aproximadamente cem pessoas em nossas duas apresentações.
Palavras-chave : Ensino de Física, Encenação, Teatro Científico.
## INTRODUÇÃO:
- O teatro vem do vocábulo grego Théatron que significa: 'local de onde se vê'. Então temos que o teatro é uma experiência visual e ao analisarmos um espetáculo podemos, entendê-lo por meio de dois referenciais: 1) seus aspectos textuais e 2) seus aspectos visuais. O teatro sempre foi utilizado como forma de expressão para que o ser humano pudesse passar alguma mensagem, ideia ou sentimento.
Ele vem sendo usado desde a Grécia antiga até os dias atuais e teve grande influência nas sociedades e nas artes. Platão escreveu diversos diálogos para expor suas ideias e Galileu seguiu seus passos ao expor os pensamentos na forma de personagens.
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Quando escolhemos o Teatro como ferramenta didática para o Ensino de Física, propusemos como sendo uma forma de melhorar o desempenho escolar dos alunos em relação à aprendizagem de conceitos da Física e observamos que, o caráter lúdico da atividade poderia motivá-los de maneira significativa. Além do teatro ser algo visual, ele também é coletivo, ou seja, prioriza a interação, a discussão e a relação entre as pessoas envolvidas. Nesta perspectiva, sua presença em sala de aula pode ser relevante uma vez que numa atividade desta natureza, os alunos poderão interagir de forma espontânea com seu professor e demais colegas, criando um ambiente propício a discussões e esclarecimentos. O grupo foi constituído por alunos do PIBID do curso de física da UFLA com o intuito de ampliar o conhecimento sobre a área e também para complementar a formação continuada dos professores, uma vez que o teatro é pouco utilizado e potencialmente é uma ferramenta muito interessante para o ensino de física.
A produção aqui descrita trata de uma escolha feita pelo grupo para o desenvolvimento de conceitos relacionados ao movimento ondulatório. O grupo optou por uma coreografia da música 'Como uma onda no mar', de autoria de Lulu Santos e Nelson Motta, para mostrar algumas características das ondas, como comprimento, frequência, velocidade, formas de propagação, etc.. A representação das frentes de ondas foram modeladas por guarda-chuvas que simbolizavam uma porção da frente de onda. No final da exibição um dos membros fez a discussão com platéias dos conceitos que podem ser desenvolvidos a partir dos movimentos executados. A coreografia foi apresentada em dois momentos, no segundo ano do ensino médio da Escola Estadual Firmino Costa em Lavras e no 'UFLA de Portas Abertas', um evento de regularidade anual, promovido pela Universidade Federal de Lavras tendo como público alvo alunos e professores do ensino médio da região. Na edição de 2017 um público de aproximadamente cem pessoas estiveram presentes em nossas duas apresentações.
## Referencial Teórico
Existem estudos preocupados em investigar a possibilidade de a arte teatral desempenhar uma atividade educacional para o espectador sem apagar ou enfraquecer a chama artística do teatro, de acordo com os autores (CAVASSINI, 2008; DESGRANGES, 2003; MONTENEGRO, 2005; OTTONI, 1998; DA SILVA, 2005; KOUDELA, 2005). A fim de investigar mais profundamente essa questão, o educador francês (MEIRIEU, 1993), realizou uma pesquisa com crianças extremamente desfavorecidas, habitantes da periferia da cidade de Lyon. Nesse estudo o autor relata que, das crianças entrevistadas, aquelas habituadas a frequentar salas de teatro, de cinema, e a ouvir histórias demonstravam maior facilidade de conceber um discurso narrativo, de criar histórias e de organizar e apresentar os acontecimentos da própria vida. A investigação indica que, quem sabe ouvir uma história, sabe contar histórias. Quem ouve histórias, sente-se estimulado a compreendê-las, exercitando também a capacidade de criar.
Nessa concepção, o teatro aplicado à educação possui o papel de mobilizar as capacidades criadoras e o aprimoramento da relação vital do indivíduo com o mundo contingente; as atividades dramáticas liberam a criatividade e humanizam o
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indivíduo, pois o aluno é capaz de aplicar e integrar o conhecimento adquirido nas demais disciplinas da escola e, principalmente, na vida. Isso significa o desenvolvimento gradativo na área cognitiva e também afetiva do ser Humano (CAVASSINI, 2008). De acordo com o autor (KOUDELA, 2005), atuamos todos os dias, em casa, na escola, no trabalho, assumimos papéis sociais constantemente em nossas vidas, como o de pai, mãe, filho, aluno, professor, de acordo com o ambiente assumimos personagens sociais reais.
## Desenvolvimento da peça
Inicialmente refletimos em como desenvolver os conceitos pretendidos com os alunos. Era necessário que os membros do grupo tivessem uma base conceitual mínima sobre o assunto a ser abordado. Para atingir esse objetivo, em reuniões com o coordenador do grupo, ficou definido que cada membro deveria fazer as leituras da literatura que foi recomendada acerca do assunto. Num segundo momento os membros traziam suas dúvidas e sugestões para a discussão no grupo. Com a base teórica estabelecida, foi necessário definir como seriam feitas as conexões entre a encenação teatral e a aula propriamente dita. Após as discussões ficou acertado que a primeira encenação deveria contemplar uma introdução geral e que a peça deveria ser de curta duração envolvendo conceitos primários da ondulatória para que pudessem ser introduzidos em um momento inicial da aula.
- O próximo desafio foi a escolha da estrutura de peça a ser elaborada. Decidimos construí-la no formato de um musical, e para isso, precisaríamos de uma canção que desencadeasse algo que fizesse sentido aos conceitos físicos que pretendíamos desenvolver com os alunos. A música tema escolhida foi 'Como uma onda no mar' de Lulu Santos e Nélson Motta, pois sua letra se encaixava perfeitamente com nossa proposta, que nesse momento havia assumido a forma de uma coreografia.
- O último passo foi adaptar nossa coreografia à música, para que pudéssemos explicar os conceitos físicos nela intrínsecos. Precisávamos trazer os conceitos de: fonte de onda, frente de onda, período, frequência, amplitude, ondas transversais, ondas longitudinais, ondas compostas e supersônicas. Para isso, utilizamos fileiras de pessoas segurando guarda-chuvas abertos que representam nossas frentes de onda e a distância entre as fileiras representam o nosso comprimento de onda e assim realizamos movimentos semelhantes aos das ondas, como por exemplo, para a onda longitudinal movimentamos os guarda-chuvas para frente e para trás, a onda transversal para cima e para baixo, andando para frente para mostrar o sentido de propagação. Durante os ensaios fizemos algumas mudanças na letra original para que ela pudesse se adequar melhor ao nosso propósito.
## Resultados e Discussões
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Na parte decorrente ao processo interno do grupo acreditamos que foi de grande valor na formação de seus membros, uma vez que muitos ainda não cursaram as disciplinas fundamentais da matriz curricular, onde os conceitos físicos usados na encenação são desenvolvidos formalmente. Assim os estudos realizados no âmbito do grupo poderão funcionar como uma espécie de admissão para o conhecimento posterior. Por outro lado, através do evento UFLA Portas Abertas foi possível possibilitar ao grupo uma primeira experiência do uso do teatro científico como uma ferramenta de ensino.
FIGURA 01 : Apresentação da encenação musical 'Como uma onda no mar' no UFLA de Portas Abertas
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Os professores que nos visitaram se sentiram muito à vontade com a proposta e vieram conversar sobre a utilização do método em suas aulas. Já os alunos ficaram até o final da apresentação e alguns vieram conversar sobre os conceitos trabalhados, tentando aprofundar em algumas partes mais específicas. O interesse nos alunos em aprofundar é extremamente positivo, uma vez que a ideia dessa coreografia é ser apenas uma introdução, propiciando uma boa situação para o uso de alguma metodologia de ensino alternativa em sala de aula, sendo o teatro como a nossa base.
Nossa intenção inicial era fazer com que os alunos da Escola Estadual Firmino Costa, parceira no PIBID, também participassem no grupo. Por questões de tempo e disponibilidade isso não foi possível executarmos. Como o tema relacionado a ondas estava sendo desenvolvido pela professora supervisora então foi apresentado a coreografia. Segue abaixo o depoimentos de alguns alunos sobre tal.
Estudante 1 'O PIBID me ajudou bastante durante as aulas, eles usavam métodos diferentes, legais e que faziam com que toda a turma se interessasse pela matéria. Certa vez fizeram um teatro sobre ondas, em que cantaram, dançaram, e falou sobre o assunto, a aula ficou muito interessante e divertida, chamou bastante a atenção de todos, e se pudesse adoraria fazer um teatro como o deles, pois eles usaram métodos que a turma toda gosta, e o PIBID também ajuda muito os alunos, principalmente aqueles que têm mais dificuldade para entender a matéria, eu adoraria que eles pudessem voltar. Seus métodos de ensino fazem com que saímos da mesma rotina de sempre nas aulas, são interessantes e fazem com que todos tenham mais interesse nas aulas.'
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Estudante 2 -'O uso de um teatro com um contexto interdisciplinar facultou a dinamização e interação entre o assunto de ondas e o grupo Pibid, isso porque conseguimos perceber como a física não está apenas dentro da sala de aula, mas sim em todo o panorama da sociedade. Sob este viés, o emprego deste teatro conseguiu driblar todas as barreiras e fundamentos precipitados que eu tinha sobre ondas, além de nos retirar do contexto monótono entre giz e quadro negro. [...]
Nesse sentido, se houvesse oportunidades eu participaria de teatros e atividades que nos inserissem dentro da matéria ensinada pela grade curricular e o uso dos experimentos, na qual colocamos a 'mão na massa' era uma das melhores sensações ver aquilo de perto, frente a frente, um aspecto que até hoje sinto falta.
Por fim, implantar mecanismos que levem alunos e professores para fora da sala de aula seria uma ferramenta importantíssima para a formação do indivíduos, já que métodos arcaicos desgastam não apenas o aluno como também todas as intersecções de redes sociais que o cerca. Portanto, o método de ensino do PIBID deveria ser levados para além das fronteiras tanto municipais como regionais para que todos entendam que estudar física vai muito além de equações decoradas.'
Estudante 3 - ' Apesar de não lembrar detalhadamente o tema do teatro, achei bem interessante. Nele os alunos da UFLA fizeram referência com a música "como uma onda no mar", o que o tornou legal pela semelhança com o tema estudado em física (ondas). Esse tipo de método de aprendizagem traz uma didática descontraída, atraindo melhor a atenção dos alunos. A física, por ser uma disciplina que, na maioria das vezes, é teórica e massante, quando é retratada em forma de teatro traz um diferencial muito positivo.'
FIGURA 02 : Apresentação da coreografia 'Como uma onda no mar' na EE Firmino Costa
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O teatro graças a sua característica informal e descontraída se mostrou uma maneira eficiente de chamar a atenção dos alunos. O uso dessa ferramenta pode ser uma ótima ideia caso sua intenção seja mudar um pouco o panorama de sua aula, desapegando-se sutilmente da aula tradicional.
## Considerações Finais
Acreditamos que o uso do teatro científico pode ser uma estratégia poderosa através da qual é possível trabalhar a formação cidadã dos estudantes e suas
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capacidades: comportamentais, atitudinais e conceituais. Observamos que os próprios bolsistas aprenderam ao longo deste primeiro semestre a lidar com as suas emoções relacionadas a timidez, exposição como falar em público e dar explicações de conceitos de diferentes pontos de vista.
Ao grande público acreditamos que o uso do teatro científico atrai sua atenção e de certa forma desconstrói e desmistifica o caráter duro atribuído a ciência, em especial no caso da física. Alguns estudantes no evento UFLA Portas Abertas relataram não ter afinidade com a disciplina de física, mas após assistir a apresentação passaram a ter um novo olhar e interesse pela disciplina.
## Agradecimentos
Gostaríamos de agradecer a todos que apoiaram nossa iniciativa em especial ao Prof. Deyvid Eugênio que deu início ao projeto do teatro científico em 2013, quando ainda estudante e bolsista no projeto PIBID. Agradecemos a todos os integrantes do grupo que fizeram esse trabalho acontecer.
## Referências
CAVASSIN,J. Perspectivas para o Teatro na Educação como Conhecimento e prática pedagógica. R. Cient./FAP, Curitiba, v. 3, p. 39-59, jan./dez. 2008.
DESGRANGES,F. A Pedagogia do Espectador: Quando Teatro e educação ocupam o mesmo lugar no espaço. São Paulo, Hucitec, 2003.
MONTENEGRO, B. et al. O papel do teatro na divulgação científica: a experiência da Seara da Ciência. Ciência e Cultura , v. 57, n. 4, p. 31-32, 2005.
OTTONI, R. V. J. Jogos Teatrais na Escola Pública. R. Fac. Educ., São Paulo, v. 24, n. 2, p.81-97, jul./dez. 1998.
DA SILVA, V. M.; RABONI, P. C. A. A utilização do teatro no ensino de Física. Associação Brasileira de pesquisa em educação em ciências , Atas do V ENPEC-n5., 2005.
KOUDELA, I. D.; SANTANA, A. P. Abordagens Metodológicas do Teatro na Educação. Ciências Humanas em Revista, São Luís, v. 3, n. 2, dezembro 2005.
MEIRIEU, F. Le théâtre et la construction de la personnalité de L'enfant: de l'evénement à l'histoire . Em: CRÉAC'H, M. Les Enjeux actuels du théâtre et ses rapports avec les publics. Lyon, CRDP, 1993.
EUGÊNIO, D. et al. O Ensino Física através do Teatro Científico . SNEF, 2017.
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OLIVEIRA, D, M.; Teatro Científico: a arte como divulgação da ciência , Trabalho de Conclusão de Curso, Rio de Janeiro, 2010.
LOURES, M. et al. Teatro científico, uma abordagem didática no ensino de física . I Congresso de Formação de Professores da UFLA, 2017.
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