OS CAMINHOS DO SNEF PARA UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NOS ÚLTIMOS 10 ANOS: UMA PRIMEIRA APROXIMAÇÃO
Helena Libardi, Jefferson Adriano Neves, Larissa Mayara Caetano Da Paixão
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 29/01/2019
- Linha de pesquisa
- Equidade, Inclusão, Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## OS CAMINHOS DO SNEF PARA UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NOS ÚLTIMOS 10 ANOS: UMA PRIMEIRA APROXIMAÇÃO
Helena Libardi , Jefferson Adriano Neves , Larissa Mayara Caetano da Paixão 1 2 3
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UFLA/DEX, hlibardi@dex.ufla.br 2 UFLA/DEX, jefferson.neves@dex.ufla.br UFLA/DEX/Licenciatura em Física, lpaixao@fisica.ufla.br
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## Resumo
O ensino de pessoas com deficiência tem passado por muitas mudanças nos últimos anos. Estudantes com deficiência estão cada vez mais presentes na escola regular da educação básica. As políticas públicas dos últimos anos garantiram o acesso destes estudantes à educação especial, na perspectiva da educação inclusiva, tanto no ensino básico como no ensino superior. Os desafios inerentes da presença de estudantes com deficiência no ensino regular estimulam a pesquisa na área de educação inclusiva. Eventos como o Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF possuem a característica de serem muito próximos dos professores do ensino básico, configurando uma oportunidade de divulgar as pesquisas no ensino de Física, em especial as envolvendo educação especial na perspectiva da educação inclusiva na área de física. Com este trabalho, procuramos verificar como tem evoluído a divulgação desta pesquisa nos SNEF dos últimos 10 anos, procurando conhecer este caminho para a educação inclusiva.
Palavras-chave : Análise documental. Educação inclusiva. Educação Especial.
## Introdução
O Brasil possui diversos dispositivos constitucionais, leis, decretos-leis, decretos e outras normas voltadas a garantir os direitos das pessoas com deficiência. É também signatário de vários documentos internacionais que tratam de seus direitos. Em relação à educação, a constituição já garante o ensino em 'igualdade de condições para acesso e permanência na escola' (BRASIL, 1988, Art. 206). O direito a educação inclusiva foi consolidado pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015), uma conquista recente na área. Podemos ressaltar a Declaração de Salamanca (UNICEF, 1994) como um marco para a educação inclusiva. Este documento tem a escola regular como o local para a educação de estudantes com deficiência.
Devemos destacar a importância das políticas públicas voltadas à educação especial na perspectiva da educação inclusiva (BRASIL, 2008), que neste período de incertezas políticas corre o risco de ser reformulada, de maneira arbitrária (MATOAN, 2018).
Com as políticas de inclusão, aumentou o número de estudantes com deficiência nas escolas regulares do ensino básico (Figura 01) e também o número de professores com formação em educação especial para atender estes estudantes
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(Figura 02). Um maior apoio de professores com formação para atender suas necessidades especiais contribui para o sucesso destes, fazendo que mais estudantes com deficiência cheguem ao ensino superior.
Figura 01 : (a) Crescimento das matrículas de estudantes com deficiência em classes ou escolas regulares e (b) Consequente diminuição nas escolas/classes especiais.
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Fonte: Censo escolar MEC/INEP
Figura 02 : C rescimento no número de professores com formação em educação especial. Fonte: Censo escolar MEC/INEP
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O Ministério da Educação, em 2005, com o objetivo de assegurar o direito da pessoa com deficiência à educação superior, lança o programa INCLUIR, com editais até 2010. Um dos objetivos deste programa é fomentar a criação e a consolidação de núcleos de acessibilidade nas instituições de federais de ensino superior.
A consolidação dos núcleos, o acesso crescente de estudantes com deficiência no Ensino Superior, a necessidade de formar professores para o ensino básico voltado à inclusão, cria a 'necessidade' de pesquisar aspectos voltados à inclusão.
No ensino de física, um dos espaços privilegiado para discutir o ensino inclusivo com os professores do ensino básico é o Simpósio Nacional do Ensino de Física (SNEF). Este ano, sendo o tema do evento Ensino de Física no século XXI: caminhos para uma educação inclusiva, nos leva a indagar como anda a divulgação destes trabalhos no simpósio nos últimos 10 anos. Neste sentido, no presente estudo pretende-se apresentar uma primeira aproximação sobre este andamento, e,
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a partir dele, conhecer a natureza dos trabalhos apresentados nos SNEF que abordem o tema.
## Levantamento e Análise dos dados
Para concretização do presente estudo, buscamos por termos específicos em títulos de trabalhos nos anais dos últimos 10 anos de SNEF. A consulta foi feita com os seguintes termos: Inclusivo(a), Inclusão, Deficiente(ência), Surdez, Surdo(a), Libras, Sinal(is) e Especial. Com este levantamento, obtivemos 24 trabalhos no XXII SNEF (2017), 13 no XXI SNEF (2015), 15 no XX SNEF (2013), 12 no XIX SNEF (2011) e 14 no XVIII SNEF (2009), totalizando 78 trabalhos. Embora as páginas do evento dos últimos estejam sistematizando os trabalhos em uma sessão de ANAIS, a busca nestes não é amigável. A busca foi limitada aos títulos dos trabalhos para posteriormente ser feita a busca nos resumos e palavras chaves. Os trabalhos analisados são apresentados no Quadro 01.
Quadro 1: Relação dos trabalhos analisados
Buscando compreender a natureza dos trabalhos, utilizou-se a metodologia de análise documental (CALADO; FERREIRA, 2009). Tendo como base o resumo destes, elaboramos o seguinte conjunto de categorias: Que tipo de deficiência é abordado no trabalho? Qual a proposta do trabalho? Qual a área da Física abordada?
Na Tabela 01 apresentamos as deficiências abordadas nos trabalhos, separadas pelo ano do evento.
Observa-se nesta primeira aproximação que mais da metade dos trabalhos, totalizando 47, envolvem estudos de pessoas com deficiência visual. Na sequência, temos 22 referentes a Deficiência Auditiva e 9 a Necessidades Educacionais
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Especiais. Para Deficiências ou Transtornos Diversos temos 3 trabalhos e apenas 1 com Deficiência Intelectual.
Tabela 01: Relação das deficiências abordadas nos trabalhos pesquisados, de acordo com o ano do evento.
Acreditamos que o grande número de trabalhos envolvendo estudantes com deficiência visual reflete às características da Física. Por ser uma ciência com muitas representações visuais, para um ensino de Física efetivo, existe a necessidade de adaptar materiais.
- A dificuldade com o ensino de estudantes com deficiência auditiva transparece neste levantamento. Um marco no ensino de surdos foi o reconhecimento de Libras como língua oficial (BRASIL, 2002).
- O estudante surdo tem o português como segunda língua, e a Libras, sua primeira língua, tem uma estrutura gramatical própria. Esta diferença linguística cria a necessidade de um intérprete em sala de aula. Os intérpretes não possuem conhecimento específico das disciplinas, sendo função do professor interagir com este profissional para que juntos encontrem soluções e estratégias que favoreçam o processo de ensino e aprendizagem. Esta peculiaridade mostra a necessidade de pesquisar sobre o tema. Acreditamos que muitos professores, que por falta de formação em inclusão acabam jogando a responsabilidade para os intérpretes, podem se beneficiar destas pesquisas.
- O pequeno número de trabalhos com deficiência intelectual reflete o fato que poucos estudantes com deficiência intelectual chegam ao Ensino Médio.
- O número de trabalhos envolvendo estudantes com deficiência se manteve constante de 2009 a 2015 e teve um aumento em 2017.
Sobre a temática apresentada, podemos verificar, na Tabela 02, o grande número de trabalhos referentes à produção de material adaptado.
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Tabela 02: Relação da distribuição das temáticas abordados nos trabalhos
A deficiência visual é a responsável pela maioria dos trabalhos, totalizando 47 trabalhos. Dos trabalhos referentes à deficiência auditiva, observamos que muitos descrevem a proposta de sinais para o ensino de determinada área de conhecimento, refletindo a ausência de sinais específico para o ensino de ciências, em especial de Física.
Trabalhos referentes à formação de professores correspondem a segunda temática mais apresentadas, mas com um número bem inferior, apenas 6 trabalhos. Ulloffo e Nascimento (2017) já destacaram o número reduzido de trabalhos envolvendo o ensino inclusivo em relação aos demais trabalhos envolvendo a formação inicial de professores.
Tabela 03: Relação de conteúdo abordados nos trabalhos
Nem todos os trabalhos definem no resumo qual a área da Física abordada. Identificamos 38 trabalhos com temas de Física, sendo astronomia o conteúdo com mais trabalhos, totalizando 11 e seguido por Eletromagnetismo, 8 trabalhos. O conteúdo com menos trabalhos é Física Moderna, com apenas 2.
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## Considerações Finais
Apesar do aumento no número de trabalhos no último SNEF, comparados com outras temáticas, os temas referentes ao ensino inclusivo e a estudantes com deficiência ainda são pouco explorados nos trabalhos apresentados nos simpósios.
O maior número de trabalhos envolvendo deficiências visual e auditiva pode estar relacionado a um número maior de estudantes com estas deficiências no ensino básico. A procura por estratégias e produção de materiais adaptados acena para o ensino inclusivo, pois, com material adaptado, o estudante pode ser incluído na sala com os demais estudantes.
Acreditamos na necessidade de mais trabalhos abordando temas que favoreçam a formação de um cidadão contemporâneo, como por exemplo, conceitos de energia e tópicos dentro da física Moderna e Contemporânea. Tal abordagem já faz parte da agenda de discussão do ensino de Física e precisa ser incluída nas discussões acerca do ensino inclusivo.
Observamos também a preocupação e sentimos a necessidade da consolidação e criação de sinais para conceito de física, com a participação da comunidade surda, como o objetivo de uniformizar o uso de sinais para o ensino de física. Acreditamos que tal medida possa favorecer o ensino de Física em sala de aula e a troca de informação entre estudantes, intérpretes e professores. Os professores de Física, ao terem acesso ao resultado destas pesquisas poderão traçar melhores estratégias com o apoio dos intérpretes. Ainda, a pesquisa de outras estratégias e temáticas no ensino de física em Libras vai ao encontro desta formação cidadã.
Por fim, destacamos que este trabalho consiste em uma primeira aproximação sobre os caminhos do SNEF para a educação inclusiva. Outras análises estão sendo realizadas com um período maior de tempo para que possamos observar a consolidação e desafios do ensino inclusivo, incluindo, além do SNEF, outros eventos de ensino e pesquisa em ciência.
## Referências
BRASIL, Casa Civil, LEI nº 13.146 - Estatuto da Pessoa com Deficiência, de 6 de julho de 2015. Brasília: Casa Civil, 2015.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva . Brasília:
MEC/SEESP, 2008. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com\_docman&view=download&alias=1
6690-politica-nacional-de-educacao-especial-na-perspectiva-da-educacaoinclusiva-05122014&Itemid=30192>. Acesso em: 06 jun. 2018.
BRASIL. Casa Civil. Lei nº 10.436 , de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Brasília: casa Civil, 2002. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/leis/2002/l10436.htm>. Acesso em: 21 set. 2018.
CALADO, S. dos S.; FERREIRA, SC dos R. Análise de documentos: método de recolha e análise de dados. Disciplina Metodologia da Investigação I -
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Mestrado em Educação/Universidade de Lisboa. Retirado em , v. 23, n. 05, p. 2009, 2004.
MATOAN, M. T. (org) Em defesa da Política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Campinas: 2018. 57 p. Disponível em: <https://inclusaoja.files.wordpress.com/2018/05/texto-de-anc3a1lise-dos-slidessobre-a-reforma-da-pneepei-final1.pdf>. Acesso em: 06 jun. 2018.
ULLOFFO, N. M.; NASCIMENTO, W. R. S. Contribuições na formação inicial de professores de física para o ensino inclusivo: uma análise dos trabalhos do SNEF. In: XXII Simpósio Nacional de Ensino de Física, São Carlos,2017, Anais... SBF, 2017.
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