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A ALFABETIZAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DA LEITURA DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ATRAVÉS DO ENSINO DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO.

Maria Do Carmo De Andrade Junqueira Grossi, Elodir De Fátima De Oliveira, Helena Libardi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão, Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A ALFABETIZAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DA LEITURA DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ATRAVÉS DO ENSINO DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO.

## Maria do Carmo de Andrade Junqueira Grossi 1 , Elodir de Fátima de Oliveira 2 , Helena Libardi 3

- 1 Secretaria de Estado da Educação-MG, Escola Estadual Américo Dias Pereira,

agrossi@uaivip.com.br

- 2 Secretaria de Estado de Educação-MG, Escola Estadual Américo Dias Pereira,

teteoliveiratc@gmail.com

## Resumo

O presente trabalho está sendo desenvolvido, neste ano de 2018, nas aulas de Física de uma escola pública do estado de Minas Gerais. Mostramos o trabalho desenvolvido com duas estudantes com deficiência intelectual que estão matriculadas no primeiro ano do ensino médio. Contamos com o apoio de uma professora de educação especial, que é deficiente visual, no processo de alfabetização destes estudantes e com o Atendimento Educacional Especializado da escola (AEE). A inclusão destas estudantes corresponde a um grande desafio, pois não possuem as habilidades matemáticas e linguísticas esperadas para o ensino médio. Após uma avaliação de suas habilidades, diversas adaptações, tanto de conteúdos, metodologia e avaliações, foram realizadas para a disciplina Física. Como as estudantes tem dificuldades de alfabetização, leitura e interpretação, no processo de inclusão nas aulas de física foram elaborados textos simples para que elas realizem leituras e interpretações. O método de alfabetização em leitura está sendo realizado com o uso de palavras, textos simples do conteúdo de Física estudado na primeira série do Ensino Médio. O objetivo deste trabalho é apresentar este processo de alfabetização em leitura e interpretação dos estudantes com deficiência intelectual que chegam ao ensino médio sem estas habilidades, utilizando conteúdos de Física da primeira série do Ensino Médio em um processo de inclusão.

Palavras-chave: Deficiência Intelectual, Alfabetização, Física, Leitura.

## Introdução

A inclusão, na escola comum, já é um fato. Fato este que tem provocado muitas discussões no interior da escola comum. Dentre estas discussões, está a não aceitação desta inclusão pelos professores da escola comum. Muitos afirmam que não foram preparados para ela, e que acham muito difícil atender ao que é solicitado para o atendimento do estudante com necessidades especiais. Na escola onde este trabalho está sendo realizado, não é diferente. Os poucos professores que se preocupam com a inclusão têm realizado um trabalho dentro de suas limitações, contando com ajuda do serviço de Atendimento Especializado Educacional (AEE) da escola. Entendemos que, para promover a inclusão na escola comum, devemos trabalhar de modo acolhedor, sem seleção ou discriminação, a fim de permitir o acesso e a permanência com sucesso de todos os estudantes.

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Os estudantes com deficiência têm assegurado por lei (BRASIL, 2015, art. 18) o direito a adaptações razoáveis, métodos, técnicas, recursos educativos para atender às suas características e garantir pleno acesso ao currículo em condições de igualdade. As escolas comuns necessitam de professores capacitados para realizar a inclusão destes estudantes.

## A Deficiência Intelectual (DI)

... é definida por limitações significativas tanto no funcionamento intelectual (raciocínio, aprendizagem, resolução de problemas) quanto no comportamento adaptativo do indivíduo, que se expressam na habilidades conceituais, práticas e sociais e que ocorrem antes dos dezoito anos de idade (AAIDD, 2010).

- O conceito de deficiência intelectual proposto desta forma mostra que a deficiência intelectual não é um atributo exclusivo da pessoa, mas um estado de funcionamento da pessoa na sua interação com o contexto social em que vive (BOLSANELLO, 2010). Pode-se perceber que a deficiência intelectual dos estudantes da escola pesquisada corresponde a um estado de funcionamento da pessoa na sua interação como contexto social em que vive.

De acordo com Bolsanello (2010, p. 34), cinco dimensões são essenciais para que o conceito de deficiência intelectual seja aplicado:

a) As limitações do funcionamento intelectual devem ser consideradas nos contextos ambientais da comunidade típicos dos indivíduos iguais em idade e cultura. b) A avaliação deve considerar a diversidade cultural e linguística, assim como as diferenças na comunicação e nos aspectos sensoriais, motores e comportamentais. c) Em um indivíduo, as limitações coexistem com as potencialidades. d) Ao se levantarem as limitações do indivíduo, é muito importante traçar um perfil de apoios necessários. e) Com apoios apropriados e personalizados durante um período prolongado, o desenvolvimento (pessoal, social, educacional) da pessoa com deficiência intelectual será beneficiado.

As dimensões propostas acima envolvem aspectos relacionados ao ambiente e à pessoa com deficiência intelectual. A função destas dimensões é melhorar os apoios que a pessoa com deficiência intelectual deve receber, de modo a fazer com que ela melhore o seu modo de viver como indivíduo. Os apoios necessários para o atendimento dos estudantes com deficiência intelectual são recursos e estratégias individuais usados para promover o desenvolvimento, o interesse e o bem-estar dessas pessoas. Em nossa escola, podemos destacar para 2018 os atendimentos na sala do AEE e adaptações de conteúdo e de avaliações realizados por alguns professores de algumas disciplinas. É necessária uma flexibilização dos conteúdos para que os estudantes com deficiência intelectual possam se sentir incluídos na turma. Devemos permitir que tenham liberdade de expressão. O mais importante, eles devem ser respeitados e compreendidos por colegas e professores

- O estudante com deficiência intelectual leva um tempo maior para aprender, mas ele consegue desenvolver muitas habilidades e mostrar muitas potencialidades. A convivência dos estudantes com deficiência intelectual com outros estudantes da sala não causa prejuízo a estes. A interação entre eles oferece uma contribuição muito grande para o desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem. Para que o aprendizado dos estudantes com deficiência intelectual aconteça, é necessário que os professores priorizem conteúdos e objetivos e que utilizem métodos e técnicas adequados. Entre os que se mostrado adequados, podemos

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destacar: trabalho em grupo de modo colaborativo, técnicas que ajudem a colaboração entre os estudantes, aprendizagem colaborativa e a adequação da linguagem ao nível de compreensão dos estudantes.

- O trabalho colaborativo em sala de aula é uma estratégia que pode ser usada pelos professores, pois contribui para que os estudantes trabalhem juntos, compartilhem a liderança e procurem atingir objetivos comuns. Vygotsky vê a grande utilidade das atividades realizadas em grupo e de forma conjunta na escola para o aprendizado do estudante (DAMIANI, 2008).

A escola da pesquisa tem convivido de uns anos para cá com o desafio da inclusão. Para encarar este desafio, é necessário que a ação educativa da escola esteja centrada na pessoa e não na sua deficiência. O meio social e a interação estabelecida com este meio são muito importante para que o estudante com deficiência intelectual realize a compensação da deficiência. A interação social e a relação no coletivo são os pilares necessários para que o estudante com deficiência intelectual consiga desenvolver suas funções psicológicas superiores que são funções mais educáveis (VYGOTSKY, 1989).

## Desenvolvimento

Trabalhamos em uma escola com oito turmas de primeira série de Ensino Médio. Nestas turmas encontramos estudantes com deficiência intelectual, baixa visão, autismo e outros transtornos. Para atender a estes estudantes, é necessário que o professor desenvolva uma prática pedagógica que ajude eliminar as barreiras que interferem na sua aprendizagem.

A professora de Física destas salas fez uma avaliação de todos estes casos e elaborou materiais de Física adaptados para o ensino do seu conteúdo, contando com o apoio do serviço de AEE da escola. Conta também, com a ajuda de uma professora com deficiência visual, que é responsável pelo museu morfológico de ciências tátil montado na escola pela Secretaria de Estado de Educação. Esta professora é formada em Pedagogia e se prontificou em apoiar os estudantes da professora de Física. Dos casos avaliados pela professora de Física, dois eram mais significativos. Uma das estudantes (estudante A), com 21 anos, apresenta uma dificuldade de aprendizagem muito grande, mesmo sabendo ler e escrever. Ela não retém muita da leitura e não possui a habilidade de interpretação. A outra estudante (estudante B) tem 18 anos. Ela apenas copia o conteúdo do quadro, mas não tem a habilidade da leitura. Ela está no nível de escrita silábico alfabético e foi diagnosticada com deficiência intelectual moderada.

- O material adaptado de Física está sendo confeccionado em escrita normal e em braile. Neste material estão sendo usadas imagens, palavras, frases curtas e pequenos textos.
- O trabalho com estas estudantes está caminhando de forma um pouco lenta devido às constantes paralisações das atividades escolares pelos professores da escola por problemas salariais.

Um dos primeiros conceitos estudados com estas estudantes foi velocidade. Para a definição deste conceito foi feita a seguinte atividade na sala pela professora de Física:

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Ela solicitou que dois estudantes procurassem em seus celulares a função cronômetro. Outro estudante mediu o lado de um ladrilho quadrado do chão da sala. Feita a medida do ladrilho, tomou-se oito lados deste ladrilho para corresponder a distância percorrida pela professora na sala. A professora realizou o percurso de duas maneiras diferentes. A primeira maneira foi realizada percorrendo lentamente espaços iguais, enquanto o tempo era medido com o auxílio do cronômetro por um dos estudantes. A segunda, foi realizada percorrendo mais rapidamente espaços iguais, cronometrando o tempo por outro estudante. A estudante B foi chamada para realizar a medida do lado do ladrilho com sua régua. Ela leu o valor numérico do tamanho do ladrilho corretamente. Após esta atividade, a professora apresentou o conceito de velocidade, e solicitou que calculassem seu valor. A estudante B foi auxiliada pela professora de Física a realizar a divisão do espaço percorrido pelo tempo, através de operações concretas, que é como a estudante faz esta operação. A professora arredondou os valores medidos para números inteiros, pois seu interesse junto a esta estudante era saber como ela realiza o processo de divisão. Dentro das suas limitações, a estudante conseguiu realizar a operação. A estudante A frequenta outra turma e na semana em que a atividade foi realizada em sua sala ela não estava presente em nenhuma das duas aulas.

A orientação do AEE é que os textos enviados aos estudantes sejam com fonte Arial 14 e em maiúsculo. No Quadro 01 apresentamos o texto desenvolvidos para as estudantes.

Quadro 01: Texto elaborado para atendimento a estudante com deficiência intelectual para trabalhar com o conceito de velocidade.

## VELOCIDADE

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Fonte : http://1.bp.blogspot.com/-V64CsLaC2Fw/T3oMOxs3ckI/AAAAAAAABEA/ dLpHWhTJ2\_M/s640/ bolt\_corre\_ap.jpg

A VELOCIDADE É A GRANDEZA FÍSICA QUE MEDE A RAPIDEZ COM QUE UM CORPO MUDA DE POSIÇÃO.

UM CORPO QUE POSSUI VELOCIDADE CONSTANTE PERCORRE ESPAÇOS IGUAIS EM INTERVALOS DE TEMPOS IGUAIS.

A VELOCIDADE É CALCULADA ATRAVÉS DA EXPRESSÃO:

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## V = D ÷ T

VELOCIDADE É IGUAL A DISTÂNCIA DIVIDIDO PELO TEMPO

V → VELOCIDADE

D → DESLOCAMENTO

T → TEMPO

A SUA UNIDADE DE VELOCIDADE NO SISTEMA INTERNACIONAL (SI) É O M÷S (METRO POR SEGUNDO).

Procurando desenvolver outras habilidades necessárias aos estudantes de ensino médio, os textos são trabalhados com as estudantes A e B através de: leitura oral, ditado e elaboração de novas frases. As palavras retiradas deste texto para trabalhar com a estudante B foram: velocidade, rapidez, posição, espaços, tempos, unidade. Elas foram usadas em ditados, elaboração de novas frases e leitura oral. Foram feitas as seguintes questões de interpretação para as estudantes A e B: a) que tipo de grandeza representa a velocidade; b) o que a velocidade mede; c) qual a unidade de velocidade no SI.

Outro conceito estudado com as turmas destas estudantes foi o conceito de energia e seus tipos. O conceito de energia foi estudado através de uma aula expositiva e com pesquisa na internet para casa. Os tipos de energias que foram indicadas para a pesquisa em casa foram: solar, eólica, geotérmica, elétrica, hidrelétrica, térmica, nuclear, biomassa, maremotriz, química. O texto elaborado para ser trabalhado com estas estudantes está apresentado no Quadro 02.

Quadro 02: Texto elaborado para atendimento a estudante com deficiência intelectual para trabalhar com o conceito de Energia.

## ENERGIA

A ENERGIA APARECE DE VÁRIAS FORMAS NA NATUREZA E UMA FORMA PODE SER TRANSFORMADA EM OUTRA.

A ENERGIA É A CAPACIDADE QUE UM CORPO POSSUI DE REALIZAR UM TRABALHO.

UM EXEMPLO DE ENERGIA TRANSFORMADA EM OUTRA ACONTECE QUANDO UMA LÂMPADA É ACESA, ISTO É, A ENERGIA ELÉTRICA É TRANSFORMADA LUZ (ENERGIA LUMINOSA).

OS TIPOS DE ENERGIAS SÃO: SOLAR, EÓLICA, GEOTÉRMICA, ELÉTRICA, HIDRELÉTRICA, TÉRMICA, NUCLEAR, BIOMASSA, MAREMOTRIZ, QUÍMICA. A UNIDADE DE ENERGIA NO SISTEMA INTERNACIONAL(SI) É O JOULE(J)

## ENERGIA SOLAR

O SOL É A FONTE DESTE TIPO DE ENERGIA. ELA É UMA ENERGIA LIMPA E

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RENOVÁVEL. PODEMOS ENCONTRÁ-LA EM QUASE TODAS AS PARTES DO MUNDO.

Fonte: Autor

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## ENERGIA EÓLICA

O VENTO É A SUA FONTE DE ENERGIA. É UMA ENERGIA LIMPA E RENOVÁVEL. PARA PRODUZIR A ENERGIA ELÉTRICA ATRAVÉS DO VENTO, O PROCESSO É O SEGUINTE: O VENTO GIRA A HÉLICE DOS AEROSGERADORES, E ESTA GIRA A TURBINA QUE PRODUZ A ENERGIA ELÉTRICA.

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Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c5/Energia\_e%C3%B3lica\_2.jpg

## FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS

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As questões de interpretação elaboradas aos estudantes que fizeram a pesquisa na internet, para que fizessem a interpretação do texto de energia foram: a) Cite dois tipos de energia; b) Dê um exemplo de energia que pode ser transformada em outra; c) qual a unidade de energia no SI.

## Considerações finais

Considerando as dificuldades dos professores da escola para tratar a deficiência intelectual de alguns alunos que passaram a frequentar a primeira série do Ensino Médio, a professora de Física destes alunos propôs este trabalho, contando o apoio do serviço de AEE e de uma professora com deficiência visual que trabalha nesta escola.

Já foram feitas adaptações de conteúdos e de avaliações. Através destas adaptações, pode-se perceber um pouco a inclusão destes alunos nas aulas de física, pois embora sejam estudantes sem a base matemática ou linguística, eles participam de todas as atividades propostas para a turma. O sentimento de pertencer destes estudantes pode ser observado no próprio semblante e na satisfação por estarem presentes nas aulas.

Observou-se que o trabalho com imagens na sala e nas avaliações realizadas com estas estudantes contribui muito para elas tivessem condições de responder as questões. O desenho também foi usado como forma de expressão de suas respostas.

## Referências

AAIDD. Association on Intellectual and Developmental Disabilities, 2010.

BOLSANELLO, M. A. Educação Especial e Educação Inclusiva. Curso de Pedagogia-Magistério da Educação Infantil e anos Iniciais do Ensino FundamentalUFPR, Curitiba, 2010.

BRASIL, Casa Civil, LEI nº 13.146, de 6 de julho de 2015.Brasilia: Casa Civil, 2015.

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DAMIANI, M. F. Entendendo o trabalho colaborativo em educação e revelando seus benefícios. Revista Educar, Curitiba: Editora UFPR n.31, p. 213-230, 2008.

VYGOTSKY, L.S. Pensamento e linguagem. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.