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CIÊNCIA É COISA DE MENINA? UMA ANÁLISE SOBRE TRAJETÓRIA ACADÊMICA E GÊNERO

Paula Rocha Pessanha, Julio César Dos Santos Moreira, Fabiana Oliveira Da Silva Rodrigues, Glória Regina Pessôa Campello Queiroz

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão, Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## CIÊNCIA É COISA DE MENINA? UMA ANÁLISE SOBRE TRAJETÓRIA ACADÊMICA E GÊNERO

Paula Rocha Pessanha 1 , Julio César dos Santos Moreira 2 , Fabiana Oliveira da Silva Rodrigues 3 , Glória Regina Pessôa Campello Queiroz 4

1 Secretaria de Estado de Educação/Instituto de Educação Carmela Dutra, pessanha.paular@gmail.com

2 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Instituto de Física, juliusmoreira@gmail.com

3 Secretaria de Estado de Educação/Instituto de Educação Carmela Dutra, bianarodrigues1@gmail.com

4Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Instituto de Física, gloria@uerj.br

## Resumo

Em dezembro de 2015 foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) o dia Internacional das mulheres e meninas na ciência. A data, celebrada no dia 11 de fevereiro, foi escolhida com o objetivo de reconhecer o importante papel desempenhado pelas mulheres ligadas a ciência e tecnologia ao redor do mundo. Pensando nisso, foram propostas a alunos e alunas de um Instituto de Educação, nível médio, no Rio de Janeiro, atividades que promovessem o estudo, o reconhecimento e a divulgação de feitos de mulheres inseridas em diversas áreas da ciência e tecnologia de diversas épocas da história. Nomes como Marie Curie, Amelia Earhart, Enedina Alves Marques, Chien-Shiung Wu e Katherine Jonhson, foram indicados para pesquisa dos estudantes, como personalidades femininas uma vez que se mostram ícones quando pensamos em representatividade do papel da mulher no mundo científico. Como resultados iniciais, foram observados que, em sua maioria (em torno de 65%), as jovens não se interessavam por carreiras científicas ou tecnológicas, e aproximadamente 90% dos jovens não reconheciam nenhuma personalidade feminina nas ciências. Estes dados nos mostram que não possuem uma imagem feminina real na qual possam se inspirar, levando à convicção de que estas carreiras são quase exclusivamente 'masculinas'. Concluímos que a prática exigiu o compromisso de todos os envolvidos com a aprendizagem e a avaliação dos resultados, permitindo aos alunos vivenciar etapas de um projeto de pesquisa científica. A manifestação de desigualdade apresentada, ainda hoje, nos campos social, político, cultural e econômico desfavorável às mulheres também pode ser considerada uma violação aos direitos humanos e uma violência moral e psicológica contra as mulheres.

Palavras-chave : Formação de Professores; Trajetória acadêmica; Gênero; Ensino de Física

## Introdução

Apesar de a História da Ciência nos apresentar mulheres em lugar de destaque, até o início do século XX, culturalmente, a ciência mostrava-se definida como uma carreira imprópria para mulheres. (SILVA & RIBEIRO, 2011)

Diversos estudos sobre as implicações sociais da reprodução dos atributos de feminilidade e masculinidade tendem a justificar, em alguns casos, a pouca participação das mulheres nas carreiras científicas. As diversas naturalizações desses atributos podem vir a limitar as mulheres a desenvolver suas melhores habilidades e capacidades (BORGES, 2005).

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Historicamente e hegemonicamente, a visão de que o que torna uma mulher atraente para um homem é a beleza, sendo a inteligência um atributo negativo ou indiferente. Para as ciências, o enorme esforço para entender Descartes, Leibniz, as equações de Newton, desperta o sentimento do sublime, não do belo, por isso é contrário à natureza feminina. O esforço na ciência é sublime, pesado, portanto é masculino.

Contudo, apesar das indubitáveis conquistas das mulheres na educação e no trabalho, assim como sua participação crescente nas universidades em geral e nas carreiras de Ciência e Tecnologia, a maior divisão social que ainda caracteriza o mundo atual é a divisão sexual. As profissões 'femininas' tendem a ser menos valorizadas no mercado de trabalho, mantendo as mulheres em posições mais subordinadas desde a escolha ou não progredindo em suas escolhas profissionais. As barreiras enfrentadas pelas mulheres são explicadas por dois mecanismos: a segregação horizontal e a segregação vertical. Através da atuação e da influência da educação e da família, a segregação horizontal leva as mulheres a fazerem escolhas, exercerem atividades e determinarem estratégias de vida diferentes dos homens, incluindo a escolha de carreiras. O segundo tipo de segregação, chamada de segregação vertical, inclui um mecanismo social conhecido como "teto de vidro", que faz com que as mulheres não progridam em seus ambientes de trabalho e mantenham posições mais subordinadas do que os homens, inclusive nas carreiras de Ciência e Tecnologia (EPSTEIN, 2007; OLINTO, 2011).

Podemos dizer, no entanto, que as diferenças de gênero na produção científica não apontam para uma clara supremacia masculina. O exercício da ciência, assim como o desempenho escolar, está longe de indicar diferenças significativas entre os sexos e sugerir habilidades específicas inerentes a homens e mulheres (OLINTO, 2011).

A igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres é um compromisso firmado pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o aval de 189 nações, que compreendem a igualdade como um elemento fundamental tanto para o empoderamento das mulheres, quanto para atingir outras metas prioritárias, em especial, as ligadas à pobreza, à fome, à saúde e à educação (PNUD, 2013).

Apesar das mulheres representarem 57,2% dos ingressos em cursos de graduação, dentro da área de Ciência e Tecnologia os homens ainda se mostram maioria. Com exceção do curso de Ciências Biológicas - onde o percentual de graduandas gira em torno de 76% - o percentual de homens gira em torno de 92% nos cursos de Engenharia, 70% em Física e 66% em Química, sendo as mulheres representantes de menos de 10% dos cargos acadêmicos titulares. Pensando nisto, é visto que especialmente nesse campo a distribuição de papeis entre homens e mulheres deve ser vista de modo mais igualitário. A Física, por exemplo, é uma área que apresenta uma baixa e estagnada participação de mulheres, inclusive na composição do corpo docente de nível superior (CARTAXO, 2012; SILVA & FONSECA, 2016; INEP, 2018).

A partir destes dados, apresentou-se uma inquietação que nos motivou a montar este projeto. Os índices apresentados por Cartaxo (2012) são também observados quanto à escolha de cursos de graduação por alunas que compõem o corpo discente de colégios de Ensino Médio, modalidade Normal, o chamado curso de formação de professores. São raríssimas as escolhas por carreiras que compõem as graduações nas chamadas exatas, como física e matemática. A cada 250 alunas

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que completam essa etapa da educação básica, apenas uma opta por uma carreira na física ou matemática, por exemplo.

- O interesse das jovens pelas Ciências da Natureza depende muito de um contexto sócio- econômico e das práticas educacionais aplicadas nas escolas. Segundo o matemático ZoltánPálDienes (DIENES apoud NETO, 2010) "As habilidades que um indivíduo possui não aparecem de repente. Elas resultam de um processo que ocorre em etapas. É uma evolução que se dá do concreto para o abstrato", o que nos faz crer que a inserção de Boas Práticas para o ensinoaprendizagem leve ao desenvolvimento de habilidades e ao interesse por esta área de conhecimento.

Temos por objetivo principal contribuir para a divulgação científica, além da diminuição da segregação de gênero nas ciências, a partir da inserção de atividades no curso de formação de professores que insiram personalidades femininas ligadas a ciência e tecnologia, já que acreditamos que a experiência em atividades ligadas às ciências naturais pode contribuir para uma mudança na perspectiva profissional.

- O objetivo desse trabalho foi elaborar, desenvolver e avaliar o impacto de práticas didático-pedagógicas no curso de formação de professores da educação, visando uma formação de qualidade, despertando o interesse pelo estudo das Ciências Exatas, mostrando sempre sua aplicabilidade e buscando uma equidade de gêneros.

## Metodologia

Este trabalho foi realizado com o terceiro ano do ensino médio do curso de formação de professores do Instituto de Educação Carmela Dutra. A unidade escolar está localizada no bairro de Madureira, pertencente à zona norte do município do Rio de Janeiro. O projeto que compreendeu a elaboração e execução de diversas atividades teve início no mês de março de 2017, tendo terminado em outubro do mesmo ano.

A abordagem inicial sobre Gênero e Ciências se deu a partir de uma atividade de sensibilização onde, mediados pelo professor, foram levadas ao grupo palavras referentes a gostos, utilitários e atividades humanas como: rosa, azul, futebol, estudar, maquiagem, cuidar dos filhos. O grupo composto em sua maioria por mulheres, deveria então separar os itens junto ao quadro - que foi dividido em duas áreas: Homem / Mulher. Depois da colocação das palavras nos espaços escolhidos pelos alunos, foi realizado um debate sobre os estereótipos de gênero e as atividades ditas 'femininas'. Depois da discussão feita em sala de aula duas propostas de atividades foram pensadas pelos alunos e alunas e foram divididas em dois momentos.

## Primeiro momento: pesquisa realizada com alunos do Ensino médio

Nessa primeira atividade, no intuito de levantar e investigar quais as possíveis áreas de interesse de curso superior, os estudantes de Ensino médio das modalidades regular e normal (formação de professores) pretendiam fazer pós término dessa etapa da educação básica - assim como uma possível divisão de gênero quanto à escolha de áreas/carreiras - foi construído um questionário

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composto de sete perguntas, sendo quatro fechadas e três de forma aberta (figura 1).

Figura 01: Pesquisa realizada com alunos do ensino médio

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## Segundo Momento: fotonovelas

Nesta etapa foram elencadas cinco personalidades femininas, ligadas a ciência e tecnologia, de modo que, a partir de estudos realizados pelos estudantes, os mesmos pudessem promover uma mostra de trabalhos sobre a inserção e importância destas personalidades para o meio científico. Foram escolhidas as seguintes personalidades: Amelia Earhart - aviadora norte-americana-, Chien-Shiung Wu - Física chinesa e especialista em radioatividade-, Enedina Alves Marques primeira mulher negra a se formar engenheira no Brasil -, Katherine Johnson física, cientista espacial e matemática estadunidense -, e Marie Curie - primeira mulher a ser laureada com um Prêmio Nobel e a primeira pessoa e única mulher a ganhar o prêmio duas vezes, em Física e em Química. Em seguida, os alunos foram divididos em grupos, de modo que cada grupo pudesse montar uma fotonovela com a personalidade escolhida. A fotonovela foi o ponto de partida para divulgação dessas cientistas, de modo que se tornasse mais agradável para o público alvo (estudantes da educação básica). Com o intuito de promover uma campanha que torne pública a questão da mulher e a dificuldade de sua inserção em áreas científicas e/ou tecnológicas, os alunos produziram uma mostra dentro da unidade escolar durante o evento 'Semana do Normalista'.

## Resultados e Análise dos Dados

A metodologia de pesquisa utilizada neste trabalho foi a análise de conteúdo (Moraes, 1999), que tem o objetivo de descrever e interpretar o conteúdo dos trabalhos analisados. O trabalho foi dividido em dois momentos: primeiro momento pesquisa realizada com alunos do ensino médio e no segundo momento fotonovelas e campanha para divulgação. O primeiro momento teve início com a seleção e leitura de respostas ao questionário com 7 perguntas da Figura 01. No segundo momento, 3 grandes aspectos dessas cientistas foram levantados. Eles deram origem a categorias que foram: 1) A forma como atuavam nos seus campos de trabalho naquela sociedade patriarcal; 2) A postura austera que assumiam no trabalho; e 3) A jornada dupla na vida profissional e vida familiar. Dentre eles foram

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retirados alguns trechos de declarações produzidas durante a realização da atividade na escola. Esta primeira etapa é apontada por Bardin (2004) como 'leitura flutuante', ou seja, o estabelecimento do contato com os documentos a serem analisados. Em seguida, fizemos uma identificação desse material separando as unidades de análise, em busca dos aspectos considerados relevantes na temática da educação para a cidadania, relemos as frases selecionadas para uma primeira identificação de aspectos - categorias prévias - que costumam estar presentes no contexto. No processo de interação com os dados essas categorias foram testadas, sendo suprimidas ou ampliadas. Este ajuste das categorias buscou abranger todos os elementos importantes em tais declarações. A categorização 'é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero, com os critérios previamente definidos' (Bardin, p. 111). Para cada categoria foi produzido um texto descrevendo seu significado e para exemplificá-las foram usadas citações originais dos aspectos relevantes dos trabalhos analisados.

## Categorização do primeiro momento: pesquisa realizada com alunos do ensino médio

Responderam ao questionário da Fig 01 um total de 129 estudantes pertencentes ao curso de formação de professores (normal) e 63 alunos pertencentes ao ensino médio regular, tendo-se portanto, 192 questionários analisados. Entretanto, da última questão que tratamos a parte, apenas 100 unidades foram respondidas e submetidas a uma análise qualitativa, gerando três subcategorias: (a) a inserção da mulher na ciência; (b) o reconhecimento da cientista como profissional; (c) a não relevância da discussão acerca importância da mulher na ciência. As outras seis questões foram analisadas de forma quantitativa.

Dentre os estudantes do primeiro grupo (curso normal), apenas 11,6% são do sexo masculino. Já no curso regular, a porcentagem de estudantes pertencentes ao sexo masculino sobe para 42,8%.

Dentre os estudantes entrevistados, que pertencem ao curso normal a área de maior interesse para ingresso no ensino superior é a área de humanas (59,6% para as mulheres e 66% para homens), seguida das biológicas (28,6% para mulheres e 20% para os homens), enquanto a área de exatas, que compreende cursos como engenharia, física ou química, ficou em último lugar (17,5% para as mulheres e 20% para homens). Foi observado durante a análise da pergunta 5 que alguns que optavam pela área de exatas mostravam também interesse por algumas carreiras da área de humanas.

Na questão número 4, para o curso regular de ensino médio, 11% das mulheres optaram pela área de conhecimento Exatas, enquanto 47,2% pela área Biológicas e 38% pela área Humanidades. Em relação aos homens, 33% do total optaram pela área Exatas, 3,7% pelas Biológicas enquanto que 44% dizem ter mais empatia pela área Humanas. Apenas 11% do total dos pesquisados não optaram por nenhuma área do conhecimento, respondendo em sua maioria que não pensam em prestar vestibular.

Estes índices nos mostram que a área de exatas não desperta no grupo analisado grande interesse de ingresso nem para estudantes do sexo feminino nem masculino, quando se trata de alunos inseridos no curso de formação de

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professores. As alunas pertencentes a esse curso optaram em primeiro lugar pela área de humanas, citando cursos tais como Pedagogia ou Psicologia em sua maioria. Este resultado mostra que os estudantes do curso normal analisado preferem carreiras afins ao curso profissionalizante em que estão inseridos.

Em relação aos estudantes pertencentes ao curso regular, as mulheres mostram maior interesse pelos cursos da área Biológicas, seguida pelas Humanas e Exatas. Para a primeira entendem-se também cursos de enfermagem ou medicina (pediatria), preferência entre as mulheres. Para os homens, as humanidades estão em primeiro lugar muito próximas das exatas, tendo os cursos pertencentes à área de biológicas um menor interesse. Assim, como visto em Pimentel (2010), as meninas preferem as ciências biológicas e humanas.

A última questão foi tratada qualitativamente, fornecendo informações que julgamos relevantes através das respostas dadas pelos alunos, sendo separadas em três subcategorias. É importante salientar que a organização das subcategorias e a classificação dos relatos feitos pelos alunos foram identificados por códigos: representado por A de aluno e seguido de um número, ao responder ao questionário.

Faremos agora uma breve descrição e análise de cada subcategoria:

- (a) A inserção da mulher na Ciência: É sabido que, historicamente, a Ciência, assim como as outras áreas do saber, foi construída como uma área de hegemonia masculina, apesar de muitas mulheres terem participado da sua construção. Essa subcategoria congrega exemplos sobre justificativas a respeito da mulher na ciência. Exemplo: 'É muito importante porque anos atrás não era 'bem-visto' mulheres nesta profissão.' (A4)
- (b) O reconhecimento da cientista como profissional: Esta subcategoria visa identificar a importância dada à valorização e divulgação das produções dessas cientistas não só para promoção das Ciências, mas também para empoderamento deutras mulheres para participar do mundo cientifico. Exemplo: 'A mulher na Ciência é importante para sermos representadas, pois ainda é uma área de preconceitos.' (A50)
- (c) A não relevância dessa discussão: Essa subcategoria visa destacar a crença daqueles que acreditam que igualdade de gêneros e oportunidades já foram alcançadas e por isso não é mais necessário todo esse movimento social feminista. Exemplo: 'Não vejo importância nessa luta.' (A75)

## Categorização do segundo momento: Montagem de fotonovelas

Foram produzidas um total de 23 fotonovelas (figura 02). Destas, quatro falaram sobre Chien-Shiung Wu, sete sobre Marie Curie, três sobre a engenheira brasileira Enedina Alves Marques; quatro sobre a aviadora Amélia Earhart e cinco sobre a matemática Katherine Johnson. Para elaboração das fotononovelas, os alunos foram divididos em grupos com subgrupos de edição, elenco, roteiro e produção. As fotonovelas fizeram parte do material produzido para uma mostra sobre estas personalidades, realizada durante o início de outubro de 2017 no evento intitulado 'Semana da Normalista', que faz parte do calendário de atividades da unidade escolar.

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Figura 02: À Esquerda: Capas de algumas Fotonovelas produzidas pelos alunos para divulgação da mulher na ciência. À Direita: Trecho de uma das fotonovelas produzidas pelos alunos.

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Faremos agora uma breve descrição e análise de cada subcategoria:

- (a) A forma como atuavam nos seus campos de trabalho naquela sociedade patriarcal: Em sua maioria (16) as fotonovelas se preocuparam em divulgar algum feito científico dessas mulheres, enfatizando a profissão escolhida pelas personalidades elencadas. Exemplo: '1ª Mulher, docente em FÍSICA (..), DOUTOUROU-SE' (fotonovela: A história de uma grande mulher )
- (b) A postura austera que assumiam no trabalho: As fotonovelas que compreendem essa categoria (8) preocuparam-se em destacar características das personagens que as fizeram sofrer algum tipo de preconceito, em sua maioria a questão racial. Exemplos: 'Enedina atira para o alto, assustando a todos no local', 'Apesar de vaidosa, ficou conhecida por usar macacão e portar uma arma na cintura' (fotonovela: Enedina Alves Marques')
- (c) A jornada dupla na vida profissional e vida familiar: Nessa categoria, as fotonovelas (5) procuravam expor como a vida familiar também tem importância como feitos das personalidades. Exemplo: 'Marie iniciou sua carreira científica em Paris (..) conhece Pierre(..) depois de um tempo eles se casam'

## Considerações finais

Quando se trata a questão de violência contra a mulher, pudemos observar que não existe só um tipo de violência, sendo a diminuição da importância das ações profissionais quando estas são exercidas por mulheres também considerada um tipo de violência moral. Durante a construção das fotonovelas, a violência moral foi apontada pelos estudantes como o principal tipo de violência sofrida pelas mulheres que optaram por carreias científicas. Os estudantes, em sua maioria, apontaram ser esse o motivo pelo qual as personalidades não eram apresentadas aos estudantes durante o ciclo da educação básica.

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Durante a apresentação dos trabalhos no evento 'Semana do Normalista', observou-se uma preocupação das estudantes, mulheres, em divulgar ciência para os demais discentes da unidade escola, além das personalidades trabalhadas. Segundo estas estudantes, a não divulgação do trabalho dessas personalidades não permitia que elas próprias se inspirassem e se vissem representadas nas áreas de Ciência e Tecnologia.

A prática deste projeto exigiu o compromisso de todos os envolvidos com a aprendizagem e a avaliação dos resultados. O princípio seguido é que o professor tenha o papel do mediador que apoia o trabalho conjunto dos alunos.

## Referências

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa, Portugal: Edições 70, 2004.

BORGES, M. de L. Gênero e desejo: a inteligência estraga a mulher? Revista Estudos Femininos. [online]. 2005, vol. 13, no. 3, pp. 667-676.

CARTAXO, S. M. C. Gênero e Ciência: Um estudo sobre as mulheres na Física. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas, 2012.

EPSTEIN, C. Great divides: the cultural, cognitive, and social bases of the global subordination of women. American SociologicalReview, v.12, Fev, p.1-25, 2007.

INEP. Mulheres são maioria na Educação Superior brasileira. INEP, 2018. Artigo online. Disponível em: &lt;http://portal.inep.gov.br&gt;, acessado em julho de 2018.

MORAES, R. Análise de conteúdo. Revista Educação, Porto Alegre, v22, n37, 1999.

NETO, E. R. Didática da Matemática. Ed. Ática. 12ª edição. São Paulo, 2010.

OLINTO, G. A inclusão das mulheres nas carreiras de ciência e tecnologia no Brasil. Inclusão Social, Brasília, v. 5, n. 1, p. 68-77, jul./dez. 2011.Disponível: http://revista.ibict.br/inclusao/article/view/1667/1873,acessado em 20 de agosto de 2017.

PIMENTEL, C. Mulheres são maioria entre bolsistas, mas perdem para homens em altos cargos de ciência. Artigo online. Uol Educação, 2010. Disponível em: &lt;https://educacao.uol.com.br/noticias/2010/07/31/mulheres-sao-maioria-entrebolsistas-mas-perdem-para-homens-em-altos-cargos-de-ciencia.htm&gt;, acessado em 02 de setembro de 2017.

PNUD. A Ascenção do Sul: Progresso Humano num Mundo Diversificado. PNUD, 2013. Tradução: Camões - Instituto da Cooperação e da Língua. Disponível em: http://www.pucsp.br/ecopolitica/documentos/direitos/docs/a-ascencao-do-sul.pdf; acessado em 20 de agosto de 2017.

SILVA, F. F. da; RIBEIRO, P. R. C. A Participação das Mulheres na Ciência: problematizações sobre as diferenças de gênero. Revista Labrys Estudos Feministas, n. 10, jul./dez. 2011.

SILVA, J. D. C. da; FONSECA, L. C. de S. Mulheres e Ciência: A trajetória de Mulheres Cientistas do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da UFRRJ. VI Enebio e VIII Erebio Regional 3. Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016. pp 35813592.

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