ENSINO DE FÍSICA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA: UM ESTUDO DE PESQUISAS REALIZADAS NA UFSCar ARARAS
Osório Augusto De Souza Neto, Estéfano Vizconde Veraszto, Eder Pires De Camargo, José Tarcísio Franco De Camargo, Eliana Anunciato Franco De Camargo
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 29/01/2019
- Linha de pesquisa
- Equidade, Inclusão, Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ENSINO DE FÍSICA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA: UM ESTUDO DE PESQUISAS REALIZADAS NA UFSCar ARARAS
Osório Augusto de Souza Neto 1 , Estéfano Vizconde Veraszto 2 , Eder Pires de Camargo 3 , José Tarcísio Franco de Camargo 4 , Eliana Anunciato Franco de Camargo 5
Pesquisa financiada pela FAPESP
1
UFSCar/DCNME, osorionet2003@gmail.com
2
UFSCar/DCNME, estefanovv@gmail.com
3 UNESP/Departamento de Física e Química, Ilha Solteira, camargoep@dfq.feis.unesp.br
4 Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal, UNIPINHAL, jtfc@bol.com.br
5 Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal, UNIPINHAL, eafcamargo@yahoo.com.br
## Resumo
Mediante uma análise qualitativa e através de análise textual discursiva, este trabalho foi desenvolvido para verificar a presença de conteúdo destinado ao ensino de Física em trabalhos de conclusão de curso de licenciandos em Física da UFSCar, campus Araras. Embora ainda em quantidade modesta, e direcionados ao ensino e formação de professores para o ensino de física aos alunos com deficiência visual, deficiência auditiva e/ou outros alunos com diferentes Necessidades Educacionais Especiais, se mostram precursores para a área, no campus da Universidade analisada. Com uma categorização a posteriori do corpus dos trabalhos, foram encontradas semelhanças entre as pesquisas, as quais foram organizadas e categorizadas, a saber: sistematização do conhecimento inclusivo para o ensino de Física, formação docente na perspectiva da educação inclusiva, recursos de apoio e ensino de física através de fenômenos não percebidos pela visão. A partir da análise mais aprofundada das pesquisas, foi possível constatar que os licenciandos têm ciência da necessidade de um ensino inclusivo, da formação inicial e continuada de professores, além da necessidade de elaboração de métodos/sequencias/materiais didáticos adaptados necessários para aulas de física inclusivas. Por fim, se verifica uma nova concepção das preocupações inclusivas de forma ampla para a formação de professores de Física e seu ensino.
Palavras-chave : ensino de física, formação de professores, educação inclusiva
## Introdução
É fato o aumento do número de alunos com Necessidades Educacionais Especiais (NEE) matriculados nas escolas brasileiras. Observa-se a partir dos dados do censo escolar nacional de 2012 em que o número de matrículas de estudantes com NEE na rede regular de ensino saltou de 43.923 em 1998 para 620.777 em 2012 (BRASIL, 2013a). Outros números também recentes mostram que o total de alunos com NEE em salas de aula regulares aumentou em 27,6% entre 2011 e 2015, passando de 58.412 para 74.534 respectivamente (BRASIL, 2011; 2015). Embora se perceba avanço nos aspectos concernentes à educação inclusiva no Brasil, ainda se vislumbra que há muito o que fazer para promover a inclusão destes alunos e evitar segregações, bem como simples integrações e inclusões marginais. Neste cenário, mesmo que somente a presença do aluno com NEE no ambiente escolar não garanta a sua inclusão de fato, sem ela certamente ainda prevaleceria o
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caráter excludente de nossa sociedade (BRASIL, 2013b). Neste contexto, como forma de ilustrar a situação através de trabalhos que apresentem correlação com a área, algumas pesquisas preliminares classificaram a compreensão de professores e estudantes em geral a respeito do processo de construção de conhecimentos em ciências por indivíduos cegos congênitos (Veraszto, Camargo, Camargo, 2016a, 2016b, 2016c, 2015). Tais pesquisas procuravam observar como os atores presentes no meio educacional percebem o processo de inclusão de estudantes com NEE. Por sua vez, com a perspectiva de fundamentar a compreensão desta questão, essas investigações prévias foram centradas em uma amostra de professores em formação da UFSCar Campus Araras.
Deste modo, de forma específica, ao pensamento inclusivo, as pesquisas que foram analisadas neste trabalho foram produzidas mediante provocação dos docentes da Universidade em questão, sempre como forma de fomentar inquietações a respeito do assunto com vias a proporcionar a construção de uma sociedade mais justa.
## Pressupostos teóricos
A inclusão social tem por adrede a promoção de garantias fundamentais aos alunos com NEE, segundo as concepções de Lucca, Bazon e Lozano (2015). Ainda, na concepção dos autores, se evidencia com mais afinco o já enunciado anteriormente (BRASIL,2013b). Por outro lado, a exclusão dos alunos que ocorre na escola em função de barreiras atitudinais e que impede o acesso e a apropriação plena do conhecimento científico também é objeto contemplado. De mesma forma, os estudos apontados por Lucca, Bazon e Lozano (2015) permeiam as concepções de que a falta e/ou deficiência na formação inicial e continuada de docentes se mostra como o principal fator de segregação discente no ambiente escolar.
Em outros estudos (LIPPE, CAMARGO, 2009), as concepções mostram que a escola deva servir como ambiente saudável que promova, de forma definitiva, a criação de situações reais que promovam a inclusão, sempre mediante a construção de estratégias direcionadas e construídas em conjunto com um docente especialista em inclusão, atuando de forma permanente na escola. De forma análoga, Camargo (2012a), aponta que o perceber a diferença do outro, sem diferenciá-lo, é o fator preponderante que permite a construção da própria identidade e a dos outros.
Deste modo, o ensino de Física alinhado à uma formação inclusiva inicial e continuada de professores abre possibilidades reais de aulas para alunos deficientes e/ ou com NEE, desde que a escola se posicione e rompa com as barreiras atitudinais que faz com que haja diferenciações entre os educandos.
## Metodologia
O trabalho aqui desenvolvido apresenta pressupostos de uma pesquisa exploratória e analítica dos Trabalhos de Conclusão de Curso de licenciandos em Física da UFSCar, campus de Araras. O corpus dos trabalhos analisados se refere às formas, mecanismos alternativos e formação de professores para o ensino de Física em aulas inclusivas, bem como o entendimento e formação dos alunos de graduação da Universidade mencionada sobre o tema inclusão.
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Ao todo foram analisados 6 de Trabalhos de Conclusão de Curso (numerados de 01 a 06- Quadro 01), sendo 4 deles já concluídos e 2 deles ainda em andamento. Da análise dos trabalhos, o quadro 1 foi confeccionado reunindo Título/Referência, Objetivo, Metodologia e Resultados de cada um deles.
A partir do respectivo quadro emergiram 4 categorias que serão apresentadas no tópico posterior. Ressaltamos que as categorias foram criadas a partir de uma maior similaridade entre os objetivos de cada trabalho, de forma a permitir com que os trabalhos ainda em andamento pudessem ser categorizados e analisados. Desta forma, foi feita uma análise sistemática dos objetivos dos trabalhos quando ainda em andamento, bem como uma análise completa daqueles já finalizados, a partir de técnicas de Análise Textual Discursiva (MORAES, GALIAZZI, 2016).
Quadro 1 :Trabalhos analisados. Fonte: elaborado pelos autores.
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## Análise
Para este estudo foram adotadas categorias criadas a posteriori , pautadas em fundamentos teóricos relativos a cada uma delas assim definidos:
Categoria 1: Sistematização do conhecimento inclusivo para o ensino de Física: A categoria se pauta em ideias e momentos de introspeção para análise de situações/recursos adequados e inadequados, de forma sistematizada, aos docentes e futuros docentes da Física para aulas inclusivas para DV (CAMARGO, 2008).
Categoria 2: Formação docente na perspectiva da educação inclusiva: Existe a necessidade de uma atuação efetivamente ativa do professor para a promoção de aulas inclusivas, e não o mero cumprimento da programação prevista. Para isso, ao docente comprometido com uma educação de qualidade, inclusive preparado para a promoção de aprendizagem de alunos com NEE, se torna necessária uma formação sólida e não uma preparação meramente circunstancial (MAZZOTTA, 2010).
Categoria 3: Recursos de apoio: A categoria faz referência aos recursos alternativos de apoio ao Ensino de Física para alunos com DV, como maquetes, recursos táteis, auditivos e multissensoriais (VERASZTO, CAMARGO, CAMARGO, 2016a, 2016b, 2016c).
Categoria 4: Ensino de Física através de fenômenos não percebidos pela visão: A categoria se fundamenta no fato de que, quando se vincula a questão do ensino à disciplina de Física, é notória e imediata a sua relação implícita com o uso da visão, mesmo que a visão seja totalmente desnecessária à compreensão do tema da Física ora tratado. Evidentemente que tal fato decorre em função da correlação que as aulas tradicionais trazem consigo. Contudo, nas aulas em que o docente se posiciona de forma comprometida para garantir a inclusão, seja mediante adaptações metodológicas ou pelo uso de estratégias diferentes ao ensino, torna-se evidente a promoção da equidade no processo que permeia a construção do conhecimento científico (LIMA, MACHADO, 2012).
Através de breves considerações, até mesmo em função das dimensões do presente trabalho, traremos a seguir algumas concepções sobre a categorização mencionada.
## Categoria 1: Sistematização do conhecimento inclusivo para o ensino de Física
Tornou-se bastante evidente pelos Trabalhos de Conclusão de Curso analisados, que os futuros docentes pesquisadores têm apresentado uma postura para o entendimento e sistematização (organização e classificação) das estratégias possíveis de ser empregadas no ensino da Física. Paralelamente a isso, vão construído, por si só, um repertório de entendimentos e de estratégias funcionais
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para a formação de professores e condução de aulas de física inclusivas. As pesquisas de campo permitem ao pesquisador fazer uma análise da situação concreta, vivenciar e partilhar de algo maior extrínseco à Universidade, bem como dar significação à ela, construir suas concepções de forma sistematizada sobre o ensino inclusivo, sempre com os ideais de rever sua práxis alinhada à realidade do aluno com deficiência e/ ou com NEE (ARAÚJO, 2013).
## Categoria 2: Formação docente na perspectiva da educação inclusiva
Importante perceber que a categoria e tela se apresenta de forma fundante para a análise. Como nos cursos de graduação em Física não se exige formação específica em inclusão, embora esteja intrínseco numa formação que perceba a necessidade de um ensino permeado pela equidade, as pesquisas realizadas e analisadas como corpus da análise podem ser vistas como fator extremamente importante e positivo. Se destaca neste sentido, que licenciandos estão sendo provocados pelos docentes dos cursos de licenciatura em Física para que haja uma preocupação real sobre a inclusão. Neste sentido essas concepções também se pautam em (CAMARGO, 2012a)
## Categoria 3: Recursos de apoio
Os recursos de apoio de fundamentam, basicamente, nas estratégias metodológicas percebidas e desenvolvidas por docentes inclusivos. In casu , no corpus dos trabalhos analisados, os recursos se fundamentaram na experimentação e construção de artefatos (maquetes e sequências didáticas, por exemplo) que tem por escopo, a preparação e elaboração de aulas inclusivas
Segundo (Veraszto, et al 2008, p. 62);
[...] a história das técnicas e das tecnologias, não deve ser apenas entendida com uma descrição sucessiva dos artefatos descobertos por artífices e engenheiros, mas também o encadeamento das grandes circunstâncias sociais que ora favoreciam, ora prejudicavam o esforço humano em desenvolver seus artefatos e modificar o mundo ao seu redor, garantindo-lhes assim, melhores condições de vida.
Ainda, nas concepções de Bersch (2013), a utilização da tecnologia assistiva proporciona maiores condições para aprimoramento da capacidade de aprendizagem de alunos que necessitam da tecnologia ora mencionada.
## Categoria 4: Ensino de Física através de fenômenos não percebidos pela visão
A utilização de recursos multissensoriais alavanca as questões atinentes a esta categoria. Se torna evidente, mediante alguns elementos do corpus analisado, que a construção de recursos/metodologias/sequencias que permitam aulas de física inclusiva elevam a possibilidade de entendimento de conceitos e a construção de conhecimentos científicos, outrora assentados apenas em recursos visuais. Ressaltamos que docentes de outras disciplinas, que não a física, também apresentam problemas para elencar elementos alternativos como opção para substituição da visão para a proposição de aulas inclusivas mediante outros sentidos. Mesmo não fazendo parte do corpus analisado, pesquisas atinentes aos contextos comunicacionais apontam nesta direção, como as desenvolvidas por Camargo (2011, 2012a) e Camargo, Nardi e Veraszto (2008).
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## Considerações finais
Ressaltamos inicialmente que a proposta do presente trabalho se baseou na análise de Trabalhos de Conclusão de Cursos de alunos do curso de licenciatura em Física da UFSCar, campus Araras. Dentro deste contexto, os trabalhos analisados foram aqueles que, única e exclusivamente, tinham relação direta com o contexto inclusivo, quer seja na formação inicial e continuada de docentes de Física ou relacionados à construção de estratégias/métodos/sequencias didáticas alternativos para a promoção de aulas de Física inclusivas.
- O estudo se pautou nestes trabalhos para verificar as concepções que alunos pesquisadores detém a respeito das questões já apontadas, uma vez que não existe a obrigatoriedade de disciplinas específicas sobre a temática durante a graduação. Assim, se vislumbrou que embora ainda modesta em quantidade, que os trabalhos apresentam qualidade e preocupação real com a promoção de uma educação inclusiva, o que representa um ponto bastante positivo neste sentido.
- Os trabalhos foram analisados e, a partir deles, emergiu o Quadro 01, apontando 4 trabalhos finalizados e 2 ainda em andamento. O quadro foi construído apresentando o Título/Referência, Objetivo, Metodologia e Resultados. A partir da análise dos Objetivos, emergiram 4 categorias analíticas que permearam a análise.
- Os trabalhos 1 e 5 foram classificados segundo a Categoria 1: Sistematização do conhecimento inclusivo para o ensino de Física; os trabalhos 2 e 3 segundo a Categoria 2: Formação docente na perspectiva da educação inclusiva; o trabalho 4 segundo a Categoria 3: Recursos de apoio e o trabalho 6 segundo a Categoria 4: Ensino de Física através de fenômenos não percebidos pela visão.
Neste sentido, fundamentado em pressupostos teóricos da área, notou-se de forma bastante clara uma preocupação de licenciandos em Física com a inclusão, mesmo que de forma ainda modesta, mas que já se apresentam como precursores de estudos que poderão ser aprimorados e contemplados de forma mais incisiva a curto prazo.
Por fim, resta evidenciado, pela qualidade dos trabalhos, bem como pela preocupação dos alunos de graduação com uma educação inclusiva, a manifestação dos graduandos, fundamentalmente, pela intervenção dos docentes do curso de Física do campus da Universidade em que os trabalhos formaram o corpus da análise .
## Referências
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