LABORATÓRIOS REMOTOS NO ENSINO DE FÍSICA: UMA PROPOSTA DE REVISÃO DO TIPO ESTADO DA ARTE
Cíntia Torres Lemes Galvão, Mikael Frank Rezende Junior
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 29/01/2019
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## LABORATÓRIOS REMOTOS NO ENSINO DE FÍSICA: UMA PROPOSTA DE REVISÃO DO TIPO ESTADO DA ARTE
## Cíntia Torres Lemes Galvão , Mikael Frank Rezende Junior 1 2
1 Universidade Federal de Itajubá/ Instituto de Física e Química, cintiatlg.fisica@gmail.com
2 Universidade Federal de Itajubá/ Instituto de Física e Química, mikaeljr@gmail.com
## Resumo
O presente trabalho tem por objetivo investigar produções acadêmicas sobre laboratórios remotos voltadas para o ensino de Física no âmbito nacional, visando identificar a existência de discussões sobre suas respectivas contribuições à discussão sobre o processo de ensino-aprendizagem. Esta pesquisa, do tipo Estado da Arte, foi realizada no banco de teses e dissertações da Capes com os seguintes descritores: laboratório remoto, laboratório com acesso remoto, experimentação remota, experimentação online, remote lab, remote laboratories, remote laboratory, e remote experimentation, Weblab e Weblabs. Com estes descritores, encontrou-se um total de setenta e sete trabalhos, sendo oito voltados para o estudo da Física. A análise dos dados se deu por uma abordagem qualitativa e pela definição de agrupamentos. Os resultados trazem evidencias de que os laboratórios remotos voltados para o ensino de Física têm sido construídos/utilizados para complementar o processo de ensino, além de se apresentarem como um recurso didático mediado por um profissional capacitado que defina os objetivos pedagógicos das atividades. Outro aspecto evidenciado foi que há uma lacuna quanto aos métodos para verificar se o experimento pode contribuir no processo de ensino-aprendizagem. Por fim, destaca-se que as temáticas abordadas nas atividades controladas remotamente têm sido abrangente, apresentando experimentos relacionados à Física clássica e a Física moderna.
Palavras-chave : Laboratório remoto. Estado da Arte. Ensino de Física.
## Introdução
É reconhecido na literatura que o uso de atividades experimentais pode contribuir significativamente com o processo de ensino e de aprendizagem; estas atividades podem favorecer na compreensão dos fenômenos e de sua relação com as teorias fundantes, e ser um elemento motivador para despertar o interesse pelas Ciências e, em particular, pela Física (ARAÚJO e ABIB, 2003; LOPES, 2007; OLIVEIRA, 2010).
Outra característica das atividades experimentais refere-se à possibilidade de desenvolver competências que contribuam para uma formação cidadã, sugeridas como essenciais nos documentos oficiais nacionais da educação como o PCN (BRASIL, 1999) e PCN+ (BRASIL, 2002). Oliveira (2010) aponta ainda que a experimentação pode ser empregada com diversas finalidades, além de trazer contribuições importantes para o ensino de Ciências. Contudo, é preciso que o professor analise e adeque as atividades aos saberes que pretende desenvolver. Mas, apesar do potencial pedagógico que essas atividades apresentam, Gaspar (2014) destaca que, na maioria das escolas públicas estas são uma prática esporádica, assistemática e sem metodologia definida. Os fatores que acarretam essa deficiência se dão por falta de material e equipamentos, pela falta de local adequado para realizar as atividades, falta de tempo para o seu preparo, número insuficiente de aulas na carga horária e, ainda, pelo despreparo específico de professores.
Além das atividades experimentais, outro recurso didático que têm se potencializado no processo de ensino das Ciências são as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). A pesquisa 'Educação e tecnologias no brasil: um estudo de caso longitudinal sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação em 12 escolas públicas' realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC) em 2016, aponta que em meados da década de 1990 foram implementadas as primeiras políticas públicas que enfatizam o uso de tecnologias de informação e comunicação na educação.
Segundo Kenski (2005) os recursos tecnológicos proporcionam um novo tipo de interação no ambiente escolar que fortalece a relação ensino-aprendizagem. Essas tecnologias estabelecem novos modos de se relacionar com a informação e com o conhecimento, e afetam diretamente a educação, seja pela necessidade de preparar as pessoas para utilizar conscientemente todo o seu potencial ou para desenvolver metodologias e práticas capazes de incorporar as TIC como instrumento pedagógico (CETIC, 2016).
Aliada as atividades experimentais e ao uso das TIC, os laboratórios didáticos com acesso remoto que se configuram como um novo recurso que pode dar suporte ao ensino de engenharia, ciências naturais e ciências da computação. Esses são experimentos reais que podem ser controlados a distância, permitindo a coleta e análise de dados reais, interação virtual dos discentes com os equipamentos e, em alguns casos, com outros usuários, além da possibilidade de estender o tempo na realização da atividade por estarem disponíveis vinte e quatro horas nos sete dias da semana (LOPES, 2007; RUBIM, 2016). Apesar de ser preciso conciliar o agendamento da atividade com o limite de acessos simultâneos estipulados pelo ambiente remoto, esses permitem que os alunos explorem o experimento e aprofundem seu entendimento sobre o fenômeno de acordo com o seu tempo de aprendizagem.
Rubim (2016) aponta que, como os experimentos são compartilhados na internet, há a possibilidade de várias escolas trabalharem com o mesmo experimento, atingindo um número maior de pessoas e enriquecendo o conteúdo das aulas. No entanto, o acesso às novas tecnologias, e em especial dos laboratórios remotos, não garantem que a sua apropriação seja voltada para fins pedagógicos e com foco na aprendizagem. Como foi apontado na pesquisa realizada pelo CETIC citada acima,
'Ao se limitar a um papel complementar ou ilustrativo, as TIC pouco contribuem para cumprir todo seu potencial no campo pedagógico, em práticas mais centradas no aluno e com ênfase na construção do conhecimento.' (CETIC, 2016, p. 50)
Desse modo, dado que os laboratórios remotos se configuram como um novo recurso didático para o ensino de ciências, o presente estudo tem como objetivo analisar trabalhos, através de um estudo do tipo estado da arte, que se remetem à propostas de laboratórios com acesso remoto para o ensino de física.
## Metodologia
Com o propósito de analisar os caminhos trilhados na utilização dos laboratórios remotos para o ensino de Física, foi realizado neste trabalho um estudo do tipo estado da arte que buscou verificar quais são, prioritariamente, os objetivos dos trabalhos de desenvolvimento dos laboratórios didáticos com acesso remotos.
A escolha pela pesquisa do tipo estado da arte se deu por seu caráter bibliográfico que, segundo Gil (2008) e Pradanov e Freitas (2013), são elaborados a partir de um material já publicado e, por abrangerem uma ampla gama de fenômenos. Essas possuem o objetivo de mapear e discutir certa produção acadêmica sob diferentes perspectivas, buscando responder quais aspectos e dimensões vêm sendo destacados em diferentes épocas e lugares, além de identificar lacunas e alternativas que possam contribuir com a área de pesquisa (ROMANOWSKIL e ENS, 2006).
Para definir a base de dados deste estudo, foi feito um levantamento de trabalhos que apresentavam revisões bibliográficos sobre a temática. Desse modo, encontramos os trabalhos de Silva (2015), Almeida Junior (2016) e Santos, Fernandes e Silva (2017) que fazem levantamentos bibliográficos, com períodos definidos, a partir de descritores relacionados aos laboratórios remotos em plataformas internacionais. Ainda, Cardoso e Takahashi (2011) que pesquisaram sobre experimentação remota em atividade de ensino formal, nas seções de Educação e Ensino de Ciências, em 78 periódicos com estrato de qualificação A. A pesquisa foi realizada entre os anos de 2000 a 2009 e foi encontrado trabalhos em apenas cinco periódicos, a saber, Computer Applications in Engineering Education, Computers & Education, IEEE Transactions on Education, Journal of Research in Science Teaching (print) e Physics Education (print).
Assim, diante dos trabalhos encontrados, é possível notar certo destaque para os trabalhos publicados em periódicos internacionais, verificando-se assim a necessidade de analisar as produções sobre laboratórios com acesso remoto no âmbito nacional. Desse modo, optou-se por analisar os trabalhos presentes no banco de teses e dissertações da Capes, por tratar-se de conhecimentos originais, publicados pela primeira vez pelos autores, sendo, muitas vezes, a base de artigos publicados em congressos e periódicos (PIZZANI et al, 2012).
Os trabalhos nesta plataforma foram selecionados a partir de descritores, a saber: laboratório remoto, laboratório com acesso remoto, experimentação remota, experimentação online, remote lab, remote laboratories, remote laboratory, e remote experimentation . Durante a pesquisa no banco de dissertações e teses da capes, encontrou-se um novo descritor, denominado Weblab , que pela leitura dos resumos, constatamos que também se refere a Laboratórios com as mesmas características que procurávamos, podendo ser acessados remotamente em tempo real. Assim, acrescentamos a esta pesquisa mais dois descritores, Weblab e Weblabs . Com estes, encontrou-se um total de 77 trabalhos, sendo 71 dissertações e 6 teses. O único filtro utilizado para realizar a pesquisa foram os descritores dado que se pretendia identificar todos os trabalhos relacionados ao tema.
Definido a base de dados da pesquisa, foi feita a leitura dos resumos dos setenta e sete trabalhos encontrados com os descritores citados acima, a fim de analisar quais se tratavam de laboratórios didáticos com acesso remoto e quais eram as suas respectivas áreas. Ao final dessa leitura, encontrou-se um total de 56 trabalhos que apresentavam as características dos laboratórios/ experimentação foco deste trabalho, sendo estes cinco teses e cinquenta e uma dissertações. Destes, em oito trabalhos estava explicito que eram relacionados à Física, três eram voltados para o ensino de Ciências e os demais eram relacionados às áreas de engenharia e computação. Como o objetivo desta pesquisa é investigar as características dos trabalhos voltados para o ensino de Física, permaneceu, então, as oito produções que foram dispostos no quadro 1.
Quadro 1: Identificação dos trabalhos que compõem o corpus documental dessa pesquisa
FONTE: Elaborado pelos autores
Desse modo, a analise se deu pela leitura completa dos trabalhos com o intuito de mostrar qual o contexto sobre os laboratórios remotos e se há algum tipo de foco nos processos de ensino. A abordagem utilizada para análise dos dados foi a qualitativa por apresentar elementos descritivos e por manter o pesquisador em contato direto com o ambiente e com o objeto de estudo (GIL, 2008; PRODANOV e FREITAS, 2013). Nesta etapa, buscando determinar evidências relevantes quanto ao objetivo deste trabalho, definiu-se alguns agrupamentos que são caracterizados a seguir.
Quadro 2: Agrupamentos para análise do corpus documental dessa pesquisa
FONTE: Elaborado pelos autores
Os agrupamentos foram definidos a partir da busca por traços que deixassem evidente alguma preocupação com o processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, a Temática apresenta quais os conteúdos sob foco dos laboratórios remotos; o material de apoio mostra as propostas que podem auxiliar na sua utilização; a aplicabilidade mostra qual tem sido o objetivo da utilização do experimento remoto - se é para um melhor entendimento dos conceitos, para contribuir no processo de aprendizagem, ou apenas um recurso diferenciado que pode valorizar as aulas de Física; já o apoio pedagógico apresenta uma discussão sobre a função do experimento remoto no processo de ensino.
## Análise dos Resultados
Com a finalidade de identificar o contexto no qual os laboratórios remotos têm se desenvolvido e se há algum tipo de foco com os processos de ensino, o corpus documental desta pesquisa foi analisado em função dos agrupamentos, não excludentes, propostos acima.
Quanto às temáticas abordadas nos trabalhos, a dissertação de Tedesco (2001) trás elementos para construir um experimento remoto para o estudo de eletrônica
e Física no ensino médio; no ambiente colaborativo de Paladini (2008) são utilizados experimentos de conversão de energia solar em elétrica, movimento harmônico simples, meios de propagação de calor, quadro elétrico AC e plano inclinado; Silva (2016) utiliza em sua proposta um experimento sobre propagação de calor, ambos os trabalhos, Paladini (2008) e Silva (2016), do Laboratório de Experimentação Remota da Universidade Federal de Santa Catarina. Sievers Junior (2011) constrói para seu ambiente educativo um autorama para estudo de movimento uniformemente variado, uma prensa hidráulica, experimento de corrente elétrica em soluções liquidas, um oscilador massa mola e experimentos para o estudo de força centrípeta, dilatação térmica de sólidos e de líquidos, para o estudo da terceira lei de Newton, eletricidade e circuitos elétricos, todos com acesso, todos podendo ser controlados remotamente. Cardoso (2016) constrói, em conjunto com o Laboratório de Experimentação Remota da Universidade Federal de Santa Catarina, um experimento controlado remotamente para determinar a razão carga/massa do elétron. Sim (2016) utiliza um experimento controlado remotamente para estudar a primeira lei de Ohm e circuitos elétricos; Silva (2016) constrói um experimento relacionado à astronomia para o estudo interdisciplinar de Física e matemática; e por fim, Almeida Junior (2016) constrói um experimento para o estudo de síntese cromática que visa um estudo interdisciplinar entre Física, biologia e artes.
Neste agrupamento percebe-se que apesar de haver poucas publicações voltadas para a área da Física, os temas em que se tem desenvolvido experimentos controlados remotamente são bem amplos e abrangem, da Física clássica à Física Moderna. Como apontam Araújo e Abib (2003), o uso de atividades experimentais pode auxiliar no processo de ensino e aprendizagem, e esse aspecto vai ao encontro da proposta de Cardoso e Takahashi (2011), em que o uso de laboratórios remotos pode suprir as carências que as escolas e universidades apresentam quanto a falta de recursos para essas atividades, além de auxiliar na aprendizagem de conceitos físicos. Ainda, Luciano e Fusinato (2018) destacam especificamente que o ensino de Física Moderna e Contemporânea carece de novos recursos didáticos, e que é necessário refletir novos formatos de estratégias para sanar essas dificuldades.
No agrupamento material de apoio , foi possível perceber que os trabalhos de Cardoso (2016) e Almeida Junior (2016) demonstram a necessidade de se ter um ambiente virtual de aprendizagem para auxiliar na utilização do experimento remoto e para auxiliar nas atividades do professor
'[...] o ambiente no qual o laboratório remoto está inserido também pode apresentar uma interface de uso exclusivo do professor, auxiliando-o em suas tomadas de decisões durante as aulas, equipando-o com recursos em um ambiente que estimule a criatividade e descoberta de novas interações e possibilidades de ensino.' (ALMEIDA JUNIOR, 2016, p. 43)
Ainda, Paladini (2008) constrói um ambiente colaborativo de geração, experimentação, descobrimento e transmissão de conhecimento por meio do Moodle para compartilhar experimentos remotos, bibliotecas, aulas, entre outras atividades voltadas para o ensino de Física. Sievers Junior (2011) frente a uma das dificuldades que o laboratório remoto enfrenta, o acesso ao equipamento experimental que é limitado para um estudante por vez, também elabora um ambiente educacional que gerencia filas, escalonamento e concorrências entre usuários por meio de agentes pedagógicos. Esses agentes são responsáveis por fornecer atividades diversificadas aos usuários enquanto o experimento remoto está sendo utilizado. Ele ainda ressalta que o objetivo do projeto é
'[...] é promover uma aprendizagem mais significativa e interativa para o estudante através da utilização de laboratórios remotos, atividades de
aprendizagem, feedback e avaliação durante o processo de ensinoaprendizagem.' (SIEVERS JUNIOR, 2011, p. 82)
Como apontam Cardoso e Takahashi (2011), os alunos precisam de um ambiente de aprendizagem que ofereça apoio para realização das experiências, pois a eficácia do uso de experimentação remota depende da metodologia adotada para o desenvolvimento das aulas práticas. Nos trabalhos analisados nesse agrupamento fica evidente que há uma preocupação com as limitações do experimento, mas que estas podem se favorecer no desenvolvimento de outros recursos que contribuam no processo de ensino.
Os trabalhos de Cardoso (2016), Silva (2015), Paladini (2008), Sim (2016) e Sievers Junior (2011) aplicaram o experimento em turmas do ensino médio com a finalidade de ver se a atividade experimental contribuía para a compreensão do fenômeno estudado. Os trabalhos que aplicaram o experimento, Paladini (2008), Sievers Junior (2011) e Cardoso (2016) buscaram verificar o desempenho dos alunos quanto aos conhecimentos teóricos por meio das atividades realizadas no ambiente colaborativo (Moodle); por testes e provas sobre conhecimento de Física antes e depois de utilizarem o ambiente educacional; e pela construção de uma memória científica onde os alunos deveriam relacionar e explicar a função dos equipamentos utilizados no laboratório remoto, respectivamente. Os demais trabalhos utilizaram apenas um questionário de opinião sobre a realização da atividade experimental controlada remotamente.
Quanto à aplicabilidade dos experimentos remotos, Rubim (2016) afirma que não existe um consenso entre os pesquisadores sobre qual a melhor forma para se verificar a eficácia da atividade experimental no ensino, onde alguns autores utilizam questionários para investigar se o ambiente de laboratório foi um agente facilitador da aprendizagem, enquanto outros optam pelo feedback do professor e do aluno, ou ainda, fazem um comparativo entre a experimentação remota e os tradicionais.
No que se refere ao apoio pedagógico para realizar a atividade, Cardoso (2016) propõe a atividade experimental dentro de uma sequência didática, sendo o experimento remoto apenas um recurso didático no processo de ensino e aprendizagem. Em seu trabalho a proposta se dá segundo uma abordagem investigativa, tendo o professor o papel de orientador, buscando estimular o estudante na busca por conhecimento.
Silva (2015), que tem o objetivo de investigar se a utilização da experimentação remota trás ganhos consideráveis no processo de aprendizagem, apresenta o conteúdo teórico e a demonstração do funcionamento do experimento antes dos alunos utilizarem. Nesta dissertação é destacado o uso de ferramentas tecnológicas como apoio a aprendizagem e que
'A figura do professor é essencial para o sucesso ou o fracasso da utilização da experimentação remota no aprendizado, pois em primeiro lugar é tarefa do professor acreditar e optar pelo uso dos experimentos remotos em sua metodologia de ensino e ainda definir como os laboratórios remotos serão utilizados.' (SILVA, 2015, p.53)
Paladini (2008), que utiliza a atividade experimental como um dos recursos utilizados no ambiente colaborativo, viu a necessidade de se preparar pedagogicamente para a aplicação da atividade e para
'[...] desenvolver a metodologia proposta que visa criar condições para que os estudantes possam desenvolver um maior grau de envolvimento com o curso, num processo de ensino/aprendizagem flexível, mas intensivo e participativo e que simultaneamente garante o cumprimento dos objetivos pedagógicos definidos para a disciplina.' (PALADINI, 2008, p. 60)
Para avaliar o processo de ensino e aprendizagem de conceitos relacionados a eletrodinâmica utilizando um experimento controlado remotamente, Sim (2015) consultou os professores das turmas em que atividade foi realizada e estes optaram por apresentar o conteúdo conceitual em aulas expositivas dialogadas antes da atividade, justificado pelo fato dos alunos não terem contato frequente com atividades experimentais.
Ainda, Silva (2016) e Almeida Junior (2016) apontam a importância do professor para mediar discussões, envolver os alunos em levantamentos e testes de hipóteses para buscar soluções para os problemas propostos com o auxilio destes recursos, fazendo os alunos percorrerem caminhos desde a contextualização até a conclusão. No ambiente educacional criado por Sievers Junior (2011) é apresentado a possibilidade de criar exames que permitam ao docente ou ao agente pedagógico do ambiente fazer um mapeamento do perfil dos estudantes, evidenciando assim uma preocupação com o desenvolvimento da atividade pedagógica.
A partir dos pontos destacados, percebe-se que a figura do professor exerce um papel fundamental no processo de ensino e aprendizagem, seja por conhecer as peculiaridades dos seus alunos, seja pela sua responsabilidade de optar por novos recursos no processo de ensino, ou para mediar às atividades pedagógicas, pois como apontam Luciano e Fusinato (2018), o uso da experimentação remota, sem a devida orientação metodológica, não garante que a atividade seja favorável ao aprendizado.
Por fim, todos os trabalhos analisados apresentaram evidencias de que os laboratórios remotos devem ser construídos/utilizados para complementar o processo de ensino e aprendizagem. Tedesco (2001) não apresentou características para se enquadrar em nenhum agrupamento por apresentar, em sua essência, elementos para a construção de um experimento remoto, mas ressalta que é preciso
- '[...] refletir sobre o papel que ele pode desempenhar no processo de aprendizagem dos alunos e na prática pedagógica dos educadores em cada comunidade escolar e em cada disciplina especificamente.' (TEDESCO, 2001, p. 22)
## Considerações Finais
A presente investigação buscou identificar nos trabalhos sobre experimentação remota elementos que propunham discussões sobre a sua contribuição no processo de ensino aprendizagem na área de Física. A pesquisa foi realizada no banco de teses e dissertações da Capes, e considera-se que o seu objetivo foi alcançado, trazendo alguns resultados relevantes.
No que tange às temáticas abordadas nos experimentos controlados remotamente, percebe-se que são amplas as suas possibilidades, podendo suprir demandas no ensino de áreas que pouco utilizam atividades experimentais, como a Física Moderna e Contemporânea. Outro aspecto relevante é a possibilidade de trabalhar interdisciplinarmente, que é uma das orientações nos documentos oficiais como PCN (BRASIL, 1999) e PCN+ (BRASIL, 2002).
Dos trabalhos apresentados nesta pesquisa, notou-se certa atenção para a produção de materiais que apoiem o professor e os alunos durante a realização do experimento e durante as atividades pedagógicas. Esses materiais podem ser em forma de ambientes virtuais ou utilizando o experimento como um recurso dentro de uma sequência didática. Quanto à aplicabilidade, percebe-se que há uma lacuna quanto aos métodos para verificarem se o experimento remoto pode contribuir no processo de ensino-aprendizagem e, quanto ao seu objetivo - se é para um melhor entendimento dos
conceitos, ou apenas um recurso diferenciado que valoriza as aulas de Física.
Por fim, evidenciamos a necessidade dos experimentos remotos serem utilizados como recurso didático e com orientações que contribuam para a construção de desenvolvimento do conhecimento físico pelos estudantes.
## Referências
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