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O ENSINO DE ASTRONOMIA PARA ALUNOS CEGOS E A INCLUSÃO NOS ESPAÇOS NÃO FORMAIS

Sioneia Rodrigues Da Silva, Rodolfo Langhi, Janer Vilaça

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Divulgação Científica, Educação Não Formal E Informal
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O ENSINO DE ASTRONOMIA PARA ALUNOS CEGOS E A INCLUSÃO NOS ESPAÇOS NÃO FORMAIS

Sioneia Rodrigues da Silva 1 , Rodolfo Langhi 2 , Janer Vilaça³

- 1 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Flho' (UNESP/Bauru)/ Programa de PósGraduação em Educação para a Ciência/<sioneia.rodrigues@unesp.br>
- 2 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Flho' (UNESP/Bauru)/ Programa de PósGraduação em Educação para a Ciência/<rlanghi@fc.unesp.br>
- 3 Fundação Parque Tecnológico Itaipu - FPTI/BR/ Polo Astronômico Casimiro Montenegro Filho/ <janer@pti.org.br>

## Resumo

Os centros de Ciência e/ou museus de Ciência atualmente se constituem como principais aliados para o ensino formal possibilitando a vivência de conteúdos tanto para alunos como para professores. Por se tornarem aliados ao ensino formal, os centros de Ciência atraem um público diversificado que pode ser constituído por grupos escolares, famílias, grupos de idosos, grupos específicos e o público especial. Pensando na inclusão das pessoas com deficiência, o Polo Astronômico da Fundação Parque Tecnológico Itaipu PR/BR desenvolveu uma visita adaptada voltada para alunos cegos. O objetivo desse trabalho é compartilhar o caminho percorrido pelo Polo Astronômico para a adaptação das atividades, treinamento e sensibilização dos monitores/guias bem como evidenciar os desafios e possibilidades para o ensino de Astronomia e a inclusão em centros de ensino não formal

Palavras-chave : Espaços não formais. Inclusão. Alunos cegos.

## Introdução

O crescente aumento nas últimas décadas de museus e centros de Ciência trouxeram destaques para esses espaços na popularização e na divulgação cientifica. Dessa maneira, os museus e centros de Ciência passam a se constituir em importantes espaços para o ensino, aprendizagem, produção de conhecimento, socialização de conhecimento e divulgação científica (MARANDINO, 2009) consolidando-se nos principais aliados ao ensino formal.

Por se tornarem espaços de socialização do conhecimento os centros de Ciência e/ou museus de Ciência atraem um público diversificado. Marandino et al (2008) considera que há vários públicos que frequentam os museus e/ou centros de ensino não formal. Para a autora existe seis categorias de público: O público escolar (alunos e professores); famílias; público especializado (composto por artistas ou profissionais da área); grupos organizados da terceira idade; grupos oriundos de ONG, associações, sindicatos e clubes diverso; e, o público especial. O público especial se constitui em alunos e/ou visitantes que possuem alguma deficiência seja está sensorial, motora, intelectual e/ou múltiplas.

Para Marandino et al (2008) é necessário que o museus e/ou centro de Ciência esteja preparado para receber o público especial, isso não diz respeito

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apenas as atividades e exposições, mas, também envolve a equipe (monitores/guias) que atuará diretamente com esse público.

Pensando no público especial, esse trabalho tem como objetivo central compartilhar o caminho trilhado por um centro de Ciência para a adaptação de suas atividades para uma visita de alunos cegos.

## Breve panorama da Educação de cegos

A sistematização de uma educação voltada especialmente para cegos tem a sua origem após a revolução francesa, com o Institute Nationale des Jeunes Aveugles Instituto Nacional dos Jovens Cegos - em 1784. Fundado por Valentin Haüy. Nessa época Haüy utilizava um sistema de letras em relevo para o ensino de cegos. Anos mais tarde, Charles Barbier apresenta para Haüy um sistema denominado de escrita noturna que consistia em pontos que representavam os trinta e seis sons básicos da língua francesa (MAZZOTA, 2001).

- O método de Barbier foi aprimorado por um jovem estudante cego do instituto, Louis Braille, que buscou a criação de um sistema baseado em pontos que permitisse a leitura e escrita das pessoas cegas (ABREU, 2008). O Sistema Braile é utilizado até hoje e constitui-se no principal sistema de leitura e escrita de cegos.

No Brasil, a educação de cegos teve início em 1854 com a criação do Instituto Imperial para meninos cegos no Rio de Janeiro, atualmente conhecido como Instituto Benjamin Constant (IBC). O IBC representa um dos principais órgãos para a difusão de conhecimentos relacionados a educação de cegos no Brasil, mantendo em suas dependências desde 1943 a imprensa Braile (PIRES, 2014).

- O ano de 1981 foi declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiência, sendo um marco histórico para a luta dos direitos das pessoas com deficiência. Dentro desse panorama de direitos destacamos o acesso a educação de qualidade em especial o ensino de Ciências e o ensino de Astronomia.

Neponucemo e Zander (2015) destacam que a área de ensino de Astronomia para cegos é um tema que está em expansão. Isso se dá ao fato do crescente número de recursos táteis, sonoros e/ou multissensoriais. Para Andrade e Iachel (2017) os recursos táteis podem ser utilizados tanto no ensino informal quanto no ensino formal e podem fornecer as mais variadas informações como temperatura, espessura, tamanho, textura, etc. Mesmo com uma gama de variedade de protótipos, maquetes e outros recursos, os deficientes visuais ainda enfrentam barreiras, em especial nos museus e centros de Ciência.

## Inclusão nos museus e centro de ensino não formal

A partir da segunda metade do século XX os museus e centros de Ciência passaram a adotar uma nova postura frente as novas demandas que emergiam, adicionando em seu acervo objetos didáticos que tinham como objetivo demonstrar fenômenos científicos. Esses objetos propunham aproximar o público da Ciência. Dessa maneira os museus e centros de Ciência que no passado tinham como objetivo a preservação histórica passam a ter uma nova função/característica e se

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constituem em espaços de ensino não formal de socialização de conhecimento, de divulgação e popularização de conhecimentos científicos. Essa nova característica dos museus e centros de Ciência fortaleceu a parceria desses espaços com projetos de educação (MARANDINO, 2009).

Marandino (2005) ressalta que os espaço não formais de ensino, assim como uma instituição formal de ensino, possui características próprias - de lugar, tempo, objetos e linguagem - constituindo uma cultura própria, denominada de cultura museal. A cultura museal é determinante para a produção e transposição do conhecimento, definindo e caracterizando uma instituição de ensino não formal. A transposição do conhecimento proporcionado pelo museu e/ou centro de Ciência é a característica fundamental para a parceria entre o ensino formal e não formal pois permite a aprendizagem de conteúdos - presentes no currículo do ensino formal fora do ambiente escolar.

O público que visita um centro de Ciência e/ou museu corresponde a um público diversificado com idades, escolaridades e particularidades diferentes. Marandino (2009) considera que essa característica do público visitante contribui para que haja uma valorização do papel do visitante. Para Marandino et al (2008) há seis categorias de público visitante em um espaço não formal sendo: O público escolar (alunos e professores); famílias; público especializado (composto por artistas ou profissionais da área); grupos organizados da terceira idade; grupos oriundos de ONG, associações, sindicatos e clubes diverso; e, o público especial. Para o público especial Marandino et al (2008) ressalta que:

A inclusão desse público é um dos novos desafios que se colocam para as instituições culturais. Suas necessidades exigem a confecção de estruturas expositivas adaptadas e materiais de apoio específicos para cada tipologia. Além disso, os mediadores devem receber formação que os capacite para o atendimento desse público. (MARANDINO et al , 2008, p.24).

Para Ribeiro e Frucchi (2007) as mediações de atividades inclusivas vão além da formação/capacitação dos mediadores, pois exige que este possua sensibilidade, paciência e equilibro psico-emocional. Para as autoras as pessoas com deficiência devem ser acolhidas com os demais visitantes, recebendo atenção especial caso seja necessário, é importante que o mediador esteja atento e busque integrar a pessoa com deficiência aos demais visitantes do grupo.

Dessa maneira, os centros de ensino não formal possuem grande capacidade para se tornarem os principais aliados ao ensino e aprendizagem de pessoas com deficiência. Contudo, essa realidade ainda não se faz presente na maioria dos museus e centros de Ciência, sendo uma das principais barreiras a formação dos mediadores para a inclusão.

## Astronomia para cegos? O caso do Polo Astronômico

Pensar no ensino de Astronomia requer um pouco de cuidado e preparo do professor em sala de aula. Pois o professor abordará assuntos que são considerados impalpáveis, complicados e distantes da realidade, como explicam Langhi e Nardi (2012).

As amostras astronômicas encontram-se a distâncias que não permitem o seu acesso físico, e o único modo de extrairmos e interpretarmos os dados, a fim de elaborar modelos, se dá por meio da análise da única forma de informação que chega até a Terra: as radiações eletromagnéticas,

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principalmente na faixa da luz visível.[...] Por isso, a astronomia é uma ciência basicamente visual e por esta razão, o professor precisa fazer uso de figuras, fotos, vídeos e maquetes como recursos didáticos apropriados ao ensino de astronomia.[...] (LANGHI; NARDI, 2012, p.156, grifo nosso)

Pensando nessa perspectiva, o ensino de Astronomia torna-se viável para alunos cegos por meio da inserção de protótipos e maquetes táteis que facilitam a identificação dos astros pelos alunos cegos.

Visando a inclusão do público especial e a divulgação do ensino de Astronomia o Polo Astronômico da Fundação Parque Tecnológico Itaipu/BR desenvolveu junto com sua equipe de mediadores uma visita adaptada para alunos cegos cujo objetivo era tornar a Astronomia acessível para esse público. Desde 2009 quando iniciou suas atividades junto à comunidade das três nações (Paraguai, Brasil e Argentina) o Polo Astronômico buscou desenvolver ações que envolviam a comunidade escolar, turismo e a pesquisa. Diante do número expressivo de visitantes, dentre eles as pessoas com deficiência, surgiu de forma emergente a necessidade de adaptar suas atividades e espaço para o público especial.

- O processo de adaptação das atividades ocorreu de forma gradual e envolveu não somente a equipe de monitores, mas, professores especializados no ensino de pessoas cegas. O planejamento das ações teve início no ano anterior ao desenvolvimento das atividades com a capacitação de uma das monitoras no curso Atendimento Educacional Especializado da pessoa cega. Em seguida algumas atividades e protótipos foram desenvolvidos e avaliados pelos professores da escola especial para alunos cegos da cidade de Foz do Iguaçu/PR. No mesmo ano, o Polo Astronômico ofertou o curso Fundamentos teóricos-metodológicos para o ensino de Astronomia: formação de professores, e convidou os professores especialistas para participarem. Os professores relataram que sentiam dificuldades em se trabalhar os temas de Astronomia com os alunos cegos.

Após esse processo, foram desenvolvidos cinco protótipos sendo: Globo terrestre tátil, maquete do observatório solar indígena, maquete do relógio de Sol analemático; representação das constelações do escorpião e do cruzeiro do Sul.

Os protótipos foram utilizados no decorrer da visita que buscou seguir um esquema padronizado de visita, permitindo que os alunos primeiramente tateassem o protótipo em escala reduzida desses espaços - no caso do observatório solar indígena e relógio de Sol - e posteriormente os alunos foram convidados a sentir esses locais. Por todo o percurso os visitantes foram acompanhados pelos monitores que descreviam o espaço que estava sendo visitado.

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Figura 1: Alunos tateando o protótipo do observatório Solar indígena

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Figura 2: Alunos sentindo o espaço do Observatório Solar indígena

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No espaço dos meteoritos e boliche no espaço a monitora descreveu ambos os objetos e deixou livre para que cada aluno tivesse a sua própria experiência sensorial, sendo permitido tocar, sentir a textura e temperatura, cheirar, etc. A última atividade era o reconhecimento das constelações que seriam abordadas na sessão de planetário (Escorpião e Cruzeiro do Sul), essas constelações foram construídas com alfinetes e barbantes, nessa atividade a participação dos professores foi fundamental pois durante a sessão de planetário os professores realizaram a áudio descrição da sessão para os alunos.

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Figura 3: Alunos tateando a constelação do Escorpião.

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## Resultados

Durante toda a visita os mediadores/guias envolvidos na ação fizeram registros da atividade e das expressões verbais de alunos e professores em seus diários de campo, o que possibilitou a visualização de novas estratégias para visitas posteriores.

Nossa, essa é a constelação do Escorpião?

Ué, mas tem uma estrela a mais na constelação do Cruzeiro do Sul.

Diferente dos demais espaços - que eram espaços na qual os alunos podiam senti-los em sua forma física - as constelações foram um dos assuntos favoritos dos alunos, por meio das expressões verbais foi possível perceber que o protótipo desenvolvido pela equipe de mediadores facilitou o processo de ensino e aprendizagem do tema.

Para Marandino et al (2008) é fundamental que o monitor/guia que irá atuar com o público especializado receba uma formação. Dessa maneira, a parceria entre o centro de Ciência e as professoras especializadas em Educação de cegos foi fundamental para o desenvolvimento de toda a atividade. A formação de professores ofertada pelo Polo Astronômico foi fundamental para que as professoras compreendessem o conceito dos temas de Astronomia e auxiliassem os guias/monitores durante a visita, em especial no desenvolvimento do áudio descrição da sessão do planetário.

Ao final da atividade, professores e alunos relataram que a visita auxiliou no processo de compreensão de alguns conceitos de Astronomia que haviam sido discutidos previamente em sala de aula.

Todo esse processo de adaptação, treinamento e socialização de saberes entre o centro de Ciência, professores e alunos cegos permitiu que novas atividades fossem desenvolvidas e adaptadas, facultando a integração entre o ensino formal e o ensino não formal.

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## Considerações finais

Muitos professores afirmam que o ensino de Astronomia é complicado, abstrato e de difícil compreensão, descrevendo o ensino de Astronomia como parte de uma angustia e correlacionando essa angústia com a ausência dos temas de Astronomia durante a sua formação inicial. (LANGHI, NARDI, 2012).

Buscando a união entre o ensino formal e o ensino não formal no que tange aos temas de Astronomia, é possível afirmar que os museus e centros de Astronomia se tornaram grandes aliados dos professores, pois permitem ao professor a utilização do espaço como ferramenta e estratégia de ensino que favorecem a compreensão desses temas. Contudo, grande parte dos centros de Astronomia ainda não estão preparados para receber o público especial.

Marandino et al (2008) ressalta que é necessário que o centro de Ciência e/ou museu de Ciência esteja preparado e adaptado para receber o público especial. Isso não diz respeito apenas as exposições e atividades, mas também diz respeito a formação/capacitação dos mediadores para atenderem esse público, como afirmam Ribeiro e Frucchi (2007) o atendimento especial vai além de uma capacitação, exigindo que o mediador tenha sensibilidade ao tratar com o público especial.

Pensando na lacuna temas de Astronomia - ensino de Astronomia para cegos, o Polo Astronômico implantou em suas atividades uma visita pedagógica adaptada para as necessidades dos alunos cegos. Um longo processo de adaptação no centro de Ciência foi necessário até a chegada do modelo atual de visita, sendo necessário a ajuda de professores especializados na educação de cegos bem como a sensibilização e treinamento dos mediadores para atenderem esse público. Atualmente, as visitas para os alunos cegos são guiadas pelos mediadores/guias e acompanhadas pelos professores especializados na educação de cegos e contam com a utilização de maquetes táteis, protótipos e atividades que visam o desenvolvimento de memória sensorial.

## Referências

ABREU, E. M. A. C. et al. Braille? O que é isso?. 1. ed. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para Cegos, 2008.

ANDRADE, Daniela Pimenta de; IACHEL, Gustavo. A elaboração de recursos didáticos para o ensino de Astronomia para deficientes visuais. In: XI ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 11., 2017, Florianópolis. Atas . Florianópolis: Abrapec, 2017. p. 1 - 9.

LANGHI, Rodolfo; NARDI, Roberto. Educação em Astronomia: repensando Formação de professores . São Paulo: Escrituras, 2012. MARANDINO, Martha et al. Educação em museus : a mediação em foco. São Paulo: Geenf/FEUSP, 2008.

MARANDINO, Martha. Museus de Ciências, Coleções e Educação: relações

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necessárias. Museologia e Patrimônio , v. 2, n. 2, p. 1-12, 2009.

MAZZOTTA, M. J. Educação Especial no Brasil: história e políticas . São Paulo: Cortez, 2001.

PIRES, Rogério Sousa. Um olhar sobre a história da educação do deficiente visual no município de Piracicaba/SP. Benjamin Constant , v.2, n.57, p. 155-172, 2014.

RIBEIRO, Maria das Graças; FRUCCHI, Graciela. Mediação - A linguagem humana nos museus. In: MASSARANI, Luisa; MERZAGORA, Matteo; RODARI, Paola (Org.). Diálogos &amp; Ciência: Mediação em museus e centro de ciência. Rio de Janeiro: Museu da Vida/ Casa de Oswaldo Cruz/ Fiocruz, 2007. p. 76-80.

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