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DIVULGAÇÃO E ENSINO DE CIÊNCIAS ATRAVÉS DA ASTRONOMIA PRÁTICA

Maria Elza Cavalcante Lopes, Erivelton Façanha Da Costa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Divulgação Científica, Educação Não Formal E Informal
Tipo
Pôster

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Texto completo

## DIVULGAÇÃO E ENSINO DE CIÊNCIAS ATRAVÉS DA ASTRONOMIA PRÁTICA

## Maria Elza Cavalcante Lopes 1 , Erivelton Façanha da Costa 2

- 1 IFPI/Departamento de Física/ IFPI - Campus Corrente, mariaelzacavalcante@gmail.com

2

- IFBA/Departamento de Física/IFBA - Campus Irecê, erivelton.costa@gmail.com

## Resumo

A observação da natureza é a tarefa base do método científico. O homem, como ser racional, a pratica desde os tempos mais remotos, e o céu, portanto, foi um dos primeiros elementos naturais a servir como objeto de reflexão e estudo para a humanidade. Assim, a Astronomia, no seu conjunto, é o resultado de uma construção coletiva impressionante que atravessou continentes e gerações. Dela, surgiu o entendimento do homem como observador do firmamento, a noção da passagem do tempo, os eventos periódicos que determinam os momentos de plantar, de colher, de se proteger do frio, do calor, ou de admirar o florescer da primavera. Nos dias atuais, os elementos da Astronomia que estão presentes no dia a dia são pouco conhecidos, muitos ignoram como os eventos astronômicos têm influência nas suas rotinas diárias. Diante deste cenário, este trabalho propõe uma análise do Clube de Astronomia, baseado no Instituto Federal do Piauí - Campus Corrente, faz uso da astronomia como meio de divulgação e ensino de ciências. O objetivo central é promover a divulgação científica, tanto entre os estudantes, professores e funcionários do Campus, quanto da comunidade circunvizinha, de temas relacionados à Astronomia que dialogam com áreas como: História, Física, Filosofia, Química, Biologia, Matemática, dentre outras. O clube promove quinzenalmente reuniões com palestras temáticas que tratam de assuntos astronômicos, além de realizar observações dos astros presentes no céu ao final das palestras utilizando um telescópio Celestron NextStar Schmidt-Cassegrain, do laboratório de Física do IFPI-Campus Corrente.

Palavras-chave : Astronomia, Divulgação Científica, Palestras Temáticas, Telescópio Celestron NextStar Schimidt-Cassegrain .

## Introdução

A astronomia é uma ciência natural que estuda os fenômenos que ocorrem fora da atmosfera terrestre e a estrutura dos corpos celestes, como os planetas, as estrelas e outras estruturas cosmológicas, e o próprio espaço em si. A palavra Astronomia vem do grego Astron , que significa astro e , Nomos , que significa lei.

Mais antiga do que qualquer outra ciência, a Astronomia nasce no contexto das necessidades de sobrevivência dos povos primitivos. Para Oliveira Filho e Saraiva (2003, p.30): 'As especulações sobre a natureza do Universo devem remontar aos tempos pré-históricos, por isso a astronomia é frequentemente considerada a mais antiga das ciências'. O que mostra que o homem pré-histórico

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se defrontava constantemente com os fenômenos astronômicos. Itokazu (2009,p.42), descreve que:

Ainda na pré-história, o domínio da agricultura dependeu da compreensão do ciclo das estações do ano, determinado pelo movimento aparente do Sol. Esse tipo de conhecimento, indispensável na identificação do momento ideal para a preparação da terra, o plantio ou a colheita, aparece cristalizado nos monumentos de pedra de diversas culturas, de Stonehenge, na Gra-Bretanha, e na pedra Intihuatana em Machu Picchu, no Peru.( ITOKAZU, 2009,p.42)

O estudo dos movimentos dos planetas e estrelas permitia aos povos antigos a distinção entre épocas de plantio e colheita, por exemplo. Algumas culturas antigas, como os maias, os chineses, os egípcios e os babilônios, foram capazes de elaborar complexos calendários baseados no movimento do Sol e outros astros. A medida que se passavam as gerações, os povos antigos acumulavam maiores experiências sobre as observações do céu.

Os gregos antigos também contribuíram muito para o avanço da Astronomia. Muitos filósofos elaboraram modelos com o intuito de explicar o formato da Terra, as estações do ano, bem como os movimentos do Sol, da Lua e dos outros planetas visíveis a olho nu.

Um desses filósofos foi Tales de Mileto (624-546 a.C.), que considerava a Terra um disco plano preenchido por agua . Pitágoras de Samos (572-479 a.C.), por sua vez, acreditava que a Terra apresentava formato esférico. Já Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.) explicou que as fases da Lua dependiam da iluminação solar, ao observar a formação de sombras durante os eclipses, e também defendia a hipótese de que o Universo fosse finito e esférico e que, juntamente aos astros, fosse imutável sempre existira e sempre existiria. :

A visão de Aristóteles do sistema solar era qualitativa, pois usava de poucos recursos matemáticos para justificar seu modelo. Sua interpretação logo tornou-se aceita, acolhida e difundida por séculos, contribuindo para a propagação de conceitos físicos e astronômicos equivocados. Entre esses equívocos, podemos ressaltar o éter: a substância proposta por Aristóteles que comporia os corpos celestes, cuja existência foi investigada até meados do século XIX.

Aristarco de Samos (310-230 a.C.) foi o primeiro filósofo a propor que a Terra se movia em torno do Sol, quase 2 mil anos antes de Copérnico. Ele também conseguiu medir o tamanho do Sol e da Lua em relação à Terra. Eratóstenes de Cirênia (276-194 a.C.) calculou, com boa precisão, o diâmetro da Terra.

As primeiras tentativas de descrição do sistema solar colocavam no centro do universo a Terra, o Sol, a Lua e os demais astros girariam ao redor dela. Esse modelo de sistema solar centrado na Terra ficou conhecido como geocêntrico.

O ápice do sistema geocêntrico foi o complexo modelo Ptolemaico, proposto pelo cientista grego Cláudio Ptolomeu (85-165 d.C.). Esse modelo apresentava diversas órbitas circulares, que descreviam com relativa precisão o movimento dos planetas conhecidos, mas não era capaz de explicar o movimento retrógrado de alguns planetas, quando observados da Terra. O modelo foi usado até a época do Renascimento Científico, no século XVI.

Em 1608, Galileu Galilei (1564-1642) enfrentou as ideias geocentristas da época, bem como a visão de imutabilidade dos astros proposta por Aristóteles, aperfeiçoou o telescópio e utilizou-o para observar as crateras da Lua, as fases

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de Vênus e descobriu os satélites naturais de Júpiter : Io , Ganimedes, Calixto e Europa.

O primeiro modelo matemático capaz de predizer as órbitas planetárias com precisão, porém com grande complexidade, foi atribuído ao astrônomo francês Nicolau Copérnico (1473-1543). Copérnico abandonou a visão geocêntrica, atribuindo, em seu modelo, ao Sol o centro do Sistema Solar, no qual a Terra orbitaria o astro-rei em uma trajetória circular, completando uma volta a cada ano . Nessa representação, a inclinação do eixo de rotação da Terra seria a responsável pela divisão das estações do ano, e o movimento retrógrado de alguns planetas, como Marte, e a mudança de luminosidade eram explicados com o uso de diversas órbitas.

- O modelo planetário de Copérnico foi posteriormente corrigido pelas precisas observações astronômicas do dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601). Em 1599, o brilhante astrônomo e matemático alemão Johannes Kepler (1571-1630) tornou-se assistente de Tycho e teve em suas mãos uma enorme quantidade de dados astronômicos de grande precisão. Kepler revolucionou a mecânica celeste quando enunciou três leis que regem as órbitas planetárias, descrevendo-as como elipses e , não como círculos, como até então se acreditava, e estabeleceu uma relação Matemática entre o período e o raio orbital dos planetas.

Anos mais tarde, munido das grandes contribuições de Copérnico, Galileu e Kepler, Isaac Newton (1642-1727) elaborou sua Lei de Gravitação Universal, explicando o fenômeno da gravidade e a dinâmica planetária de forma inédita.

Assim, a Astronomia, no seu conjunto, é o resultado de uma construção coletiva impressionante que atravessou continentes e gerações. Muito progresso científico foi feito ao longo dos séculos desde que o ser humano passou a observar o céu. Profundas mudanças tecnológicas e sociais foram possíveis graças às grandes descobertas da Astronomia.

Nos dias atuais, os elementos da Astronomia que estão presentes no dia a dia são pouco conhecidos, muitos ignoram como os eventos astronômicos têm influência nas suas rotinas diárias. Diante deste cenário, este trabalho propõe uma análise de como o Clube de Astronomia, baseado no Instituto Federal do Piauí Campus Corrente, faz uso da astronomia como meio de divulgação e ensino de ciências, onde temas relacionados a essa ciência, e por vezes esquecidos, sejam discutidos, com fins de facilitar o aprendizado de Física, e das diversas ciências envolvidas nos estudos dos sistemas do universo.

## Objetivos

## Objetivo Geral

Apresentar a astronomia como meio de divulgação científica. E promover essa divulgação, tanto entre os estudantes, professores e funcionários do Campus Corrente, quanto da comunidade circunvizinha.

## Objetivo Específico

-  Expor a importância da astronomia no meio científico;

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-  Apresentar a história e evolução da astronomia, e relacionar com a diversas áreas do conhecimento, através de oficinas;
-  Promoção de reuniões periódicas que trata de temas da astronomia;
-  Realização de observações astronômicas;
-  Promover discussões de como os eventos astronômicos têm influência na rotina diária da sociedade.

## Metodologia

O clube de Astronomia foi instituído com o objetivo de apresentar de maneira alternativa atividades que envolvem várias áreas do conhecimento. E a Astronomia, com sua característica multidisciplinar, é uma excelente ferramenta motivadora para o aprendizado de ciência. O projeto tem como público alvo os estudantes, professores e funcionários do Campus Corrente, como também a comunidade circunvizinha.

A fim de instigar a curiosidade científica dos participantes são desenvolvidas atividades que incluem: palestras, oficinas, mostra de foguetes, mini palestras, fóruns, observações dos astros presentes no céu ao final das palestras utilizando um telescópio Celestron NextStar Schmidt-Cassegrain, do laboratório de Física do IFPICampus Corrente. Todas as atividades antes de serem desenvolvidas são previamente discutidas com os professores responsáveis pelo grupo.

Antes de cada encontro é realizado a divulgação no Instituto Federal do Piauí-Campus Corrente, do clube e tema que vai ser trabalhado. Essa divulgação utiliza os telões da instituição, e as redes sociais do Clube de Astronomia. Todos os encontros são realizados no auditório ou no laboratório de física do IFPI- Campus Corrente, o local é escolhido de acordo com o tema que vai ser ministrado.

As reuniões são realizadas quinzenalmente, nelas são desenvolvidas palestras com uma linguagem acessível e recursos multimídia, para facilitar a compreensão do tema que está sendo trabalhado. O tem é previamente informado, antes de cada encontro para que os alunos possam levantar questões e estabelecer um diálogo. No início das reuniões é apresentado o céu da semana, que mostra todos os eventos astronômicos que irão ocorrer nos próximos dias.

Não é exagero pensar que desde o seu surgimento o homem observa o céu, por curiosidade ou necessidade. Bem mais recentemente, alguns milênios atrás, povos antigos como os chineses, egípcios e mesopotâmios já estudavam sistematicamente o céu e registravam suas observações. As observações realizadas após cada palestra têm esse mesmo objetivo, aguçar a curiosidade do participante do clube. A observação de objetos celestes, através do telescópio, permite que os participantes tenham a oportunidade de ver, muitos pela primeira vez, a Lua e os planetas, sob a supervisão do professor que fica à disposição para esclarecer eventuais dúvidas.

Além dessas atividades, é realizado também anualmente, a mostra de foguetes, que é uma competição realizada com os participantes e os alunos da instituição, cujo objetivo é que os alunos lancem foguetes feitos, por eles próprios, o

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mais longe possível da base de lançamento. Para isso, as equipes precisam se esforçar e aplicar seus conhecimentos de física para a construção de um bom foguete.

## Conclusão

Verifica-se que a partir do momento que o participante do Clube de Astronomia envolve-se com as atividades propostas, desperta nele a curiosidade científica.

Futuramente, pretende-se incluir nas atividades do clube um calendário se observação astronômica, a ser divulgado tanto no IFPI- Campus Corrente, como também nas escolas do município de Corrente, a fim de montar um grupo de observação.

A divulgação da Astronomia vem sendo realizada de forma diversificada, com iniciativas de instituições formais e não formais de ensino. O Clube de Astronomia possibilita aos seus participantes o entendimento de vários fenômenos do universo, e de conceitos ligados a áreas do conhecimento como: História, Física, Filosofia, Química, Biologia, Matemática, dentre outras. Também contribui para o incentivando à pesquisa, além de expôr a importância da divulgação científica, e de como a astronomia, na educação não formal, pode contribuir para a disseminação de conhecimento.

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## Referências

ITOKAZU, Anastasia Guidi. 1609: da astronomia tradicional ao nascimento da astrofísica. Cienc. Cult. [online]. 2009, vol.61, n.4, pp. 42-45. ISSN 2317-6660.

OLIVEIRA FILHO, Kepler de Souza, Saraiva, Maria de Fátima Oliveira. Astronomia e Astrofísica,Ed. Universidade/UFRGS, 2000.

HELERBROCK, Rafael. "História da Astronomia"; Brasil Escola . Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/fisica/historia-astronomia.htm>. Acesso em 14 de

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.