Utilização de experimentos na educação básica: relato sobre o projeto ''Tenda da ciência".
Jorge Manoel Lopes Dos Santos¹, Francisco Barros Berkowics¹, Pablo Ferreira De Lima², Janaína De Azevedo Corenza¹, Luciene Fernanda Da Silva¹
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 29/01/2019
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica, Educação Não Formal E Informal
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Utilização de experimentos na educação básica: relato sobre o projeto 'Tenda da ciência'.
## Jorge Manoel Lopes dos Santos 1 , Francisco Barros Berkowics 2 , Pablo Ferreira de Lima 3 , Janaína de Azevedo Corenza 4 , Luciene Fernanda da Silva 5
- 1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro/ jml.sntos@gmail.com
- 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro/chicobkz@gmail.com
3 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/ pabluns@gmail.com
## Resumo
O objetivo desse trabalho é registrar o planejamento e os resultados do projeto 'Tenda da ciência', realizado por dois alunos da graduação de licenciatura em física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro - campus Nilópolis (IFRJ) e um aluno da graduação de bacharelado em Belas artes na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - campus Seropédica (UFRRJ), junto ao SESC Madureira. O projeto foi realizado de outubro a dezembro de 2015, desenvolvendo experimentos educativos de Ciência, tecnologia e meio ambiente em três escolas localizadas na cidade do Rio de Janeiro. O projeto buscou divulgar e promover a Ciência, proporcionando a interação mediador - aluno e despertar o interesse dos alunos de educação básica de forma lúdica, utilizando recursos da educação não formal em ensino de Ciências e o auxílio de mediadores. A partir dos experimentos propostos e da mediação realizada, foi possível despertar o interesse dos alunos para as matérias relacionadas à Ciência.
Palavras-chave : ensino de ciências, espaços não formais, divulgação científica.
## Introdução
Para a realização deste projeto foram utilizados elementos presentes em espaços institucionalizados de ensino em quatro escolas públicas de ensino básico do município do Rio de Janeiro. Por definição os espaços não formais de ensino são qualquer ambiente fora do espaço escolar que contribuam para a aprendizagem do aluno (JACOBUCCI, 2008). Dessa forma, existem dois tipos de espaços não formais: os espaços institucionalizados e os espaços não institucionalizados. Os espaços institucionalizados dispõem de planejamento, estrutura física e de mediadores capacitados para a prática educativa e tem como exemplos: museus, zoológicos, aquários, jardins botânicos entre outros. Os espaços não institucionalizados são todo e qualquer espaço que pode ser exercida aprendizagem. Como exemplos podem - se citar: praças públicas, áreas verdes, lagos entre outros. Para se alcançar um ensino de Ciências utilizando espaços não formais de ensino, deve haver uma parceria das mesmas com a escola (ROCHA & FACHÍN - TERÁN, 2010). A fim de potencializar a aprendizagem nesses espaços temos a presença dos mediadores, que tem a função de contribuir e auxiliar os visitantes dos espaços. Ao utilizar espaços não formais de ensino, o aluno é levado
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a um pensamento crítico e sistêmico, de forma a aguçar a sua percepção em relação ao ambiente e suas inter - relações.
Na realização desse trabalho buscamos motivar a formação de novas gerações de cientistas e desmistificar alguns dos temas relacionados a Ciências, utilizando, em sua maioria, experimentos construídos a partir de materiais já introduzidos no cotidiano dos alunos de modo a proporcionar uma proximidade maior em relação ao tema proposto.
## Motivação para o projeto
'Para compreender a teoria é preciso experiência - la.'
(FREIRE, 1997)
Ao longo do curso de licenciatura em física do IFRJ, campus Nilópolis, tivemos a oportunidade de realizar o estágio não obrigatório em museus de Ciência. Um dos estágios foi realizado na Fiocruz 1 e outro realizado no SESC Madureira 2 , ambos, localizadas no município do Rio de Janeiro. As duas instituições são espaços públicos de visitação, onde os espectadores precisam se deslocar até esses locais para poderem interagir com os experimentos que são oferecidos. Tendo como base que a teoria é composta de conceitos abstratos da realidade (SERAFIM, 2001), muitos alunos encontram dificuldades para assimilar o que é ensinado em sala de aula com o seu cotidiano. Devido a essas indagações nos questionamos sobre o alcance destes projetos: será que todos os alunos tinham a oportunidade de ir para esses espaços? Como seria se pudéssemos levar para as escolas os experimentos que realizávamos? Será que poderíamos contemplar mais alunos? A partir desses questionamentos surgiu a ideia do projeto 'Tenda da ciência' que consiste em levar experimentos para as escolas de educação básica a fim de fazer um trabalho de divulgação científica dentro delas atingindo um maior número de alunos.
## Organização do projeto
Apresentaremos a seguir as etapas para o desenvolvimento do referido projeto.
A primeira etapa consistiu em cumprir as exigências contratuais. Criamos um cadastro de pessoa jurídica, (CNPJ), pois os contratos da entidade SESC exigem que a verba destinada para os projetos sejam pagas em contas jurídicas. Elaboramos também um projeto escrito, onde falamos sobre a proposta central,
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descrição, objetivos e a importância do projeto seguindo os parâmetros da instituição.
A segunda etapa foi a escolha dos experimentos que seriam expostos. A proposta era levar o projeto para escolas de educação básica, por isso escolhemos quatro escolas do entorno da região de Madureira, localizada no município do Rio de Janeiro. Para cada escola tínhamos faixas etárias diferentes, logo, a escolha dos experimentos deveria ser feita de forma genérica. Buscamos realizar experimentos sobre temas que os alunos já tivessem algum conhecimento prévio e que pudesse contemplar todas as idades e necessidade, ou o máximo, de dificuldades que poderíamos encontrar. A pesquisa foi feita nos espaços que estagiávamos, livros didáticos e também em canais de divulgação científica no You tube. Dentre os experimentos definidos, descreveremos quatro: o modelo 3D do sistema solar, em escala; câmara escura, caixa entomológica e curto circuito. As escolhas desses experimentos seguiram o critério de maior alcance em questão de acessibilidade, inclusão e disponibilidade dos materiais para a confecção.
A terceira etapa foi a realização do projeto que começou com uma visita prévia ás escolas escolhidas. Essa visita tinha como objetivo combinar os horários, tempo de exposição dos experimentos, número de alunos que atendidos, faixa etária, espaço disponível e nos inteirar se havia algum grupo de alunos portadores de necessidades especiais. Esse contato inicial foi de suma importância para que pudéssemos nos preparar didaticamente de modo a proporcionar uma melhor experiência para os alunos. Em geral a exposição dos projetos começava de manhã e ia até o final do expediente á noite, de modo a atender todas as turmas das escolas. Ficava a cargo de cada coordenação confeccionar uma escala de horários que atendesse todas as turmas sem interferir o cotidiano das aulas. O projeto foi realizado um dia da semana em cada escola durante quatro semanas, totalizando quatro dias de exposição em cada escola. Considerando que cada escola tinha em média 850 alunos, conseguimos totalizar uma marca de aproximadamente 3400 alunos que puderam participar do projeto.
## Desenvolvimento do projeto
Para cada semana que ficamos na escola apresentávamos um tema específico, todos dentro da temática: 'Do micro ao macro', onde fazíamos um circuito com os alunos participantes de modo a mostrar uma visão de interação entre os meios e a relação entre elas. A ideia central na escolha do tema foi mostrar aos alunos que a Ciência não está somente nos laboratórios, mas também na observação de fenômenos na natureza, logo podendo ser feita desde o estudo de insetos e seu habitat, até o sistema solar e seus corpos celestes.
O circuito começava pela caixa entomológica, onde focávamos as estruturas físicas dos insetos, habitat natural e a importância que cada um tem em seu meio na natureza. Fizemos esse experimento com auxílio de lupas e microscópios para poder aumentar os detalhes visuais e também liberávamos, para os alunos portadores de deficiência visuais, contato por meio do tato para que eles pudessem interagir com o experimento.
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Figura 01: Caixa entomológica
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'Curto circuito' era um experimento que usa o principio da lei de Ohm, onde conseguimos trabalhar a parte motora dos participantes e pôde ser executada pela maioria dos alunos. Esse experimento foi desenvolvido de modo bem simples: o aluno deveria percorrer um caminho feito com fio de cobre (desencapado), usando um anel do mesmo material com haste isolada. Caso o anel entrasse em contato em qualquer parte com o caminho desenvolvido, fechava se um contato elétrico acionando simultaneamente uma luz vermelha e uma sirene. Vale ressaltar que esse experimento possui um interruptor que tem a função de ligar/ desligar o circuito. Essa chave foi projetada para que os alunos portadores de deficiência visual pudessem utilizar o tato, possibilitando assim, que os mesmos realizassem a atividade proposta.
Figura 02: Curto circuito
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Figura 03: Esquema elétrico do experimento curto circuito
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'Câmara escura' era um experimento que explorava a formação de imagem por meio de uma caixa de papel cartão e uma lente de lupa. O objetivo desse experimento era mostrar aos alunos a formação de imagem e como ela está relacionada com o nosso olho. O experimento se mostrou muito eficaz e muito interativo, pois não é do conhecimento da maioria dos alunos que a imagem é formada na retina do olho de forma invertida. Para realizar essa mediação com os alunos portadores de deficiência visual, usamos uma folha com textura, a fim explicar a formação de imagem utilizando o princípio da propagação retilínea da luz.
Figura 04: Câmara escura
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A 'Maquete do sistema solar' foi o ponto final da mediação onde podíamos fechar o conceito do tema 'Do micro ao macro'. A proposta do experimento era trazer informações e curiosidades sobre os planetas que compõem o nosso sistema solar para os alunos. Por ser uma maquete em escala, foi possível fazer uma comparação entre o tamanho e distância dos planetas. Foi possível também mostrar a diferença de tamanho do sol em relação aos planetas.
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Figura 05: Maquete sistema solar
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## Considerações finais
Nossa chegada ás escolas foi muito interessante. A direção realmente se empenhava para que ficássemos com o máximo de conforto possível. Depois do primeiro contato feito na visita prévia, ficava muito nítida a importância que os professores e a direção demonstravam com o projeto a ser realizando. Muitas das vezes ficávamos trocando experiências sobre educação, ou até mesmo sobre os saberes dos alunos. A escola em si, funcionários em geral, expressavam uma gratidão por terem sido escolhidos para o projeto, ficou notável a partir daí como projetos com esses são importantes não só para a formação acadêmica dos alunos, mas também, como a formação social dos mesmos.
A Ciência é vista por muito dos alunos como algo longe das suas realidades, podemos notar isso entre as falas dos próprios. Éramos, de forma frequente, chamados de inteligentes pelo fato de cursarmos licenciatura em física, o que nem sempre acontecia com um dos integrantes do projeto, que cursava na época a Escola de Belas Artes. Concluímos que muitas vezes os cursos de exatas são vistos pelas pessoas de forma geral como algo praticado e estudado por pessoas 'mais capazes' e infelizmente os alunos constroem este pensamento como referência e essas afirmações podem justificar a falta de interesse e a capacidade de compreensão sobre os temas propostos por essa área de ensino.
Foi possível entender, mesmo em um período curto, um pouco do funcionamento das escolas e a interação que a mesmas tem com seus alunos. A utilização de recursos da divulgação científica se mostrou uma ferramenta muito útil na aprendizagem na educação básica, para nossa formação e para a formação de docentes que já atuam na escola. Foi possível também perceber o tamanho do alcance desses projetos como forma de aprendizagem significativa. Concluímos que os experimentos apresentados, com o auxílio de mediação, exercem uma influência positiva, não somente na nossa formação enquanto futuros professores, mas também na formação acadêmica dos alunos incentivando uma futura geração de cientistas.
## Referências
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.
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JACOBUCCI, D. F. C. Contribuições dos espaços não-formais de educação para a formação da cultura científica . Em Extensão, Uberlândia, v.7, p.55-66, 2008.
ROCHA, S. C. B da & FACHÍN-TERÁN, A. O uso de espaços não formais como estratégia para o ensino de ciências . Manaus: UEA/Escola Normal Superior/PPGEECA, 2010.
SERAFIM, M. C. A falácia da dicotomia teoria-prática. Rev . Espaço Acadêmico, 7 . Acesso em 09 de jun. 2014. Disponível em:<www.espacoacademico.com.br> 2001.
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