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EXEMPLO DE ANÁLISE QUALITATIVA EM ENSINO DE FÍSICA UTILIZANDO O PROGRAMA ATLAS.TI

Griscele Souza De Jesus, Maria Inês De Affonseca Jardim, Paulo Guilherme Batista Shiota, Carla Busato Zandavalli Maluf De Araújo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Pesquisa Em Ensino De Física E Suas Metodologias
Tipo
Pôster

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Texto completo

## EXEMPLO DE ANÁLISE QUALITATIVA EM ENSINO DE FÍSICA UTILIZANDO O PROGRAMA ATLAS.TI

## Griscele Souza de Jesus¹; Maria Inês de Affonseca Jardim²; Paulo Guilherme Batista Shiota³; Carla Busato Zandavalli Maluf de Araújo⁴

- 1 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/ Programa de pós-graduação em Ensino de Ciências/ grisceles@gmail.com;
- ² Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/ Programa de pós-graduação em Ensino de Ciências/ /inesaffonseca@gmail.com;
- ³ Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/ Programa de pós-graduação em Ciência dos Materiais/ p.g.shiota@gmail.com;
- ⁴Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/ Programa de pós-graduação em Ensino de Ciências/ carlabzandavalli@gmail.com

## Resumo

- O software ATLAS.ti é uma ferramenta para a análise de dados que visa facilitar o gerenciamento de arquivos, a organização do material e a interpretação de dados coletados em uma pesquisa qualitativa. Para tanto, este estudo objetiva apresentar, por meio de um exemplo, a aplicabilidade do referido programa na realização de análise de conteúdo categorial, em uma amostra de dados coletados por meio de questionários aplicados a estudantes de ensino médio, sobre a utilização de um jogo com o conteúdo física de partículas. O exemplo utilizado faz parte de uma pesquisa com estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Mato Grosso do Sul, Campus Coxim, quanto às suas percepções acerca do material pedagógico apresentado. Empregou-se, com o auxílio do software ATLAS.ti 8, a análise de conteúdo qualitativa com base nas contribuições teórico-metodológicas de Laurence Bardin (2016). O exemplo apresentado permitiu demonstrar o processo de codificação, categorização, anotações e comentários, bem como o estabelecimento de relações entre os elementos agrupados e o gerenciamento dos materiais nele inseridos. Espera-se, portanto, que este estudo contribua para a difusão da técnica e estimule a utilização do software ATLAS.ti.

Palavras-chave : Análise qualitativa. Software. ATLAS.ti.

## Introdução

Esta pesquisa insere-se no âmbito de estudos acerca da utilização do software de análise de dados qualitativos denominado ATLAS.ti, e traz como exemplo, um tutorial de utilização do programa, com base em uma amostra de dados coletados numa pesquisa sobre jogos de mesa como tecnologias complementares ao ensino do conteúdo de partículas fundamentais e elementares, da disciplina de física para o Ensino Médio.

- O programa em questão pertence a um sistema categorial genericamente conhecido como CAQDAS (Computer Assisted Qualitative Data Analysis Software) e permite a integração e análise de documentos em diferentes formatos no mesmo ambiente operacional, sejam eles: textos, imagens, gráficos, áudios e vídeos.

Segundo Walter e Bach (2015) a primeira versão comercial desse software foi lançada em 1993 e, desde então, passou a ser empregado em pesquisas que utilizam a metodologia Análise de Conteúdo. Ainda conforme as autoras, 'ATLAS' é

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uma sigla originária do alemão: Archivfuer Technik, Lebenswelt und Alltagssprache , traduzida como 'arquivo para tecnologia, o mundo e a linguagem cotidiana'. Já o 'ti' advém de text interpretation , ou em português: interpretação de texto. A versão aqui apresentada corresponde à atualização 8.1.29.0, de 2018.

Com o intuito de facilitar a interpretação do pesquisador, essa ferramenta permite uma análise de dados a partir de uma unidade integrada e um conjunto de relações conceituais, e conforme Garcez et al. (2011, p.258), o princípio norteador desse tipo de análise ocorre tal e qual ao adotado em material escrito, ou seja: 'fragmentação do texto e recomposição dos fragmentos a partir de critérios e/ou categorias eleitas pelo pesquisador, de acordo com seus objetivos de pesquisa e seu referencial teórico'.

Bardin (2016) orienta que, apesar do computador oferecer esses recursos, o rigor das análises precisa ser maior em todas as fases do procedimento, pois os programas computacionais não estão isentos de apresentar problemas de reconhecimento, de numeração de unidades de análises, entre outros. Por isso o pesquisador deve ser o autor do processo e se apropriar da metodologia de análise empregada, realizando em seu exercício intelectual, o trabalho interpretativo para suas inferências.

Lima e Manini (2016) destacam como vantagens que, além da possibilidade de utilização de diversos materiais de coleta em grandes quantidades e diferentes formatos, esses softwares também geram tabelas, gráficos de frequências, nuvens de palavras, entre outros, livrando o pesquisador de recortes em papel, impressões, mecanismos de buscas em editores de texto e planilhas.

Para exemplificar a operacionalização do programa ATLAS.ti à luz da metodologia de Análise de Conteúdo de Bardin (2016), neste estudo foi utilizada uma pequena amostra com 5 questionários abertos respondidos por alunos de 3º ano do ensino médio, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul, campus Coxim, quanto à apreciação de um jogo pedagógico para ensino de Física de Partículas. Vale ressaltar que os resultados e discussões da análise do jogo não serão aqui apresentados, somente a forma de utilização do programa.

Dado o exposto, este estudo tem como objetivo mostrar a aplicabilidade do referido programa, utilizando como exemplo a inserção de dados de questionários aplicados a estudantes de ensino médio, sobre a utilização de um jogo com o conteúdo física de partículas. Para tanto, serão demonstradas as possibilidades de operacionalização do ATLAS.ti, apontando suas vantagens e limitações para a pesquisa qualitativa.

## Atlas.ti versão 8.1.29.0: Exemplo de utilização para a pesquisa qualitativa

A Análise de Conteúdo segundo Bardin (2016) segue os pressupostos da hermenêutica (arte de interpretar textos), porém sustentada por processos técnicos de validação. Para ela, trata-se de um conjunto de técnicas de análise de comunicações, cuja função é promover um 'desvendar crítico', averiguando a veracidade dos dados constituídos através da categorização e exploração, por meio da realização de inferências.

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Além de fornecer informações suplementares ao leitor de uma mensagem, um dos principais objetivos da análise de conteúdo é verificar a veracidade dos dados constituídos por meio da categorização e exploração. Isso pode ocorrer de forma quantitativa (dada a frequência do surgimento de características de conteúdo) ou qualitativa, na qual o que serve de informação é a presença ou ausência de uma característica de conteúdo (ou seus conjuntos) considerados em um determinado fragmento de mensagem (BARDIN, 2016, p.27).

- O objetivo desse tipo de análise segundo a autora é a inferência, que a grosso modo, busca esclarecer as causas e as consequências que uma mensagem pode provocar.

Para Bardin (2016, p. 145), a análise qualitativa é '[...]validada, sobretudo, na elaboração das deduções específicas sobre um acontecimento ou uma variável de inferência precisa, e não em inferências gerais'. A técnica busca nas entrelinhas e na riqueza das informações, o essencial das significações produzidas pelas pessoas: o latente, o original, o estrutural e o contextual.

Bardin (2016) também pontua que a abordagem qualitativa é um procedimento mais intuitivo, maleável no seu funcionamento e na utilização dos seus índices, porém sem rejeitar qualquer forma de quantificação. O processo de organização e de codificação do material é essencial para o momento de análise.

- A análise de conteúdo da pesquisa aqui exemplificada, conforme proposto por Bardin (2016), foi desenvolvida em 3 fases:
- (a) pré-análise: na qual foram iniciados os primeiros contatos com o documento (leitura flutuante), seguido da escolha dos mesmos (à priori); formulação das hipóteses e objetivos; referenciação dos índices e elaboração de indicadores, e preparação do material.
- (b) exploração do material: Aplicação sistemática das decisões tomadas na pré-análise, neste caso efetuada com auxílio do programa ATLAS.ti.

Nesta etapa segundo a autora, são desenvolvidas a codificação dividida em: o recorte (escolha das unidades); a enumeração (escolha das regras de contagem); e a classificação e agregação: (escolha das categorias).

- (c) tratamento dos resultados e interpretação: tratamento de resultados brutos de forma a serem significativos e válidos para que possam ser feitas as inferências e interpretações.

No processo de codificação dos dados para o exemplo aqui demonstrado, foram utilizadas as unidades de registro temáticas (ou unidades de significação) que são os recortes feitos para a análise, comumente utilizados para estudar opiniões, valores, crenças, entre outros, em pesquisas do tipo.

## Resultados

Após a leitura flutuante dos questionários conforme sugerido por Bardin (2016), o programa foi alimentado com os 5 arquivos em PDF extraídos do Google Forms , nomeados e enumerados de A1 a A5, sendo que a letra A corresponde à palavra 'aluno'.

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A fase de pré-análise foi realizada diretamente no programa, na qual foi criada uma 'nuvem de palavras' ou 'word cloud' como é chamada no ATLAS.ti, que permitiu melhor visualização e escolha das categorias de análise (figura 1):

Figura 1: Captura de tela da nuvem de palavras no Atlas.tiFonte: elaborado pelos autores com o programa Atlas.ti.

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Em seguida foi feita a identificação das unidades de sentido, ou seja, as citações (quotations) que tivessem relevância de acordo com as pretensões da investigação, atribuídas a conceitos ou códigos (codes), no programa. Também foi realizada a categorização (code groups), que em outras versões do software eram chamados de 'famílias', em livre tradução, conforme a figura 2:

## Figura 2: Captura de tela da codificação e categorização no Atlas.ti

Fonte: elaborado pelos autores com o programa Atlas.ti.

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Nesta fase, os elementos selecionados item a item foram classificados, diferenciados e associados aos códigos mais convenientes e, quando necessário, reagrupados e/ou associados a outros fragmentos.

No exemplo acima, é possível notar que, a intenção dos códigos escolhidos é captar elementos que demonstram a percepção dos sujeitos quanto ao conteúdo do jogo e a aparência do material. Esse procedimento é realizado por meio da seleção do excerto desejado, seguido de um 'click' com o botão direito do mouse e a criação/seleção do código.

Vale destacar que na aba ' Quotation ' é possível visualizar os trechos discursivos por agrupamentos já codificados, servindo também de índice de acesso aos fragmentos no texto.

O programa permite ainda a visualização gráfica das relações estabelecidas entre as citações e suas categorias por meio da ferramenta de criação de redes semânticas Networks , que facilita e auxilia no processo de interpretação dos dados. É possível filtrar o documento com o botão 'importar vizinhos' (import neighbors ) para realizar associações do tipo código-código e código-citações, dados os critérios de relação entre esses itens estabelecidos conforme pertinência para a análise (Figura 3).

Figura 3 : Exemplo de relacionamento de códigos com o recurso Network , no Atlas.tiFonte: elaborado pelos autores com o programa Atlas.ti.

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O layout dos diagramas pode ser definido de forma hierárquica, circular, vertical, horizontal, entre outras, conforme a visualização desejada.

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Ao longo do processo, é possível que o analista insira comentários e observações editáveis para facilitar na etapa das inferências. Além dessas opções o Atlas.ti permite a construção de redes semânticas ( network ), a visualização gráfica das citações selecionadas e comentários, análise de co-ocorrências ( cooccuring ), envio de relatórios, divisão ou fusão de unidades hermenêuticas, contador de palavras ( word cruncher ), ferramentas de busca (query tools), autocodifcação ( autocoding ), entre outras.

Na função Network também é possível associar os codes e seus code groups relacionando as citações que possuem alguma ligação em comum. O code groups é utilizado para estabelecer a relação axial dos dados. Para isso basta lançar mão da função relation manager e escolher o tipo de união entre cada uma delas, conforme a sua teoria de base.

Os descritores do programa são exibidos em língua inglesa, mas há a possibilidade de cadastrar novas combinações no idioma desejado. O pesquisador pode criar uma nota chamada memo que permite adicionar comentários, sínteses e informações relevantes para serem usadas no processo de análise.

Dependendo do tipo de análise empregada, nem todas as ferramentas do programa são utilizadas, pois essa escolha fica a cargo do pesquisador com base em sua pesquisa/pergunta.

No exemplo utilizado neste estudo, após a seleção dos fragmentos categorizados para a análise, foram feitas as relações entre códigos, categorias e seus grupos, para, a partir de sua visualização e anotações no programa, fossem realizadas as inferências, com base nos registros dos participantes.

## Conclusão

A utilização do software Atlas.ti no exemplo da amostragem apresentada por este estudo, permitiu a organização dos arquivos para a análise de conteúdo, facilitando a visualização dos enunciados dos sujeitos em seus questionários, preparando o material para receber as inferências sobre os elementos categorizados sob as premissas metodológicas de Bardin (2016).

A ferramenta mostrou-se eficaz para o proposto, contudo, é importante destacar que o Atlas.ti apenas facilita a etapa de inferências e interpretação dos dados, uma vez que permite uma organização gráfica mais elaborada e proporciona melhor visualização das relações entre o material inserido e o método de análise. Neste caso, cabe ao analista dar sequência aos protocolos de pesquisa em busca de clareza, confiabilidade, fidedignidade e validade dos resultados.

Vale ainda ressaltar que não basta apenas compreender o funcionamento do programa e sua técnica, mas também os instrumentos, recursos, métodos e metodologias da investigação que se pretende, bem como as teorias e demais referenciais que a embasam.

## Referências

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Edição revista e ampliada. Tradução Luis Antero Reto, Augusto Pinheiro. São Paulo: edições 70, 2016.

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GARCEZ, Andrea; DUARTE, Rosalia; EISENBERG, Zena. Produção e análise de vídeogravações em pesquisas qualitativas. Educação e Pesquisa. São Paulo, v. 37, n. 2, p. 249-261, 2011.

LIMA, José Leonardo Oliveira; MANINI, Miriam Paula. Metodologia para análise de conteúdo qualitativa integrada à técnica de mapas mentais com o uso dos softwares Nvivo e Freemind. Informação &amp; Informação, Londrina, v. 21, n. 3, p. 63100, 2016.

WALTER, Silvana Anita; BACH, Tatiana Marceda. Adeus papel, marca-textos, tesoura e cola: inovando o processo de análise de conteúdo por meio do Atlas.ti. Administração: Ensino e Pesquisa. Rio de Janeiro. v. 16, n. 2, p. 275-308, 2015.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.