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AS AULAS DE FÍSICA NA VISÃO DOS ALUNOS

Marciel Ferreira Olimpio Da Silva, Juliana Cintia De Oliveira Nunes, Ana Rita Pereira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## AS AULAS DE FÍSICA NA VISÃO DOS ALUNOS

## Marciel Ferreira Olimpio da Silva 1 , Juliana Cintia de Oliveira Nunes 2 , Ana Rita Pereira 3

1 Instituto de Física - Universidade Federal de Catalão, marcielolimpio@gmail.com

2 Instituto de Física - Universidade Federal de Catalão, jubix.cintia2@hotmail.com 3 Instituto de Física - Universidade Federal de Catalão, anaritapr@gmail.com

## Resumo

Atualmente a evasão tem sido uma das maiores preocupações das instituições de ensino superior, pois apesar da expansão do número de vagas e de cursos de graduação nos últimos anos, isso não implica num grande aumento de pessoas graduadas, sendo que o número de abandono ou trancamento de matriculas no Ensino Superior também aumentou. Embora o descaso com a Educação no Brasil contribua para o déficit dos alunos sobre conhecimentos básicos e isso afete o seu desenvolvimento pleno da sua carreira acadêmica, outros fatores também afeta e contribui para o despreparo dos alunos durante a sua vida na universidade. Essa realidade afeta profundamente os cursos de Licenciatura em Física, que em geral, além de apresentar um quadro de baixa procura tem ainda um alto número de alunos excluídos ou que abandonam o curso. Este trabalho apresenta uma pesquisa de caráter qualitativa, cujo objetivo foi ampliar a percepção sobre alguns aspectos que poderiam afetar as aulas de Física. Foi analisado a percepção que os alunos do curso de licenciatura em Física têm sobre o desenvolvimento das aulas, através das suas respostas a questionários que aborda aspectos relativos ao desenvolvimento das aulas de Física. Os resultados mostram que a relação professor - aluno é importante na motivação do estudante, contribuindo para que ele aprenda mais e melhor, mas nada disso, uso de técnicas e recursos caros, se o estudante não estiver realmente interessado em aprender e se sentir integrado no curso.

Palavras-chave : Aulas de Física, Motivação, ensino de Física.

## Introdução

Atualmente o acesso dos jovens escolares ao Ensino Superior aumentou, isso resulta tanto da expansão do número de vagas e de cursos nas instituições de Ensino Superior, quanto à adoção da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). A nota do ENEM é utilizada para o ingresso tanto pelo Sistema de Seleção Unificado (SISU) na maioria das Instituições públicas quanto pelo PROUNI nas instituições privadas, o que torna mais acessível o ingresso nos cursos de graduação no Brasil.

Mas isso não tem alterado a problemática da evasão nas universidades brasileiras (MORAES, 1986; CUNHA, TUNES e SILVA, 2001), e continua afetando enormemente os cursos, em especial às licenciaturas. E o resultado é que os cursos de licenciatura ainda apresentam um elevado número de vagas ociosas e alta taxa de evasão (Macedo, 2012; GOBARA E GARCIA, 2007). Logo, há um aumento expressivo de vagas nas licenciaturas, facilitando o acesso a esses cursos, mas não significa um aumento significativo do número de profissionais qualificados nas escolas.

Particularmente no caso da Física, a comunidade considera normal formar poucos estudantes, sendo essa a realidade dos cursos de Física no Brasil, onde

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cerca de 10 % dos alunos conseguem concluir o curso no tempo regular (BARROSO e FALCÃO, 2004; GOBARA e GARCIA, 2007; RODRIGUES e TEIXEIRA, 2009).

- E daí surge os questionamentos sobre o porquê do desinteresse pelo aprendizado da Física, considerando que a Física é fundamental para o desenvolvimento científico e tecnológico, com importantes contribuições que muda o quadro econômico, social e político de uma Nação. A evolução da Física ao longo dos anos provocou mudanças profundas na sociedade, com reflexos na cultura e os saberes dos cidadãos. Mas em geral, isso não impacta a Física que é ensinada nas escolas, onde apesar de dispor de requisitos que poderia colocar a Física como uma das disciplinas mais simpáticas aos alunos, ela se encontra entre as mais odiadas, mesmo sendo essencial no desenvolvimento de toda a tecnologia moderna que mudou a forma como nos comunicamos e nos relacionamos no mundo.
- É triste ouvir 'eu odeio física' ou que 'estudar física não serve pra nada'. Sendo uma ciência experimental e cotidiana, relacionada a toda a moderna tecnologia que beneficia enormemente nossa vida diária, o aprendizado da Física deveria ser motivador e estimulante para os escolares. No entanto, poucos se apropriam dos saberes da Física, comprovados pelos altos índices de reprovação e pode ter como reflexo no desinteresse pelos cursos de Física. Mas, via de regra, o ensino de Física é livresco com ênfase na memorização de inúmeras fórmulas, que são apenas modelos matemáticos sem qualquer conexão com atividades cotidianas ou com os fenômenos naturais.

Ao pensar na escola, considera-se a sala de aula como o espaço onde se realiza a aprendizagem, e a isso é associado a um professor em frente a uma mesa, escrevendo num quadro negro e a muitos alunos sentados em cadeiras, ouvindo os conteúdos apresentados. Uma reclamação constante é que os alunos não suportam mais essas aulas, monótonas e tediosas, que não relacionam o conteúdo das aulas e a vida das pessoas.

Trabalhando num curso de Física num Campus, distante da sede da Universidade, enfrentamos toda a problemática do Ensino de Física, e a partir da análise dessa situação, resolveu-se realizar um estudo verificando os fatores que resulta no fracasso dos estudantes ao não conseguir concluir o curso de Física no tempo regular de 8 semestres. Neste trabalho apresentamos uma análise sobre as aulas de Física na visão dos estudantes de um curso de Licenciatura em Física do sudeste goiano.

- O que leva um jovem escolher a licenciatura afetará a sua identidade profissional como docente, e as práticas estudadas e aprendidas ao longo do curso contribuirá para formar essa identidade, dando significado às escolhas e a opção pela carreira docente, além de contribuir para a conclusão ou não do curso (SOUZA E KAWAMURA, 2010). Neste trabalho discutimos a situação dos ingressantes num curso de Física no interior de Goiás.

Os dados aqui apesentados analisa, de forma qualitativa, dados obtidos em entrevistas e questionários realizados com alunos, onde se levantou o perfil socioeconômico e as perspectivas desses jovens ao ingressarem no curso. Ao todo 60 alunos participaram dessa pesquisa.

## Os alunos do curso de licenciatura em física

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Os alunos do curso de Física são jovens, oriundos da escola pública (80 %), com predominância masculina, apesar do número de mulheres esteja aumentando (27 % dos ingressantes em 2017), na faixa etária de 16 a 25 anos de idade. São jovens de classes sociais menos privilegiados em termos educacionais e culturais, com renda familiar de até quatro salários mínimos, e dependem muito da assistência estudantil para conseguirem dedicação integral ao curso. Em geral, esses jovens superam seus pais no quesito escolaridade, pois 45 % dos pais só terminaram o ensino fundamental e 43 % chegaram a concluir o Ensino Médio. De forma geral, seguem o perfil descrito por Gobara e Garcia

'São estudantes que têm uma base muito precária dos conhecimentos gerais e da língua portuguesa e a maioria abandona no primeiro e/ou segundo ano do curso porque não conseguem acompanhá-lo e também porque precisa trabalhar (GOBARA e GARCIA, 2007).'

Ao serem questionados sobre a motivação para ingressar no curso de Licenciatura em Física verifica-se quatro categorias: o grupo dos que optaram pelo curso devido a grande facilidade em Física durante o ensino médio, ou por gostarem de cálculos; o grupo dos que acham a Física interessante, que está relacionada a tudo que acontece no nosso cotidiano e querem aprofundar o conhecimento sobre a mesma; o grupo dos que pensam no mercado de trabalho, devido à escassez de professores de Física e tem o grupo dos que veem o curso de Física como forma de acesso à universidade. Embora 50 % ingressem no curso dizendo querer ser professor, estes afirmam que o fato da carreira docente ser tão desvalorizada é uma barreira para isso se tornar realidade, indicando que os mesmos veem a carreira docente de forma bastante negativa.

Em conversas os alunos afirmam que o curso não é o que eles esperavam, de onde se deduz que esperavam conteúdos similares aos estudados no ensino médio, ou seja, com um grau de dificuldade bem menor. Eles afirmam que não esperavam que as dificuldades fossem tantas, que têm a sensação de terem 'pego um filme pela metade', se conscientizando de que tiveram uma formação básica precária e insuficiente para conseguir evoluir plenamente na matriz curricular do curso. Na Educação básica tiveram aulas de Física pautadas pela memorização de uma coleção de fórmulas matemáticas, desconectadas do cotidiano e da tecnologia moderna, num tipo de ensino onde pouco se aprende e tudo se decora. E o resultado desse despreparo provoca várias reprovações nas disciplinas do curso, prejudicando a conclusão do curso no tempo regular e levando muitos alunos a abandonarem o curso.

De forma geral, observa-se que os estudantes chegam à universidade despreparados e ainda tendo uma visão bastante 'romantizada' da Física e do cientista, ou seja, sabem muito pouco sobre o que de fato é aprender física e as exigências para obter sucesso em sua aprendizagem.

## A percepção dos alunos sobre as aulas de Física

O processo de ensino - aprendizagem é mais eficiente quando o aluno está motivado em aprender. Mas o que motiva o aluno nas aulas de Física?

Para conhecer a visão que os alunos têm sobre as aulas de Física, foi realizado um questionário adaptado do instrumento utilizado por Coelho (1999) no

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seu trabalho de final de curso, cujos resultados são apresentados na tabela 1 abaixo.

Tabela 1 -O que você pensa sobre as aulas de Física: marque UMA alternativa, sendo CT (Concordo Totalmente), CP (Concordo Parcialmente), SO (Sem Opinião), DP (Discordo Parcialmente) e DT (Discordo Totalmente) para as afirmações abaixo.

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De acordo com as respostas dos alunos as aulas de Física são mais estimulantes quando relacionam o conteúdo discutido com o que ocorre no cotidiano e os problemas discutem situações do dia a dia. Outro fator que motiva é quando são realizados experimentos que mostram os fenômenos físicos. O uso de fatos históricos ou exemplos nas aulas é importante para os alunos, assim como o uso de outros recursos como vídeos. E os alunos se sentem mais seguros quando o professor usa um material especifico, como apostila ou livro, nas aulas de Física.

É interessante observar que os alunos acham perda de tempo o professor ficar escrevendo a matéria no quadro negro. Observa-se que normalmente os alunos atualmente não mais copiam a matéria, eles preferem tirar fotos no celular. E outra consequência da 'vida moderna' é o tempo que os alunos dedicam a busca das respostas das questões propostas na internet, ou mesmo a busca por aulas em vídeos, como pode ser visto nas respostas da questão 25, onde os alunos concordam que a internet ajuda no aprendizado.

De modo geral os alunos concordam que uma boa relação aluno-professor é importante e ajuda no sucesso das aulas de Física, embora o aspecto físico, a voz ou mesmo a antipatia por um professor não afeta profundamente os alunos.

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Outro fator a ser considerando nas aulas de Física é procurar mostrar sua relação com o funcionamento da tecnologia, os alunos têm bastante curiosidades sobre o funcionamento das coisas e querem ver isso nas aulas. Outro fator a ser considerado e sobre as provas de Física, onde os alunos concordam que professores apresentam questões mais difíceis nas provas do que as resolvidas por ele. E os alunos gostam de ser desafiados a participar das aulas e a resolver questões complexas, então o professor tem que saber dosar isso nas aulas.

Embora seja uma percentagem pequena, chama a atenção que exista alunos num curso de Física que considera a Física desinteressante e que acha que as aulas de física têm muito decoreba. Talvez esse pensamento seja um motivador para o abandono do curso num futuro próximo, pois esses alunos não aparentam estar consciente do que seja estudar Física.

## Considerações finais

A partir da análise dos questionários respondidos pelos alunos, verifica-se que é necessário melhorar a qualidade do ensino de Física da rede pública de educação básica, visto que cerca de 80% dos nossos alunos são egressos de escolas públicas. Uma melhor interação Universidade - escola poderá contribuir para melhorar a educação, e assim fazer com esses estudantes não enfrentem tantas dificuldades ao ingressarem no curso de graduação.

Em relação as aulas de Física verifica-se que a relação Física - Cotidiano, é importante para motivar o aluno, da mesma forma que incentivar a participação deste nas aulas e desafiá-lo com problemas complexos ou que sejam relacionados a questão do dia a dia, numa sala onde o aluno se sinta confortável e se relacione bem com o professor, facilita e torna o processo de ensino-aprendizagem de Física mais interessante e eficaz. Porém, recursos caros, técnicas diferenciadas e/ou conteúdos bem apresentados são ineficazes se o estudante não estiver motivado e interessado em aprender.

A boa relação aluno-professor pode contribuir bastante para despertar o interesse do aluno. Logo, o professor ainda é fator determinante para o sucesso dos estudantes. Seja para despertar o interesse destes pelo curso, seja para incentivar o sucesso destes ao longo da graduação. O professor pode provocar simpatias ou antipatias em relação a determinados conteúdos, afetando a forma como esses encaram o futuro como 'Físicos'. Isso tem a ver também como o professor trata a evolução da Física, pois se o professor mostra desinteresse e desconhecimento sobre como os fenômenos físicos foram sendo descobertos e construídos, dificilmente motivará seus alunos.

De modo geral, os alunos querem aulas de Física onde possam se expressar, mostrando e tirando suas dúvidas, num ambiente saudável e participativo, com disciplina e com professores que os estimulem a aprofundar o conhecimento dos fenômenos físicos.

Os alunos têm curiosidade e consideram importante aprender Física. Portanto cabe ao professor de Física ser o agente motivador da continuidade desse interesse, trazendo ao estudante recursos e exemplos variados, trabalhos em grupos, experimentos, problemas complexos e desafiadores e livros didáticos atualizados, que proporcione uma aprendizagem mais significativa e agradável aos estudantes.

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## Referências

BARROSO, M. F., FALCÃO, E. B. M., Evasão universitária: o caso do instituto de física da UFRJ, In: Anais do IX Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Jaboticatubas, MG, 2004.

COELHO, R. O., O que leva o aluno a gostar (ou não) da aula de Física, Trabalho final do curso de Especialização em Educação , Faculdade de educação, Universidade Federal de pelotas, 1999.

CUNHA, A. M.; TUNES, E., SILVA, R. R., Evasão do curso de química da Universidade de Brasília: a interpretação do aluno evadido , Química Nova, Vol. 24 (1), p. 262-280, 2001.

GOBARA, S. T., GARCIA, J. R. B., As licenciaturas em física das universidades brasileiras: um diagnóstico da formação inicial de professores de física , Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 29 (4), p. 519-525, 2007.

MACEDO, C., Evasão estudantil nos cursos de matemática, química e física da Universidade Federal Fluminense: Uma silenciosa problemática , Dissertação de Mestrado, PUC-Rio, 2012.

MORAES, N. I., Perfil da universidade . São Paulo: Pioneira/Universidade de São Paulo, 1986.

RODRIGUES, M. A., TEIXEIRA, F. M., Reflexões sobre a baixa procura pelo curso de física nas universidades federais de Pernambuco, In: Anais do VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, Florianópolis, SC, 2009.

SOUZA, C. A., KAWAMURA, M. R. D., Licenciandos em física: caracterizando o perfil dos ingressantes , In: Anais do XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Águas de Lindóia, SP, MG, 2010.

## Agradecimentos

Ao CNPQ/Instituto TIM, a CAPES e a FAPEG pelo apoio financeiro.

Aos alunos do Curso de Física que prontamente responderam aos questionamentos.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.