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Formação dos professores de Física: a contribuição dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia

Jonny Nelson Teixeira, Laize Batista Do Nascimento Santos, Conceição Gabriel Prestes, Marcos Paulo Quibao Filho

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Formação dos professores de Física: a contribuição dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia

Jonny Nelson Teixeira , Conceição Gabriel Prestes , Laíze Batista do Nascimento Santos , Marcos 1 2 3 Paulo Quibao Filho 4

1

IFSP - Campus Itapetininga - jonny@ifsp.edu.br IFSP - Campus Itapetininga - babi.cgabriel@gmail.com 3 IFSP - Campus Itapetininga - profalaize@gmail.com

2

4 IFSP - Campus Itapetininga - marcos.quibao82@gmail.com

## Resumo

A formação do professor de Física no Brasil vem sofrendo diversas mudanças ao longo dos anos, principalmente por causa das mudanças nas legislações de formação de professores, dedicando tempos maiores às práticas pedagógicas e aos estágios supervisionados. O número de professores deste componente, entretanto, ainda não é suficiente para suprir a sua falta no país, embora a realidade estivesse mudando em 15 anos. Essa realidade começa a mudar a partir de 2005, por causa da criação de novas Universidades Federais (UF) e, em 2008, com a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IF) estes últimos destinando no mínimo 20% de vagas para a formação inicial de professores, prioritariamente nos componentes curriculares com falta histórica de professores. Esse trabalho decorre de uma pesquisa ainda em andamento no Instituto Federal de São Paulo que analisa o crescimento da oferta de vagas em Licenciatura em Física nos IF e levanta hipóteses acerca da qualidade da formação inicial de professores a partir da analise dos Projetos Pedagógicos de Curso e do número e formato de disciplinas metodológicas, que aliam as teorias educacionais e as diversas estratégias de ensino aprendizagem trabalhadas nestas disciplinas.

Palavras-chave : Formação de professores, Currículo de Física, BNCC Física, disciplinas metodológicas

## Introdução

Século XXI. Quase na terceira década desse século e ainda ronda sobre a Educação Brasileira problemas como a falta de professores com formação específica para lecionar no Ensino Básico, sobretudo no médio, ainda persiste, apesar de ter sido detectada já há algumas décadas. Dentre os componentes curriculares da Educação Básica, os professores da área de Ciências da Natureza: Física, Química e Biologia, nesta ordem, são, segundo muitas matérias jornalísticas que tratam de Educação, os que demandam mais profissionais formados. Destes três componentes curriculares a Física é, sem dúvidas, o curso em que a demanda de professores é grande e o número de egressos ainda é insuficiente para supri-la.

O número de egressos dos cursos de Licenciatura em Física no país desde o início deste século ainda é pequeno, devido à quantidade destes cursos nas Universidades, Faculdades e Centros de Ensino Superior espalhados pelos territórios brasileiros, o que dificulta ainda mais a probabilidade de suprir o número de professores de Física necessários para lecionar no Ensino Médio, principalmente. Segundo Araújo & Vianna (2011), até 2010 a demanda de professores de Física no país ainda era muito maior do que a formação de professores.

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Nos primeiros 15 anos deste século, embora o número de cursos de Licenciatura em Física do Brasil tenha aumentado, a demanda ainda continua a mesma, pois a procura por estes cursos ainda é pequena e a evasão de alunos destes cursos ainda continua grande, mesmo com incentivos de bolsas como PIBID e outras, fomentados pelo Governo Federal e pelos orçamentos das próprias Universidades (Santos e Curi, 2012)

Esse trabalho, ainda em andamento, utiliza informações dos censos do Ensino Superior, oriundos da base de dados do INEP e tem a finalidade de iniciar uma discussão sobre o papel dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia na formação inicial de professores de Física, com relação ao oferecimento de vagas nos cursos de Licenciatura e dos desafios que a formação desses professores ainda tem pela frente.

## O oferecimento de vagas de Licenciatura em Física no Brasil e seus concluintes

Na virada do século a quantidade de cursos de Licenciatura em Física no Brasil era extremamente pequena para a quantidade de professores desse componente que o país necessitava para suprir as vagas em escolas de Ensino Básico. Segundo dados do INEP, no ano 2000 quase totalidade dos cursos de Licenciatura em Física no país eram oferecidos por universidades públicas, além do número ser muito pequeno, comparado a outros cursos de licenciatura (BRASIL, 2000).

No censo de 2000 no país havia um total de 58 desses cursos de formação inicial de professores na modalidade presencial, já que nessa época os cursos à distância ainda estavam começando a ganhar espaço nas discussões em Educação. Se analisarmos os dados, em 2005 o número de cursos de formação inicial de professores de Física no país saltou de 58 para 134, mais do que dobrando.

- É importante salientar que nessa época já existiam algumas Escolas Técnicas Federais espalhadas pelo país, mas ainda não existiam os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IF's), já que estes últimos foram instituídos no segundo mandato do governo Lula, em 2008. Entre 2000 e 2005 houve um acréscimo significativo destes cursos nas universidades e faculdades particulares, além da criação de alguns deles nos CEFET, ampliados no primeiro mandato do governo Lula.

Esses números foram crescendo significativamente de 2005 a 2015, praticamente dobrando em alguns casos, mas caindo nas Instituições particulares. Os dados são apresentados no gráfico abaixo.

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Observando o número de cursos oferecidos podemos intuir, logo, que a quantidade de vagas oferecidas para estes cursos tenha aumentado também significativamente, já que o número de campi que ofereceram estes cursos foram quase multiplicados por 5.

Observa-se também que o número de vagas destes cursos aumentou nas instituições federais de Ensino Superior depois da lei que criou os Institutos Federais de Educação, em 2008.

Nessa lógica, era fácil também intuir que o número de concluintes destes cursos também aumentasse na mesma proporção. O gráfico abaixo mostra a evolução do número de concluintes dos cursos de Licenciatura em Física neste período.

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Analisando os dados no gráfico anterior pode-se notar um crescimento significativo com relação aos concluintes, com uma pequena variação para baixo nos cinco últimos anos. Nota-se também uma diminuição drástica no número de concluintes das instituições particulares, além de uma diminuição no número dos concluintes das instituições públicas de ensino, embora o número de cursos nestas instituições tenha aumentado no mesmo período.

- O aumento mais significativo aconteceu nos IF e CEFET, estes últimos diminuídos depois da lei de criação dos IF, já que muitas dessas instituições se transformaram em IF, se enquadrando nas regras destas instituições. É necessário dizer que aqui esta é uma análise prévia dos cursos presenciais, deixando para uma pesquisa posterior a análise de cursos à distância.

## Estatística da oferta de cursos de Licenciatura em Física nos IF

Ao analisar os gráficos anteriores e observar o crescimento dos cursos de Licenciatura em Física nos IF, pode-se ver que houve também um aumento significativo do número de vagas oferecidas por estas instituições neste curso.

Se para cada curso aberto forem oferecidas 40 vagas, há uma oferta de cerca de 2.400 vagas para este curso nestas instituições. O interessante é que a maioria destas vagas foram abertas em cidades fora do eixo dos grandes centros populacionais, já que a expansão ocorrida desde 2010 dos campi destas instituições também ocorreu em cidades onde a oferta de cursos superiores é escassa.

No entanto, observa-se que a discrepância entre o número de vagas oferecidas e o número de concluintes nesta etapa de formação também é acentuada. Se contarmos a quantidade de vagas oferecidas para os cursos presenciais nos IF, no geral, tem-se por volta de 2.400 vagas para esse curso, com uma contagem de 309 concluintes nestas instituições. Isso mostra que a evasão nestes cursos é alta.

Um dado que pode mudar um pouco essa estatística é que uma boa parte dos cursos oferecidos por estas instituições ainda não teve sua primeira turma formada, mas sabe-se que a evasão nos cursos de licenciatura é alto, ainda mais nos cursos de Física (Silva et al, 2012; Silvia e Franco, 2014)

Mesmo com essa discrepância os IF são responsáveis hoje por 20% da formação inicial dos professores de Física do país, com um potencial enorme, já que o número de vagas é significativo em relação ao total. Analisando o gráfico 1 vê-se que o número de cursos oferecidos pelos IF aumentou numa proporção muito maior que a s universidades federais e estaduais, principalmente no período entre 2010 e 2015. Segundo os dados, o número de cursos nos IF quase dobrou, ante um aumento de 31,7% nas universidades estaduais e 6,5% das universidades Federais. Ainda, os IF e CEFET responderam em 2015 por quase 25% do total de matrículas nesta modalidade (BRASIL, 2015).

## Contribuição dos IF para a formação de professores de Física

Apesar de uma representação significativa na oferta de vagas, a estrutura dos cursos de Licenciatura tem grande importância na qualidade da formação dos professores. Santos e Curi (2012) em seu trabalho destacam diversos aspectos para a formação qualificada de professores que lecionam Física. Nesse trabalho as

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autoras citam que grande parte dos professores que lecionam Física no país não é formada na área. O que estamos analisando aqui é a potencialidade dessa realidade sofrer alguma mudança com a oferta maior de vagas para a formação desses profissionais.

O trabalho das autoras traz, no entanto, uma discussão sobre a importância do currículo das licenciaturas na formação profissional do professor de Física. Segundo elas a oferta de disciplinas que trabalham a estrutura teórica da Educação em ressonância com outras que aliam a prática e as metodologias trazem uma vivência educacional maior ao futuro professor, fazendo com que o egresso tenha uma aquisição maior de habilidades necessárias à docência.

Uma pesquisa em andamento no IFSP mostra que mesmo antes da mudança das diretrizes dos cursos de formação de professores do MEC (2015) os cursos de Licenciatura em Física oferecidos pelos IF já contemplavam grades com disciplinas da área metodológica em ressonância com as disciplinas de Física Básica e com as disciplinas pedagógicas.

Nestes casos, as disciplinas citadas fazem parte de um conjunto que mescla aulas teóricas com as práticas pedagógicas, além de disciplinas que trabalham numa perspectiva de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) e História da Ciência (HC), cuja importância já foi relatada em diversos trabalhos (Silva e Carvalho, 2009; Barbosa et al , 2017; Rosa e Martins, 2007; Bagdonas et al , 2014) e disciplinas relacionadas com o estudo de epistemologia da Ciência.

Além disso, disciplinas que instigam o aluno a trabalhar com projetos, incentivam os trabalhos interdisciplinares e formam o licenciando no sentido de repensar sua prática pedagógica para o Ensino Básico regular e para outras modalidades de ensino, como Educação de Jovens e Adultos (EJA) e os cursos profissionalizantes também estão neste conjunto.

Outras disciplinas importantes para a formação do docente de Física são as que o capacitam para trabalhar com atividades experimentais aplicadas ao ensino. O uso de atividades experimentais são importantes para que ele tenha a possibilidade de trabalhar com os alunos o método científico e a observação da Ciência através de experimentos analíticos ou demonstrativos. A utilização de experimentos para o Ensino de Física na Educação básica vem sendo refletida por vários autores (Gaspar e Monteiro, 2005; Moraes e Junior, 2015; Laburú, 2005; entre outros) e indicam a sua importância para a aprendizagem de conceitos de Física, além da promoção do letramento e da cultura científica dos alunos em todos os níveis de ensino.

## Considerações finais

Há ainda a falta de uma quantidade grande de professores de Física no país, a qual ainda não será saturada pela velocidade atual de formação inicial de docentes dessa área. Mas apesar desse déficit, nos 15 últimos anos o número de licenciaturas desse componente tem crescido significativamente, sobretudo mediante o crescimento no número de vagas nas Universidades Federais e nos IF's do Brasil inteiro.

Embora o número de egressos tenha crescido significativamente nesse mesmo período, a parcela deles que assume efetivamente a docência ainda é

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pequena, muitas vezes por causa da valorização docente muito pequena no país. Um fator que se precisa considerar, no entanto, é o freio imposto pela Emenda Constitucional 95/2016, que limitou os gastos públicos e os financiamentos do país, limitando também os investimentos em Educação. Por causa deste limite houve um freio no aumento dos campi das UF e dos IF, estagnando também a oferta de vagas para as licenciaturas, sobretudo as de Física.

Ainda, as incertezas sobre a infundada reforma do Ensino Médio recaem sobre as aulas de Física, pois a tendência é que poucas escolas ofereçam o itinerário formativo de Ciências da Natureza, limitando as aulas deste componente, apesar do núcleo básico proposto na Base Nacional Curricular Comum contar com as aulas de Física.

Como continuação dessa pesquisa será feito um levantamento das disciplinas de cunho metodológico, as quais serão caracterizadas a partir das propostas metodológicas dos currícula dos cursos de Licenciatura em Física dos IF e das UF.

## Referências

ARAÚJO, R. S.; VIANNA, D. M. A carência de professores de ciências e matemática na educação básica e a ampliação das vagas no ensino superior . Ciência &amp; Educação , v. 17, n. 4, p. 807-822, 2011.

BAGDONAS, A. ZANETIC, J. GURGEL, I. Controvérsias sobre a natureza da ciência como enfoque curricular para o ensino da física: o ensino de história da cosmologia por meio de um jogo didático. Revista Brasileira de História da Ciência , v. 7, n. 2, p. 242-260, 2014.

BARBOSA, F. A. MACHADO, C. B. H. RODRIGUES JÚNIOR, E. LINHARES, M. P. Abordagem 'Ciência, Tecnologia e Sociedade' (CTS) no ensino de Física: uma proposta na formação inicial de professores . Revista Ensino &amp; Pesquisa , v.15, n.1 , 158- 178. 2017.

BRASIL. Censo da Educação Brasileira. Disponível em http://download.inep.gov.br/download/censo/2000/Superior/sinopse\_superior-2000.pdf. Acessado em 02/07/2018.

GASPAR, A. MONTEIRO, I. C. C. A tividades experimentais de demonstrações em sala de aula: uma análise segundo o referencial da teoria de Vygotsky. Investigações em Ensino de Ciências - v. 10, n.2 . 227-254, 2005.

LABURÚ, C. E. seleção de experimentos de física no ensino médio: uma investigação a partir da fala de professores. Investigações em Ensino de Ciências - v. 10, n. 2. 161-178, 2005.

MORAES, J. U. P. JUNIOR, R. S. S. Experimentos didáticos no Ensino de Física com foco na Aprendizagem Significativa. Lat. Am. J. Phys. Educ . v. 9, n. 2, 2015.

ROSA, K. MARTINS, M. C. A inserção de história e filosofia da ciência no currículo de licenciatura em física da universidade federal da bahia: uma visão de professores universitários. Investigações em Ensino de Ciências - v. 12 n. 3. 321-337, 2007

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SANTOS, C. A. B.; CURI, E. A formação dos professores que ensinam física no ensino médio Ciência &amp; Educação, v. 18, n. 4. 837-849, 2012

SILVA, M. B. S. FRANCO, V. S. Um estudo sobre a evasão no curso de física da Universidade Estadual de Maringá: modalidade presencial versus modalidade a distância . Revista Brasileira de Educação à Distância. V. 13. 337360. 2014.

SILVA, L. F. CARVALHO, L. M. P rofessores de física em formação inicial: o ensino de física, a abordagem cts e os temas controversos. Investigações em Ensino de Ciências - v. 14, n. 1. 135-148, 2009.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.