PROPOSTA DE UTILIZAÇÃO DO JORNAL ESCOLAR COMO RECURSO METODOLÓGICO NO ENSINO DE CALORIMETRIA
Antonio Marcos Silva Dias, Hilda Mara Lopes Araújo
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 29/01/2019
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PROPOSTA DE UTILIZAÇÃO DO JORNAL ESCOLAR COMO RECURSO METODOLÓGICO NO ENSINO DE CALORIMETRIA
Antonio Marcos Silva Dias 1 Hilda Mara Lopes Araújo 2 (Orientadora)
1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí - IFPI/Coordenação Pedagógica, email: marcos.silva@ifpi.edu.br
2 Universidade Federal do Piauí - UFPI/DMTE/CCE, e-mail: hildamara2@hotmail.com
## Resumo
Trata-se o presente trabalho de recorte de um estudo desenvolvido nos anos de 2016 e 2017, no âmbito do programa de Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física, o qual teve como objeto a utilização do jornal escolar no ensino de Física. Partimos do pressuposto de que o uso do Jornal Escolar, como recurso metodológico, promove diálogo entre conteúdos e o dia-a-dia dos alunos, valorizando habilidades como a leitura e a escrita, tornando a aprendizagem mais interativa e participativa. Dentre os objetivos delineados, destacamos: 1) articular a Física da sala-de-aula com situações práticas no cotidiano, 2) promover a leitura e escrita em sala de aula em torno de temas ligados à Física; 3) proporcionar um ambiente de aprendizagem colaborativo, que valorize o trabalho em equipe e a pesquisa como instrumento de fortalecimento da aprendizagem; 4) socializar conhecimentos apropriados em sala-de-aula com a comunidade escolar, articulando formação e informação no contexto do Jornal Escolar. Produto da experiência de campo vivenciada com alunos do segundo ano do Ensino Médio Integrado em Administração, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí campus Cocal, o jornal impresso intitulado Telescópio foi resultado do trabalho de pesquisa e redação dos alunos sob mediação do professor, acerca do conteúdo de Calorimetria, composto de textos informativos que, segundo o olhar dos alunos, abordaram interfaces entre a teoria e suas vivências cotidianas. Epistemologicamente, estudo apoiou-se no conceito de mediação, enunciado por Vygotsky. No que concerne ao percurso metodológico, nossa opção pela abordagem qualitativa considerou a natureza social associada ao objeto de estudo. Como resultados, verificamos que utilização do jornal no ensino de Física promoveu diálogo entre os conteúdos de calorimetria e o dia-a-dia dos sujeitos, proporcionando leitura e a escrita em sala de aula, o que evidenciou a ocorrência de uma aprendizagem mais interativa e participativa.
Palavras-chave : Ensino de Física. Jornal Escolar. Sociointeracionismo.
## Introdução
No presente trabalho partimos do seguinte problema de pesquisa: até que ponto o uso do Jornal Escolar como recurso metodológico no Ensino de Física contribui para a prática da leitura e escrita no contexto dessa disciplina? Partimos do pressuposto de o Jornal Escolar como recurso metodológico promove diálogo entre conteúdos da Física e o dia-a-dia dos alunos, valorizando habilidades, como a leitura e a escrita, e ainda tornando a aprendizagem mais interativa e participativa. Delineamos como objetivo geral produzir um Jornal Escolar com a participação direta de alunos de uma turma do segundo ano do Ensino Médio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí campus Cocal. Tal produção deu origem à primeira tiragem do periódico escolar intitulado Telescópio, cujo escopo
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23 a 27 de janeiro de 2017
compôs-se de textos de autoria dos participantes, explorando aplicações práticas da Calorimetria.
- O contexto supracitado nos remete a compreender que a escola atual se insere em uma conjuntura dominada pela linguagem e comunicação, manifestas sob diversas plataformas interativas, a exemplo da internet, TV, rádio, dentre outras (SCHMIEDECKE; PORTO, 2015; FERREIRA, 2003; ARAUJO; SCHIMIGUEL, 2014). Assim, pressupomos que o ensino de Física pode servir-se dessas mídias como forma de promover a aproximação entre as abordagens da sala-de-aula e as aplicações que estas encontram no cotidiano vivenciado pelos alunos. Desta forma, a pesquisa delineia-se em torno da proposta de utilização do Jornal Escolar no ensino de Física a nível médio, compreendendo que este instrumento se constitui como interface entre formação escolar e a leitura dos fenômenos socialmente compartilhados com os contornos da escola.
Tal proposta partiu da perspectiva de que, dentre os diversos determinantes que afetam o ensino de Física, figura a ausência de compreensão por parte de educadores das necessidades impostas pelo novo paradigma científico, que exige uma redefinição das formas de ensinar, na mediada em que pressupõe o encorajamento de educandos mais críticos e participativos no processo de aprender. Moraes (1997) explica que
- [...] Embora o Brasil tenha uma razoável produção teórica em educação, além de educadores internacionalmente reconhecidos, capazes de fundamentar um projeto pedagógico inovador, a concretização de um novo projeto educacional tem encontrado sérias dificuldades para se estabelecer, em virtudes de inúmeros problemas que se apresentam. Dentre eles, estão as dificuldades na transposição para a área social dos princípios decorrentes do novo paradigma científico, pois embora já fossem conhecidos desde a primeira metade deste século, muito pouco foi feito no sentido de encontrar uma prática educacional coerente com o modelo científico da atualidade. (MORAES, 1997. p. 83).
À guisa do que elucida a autora, o contexto entrevisto nos convida a uma reflexão em torno do ofício de ensinar, concebendo-o às vezes, como oportunidade de transformação da própria prática, num continuo movimento dialético, que se reflita na geração de novas experiências de aprendizagem por que passem os educandos, privilegiando habilidades e competências necessários não somente aos objetivos educacionais de uma disciplina isolada, mas ao próprio processo de formação humana e cidadã.
## Concepções de Ensino Escolar em face do novo paradigma
- O presente estudo delineia-se em função de promover uma metodologia alternativa para o ensino de Física, baseada no uso do Jornal Escolar, ao partir da compreensão da indissocialidade dessa disciplina com aspectos práticos do convívio social dos estudantes, além do reconhecimento da necessidade que têm esses sujeitos de leitura e escrita no âmbito das ciências da natureza. Tal proposta impelenos a reconhecer a escola como elemento pertencente a um contexto marcado por rupturas, onde torna-se possível pensar o ensino como uma ação que pode transcender as fronteiras do paradigma newtoniano/cartesiano, que têm dominado e norteado as ações educativas que se desenrolam no espaço escolar (MORAES, 1997; BEHRENS, 2011).
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Em Behrens (2011), compreendemos que o século XX caracterizou-se por ser fortemente influenciado pelo método cartesiano, que pressupunha o seccionamento do conhecimento em campos especializados, e levou o homem a uma visão fragmentada da realidade. Neste sentido, as múltiplas dimensões da existência humana passaram a ser marcadas pela divisão e especialização. No campo do trabalho, essa abordagem subsidiou a produção em massa, reduzindo a o homem a um elo mecânico da linha de montagem. Na realidade, podemos até mesmo nos enxergar como participantes e perpetuadores dessa visão de mundo, na medida em que nos especializamos em áreas de conteúdos concentrados, como Física, Química e Biologia, e vamos à sala-de-aula, expor conteúdos dessas disciplinas aos alunos, os quais são orientados a tomarem nota das aulas e reproduzirem-nas, através de sequencias de exercícios prescritos nos livros didáticos. '[...] A visão fragmentada levou os professores e os alunos a processos que se restringem à reprodução do conhecimento.' (BEHRENS, 2011, p. 23).
Por outra via, Lopes e Dulac (2007), referindo-se ao ensino de ciências ofertado na escola dentro desse contexto, elucidam que a abordagem comunicativa expressa através da linguagem escrita dos materiais didáticos, reproduzidas pelos professores, se distanciam da realidade dos educandos, e defendem que
[...]A ciência escolar deve possibilitar a ampliação da leitura de mundo, questionando e apresentando novas perspectivas para análise dos eventos que cercam os/as alunos/as (LOPES; DULAC, 2007, p. 41).
A partir das considerações anteriores, Behrens (2011) e Moraes (1997) elucidam que a escola precisa trilhar um novo caminho, alicerçado em uma nova concepção de ensino-aprendizagem. Segundo as autoras, esse novo paradigma, que denominam Emergente (ou da Complexidade), parte não mais da lógica positivista de conhecimento, mas da complexidade originada no advento da Física moderna, quando medidas antes tidas como absolutas tornaram-se relativizadas. Ao referenciar acontecimentos no campo científico que sinalizam para um enfraquecimento do paradigma cartesiano, Behrens (2011) menciona os estudos de Lamarck no limiar do século XIX, acerca da evolução dos seres vivos; o pensamento evolucionista de Charles Darwin; a teoria da relatividade de Albert Einstein e a teoria quântica, introduzida por Max Planck; o princípio da incerteza, de Heisenberg, dentre outros, que, segundo a autora, apontaram para a necessidade de um pensamento sistêmico dentro das ciências, considerando, agora, o relativismo que passa a ponderar a observação dos cientistas, que, por sua vez, já não podem se apoiar unicamente nas grandezas pilares da mecânica newtoniana, anteriormente tidos como absolutos, como a noção que se tinha do tempo.
Dessa forma, valorizando a transformação e movimento dialético entre diferentes formas de ver os fenômenos naturais e sociais, o Paradigma Emergente deriva do princípio segundo o qual a educação assume uma modelagem integradora, que leva em conta não somente os aspectos racionais que mediam a relação do aprendiz com um conhecimento científico dado e acabado, mas que estabelece inter-conexões com a intuição, afetividade, e os anseios que cada estudante, enquanto sujeito com personalidade e características próprias, traz acerca do mundo natural e das relações comunitárias que nele vivencia (MORAES, 1997),(BEHRENS, 2011).
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## A aprendizagem segundo Vygotsky e o Jornal Escolar
Para Vygotsky, na primeira infância, a aprendizagem se dá em estreita associação com o desenvolvimento de funções psicológicas ditas superiores, como a percepção, a memória, atenção, etc., e essa sincronia se estabelece deforma articulada com o convívio social do qual a criança participa. Neste processo de desenvolvimento, as ações espontâneas da criança são gradativamente moduladas e tornam-se mediadas pelo domínio da linguagem. Em relação a isso, o próprio teórico esclarece que
[...] A criança começa a perceber o mundo não somente através dos olhos, mas também através da fala. Como resultado, o imediatismo da percepção natural é suplantado por um processo complexo de mediação; a fala como tal torna-se parte essencial do desenvolvimento da criança (VYGOTSKY, 1998, p. 43).
Portanto, os objetos materiais e simbólicos, manifestos no mundo físico e em expressões e atitudes observáveis nas pessoas, adquirem significados por intermédio de uma relação que é mediada pela capacidade de desenvolver a linguagem. A mediação, assim, torna-se conceito essencial da teoria de Vygotsky, pois é, para ele, o processo por meio do qual o indivíduo se apropria dos significados associados aos objetos do conhecimento, que, por sua vez, se constituem como um conjunto simbólico/material de tudo o que é social e historicamente construído dentro da cultura onde o indivíduo se desenvolve . É na mediação - ou nas relações socialmente mediadas - que a criança incorpora e internaliza o conhecimento do mundo em sua estrutura cognitiva.
Neste ínterim, o manuseio da notícia, por meio do Jornal Escolar, construída a partir dos saberes internos e externos à sala de aula, abrangendo pautas que dialoguem com a realidade dos alunos, faz-se elemento mediador da aprendizagem, desconstruindo a noção de disciplinas - neste caso, a Física - isoladas, desconexas da realidade, e contribuindo para o estabelecimento de redes de saberes entre ela e os fenômenos naturais encontrados dentro e fora de escola. Este entendimento nos leva a considerar a Física uma construção social e histórica, cujas leis, princípios e teorias estão amplamente arraigados em um grande volume de áreas, como a engenharia, medicina, esportes, agricultura, dentre outras (TORÍBIO, 2012).
Podemos conceituar o Jornal Escolar como sendo todo trabalho desenvolvido dentro da escola por professores e alunos com vistas à produção de tiragens impressas ou digitais, periódicas ou não, que abordam temas de interesse coletivo e que estabeleçam ligação com os conteúdos do ensino, visando informar ao público da escola e contribuir para formação dos seus participantes (FREINET, 1974; GLÜBER, 2012; FARIA, 1996). A origem desta ferramenta didática remonta à França, nas primeiras décadas do século XX, sendo o educador francês Célestin Freinet (1896 - 1966) o pioneiro em seu uso. Em função disso, Freinet é comumente chamado 'pai do Jornal Escolar'. Sua então nova didática, ganhou visibilidade na França, quando, por volta da década de 1920, passou a incorporá-la na Educação Infantil. Suas práticas pedagógicas alinhavam-se aos princípios iluministas, e apresentavam claras inclinações socialistas, fruto das militâncias pelas causas operárias então em voga (CAVALCANTI, 2006).
Atualmente, a imprensa escolar justifica-se pela possibilidade de trabalhar escrita, leitura e conhecimento de mundo. Para Guedes e Souza (2007), '[...] Ler e escrever são responsabilidade da escola, questões para todas as áreas, uma vez
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que são habilidades indispensáveis para toda formação de um estudante, que é responsabilidade da escola. (GUEDES; SOUZA, 2007, p. 17).
## O jornal Telescópio: uma experiência com o ensino de Calorimetria
Durante o segundo bimestre letivo de 2017, quando trabalhamos a unidade didática correspondente ao conteúdo de calorimetria na turma de segundo ano do Ensino Médio do IFPI campus Cocal, propomos produzir um jornal em colaboração com os alunos. A unidade foi composta por 08 (oito) encontros, cada uma com duração de 100 (cem) minutos - ou duas aulas.
A metodologia consistiu em estabelecer subdivisões no conteúdo, ligando-as a temáticas - ou pautas de pesquisa - sobre as quais a turma, também subdividida em equipes, ficou responsável por levantar informações, por meio de pesquisa, bibliográfica e apuração em forma de reportagem. A turma, composta por 36 alunos, foi dividida em dois macro grupos: o primeiro, posteriormente subdividido em grupos menores, com cerca de 04 componentes, ficou responsável por pesquisar e escrever sobre os conceitos teóricos abordados durantes as aulas. O segundo, de modo análogo, incumbiu-se de explorar aplicações daqueles conceitos teóricos bordados pelo primeiro grupo. A cada subgrupo denominamos Equipe Editorial, e ao conjunto de pautas associadas, Núcleos. Os quadros 1 e 2 apresentam, respectivamente, estas equipes e as putas dos núcleos a elas relacionados.
Quadro 01. Organização das equipes editoriais para abordagem do núcleo 1 de matérias relativas a conceitos teóricos de calorimetria, no contexto do jornal Telescópio
Fonte: Autoria própria.
Quadro 02. Organização das equipes editoriais para abordagem do núcleo 2 de matérias relativas a conceitos práticos de calorimetria, no contexto do jornal Telescópio
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Fonte: autoria própria.
Na fase de planejamento da unidade, recorremos à literatura introdutória da área de jornalismo com vistas a nos apropriamos de conhecimentos básicos acerca da escrita dentro deste campo e ao compartilhamento destes com os discentes. Além das obras básicas acima, selecionamos 11 (onze) reportagens, publicadas em portais de notícias que versavam sobre pautas ligadas conhecimentos de calorimetria. As leituras coletivas ajudavam os alunos a familiarizarem-se com o estilo de escrita jornalístico.
## Principais achados
A operacionalização deste projeto foi possível por meio do fomento do trabalho em equipe, a partir da formação de grupos de trabalho, os quais denominamos equipes editoriais, que partilhavam tarefas e responsabilidades sobre segmentos do conteúdo lecionado. Desta forma, à medida em que avançávamos no conteúdo teórico da unidade, estas equipes de trabalho desenvolviam atividades de leitura, escrita e produção textual, tendo como fonte livros, revistas e sites, e, principalmente, a realidade no entorno da escola. Destacamos que neste momento a valorização da autonomia dos educandos como sujeitos capazes de transmitir conhecimento se fez presente, de modo que cada reportagem produzida para o jornal representou a organização do pensamento e a compreensão de mundo de seus autores.
Neste ponto, notamos em muitos momento que os alunos manifestavam dificuldades em expressar-se textualmente, não por ausência de domínio da Língua Portuguesa, mas por demonstrarem que não estavam habituados a produzir conteúdo, quanto mais no contexto de uma disciplina, muitas vezes esteriotipada pelo seu aspecto matemático. Todavia, à medidas em que os alunos retornavam, na semana seguinte, à sala-de-aula, para sanar dúvidas sobre qual seria a melhor forma de expressar uma ideia, iam progressivamente, desenvolvendo uma relação harmoniosa com o conteúdo ministrado. O diálogo com outras áreas do conhecimento pôde ser visualizado em muitos momentos, por exemplo, quando propusemos discutir o fenômeno dos microclimas urbanos fixando base na calorimetria, a partir da aplicação dos conceitos de calor específico e capacidade térmica.
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Temos, pois, presente que o processo de ensino-aprendizagem construído desta forma contribui não apenas para aquisição de dados isolados, mas possibilita a formação de toda uma rede de saberes interligados, que se constitui em conhecimento necessário à compreensão do mundo em sua complexidade.
A figura 01 apresenta a capa e a segunda página do periódico Telescópio, após o trabalho de diagramação. As matérias enunciadas se distribuem em um
Figura 01. D uas páginas iniciais do jornal Telescópio.
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volume de 22 páginas, como se pode analisar, apresentam uma visão muito particular dos alunos sobre como a Física está presente em seu dia-a-dia. A menção ao filtro de barro, um genuíno trocador de calor muito utilizado na região nordeste do país.
O jornal Telescópio, através do protagonismo assumido pelos alunos em sua construção, oportunizou uma mobilização coletiva em torno do compartilhamento de conhecimentos emanados, inicialmente, no contato com a sala-de-aula, com o professor, os quais, tornando-se objeto de investigação, passaram a fazer parte da base conceitual por meio da qual os alunos problematizaram, utilizando a escrita, temas de interesse coletivo, com saúde, tecnologia, energia solar, dentre outras.
## Considerações
A utilização desta metodologia em sala-de-aula proporcionou um contexto de aprendizagem diverso daquele com o qual os educandos estavam habituados, na medida em que a Física, marcada pelo estereótipo matemático, reforçado pelo visão paradigmática cartesiana, passou a ser explorada pelo campo da linguagem, numa perspectiva de informação e formação. Desta forma, o processo de ensinoaprendizagem extrapolou o perímetro da sala-de-aula, e envolveu os diversos
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espaços desta instituição, nos quais e para os quais os sujeitos compartilharam sua aprendizagem em Física, por meio da discussão de situações reais e teóricas, através de textos informativos.
## Referências
ARAUJO, Sidney Maia do; SCHIMIGUEL, Juliano. Possibilidades do uso de dispositivos móveis para atividades de aprendizagem no ensino médio integrado a educação profissional. Anais do Encontro de Produção Discente PUCSP/Cruzeiro do Sul. São Paulo. p. 1-11. 2014. Disponível em:http://revistapos.cruzeirodosul.edu.br/index.php/epd/issue/view/44/showToc. Acesso em: 16/10/2016 às 17:00
BEHRENS, Marilda Aparecida. O paradigma emergente e a prática pedagógica. Petrópolis, RJ: 6. Ed. Vozes, 2013.
CAVALCANTI, Eduardo Gurgel. Pedagogia Freinet: Mediação para o Social, o Político, a Formação de Professores. 2006. 278f. Tese de doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN.
FARIA, Maria Alice Oliveira de. Como usar o jornal na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1996
FERREIRA, Rubens Silva da. A Sociedade da informação no Brasil: um ensaio sobre os desafios do estado. Revista Ciência da Informação. Brasília, v. 32, n. 1, p. 36-41, jan./abr. 2003.
FREINET, C. O jornal escolar. Lisboa: Editorial Estampa, 1974.
GLÜBER, Luiz Carlos. A utilização do jornal como um importante recurso pedagógico nas escolas. 2012. 82f. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Santa Catarina.
GUEDES, P. C.; SOUSA, J. M. Leitura e escrita são tarefas da escola e não só do professor de português. In: NEVES, et al. Orgs. Ler e escrever: um compromisso de todas as áreas. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2007. p. 17 - 22.
LOPES, C. V. Machado; DULAC, E. B. Ferreira. Ideias e palavras na/da ciência ou leitura e escrita: o que a ciência tem a ver com isso? In: NEVES, et al. Orgs. Ler e escrever: um compromisso de todas as áreas. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2007. p. 39 - 46.
MORAES, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. Campinas, SP: Papirus, 1997).
SCHMIEDECKE, Winston Gomes; PORTO, Paulo Alves. A história da ciência e a divulgação científica na TV: subsídios teóricos para uma abordagem crítica dessa aproximação no ensino de ciências. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências Vol. 15, nº 3. Belo Horizonte, 2015.
TORIBIO, Alan Miguel Velásquez. História da Física. Vitória, ES. Núcleo de Educação aberta e a Distância, 2012.
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