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O QUE PENSAM PROFESSORES E ALUNOS A RESPEITO DA INSERÇÃO DA FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA NO ENSINO MÉDIO

Mônica Bordim Sanches, Marcos Cesar Danhoni Neves

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XII
Ano
2010
Data
27/10/2010
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O QUE PENSAM PROFESSORES E ALUNOS A RESPEITO DA INSERÇÃO DA FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA NO ENSINO MÉDIO

## THE REASONING OF TEACHERS AND STUDENTS ABOUT THE INSERTION OF MODERN AND CONTEMPORARY PHYSICS IN THE SECONDARY EDUCATION

## Mônica Bordim Sanches 1 , Marcos Cesar Danhoni Neves 2

1 UEM/Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência e a Matemática, monicafisica@yahoo.com.br

2 UEM/Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência e a Matemática, macedane@yahoo.com

## Resumo

Embasados no pressuposto de que o currículo de Física do Ensino Médio precisa passar por uma revisão, inserindo nele tópicos de FMC (Física Moderna e Contemporânea), surgiu o interesse em explorar, junto a professores e alunos, o que está acontecendo nas aulas de Física para que fosse elaborada uma idéia mais ampla da cotidianeidade escolar. Para tanto, realizamos uma pesquisa em três escolas Estaduais da Região Noroeste do Paraná, investigando professores e alunos, no sentido de fim de avaliar quais suas concepções e incertezas sobre o tema de interesse da presente pesquisa. Para a investigação foram utilizados dois questionários: um para os professores e outro para os alunos a respeito de diferentes tópicos que compõem essa complexa temática. Os dados foram analisados a partir de técnicas de Análise de Conteúdo. A investigação buscou identificar as opiniões de professores a respeito da FMC: se eles estão preparados para ensinar estes tópicos; se existe alguma abordagem destes, mesmo que mínima em sala de aula, e possíveis sugestões a respeito de como a inserir a FMC nos currículos de Física do Ensino Médio. Em relação aos alunos, levantamos qual a constelação de crenças que os animam. Averiguamos ainda se os mesmos reconhecem a diferença entre Física Clássica e Física Moderna, detectando, ainda, se existe um interesse genuíno na inserção de FMC no currículo de Física. Foram mapeados ainda o status conceitual de alguns tópicos de FMC, como: efeito fotoelétrico, radioatividade, dualidade onda-partícula, fissão e fusão nuclear, origem do universo, teoria da relatividade, raios X, laser, supercondutores e semicondutores.

Palavras -chave: Física Moderna e Contemporânea, processo ensinoaprendizagem, Ensino Médio.

## Abstract

The curriculum of Physics must to be improved at the secondary education, including with the insertion of topics concerned Modern and Contemporary Physics (MCP). So, we investigated, with teachers and students, what is happening in the classes of Physics for have a broader idea of the daily activities in the schools. We

developed a research in three schools in the Northwest Region of Paraná, investigating teachers and students. In order to know what their views, responses and deficiencies on the topic of interest to this research. For research we used two questionnaires: one for teachers and another for students about different topics that make up this complex issue. Data have been analyzed by Content Analysis techniques. The inquiry sought to identify the opinions of teachers about MCP, if they are prepared for teach these topics in classroom, if there is any approach to these topics, even if minimal, classroom and possible suggestion to insert Modern and Contemporary Physics in the curriculums of Physics at secondary education. Regarding the students, we intended to evaluate the constellation of beliefs of them, We intend to see whether they recognize the difference between Classical Physics, Contemporary Physics and Modern Physics, and to detect some interests on the topics of Modern and Contemporary Physics, and to map the status of some important concepts and phenomena, as the photoelectric effect, radioactivity, wave-particle duality, fission and nuclear fusion, the origin of the universe, relativity theory, X-rays, lasers, superconductors and semiconductors and other matters relating to Modern and Contemporary Physics.

Keywords: Modern and Contemporary Physics, secondary education, teaching-learning process

## Introdução

A Física é uma das ciências que investiga, por excelência, a natureza dos fenômenos da natureza e, além do seu próprio campo de pesquisa, ela age como ciência transversalizadora para outras áreas como a Química, a Astronomia, a Geografia e a Biologia. Ela é um dos mais claros exemplos da construção do conhecimento humano. Assim, nada mais natural em pensar-se na democratização e na acessibilidade de todo cidadão a uma visão de mundo moderna e contemporânea. No entanto, quando se dá o início formal do processo de ensinoaprendizagem no ensino de nível médio, a escola encontra-se despreparada para propiciar ao estudante estímulos que o levem não somente à construção de uma nova concepção de mundo como, também, e, sobretudo, a uma ciência que possa ser empregada em sua vida cotidiana.

Dessa forma, é necessário pensar o currículo do Ensino Médio como a peçachave para que o aluno se torne um cidadão pleno, consciente e participativo na sociedade. No entanto, quando analisamos o currículo de nível médio, observamos que esse papel não tem sido cumprido a contento. Não é difícil constatar que o ensino secundário, principalmente o da rede pública, encontra-se em situação alarmante (OSTERMANN, 1999a). A situação, hoje, na educação pública brasileira demonstra que os professores possuem uma formação deficiente e, conseqüentemente, os alunos não consolidam uma base suficiente para a construção não somente do conhecimento da Física, mas do conhecimento como uma trama interdisciplinar e doadora de significados ao mundo que os rodeia.

Em razão desses problemas, desde a década de 70, pesquisas na área de ensino de Física vêm sendo realizadas com o objetivo de promover mudanças

curriculares, como a inserção da História da Ciência 1 , da Física Moderna 2 e discussões acerca da Ciência, Tecnologia e Sociedade 3 no Ensino Médio. Essas pesquisas propõem, em última instância, a renovação e reformulação dos conteúdos existentes nos programas tradicionais da Física na escola.

Tópicos de Física Moderna e Contemporânea 4 [daqui por diante, FMC], não são contemplados nos deficientes currículos de Ensino Médio. (SANCHES et al. , 2005, 2006). Os tópicos parcamente abordados no nível médio são aqueles relativos à Física Clássica 5 . Dessa forma, toda a Física desenvolvida a partir do final do século XIX está excluída do Ensino Médio, restringindo sobremaneira a compreensão do mundo em que vivemos, anacronizando-o num certo sentido, pois a revolução desencadeada pela Física Moderna atingiu, por exemplo, as concepções de espaço, tempo, massa, inércia e energia, o entendimento quanto à estrutura do átomo e a compreensão sobre a própria origem e evolução do Universo. Com base em seus princípios, surgiram tecnologias cuja importância se destaca no dia -a-dia, tais como o transistor, essencial nos computadores; o laser, utilizado nas telecomunicações e em tratamentos médicos; as usinas nucleares, com seus benefícios e riscos associados etc.

Entretanto, apesar do quadro aparentemente desalentador, várias e importantes pesquisas foram desenvolvidas propugnando a atualização curricular da Física no Ensino Médio, em nível nacional e internacional, a fim de inserir tópicos de Física Moderna e Contemporânea (CAVALCANTE; BENEDETTO, 1999; CAVALCANTE; JARDIM; OSTERMANN; MOREIRA, 1999; OSTERMANN, 1999; GIL et al., 1988 apud d Ostermann, 1999a; OSTERMANN; MOREIRA, 2000; DE PAULO, MOREIRA, 2005; MACHADO, 2006).

É importante salientar as abordagens didáticas -experimentais sobre a FMC, especialmente Park et al l (2001), Hobson (2001), Lawrence (2001), Pospiech (2001), Michelini et al l (2001), Pesa et al (2001). No Brasil, digno de nota são as atividades de introdução da FMC, especialmente presentes nos trabalhos de Capria (2005) e Albanese e Cicognetti (2005). Estes trabalhos buscam na história da Física Moderna e Contemporânea, na experimentação envolvendo novas tecnologias (experimentos de baixo custo) e na interdisciplinaridade, uma linha de ação motivadora que preencha os gaps s de formação e informação sobre a FMC.

Em alguns países, o currículo secundário já sofreu mudanças. De acordo com Ostermann (1999a) "em vários países desenvolvidos já foi superada a etapa de 'levantamento de justificativas' para a inserção da FMC e seus sistemas escolares contemplam nos currículos, quase sem exceção, o tratamento de tópicos modernos".

Segundo Canato Jr. (2003), a Inglaterra e alguns países do Reino Unido sofreram, em 2000, mudanças curriculares nas quais a FMC aparece como parte fundamental. No Brasil, no entanto, o processo é mais lento , mas já existem algumas iniciativas, no Ceará, por exemplo, "em virtude da introdução dos conteúdos de Física Moderna no vestibular da Universidade Federal do Ceará (UFC), muitos colégios da cidade estão tentando se adaptar à nova realidade" (NOBRE et al). Na cidade de Salvador , Bahia, também foi feito uma experiência em um colégio, introduzindo tópicos de FMC nas salas de aula de Ensino Médio no ano de 1994, e segundo os autores (CARVALHO NETO et al, 1999, p. 53), os alunos expostos a esta modificação melhoraram sua compreensão da própria Física Clássica .

Segundo Terrazan (1994 apud ALVETTI, p. 37) quatro grandes projetos brasileiros podem ser citados como precursores nacionais da introdução de conceitos modernos da física, são eles o PEF, Projeto de Ensino de Física, o PBEF , Projeto Brasileiro de Ensino de Física, o FAI, Física Auto-Instrutiva, e mais recentemente o GREF, Grupo de Reelaboração do Ensino de Física.

A LDB de 1996, por exemplo, já definia que "a compreensão dos fundamentos científico -tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina" (LDB, artigo 35, inciso IV), deveria ser uma das finalidades do Ensino Médio no país, que deveria ser organizado de forma que, em sua conclusão, o educando demonstrasse, entre outros aspectos, o "domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna" (LDB, artigo 36, § 1º, inciso I).

Em suas propostas, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) ressaltam a importância de renovar os currículos escolares, pois "para o Ensino Médio meramente propedêutico atual, disciplinas científicas, como a Física, têm omitido os desenvolvimentos realizados durante o século XX e tratam de maneira enciclopédica e excessivamente dedutiva os conteúdos tradicionais" (BRASIL, 1999, p. 209).

O documento defende um ensino que traga para a sala de aula idéias atuais e capazes de contribuir para a formação abrangente do estudante, permitindo-lhe compreender princípios básicos da Ciência e habilitando-o a participar de debates envolvendo questões científicas e tecnológicas que repercutam na sociedade e no ambiente.

Assim, embasados no pressuposto de que o currículo de Física do Ensino Médio precisa passar por uma revisão, inserindo nele tópicos de FMC, surgiu o interesse em explorar, junto a professores e alunos, o que está acontecendo nas aulas de Física para se ter uma idéia mais ampla da cotidianeidade escolar e de suas contingências.

Para tanto, realizamos uma pesquisa em três escolas Estaduais da Região Noroeste do Paraná, investigando professores e alunos, a fim de saber quais suas concepções, respostas e deficiências sobre o tema de interesse da presente pesquisa. A investigação buscou identificar as opiniões de professores a respeito da FMC, se eles estão preparados para ensinar estes tópicos, se existe alguma abordagem desses tópicos, mesmo que mínima, em sala de aula, e possíveis sugestões apresentadas por eles a respeito de como a inserção da FMC poderia ser efetuada nos currículos de Física do Ensino Médio.

Em relação aos alunos, buscamos levantar qual constelação de crenças que os animam. Pretendemos averiguar se os mesmos reconhecem a diferença

entre a Física Clássica e a Física Moderna, e detectar, ainda, se há interesse por parte dos alunos em inserir FMC no currículo de Física, além de mapear o status conceitual de tópicos como efeito fotoelétrico, radioatividade, dualidade ondapartícula, fissão e fusão nuclear, origem do universo, teoria da relatividade, raios X, laser, supercondutores e semicondutores.

A pesquisa se classificou como qualitativa e adotou como instrumento no processo investigativo, questionários que foram aplicados a professores a alunos. A análise e a discussão foram apoiadas nas orientações qualitativas de pesquisa sugeridas por Lüdke e André (1986) e de técnicas de 'Análise de Conteúdo' definidas por Bardin (1977).

## O pensamento dos professores a respeito da inserção da Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio

Participaram desse estudo seis 6 professores de Física do Ensino Médio, três homens e duas mulheres, sendo todos da rede pública de ensino da região noroeste do Paraná, numa faixa etária entre 24 e 50 anos e tempo de magistério entre 9 meses e 15 anos. A coleta de dados foi feita por meio de um questionário, que foi entregue a cada professor e recolhido assim que os mesmos concluíram suas respostas. O questionário foi composto pelas seguintes questões:

1 -Qual sua formação, o ano e o local onde se formou? Possui formação pósgraduada? Qual ano e local? Há quanto tempo você atua como professor do Ensino Médio? Qual sua carga horária semanal, nesta escola? O que você acha da inserção da Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio? Você se encontra preparado para ensinar Física Moderna e Contemporânea para seus alunos? Por quê? Quais as vantagens e desvantagens de se ensinar Física Moderna e Contemporânea para seus alunos de Ensino Médio? Você aborda algum tema de Física Moderna e Contemporânea em sala de aula? Sua escola possui laboratório de física? Se sim em quais condições? Qual o livro didático que você usa em sala de aula? Esse livro aborda tópicos de Física Moderna e Contemporânea? Se sim o que você acha do tratamento dado pelo autor? Seus alunos levantam questionamento sobre temas de Física Moderna ou Contemporânea em sala de aula? Quais outras possíveis fontes de informações que os alunos poderiam estar acessando sobre Física Moderna ou Contemporânea? Você acha que seus alunos se interessariam por temas, como a teoria da relatividade, a origem do universo, entre outros? Você acha que é possível ensinar tópicos de Física Moderna e Contemporânea no ensino médio? Se sim, de que forma? Se a Física Moderna e Contemporânea fosse inserida no Ensino Médio, quais sugestões você teria para essa inserção? Por meio das respostas a essas questões podemos retirar as seguintes observações.

Dois dos professores entrevistados tem formação em Matemática, dois em ciências, um com habilitação em Física e o outro com habilitação em Matemática. Apenas um dos professores tinha formação em Física.

Todos os entrevistados concordavam com a inserção da FMC no ensino de nível médio. De acordo com a análise das respostas, observamos que os professores estão preocupados com a defasagem que sofre o ensino de Física em

relação aos tópicos ensinados. Tópicos de Física importantes desenvolvidos no século XX estão sendo omitidos dos currículos de Ensino Médio, e os professores concordam que a falta desses tópicos nos currículos está prejudicando o ensino aprendizagem dos estudantes.

Apesar de a maioria dos professores responderem que não se sentem preparados para abordar tópicos de FMC em sala de aula, quatro dos cinco entrevistados disseram que, quando possível, tentam discorrer sobre o assunto com seus alunos, mesmo que muito pouco. Tentam contextualizar a FMC com a Física Clássica ou relacioná -la com a História da Física. Isso prova que existe um certo interesse por parte dos professores na inserção desses tópicos no Ensino Médio.

Conforme o relato dos professores, as três escolas possuem laboratório de Física, mas incompletos (experimentos do tipo "caixas Bender"), faltando vários equipamentos necessários para a execução de alguns experimentos.

Dois professores disseram abordar o livro de Bonjorno (2001) e um disse trabalhar com os exercícios desse mesmo livro. De acordo com a análise de livros feita por Sanches (2006), esse livro não faz referência alguma a qualquer tópico de FMC.

As duas últimas questões do questionário tinham como objetivo identificar quais as possíveis sugestões os professores têm para a inserção da FMC no Ensino Médio. E, como pudemos analisar, nessas respostas, os professores apontaram algumas dificuldades em abordar tópicos de FMC nas escolas de Ensino Médio, tais como: o pouco tempo para ministrar tais conceitos, pois a carga horária dedicada à Física é muito reduzida, sendo de duas, ou menos freqüentemente, três aulas semanais; a falta de capacitação dos professores;o exame vestibular para ingresso nas universidades que, na maioria das vezes, não cobram tópicos de FMC. Assim, as escolas se limitam a ensinar somente os assuntos exigidos nesses exames 7 ; alguns conceitos de FMC são difíceis e abstratos, gerando dificuldade no entendimento dos alunos; livros didáticos desatualizados e com poucos tópicos referentes à FMC.

## O conhecimento que os alunos apresentam sobre tópicos de Física Moderna e Contemporânea

Utilizamos como instrumento para levantamento de idéias que os alunos têm sobre FMC um questionário aberto, envolvendo seis questões. Esse questionário foi respondido por 47 alunos matriculados no terceiro ano do Ensino Médio de escolas públicas, de ambos os sexos, na faixa etária entre 16 e 20 anos.

A aplicação do questionário se deu durante uma aula 8 de 50 minutos, na escola em que os alunos estudavam, para evitar que as respostas tivessem algum tipo de interferência. O questionário continha as seguintes questões:

- 1 -Você sabe qual a diferença entre a Física Moderna e a Física Clássica? Em suas aulas de Física, o professor aborda questões sobre a Física Moderna ou

Contemporânea na sala de aula? Qual sua principal fonte de informações sobre Física Moderna e Contemporânea? Você gostaria que temas como teoria da relatividade, a origem do universo, a astrofísica, fossem ensinados na disciplina de Física? O que você acha das suas aulas de Física? O que você sabe sobre: a) Efeito fotoelétrico; b) Radioatividade; c) Dualidade onda-partícula; d) Fissão e fusão nuclear; e) Teoria da relatividade; f) Raios X; g) Semicondutores e Supercondutores; h) Laser; i) Big Bang; j) Fibras ópticas.

Por meio dessas questões apresentamos as seguintes observações.

Nenhum dos estudantes entrevistados conseguiu estabelecer a diferença entre a Física Clássica e a Física Moderna. A maioria deles (78,3%), respondeu que não sabia o que era Física Clássica, Física Moderna e Física Contemporânea, enquanto 10,8% mostraram uma grande confusão conceitual sobre o tema.

Por meio das respostas obtidas podemos concluir que os alunos encontramse, a partir de toda metodologia/filosofia que permeiam os conteúdos, livros-textos e ações didáticas em sala de aula, incapazes de reconhecer que a Física que eles estudam é a Física Clássica. Para esses alunos, a Física é dividida e formada somen te por áreas como a Mecânica, a Termologia, a Óptica, a Ondulatória, a Eletricidade e o Magnetismo. Em síntese, para a maioria dos alunos a Física abarca apenas esses conteúdos. Dessa forma os entrevistados revelaram não ter condições de afirmar se o professor aborda tópicos de Física Moderna ou não. Por essa razão, encontramos uma certa diversidade nas respostas. A maioria dos estudantes (59,6%) afirmou que o professor não aborda FMC em sala de aula, mas 23,4% deles demonstraram confusão sobre o que realmente são tópicos de FMC, alegando que esse tipo de conteúdo é trabalhado em sala de aula.

Pelos dados obtidos na questão de numero três, novamente, observamos a confusão que os alunos apresentam em relação a essa parte da Física, pois afirmam, na primeira questão, que não sabem o que é Física Moderna e Física Contemporânea, enquanto, nessa questão, 42,6% dos entrevistados dizem ter informação sobre FMC de algum lugar, como livros, internet, professor, entre outros, ou seja, se eles afirmam não saber do que se trata FMC, como poderiam afirmar ter informações sobre esses tópicos?

Na questão de número 4 a maioria dos alunos se interessa por esses temas, totalizando 85,3% dos entrevistados. Nessa questão, alguns alunos aproveitaram para desabafar suas insatisfações com relação ao ensino, que está valorizando excessivamente a aplicação de fórmulas. Além disso, está ultrapassado em relação aos avanços científicos e tecnológicos, omitindo conceitos importantes de Física Moderna e até mesmo de Física Clássica. Assim, os alunos estão saindo do Ensino Médio, treinados apenas para resolverem questões matemáticas, mas sem uma formação adequada de conceitos da Física que poderia oferecer-lhes uma compreensão mais apurada da realidade que os cerca.

Quanto àqueles que responderam que não gostariam de aprender sobre esses tópicos, concluímos que este tipo de afirmação é, também, reflexo de um ensino defasado, que não estimula a curiosidade do aluno, e que acaba tornando a experiência de sala de aula num cotidiano pesado, monótono e a-criativo. Essa questão aparece mais claramente no próximo quadro.

Fica claro, portanto, que muitos alunos estão insatisfeitos com suas aulas de Física, apesar de a maioria enquadrar suas aulas como boas (55,4%). Encontramos

muitas reclamações nas respostas: uns reclamam que "o professor explica mal", outros dizem que as "aulas são chatas" e o rendimento é muito pequeno, ou seja, levando em consideração a situação em que se encontra o ensino, é evidente que grande parte dos alunos não poderiam estar satisfeito com a forma e o conteúdo que são abordados em sala de aula. Por meio do contato mantido com os alunos durante o desenvolvimento da pesquisa, foi possível observar que o desinteresse dos alunos está diretamente implicado numa irremediável perda de controle da situação ensinoaprendizagem, sacrificando o interesse e a construção do conhecimento físico.

Essa situação deixa ainda mais evidente que o ensino de Física precisa, urgentemente, passar por uma revisão, e o currículo da disciplina é o primeiro passo para essa mudança. Os egressos do Ensino Médio transformaram-se em meros aplicadores de fórmulas matemáticas e solucionadores de problemas padronizados e não reveladores da essência física do mundo. Não se divisa aí uma nova visão de mundo.

Na questão seis, averiguamos o estado d'arte dos conhecimentos prováveis dos alunos sobre alguns tópicos de FMC. Verificamos ainda, considerando a quase total ausência de FMC, se os alunos conhecem algum de seus conteúdos, uma vez que esses tópicos são divulgados em revistas, TV, internet, enfim, na cotidianeidade da vida. Porém, pelos resultados obtidos, os alunos não mostraram-se aptos a responder a maioria das questões.

Conforme constatamos, os alunos apresentam quadros conceituais bastante confusos sobre FMC. A maioria deles responde diretamente que não conhece o assunto; e somente alguns poucos arriscaram determinados tipos de resposta, mas, na maioria das vezes, foram respostas consideradas como conceitualmente erradas ou confusas.

## Conclusão

Pelos resultados obtidos com os professores, usando a Análise de Conteúdo como método, conseguimos extrair as seguintes conclusões:

- ß Todos os professores entrevistados concordam com a inserção da FMC no Ensino Médio.
- ß Apenas um dos seis professores ouvidos afirmou estar preparado para ensinar FMC a seus alunos; o restante demonstrou insegurança em abordar esses tópicos em sala de aula, provavelmente devido à formação inadequada nas suas respectivas licenciaturas.
- ß A maioria dos docentes afirmou que, raramente, comentam algo sobre tópicos da Física moderna em sala de aula.
- ß Grande parte dos professores adota o livro de Bonjorno et al l (2001), na preparação de suas aulas. Como verificamos, por meio da análise dos livros didáticos, esse livro não faz nenhuma referência à FMC.
- ß Os professores também apontaram, em suas respostas, alguns obstáculos para a inclusão da FMC no Ensino de nível médio, tais como: falta de capacitação, por parte dos professores, para ministrar tópicos desse gênero em sala de aula; a carga horária dedicada às aulas de Física é muito reduzida: geralmente duas horas/aulas semanais; crítica aos concursos vestibulares por serem definidores, hoje, dos conteúdos praticados no Ensino Médio numa deformação clara do processo de

ensino -aprendizagem que acarreta a exclusão de tópicos de FMC em suas provas; livros didáticos desatualizados e meramente algoritmizados; tópicos que exigem uma matemática mais avançada, podendo dificultar o aprendizado do aluno; dificuldade em compreender e definir experimentos didáticos para a introdução de tópicos de FMC.

Os docentes também sugeriram algumas formas de como a abordagem da FMC poderia ser realizada em conjunto com a Física Clássica numa mesma programação. A principal sugestão foi ministrar tópicos clássicos e modernos juntos, sem a divisão que, freqüentemente, encontramos nos livros didáticos. Nestes, todos os tópicos de Física Clássica aparecem nos primeiros capítulos e a FMC no final do último capítulo e, muito frequentemente, no livro dedicado ao 3º ano do Ensino Médio.

Verificamos, pois, que os professores de Ensino Médio, apesar de não estarem preparados para abordar a FMC em sala de aula, concordam que o currículo de Física precisa passar por uma revisão profunda, inserindo não somente tópicos novos, mas, sobretudo, estratégias de capacitação docente, de valorização do saber qualitativo, inexistentes, hoje, no horizonte escolar.

Os docentes também demonstraram que o estado em que se encontra o ensino de Física impede a abordagem de tópicos de FMC no Ensino Médio, pois a carga horária atual e todo um sem-número de problemas citados pelos professores inviabilizam qualquer proposta nesse sentido.

Portanto, seja qual for a proposta elaborada para a questão da FMC, o que parece óbvio é que a inserção de tópicos de Física Moderna e Contemporânea no currículo do Ensino Médio exige uma reelaboração total do currículo de Física que não prime somente pela inserção de novos textos, mas sobretudo, por uma visão mais ampla, inserindo temas de forma dinâmica, qualitativa, unindo passado, presente e futuro e por uma contextualização das idéias do passado no presente imediato.

O PNLEM (Plano Nacional do Livro Didático de Ensino Médio) de 2007 e a política governamental para uma escolha com mais critérios de livros didáticos é um ponto de partida importante, porém, insuficiente. A formação de licenciandos com qualidade é urgente. A busca de um viés de formação interdisciplinar é necessário, assim como uma mudança (que já está ocorrendo) nos processos de admissão de alunos nas graduações formadoras. Na Europa existem atividades de formação que estão sendo aceleradamente implantadas para a inserção da FMC (PINTO, R.; SURINACH, S., 2001).

Através da inquirição dos alunos, conseguimos confirmar, mais uma vez, a hipótese de que o ensino atual não estimula a curiosidade. De forma exatamente oposta, o ensino está afastando o estudante do aprendizado da Física. Podemos depreender isso pelas conclusões extraídas do conjunto de respostas elaboradas pelos discentes: todos os estudantes entrevistados não conseguiram estabelecer diferenças entre a Física Clássica da Física Moderna e Contemporânea; muitos se queixaram de suas aulas de Física, do excesso de cálculo, da falta de aulas práticas, da falta de conceitos para entenderem melhor os conteúdos da disciplina; demonstraram um quadro conceitual bastante confuso relativo aos temas sobre FMC.

Resumindo, os alunos estão completamente afastados do mundo da ciência. Por meio dos resultados obtidos, podemos concluir que a estrutura atual de ensino representada, principalmente, pelos currículos, pelas escolas de formação de professores e pelos livros didáticos não permite ao aluno conhecer novas e velhas tecnologias, descontextualiza descobertas e construções científicas, limitando-se a um monocórdico processo de repetição, treinamento e [quase] nenhuma formação.

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