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ATIVIDADES INCLUSIVAS NO ENSINO DE CIÊNCIAS: PERCEBENDO A DISTÂNCIA TERRA-LUA POR MEIO DE UM MATERIAL TÁTIL-VISUAL

Suzi Mara Rossini, Eder Pires De Camargo, Fábio Matos Rodrigues

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ATIVIDADES INCLUSIVAS NO ENSINO DE CIÊNCIAS: PERCEBENDO A DISTÂNCIA TERRA-LUA POR MEIO DE UM MATERIAL TÁTIL-VISUAL

*Suzi Mara Rossini 1 , Eder Pires de Camargo 2 , Fábio Matos Rodrigues 3

1 Universidade Metropolitana de Santos/Docente do Colégio São José - IASCJ/Bauru, e-mail: suzi.mara1967@yahoo.com.br

- 2 Universidade Estadual Paulista 'Júlio Mesquita Filho', Campus Ilha Solteira, Docente do curso de Física e do Programa de Pós-Graduação em Educação para as Ciências e-mail: camargoep@dfq.feis.unesp.br
- 3 Universidade Estadual Paulista 'Júlio Mesquita Filho', Campus Bauru, Discente do Programa de Pós-Graduação em

Educação para as Ciências, e-mail: rodriguesfm.unesp@gmail.com

## Resumo

O ensino de Ciências no contexto escolar inclusivo, tem se tornado um desafio. A proposta que leva em conta a diversidade direciona os professores a buscarem meios de socializar conhecimentos, de maneira a atingirem o maior número de estudantes possível, levando-os a refletirem acerca dos fenômenos estudados. Dentro dessa premissa os professores ao abordarem temas científicos relacionados com a Astronomia, geralmente apresentam dificuldades por não possuírem formação básica sobre os assuntos, principalmente quando estes estão associados as enormes escalas do Universo. Além disso, outra lacuna aparece também relacionada a sua formação concernente a ações metodológicas, visto que os mesmos sentem dificuldade em conduzir estudos com estudantes que apresentem alguma deficiência. Nesse sentido, apresentamos neste trabalho uma forma tátil-visual para se abordar a proporção entre a distância entre a Terra e a Lua. Utilizando materiais de baixo custo e a redução de escala de 1: 800 000 000, confeccionamos essa distância em forma de maquete. Para isso foram utilizadas folhas de jornal, cola, água, pincel, tintas acrílicas, uma esfera de isopor, uma bola plástica, um barbante e massa de biscuit. Esperamos que a confecção desse material possa contribuir para o acesso de todos os estudantes, com ou sem deficiência visual, os conceitos astronômicos mencionados.

Palavras-chave : Distância Terra-Lua. Astronomia. Deficiência visual.

## O ensino de temas astronômicos e os deficientes visuais

Não se pode negar que o ensino de temas astronômicos ainda é pensado de maneira paradoxal, quando se considera estudantes com deficiência visual em sala de aula. Nesse sentido, considerando o cenário educacional, a visão ainda desempenha um papel mais importante que os outros sentidos e, ao considerar os temas científicos, frequentemente os professores recorrem a esse sentido específico, homogeneizando a sala de aula segundo esse parâmetro. Tratando-se da aprendizagem no ensino de Ciências, a visão ainda é considerada por muitos professores como fundamental para a compreensão, sem a qual não se pode desenvolver atividades de cunho representativo em sala de aula.

Aliada a essa dificuldade vinda de sua formação, os professores que atuam no Ensino Fundamental tendem a não abordar temas de Astronomia, por não terem experiencias em suas formações iniciais (BARROS, 1997; BRETONES, 1999; LANGHI, 2004; BRETONES, 2008; TREVISAN e QUEIROZ, 2009; LANGHI, 2009;

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GAMA e HENRIQUE 2010; RODRIGUES, 2016). E, considerando deficientes visuais no mesmo contexto de sala de aula, a sua presença pode implicar em mais um argumento que reforça a escolha dos professores em não considerar a Astronomia nas aulas de Ciências, visto que documentos oficiais apresentam indicações das quais a visão torna-se privilegiada nas atividades propostas. A exemplo de atividade, os PNC sugerem em Brasil (1998, p. 95) que haja:

Identificação, mediante observação direta, de algumas constelações, estrelas e planetas recorrentes no céu do hemisfério Sul durante o ano, compreendendo que os corpos celestes vistos no céu estão a diferentes distâncias da Terra, (...) estabelecimento de relação entre os diferentes períodos iluminados de um dia e as estações do ano, mediante observação direta local e interpretação de informações deste fato nas diferentes regiões terrestres, para compreensão do modelo heliocêntrico.

Semelhantes sugestões encontram-se no BNCC recentemente publicado, onde algumas atividades induzem os leitores a refletirem que os fenômenos astronômicos só podem ser compreendidos pela percepção visual. A exemplo dessa afirmação destaca-se uma atividade de associação entre outras atividades onde, em Brasil (2018, p. 30), cujo objetivo é 'Descrever as posições do Sol em diversos horários do dia e associá-las ao tamanho da sombra projetada...'. Sendo esta apenas uma entre outras sugestões de atividades compreende-se que as mesmas podem levar os professores a admitirem que a compreensão de um conceito está associada aos estímulos visuais.

Contrapondo a essa ideologia acerca do ensino de temas científicos, Camargo (2008) argumenta sobre a possível quebra da relação estabelecida entre conhecer fenômenos e ver tais fenômenos. Em atuais estudos científicos, conhecese o comportamento teórico de um fenômeno, porém devida as condições em que os mesmos se aplicam (como escalas por exemplo), estes não podem ser visualizados, a saber, a existência de átomos e partículas cada vez menores ou buracos negros. Da mesma forma visualiza-se galáxias espirais do tipo barradas, porém ainda se especula a existência de seu formato, o que ainda é pauta de discussão no ramo da Astrofísica.

Entretanto, existem esforços de professores pesquisadores que, sensíveis a essa realidade da presença de estudantes com deficiência visual em sala de aula, repensam suas práticas e elaboram materiais para auxiliar em suas metodologias e que podem ser replicados em outros contextos. Dentre eles, o trabalho de Steffani e Zanatta (2011) traz o tema fases da Lua, onde os mesmos replicaram as características da superfície lunar, utilizando objetos em cerâmica e para facilitar a percepção tátil utilizou tinta texturizada sobre a Lua. Já o trabalho de Gomes e Myahara (2014) apresenta o estudo de supernovas e seus tipos, elaborando materiais em 3D em texturas diferentes.

Outro trabalho interessante que não somente aborda materiais táteis foi escrito por Silva, Faria e Diniz (2011), que num museu de Astronomia, exibiram de forma tátil: planetas em tamanho para toque, sistema solar estações do ano, constelações, com materiais texturizados. Portanto, a elaboração e valorização desses recursos é de suma importância, dada a necessidade emergencial, visto que no que se refere a pesquisas sobre a educação científica em Astronomia para os deficientes visuais, percebe-se pouca expressão em pesquisas a nível nacional DOMINICI et al. (2008); ALMEIDA (2011), RODRIGUES, LANGHI e CAMARGO, (2016).

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Tratando-se da Astronomia os materiais didáticos como maquetes hoje oferecidos no mercado educacional, nem sempre são projetados de acordo com a necessidade de aprendizagem de nossos alunos, deixando de certa forma livres interpretações sobre os fenômenos percebidos desvinculado de suas causas. Esse problema é evidenciado principalmente quando se aborda temas que leve em consideração as distâncias entre objetos, ou seja, a escala na Astronomia é algo difícil de se compreender devido as ordens de grandezas envolvidas e para estudantes com deficiência visual, geralmente não é um tema abordado de forma tátil. O trabalho de Gonçalves e Barbosa-Lima (2013) trouxe essa abordagem para o sistema solar, onde utilizaram uma escala de 1: 30.000.000.000, considerando distâncias entre os postes marcados que continham informações a respeito dos planetas e outros objetos táteis para representação.

Diante das inúmeras temáticas associadas a Astronomia, nesse trabalho apresentamos uma proposta de abordagem da distância Terra-Lua de modo a se considerar as escalas de forma reduzida para que estudantes com e sem deficiência visual percebam esse fator físico de forma mais significativa para a construção de conhecimentos e futuras possíveis explicações fenomenológicas decorrentes do mesmo.

## Transformando em escala a distância e tamanhos da Terra e da Lua

Antes de se tratar de mudança de escalas é importante tecer algumas considerações sobre a trajetória da Lua, nosso satélite natural, em torno da Terra. A primeira consideração é que a órbita não é necessariamente circular e sim elíptica, sendo que a diferença entre tais trajetórias é o 'grau de achatamento' conhecido como 'excentricidade', ou seja, uma trajetória circular possui uma excentricidade e = 0. A excentricidade da trajetória da Lua é 0,0549, sendo que a trajetória é muito próxima de ser circular. Nesse trabalho, como a abordagem de escala não envolve o movimento dos astros, consideramos a distância média, sendo esta de 384.400 km.

No que se refere ao tamanho do planeta Terra, sabe-se que o mesmo possui um diâmetro de 12.756,2 km, consequentemente o raio é de 6.378,1 km. A Lua possui um diâmetro de 3.474 km e raio de 1.737 km. Para apresentarmos um material em escala reduzida, porém de qualidade para as percepções tátil e visual, optamos em reduzir cada medida a uma escala de 1: 800 000 000, ou seja, 1cm em todas as escalas de distâncias entre os objetos e seus respectivos raios equivale a 800 000 000 cm ou 8000 km em seu tamanho real. A tabela 01 apresenta, de forma comparativa, os tamanhos que foram utilizados na confecção do material.

Tabela 01: Conversão dos valores de distância entre a Terra e a Lua e seus respectivos raios.

Com esses valores, pôde-se construir artesanalmente os objetos materiais a serem utilizados, como descreveremos a seguir.

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## Sobre os Materiais utilizados

Para a elaboração do material, primeiramente estabelecemos um desenho representativo na figura 01, de como ficaria a construção.

Figura 01: Desenho representativo do material a ser elaborado

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Para construirmos a representação do planeta Terra utilizando uma bola plástica de 15cm de diâmetro e a revestimos com jornal, cola, água e massa de biscuit como acabamento, para atingir o tamanho da escala de 16cm. Os continentes foram desenhados a partir de uma impressão, onde foram utilizadas pastas de modelagem para deixar com textura e após a secagem, utilizamos tinta acrílica. Os passos são evidenciados na figura 02.

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Figura 02: Desenho representativo da Terra sendo elaborada

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Na confecção da Lua, utilizamos uma esfera de isopor de 4cm a qual também foi revestida com os materiais supracitados atingindo o diâmetro de 4,4cm da escala. E com a massa de biscuit, foram feitas as crateras e após sua secagem, foi também pintada com tinta acrílica cinza, conforme a figura 03.

Figura 03: Desenho representativo da Lua sendo elaborada

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Após as pinturas e secagens dos materiais, um barbante de 480 cm ou 4,8m foi colado nas esferas representativas da Terra e da Lua, como na figura 04.

Figura 04: Desenho representativo da Lua sendo elaborada.

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Após confeccionarmos os materiais, consideramos as medidas da distância entre a Terra e a Lua, estendendo-a por meio de um barbante como na figura 05.

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Figura 05: Apresentação do material para os estudantes do Colégio São José - Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus em Bauru.

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## Considerações finais

Diante das lacunas apresentadas sobre o ensino de Ciências dentro da perspectiva inclusiva, esse material, pode ser utilizado para dialogar com alguns temas científicos de forma tátil-visual, como por exemplo, a distância entre a Terra e a Lua, bem como escalas e figuras geométricas de forma generalizada, ou seja, independente do aluno, sendo esses apresentando alguma deficiência ou não.

Esperamos também que com essa iniciativa, professores sintam-se desafiados a modificarem as lacunas apresentadas no ensino de Ciências em relação aos temas astronômicos de um modo geral. Sabe-se que para isso, necessita-se considerar em suas práticas metodológicas o incentivo para a confecção de materiais e outros recursos para auxiliar no desenvolvimento do perfil crítico do estudante de modo que os mesmos possam estabelecer a transposição dos seus próprios limites de conhecimento.

## Referências

ALMEIDA, Regina Araújo de. A cartografia tátil no ensino de geografia: teoria e prática. In: ALMEIDA, R.D. (Org). Cartografia Escolar. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2011, p. 119- 144.

BARROS Suzana Garcia, A Astronomia nos textos escolares da Educação primária. (tradução). Enseñanza de la ciencia v.15, n.2,p.225-232,1997.

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BRETONES, Paulo Sérgio. Disciplinas introdutórias de Astronomia nos cursos superiores do Brasil. Dissertação de Mestrado, Instituto de Geociências, UNICAMP (1999).

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CAMARGO, E. P. Ensino de Física e deficiência visual: dez anos de investigações no Brasil. São Paulo: Plêiade/FAPESP, 2008a, 205p.

DOMINICI, Tânia Pereira.; OLIVEIRA, Ednilson; SARRAF, Viviane Panelli. e GUERRA, Fernanda (2008). Atividades de observação e identificação do céu adaptadas às pessoas com deficiência visual. Revista Brasileira de Ensino de Física, 30, 4

GAMA, Leandro Daros; HENRIQUE, Alexandre Bagdonas. Astronomia na sala aula: por quê? Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia, São Carlos, n. 9, p. 7-15, 2010. Disponível em: Acesso em: 06 jun. 2014.

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GOMES A; R. Y. MIYAHARA, Elaboração de material para ensino de Astronomia para deficientes visuais: o caso das Supernovas 3º Simpósio Nacional de Educação em Astronomia, Curitiba, 2014.

LANGHI, Rodolfo. Um estudo exploratório para a inserção da Astronomia na formação de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Dissertação (Mestrado em Educação para a Ciência). Faculdade de Ciências, UNESP, Bauru, 2004.

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RODRIGUES, Fábio Matos. Os Saberes Docentes num Curso de Formação Continuada em Ensino de Astronomia: desafios e possibilidades de uma abordagem investigativa. 03 de mar de 2016. 120 f. Dissertação (Mestrado em Educação em Ciências) - Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus, Bahia, 2016.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.