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FEIRA DE CIÊNCIAS: UM RELATO DE ATIVIDADE

Maurício Matos Bomfim, Aryane Da Silva Spadeto, Luiz Otávio Buffon, Marcelo Esteves De Andrade, Adraino Ricardo Trabach,

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## FEIRA DE CIÊNCIAS: UM RELATO DE ATIVIDADE

## Maurício Matos Bomfim 1 , Aryane da Silva Spadeto , Luiz Otávio Buffon , 2 3 Marcelo Esteves de Andrade 4 .

- 1 Instituto Federal do Espírito Santo - Campus Cariacica - Curso de Licenciatura em Física, mauriciomatosbomfim@gmail.com
- 2 Instituto Federal do Espírito Santo - Campus Cariacica - Curso de Licenciatura em Física, spadetoaryane@gmail.com
- 3 Instituto Federal do Espírito Santo - Campus Cariacica - Coordenadoria de Física, buffon@ifes.edu.br
- 4 Instituto Federal do Espírito Santo - Campus Cariacica - Coordenadoria de Física, marcelo.andrade@ifes.edu.br

## Resumo

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O trabalho que segue trata de um relato de atividade realizada na EEEFM São João Batista, localizada no bairro São João Batista no município de Cariacica-ES. A atividade foi realizada pelos bolsistas do Programa Institucional de bolsas de Iniciação a Docência (PIBID), subprojeto Física do Instituto Federal do Espírito Santo, Campus Cariacica. A atividade consistiu no planejamento, organização e execução de uma feira de ciências. Esta feira objetivou unir a teoria, a prática, a investigação, a experimentação e o trabalho em equipe dos estudantes. Neste tipo de atividade, os alunos têm a possibilidade de ter um contato mais concreto e dinâmico com o objeto de estudo, o que possibilita descobertas e investigação. Pautados nesta perspectiva visamos elaborar a feira de forma que os alunos participassem integralmente de todas as atividades e das etapas de organização/preparação e execução da mesma. Partindo da ideia de que um conhecimento novo só pode ser assimilado se puder ser correlacionado com um já existente, optamos por restringir o universo de conteúdos que poderiam subsidiar a escolha dos experimentos, fazendo com que estes experimentos estivessem relacionados com o que foi trabalhado em sala e com o cotidiano do aluno. Entendemos ser de suma importância que os experimentos sejam confeccionados pelos próprios alunos, mesmo que sob o auxílio e supervisão dos bolsistas, para que esse contato experimental seja propiciado ao aluno.

Palavras-chave : feira de ciências, experimentos de física, cotidiano.

## Introdução

Na atualidade o ensino de ciências naturais tem se revelado como um grande desafio, os docentes têm, a cada dia, que lançar mão de práticas diversificadas para atingir os seus alunos. Na física essa situação se revela preocupante, muitas vezes os conteúdos são apenas expostos ao aluno de forma arbitrária e desconexa da natureza e do cotidiano. Essa realidade há muito é questionada, pois uma união entre a prática e a teoria se mostra deveras importante para que se construa o conhecimento. Muitas vezes essa situação é fruto da falta de estrutura e das condições de trabalho. Contudo o que se mostra como uma alternativa importante a essa realidade são as feiras de ciências. Segundo NEVES (1989), as feiras de

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ciências servem como elementos de melhoria para o ensino, tanto pelos alunos que se envolvem no evento, quanto para os professores que tem que atualizar suas práticas docentes para uma melhor abordagem da ciência em favor da tecnologia, cultura e sociedade. Pautados nisso vimos a necessidade de realizar uma feira de ciências com os alunos de todas as séries do ensino médio. Essa feira foi realizada pelos bolsistas e em parceria com o professor de química, a fim de que houvesse uma interação entre as áreas.

Com base nisso, propõe-se uma atividade de construção de experimentos em grupos, com os objetivos de estimular o trabalho coletivo e de promover/desenvolver o saber científico.

## Metodologia

Segundo NEVES (1989) existem tipos de Feiras de Ciências, e amplitudes onde elas e se enquadram, e diz que: 'Feira escolar ou Interna: é a culminância dos trabalhos realizados por estudantes de uma escola'. Logo o evento realizado se enquadra nesta categoria.

Após entendermos a amplitude do evento, optamos por separar as turmas em grupos para incentivar a interação entre os alunos e o trabalho em equipe. Baseados na ideia de FREIRE (2002) de que para compreender a teoria é preciso experimentá-la, vimos na feira uma excelente alternativa desta aproximação. Para que se iniciassem os trabalhos, apresentamos a proposta ao alunado e explicamos a eles as atribuições que lhes cabiam, bem como se daria a avaliação do evento.

Expusemos que os alunos deveriam, além da confecção dos experimentos e da explicação dos mesmos, elaborar um panfleto que permitisse ao leitor reproduzilo, também foi explicitado aos estudantes que haveria uma avaliação tanto quantitativa quanto qualitativa do evento. O tempo de que os alunos dispuseram do momento da apresentação da proposta até a realização foi de aproximadamente um mês. Foi solicitado às turmas que fizessem pesquisas de experimentos dentro dos assuntos que já tivessem sido apresentados a eles.

A elaboração do evento contou com quatro momentos, sendo eles:

-  A escolha do experimento: Coube ao aluno a pesquisa, escolha e submissão do experimento que desejava expor no evento.
-  Confecção: Construção dos experimentos.
-  Pré-apresentação: Os alunos, já com os experimentos prontos, realizaram uma apresentação prévia do funcionamento do experimento e dos conceitos físicos por trás deles, e também exposição do panfleto.
-  O evento: apresentação pública para toda a comunidade escolar.

Os alunos foram orientados a pesquisarem experimentos em sites, livros e revistas científicas e, após a seleção, mostrar a proposta ao professor para que fosse analisada a viabilidade da confecção e da execução do experimento proposto; nessa etapa era realizado pelo professor um cadastro de experimentos já aprovados

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para que não houvesse trabalhos duplicados durante o evento. Após a escolha, submissão e aprovação dos trabalhos, deu-se início à etapa de construção dos experimentos e testes de funcionalidade. Nesta etapa os alunos eram totalmente responsáveis pela construção dos experimentos e a nossa função foi a de supervisionar e auxiliar caso fosse necessário. Alguns alunos optaram por realizar a construção de experimentos fora da escola, isso pode ser atribuído ao fato de que, apesar de se ter um laboratório de ciências nas dependências da escola, o mesmo não conta com ferramentas de carpintaria que eram necessárias para a confecção dos experimentos. É válido ressaltar aqui que não houve, por parte do professor, imposição arbitrária de experimentos, e que antes de sua aprovação eram expostas aos alunos as eventuais dificuldades e obstáculos em sua construção/execução. Cientes disso, os alunos, eram quem decidiam prosseguir ou pesquisar e apresentar outra proposta de experimento. Durante o processo de construção dos experimentos, aulas de física foram dedicadas a esta finalidade, com o intuito de prestar subsídio teórico, processual ou procedimental aos alunos que apresentassem esta necessidade. Finalizada a etapa de confecção/construção dos experimentos foi iniciada a etapa das pré-apresentações.

Na etapa das prévias das apresentações os experimentos já estavam prontos e os alunos se mostraram bem ansiosos em relação a falar em público. Fezse necessária mais de uma prévia para que pudéssemos intervir e contribuir com sugestões e enfim eles se sentirem confiantes. As intervenções foram feitas no concernente a conteúdos, oratória, uso correto da língua e também para que o experimento fosse explorado durante a apresentação. As prévias serviram de preparação para a apresentação e para manutenção de eventuais falhas no experimento. Auxiliamos as turmas no que se fez necessário e então partimos para a realização do evento.

Para a execução da Feira de Ciências usamos o espaço da quadra de esportes onde os alunos se dividiram em bancadas, a distribuição ficou por conta deles e sob a supervisão dos bolsistas. A primeira aula se dedicou a esta tarefa. O evento teve início por volta das 8:40 da manhã. Os alunos do ensino fundamental iniciaram a visitação das bancadas e nisso iam surgindo dúvidas que os alunos apresentadores eram os responsáveis por sanar. A equipe de docentes e o núcleo pedagógico também visitaram as bancadas e contribuíram com questionamentos e elogios, isso encorajou os alunos a se esforçarem e prestarem cada vez mais um trabalho pautado na qualidade das informações e na exploração dos experimentos. A feira teve duração de em média 3 horas, se encerrando por volta das 12h da manhã.

Para a avaliação da feira, foi elaborada uma ficha de avaliação. Essa ficha se configurou de forma a avaliar os aspectos quantitativos e qualitativos, levando em consideração uma série de fatores. Na figura 1 pode ser vista uma amostra desta ficha onde optamos por atribuir às categorias porcentagens de alcance. Com isso geramos uma 'nota' para cada categoria, podendo-se observar que, dentre os parâmetros avaliativos, existem os que dizem respeito à postura e desenvoltura pessoal do apresentador, e não somente do seu domínio de conteúdo e conceitos científicos rigorosamente corretos.

Existe também uma parte de 'Extras', nessa parte o avaliador poderia atribuir ao grupo até 5,0 pontos por realizarem algo que não fosse obrigatório, como por exemplo, dar brindes aos visitantes, confeccionar camisas personalizadas do

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grupo, utilizar recursos como banners, cartazes etc. é válido ressaltar que a avaliação ficou a cargo dos bolsistas e que só houve intervenção do professor em casos que foram realmente necessários. Um momento em que a intervenção se fez necessária, foi quando um avaliador atribuiu a um experimento de considerável complexidade o índice de 20%; o experimento em questão era o Motor Stirling.

Figura 1: Ficha de Avaliação

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Fonte: Acervo Pessoal

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## Resultados e discussão

O evento, embora o espaço tenha superlotado com os visitantes, transcorreu de maneira tranquila e sem grandes dificuldades. As bancadas ficaram distribuídas de forma a serem acessíveis a todos e os experimentos puderam ser apreciados por todos os que participaram da feira. Os alunos desempenharam seus papéis e realizaram as atividades a que se propuseram. No início havia por parte dos apresentadores muita insegurança e nervosismo, porém no decorrer do evento isso foi sendo rompido até o momento em que as explicações e exploração dos experimentos se davam de maneira natural. O trabalho em equipe se mostrou de grande valia, haja vista que durante a elaboração dos experimentos e prévias havia grupos que não estavam entrosados, mas no decorrer da construção e consolidação do evento isso foi superado e culminou em trabalhos em equipe de qualidade. Tivemos como resultado deste evento uma série de experimentos bem executados, em funcionamento, e explorados da maneira correta pelos alunos. Claro que ocorreu o oposto, porém não com tanta evidência. Ocorreu de experimentos não funcionarem, ou pararem de funcionar durante a feira, mas isso também se configurou como um ponto positivo da atividade, pois proporcionou aos alunos envolvidos uma nova problemática; a de resolução de problemas. Diante da pressão de estarem apresentando ao público um produto deles que subitamente para de exercer sua função, os alunos se uniram visando corrigir o fato e expor o funcionamento correto aos ouvintes. Uma situação que ilustra isso é a que acometeu a equipe responsável pela Bobina de Tesla; o experimento parou de funcionar e o grupo como um todo se uniu para investigar, detectar e corrigir o problema, e essas ações foram tomadas de forma assertiva e diante do público.

Esta feira objetivou unir a teoria, a prática, a investigação, a experimentação e o trabalho em equipe do alunado.

## Considerações finais e conclusões

Com base no que foi relatado e retomando a que tomamos como objetivos; podemos considerar que os objetivos traçados foram alcançados. A feira atendeu ao que foi proposto, uniu a teoria que é dada em sala de aula a partir da pesquisa, escolha e construção dos experimentos. Instigou os alunos a investigarem, na construção dos experimentos, os fundamentos científicos que os embasavam bem como a aplicabilidade cotidiana deste experimento. O trabalho em equipe foi realizado, os alunos tiveram que interagir, discutir, discordar, concordar, argumentar, defender ideias e ponto de vistas e assim trabalhar a interação e as relações interpessoais. A atividade foi concluída de forma bastante gratificante, pois podemos notar que a mesma gerou nos alunos uma motivação e também uma curiosidade a mais pelo fazer científico. O principal questionamento dos alunos após o término da atividade foi: 'Quando vai ser a próxima?'. Isso nos faz entender, que de alguma forma, a atividade instigou nos alunos o desejo de investigar, entender e expor o conhecimento científico. Com isso concluímos que uma atividade experimental e com caráter expositivo é uma excelente alternativa para que haja uma ligação entre teoria e cotidiano, e que isso influi diretamente em vários aspectos do alunado.

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## Referencias Bibliográficas

MOREIRA, Marco Antônio. Organizadores prévios e aprendizagem significativa. Porto Alegre, Ed. da Universidade, UFRGS, 2012.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 42ªEd. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

NEVES, Selma Regina Garcia. Feiras de Ciências. Belém, Ed da Universidade, UFPA, 1989.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.