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TRABALHANDO A CINEMÁTICA COM EXPERIMENTAÇÃO EM UMA PERSPECTIVA INTERDISCIPLINAR

Maria Milena Tegon Figueira, Karen Vanessa Gozer Banheza, Gabriela Maria Maffi, Mara Fernanda Parisoto

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## TRABALHANDO A CINEMÁTICA COM EXPERIMENTAÇÃO EM UMA PERSPECTIVA INTERDISCIPLINAR

*Maria Milena Tegon Figeuira 1 , Karen Vanessa Gozer Banhesa 1 , Gabriela Maria Maffi 1 , Mara Fernanda Parisoto 1

1 Universidade Federal do Paraná,milenategon@gamil.com karenvanessabanheza@gamil.com, maffigabriela@gamil.com , marafernandaparisoto@gmail.com

## Resumo

Este trabalho é fruto das observações das aulas de Física em uma turma do Ensino Médio na cidade de Palotina, proposta na disciplina de Estágio Supervisionado Escolar. Diante da análise das aulas pode-se perceber que a mesmas eram monótonas e descontextualizadas, que possivelmente estes fatores foram os que mais contribuíram no desinteresse demonstrado pelos alunos, e também na desmotivação dos mesmo em compreender a Física. A partir disso, realizou-se uma sequência de atividades, nas quais buscamos não somente relacionar os conceitos de cinemática com o cotidiano do aluno, mas também promover a inserção das tecnologias em sala de aula como ferramenta de aprendizagem, com o intuito de despertar nos alunos o desejo e o prazer em aprender, e além disso buscamos instigar o aluno a buscar novos. O material foi aplicado para 16 alunos, houve um aumento de ganho se comparados os resultados do pré-teste e do pós-teste. Espera-se aplicar essa proposta para mais alunos e assim possuir dados necessários para, posteriormente, fazer análise qualitativa e quantitativa mais aprofundada.

Palavras-chave : Ensino; Metodologias Ativas; Atividades Experimentais.

## Introdução

O ensino de Física e das demais ciências nas escolas geralmente ocorre de forma tradicional, os conceitos são apresentados como algo estático e muitas vezes descontextualizados, possivelmente estes fatores agravam o desinteresse dos estudantes por esta ciência (PARISOTO e HILGER, 2016).

Carvalho (2006) explica:

Tradicionalmente, o ensino de física é voltado para o acúmulo de informações e o desenvolvimento de habilidades e estreitamente operacionais, em que, muitas vezes, o formalismo matemático e outros modos simbólicos (como gráficos, diagramas e tabelas) carecem de contextualização. Na sala de aula, essa prática de ensino, que se fundamenta em um ensino por transmissão, dificulta a compreensão dos alunos sobre o papel que diferentes linguagens representam na construção dos conceitos científicos (p.57)

Para amenizar essa situação e melhorar a Aprendizagem Significativa (AS) dos alunos foram desenvolvidas alguns métodos alternativos.

Segundo Ausubel (2002 p.10), quem quer facilitar a AS para novos

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conhecimentos precisa descobrir os conhecimentos prévios dos alunos e ensinar de acordo com eles. O autor ainda reforça que o fator isolado mais importante que influencia na aprendizagem é o que o aprendiz já sabe. Para Ausubel (1963 p.58) 'a aprendizagem significativa é o mecanismo humano, por excelência, para adquirir e armazenar a vasta quantidade de ideias e informações representadas em qualquer campo de conhecimento. '

Conforme aponta Alegro (2008) a teoria da aprendizagem significativa, a qual prioriza o conhecimento prévio do aluno como uns dos fatores principais na determinação do ensino, oferece uma contribuição fundamental para o reconhecimento do aluno como sujeito que aprende. Das possibilidades de mudança por meio do aprendizado; da necessidade de não transformar diferenças sociais, econômicas, culturais e cognitivas em desigualdades escolares.

Para Pelizzari et al ., (2002), a aprendizagem significativa tem vantagens notáveis, tanto do ponto de vista do enriquecimento do conhecimento do aluno como do ponto de vista da lembrança posterior e da utilização para experimentar novas aprendizagens.

De acordo Ausubel (2002), para ocorrer a AS o estudante deve apresentar interesse em aprender e não apenas memorizar o conteúdo. O material também deve ajudar o aluno a construir o conhecimento científico com base em seus conhecimentos prévios.

Diante de um ensino desconexo do cotidiano do aluno, com foco nos vestibulares, e método reprodutivo, buscou-se uma metodologia que proporcionasse uma aprendizagem significativa com base no cotidiano do aluno. Segundo Carvalho (2010) apud Lanetta et. al ( 2007) as atividades experimentais na Física já fazem parte do plano de ensino das escolas desde o século XIX, tendo como principal objetivo proporcionar a aplicação dos conceitos estudados em sala, de forma a aproximar a teoria e prática no cotidiano dos alunos.

- O projeto foi formulado a partir da seguinte questão problema: Como promover uma aprendizagem significativa, trazendo elementos do cotidiano dos alunos, onde todos possam compreender os conceitos da Física, independente do seu nível cognitivo?. O objetivo principal do projeto é promover uma aprendizagem significativa, através da experimentação, visando um ensino contextualizado .
- O projeto foi aplicado para 16 alunos do Ensino Médio em uma escola pública no município de Palotina-PR. Os conteúdos ensinados foram o Movimento Retilíneo Uniforme (M.R.U) e o Movimento Retilíneo Uniformemente Variável (M.R.U.V).

## Desenvolvimento

As atividades relativas ao Movimento Retilíneo Uniforme estão sintetizadas no quadro 1, as relativas ao Movimento Retilíneo Uniformemente Variado estão sintetizadas no quadros 2 e a atividade final no quadro 3.

## Quadro 01. Atividades M.R.U

CONTEÚDO

: M.R.U

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## Descrição:

Atividade 1: Atividade de análise: Queda dos dominós;

Atividade 2: Pesquisa e produção de vídeo de experimento de M.R.U.

## Quadro 02. Atividades M.R.U.V

CONTEÚDO

: M.R.U.V

## Descrição:

Atividade 3: Cálculo da velocidade em um trajeto do dia-a-dia

Atividade 4: Carrinho gotejador;

Atividade 5: Análise de vídeo no Tracker ;

## Quadro 03. Atividade Final

## Atividade Final

Descrição:

Atividade 7: Gincana Movimentando os Físicos

## Seguem a descrição das atividades.

Atividade 1 : Atividade de análise: Queda dos dominós.

Descrição: Calcular a velocidade da queda de uma sequência de dominós. Para isso os alunos foram divididos em grupos, em seguida os alunos delimitaram uma distância com o auxílio de uma régua ou fita métrica e formaram uma sequência de dominós com intervalos de distâncias iguais, e também marcaram o tempo do início ao fim da queda. Em seguida, os alunos relacionaram a fórmula com os dados coletados.

## Material:

-  Peças de dominó;
-  Marcador de tempo;
-  Régua ou Fita métrica;
-  Calculadora.

## Objetivo:

-  Promover o método científico no aluno;
-  Promover o entendimento de relacionar dados e fórmulas;
-  Proporcionar um trabalho cooperativo entre pares.

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## Atividade 2 : Pesquisa e produção de vídeo de experimento de M.R.U

Descrição: Os alunos pesquisaram em sites da internet experimentos relacionados a M.R.U, e produziram um vídeo realizando o experimento, apresentando os materiais, métodos e explicaram os conceitos ilustrados no experimento.

## Material:

-  Dispositivo eletrônico para gravar o vídeo, podendo ser um celular ou câmera fotográfica;
-  Aparelho eletrônico com acesso a Internet.

## Objetivo:

-  Compreender e relacionar os conceitos de velocidade;
-  Promover a pesquisa e desenvolvimento do método científico;
-  Refletir e elaborar uma significação para o conteúdo de M. R. U.

## Atividades Física M.R.U.V

Atividade 1: Cálculo da velocidade em um trajeto do dia-a-dia.

Descrição: Os alunos calcularam a velocidade em um trajeto do dia-a-dia, para isso os alunos utilizaram o aplicativo google maps para estimar as distâncias, e um cronômetro para medir o tempo percorrido no trajeto, em seguida o aluno deveria relacionar os dados com a fórmula para descobrir a velocidade.

## Material:

-  Recurso Tecnológico com GPS;
-  Marcador de tempo;
-  Caderno;
-  Lápis;
-  Calculadora.

## Objetivo:

-  Promover o método científico no aluno;
-  Compreender os conceitos físicos envolvidos no cálculo da atividade;
-  Capacitar a percepção da ciência no cotidiano.

Atividade 2: Carrinho gotejador.

Descrição: Esta atividade foi adaptada do site da Unesp 'Experimentos de Física para o Ensino Médio e Fundamental com materiais do dia-a-dia'. Inicialmente o professor dividiu a turma em equipes. A atividade consistiu na montagem de um sistema simples, os alunos inicialmente amarraram um barbante na frente de um caminhão de brinquedo. Em seguida, sobre a carroceria do caminhão colocaram o copo plástico com um furo na parte inferior, em seguida os alunos despejaram a água com o corante no copo e outro aluno puxou o carrinho variando a aceleração ao longo de um certo trajeto. Ao mesmo tempo, outro aluno cronometrou o tempo

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inicial da saída do caminhão de brinquedo até ponto final. Logo após, com o auxílio de uma régua ou fita métrica os alunos mediram a distância entre a primeira gota derramada e a última. Repetiram o experimento por mais vezes, posteriormente os alunos relacionaram os dados coletados com as fórmulas para obter a aceleração.

## Material:

-  Caminhão de brinquedo;
-  Copos plásticos;
-  Líquido colorido;
-  Régua ou fita métrica;
-  Barbante;
-  Cronômetro;
-  Caderno;
-  Lápis;
-  Calculadora.

## Objetivo:

-  Promover a aprendizagem através de um experimento lúdico;
-  Despertar o espírito científico.
-  Promover a interação de todos

Atividade 3: Análise de vídeo no Tracker .

Descrição: Nesta atividade os alunos foram levados ao laboratório de informática e investigaram o vídeo de uma notícia de um atropelamento que ocorreu em CascavelPR. O vídeo mostra um carro passando com uma velocidade aparentemente alta e atropelando um pedestre, o condutor do carro disse em uma reportagem posterior que estava a 60 Km/h. O que os alunos fizeram foi inserir o vídeo do flagrante do acidente no programa Tracker e através do manuseio do programa descobriram qual a real velocidade que o condutor do carro atingiu no momento do atropelamento. O vídeo está disponível no seguinte endereço eletrônico <https://www.youtube.com/watch?v=Q3aJxft3iFA >.

## Material:

-  Computadores com o programa Tracker instalado e acesso a internet.

## Objetivo:

-  Desenvolver manuseio das ferramentas digitais no ensino de Física;
-  Despertar o espírito científico;
-  Incentivar o aluno a pesquisa e reflexão.

## Atividade Final

Descrição: No ginásio da escola, os alunos delimitaram e mediram uma distância com o uso da trena, marcando um ponto inicial e final. Em seguida realizamos um jogo parecido com a betes. Os alunos deveriam rebater a bola e correr até um ponto determinado da quadra. Filmou-se a ação de cada auno. Posteriormente, utilizando o programa Tracker cada aluno deveria encontrar a aceleração da bola rebatida e

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calcular a força utilizando as Leis de Newton, e encontrar a velocidade atingida por ele até o ponto determinado na quadra.

## Material:

-  Trena;
-  Cronômetro;
-  Celular com aplicativo;
-  Giz.

## Objetivo:

-  Desenvolver o trabalho em grupo;
-  Promover a interdisciplinaridade entre a disciplina de física e educação física;
-  Contextualizar os conceitos aprendidos;
-  Desenvolver manuseio das ferramentas digitais e tecnológicas no ensino;
-  Promover a interdisciplinaridade.

## Resultados

O material foi aplicado para 16 alunos do Ensino Médio. Durante a aplicação do préteste pode-se observar que os alunos apresentaram dificuldade por não lembrarem e nem terem disponível os conteúdos das aulas, conforme pode-se observar na tabela 1. Na tabela 2 identifica-se que houve melhora em relação ao pré-teste, o que pode ser confirmado na tabela 3 que compara os resultados do pré-teste em relação ao pós-teste.

Tabela 1: Resultados da correção do pré-testeTabela 2: Resultados da correção do pós-teste

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Tabela 3: Comparação acertos dos testes

## Considerações finais

Percebeu se uma melhora nas respostas dos alunos após a intervenção didática, validada pela comparação dos dados do pré-teste e pós-teste.

Conclui-se com essa pesquisa que é possível ensinar Física de maneira prática, lúdica e divertida. Com a prática experimental as aulas ficaram mais interessantes e também mais interativas, porém salientamos que a abordagem teórica é muito importante e deve caminhar lado a lado com a parte experimental.

Buscou-se com essa sequência didática levar o aluno a compreender as utilidades da ciência no dia a dia, para assim, o aluno desenvolver um olhar interdisciplinar, pois, os conteúdos no cotidiano não são fragmentados e sim contemplam um ao outro. Desta forma, buscou-se promover o ensino da Física juntamente com a Educação Física na atividade final, pois alguns alunos possuem certas aversões aos conteúdos de Física. Portanto, conclui-se que as atividades experimentais contribuíram para a percepção da Física, além do material didático e

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da sala de aula. Pretende-se aplicar novamente a sequência didática aprofundando as análises realizadas e aperfeiçoando o material desenvolvido.

## Referências

Ausubel, D. P. (2002). Retenção e aquisição de conhecimento: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano.p.10

Ausubel, D.P. (1963). The psychology of meaningful verbal learning. New York, Grune and Stratton. p.58

ALEGRO, Regina Célia. Conhecimento prévio e aprendizagem significativa de conceitos históricos no Ensino Médio . Marília: UNESP, 2008. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho", Marília, 2008.

MOREIRA, M. A. O Que é afinal Aprendizagem Significativa? Aula Inaugural do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais, Instituto de Física, Universidade Federal do Mato Grosso, Cuiabá/MT, 2012. Aceito para publicação, Qurriculum, La Laguna, Espanha

PARISOTO, M. F.; HILGER, T. R. Investigação da aprendizagem de conceitos de óptica utilizando ilusões para turmas de pré-vestibular. Rev. Brasileira Ensino Ciências Tecnológicas Ponta Grossa/ PR, v. 9, 2016.

PELIZZARI, A.; KRIEGL, M.L.; BARON, M.P.; FINCK, N.T.L & DOROCINSKI, S. I. Teoria da Aprendizagem Significativa Segundo Ausubel. Revista PEC , Curitiba.,v. 2, n. 1.37-42 p. 2001/2002.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.