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FRACASSO ESCOLAR NO CURSO DE FÍSICA: UMA ANÁLISE DA LICENCIATURA DO IBILCE/UNESP

Vanderlei Carlos Verde Junior, Leandro Londero

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## FRACASSO ESCOLAR NO CURSO DE FÍSICA: UMA ANÁLISE DA LICENCIATURA DO IBILCE/UNESP

## Vanderlei Carlos Verde Junior 1 , Leandro Londero 2

- 1 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', carlos.phy.unesp@gmail.com
- 2 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', llondero@ibilce.unesp.br

## Resumo

Estudos sobre o fracasso e evasão dos estudantes em cursos de graduação em física têm ocupado a agenda de muitos pesquisadores em diversas universidades. Perante isso, nosso estudo procurou analisar a evasão dos estudantes do curso de Física, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, da UNESP, em especial da modalidade Licenciatura, com a finalidade de propor ações que possam reduzir o número de estudantes evadidos. Para tanto, realizamos um levantamento e analisamos a situação atual da matricula dos estudantes, se estavam: em curso, cancelados, transferidos, concluintes ou suspensos. O levantamento foi realizado de 2006, ano de início do curso, até o ano de 2016. Somente em 2012 foi aberta a modalidade licenciatura. Para esse levantamento, contamos com os dados presentes no Sistema de Gestão Acadêmica/SISGRAD (Módulo de Coordenação do Curso). Analisamos também, a relação Candidato-Vaga no processo seletivos para ingressar no curso e os dados analisados mostram que a relação CandidatoVaga tem caído ao longo dos anos. Quanto à matricula dos estudantes, do total de 649 estudantes ingressantes, 132 concluíram e 129 estão matriculados. No que se refere aos índices de evasão por ano de ingresso, os dados obtidos são preocupantes e alarmantes, uma vez que os índices de desistência por ano são bem elevados. Podemos inferir uma média de índice de evasão no curso de Licenciatura em Física do IBILCE/UNESP de 30%, sendo que esse índice pode aumentar ao longo dos anos, em decorrência de alunos que ainda podem evadir. Esse aspecto nos leva a uma reflexão sobre as ações que estão sendo tomadas, ou que deveriam ser implementadas, pela gestão do curso e da universidade para a redução desses índices.

Palavras-chave : Fracasso escolar, Física Licenciatura, Ibilce/Unesp.

## Introdução

Ao realizarmos uma breve revisão de literatura sobre estudos cujo foco foi a evasão de estudantes nos cursos de física, identificamos um conjunto de 05 pesquisas em âmbito nacional que consideramos significativos de relatar.

Candeias et al. (2014) analisaram a evasão e retenção no curso de licenciatura em Física da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Para tanto, os autores utilizaram um questionário, composto por um conjunto de dezessete questões, distribuído para 51 estudantes. As respostas obtidas permitiram identificar os fatores que mais interferem no rendimento acadêmico, entre eles: a) deficiências na formação do ensino médio; b) falta de tempo para estudo em virtude de trabalho fora da universidade; c) perspectivas desanimadoras quanto as oportunidades futuras de trabalho. Além disso, os estudantes mencionaram que os professores não atendem a expectativa e exigências do curso e que os laboratórios são deficientes. A evasão dos estudantes é justificada em virtude da alta reprovação em disciplinas do curso.

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A evasão no curso de física da Universidade Estadual de Maringá foi estudada por Silva e Franco (2014). Para o estudo, os autores analisaram dados sobre o curso, obtidos nos relatórios anuais da universidade e disponibilizados pela Diretoria de Assuntos Acadêmicos. Ainda, foram entrevistados vinte alunos da modalidade presencial e vinte da modalidade à distância, com o objetivo de conhecer o que eles pensavam sobre a evasão e sobre o abandono do curso. Ao final, os autores inferem que o principal motivo para o abandono é a dificuldade dos alunos com as disciplinas e a falta de conhecimentos de matemática básica, necessários para compreensão dos conteúdos.

Ribeiro et al. (2008) estudaram a evasão no curso de graduação em física da Universidade de Brasília. Para tanto, utilizaram um questionário que foi distribuído aos estudantes do curso e outro, enviado por correio, aos estudantes evadidos. Além do questionário, utilizaram comunicação telefônica e correio eletrônico. Com relação aos fatores de ordem pessoal os respondentes mencionaram perspectivas desanimadoras quanto a oportunidades futuras de trabalho, falta de tempo ou de disposição para os estudos em decorrência do trabalho, dificuldades de adaptação ao ritmo da universidade, deficiências de formação no Ensino Médio, problemas de ordem familiar ou econômica.

Quanto às causas de ordem institucional os respondentes mencionam que; a) alguns professores da Física não atendem à expectativa, alguns professores, fora da Física, não atendem à expectativa, o foco das disciplinas é mais matemático do que conceitual, alguns livros adotados na Física não são adequados e, os laboratórios didáticos da Física são deficientes, orientação falha ou inexistente, que leva ao desconhecimento de normas da UnB e do curso e algumas disciplinas têm alto grau de dificuldade.

Por sua vez, Barroso e Falcão (2004) investigaram a evasão dos estudantes do Instituto de Física da UFRJ. Para isso, as autoras fazem uso de questionário e entrevistas. Elas concluem que a evasão ocorre nos dois primeiros anos do curso, e em geral está associada ao fracasso nas disciplinas iniciais (Física 1 e Cálculo 1). Além disso, inferem que as causas da evasão estão associadas a três grandes grupos: a) impossibilidade de manutenção do vínculo por questões socioeconômicas (evasão econômica); b) a percepção de uma escolha de curso inadequada aos interesses do estudante (evasão vocacional) e; c) abandono por inadequação ou fracasso na escolha e na permanência dentro do instituto (evasão institucional).

Arruda e Ueno (2003) realizaram uma pesquisa com estudantes de física do curso presencial da Universidade Estadual de Londrina, na tentativa de entender as motivações e interesses deles ao entrar no curso e os fatores que os desmotivam ao longo da permanência no mesmo.

Os autores destacam como aspectos que podem exercer impactos negativos na permanência dos estudantes os seguintes: a) há um excesso de tarefas à serem cumpridas, o que acarreta acúmulo de atividades e falta de tempo para cumpri-las eficientemente; b) os alunos mais antigos do curso, às vezes, transmitem seus medos e frustrações para os calouros, principalmente suas (más) impressões a respeito de certos professores. Estes, às vezes, podem exercer uma pressão nos alunos, deixando-os inseguros, retraídos, dependendo da maneira como os tratam; c) um mau relacionamento com um professor pode ser fator altamente desestimulante para a continuidade do aluno no curso; d) as opiniões de outras

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pessoas importantes e significativas na vida do sujeito, como pais, ex-professores, podem estimular bem como desestimular a participação do aluno no curso.

Em nossa revisão de literatura, não identificamos estudos que analisaram a evasão dos estudantes dos cursos de Física da Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' (UNESP), em especial do curso de Licenciatura em Física do campus de São José do Rio Preto, fato que motivou o desenvolvimento de nosso estudo.

## Objetivo, problema, questões de estudo e justificativas

- É fácil encontrarmos altos índices de evasão em cursos de física em diversas universidades. Nosso estudo justifica-se pela necessidade e importância de compreender as razões pelas quais os estudantes, em especial, os de licenciatura em Física, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, da UNESP, abandonam o curso, com o objetivo de traçar ações que permitam reduzir o número de estudantes evadidos. Perante isso, procuramos responder, num primeiro momento, a seguinte questão:

## Quais são os índices de evasão do curso de Licenciatura em Física do IBILCE/UNESP?

Algumas questões, que parecem relevantes, foram norteadoras do estudo, entre elas: 1) Qual é a relação candidato/vaga no processo seletivo para ingresso no curso?; 2) Qual é a situação acadêmica dos estudantes no presente momento ?; 3) Quais são os índices de evasão por ano de ingresso?

## Desenvolvimento do estudo

Para o desenvolvimento de nosso estudo, realizamos algumas ações investigativas. Primeiramente, realizamos o levantamento dos estudantes: a) ainda em curso; b) cancelados; c) transferidos; d) concluintes; e e) suspensos.

- O levantamento foi realizado de 2006, ano de início do curso, até o ano de 2016. Para esse levantamento, contamos com o apoio da coordenação do curso que disponibilizou as informações disponíveis no Sistema de Gestão Acadêmica/SISGRAD (Módulo de Coordenação do Curso).

Realizamos o levantamento com registro dos dados obtidos em tabelas, nas quais constam os nomes dos acadêmicos, número de Registro Acadêmico (RA), situação no curso (em curso, cancelado, transferido, concluinte e suspenso), endereço eletrônico e endereço de rede social.

Após, separamos os estudantes por ano de ingresso e por tipo de situação no curso e construímos gráficos percentuais para melhor visualização das informações.

A relação candidato/vaga foi obtida por meio de consultas na internet, em especial ao site da Fundação Vunesp (https://www.vunesp.com.br) e, por meio de consulta ao Guia de Profissões (http://unan.unesp.br/guiadeprofissoes/).

Na sequência, analisamos as informações coletadas para respondermos as questões do estudo. Finalizamos com a redação do trabalho, apresentando os resultados a que chegamos.

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## Resultados

A UNESP oferece no total sete cursos de Física distribuídos nos campus de Bauru, Botucatu, Guaratinguetá, Ilha Solteira, Presidente Prudente, Rio Claro e São José do Rio Preto. A tabela 1 sintetiza, para cada curso, os períodos, modalidade, quantidade de vagas e duração ideal em anos.

Tabela 1: Cursos de Física oferecidos pela UNESP

O curso de Física do IBILCE/UNESP oferta anualmente um conjunto de 50 vagas em período integral, com duração de 04 anos. Ao final do primeiro ano, o estudante deve optar por uma das modalidades, licenciatura ou bacharelado em Física Biológica. A tabela 2 apresenta a relação Candidato-Vaga por ano.

Tabela 2: Relação Candidato-Vaga do Curso de Física no período de 2006 a 2016

Na tabela 1 estão listadas as relações Candidato-Vaga desde o início do curso em 2006, sendo que até 2011 existia apenas a modalidade Bacharelado.

A leitura da tabela 1 permite identificar que a taxa de relação CandidatoVaga tem caído ao longo dos anos. Como pode ser observada, a maior relação C/V ocorreu em 2006, ou seja, no ano de abertura do curso, sendo de 5,6. Já a menor relação C/V ocorreu no ano de 2013, sendo de 1,5. Talvez uma justificativa para a queda observada ao longo dos anos seja a existência de uma demanda regional no

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momento de abertura do curso, a qual foi sendo suprida posteriormente. Mas para a confirmação desta suposição, faz-se necessário a análise de mais dados, o que foge ao escopo deste trabalho.

## Situação acadêmica dos estudantes

Analisando os dados disponibilizados, construímos o gráfico 1 que mostra a situação dos estudantes matriculados em Física, desde 2006.

Figura 1 : Situação dos estudantes no curso de Física desde 2006

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Há uma discrepância entre a porcentagem de estudantes que desistiram e os concluintes, sendo de 51% e 21% respectivamente.

As estatísticas nos mostram que dentre 50 alunos que ingressam no curso de Física, em média, 25 desistem e somente 10 concluem. Observamos, portanto, que os índices de evasão no curso são muito altos. Uma possível justificativa seja o alto índice de reprovações já no início do curso, mais especificamente nas disciplinas de Física 1 e Cálculo 1.

Na modalidade licenciatura, oferecida desde 2012, temos um total de 80 alunos, sendo que, desse total 72% ainda estão em curso, 23% desistiram e somente 5% se formaram.

## Índices de evasão por ano de ingresso

A análise foi feita a partir do ano de 2012, ou seja, ano de início da modalidade licenciatura. O gráfico 2 contém a relação de alunos que ainda estão em curso, desistentes e concluintes para o caso da licenciatura.

Figura 2: Situação acadêmica dos alunos da licenciatura.

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Observa-se que os índices de desistência por ano são bem elevados, talvez em decorrência de fatores como: a) excesso de tarefas no primeiro semestre; b) conhecimentos deficientes em matemática básica; e c) expectativas não atendidas em relação ao curso (evasão vocacional).

Com base nos dados analisados podemos inferir uma média do índice de evasão no curso de Licenciatura em Física do IBILCE/UNESP de aproximadamente 30%, sendo que esse índice pode aumentar ao longo dos anos, em decorrência de alunos que ainda podem evadir.

## Percentual de evasão, de diplomados e de matriculados nos cursos de Física da UNESP no período 2000-2015

Consideramos significativo comparar os dados de evasão do campus de São José do Rio Preto com os demais campus. A Tabela 3 apresenta os dados percentuais de alunos desistentes, diplomados e matriculados entre os anos de 2000 a 2015.

Tabela 3:

Percentual de evasão, de diplomados e de matriculados nos cursos de Física da UNESP no período 2000-2015.

Como podemos observar, a porcentagem de evasão das turmas de Guaratinguetá e São José do Rio Preto são as maiores, sendo 61% e 56%, respectivamente. Por outro lado, percebemos uma proximidade entre os percentuais de evasão.

## Considerações Finais

Nosso estudo procurou analisar, do ponto de vista quantitativo, a evasão dos estudantes do curso de Física, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, da UNESP, em especial da modalidade Licenciatura.

Nossas ações respondem as questões norteadoras que propuséssemos a responder. Como mencionado anteriormente, a relação candidato/vaga no processo seletivo para ingresso no curso possui uma média de 2.7.

Quanto a situação acadêmica dos estudantes no presente momento, os dados obtidos e analisados mostram que do total de 649 estudantes ingressantes, 132 concluíram e 129 estão matriculados.

No que se refere aos índices de evasão por ano de ingresso, os dados a que chegamos são preocupantes e alarmantes, uma vez que os índices de desistência por ano são bem elevados. Esse aspecto nos leva a uma reflexão sobre as ações

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que estão sendo tomadas, ou que deveriam ser implementadas, pela gestão do curso e da universidade para a redução desses índices.

Observa-se que, quase toda a evasão dos estudantes ocorre até o sétimo semestre, com intensificação no terceiro semestre. Nota-se que, assim como acontece nos outros cursos, a evasão decai para os semestres mais avançados do curso.

Em trabalhos futuros iremos apresentar os resultados que obtivemos do levantamento de um questionário enviado aos alunos desistentes, ou seja, apresentaremos a análise qualitativa de nosso estudo.

## Referências

ARRUDA, S. M.; UENO, M. H. Sobre o ingresso, desistência e permanência no curso de Física da Universidade Estadual de Londrina: algumas reflexões. Ciência &amp; Educação , v.9, n.2, p. 159-175, 2003.

BARROSO, M. F.; FALCÃO, E.B.; Evasão Universitária: O caso do instituto de Física da UFRJ. IX Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Física .

SILVA, M. B.; FRANCO, V. S. Um estudo sobre a evasão no curso Física da Universidade Estadual de Maringá: modalidade presencial versus modalidade à distância. Revista Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Distância , v.13, p. 337360, 2014.

CANDEIAS, E. L. Análise geral sobre a evasão do curso de Licenciatura em Física. XIX Encontro Nacional de Grupos PET , 2014.

RIBEIRO, B. V. SILVESTRE, C.H.; Um estudo da evasão no curso de graduação em Física da UNB. Relatório à comissão de Graduação do Instituto de Física , 2008.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.