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USO DE AVALIAÇÃO MEDIADORA COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM DE LEIS DE NEWTON

Samia Abadia Dantas

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## USO DE AVALIAÇÃO MEDIADORA COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM DE LEIS DE NEWTON

## Samia Abadia Dantas

IFTM Campus Avançado Uberaba Parque Tecnológico, samia@iftm.edu.br.

## Resumo

O presente trabalho traz o relato de uma avaliação da disciplina Física, que trata das Leis de Newton, aplicada em uma turma do primeiro ano do curso técnico em computação gráfica integrado ao ensino médio. A avaliação foi realizada em grupo de forma que estimulou os integrantes do grupo a discutirem cada situação tratada e impossibilitou aos mesmos realizarem a habitual 'colcha de retalhos' em que cada um faz uma parte e no final as partes são apenas 'costuradas'. A discussão entre os estudantes é parte importante da avaliação mediadora e visa à construção da aprendizagem e não apenas sua verificação. Aos discutir os conteúdos entre seus pares e sem a presença da figura hierárquica do professor, espera-se que os estudantes auxiliem uns aos outros a identificar suas dificuldades e propor formas de compreensão. As interações em grupo, como indica este trabalho, podem apontar um caminho para o professor diante do desafio de atender a toda a diversidade da sala de aula de forma igualitária, pois, além da socialização de conhecimentos, forneceram aos estudantes um ambiente de cooperação.

Palavras-chave : avaliação mediadora, ensino de física, ensino médio.

## Introdução

Um dos grandes desafios a serem transpostos ao longo da educação básica: é assim que muitos estudantes do ensino médio encaram a disciplina Física. E quando se trata de avaliação, não são raras situações em que o nervosismo e a ansiedade provocados pelas tradicionais provas deixam estudantes sem condições de resolvê-las, ainda que tenham se preparado. Para Hoffmann (apud GONÇALVES e NEY, 2010) o sistema de avaliações classificatórias, para as quais os estudantes apenas memorizam a resposta esperada pelo professor, é vago por não conseguir apontar as falhas no processo de aprendizagem dos alunos e nas práticas de ensino utilizadas pelo professor.

Uma alternativa a avaliação classificatória é a avaliação mediadora que, de acordo com Jussara Hoffmann (apud GONÇALVES e NEY, 2010) leva o professor a prestar mais atenção e entender melhor o aluno, propor-lhe questões novas e desafiadoras, visando guiar o estudante por um caminho voltado à autonomia moral e intelectual.

Na tentativa de promover uma avaliação de cunho moderador, que traga à tona as ideias e dificuldades dos estudantes (GONÇALVES e NEY, 2010) e reconduza o planejamento de ações educativas, foi organizada uma atividade em grupo, visando também permitir que os estudantes fiquem à vontade para expor

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seus pensamentos e raciocínios uns com os outros, de forma que o professor se mantenha distante, participando apenas quando solicitado.

A atividade avaliativa relatada neste trabalho foi utilizada na abordagem das Leis de Newton e desenvolvida com uma turma do primeiro ano do curso Técnico em Computação Gráfica integrado ao Ensino Médio durante o início do segundo trimestre letivo de 2018 e contou com a participação de 30 estudantes.

A turma era bastante heterogênea, possuindo estudantes com grande interesse pela disciplina Física e consequentemente com bastante facilidade no seu entendimento ao mesmo tempo em que outros a rejeitam de antemão e mantém um rendimento ruim, alegando geralmente dificuldades de compreensão. A turma tem aulas da disciplina em três horários de aulas por semana, cada um com 40 minutos de duração, e os três sempre são colocados em sequência na grade horária da turma. Apesar da atividade aqui descrita ocupar as aulas de duas semanas de aula, todas aconteceram na mesma semana em virtude de um ajuste no calendário letivo da instituição.

Destacamos neste texto a participação de quatro estudantes, aqui chamadas de A, B, C e D para a manutenção das suas identidades. As alunas A e B relatam dificuldades com os conteúdos da Física desde o início do ano letivo, no entanto tem conseguido desenvolver as atividades propostas. Apesar da aluna A, não ter atingido os 60% da nota no primeiro trimestre, aproveitamento mínimo adotado pela escola para a aprovação nas disciplinas, ela conseguiu 59% e comentou já ter percebido que o seu desempenho é influenciado pelas atividades propostas, mas que depende majoritariamente dela. A aluna B chegou a 75% de aproveitamento, mas ainda se queixava de se confundir durante as avaliações e acabar errando questões mesmo tendo compreensão mínima do conteúdo. As alunas C e D ficaram, no primeiro trimestre, com rendimento 38% e 41% respectivamente, na disciplina. Estas sempre afirmam que tem dificuldades e não é raro deixarem de fazer as atividades propostas pela professora. Vale destacar que a aluna C está repetindo o primeiro ano e a disciplina Física está entre aquelas em que a mesma reprovou no ano anterior.

Desse modo, o objetivo do presente trabalho é demonstrar como a interação ocorreu entre essas quatro alunas através da proposta de atividade avaliativa de Física em grupo e obter indícios que estimulem a utilização desse tipo de atividade.

## Descrição do trabalho desenvolvido

A turma foi orientada a se organizar em grupos com quatro ou cinco componentes dando origem a seis grupos de trabalho. A professora não fez exigências quanto à composição dos grupos, que foram criados livremente pelos estudantes a partir de critérios próprios. Essa decisão foi tomada atendendo a um pedido da turma de permitir que eles escolhessem livremente os grupos de trabalho. Tal pedido foi feito após a realização de outra atividade em grupo na qual a professora organizou os grupos de forma aleatória. As estudantes C e D se mostravam quase indiferentes à realização da atividade e foram incluídas no grupo pelas estudantes A e B.

Cada grupo recebeu uma folha com local indicado apenas para identificação dos integrantes, para auto avaliação e avaliação da atividade. As questões a serem

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respondidas foram entregues separadamente, em blocos contendo um ou dois problemas de forma que cada grupo recebeu apenas um bloco por vez. Os estudantes precisariam identificar a questão com a qual trabalhavam antes de apresentar sua resposta. Após cerca de 10 minutos, que a professora ajustava conforme percebia a dificuldade dos grupos em finalizar as questões propostas, um estudante de cada grupo levaria o bloco que seu grupo havia utilizado para o grupo seguinte enquanto recebia de outro grupo um novo bloco.

Os problemas apresentados nos blocos buscavam oferecer situações diversas, tanto na forma de abordagem do conteúdo quanto no nível de dificuldade apresentado, para que os integrantes discutissem. A Figura 01 traz, como exemplo, um dos blocos de atividades utilizadas na avaliação. Este bloco foi considerado de dificuldade intermediária pela maioria dos estudantes, pois, apesar de não envolver cálculos matemáticos, demandava relacionar os conteúdos estudados com situações cotidianas.

Figura 01: Exemplo de bloco de atividades para discussão do grupo.

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Da mesma forma que Dantas (2017), a professora considera que esta dinâmica de atividade em grupo foi uma alternativa viável encontrada para evitar a tão comum 'colcha de retalhos' em que cada componente responderia uma questão e depois tudo seria 'costurado' sem qualquer tipo de discussão. A discussão entre os estudantes, segundo Gonçalves e Ney (2010), ajuda estabelecer melhor relação entre as ideias, pois como eles não estão submetidos a uma relação de hierarquia, cada um busca argumentos na intenção de convencer os demais.

Foram respondidas oito questões de variados tipos por cada grupo: situações contextualizadas para identificação da Lei de Newton envolvida, uso adequado dos conceitos massa e peso, descrição da forças aplicadas nos corpos, aplicação das leis de newton para a solução de problemas.

A professora circulava pela sala acompanhando as discussões dos grupos e não via problemas em auxiliar caso alguém pedisse sua ajuda, como quando as alunas A e B chamaram para confirmar se haviam entendido bem o que o problema que falava de uma suposta dieta de se mudar para a Lua pedia e se a proposta de solução que apresentavam era satisfatória.

A atividade contava também com uma questão de autoavaliação em que cada estudante indicaria seu nível de envolvimento e participação, segundo sua perspectiva e para completar era necessário que os grupos avaliassem a própria atividade.

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Nas aulas seguintes, que por um ajuste no calendário letivo da instituição ocorreram na mesma semana, a turma foi orientada a se organizar formando novamente os mesmos grupos e cada um dos blocos foi entregue a um grupo. A professora concedeu um tempo, cerca de 15 minutos, para que cada grupo conseguisse a melhor compreensão possível da questão que recebeu, pois a seguir o grupo explicaria aquela questão para a turma.

O grupo era livre para escolher quem faria a apresentação. E novamente era necessário avaliar a atividade.

## Resultados

Durante a realização do rodízio, todos os grupos mostraram boa interação entre seus componentes que, em algumas ocasiões precisavam ser lembrados de não aumentarem tanto o volume da voz e se concentrarem, pois, durante as discussões, riam de seus próprios erros, não continham as exclamações em voz alta ao compreenderem o que um colega explicava, discutiam de forma acalorada quando não concordavam com a solução apresentada por um colega, comemoravam quando chegavam a um consenso, levantavam de suas cadeiras na tentativa de facilitar a compreensão de um colega que tivesse com dificuldade ou até para compreender melhor o que outros integrantes do grupo discutiam.

Mesmo tendo sido esclarecido no início da atividade que sua intenção era de garantir a discussão entre os integrantes do grupo e, por isso as questões seriam recebidas em blocos, alguns alunos perguntaram se não era possível entregar as questões seguintes para que alguns integrantes do grupo adiantassem sua resolução, o que corrobora o hábito de fazer uso da 'colcha de retalhos' em atividades em grupo.

Em alguns casos o grupo só queria o próximo bloco, pois já havia finalizado aquele com o qual trabalhavam e, nesses casos a professora disponibilizou uma questão extra, versando sobre a determinação de massa e peso em locais com diferente gravidade ou uma questão que tratava de um corpo em situação de equilíbrio.

Ao perceber que colegas faziam uso do bloco extra, outros grupos perguntaram se também poderia usar e a professora esclareceu que nada impedia que todos os grupos utilizassem as questões, no entanto tais questões extras eram destinadas aos grupos que já haviam finalizado o bloco que receberam e não deveria substituir o mesmo, e que a prioridade era finalizar o bloco original do grupo.

Considerando a interação entre as integrantes do grupo e a mudança de postura das mesmas em relação à realização da atividade quando comparada com outras propostas em outros momentos, o grupo que mais despertou atenção da professora foi aquele formado pelas estudantes tratadas aqui como A, B, C e D. O grupo chamou a professora várias vezes durante a realização do rodízio e ficou claro que a aluna A tomou para si a posição de liderança do grupo, conduzindo as discussões e tentando incluir as demais sempre que conseguia. A aluna B, participava ativamente nas discussões, mas as alunas C e D evitavam falar sobre as questões especialmente quando a professora se aproximava, o que evidencia o receio das mesmas em falar algo indevido diante da figura hierárquica da professora. Percebendo essa postura, a professora passou a observar o trabalho do

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grupo mais à distância para permitir que todas se expressassem nas discussões e só se aproximava quando realmente chamada.

No que se refere à participação dos estudantes na realização do rodízio de problemas, toda a turma, exceto as alunas C e D - que consideraram que sua participação teria ficado limitada em 40% da atividade - responderam que sua participação teria sido satisfatória (a partir de 60%). Mesmo tendo participado pouco, a estudante C destaca que a atividade foi útil para melhorar seu conhecimento, escrevendo 'ajudei muito pouco, aprendi mais '. E a estudante D complementou os dizeres da colega, escrevendo

Tenho bastante dificuldade na matéria, mesmo não ajudando muito na dinâmica, consegui aprender acompanhando o raciocínio do grupo.

Da mesma forma que este grupo, todos os demais deram feedbacks favoráveis à atividade, como escreveram outros alunos:

Nosso grupo concordou que foi uma ótima atividade onde adquirimos mais conhecimento e tiramos dúvidas da matéria. O trabalho, por ter sido realizado em grupo e pela forma de distribuição das questões acabou sendo uma atividade divertida e não cansativa.

Mesmo gostando de realizar a atividade, alguns grupos apontaram dificuldades na execução como o descrito por um terceiro grupo:

O método utilizado pela professora foi bastante útil e produtivo. Em geral tivemos facilidade, porem a partir do momento que envolveu a força de tração tivemos dificuldades no desenvolvimento.

Outros consideraram que o tempo marcado para cada questão teria feito parecer que a dificuldade deles era maior, escrevendo:

O trabalho deu pouco tempo para concluir as questões por isso tivemos um nível de dificuldade maior.

Após a correção dos problemas resolvidos durante o rodízio constatou-se que nenhum dos grupos ficou com rendimento menor que os 60% preconizados para aprovação pela instituição e alguns chegaram a acertar integralmente os problemas.

- O problema que mais foi errado pelos grupos durante o rodízio de questões tratava sobre o fato de que forças que formam um par ação-reação não se anulam por atuarem em corpos diferentes e no momento dos grupos prepararem as apresentações também foi a que mais precisou de interferência da professora.
- Na apresentação da solução para o problema o grupo formado pelas alunas A, B, C e D também ocupou uma posição de destaque para a professora, pois fizeram questão de que todas as estudantes participassem da apresentação, diferentemente da maioria dos demais grupos. As estudantes C e D, que evitavam participar da atividade do rodízio com a proximidade da professora, mostraram outra postura no momento da apresentação, engajadas na solução, fizeram questão de representar as forças que atuavam nos corpos e descrever a força resultante atuante em cada corpo envolvido no problema. Deixando a montagem e a resolução da equação da segunda lei de Newton para as demais colegas.

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## Considerações

Consideramos que o objetivo de promover a discussão entre os integrantes dos grupos sobre cada questão-problema proposta, na busca por responder da melhor maneira possível à avaliação foi alcançado. Essa discussão viabilizou que uns pudessem auxiliar os outros a identificar suas dificuldades e por se tratar de colegas e não da figura hierárquica do professor, a interação entre eles pareceu natural, tanto que ficaram mais à vontade inclusive para pedir ajuda.

- O estabelecimento de interações pautadas no respeito e na cooperação é aqui percebido como vantagem na realização de atividades escolares, uma vez que em tempos atuais vivenciamos um cenário nacional de discórdia e crise em que cada um quer extrair para si o máximo de vantagens sem se importar com a condição do outro. E como registrou o grupo cujo texto está transcrito a seguir,

Houve interação entre os integrantes e assim aqueles que sabiam mais ajudaram os que sabiam menos e assim cada um aprendeu um pouco mais (sic).

é possível que cada um melhore auxiliando no crescimento do outro.

No que se refere às notas - que não são utilizadas aqui apenas para classificação, mas são necessárias para os registros formais da disciplina -consideramos que a atividade descrita neste trabalho tem potencial para superar os resultados conseguidos em avaliações tradicionais. Sabendo que no primeiro trimestre, os acertos em avaliações classificatórias ficaram entre 7% e 94% para a turma observada neste trabalho, resultados de 60 a 100% são muito positivos. Mesmo lembrando que a comparação entre os resultados do primeiro trimestre e os obtidos com a atividade aqui descrita é apenas ilustrativa, uma vez que esta turma não realizou atividades avaliativas classificatórias sobre as Leis de Newton, mas sobre outros conteúdos, acreditamos que os resultados são muito promissores.

Acreditamos que a atividade pode ser adaptada, se necessário, para aplicação em outras turmas e para conteúdos diversos e por isso consideramos que tenha grande potencial de favorecer a inclusão. Vale destacar que nem todas as pessoas com necessidades de aprendizagem específicas apresentam alguma deficiência ou laudo médico de transtorno, e por isso é preciso que o professor esteja atento a toda essa diversidade. Identificar as necessidades específicas de seus estudantes é o primeiro passo para reorganizar suas práticas de ensino de modo a atender a todos de forma igualitária. O desafio é enorme, mas as experiências têm demonstrado que as práticas em grupo produzem resultados inesperados, visto que a grande questão do trabalho com a diversidade é a eliminação de todo tipo de exclusão.

## Referências

GONÇALVES, Márcia R.; NEY, Marlon G. Contribuições da avaliação mediadora para a melhoria da qualidade da Educação. Agenda Social . v. 4 , n.2, p. 96-98, 2010.

DANTAS, S. A. Avaliação Mediadora Favorecendo a Inclusão no Ensino de Física. In: ENCONTRO MINEIRO SOBRE INVESTIGAÇÃO NA ESCOLA, 8, 2017, Uberlândia. VIII EMIE : Uberlândia, UFU, 2017. Disponível em &lt;http://www.emie.facip.ufu.br/node/48&gt;. Acesso em 9 jul. 2018.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.