Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

AS PESQUISAS SOBRE O ENSINO DA FÍSICA DAS RADIAÇÕES IONIZANTES NOS ANAIS DA ''CONFERENCE OF THE EUROPEAN SCIENCE EDUCATION RESEARCH ASSOCIATION (ESERA)"

Igor Machado Nossa, Lucas Galdino Mendes, Leandro Londero

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2019

Texto completo

## AS PESQUISAS SOBRE O ENSINO DA FÍSICA DAS RADIAÇÕES IONIZANTES NOS ANAIS DA 'CONFERENCE OF THE EUROPEAN SCIENCE EDUCATION RESEARCH ASSOCIATION (ESERA)'

## Igor Machado Nossa 1 , Lucas Galdino Mendes 2 , Leandro Londero 3

- 1 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', igornossa@gmail.com
- 2 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', lucasgaldiino@hotmail.com
- 3 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho'/Departamento de Educação/Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, leandro.londero@unesp.br

## Resumo

Apresentamos os resultados de um levantamento sobre o ensino da Física das Radiações Ionizantes, com foco nos trabalhos publicados nos anais da 'Conference of The European Science Education Research Association (ESERA)'. O critério de seleção para a escolha deste evento foi sua representatividade dentro da área de Ensino de Física e Educação em Ciências, no cenário europeu. Procuramos responder o seguinte problema: Qual é o panorama da pesquisa sobre o ensino da Física das Radiações Ionizantes na ESERA? Para tanto, revisamos da edição I até a edição XII, identificamos a frequência de produções por ano e década, as abordagens teóricas e metodológicas e as lacunas existentes. Identificamos apenas 03 produções, distribuídas em 03 edições diferentes. Consideremos extremamente baixo o índice de publicações com a temática em questão. Esse fato nos dá indícios que o Ensino de Radiações Ionizantes é uma temática próspera para o desenvolvimento de investigações. Elaboramos uma síntese dos três trabalhos encontrados, para destarcamos quais são os focos de pesquisa, os objetivos e os resultados de cada um deles.

Palavras-chave : Revisão de literatura, Radiações ionizantes, ESERA.

## Introdução

A descoberta da radioatividade ocorreu pouco tempo após da descoberta dos raios-x como Lima, Pimentel e Afonso (2011) apontam:

Os últimos anos do século XIX e os primeiros do XX foram marcados pela descoberta dos raios-x e da radioatividade, que viriam a revolucionar as teorias atômicas. Tais descobertas também estimularam desde aquela época inúmeras pesquisas, visando não só entender aqueles novos fenômenos como também propor aplicações destes.

Em 1895, o físico alemão Wilhelm Konrad Röntgen (1845-1923) ao investigar a luminescência com raios catódicos, descobriu de maneira acidental um novo tipo de radiação. Como esse cientista não conhecia qual era exatamente a natureza desses raios, ele chamou-os de raios X.

De acordo com Strathern (2000), 'a radioatividade estava conduzindo a ciência para uma nova era. A física clássica, que tinha seu protótipo em Newton, acreditava que o universo operava de maneira essencialmente mecânica.'

A partir da descoberta de Roetgen, começaram a surgir mais pessoas que empenhavam-se arduamente na tentativa de compreender esse novo fenômeno. Becquerel realizou experimentos com um sal duplo de Urânio que acreditava possuir um tipo de fluorescência invisível, a qual era capaz de ionizar gases, entretanto

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

possuía um poder de penetração maior que o raio X. De acordo com Strathern (2000), 'o beco sem saída em que Becquerel se viu metido com seus experimentos oferecia um desafio empolgante' que acabou sendo investigado, inicialmente, por Marie Currie e posteriormente recebendo a companhia de seu marido Pierre.

Apesar da riqueza de detalhes históricos e aplicações no cotidiano, em relação ao ensino de Física das Radiações, temos a percepção em virtude de nossa prática docente que ele é pouco explorado no ensino médio. O estudo das radiações segue previsto nos currículos como um dos conteúdos de Física Moderna que deveria ser abordado, pois se trata de um assunto com diferentes aplicações práticas, podendo ser ministrado no contexto de uma abordagem interdisciplinar.

Dentro do tema de radiações, o conteúdo de radioatividade que está previsto nos currículos do ensino médio de Física no Brasil, é um conteúdo que abrange diversas questões da atualidade, sendo estipulado nas orientações curriculares oficiais como potencial para a elaboração de práticas pedagógicas que possibilitem o desenvolvimento de competências diversas, como representação e comunicação, investigação e compreensão, contextualização sociocultural (BRASIL, 2006).

Há muito se sabe que existe uma tendência de relacionar a ideia de radiação aos seus efeitos negativos, relacionados ao ataque às cidades de Hiroshima e Nagazaki, ao acidente radiológico de Goiânia, à explosão do reator nuclear de Chernobyl e ao recente acidente envolvendo a usina nuclear em Fukushima. A análise e repercussão do efeito da radiação ionizante, em proporções catastróficas, como no caso desses fatos históricos, possibilitaram a geração de uma série de medos, ansiedades e preocupações com os temas e tecnologias relacionados a qualquer tipo de radiação. Entretanto, a Física Nuclear contribuiu significativamente para o entendimento da natureza da matéria, e consequentemente, trouxe benefícios para a geração energia, meio ambiente, acidentes nucleares, lixo atômico, medicina, entre outros, além de ser fundamental para compreensão da estrutura do átomo.

Diante disso, identificamos a importância da disseminação do conhecimento da Física Nuclear, que atualmente é muito pouco abordada em sala de aula, em particular, no ensino médio. Algumas razões são apontadas: decisões curriculares, nas quais o assunto é considerado sem importância para os estudantes; os autores de livros didáticos apresentarem o conteúdo de radioatividade nos últimos capítulos do livro de Física e a deficitária formação dos professores sobre esse conteúdo.

## Objetivo, problema, questões de pesquisa

Nossa investigação teve por objetivo realizar uma revisão bibliográfica referente a produção acadêmica sobre o Ensino da Física das Radiações Ionizantes, tomando como fonte de informações os anais da 'Conference of The European Science Education Research Association (Esera)'. Buscamos sintetizar os avanços, as ideias convergentes e procuramos sinalizar perspectivas. Assim, procuramos responder o seguinte problema:

## Qual é o panorama da pesquisa sobre o ensino da Física das Radiações Ionizantes na ESERA?

Esse estudo teve como motivação e foi permeado pelas seguintes questões: Qual a frequência de produções identificadas? Quais são as abordagens teóricas e metodológicas? Quais são os focos de pesquisa dominantes e as lacunas

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

existentes? A que resultados, em seu conjunto, as pesquisas têm chegado? Quais são as sugestões dos autores para mudanças e inovações da prática pedagógica, no que se refere ao Ensino da Física das Radiações Ionizantes?

## Desenvolvimento

Para o desenvolvimento do nosso estudo, revisamos as edições da ESERA. O critério de seleção para a escolha desta conferência foi o da representatividade dentro da área de Ensino de Física e Educação em Ciências, no cenário europeu. O Quadro 01 apresenta as edições e anos revisados.

Quadro 01: Edições da ESERA revisadas

Todos as edições foram revisadas em suas respectivas páginas na internet e nos arquivos disponíveis para download . Os artigos identificados foram registrados em tabelas nas quais constam a edição, o título do artigo, o(s) autor(es), o ano de publicação, a universidade, o país, a sessão na qual foi publicado e o número da página na qual é encontrado.

Após a conclusão da etapa de identificação dos estudos desenvolvidos, realizamos a leitura cuidadosa de cada uma das publicações, integralmente. Para tanto, dividimos as produções mapeadas em categorias de análise relativas ao tipo de estudo.

Por fim, analisamos o conteúdo das produções e registramos os dados obtidos em quadros e tabelas, construídas especificamente para este estudo, nas quais sintetizamos as frequências, os temas, os objetivos, as problemáticas, abordagens, quadros teóricos, metodologias, resultados, conclusões, lacunas existentes, sugestões e proposições apresentadas e contribuições para mudanças e inovações da prática pedagógica, com o objetivo de respondermos nossas questões de estudo.

## Resultados

No levantamento realizado, mapeamos 03 estudos desenvolvidos na última década. O Quadro 02 apresenta os trabalhos com seu respectivo título, sessão e ano no qual foi publicado na conferência da ESERA.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Quadro 02: Trabalhos identificados

Diante do número de trabalhos encontrados nesse levantamento, podemos considerar extremamente baixo o índice de publicações com a temática em questão. Isso nos dá indícios que o Ensino de Radiações Ionizantes é uma temática próspera para o desenvolvimento de investigações.

Elaboramos uma síntese dos três trabalhos encontrados, para destarcamos quais são os focos de pesquisa, os objetivos e os resultados de cada um deles.

No trabalho de Plotz e Hollenthoner (2017) o objetivo foi de investigar as percepções dos alunos sobre o conceito 'radiação', antes da exposição deste conteúdo em sala de aula. Mais especificamente, o estudo procurou: a) investigar se a escola e os estudantes associam o Desastre Nuclear de Fukushima ao conceito de radiação, passados cinco anos do acidente na usina até a época em que a pesquisa foi implementada; b) investigar até que ponto os resultados do estudo correspondem ou divergem de um estudo anterior o qual utilizou os mesmos métodos de pesquisa; c) analisar as diferenças entre os desenhos produzidos pelos alunos, considerando a idade, o tipo de escola e a origem regional deles.

O autor aponta que há uma longa tradição de usar desenhos infantis na pesquisa em psicologia. Para ele:

Desenhos são usados para analisar o estágio de desenvolvimento e os estados emocionais das crianças. Eles fornecem uma visão nos pensamentos e sentimentos das crianças. Desenhos também são usados no aprendizado de psicologia e no ensino prático para investigar a compreensão dos alunos. Na educação em ciência, há o famoso teste 'Desenhe um Cientista' que é usado para encontrar as concepções dos estudantes sobre a natureza da ciência. Desenhos foram implementados em vários campos da educação científica, por exemplo, a educação em biologia, ciência ambiental, educação tecnológica e educação em ciências da terra. A maioria dos estudos usa desenhos como uma forma adicional, que dá aos alunos chance de expressar suas idéias e concepções além de escrever textos ou responder a perguntas da entrevista. (Plotz e Hollenthoner, 2017).

Para o desenvolvilmento da pesquisa, Plotz e Hollenthoner (2017) entregaram aos alunos uma folha de papel em branco e a palavra 'Strahlung' (a palavra alemã para radiação) foi escrita no quadro na sala de aula. Os autores ou o(a) professor(a)

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

pediram aos alunos que desenhassem o que lhes surgia à mente, após verem a palavra no quadro. Durante o período de desenho, o(a) professor(a) não respondeu a nenhuma pergunta específica e os alunos foram encorajados a desenhar o que imaginassem. Após 10 a 15 minutos os papeis foram recolhidos.

Os autores coletaram desenhos de 479 estudantes (de 10 a 12 anos) de diferentes escolas de Viena e de uma pequena cidade no campo. As observações mostraram que completar a tarefa era mais fácil para os alunos mais jovens do que para os alunos mais velhos. A porcentagem de desenhos do sol não mudou de forma significativa entre o estudo anterior e o estudo feito por Plotz e Hollenthoner (2017). O que se destaca é o grande aumento de desenhos de celulares e monitores. Para os autores, o resultado mostra que a maior acessibilidade aos celulares e computadores são as principais razões para esse aumento.

- O mais interessante foi o aparecimento de laser e espada laser em cerca de 11% dos desenhos. Nos meses anteriores e durante o processo de coleta de dados ocorreu uma enorme campanha de mídia para o novo o filme de Star Wars, então os autores assumiram que havia uma conexão entre esses eventos.

Os resultados não mostraram muita conexão com o Desastre Nuclear de Fukushima. O ligeiro aumento da categoria de radioatividade ocorreu, segundo os autores, por causa das imagens de aplicações como tratamento de câncer, que foram ligadas à radiação nuclear. Plotz e Hollenthoner (2017) também examinaram desenhos com rostos sorridentes, que faziam parte da categoria etimológica. Para entender a conexão entre um sorriso e radiação, o conhecimento da língua alemã é necessário. Um sorriso brilhante significa que o rosto está irradiando em alemão. Houve também uma diferença no surgimento de lasers e desenhos relativos à radioatividade em desenhos entre crianças urbanas e rurais.

Por sua vez, Plotz e Hopf (2015) comentam que, nas últimas décadas de pesquisa educacional, muitas pesquisas no campo sobre equívocos dos estudantes foram realizadas. Existem muitas concepções para mecânica, óptica ou termodinâmica documentada. No entanto, enfatizam que há pouca pesquisa no campo da radiação eletromagnética invisível e os resultados estão apontando diferentes equívocos para a radiação eletromagnética. Para cada tecnologia moderna (WIFI, microondas, telefones móveis...) a radiação eletromagnética é uma parte importante.

Perante isso, os autores defendem que os alunos devem ter uma boa compreensão dos conceitos científicos de radiação. Para tanto, realizaram uma pesquisa cujos objetivos foram: a) encontrar e descrever equívocos de estudantes sobre radiação eletromagnética, considerando se os equívocos são semelhantes ou diferentes aos encontrados em Neumann e Hopf (2012); b) entender os processos de aprendizagem dos alunos por meio de suas pesquisas, ou seja, conhecer o que eles aprendem e se mudam suas concepções sobre radiação; c) investigar se houve uma mudança observável, de que maneira a mudança pode ser observada e que tipo de problemas podem ser testemunhados.

- O estudo foi concebido como estudo de caso. Um grupo de sete estudantes (com idades entre 17 e 18 anos) de quatro escolas diferentes em Viena se ofereceram para trabalhar com o autor por mais de um ano. Esses alunos realizaram um pequeno estudo sobre as concepções dos alunos mais jovens sobre a radiação. Estes estudos foram concebidos como estudos empíricos com entrevistas ou questionários. Esta tarefa de pesquisa fazia parte do exame final, em que eles foram

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

solicitados a escrever um relatório adicional e fazer uma apresentação dos resultados obtidos.

Antes dos alunos começarem a trabalhar em seu estudo, uma entrevista semi-estruturada foi realizada. Houve várias perguntas sobre as percepções da radiação para criar diferentes associações com o termo 'radiação eletromagnética'. Essas associações foram agrupadas em um mapa mental e os alunos explicaram por que eles organizaram isso de maneira particular. Além disso, os alunos foram questionados sobre seus conhecimentos sobre raios X, radiação ultravioleta, radiação infravermelha e microondas.

Devido às explicações dos alunos, os autores foram capazes de enriquecer as informações contidas nesses mapas. Os mapas foram comparados a uma ordem científica dos termos trazidos pelos alunos. Essa ordem científica foi feita pelo autor e discutida com especialistas em educação científica e com professores em docência para validar o mapa 'certo'. Durante a pesquisa, os alunos foram supervisionados e continuamente orientados (por exemplo: como conduzir a pesquisa, como analisar a data e assim por diante) pelos autores e seus professores. Eles usaram métodos diferentes para investigar as concepções dos alunos mais novos e tentaram trabalhar de maneira científica.

Os alunos escreveram um relatório final e apresentaram os resultados em uma apresentação de quinze minutos. Essas apresentações foram filmadas. Posteriormente, uma pós-entrevista com perguntas semelhantes à primeira foi realizada. Durante todo o ano do estudo, uma enorme quantidade de dados foi coletada e nem todos os dados foram analisados.

Os resultados levaram a algumas conclusões interessantes. Primeiro, os mapas mentais levam à suposição de que o conhecimento não é estruturado. Isso levou à conclusão de que os estudantes não tinham conhecimento para entender as estruturas básicas no campo da radiação. Os autores consideraram este fato como surpreendente porque os alunos estavam no final de sua instrução em física na escola e a radiação invisível faz parte do currículo na Áustria. Para os autores, talvez uma mudança no currículo seja a solução para esse problema. No entando, esclarecem que diferentes tipos de radiação aparecem em diferentes pontos do currículo de física.

Em segundo lugar, eles consideraram surpreendente que os alunos tiveram uma melhor compreensão sobre os perigos das radiações. Houve uma grande variação nas respostas dos alunos em relação ao perigo. Os raios X, por exemplo, foram considerados úteis no contexto do uso médico, mas também foram identificados como causadores do câncer.

Terceira e última conclusão que os autores chegaram refere-se ao problema das diferenças artificiais e naturais. A questão se a radiação é artificial ou natural não é importante no mundo da física; assim, Plotz e Hopf (2015) concluem que o resultado é desprezível do ponto de vista do físico profissional. Tendo em mente que os estudantes constantemente lutam com essa questão, os autores concluiram que o ensino de radiação, como um tópico, deve evitar esse problema. Eles argumentam que, muitas vezes os alunos vinculam sentimentos negativos ao adjetivo artificial. Então, quando os professores introduzem radiação no contexto de coisas técnicas, a radiação pode estar ligada a esse sentimento negativo. Os professores assumiram que o tópico é interessante para os alunos quando está ligado ao seu cotidiano.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Por fim, os autores sugeriram a introdução da radiação como um fenômeno natural e, portanto, que seja abordado os aspectos positivos que estão ligados ao adjetivo natural. Ainda, é necessário desenvolver conceitos e materiais de ensino para abordar essa ideia e ajudar os alunos a entender esse princípio básico.

Já Tezcan, Erçoklu, Aksu e Ekmekci (2009) realizaram um estudo com 180 alunos do primeiro ano do ensino médio em Maltepe, instituição particular de ensino preparatória para o vestibular. Os estudantes eram oriundos de diferentes escolas secundárias e leram tópicos de radioatividade em suas respectivas escolas.

Os alunos foram submetidos a 20 perguntas 'Teste Conceitual de Radioatividade' sobre radioatividade para determinar seu conhecimento prévio sobre o assunto. Havia dois grupos igualmente bem sucedidos formados. Um deles foi ensinado pelo 'Método Tradicional' (grupo controle) e o segundo foi ensinado por 'Abordagem Construtivista' (grupo experimental).

No final do período letivo, aplicou-se as mesmas 20 perguntas sobre radioatividade como teste final, e houve mudanças significativas entre as taxas de sucesso dos dois grupos. Conclui-se que o ensino com método construtivista foi muito mais bem sucedido. Os autores realizam, ainda, entrevistas com 13 alunos selecionados de ambos os grupos, a fim de definir as razões subjacentes aos equívocos ainda mantidos após a instrução.

## Considerações Finais

Em nosso trabalho, identificamos apenas 03 produções, distribuídas em 03 edições da ESERA.

Dois trabalhos identificados possuem como foco a análise das percepções dos estudantes sobre a radiação. Um destes trabalho teve como eixo estudar desenhos feitos por alunos ao se depararem com a palavra 'radiação', enquanto o outro teve como eixo analisar a construção de mapas mentais feitos pelos alunos após serem questionados a respeito da radiação. Já o terceiro trabalho teve como foco comparar o 'Método Tradicional' com a 'Abordagem Construtivista' para ensinar sobre as radiações, e ao final chegou a conclusão de que a 'Abordagem Construtivista' obteve maior êxito de aprendizado do que o 'Método Tradicional'.

Vale ressaltar que muitas vezes na formação do licenciando há poucas disciplinas que abordam essa temática, o que dificulta ainda mais a inserção desse assunto nas aulas de física na escola básica.

Perante isso, defendemos a favor de estudos que analisem o ensino de Física das Radiações nesses níveis e modalidades de educação, pesquisas futuras poderiam se dedicar, por exemplo, no ensino superior, investigando como se realiza o ensino deste tópico em cursos de graduação, seja na Licenciatura ou no Bacharelado, com o objetivo de propor mudanças nas práticas dos professores de física desse nível.

## Agradecimentos

Agradecemos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a Pró-reitoria de Pesquisa da Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' (PROPe/UNESP) pelas bolsas de Iniciação Científica concedidas ao primeiro e ao segundo autores, respectivamente.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Referências

BRASIL. Ministério da Educação (MEC) Secretaria de Educação Básica. Orientações Curriculares Nacionais - Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasilia, 2006.

LIMA, R. S.; PIMENTEL, L. C.; AFONSO, J. C. O Despertar da Radioatividade ao Alvorecer do Século XX. Química Nova na Escola , v. 33, n. 2, 2011.

PLOTZ, T.; HOLLENTHONER, F. Children's drawings about 'radiation'- a replication study five years after Fukushima. European Science Education Research Association , 2017.

PLOTZ, T.; HOPF, M. Student's Misconceptions About Invisible Radiation.

European Science Education Research Association , 2015.

STRATHERN, P. Curie e a Radioatividade em 90 minutos . Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.

TEZCAN, H.; ERÇOKLU, H. F.; AKSU, M. L.; EKMEKCI, G. Comparison of the traditional method and constructivist Approach upon the understanding of radioactivity and prevention of related misconceptions. European Science Education Research Association , 2009.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.