ENSINO-APRENDIZAGEM DOS CONCEITOS INICIAIS DE CINEMÁTICA PARA ALUNOS DA EJA
Daniel De Jesus Melo Dos Santos, Sergio Luiz Bragatto Boss
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 29/01/2019
- Linha de pesquisa
- Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2019
Texto completo
## ENSINO-APRENDIZAGEM DOS CONCEITOS INICIAIS DE CINEMÁTICA PARA ALUNOS DA EJA
## Daniel de Jesus 1 , *Sergio Luiz Bragatto Boss 2
- 1 Universidade Federal do Recôncavo da Bahia/Física/Colégio Estadual Pedro Calmon, danielmelo84@hotmail.com
- 2 Universidade Federal do Recôncavo da Bahia /Centro de Formação de Professores/Física, sergioboss@ufrb.edu.br
## Resumo
Este trabalho baseia-se na aplicação de uma Sequência Didática para estudantes da EJA, do Ensino Médio. O trabalho em sala de aula teve como objetivo promover o processo de ensino-aprendizagem de conceitos iniciais de Cinemática, como: Deslocamento, Velocidade, Tempo, Distância Percorrida e Referencial, por meio de atividades que visavam permitir uma participação ativa e reflexiva dos estudantes durante a construção de conhecimento, e que cada passo estivesse ancorado nos passos anteriores. Para coleta de dados, neste primeiro momento, foi elaborado um questionário, cujo objetivo era levantar os conhecimentos prévios dos alunos sobre conceitos de Cinemática e, posteriormente, foi aplicado um pós-teste para verificar indícios de aprendizagem. A sequência didática foi aplicada em uma Turma da EJA, em um Colégio Estadual da Cidade de Amargosa, interior do Estado da Bahia. Utilizou-se como referencial teórico a Teoria de Aprendizagem Significativa de David Ausubel, que enfatiza a importância dos conhecimentos prévios para que ocorra uma aprendizagem significativa. Os resultados apresentados neste trabalho mostraram que as atividades realizadas pelos estudantes possibilitaram o desenvolvimento e melhor compreensão daqueles conceitos iniciais de cinemática.
Palavras-chave : Sequência didática, Aprendizagem Significativa, Cinemática, Intervenção pedagógica, Educação de Jovens e Adultos.
## Introdução
A busca por novas metodologias de ensino é fundamental para o avanço nas melhorias dos processos de ensino-aprendizagem na educação, objetivando tornálos mais profícuos quanto à aprendizagem dos alunos. Frente a isso, temos buscado desenvolver, nas pesquisas de intervenção pedagógica realizadas pelo nosso Grupo de Pesquisa, variadas Sequências Didáticas (SD) com o aporte da Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel, de tal sorte que cada passo da caminhada esteja, sempre, apoiado em conteúdos abordados anteriormente e que o planejamento seja elaborado de forma contextualizada.
Sendo assim, apresentamos neste trabalho um breve recorte da parte inicial de uma investigação que desenvolvemos por meio da construção e aplicação de uma Sequência Didática para estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) Ensino Médio. O trabalho em sala de aula teve como objetivo promover o processo de ensino-aprendizagem de conceitos iniciais de Cinemática , tais como: Deslocamento, Velocidade, Tempo, Distância Percorrida e Referencial, por meio de atividades que visavam permitir uma participação ativa e reflexiva dos estudantes durante a construção de conhecimento, e que cada passo estivesse ancorado nos passos anteriores. A intervenção foi desenvolvida em uma Turma da EJA, em um
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Colégio Estadual da Cidade de Amargosa, interior do Estado da Bahia. Este planejamento educacional foi organizado por meio de diferentes técnicas de ensino e recursos didáticos, como por exemplo: aulas expositivas dialogadas com perguntas; construção de mapa mental; atividade extraclasse, e.g. , medidas de tempo, distância e velocidade; utilização de vídeo e música relacionados aos mapas mentais que foram produzidos pelos alunos; discussões em grande grupo .
De forma geral, contextualizar os conceitos físicos para o ensino pressupõe a articulação desses conceitos com vivências concretas e diversificadas do aprendiz, de tal sorte que isso possa oportunizar um aprendizado significativo. No caso da Física, pode-se, a partir das vivências cotidianas, aprender a identificar e interpretar conceitos científicos presentes em nossa vida, para que apreendamos a lidar com situações do dia a dia de uma forma diferente daquela de senso comum. Neste sentido, aprender cinemática contextualizada com as vivências cotidianas pressupõe, por exemplo, ter outro olhar para a situação do excesso de velocidade no trânsito . Para Kato e Kawasaki (2007), a contextualização segundo os documentos do Ministério da Educação tem um significado para além de somente aproximar os conteúdos ensinados ao cotidiano. Pode-se verificar esta perspectiva segundo os PCN's:
configura-se em uma forma de abordar a ciência num âmbito social, econômico e cultural.' Dessa maneira, a contextualização não pode ser sinônimo apenas de cotidiano, mas sim o campo no qual, acontecem as relações da teoria científica com a realidade do aluno. (BRASIL, 1999, p. 9).
A motivação deste estudo é uma melhor compreensão do processo de ensino-aprendizagem sobre conceitos básicos de cinemática na EJA, buscando discutir subsídios para sua melhoria. O trabalho empreendido é de natureza qualitativa, do tipo intervenção pedagógica, por meio da técnica de observação participante (BOGDAN; BIKLEN, 1994; MARCONI; LAKATOS, 2010). Sua realização contou com um grupo de 12 alunos do Ensino Médio, na modalidade EJA, em um Colégio Estadual da cidade de Amargosa, no interior da Bahia, que além de oferecer a modalidade EJA, oferece também o Ensino Médio Regular.
## A Educação de Jovens e Adultos - EJA
A Educação de Jovens e Adultos é destinada àqueles que não tiveram acesso ao Ensino Fundamental e Médio na idade própria. Em sua maioria, são trabalhadores e trabalhadoras, jovens e adultos. Nossa experiência em atuar nesta modalidade de ensino mostra que esses(as) alunos(as) são moradores de localidades populares, operários(as) assalariados da construção civil e, também, são trabalhadores de atividades informais, vinculados ao comércio e ao setor doméstico.
## Metodologia da Pesquisa
A metodologia segue os parâmetros da abordagem qualitativa. Esta pressupõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada para a obtenção de dados descritivos. Dá ênfase muito mais no processo e na retratação da perspectiva dos participantes (LÜDKE; ANDRÉ, 1986; BOGDAN; BIKLEN, 1994). A técnica de pesquisa foi a observação participante (MARCONI; LAKATOS, 2010). Para coleta de dados, neste primeiro momento, foi elaborado um questionário, cujo objetivo era levantar os conhecimentos prévios dos alunos sobre conceitos de Cinemática e, posteriormente,
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
foi aplicado um pós-teste para verificar indícios de aprendizagem. Cabe pontuar que o processo de produção dos dados foi composto por outros instrumentos, cujo detalhamento foge ao escopo deste artigo. Os participantes da pesquisa são formados por doze alunos de um Colégio Estadual da cidade de Amargosa/BA, da zona urbana e rural, na modalidade EJA, da Turma C, que estudavam no Turno Noturno e que foram convidados a participar desta pesquisa.
## Descrição do Trabalho Desenvolvido
Este trabalho baseia-se na aplicação de uma Sequência Didática, com o objetivo de promover o processo de ensino-aprendizagem de conceitos iniciais de Cinemática, como: Deslocamento, Velocidade, Tempo, Distância Percorrida e Referencial, por meio de atividades que visavam permitir uma participação ativa e reflexiva dos estudantes durante a construção de conhecimento. Esta Sequência foi construída com base nos pressupostos da Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel, sendo necessárias cinco aulas de três horas para a execução desta tarefa. Nesta, os alunos participaram de diversas atividades, como apresentação de um vídeo sobre a física e o cotidiano, um áudio da música Melhor Pra Mim , do cantor e compositor Leoni, atividades na quadra de esportes da escola com uso de trena e cronômetro e, também, aulas expositivas dialogadas utilizando lousa e pincel atômico.
No primeiro encontro aplicamos um questionário para avaliar os conhecimentos prévios dos alunos em relação aos conceitos de Cinemática. Inicialmente, falamos sobre a importância desta atividade, ressaltando que os alunos tentassem responder todas as questões, pois estaríamos avaliando os conhecimentos que eles tinham em relação àquele conteúdo. O tempo decorrido, para que todos entregassem o questionário, foi de aproximadamente uma hora. Logo após, solicitamos aos alunos que fizessem um mapa mental sobre os conceitos de cinemática que eles tivessem lembrança e que, depois de pronto, nos entregassem a atividade. Cabe pontuar que os discentes foram previamente orientados sobre o que é um mapa mental e como construí-lo, além disso, o docente permaneceu o tempo todo da atividade à disposição dos alunos para sanar eventuais dúvidas. Optamos, neste encontro, por apresentar uma aula expositiva dialogada sobre o que é cinemática e seus conceitos iniciais. Esta atividade foi realizada após a resposta ao questionário inicial e durou, aproximadamente, duas horas, sendo que os alunos foram constantemente estimulados a participarem da aula por meio de perguntas e exemplos cotidianos.
Antes de os alunos saírem, pedimos que eles sugestionassem a respeito do nosso encontro às sextas-feiras. Neste momento, os alunos da zona rural fizeram a proposta para que os encontros fossem realizados em dois dias da semana, as quintas e sextas-feiras, levando em consideração que dessa maneira poderíamos terminar as aulas antes das Festas de São João, bastante tradicionais no Nordeste Brasileiro. Então, todos os participantes aceitaram esta proposta, de tal sorte que a implementamos.
No segundo encontro trouxemos para os alunos a letra da música Melhor pra Mim , do cantor Leoni, que relaciona a música com alguns conceitos físicos. Primeiramente, fizemos a socialização da letra da música por meio de uma cópia entregue a cada discente, e solicitamos a eles que cada um fizesse a leitura de um trecho da canção. Após a leitura, perguntamos aos estudantes se eles poderiam
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
relacionar a letra da música com o que nós estávamos estudando. Depois dos alunos ouvirem a canção, solicitamos que grifassem as palavras que se relacionavam com a física e com a cinemática. Foi aberta uma roda de discussão, em que os alunos puderam fazer uma comparação qualitativa, entre a letra da música e os mapas mentais (construídos no primeiro encontro). No desenvolver destas atividades, buscamos aspectos que envolvessem algumas das concepções alternativas que eles tinham apresentado na aula anterior sobre a Cinemática.
Após as discussões, escrevemos na lousa alguns exercícios sobre movimento uniforme para que, em dupla, os alunos respondessem. Ao terminarem esta atividade solicitamos aos estudantes que nos entregassem as resoluções dos exercícios e confirmamos o nosso próximo encontro.
Na terceira aula, trouxemos um vídeo intitulado: 'A Física e o Cotidiano', elaborado e produzido pelo Grupo de Trabalho de Produção de Conteúdos Digitais Educacionais da Secretaria de Educação do Estado da Bahia. Antes da apresentação do filme solicitamos aos alunos que ficassem à vontade para falar sobre qualquer situação a respeito das atividades realizadas até aquele momento. Após o término do filme, perguntamos quais foram às impressões que eles tiveram sobre o assunto. Alguns alunos, por exemplo, disseram que:
## Aluno C10 - Achei legal!
Aluno C9- Achei bom! Deu pra tirar muitas duvidas.
Após os alunos relatarem suas impressões, solicitamos que eles fizessem novas atividades. Ao final da aula parabenizamos todos os estudantes pelo interesse em aprender, e finalizamos as atividades confirmando o nosso próximo encontro.
Neste encontro relembramos com aos alunos os conceitos que havíamos estudado nas aulas anteriores, e solicitamos que eles pudessem participar individualmente com o seu entendimento a respeito dos conceitos abordados. Logo após esta discussão, pedimos aos discentes que fossem à quadra de esportes para a realização de uma aula diferente das vivenciadas por eles durante o ano letivo. Chegando lá, entregamos aos alunos uma trena de 20m de comprimento e solicitamos que fizessem a medida da quadra.
Posteriormente, solicitamos aos alunos C2 e C5 que ficassem de frente, um para o outro, e pedimos aos outros alunos que observassem no período de 10 s o que acontecia com as posições desses alunos. Decorrido o tempo de 10 s, os alunos disseram que não houve alteração das posições de seus colegas e, que a aluna C5 estava em repouso em relação ao aluno C2. Após esta resposta solicitamos que a aluna C5 andasse para o outro extremo da quadra segurando a trena, e que os outros alunos medissem a caminhada num intervalo de tempo de 30 s. Após este tempo, perguntamos qual era o estado da sua colega em relação ao aluno C2 e, então, eles responderam que ela estava em movimento.
Durante esta aula foi perguntado aos alunos sobre o conceito de referencial, e eles responderam que o aluno C2 estava fixo enquanto que a aluna C5 se movimentava na quadra de esportes. Durante toda a aula, utilizamos o processo da diferenciação progressiva e reconciliação integrativa, propostos por Ausubel (AUSUBEL et al., 1980), com o objetivo de sistematizar semelhanças e diferenças entre os conceitos de Cinemática.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Após o término da aula, solicitamos que alguns alunos falassem das suas impressões a respeito desse tipo de atividade, onde obtivemos as seguintes respostas:
C1 - 'Foi bom'! 'Porque nós pudemos ver o que era movimento, se estava parado, movimentando. A aula foi bem melhor do que em sala de aula. Medimos comprimento, largura';
- C2 - 'Sobre a aula de ontem eu achei uma coisa mais desenvolvida! Porque agente praticou e pelo que agente fez deu para entender melhor sobre distância e velocidade, muito legal';
- C5 - 'Assim! Foi muito proveitoso. Deu para tirar algumas dúvidas e tinham coisas que agente pensava que era e foi muito esclarecedor, tiramos dúvidas e agente aprendeu mais, foi bem explicado. É bom porque foi prática, às vezes na prática agente aprende mais do que na teoria';
Pesquisador - Deu para vocês entenderem algum conceito de física?
- C5 -'Deu! às vezes agente confunde velocidade com movimento, e deu para esclarecer todas as minhas dúvidas';
- C9 - 'Foi muito interessante para tirar as dúvidas sobre velocidade e distância. Eu estava com muitas dúvidas ontem, agora estou entendendo mais sobre velocidade e distância';
- C8 - 'A aula de ontem eu gostei, pois, tirou minhas dúvidas e nós estudamos sobre velocidade..., achei ótimo'.
- C7 - 'Eu achei muito legal! Gostei e aprendi muito com a aula. Foi legal, ali deu para agente aprender mais. Eu tinha dúvida sobre movimento e distância';
C10 - 'Foi legal a aula, porque esclareceu mais um pouco. A dúvida que eu tinha era em movimento, velocidade e tempo'.
No último encontro, solicitamos aos alunos que lembrassem sobre a função horária do espaço e que nos falassem a respeito do assunto estudado. Aguardarmos por um momento, mas os alunos não conseguiram lembrar. Então, decidimos iniciar uma aula expositiva dialogada, com a utilização da lousa e pincel, para que os estudantes pudessem relembrar este conteúdo. Buscando, a todo o momento, fazer o processo da diferenciação progressiva e reconciliação integrativa dos conceitos com o objetivo de que os alunos fizessem referência ao conteúdo de Função do 1º Grau, já previamente visto por eles. Após a aula expositiva dialogada, aplicamos um pós-teste, no qual solicitamos aos alunos que respondessem de acordo com seu entendimento sobre os conceitos básicos de cinemática. Aproveitamos para parabenizá-los pelo empenho em aprender!
## Resultados Obtidos
## Quadro 01: Pré-Teste - Questões sobre Conceitos de Cinemática.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Gráfico 01: Respostas do Pré-Teste - Questões sobre Conceitos de Cinemática.
Fonte: Dados dos pesquisadores
<!-- image -->
Quadro 02: Respostas do Pós-teste - Questões sobre Conceitos de Cinemática.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## Análise dos Resultados Obtidos
Uma primeira análise dos dados evidencia que as atividades realizadas pelos alunos possibilitaram uma melhor compreensão de algumas ideias, as quais poderão ser ancoradouros para o entendimento de conceitos de Cinemática. Pois, no primeiro momento do desenvolvimento do trabalho, conforme mostra o Gráfico1, apenas 25% da turma respondeu, no pré-teste, que conhecia a palavra Cinemática. Entretanto, podemos verificar que as respostas dos participantes ao pós-teste dão indícios da compreensão mais elaborada sobre o termo.
A formulação organizacional dos conteúdos e a metodologia de ensino utilizada podem ter favorecido a melhor compreensão das ideias abordadas. Neste sentido, Moreira (2011, p. 63) fala que o conteúdo organizado 'facilita a aprendizagem significativa através da utilização de materiais potencialmente significativos'. Para Ausubel et al. (1980), o conhecimento só é incorporado às estruturas cognitivas do aluno à medida que o novo conceito interage com conceitos
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
relevantes já existentes em sua estrutura cognitiva, denominados conceitos subsunçores . Diante disso, o trabalho mostrou que a compreensão dos alunos sobre os conceitos básicos de Cinemática foi melhorando, gradativamente, a cada atividade proposta.
Conforme os dados da pesquisa, a compreensão das ideias trabalhadas em sala de aula melhorou significativamente nos doze alunos participantes da investigação. Isto, de forma geral, pode nos indicar que a alteração na maneira de organizar o processo de ensino, organizando a Sequência Didática sobre os princípios ausubeliano, causou um impacto positivo no processo de ensinoaprendizagem.
## Considerações Finais
Ao construir a Sequência Didática com aulas contextualizadas e a partir dos princípios ausubelianos, acreditamos que os alunos puderam confrontar os seus conhecimentos prévios com os 'novos' conhecimentos. Além disso, eles realizaram sistematizações envolvendo conceitos que não eram científicos, mas do dia a dia, balizados pela contextualização e exemplificações vinculadas à metodologia e conteúdos aplicados neste trabalho. O resultado desta etapa inicial da pesquisa aponta que a Sequência Didática desenvolvida favoreceu de forma positiva as especificidades dos participantes da pesquisa. Na medida do possível, buscamos chamar a atenção para as peculiaridades da Educação de Jovens e Adultos e suas características, levando em consideração o momento de aprendizagem de cada aluno. Mediante a análise dos depoimentos dos discentes, observou-se que realizaram suas tarefas envolvendo o seu cotidiano e as ideias científicas trabalhadas, de tal sorte que os relatos indicam associações importantes entre elas.
## Referências
AUSUBEL, D. P.; NOVAK, J. D.; HANESIAN, H. Psicologia Educacional . 2. ed. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980.
BOGDAN, R.; BIKLEN, S. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto, Porto Editora, 1994.
BRASIL. Ministério de Educação e Cultura. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, Conhecimento de Física . Brasília, 1999.
KATO, D. S.; KAWASAKI, C. S. O significado pedagógico da contextualização para o ensino de ciências: análise dos documentos curriculares oficiais e de professores. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.
LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em Educação : abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica . 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
MOREIRA, M. A. O que é aprendizagem significativa? In: MOREIRA, M. A. Aprendizagem significativa: a teoria e textos complementares. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2011.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.