Perfil sociocultural de alunos de uma escola pública do estado de São Paulo: dados que podem revelar caminhos para ações pedagógicas
Rafael Guerra De Oliveira, Fernanda Cátia Bozelli, Ênio Ricardo Crema Segatto, Rosangela Gomes Casimiro Paulino, Périques Das Dores Muniz Ferreira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 29/01/2019
- Linha de pesquisa
- Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Perfil sociocultural de alunos de uma escola pública do estado de São Paulo: dados que podem revelar caminhos para ações pedagógicas
Rafael Guerra de Oliveira 1 , Fernanda Cátia Bozelli 2 , Ênio Ricardo Crema Segatto 3 , Rosangela Gomes Casimiro Paulino 3 , Périques Das Dores Muniz Ferreira 3
- 1 Curso de Licenciatura em Física. UNESP/Faculdade de Engenharia/Ilha Solteira-SP, rafaoliveira451@hotmail.com
- 2 UNESP/Faculdade de Engenharia/Departamento de Física e Química/Ilha Solteira-SP, ferboz@dfq.feis.unesp.br
- 3 Escola Estadual Prof. Itael de Mattos, Santa Fé do Sul-SP, gomescasimiro@gmail.com
## Resumo
Este trabalho faz parte de um projeto mais amplo cujo objetivo principal é promover a parceria entre a Universidade e a escola pública visando à formação dos futuros professores de Física, dos professores de Física de uma escola parceira e dos alunos quanto ao uso de atividades experimentais. Mas quando se pensa nos alunos, quem são estes? Até que ponto deve-se considerar quem são ou para quem as aulas são planejadas? Ou melhor, até que ponto conhecer quem são os alunos pode influenciar/modificar os desdobramentos de uma aula? E se essa aula for de caráter experimental? Reflexões como esta impulsionaram o início de um projeto mais amplo ao levantamento do perfil de aproximadamente 200 alunos da segunda série do Ensino Médio de uma escola pública do interior do estado de São Paulo. Os dados foram constituídos por meio de um questionário organizado em três blocos: natureza de conhecimentos gerais; conhecimentos familiares e conhecimentos de Ciências/Física. Em termos de análise considerou-se os dois primeiros blocos, os quais revelaram que, os alunos dessa mostra são oriundos de escolas públicas durante o seu processo de escolarização; possuem acesso a internet, tem hábito de leitura, acesso a redes sociais de forma ampla, possuem interesse por temas científicos; possuem pais e/ou responsáveis que tiveram acesso ou não ao Ensino Médio ou que sequer sabem a escolarização dos mesmos. Ou seja, mostra que conhecer as condições socioculturais dos alunos pode ser de extrema relevância quando estas podem colaborar com ações pedagógicas de cunho mais geral e/ou específico e que este conhecimento integra o tripé: estrutura escolar, família e características do próprio aluno quando se trata de compreender o desempenho cognitivo dos alunos.
Palavras-chave : Ensino Médio; perfil sociocultural; ação pedagógica
## Introdução
Já algum tempo a discussão envolvendo o uso de atividades experimentais no ensino de Ciências, na escola, tem ganhado o interesse dos investigadores (ARRUDA; SILVA; LABURÚ, 2001; ARAÚJO; ABIB, 2003; OLIVEIRA, 2010). Muitas avaliações foram feitas com base nos resultados alcançados, bem como muitas críticas, orientações e sugestões. Mas segundo Galiazzi et al. (2001) é consenso que a experimentação é uma atividade fundamental no ensino de Ciências. Apesar de estarem nas escolas acerca de 100 anos, oriundas da influência das atividades desenvolvidas nas Universidades, as quais 'tinham por objetivo melhorar a aprendizagem do conteúdo científico, porque os alunos aprendiam os conteúdos, mas não sabiam aplicá-los' (p. 252), ainda se mostram pouco frequentes nas escolas, como destacam os autores. 'As atividades experimentais, embora aconteçam pouco nas salas de aula, são apontadas como a solução que precisaria ser implementada para a tão esperada melhoria no ensino de Ciências
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(GALIAZZI et al., 2001, p. 252). Na década de 60, época que as atividades experimentais foram muito difundidas nas escolas no mundo todo, os professores apontavam dez motivos para a realização das mesmas nas escolas:
1.estimular a observação acurada e o registro cuidadoso dos dados; 2.promover métodos de pensamento científico simples e de senso comum; 3.desenvolver habilidades manipulativas; 4.treinar em resolução de problemas; 5.adaptar as exigências das escolas; 6.esclarecer a teoria e promover a sua compreensão; 7.verificar fatos e princípios estudados anteriormente; 8.vivenciar o processo de encontrar fatos por meio da investigação, chegando a seus princípios; 9.motivar e manter o interesse na matéria; 10.tornar os fenômenos mais reais por meio da experiência (HODSON, 1998c, p. 630 apud GALIAZZI et al., 2001, p. 253).
Dentre os objetivos, o nove era um dos mais buscados, pois almejava promover o interesse e a motivação para a comprovação dos fatos que eram vistos apenas nos livros teóricos. Contudo, a busca pelas atividades experimentais para comprovar fatos e princípios foi altamente criticado por pesquisadores, por promover a valorização do indutivismo e por objetivar formar cientistas. Mas o que se busca, então, com a realização de atividades experimentais nas escolas? Para estes autores, 'as atividades experimentais deveriam desenvolver atitudes e destrezas cognitivas de alto nível intelectual e não destrezas manuais ou técnicas instrumentais' (GALIAZZI et al., 2001, p. 254). Laburú (2005, p. 162) alerta para o fato de que 'apesar do grande número de estudos realizados e do matiz de assuntos, uma pesquisa concentrada nos motivos para a escolha de determinados experimentos pelos professores, parece não estar presente na bibliografia' e que, podem ser variados os motivos que levam os professores a escolherem um ou outro experimento. Diria, ainda, que: o que leva os professores a optarem por experimentos e não outro recurso? Os resultados mostraram que as escolhas dos experimentos resultam de aspectos diretamente relacionados à motivação intrínseca que a atividade prática pode gerar (LABURÚ, 2006); a funcionalidade, ligados à parte física da atividade que se leva em conta às características e propriedades inerentes do material, sua adequação para real implementação em sala; o instrucional em que a prática experimental deve facilitar a explicação, a apresentação dos conceitos e modelos ou que sirva para 'ilustrar' a teoria, com o intuito de torná-la clara e simplificada para o aluno. E, por último, aspectos ligados a epistemologia, a qual estabelece uma relação entre empírico versus construção teórica e demonstração das implicações das teorias e leis. Pode-se verificar que o uso do experimento em sala de aula pode estar relacionado a uma série de intenções que perpassam pela motivação até aspectos ligados a epistemologia da Ciência.
Nesse sentido, o diálogo até então aqui posto considera a preocupação com a atividade experimental seja analisando a dimensão do ensino ou da aprendizagem em uma relação professor-conteúdo-aluno-forma. Mas quando se olha os alunos, quem são estes? Até que ponto deve-se considerar quem são os alunos, para quem as aulas são planejadas? Ou melhor, até que ponto conhecer quem são os alunos pode influenciar/modificar os desdobramentos de uma aula? E se ela aula for de caráter experimental? Se uma atividade experimental pode ser planejada levando-se em conta diversos objetivos em termos de habilidades a serem desenvolvidas, entre eles, as dez elencadas anteriormente pelo trabalho de Galiazzi et al. (2001), as quais são legítimos, hoje, por que uma atividade experimental seria selecionada como recurso didático em uma aula de Física, se ao conhecermos o perfil dos alunos, estes se mostram tão heterogêneos para algumas coisas e tão semelhantes para outras?
Este trabalho faz parte de um projeto mais amplo cujo objetivo principal é promover a parceria entre a Universidade e a escola pública visando à formação dos futuros professores de Física, dos professores de Física da escola parceira e dos alunos
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quanto ao uso de atividades experimentais. Especificamente, analisar em que medida a parceria entre Universidade e escola pode auxiliar na implementação de atividades experimentais na escola; acompanhar os processos de elaboração, planejamento e desenvolvimento de atividades experimentais por bolsistas e professores envolvendo o conteúdo de Física do segundo ano do Ensino Médio previsto no material de apoio do currículo do estado de São Paulo e verificar aspectos positivos e negativos em relação à implementação das atividades experimentais propostas pelo material de apoio do currículo do estado de São Paulo. Contudo, no início das primeiras reuniões do projeto e de contato com a escola parceira, foram surgindo várias reflexões com base nas discussões de implantação. Uma das preocupações que cercava a proposta de realização das atividades experimentais era saber se os alunos iriam participar e quem eram esses alunos, uma vez que um dos objetivos do projeto era a motivação para as aulas de Física, para a Ciência. Mas até que ponto conhecer o perfil sociocultural dos alunos pode influenciar no planejamento das aulas de Física? Essa reflexão permeou a atividade de levantamento do perfil dos alunos que estão como sujeitos no projeto, em particular, que permitiu que o estagiário, futuro professor de Física, ao ter contato com os dados compreendesse como a realidade sociocultural pode ser importante no planejamento das aulas de Física. Há diferentes reflexões no âmbito de discussões teóricas sobre a validade da aproximação entre professor e alunos. Uma resposta possível seja por conta da educação tradicional que posicionava professor e alunos cada um de um lado da 'parede de vidro' que os separavam em sala de aula. Porém, um ambiente mais agradável para o educando e que este se sinta inserido com toda a sua bagagem pode possibilitar também que este desperte para as práticas educativas e, assim, contribua para sua aprendizagem.
A relação professor-aluno é uma condição do processo de aprendizagem e não se pode desvinculá-la daquilo que a permeia: um programa, normas da instituição de ensino que, em dúvidas, influenciam nesse processo. E daí surge um conflito inerente a essa relação na escola brasileira (talvez mundial): é uma relação que se baseia no convívio de classes sociais, culturas, valores e objetivos diferentes. (OLIVEIRA SILVA, 2008, p. 23)
O trabalho de Monteiro et al. (2005) ao analisar o perfil socioeconômico de alunos de uma escola pública de Cuiabá revela que conhecer o perfil socioeconômico dos alunos é um indicador importante e que deve ser considerado como subsídio pela equipe da escola ao traçar sua proposta pedagógica que atenda à diversidade cultural e a realidade social destes. Destaca também que, a heterogeneidade é um dos fatores que dificulta a interação escola-família, tendo em vista a necessidade de se repensar o tempo e o espaço escolar, bem como, a formação de professores, de forma a garantir melhor qualidade de ensino. Em outro estudo de perfil socioeconômico de estudantes de ensino médio de uma escola pública estadual localizada na cidade de Goiânia-Goiás, Aleixo, Santos e Toschi (2016, p. 01), concluíram que 'os resultados encontrados são analisados de forma a contribuir para reflexões em torno da promoção de uma educação crítica, pois reconhecemos que os aspectos sociais, econômicos e culturais também integram as relações do homem e seu meio e precisam ser compreendidos de forma crítica'.
## Metodologia e desenvolvimento do projeto
A abordagem metodológica utilizada é de natureza quali-quantitativa. Nesta, as aproximações sucessivas da realidade permitem fazer uma combinação particular entre teoria e dados. Conforme Flick (2004, p. 28) 'a mesma é orientada para análise de casos concretos em sua particularidade temporal e local, partindo das expressões e atividades das pessoas em seus contextos locais'. O projeto está sendo realizado em uma escola pública situada em uma cidade localizada a noroeste do estado de São Paulo, divisa entre os estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. O projeto está sendo desenvolvido com alunos de nove turmas do segundo ano do Ensino Médio, o que totaliza cerca de 200
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alunos e dois professores de Física. O principal objetivo é auxiliar a escola no uso do Laboratório Didático via a realização das atividades experimentais sugeridas pelo material de apoio do currículo do estado de São Paulo para o segundo ano do Ensino Médio. Esta seriação foi escolhida porque, segundo os dirigentes da escola, no primeiro ano os alunos passaram por um trabalho diferenciado desenvolvido conjuntamente com a comunidade escolar e pais de forma a promover a conscientização dos alunos junto ao processo de aprendizagem. Contudo, conforme explicitado anteriormente, no decorrer do projeto e diante das reuniões na escola foi verificado a importância de saber quem eram os alunos, pois esse conhecimento poderia e pode auxiliar nas escolhas das atividades experimentais, em como colocá-las em prática com os alunos, etc. Nesse sentido, o que está sendo trazido para reflexão são os dados dessa etapa do projeto, que está em andamento, sobre o perfil de alunos do segundo ano do Ensino Médio de uma escola pública e o que esses dados revelam em termos de poderem dialogar com o ensino e a aprendizagem de Física, no nosso caso, das atividades de experimentação. Um questionário contendo três blocos de perguntas foi entregue aos alunos para serem respondidos. O mesmo encontra-se no Anexo. O mesmo foi entregue aos alunos na escola pelos professores de Física, os quais também foram responsáveis por recolhê-los para posterior análise.
## Resultados e discussão
Nesta parte do projeto o intuito principal foi o de realizar um reconhecimento de quem são os alunos do 2° ano do Ensino Médio da escola parceira. Os questionários foram aplicados de forma não obrigatória, o que levou alguns alunos a não responder por opção própria. No total obteve-se 209 questionários respondidos. As respostas foram divididas de acordo com os três blocos do questionário: 1.Aspectos de conhecimentos gerais (dos alunos); 2. Conhecimentos sobre a família; 3. Conhecimentos sobre Ciências/Física. Os dados aqui discutidos são referentes aos dois primeiros blocos: conhecimentos gerais e sobre a família, que é o que nos interessa neste momento.
É possível visualizar que dentre os 209 alunos que responderam os questionários, 50,3% diz ter hábito de leitura e 49,7% informam que não leem nada. Os gêneros de leitura perpassam por romance, ficção científica, revistas, quadrinhos, mangas, gibis, jornais, entre outros. Essa mesma pergunta em relação a família aponta que 48,9% tem habito de leitura e 51,1% não leem. Ou seja, aqui podemos verificar que cerca de 100 famílias não possuem hábito de leitura, o que pode estar relacionado ao hábito dos filhos. Quanto ao acesso a internet, 100% dos alunos, bem como familiares possuem acesso à internet. Os sites mais acessados são: Youtube, Google, Redes Sociais em geral (Facebook, Messenger, Instagram, WhatsApp, etc), Netflix, entre outros. O percentual dos alunos que assistem televisão corresponde a 68,4%. Um total de 143 alunos. Entre os programas mais assistidos estão: Novelas, jornais, desenhos, filmes, séries, reality show, etc. Os outros 31,6% dos alunos, que somam 66, não possuem o hábito de assistir TV. O percentual dos familiares ou responsáveis que assistem televisão soma um total de 181 (86,6%). Entre os programas mais vistos estão: Novelas, jornais, filmes, séries, reality show, etc. Os outros 13,4% dos familiares ou responsáveis, que somam 28, não possuem o hábito de assistir TV.
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Em termos de frequência a centros culturais, os dados revelam que 47,3% dos alunos costumam frequentar centros culturais, sendo eles: museus, cinema, planetário, teatro, exposições, centro de ciências, etc. A outra parcela, 52,7% expressou não ter contato com nenhum destes meios de acesso à cultura. Aqui cabe destacar a dificuldade das escolas em promover viagens didáticas, bem como a possibilidade de acesso a cultura do próprio brasileiro. A UNESCO publicou dados do Ministério da Cultura (MEC), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) mostram as desigualdades no acesso à produção cultural no país, o que engloba, inclusive, os hábitos de leitura e o acesso à internet.
Entretenimento : a minoria dos brasileiros frequenta cinema uma vez no ano. Quase todos os brasileiros nunca frequentaram museus ou jamais frequentaram alguma exposição de arte. Mais de 70% dos brasileiros nunca assistiram a um espetáculo de dança, embora muitos saiam para dançar. Grande parte dos municípios não possui salas de cinema, teatro, museus e espaços culturais multiuso. Livros e Bibliotecas : o brasileiro praticamente não tem o hábito de leitura. A maioria dos livros estão concentrados nas mãos de muito poucos. O preço médio do livro de leitura é muito elevado quando se compara com a renda do brasileiro nas classes C/D/E. Muitos municípios brasileiros não têm biblioteca, a maioria destes se localiza no Nordeste, e apenas dois no Sudeste. Acesso à Internet : uma grande porcentagem de brasileiros não possui computador em casa, destes, a maioria não tem qualquer acesso à internet (nem no trabalho, nem na escola). Profissionais da Cultura : a metade da população ocupada na área de cultura não têm carteira assinada ou trabalha por conta própria. (BRASIL, 2017, s/p).
Também foi proposto aos alunos/familiares que evidenciassem outras formas de obtenção de informação e cultura. Nesse sentido apareceram respostas que englobaram como cultura o acesso a internet, escola, cursos, trabalho, leituras, conversas com amigos, dia a dia na cidade, etc.
culturais.
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Figura 1: Alunos que dizem ter acesso a centros culturais. Figura 2: Acesso de familiares a centros
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O interesse dos alunos por temas científicos representou um percentual de 55% dos alunos. Em contrapartida, os outros 45% não demonstraram interesse. Entre os temas mais citados pelos alunos que demonstraram algum interesse, estão: Astronomia, medicina, tecnologia em geral, biológicos, químicos, engenharia, física quântica. Nota-se que aparecem temas relacionados a Física como Astronomia e Física Quântica mais diretamente. Como são alunos do segundo ano do Ensino Médio, estes tiveram aulas sobre Astronomia porque esse conteúdo faz parte do currículo do primeiro ano do Ensino
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Médio do estado de São Paulo. Contudo, o que os alunos que demonstraram interesse por Física Quântica conhecem sobre o assunto? Como foi o acesso a esse assunto? Um fator interessante seria analisar as fontes de buscas sobre Ciência dos alunos.
Quanto ao meio de locomoção, 64,6% utilizam bicicletas ou caminham para ter acesso à escola. Esse dado está relacionado ao fato da escola estar localizada no centro da cidade e a maior parte dos estudantes reside nas suas proximidades. A bicicleta é um meio de transporte bem utilizado pelos moradores, principalmente, os alunos. Dos 209 alunos,81,9% são oriundos de escola pública, mas há alunos que já passaram por escolas particulares ou de natureza técnica (18,1%). Uma das perguntas chamou bastante a atenção quanto as respostas, foi a que questionou o que a escola representava na vida dos alunos. Os dados mostram que por menor que seja o percentual, há alunos que não conseguem justificar a escola em suas vidas ou sequer responderam.
Figura 3: Representação da escola para os alunos.
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Os dados dos alunos que exerceram ou estão exercendo alguma atividade laboral revelam que 22% dos alunos estão em condições de trabalho, o que pode resultar em dificuldades de cumprimento de atividades fora do horário de aula dependendo da natureza do trabalho (figura 4). Mais de 50% já exerceu alguma atividade laboral, ou seja, jovens com cerca de 16 anos já trabalharam e estudaram ao mesmo tempo. Dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) 1 publicados no ano de 2017 mostram que o Brasil é um dos seis países com maior taxa de jovens estudantes entre 15 e 16 anos no mercado de trabalho. 'Segundo o levantamento da OCDE (Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico), 43,7% dos jovens brasileiros nessa faixa etária declararam exercer algum tipo de trabalho remunerado em suas rotinas, antes ou depois de irem à escola. Com esse número, o Brasil fica atrás apenas da Tunísia (47,2%), da Costa Rica (45,3%), da Romênia (45,3%), da Tailândia (43,9%) e do Peru (43,8%)' 2 . Esse é um dado importante que dialoga muito com a escola, pois há relação com atividades extraclasse ou que demandam um tempo fora do horário escolar inclusive para dedicação aos estudos. Em relação à escolaridade dos pais, os dados revelam que 46,4% dos responsáveis concluíram o Ensino Médio, mas que uma porcentagem
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considerável concluiu o que hoje seria representado pelo Ensino Fundamental (34%) e 17,7% não souberam responder a escolaridade dos pais e/ou responsáveis.
Figura 4: Realidade dos alunos quanto com função laboral.
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## Algumas considerações
Assim como em outros estudos realizados em outras regiões geográficas do país, conhecer o perfil socioeconômico dos alunos tem sua relevância, pois isso permite, como destaca Gatti (2004) um instrumento de identificação da condição social, permitindo, assim orientar ações pedagógicas de cunho mais geral e específico, no nosso caso, as atividades de natureza experimental, que pautem o trabalho na educação conhecendo um pouco da realidade dos sujeitos. Os resultados mostram que os 200 alunos da escola parceira do projeto, 100% possuem acesso a internet, o que pode ser indicativo de uso do aparelho celular, não sendo necessariamente a internet na residência; que estes possuem interesse por temas científicos, hábitos de leitura. A realidade estudantil é de trajetória na escola pública, o que pode revelar o que as pesquisas já mostram em termos de lacunas de aprendizagem e de desmotivação com a escola, o que pôde também ser verificado nos dados. A escolaridade dos pais e a condição de trabalhador devem ser levadas em conta quando se pensa em atividades extraclasse ou de natureza que exigirá acompanhamento destes ou de uma estrutura familiar. Ou seja, conhecer o perfil socioeconômico pode ser irrelevante para alguns pesquisadores, professores, mas para os proponentes desse projeto são importantes, uma vez que há o entendimento, assim como Soares e Andrade (2006, p. 109) de que, o desempenho cognitivo do aluno pertence a três grandes categorias: a estrutura escolar, a família e características do próprio aluno, e Alves e Soares (2012), quando estes afirmam que há forte correlação entre resultados escolares e o nível socioeconômico e cultural das famílias, comprovada por ampla evidência empírica em vários países do mundo e também no Brasil.
## Referências
ALEIXO, D. C. V.; SANTOS, S. X.; TOSCHI, M. S. Perfil socioeconômico de estudantes de ensino médio de uma escola pública de Goiânia. In: CONGRESSO DE ENSINO, PESQUISA, EXTENSÃO DA UEG, 3., 2016. Anais... Pirenópolis-GO, 2016.
ALVES, M. T. G.; SOARES, J. F. O Nível Socioeconômico das Escolas de Educação Básica Brasileiras . 2012. Disponível em: <
https://www.todospelaeducacao.org.br//arquivos/biblioteca/nse\_das\_escolas\_brasileiras\_game\_in st\_unibanco.pdf>. Acesso em: 23/07/2018.
ARAÚJO, M. S. T.; ABIB, M. L. V. Atividades experimentais: diferentes enfoques, diferentes finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 25, n. 2, 2003.
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ARRUDA, S. M.; SILVA M. R.; LABURÚ, C. E. Laboratório didático de física a partir de uma perspectiva kuhniana. Investigações em Ensino de Ciências , v.6, n.1, p.1-9, 2001.
BRASIL. Acesso à cultura no Brasil . 2017. Disponível em: http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/culture/culture-and-development/access-to-culture/. Acesso em: 16 de setembro de 2018.
FLICK, U. Uma introdução à pesquisa qualitativa . 2 ed. Porto Alegre: Bookman. 2004.
GALIAZZI, M.C. et al. Objetivos das atividades experimentais no ensino médio: a pesquisa coletiva como modo de formação de professores de ciências. Ciência & Educação , v.7, n.2, p.249-263, 2001.
GATTI, B. A. Estudos quantitativos em educação. Educação e Pesquisa , São Paulo, v.30, n.1, p. 11-30, jan./abr. 2004.
LABURÚ, C.E. Seleção de experimentos de física no ensino médio: uma investigação a partir da fala dos professores. Investigações em Ensino de Ciências , v.10, n. 2, p.1-19, 2005.
\_\_\_\_\_\_. Fundamentos para um experimento cativante. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v.23, n.3, p.382-404, 2006.
MONTEIRO, F. M. A. et al. Diagnóstico sócio-economico dos alunos de uma escola pública de Cuiabá. In: REUNIÃO ANUAL DA SBPC, 57., Fortaleza-CE. Anais... Fortaleza, CE, 2005.
OLIVEIRA, J. R. S. Contribuições e abordagens das atividades experimentais no ensino de ciências: reunindo elementos para a prática docente. Acta Scientiae , v.12, n.1, p.139-153, 2010.
OLIVEIRA-SILVA, J. O aluno, a escola, o professor: relações do aprender. Revista Multidisciplinar da UNIESP Saber acadêmico - n º 06 - Dez. 2008/ ISSN 1980- 5950. Disponível em: < http://www.uniesp.edu.br/revista/revista6/pdf/4.pdf>. Acesso em: 14 abr. 2015.
SOARES, J. F.; ANDRADE, R. F. de. Nível socioeconômico, qualidade e eqüidade das escolas de Belo Horizonte. Ensaio , Rio de Janeiro, v.14, n.50, p. 107-126, jan./mar. 2006
## ANEXO
## Ficha de identificação e questionário estruturado para conhecimento dos alunos da 2ª Série do Ensino Médio
Data:\_\_\_\_/\_\_\_\_/2018.
Identificação: (sigilo ético no nome, apenas as iniciais trocadas).
Nome
(Iniciais
trocadas):\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Idade:\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Ano/série:\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Turno/Período:\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## Bloco A - Aspectos de conhecimentos gerais
- 1) Em que cidade/ bairro você mora? Você considera que fica longe da escola?
- 2) Qual é o meio de transporte que costuma utilizar para se deslocar até a escola?
- 3) Há quanto tempo você estuda nessa escola? Desde qual ano/ série?
- 4) Você sempre estudou em escola pública? Já frequentou algum outro tipo de escola (técnica/particular)?
- 5) O que a escola representa para você?
- 6) Você trabalha ou já trabalhou além de estudar? Se sim, onde e quanto tempo?
## Bloco B - Aspectos de conhecimentos sobre a família
- 1) Qual o grau de escolaridade dos seus pais e/ou responsáveis (até que série eles estudaram)?
- 2) Você costuma discutir os assuntos abordados na escola ou na sala de aula com seus pais?
- 3) Seus pais e/ou responsáveis acompanham o seu desempenho escolar? De que forma?
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