Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

DESAFIOS DA APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA E FÍSICA NA EJA/PROEJA: DA AÇÃO À REFLEXÃO.

Vivian Ferreira Pereira, , Ellen Conceição Teixeira De Matos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2019

Texto completo

## ESAFIOS DA APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA E FÍSICA NA EJA/PROEJA: DA AÇÃO À REFLEXÃO.

Vivian Ferreira Pereira , Ellen Conceição Teixeira de Matos 1 2

1 Universidade Estácio de Sá, Campus Campos dos Goytacazes/RJ, vivian.pereira@estacio.br 2 Universidade Estácio de Sá, Campus Campos dos Goytacazes/RJ, ellenestacio38@gmail.com

## Resumo

Sendo uma modalidade voltada para sujeitos que não tem especificidade etária, a educação de Jovens e Adultos é uma oportunidade essencialmente para um público que possui características diferentes dos educandos do ensino regular. As dificuldades de aprendizagem nessa modalidade de ensino são notórias. A pouca relevância dada às particularidades deste público é uma das causas do problema. Outro agente causador encontra-se no início da escolarização. A grande maioria desses indivíduos inicia seus estudos fora da idade regular ou já apresentam dificuldades no campo da leitura, escrita, interpretação e lógica, que não são sanadas neste começo. Em relação ao ensino de matemática quanto da física alunos levantam questionamentos acerca da aplicabilidade dessas disciplinas nas suas vidas e são motivados ou desmotivados a aprendê-las de acordo com a condução do processo de ensino-aprendizagem. O objetivo central deste artigo será a reflexão acerca das dificuldades de aprendizagem do público da EJA/PROEJA, primordialmente nas áreas de conhecimento da Matemática e da Física, já que estas têm notoriedade no âmbito social e educacional. Destacamos a importância da formação do caráter sócio educacional dos alunos, apontando algumas possibilidades para a problemática em questão. A priori buscamos caracterizar esse grupo de educandos, destacando suas particularidades. Também apresentamos o olhar da lei em relação à Educação de Jovens e Adultos e o Decreto 5.478/2005, que implanta o PROEJA.

Palavras-chave:

Ensino; Matemática; Física, EJA/PROEJA.

## 1 Introdução

A educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino voltada para sujeitos que não possuem apenas uma questão de especificidade etária, mas, essencialmente, de especificidade cultural. Esse público possui características que o distingue do educando do Ensino Regular. Uma delas é a condição de 'não crianças', que remete a singularidades específicas como a experiência de cada um e os conhecimentos adquiridos no mundo.

As dificuldades de aprendizagem nessa modalidade de ensino são notórias. A pouca relevância dada às particularidades deste público é uma das causas do problema. Outro agente causador encontra-se no início da escolarização. A grande maioria desses indivíduos inicia seus estudos fora da idade regular ou já apresentam dificuldades no campo da leitura, escrita, interpretação e lógica, que não são sanadas neste começo.

- O ensino da Matemática é primordial na Educação. Rocha mostra esta notoriedade, visto que essa ciência possui significativa importância na sociedade, currículo escolar e consequentemente na formação do cidadão.

'O ensino da matemática tem ocupado um espaço singular na formação escolar. Cerca de 20% do tempo de permanência de um aluno na escola é dedicado à aprendizagem dessa disciplina assim como, o seu desempenho em matemática tem especial importância na definição do seu

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

sucesso ou insucesso escolar, significando, para muitos, reprovação e abandono da escola.' (2001, p.22).

Mesmo com tanta significância, essa disciplina tem grande rejeição dos alunos. A dificuldade em Matemática é pertinente em todo âmbito educacional e não se faz diferente na modalidade EJA.

Assim como a Matemática, a Física também apresenta dificuldades relacionadas à linguagem e a funcionalidade. Muitos alunos levantam questionamentos acerca da aplicabilidade dessas disciplinas nas suas vidas e são motivados ou desmotivados a aprendê-las de acordo com a condução do processo de ensino-aprendizagem. Conforme Garcia, Rocha e Costa:

'Uma das situações normalmente observadas no desenvolvimento de conteúdos escolares de física é a sua pouca vinculação com a realidade vivenciada pelo aluno. Talvez isso aconteça, em grande parte, por se ministrarem conteúdos que foram consolidados e estratificados no tempo, sem se atentar para a realidade sempre em mudança dos alunos e dos professores nem descobrir o que lhes seria mais familiar ou útil. ' (2000,p.24)

O presente artigo discute as dificuldades de aprendizagem na EJA, mais especificamente no PROEJA, o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos, originário do Decreto n° 5.487 de 24/06/2005. Destacar-se-á a importância das disciplinas de Matemática e Física no âmbito educacional e social. Serão abordadas, fundamentalmente, as dificuldades de aprendizagem destas disciplinas, questionamentos sobre as possíveis causas do problema e apontamentos sobre algumas soluções possíveis. Com esse propósito, será realizada uma revisão bibliográfica que aborda a dificuldade relacionada ao processo de aprendizagem dos alunos da EJA e do PROEJA.

## 2 Histórico dos sujeitos da EJA/PROEJA

A Educação de Jovens e Adultos é um tema que levanta muitas reflexões necessárias para compreender a realidade de tal grupo social. A questão maior não é a idade dos frequentadores dessas salas de aula e sim a cultura que acompanha cada um. Como afirma Oliveira:

'... não remete apenas a uma especificidade cultural. Assim, apesar do recorte da idade jovens e adultos são basicamente 'não crianças', esse território da educação não diz respeito à reflexão e ações educativas dirigidas qualquer jovem ou adulto, mas delimita um determinado grupo de pessoas relativamente homogêneo no interior da diversidade de grupos culturais da sociedade contemporânea. '(1999, p.59).

Podemos dizer que esses sujeitos caracterizam-se por serem de origem pobre, trabalhadores de subempregos, sem qualificação, com poucos anos nos bancos escolares ou analfabetos. A origem pobre é agravada pela situação de exclusão social e do abandono da escola, pela necessidade de trabalho para aumentar a renda familiar e as condições mínimas de sobrevivência. Com uma realidade difícil, muitos trabalhadores vivem sem seus direitos previstos na lei e, em muitos casos em condições exploratórias em seus trabalhos.

Outro aspecto a ser levado em consideração são as formas de aprendizagem do adulto, que deve ser pensado de modo a atender aos anseios desse grupo de alunos tão peculiar e especial. Ao professor cabe pensar o processo de aprendizagem como uma troca e não como algo isolado como afirma Paulo

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Freire: 'O educador já não é o que apenas educa. Mas o que, enquanto educa, é educado que, ao ser educado, também educa. Ambos, assim, se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos...' (FREIRE, 1987)

## 2.1 Objetivos dos sujeitos

Para voltar aos bancos escolares os alunos da EJA/PROEJA têm como objetivo aprimorar conhecimentos e/ou buscar certificação.

Depois de não frequentar ou frequentar de forma assistemática os bancos escolares, esse aluno é levado de volta à escola para 'validar' os conhecimentos aprendidos na prática de seu trabalho. Esse indivíduo pretende aprimorar os conhecimentos já adquiridos no pouco tempo que frequentou a escola e ainda superar a condição de analfabeto e se sentir parte do mundo letrado.

Para os que buscam a escolarização e uma formação técnica foi criado pelo governo federal em forma de programa o PROEJA - Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na modalidade de Educação de Jovens e Adultos, instituído pelo decreto nº 5.478/ 2005 e ampliado pelo nº 5.840/ 2006 que tem por concepção a formação integral do educando visando todos os campos do conhecimento, sendo esse social, profissional e ético como cita o Documento Base do PROEJA/Ensino Médio:

'Assim uma das finalidades mais significativas dos cursos técnicos integrados no âmbito de uma política educacional pública deve ser a capacidade de proporcionar educação básica sólida, em vínculo estreito com a formação profissional, ou seja, a formação integral do educando. A formação assim pensada contribui para a integração social do educando, o que compreende o mundo do trabalho sem resumir-se a ele, assim como compreende a continuidade de estudos. ' (p.35)

O PROEJA busca atender a necessidade de qualificação profissional de nível fundamental e médio desse grupo, muitas vezes excluído do Ensino Regular.

Com a implantação do programa, percebeu-se a necessidade de abrangência de atuação e suas possibilidades, proporcionando um novo modelo de formação, colocando em prática os princípios apresentados no Documento Base:

'O primeiro princípio (...) inclusão da população em suas ofertas educacionais (...). O segundo princípio (...) inserção orgânica da modalidade EJA integrada à educação profissional nos sistemas educacionais públicos. A ampliação do direito à educação básica, pela universalização do ensino médio constitui o terceiro princípio (...). O quarto princípio compreende o trabalho como princípio educativo(...). O quinto princípio define a pesquisa como fundamento da formação do sujeito(...). O sexto princípio considera as condições geracionais, de gênero, de relação étnico-racial como fundantes da formação humana e dos modos como se produzem as identidades sociais(...)'(p.37e38)

## 3 A importância da matemática e da física no contexto social e educacional

Atualmente vive-se em um mundo cheio de descobertas, no qual é preciso entendê-las. Para isso, existem as ciências que procuram explicar estes processos como, por exemplo, a Matemática e a Física.

Na escola aprendem-se vários ramos da física, que explicam o movimento dos corpos, o funcionamento da eletricidade, as temperaturas, entre outras coisas, e todas elas são úteis para a sociedade. Podem-se citar alguns exemplos importantes que a física tem no cotidiano, tais como: uma pessoa comum acorda cedo para ir ao trabalho, mas em seguida resolve dar uma olhada rápida em seus e-mails, liga o computador e enquanto espera ouve aquele barulho típico de computador ligado, o

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

cooler. A física explica que, quando alimentado com eletricidade um resistor libera energia em forma de calor, e por isso precisa-se de um pequeno ventilador no computador para que esse calor seja jogado para fora do gabinete e não queime os componentes. Em seguida, a pessoa sai de casa para trabalhar, liga seu carro e parte em direção à rua, quando vê, a alguns metros a sua frente, uma criança atravessando a rua; intuitivamente ela relaciona a sua velocidade atual com a distância que a criança terá que percorrer para chegar ao outro lado da rua, e baseado nisso decidirá se precisa frear o carro ou apenas manter a mesma velocidade para não acontecer nenhum acidente. Por essas e outras informações percebe-se que a Física é muito importante em nossas vidas, mesmo para quem não segue uma profissão relacionada à área das ciências exatas. A Física permite entender e conhecer as leis gerais da Natureza, que regulam o desenvolvimento dos processos verificados, tanto no Universo circundante como no Universo em geral.

Dentro do estudo da Física na escola, deve-se destacar um pouco o contexto histórico e entender como essa ciência foi incorporada na educação. Um dos primeiros homens que começou a compreender isso, e contribuiu muito para sua sociedade e o mundo, foi Arquimedes. Ele descobriu e formalizou as leis da mecânica, tendo inventado o sistema de roldanas, a alavanca e muitas outras máquinas. Querendo demonstrar o poder da alavanca, ele disse: "Deem-me outro lugar onde eu possa colocar-me, e uma alavanca de tamanho adequado, e eu deslocarei a terra" (FERREIRA, 2018).

Ao se falar sobre a importância da física não se pode esquecer um físico muito importante, Galileu Galilei, que foi um dos primeiros cientistas a levar a experimentação e as suas conclusões para o ramo da Física, Matemática e Filosofia; pode-se perceber isso citando um célebre parágrafo, no qual se resume uma das mais importantes realizações da revolução científica dos séculos XVI e XVII, o reconhecimento pleno do papel central desempenhado por ideias matemáticas na descrição do mundo físico.

"A filosofia está escrita nesse grandioso livro que se mantém continuamente aberto perante os nossos olhos (quero dizer, o Universo), mas não se pode entendê-lo se primeiramente não se cuida de entender a língua e conhecer os caracteres em que está escrito. Está escrito em linguagem matemática, e os caracteres são triângulos, círculos e outras figuras geométricas, sem as quais é impossível entender humanamente alguma palavra; sem estes meios é dar volta em vão num obscuro labirinto". (Galileu Galilei, O Ensaiador, IV).

Mas a Física é uma ciência prática e simples de ser aprendida e demonstrada. A curiosidade dos alunos costuma ser despertada quando alguns experimentos simples são realizados em sala de aula ou no laboratório. Dessa forma, o medo daquela matéria 'difícil' e 'exata' vai sendo substituído pelo senso de 'maravilhamento' diante dos princípios naturais. Mudar a forma de avaliar o conteúdo ajudaria o aluno a querer entender melhor o contexto histórico, mas tal medida não pode ser dissociada da mudança na exposição do conteúdo. O rigor matemático precisa fazer parte do sistema de avaliação de maneira medida, tanto quanto o teor da aula precisa mudar para enfatizar também a parte qualitativa da matéria.

## 4 Dificuldades de aprendizagem da matemática e da física na EJA/PROEJA.

Pozo (2000), afirma que vivemos em uma nova cultura da aprendizagem, em uma sociedade em que a escola não é mais a única fonte de informação; esse

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

espaço deverá proporcionar agora capacidades de aprendizagem que permitam aos educandos a assimilação crítica da informação. Essa nova cultura requer, no mínimo, cinco tipos de capacidades para a gestão meta cognitiva do conhecimento: 'competências para a aquisição de informações, competências para a interpretação de informação, competências para análise da informação, competências para a compreensão da informação e competências para a comunicação da informação'.

Diante desse novo contexto, as disciplinas precisam se adequar e proporcionar aos discentes essas competências, para que assim se efetive a aprendizagem. Dados comprovam que as dificuldades são pertinentes e ainda se fazem mais nítidas na EJA, especialmente no campo das ciências exatas. Aponta-se como uma das possíveis causa a não aquisição dessas competências. O professor, especialmente, de Matemática e de Física, limita-se a teorização do conteúdo, memorização de fórmulas e prática cansativa de exercícios. A não adequação ao cotidiano do aluno, o não aproveitamento de seus conhecimentos prévios, a não flexibilidade dos programas de Matemática e de Física, a falta de capacitação dos docentes, também aumentam os índices de dificuldades.

O público alvo da EJA possui como causas dessas dificuldades, além das questões explicitadas acima, também a condição de excluídos da escolarização regular. Mas, além disso, esse grupo totalmente homogêneo possui questões culturais que os definem na sociedade. Eles precisam que os conteúdos dessas disciplinas possibilitem o desenvolvimento das capacidades de atender as suas necessidades e expectativas, promovendo uma melhoria em suas vidas. É preciso aproximar a linguagem simbólica e a linguagem cotidiana para assim haver uma melhoria no processo de aprendizagem destas disciplinas. Em relação os problemas de interpretação da linguagem no processo da aprendizagem dos alunos da EJA, Wittgenstein apud Silveira (2008, p.3) afirma que:

'A linguagem descreve os fatos, o mundo e a realidade através das construções lógicas. Como pensamento é 'um tipo' de linguagem, os limites do pensamento representam os limites da linguagem e por consequência, os limites da linguagem são os limites do mundo do sujeito'.

O grande desafio do ensino da Matemática e o da Física na EJA/PROEJA parece ser o de aproximar as linguagens dessas disciplinas à interpretação de textos, questões de exercícios, em provas ou até em questões trabalhadas em sala de aula. Nesse contexto cabe citar:

'Das experiências que acompanhamos como educadores formadores de educadores, leitores, pesquisadores, não será difícil recordar de episódios em que se estabelece o conflito na relação do ensinoaprendizagem: seja porque o aluno se recuse à consideração de uma nova lógica de organizar, classificar, argumentar, registrar que fuja aos padrões que lhe são familiares...; seja, ao contrário, porque o próprio aluno se impõe uma obrigação de despir-se do conhecimento adquirido em outras atividades de sua vida social por julgá-lo menos correto ou inconciliável com o saber de sua formação escolar .' (FONSECA, 2005, p. 30)

De fato, cabe ao professor se assumir como sujeito sociocultural, da mesma forma que reconhece o caráter sociocultural que identifica seu aluno, relevando os valores das contribuições da Matemática e da Física dentro do contexto, buscando motivar o ensino da Matemática, compartilhando-o com o de Física. Essa tentativa busca o estudo de situações pertencentes ao cotidiano do aluno, numa vivência de práticas experimentais, que propicie uma discussão, tanto em termos de conceitos, leitura e escrita, como das diferentes representações dos objetos matemáticos.

Neste sentido, cabe aos professores promoverem situações e ações mediadoras, de interação das duas disciplinas, onde os alunos possam ter a

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

oportunidade de se desenvolverem, uma vez que o aprendizado propicia o desenvolvimento do indivíduo, já que considera o cérebro humano como sendo: '... um sistema aberto, de grande plasticidade, cuja estrutura e modos de funcionamento são moldados ao longo da história da espécie e do desenvolvimento' (OLIVEIRA, 1993, p.24). Nesta perspectiva a incorporação dos conteúdos das duas disciplinas se justificaria por promoverem uma melhor qualidade do ensino, possibilitando que os alunos desse seguimento construam conhecimentos dos conteúdos de Física aprendidos em sala de aula, pela Matemática.

Também apontamos como possível melhoria da aprendizagem destas disciplinas, o uso de atividades investigativas por parte do professor, onde o aluno vai construindo suas próprias conjecturas e interligando o conceito ao mundo real, sempre sendo um questionador e o professor um mediador, como afirma Paulo Freire (2002, p.24-25).

É preciso [...] que o formando, desde o princípio mesmo de sua experiência formadora, assumindo-se como sujeito também da produção do saber, se convença definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produção ou sua construção (FREIRE, 2002, p. 24-25).

Os usos de outras metodologias como facilitadores também podem influenciar positivamente nesse processo. A metodologia tradicional, com a mera transmissão de conteúdo pelos professores e com os alunos como simples receptores, é largamente vista nos ensinos da Matemática e Física dentro da EJA/PROEJA. Uma possível solução seria a ruptura com esse modelo e opção de um contexto mais construtivista. Dentro do PROEJA, o professor poderá despertar o interesse dos alunos levando à sala de aula problemas matemáticos sobre seu diaa-dia, sobre dados em relação ao curso técnico em que estejam matriculados, além de promover atividades em que interajam a Matemática, a Física e as disciplinas da parte profissionalizante ou até mesmo da básica, superando as dificuldades de aprendizagem e incorporando a dimensão intelectual nos alunos. Assim efetivamente ocorrerá a aprendizagem, as dificuldades serão minimizadas e segundo o Documento Base do Programa se alcançará uma integração epistemológica, de conteúdos e de práticas educativas, efetivando-se o currículo integrado.

Assim sendo ocorrerá o que é relatado no Documento Base, '... conceitos escolhidos que mantém conexão com várias ciências', e mais, cada professor forneceria dados e fatos para a interpretação visando à solução dos problemas propostos.

Apontando algumas soluções para a problemática em questão, neste artigo visualiza-se que a formação integral do educando, como consta no Documento Base do PROEJA- Ensino Médio terá sua finalidade completamente efetivada a partir de uma política educacional pública, com capacidade de proporcionar 'educação básica sólida, em vínculo estreito com a formação profissional'.

## 5 Considerações finais

Ao tratarmos sobre EJA/PROEJA procuramos tecer considerações sobre os que se envolvem neste processo de aprendizagem. Discorremos sobre alunos que estão além dessa condição: são cidadãos em busca de conhecimentos que supram suas necessidades práticas. Destacamos o professor que tem o papel de fazer a ponte entre os conteúdos e a aprendizagem de seus alunos, sem esquecer que

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

esses alunos precisam ser autônomos e capazes de aplicar o conhecimento teórico na pratica.

As dificuldades encontraram no campo da Matemática e da Física são notórias e têm sua origem no início da sua escolaridade, que depois vão se agravando pela forma que tais conteúdos são tratados, com falta de aplicabilidade e linguagem incompatível com o público atendido. Tal situação deve ser superada com a revisão dos conteúdos, forma de abordá-los e a linguagem utilizada pelo professor.

Atualmente, numa sociedade que exigem criticidade no que é aprendido e a empregabilidade da mesma, a aprendizagem não pode estar reduzida a simples memorização desvinculada da realidade que está inserida.

- O PROEJA em sua essência busca romper com o pensamento reprodutivo e reducionista da realidade que separa prática e teoria, impossibilitando a análise crítica e a reflexão que isto leva.

Destacamos ainda, que a Matemática e Física são ferramentas fundamentais para aprendizagem das disciplinas profissionalizantes, as dificuldades nessas áreas de conhecimentos se refletem diretamente no campo do currículo técnico.

Assim sendo, apontamos que o PROEJA é o meio para que a formação integral ocorra e este seja capaz de atuar efetivamente na sociedade em que se encontra, estando preparado para lidar com questões diversas no campo social, cultural e profissional.

## 6 Referências

BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares nacionais: Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: Ministério da educação, 2002.144 p.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CEB nº 11/2000. Diretrizes Curriculares para a Educação de Jovens e Adultos. Brasília, MEC, maio 2000.

Ministério da Educação. Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - PROEJA: Documento Base. Brasília: MEC, fev. de 2006.

BRASIL. Lei 9.394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: MEC, 1997

FERREIRA, Raphael de Carvalho. FÍSICA PARA TODOS. 2018. Disponível em: <http://www.professorraphael.xpg.com.br/minhapagina.htm>. Acesso em: 04 set. 2019.

FONSECA, M. C. R.F. Educação Matemática de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987

GALILEU GALILEI - O Ensaiador. São Paulo. Abril Cultural. 1987

GARCIA, N. M. Dias; ROCHA, J. V. & COSTA, R. Z. V. Física in: Kuenzer, A (org) Ensino Médio: Construindo uma proposta para os que vivem do trabalho Cortez São Paulo, 2001

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

INEP. No Ensino Médio 67% dos estudantes têm desempenho crítica em Matemática, 2004. Disponível em http://www.inep.gov.br. Última consulta em: 01/07/2010.

OLIVEIRA, Marta Kohl de. VYGOTSKY aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-histórico. São Paulo. Scipione. 1993.

OLIVEIRA, Marta Kohl de. (1999) OLIVEIRA, M. K. Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação, v. 12, p. 59-73, 1999

POZO, J.I. (Juan Ignácio). Aprendizes e Mestres: A nova cultura de aprendizagem. Tradução de Ernani Rosa, Porto Alegre: Artes Médicas, c 2000. 296 p., Il. ISBN (Broch).

ROCHA, Iara Cristina Bazan. Ensino da Matemática: formação para exclusão ou para a cidadania? Educação Matemática em Revista, São Paulo: SBEM, 9/10(ano8): 22-31.

SILVEIRA, Marisa Rosâni Abreu. Wittgenstein e a Matemática. Anais do 3º Congresso Brasileiro de Etnomatemática - Niterói. 2008 (CD-ROM).

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.