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O IMAGINÁRIO DE ESTUDANTES DE FÍSICA ANALISADO A PARTIR DO TESTE AT-9

Mônica Maria Biancolin, Nelson Fiedler-Ferrara

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XII
Ano
2010
Data
27/10/2010
Linha de pesquisa
Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O IMAGINÁRIO DE ESTUDANTES DE FÍSICA ANALISADO A PARTIR DO TESTE AT-9

## THE IMAGINARY OF STUDENTS OF PHYSICS CONSIDERED FROM TEST AT-9

Mônica Maria Biancolin 1 Nelson Fiedler-Ferrara 2

1 Universidade de São Paulo, Instituto de Física, monicabiancolin@usp.br 2 Universidade de São Paulo, Instituto de Física, ferrara@if.usp.br

## Resumo

Neste trabalho realiza-se o desvelamento do imaginário de estudantes de física do ensino médio. Utilizamos a Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand que concebe a classificação do imaginário em dois regimes: o regime diurno e o regime noturno; os regimes compreendem três estruturas, a heróica, a mística e a sintética. Para o desvelamento do imaginário utilizamos o Teste Arquetípico de Nove Elementos AT-9 de Yves Durand, que é um teste projetivo proposto como modelo experimental para a análise das estruturas imaginárias propostas por Gilbert Durand (2002). O teste é composto por um desenho (utilizando papel sulfite e lápis preto, sem uso de borracha), uma narrativa e um questionário. O desenho é proposto a partir de nove palavras estímulo: queda, espada, monstro devorador, refúgio, elemento cíclico, personagem, água, animal e fogo. A narração deve explicar o desenho construído e o questionário objetiva esclarecer os símbolos utilizados. O trabalho foi realizado com estudantes de física do Ensino Médio da escola particular da cidade de Suzano, da região do Alto Tietê. O trabalho é composto por quatro protocolos analisados a partir de um desenho, uma narrativa, um questionário e o preenchimento de uma tabela. Os resultados da análise evidenciam que os estudantes que têm imaginário com estruturas marcantes do regime noturno apresentam dificuldades na compreensão dos conteúdos de física trabalhados tradicionalmente, enquanto os alunos que apresentam o imaginário marcadamente diurno apresentam facilidade na compreensão dos conteúdos físicos trabalhados tradicionalmente. Os dados de nossa pesquisa evidenciam que há relações entre os modos como os imaginários dos estudantes estão estruturados, seu desempenho nas aulas e o processo de ensino-aprendizagem da Física.

Palavras-chave: antropologia, ensino de física, imaginário, teste AT-9.

## Abstract

This work proceeds to the unveiling of f the imagination of students of physics of high school. We use the Gilbert Durand's Anthropology of the Imaginary devising the classification of imagery in two regimes: the diurnal and the nocturnal; the regimes includes three structures, the heroic, the mystical and synthetic. For the unveiling of the Archetypal imagery we used the Yves Durand's Test of Nine Elements AT-9, a projective test which is proposed as an experimental model for the analysis of imaginary structures proposed by Gilbert Durand (2002). The test consists of a drawing (using typing paper and pencil, without the use of rubber), a narrative and a questionnaire. The design is proposed from nine stimulus words: fall, sword, devouring monster, refuge, cyclical element, personage, water, animal and

fire. The narrative should explain the design and constructed questionnaire aims to clarify the symbols used. The work was perfrformed with physics students from high school to private school in the city of Suzano, in the Alto Tietê. The work consists of four protocols analyzed from a drawing, narrative, filling out a questionnaire and a table. The analysis results show that students who have imaginary structures with remarkable nocturnal regime have difficulties in understanding the physics content traditionally worked as students who have the imagination markedly diurnal show ease in understanding the physical content traditionally worked. Data from our work show that there are relations between the ways the imaginary of the students are structured, their performance in class and the process of teaching and learning of physics.

Keywords: anthropology, teaching of physics, imaginary, test AT-9.

## 1. Introdução

As pesquisas em Ensino de Física foram influenciadas a partir da década de 70 pelas idéias dos estudantes em relação aos diversos conceitos abordados pela Física, no caso dos modelos de ensino, o modelo de mudança conceitual (Posner, Strike & Gertzog, 1982) ajudou a fortalecer a visão construtivista do ensino.

Na década de 90 observamos o nascimento da noção de perfil conceitual (Mortimer, 1995), a qual permite compreender as idéias dos estudantes em sala de aula e respeitar a pluralidade dessas idéias, já que o perfil é composto de várias zonas que convivem simultaneamente em um mesmo indivíduo.

Observamos também a preocupação com a subjetividade dos sujeitos envolvidos no processo ensino-aprendizagem, como nos trabalhos de Villani et al (2007). Essa preocupação é pertinente, pois muitas posturas de alunos e professores em sala de aula não são explicadas pela compreensão dos seus perfis conceituais, e a educação é um processo complexo, a subjetividade é tão importante quanto os aspectos epistemológicos e ontológicos do conhecimento.

Diante desse panorama das pesquisas em Ensino de Física, por que se preocupar com o estudo do imaginário? Para responder a essa pergunta vamos citar o mentor da idéia do perfil epistemológico, precursor da idéia do perfil conceitual, Gaston Bachelard:

"É o homem inteiro, com sua pesada carga de ancestralidade e de inconsciência, com toda a sua juventude confusa e contingente, que teria de ser levado em conta se quiséssemos medir os obstáculos que se põe ao conhecimento objetivo". (Bachelard, 1999, p. 258).

Os aspectos cognitivos sempre tão privilegiados começam a compartilhar espaços com o estudo das imagens e da imaginação, como no trabalho de Ramadas (2009) que identifica abordagens centrais no Ensino de Ciências voltadas para os modos visuais e espaciais e a criatividade e a descoberta intimamente relacionadas à imaginação e à visualização espacial (Shepard,1988).

Neste trabalho - cujo objetivo é desvelar o imaginário de estudantes de Física do Ensino Médio e relacioná-lo com o Ensino de Física - busca-se a compreensão do imaginário não restrita aos conceitos de imagem, imaginação, criatividade e modelos mentais, mas compreendido como a matriz de leitura que o sujeito tem do mundo, matriz esta que tem por função organizar a experiência e a ação do sujeito, colocando o homem em relação de significado com o outro, com o mundo e consigo mesmo.

Para tal, iniciamos o trabalho com a Antropologia do imaginário de Gilbert Durand, seguida do Teste Arquetípico de Nove Elementos de Yves Durand. Na sequência apresentamos o desenho da pesquisa, a análise dos dados e finalizamos com as considerações finais.

## 2. Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand

Durand (2002) compreende o imaginário a partir da visão antropológica e admite sua expressão em sistemas e práticas simbólicas. Ele concebe o imaginário como "o conjunto de imagens e relações de imagens que constitui o capital pensado do homo sapiens" " (Durand, 2002, p.82).

Para a classificação do imaginário, Durand adota o ponto de partida psicológico e utiliza a reflexologia detchereviana da Escola de Leningrado, mas percebe que também há influências do meio na formação do imaginário. Assim, ele propõe para o estudo do imaginário o que denomina Trajeto Antropológico, que admite a "incessante troca que existe ao nível do imaginário entre as pulsões subjetivas e assimiladoras e as intimações objetivas que emanam do meio cósmico e social" l" (DURAND, 2002, p. 41).

Seguindo o Trajeto Antropológico, Durand classifica o imaginário em dois regimes: o Regime Diurno e o Regime Noturno, sendo que este último subdivide-se em Noturno de estrutura Mística e Noturno de estrutura Sintética.

- O Regime Diurno está estruturado pela dominante postural e apresenta quatro estruturas esquizomorfas: o poder de autonomia e de abstração do meio, a faculdade de abstrair, o geometrismo mórbido, o pensamento por antítese.
- O Regime Noturno Místico que se estrutura segundo a dominante digestiva apresenta quatro estruturas místicas: o redobramento e a perseveração, a viscosidade e a adesividade, o realismo sensorial das representações, a miniaturização ou gulliverização.
- O Regime Noturno Sintético estruturado segundo a dominante sexual apresenta quatro estruturas sintéticas: a harmonização dos contrários, o caráter dialético ou contrastante do pensamento sintético, a estrutura histórica, o progressismo parcial ou total. A característica marcante dos símbolos cíclicos do Regime Noturno Sintético é a domesticação do tempo. Neste regime há uma estreita relação entre os esquemas cíclicos e os mitos do progresso.

## 3. O Teste Arquetípico de Nove Elementos AT-9

Para o desvelamento do imaginário dos estudantes de física utilizamos o teste arquetípico de nove elementos de Yves Durand (1988), o qual concebe o estudo da imagem num espaço vago entre a reprodução funcional oferecida e a representação mental, ou seja, se localiza no interregno da percepção e da representação.

- O teste At-9 é um teste projetivo proposto como modelo experimental para a análise das estruturas imaginárias propostas por Gilbert Durand (2002). O teste é composto por um desenho (utilizando papel sulfite A4 e lápis preto, sem uso de borracha), uma narrativa e um questionário. O desenho é proposto a partir de nove palavras estímulo: queda, espada, monstro devorador, refúgio, elemento cíclico, personagem, água, animal e fogo. A narração deve explicar o desenho construído e o questionário objetiva esclarecer os símbolos utilizados.

Cada elemento do teste tem uma função específica: a personagem é o elemento que vive o episódio dramático; a queda e o monstro devorador buscam evidenciar a angústia existencial diante da morte; a espada, o refúgio e o elemento cíclico objetivam ativar as estruturas imaginárias heróica, mística e sintética, respectivamente; a água, o fogo e o animal, são elementos complementares que objetivam reforçar a estrutura simbólica do indivíduo.

Yves Durand (1988) segue a categorização dos regimes e das estruturas imaginárias proposta por Gilbert Durand (2002) e propõe a categorização do teste AT-9 a partir de conhecimento do universo mítico do sujeito, que pode ser classificado como:

- 1. Micro-universo mítico heróico, no qual as imagens constelam em torno do combate; 2. Micro-universo mítico místico, no qual as imagens gravitam em torno da harmonia e do equilíbrio; 3. Micro-universo mítico sintético, no qual há convivência do combate e da harmonia, quer de forma sincrônica ou de forma diacrônica.

Devido as interferências entre os regimes e estruturas Yves Durand (1988) propõe a seguinte sub-divisão dos universos míticos:

- 1. Micro-universo mítico heróico:
- 1.1. Micro-universo mítico heróico integrado: ocorre a integração dos 9 elementos na cena do combate;
- 1.2. Micro-universo mítico heróico impuro: há organização em torno do combate, no entanto, alguns elementos divergem da organização;
- 1.3. Micro-universo mítico heróico descontraído: apesar da presença perigosa do monstro não há combate, pois o monstro encontra-se provisoriamente afastado da personagem;
- 1.4. Micro-universo mítico super-heróico: representação centrada na espada, no monstro e na personagem, enquanto os outros elementos aparecem desfuncionalizados.
- 2. Micro-universo mítico místico:
- 2.1. Micro-universo mítico místico integrado: não há combate, todos os elementos se integram em torno da vida harmoniosa;
- 2.2. Micro-universo mítico místico impuro: os elementos espada e monstro aparecem sem função para a personagem;
- 2.3. Micro-universo mítico místico lúdico: o monstro e a espada integram-se num cenário lúdico (espada de brinquedo);
- 2.4. Micro-universo mítico super-místico: as imagens estão organizadas em torno do refúgio, pode não aparecer a espada e o monstro e geralmente a personagem goza a paz da natureza.
- 3. Micro-universo mítico sintético:
- 3.1. Micro-universo mítico sintético existencial:
- 3.1.1. Micro-universo mítico sintético existencial diacrônico: a personagem vive sucessivamente dois episódios: o heróico e o místico;

- 3.1.2. Micro-universo mítico sintético existencial sincrônico: a personagem vive simultaneamente dois episódios: o heróico e o místico.
- 3.2. Micro-universo mítico sintético simbólico de forma diacrônica:
- 3.2.1. Micro-universo mítico sintético simbólico de evolução cíclica: a existência humana é representada por fases cíclicas;
- 3.2.2. Micro-universo mítico sintético simbólico de evolução progressiva: a ação se desenvolve de modo a evidenciar progresso para atingir um objetivo.
- 3.3. Micro-universo mítico sintético simbólico de forma sincrônica:
- 3.3.1. Micro-universo do dualismo: conteúdo abordado de forma antagônica;
- 3.3.2. Micro-universo da mediação: personagem situa-se como ponto de articulação para conduzir uma mediação.
- 4. Micro-universo da não-estruturação:
- 4.1. Não-estruturado verdadeiro: não há ligação entre os elementos (no desenho e na narrativa);
- 4.2. Pseudo-desestruturado: não há articulação dos elementos no desenho, mas há articulação na narrativa.

## 5. Desenho da Pesquisa

A pesquisa foi realizada num universo de 15 alunos de Física da 3ª série do Ensino Médio da escola particular Colégio Unisuz, localizada na cidade de Suzano, a qual pertence à região do Alto Tietê.

- O convite para a participação da pesquisa foi feito aos alunos pela professora de física (um dos autores do trabalho) e foi realizada num período fora da aula. A professora de Física acompanha a turma desde a primeira série do Ensino Médio. A pesquisa foi realizada em 2009.
- O material para a realização do teste AT-9 constou de um bloco com quatro folhas de papel sulfite A4 e lápis preto. A primeira página do bloco apresenta o pedido para a construção do desenho com a seguinte frase: "Compor um desenho com: uma queda, uma espada, um refúgio, um mostro devorador, algo cíclico (que gire, produz, que progride) um personagem, água, um animal (ave, réptil, mamífero), fogo", na segunda página há o pedido para a explicação do desenho com a frase: "Explique seu desenho".

Na terceira página do bloco há um questionário reproduzido no Anexo e na página 4 há uma tabela com orientações sobre a representação, função e simbolismo dos elementos utilizados.

Vamos reproduzir os desenhos, narrativas e respostas do questionário de quatro alunos da pesquisa, os quais são identificados pelo número do protocolo de análise. As alunas dos protocolos 01 e 02 apresentam muita dificuldade na compreensão do conteúdo da física abordada de forma tradicional pela professora. O colégio no qual os alunos estudam utiliza um sistema apostilado com conteúdo abordado de forma tradicional, sem experimentos, sem apresentação da evolução histórica dos conceitos físicos e com raros exercícios contextualizados ou que

apresentem relações com o desenvolvimento tecnológico. O material didático apresenta o conteúdo de forma sintética em linguagem científica, com exemplos a serem resolvidos em sala de aula pela professora e com exercícios para casa, como tarefa, em sua maioria englobando questões de vestibular.

A aluna do protocolo 01 foi aprovada no vestibular e está cursando negócios da moda na faculdade Anhembi Morumbi/SP. A aluna do protocolo 02 chorou algumas vezes durante o Ensino Médio ao receber a nota das provas de física, pois apesar da dedicação ao estudo, apresentava muita dificuldade, atualmente está fazendo cursinho e pretende cursar publicidade.

- A aluna do protocolo 03 era a melhor aluna da turma, sempre com desempenho excelente em todas as disciplinas, incluindo a Física, atualmente está cursando economia na FGV/SP.
- O aluno do protocolo 04, apresentava muita dificuldade em Física no começo do 1º ano, mas foi se superando, terminando o 2º ano e o 3º ano com um ótimo desempenho; ele foi aprovado em engenharia da computação em duas universidades públicas: uma no Rio Grande do Sul e outra em Minas Gerais, atualmente está fazendo cursinho e pretende se dedicar ao estudo da informática no nível superior.

## 6. O desempenho dos alunos na disciplina Física

Para explicitar o desempenho dos alunos analisados, na disciplina Física, vamos apresentar na tabela 1 os conceitos bimestrais dos alunos nos anos letivos de 2007, 2008 e 2009, e na sequência vamos analisar a resolução de uma questão de termodinâmica apresentada na prova de Física em 25/06/2009, por questão de espaço não conseguiremos reproduzir outras questões no trabalho. Apesar do imaginário dos alunos ter sido estudado em 2009, a professora acompanhava os rendimentos dos alunos desde 2007.

Tabela 1 - Conceitos bimestrais dos alunos na disciplina Física nos anos de 2007, 2008 e 2009.

A questão refere-se ao conteúdo de termodinâmica e requer que os alunos compreendam o cálculo do rendimento de uma máquina térmica segundo o ciclo de Carnot.

Figura 1 - Exercício resolvido pela aluna 01

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A Figura 1 apresenta a resolução do exercício da aluna 01, nela observamos que a aluna consegue realizar um esboço do enunciado do exercício, conseguindo reproduzir um diagrama, parecido com o diagrama apresentado no material didático para a compreensão do funcionamento de uma máquina térmica, contudo a aluna apresenta dificuldades para abstrair os conceitos esboçados e para utilizar a linguagem matemática, não conseguindo sequer r esboçar uma relação algébrica ou aritmética entre os elementos esquematizados. Falta a estrutura do Regime Diurno do imaginário representada pela faculdade de abstração do conteúdo.

Figura 2 - Exercício resolvido pela aluna 02

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A Figura 02 representa a solução do exercício pela aluna 02, nela observamos uma capacidade maior de abstração, através da linguagem matemática, que expressa a relação entre as grandezas envolvidas no problema, contudo a aluna utiliza o conceito de calor como sinônimo de temperatura do reservatório. Apesar da aluna conseguir utilizar a linguagem matemática para a organização dos dados, indicando estruturas do Regime Diurno, há uma dificuldade em diferenciar os conceitos de calor e de temperatura, indicando a estrutura do Regime Noturno que indica a perseveração, ou seja, a representação de um conceito se repete na representação de outros conceitos, indicando dificuldades de diferenciação.

Os alunos 03 e 04 resolveram corretamente a questão indicando domínio da linguagem matemática e dos conceitos físicos.

## 7. Análise dos Dados

Nesta pesquisa, será apresentada a análise de quatro protocolos, designados por 01, 02, 03 e 04.Realizamos inicialmente a análise morfológica que consta da decodificação das representações dos elementos, posteriormente realizamos a análise funcional dos elementos, a qual tem por objetivo encontrar a função dos elementos integrada na composição do desenho e da narrativa, na sequência realizamos a análise simbólica dos elementos para finalmente realizarmos a análise

estrutural, na qual conseguimos categorizar os imaginários segundo a classificação dos micro-universos proposta por Yves Durand (1988). A análise será apresentada individualmente. Primeiramente apresentaremos o desenho construído em cada protocolo, seguido pela narrativa e pelas respostas do questionário e finalizamos com uma tabela, na qual os resultados das análises são apresentados.

7.1. Protocolo 01 (I(Idade: 17 anos

Sexo: feminino)

Figura 3

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"Tinha uma menina na floresta, e seus amigos, teve uma hora que ela se perdeu de seus amigos, então ficou andando pela floresta sozinha. Como ela tinha medo, pegou um pedaço de pau, para fazer como espada e continuou andando.

Depois de horas andando e griritando, ela resolveu parar para descansar. De repente ela começou a escutar alguns barulhlhos estranhos, ela olha para trás e vê um monstro enorme. Ela levanta, rapidamente, e começa a fugir do monstro.

Na hora que ela estava correndo, ela viu um cíclico grande e um rio, então ela imaginou subir naquele cíclico e pular o rio e sair do outro lado, enquanto o monstro iria passar o rio e iria morrer".

Respostas das questões do protocolo:

- A- "Sobre alguma história de desenho".
- B- "Através de desenhos".
- C- I - "Do personagem, algo cíclico, do mostro e da água".
- II - "Teria vontade de tirar o fogo".
- D- "Acaba com o monstro morto, a floresta toda destruída, e com a menina viva, saindo do rio".
- E- "Enfiaria a espada de madeira nele e mataria o monstro"

A tabela 2 apresenta os resultados das análises morfológica, funcional e simbólica. Diante das análises realizadas concluímos que a análise estrutural indica que a aluna do protocolo 01 tem o imaginário marcadamente estruturado segundo as características do micro-universo mítico sintético existencial diacrônico.

Tabela 2

## Protocolo 02

Idade: 17 anos

## Sexo: feminino

Figura 4

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"Uma garota se perdeu em uma floresta e para a surpresa dela lá vivia um monstro terrível que ao notar a sua presença começou a caçá-la. Ela construiu um abrigo próximo a uma cachoeira e fez uma fogueira para afastar os animais. Uma águia era quem a guiava na sua solidão na floresta".

Respostas das questões do protocolo:

- A- "Tentar usar os elementos de forma compreensível".
- B- "Não, só usei a imaginação".
- C- I - "A queda e a água".
- D- II - "Algo cíclico porque não sabia o que fazer e o monstro porque ele não ficou assustador e sim engraçado".
- E- "A garota foge pela floresta antes do monstro chegar em seu esconderijo".
- F- "Eu estaria junto da personagem tentando a ajudar".

A tabela 3 apresenta os resultados das análises morfológica, funcional e simbólica. Diante das análises realizadas concluímos que a análise estrutural indica que a aluna do protocolo 02 tem o imaginário marcadamente estruturado segundo as características do micro-universo mítico místico impuro.

Tabela 3

## Protocolo 03

Idade: 16 anos

Figura 4

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"O homem que está em cimima do prédio é um homem pretensioso e que não suporta ver o sucesso de outros, e quer todo dinheiro para si mesmo (portanto ele é o símbolo do monstro devorador, que no caso, seria de dinheiro). Ao descobrir que a empresa concorrente está faturando mais que a dele, ele decide ele mesmo colocar fogo no prédio para fazer com que eles tenham prejuízos, ao fazer isso, muitas pessoas só tinham uma saída para tentar sobreviver: pular r do prédio, e outras já chamaram o bombeiro, polícia, etc. A outrtra parte das pessoas esperava, com a esperança de que os bombeiros conseguiriam apagar o fogo com água. Vendo o tumulto que causou, o homem que está em cima do prédio fica desesperado, mas como havia previsto isso, tinha mandado um helicóptero o buscar (o que simbolizava um refúgio para ele), assim ele sairia de lá, e seria difícil da polícia o alcançar mas, no caminho do helicóptero, haviam aves, pássaros, que dificultavam o caminho do helicóptero, assim o piloto se confundiu, e acabou que o helicóptero caiu quando o "monstro devorador de dinheiro" já estava lá dentro, e, com isso ele morre".

Respostas das questões do protocolo:

- A- "Sobre a idéia de que há muitas pessoas invejosas no mundo, mas que também existem pessoas boas no mundo".
- B- "Sim. Em coisas do cotidiano, que mostram como as pessoas são".
- C- I - "Os pássaros, o monstro devorador (n(no caso, o homem), o fogo, a queda e a água".
- II - "Sim. O elemento cíclico (as hélices s do helicóptero), pois o helicóptero é importante para a história (é o refúgio do homem), mas o elemento cíclico, não traz significado nenhum para a história".
- D- "Com o homem no helicóptero, mas com as aves atrapalham o piloto, o helicóptero cai, e o homem morre".

- E- "Eu estaria no lugar do bombeiro, pois tentaria amenizar o fogo para ajudar as pessoas".

A tabela 4 apresenta os resultados das análises morfológica, funcional e simbólica. Diante das análises realizadas concluímos que a análise estrutural indica que a aluna do protocolo 03 tem o imaginário marcadamente estruturado segundo as características do micro-universo mítico heróico integrado.

Tabela 4

Protocolo 04

Idade: 16 anos

Sexo: masculinoFigura 6

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"O desenho é de uma guerra pois o mesmo foi feito para dar uma sequência aos elementos de maneira lógica. O ótimo soldado é um monstro devorador que gosta de matar pessoas com sua espada que gira de maneira cíclica para matar com eficiência. Uma pessoa é pega e acontece uma queda. Todos fogem dele: as pessoas e os animais para uma caverna próróxima em meio a chuva e em cima da caverna há uma pessoa com arco e flecha com fogo na ponta para tentar acertar o monstro".

Responda de modo preciso às seguintes questões:

- A- "Sobre uma guerra para dar sequência aos fatos".
- B- "Não".
- C- I - "O monstro devorador (ótimo soldado) e um personagem (herói)".
- II - "Animal porque foi difícil de encaixar no desenho".
- D- "O personagem (herói) acerta a flecha com fogo na cabeça do monstro (bom guerreiro)".

E- "Eu estaria em cima da caverna para defender as pessoas do monstro".

A tabela 5 apresenta os resultados das análises morfológica, funcional e simbólica. Diante das análises realizadas concluímos que a análise estrutural indica que a aluna do protocolo 04 tem o imaginário marcadamente estruturado segundo as características do micro-universo mítico heróico integrado.

Tabela 5

## 8. Considerações Finais

Neste trabalho adotamos o Teste Arquetípico de Nove Elementos AT-9 para a emergência e a análise do imaginário de quatro estudantes de física do Ensino Médio, teste experimental embasado na compreensão do imaginário segundo a Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand, a qual concebe dois regimes do imaginário englobando três estruturas imaginárias: a heróica, a mística e a sintética.

A análise dos protocolos revelou que os estudantes que apresentam dificuldades na compreensão dos conteúdos de física, protocolos 01 e 02, têm imaginários com estruturas marcantes do regime noturno, respectivamente microuniverso mítico sintético existencial diacrônico e micro-universo mítico místico impuro enquanto que os estudantes que revelam facilidade na compreensão dos conteúdos de física, protocolos 03 e 04, apresentam imaginários com estruturas marcantes do regime diurno, ambos classificados como micro-universo mítico heróico integrado. Esses resultados nos fazem refletir sobre o processo tradicional de ensino-aprendizagem da Física centrado na aquisição de conteúdos apresentados pelo professor com poucas analogias com situações do cotidiano; o conteúdo é apresentado com pouco enfoque fenomenológico e ausência quase completa de elementos que propiciem reflexões sobre a natureza da ciência e sem preocupações com o desenvolvimento de competências relacionadas aos processos básicos da construção da ciência. Em geral, o processo de ensino-aprendizagem da Física está alicerçado no paradigma da modernidade, no pensamento cartesiano e nos procedimentos que privilegiam as estruturas da idealização, da antítese polêmica e da separação do Regime Diurno do imaginário (DURAND, 2002). Em

faria?

contrapartida, imaginários com predominância de estruturas do Regime Noturno tendem a revelar uma mediação com o meio realizada por representações ancoradas nos pilares da eufemização, do religamento e da participação cooperativa ou de caráter cíclico.

Assim as representações realizadas pelas estruturas do Regime Noturno não dialogam com a visão de mundo propiciada pelo Ensino de Física como é feito tradicionalmente no Ensino Médio. Esse ensino tem sido alicerçado, basicamente, nas estruturas do Regime Diurno. Os dados de nossa pesquisa evidenciam que há relações entre os modos como os imaginários dos estudantes estão estruturados, seu desempenho nas aulas e o processo de ensino-aprendizagem da Física.

## 9. Referências Bibliográficas:

BACHELARD, GASTON. (1999). A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto.

DURAND, GILBERT. (2002). A As Estruturas Antropológicas do Imaginário . 3 a edição. São Paulo: Martins Fontes.

DURAND, YVES. (1989). L'exploration de L'imaginaire - introduction à la modélisation des univers mythiqués.Paris: Bibliotheque de l'imaginaire.

MORTIMER, E. F. (1995). Conceptual change or conceptual profile change? Science &amp; Education, 4(3):265-287.

POSNER, G. J., STRIKE, K. A., HEWSON, P. H. &amp; GERTZOG, W. A. (1982). Accommodation of a scientific conception: Toward a theory of conceptual change. Science Education, 66 (2): 211-227.

RAMADAS, J. (2009). Visual and Spatial Modes in Science Learning. International Journal of Science Education.vol. 31, nº3, pp.301-318.

SHEPARD, R. N. (1988). The imagination of the science. In: K. Egan &amp; D. Nadaner (Eds), Imagination and education.pp. 153-185. New York/London: Teachers College Press.

VILLANI, A. et al. (2007). Contribuições da Psicanálise para uma Metodologia de Pesquisa em Educação em Ciências. In: A A Pesquisa em Ensino de Ciências no Brasil e suas Metodologias. SANTOS, F. M. T. &amp; GRECA, I.M. (orgs.). Editora Unijuí.

## 10. A Anexo

## I - responda de modo preciso às seguintes questões:

- A - Sobre que idéia você centrou sua composição?
- B - Você foi eventualmente inspirado? Através de que (leitura, filme, etc.)?
- C - Entre os nove elementos do texto de sua composição indique:
- 1 - Os elementos essenciais em torno dos quais você construiu o desenho:
- 2 - Os elementos que você teria vontade de eliminar, por quê?
- D - Como acaba a cena que você imaginou?
- E - Se você tivesse que participar da cena, onde você estaria? O que você

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.