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Reflexões sobre a evolução da ciência e da tecnologia presentes na produção da imagem física com alunos do Ensino Médio

Daniele Javarez De Oliveira, Alana Pereira Gimenez, Anelise Santos Da Silva, Daiane Rosa Chuquel, Helena Floriano Bloss, Vinicius Souza Marques, William Da Silva Chauves, Taniamara Vizzotto Chaves.

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
31/01/2019
Linha de pesquisa
Abordagem Ctsa E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## Reflexões sobre a evolução da ciência e da tecnologia presentes na produção da imagem física com alunos do Ensino Médio

Daniele Javarez de Oliveira1, Alana Pereira Gimenez2, Anelise Santos da Silva3, Daiane Rosa Chuquel4, Helena Floriano Bloss5, Vinicius Souza Marques6, William da Silva Chauves7, Taniamara Vizzotto Chaves8.

- 1 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha - Campus São Borja, dani.javarez@gmail.com
- ² Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha - Campus São Borja, alanagimenez@hotmail.com
- ³ Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha - Campus São Borja, anelisesantors779@gmail.com
- 4 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha - Campus São Borja, daianechuquel21@gmail.com
- 5 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha - Campus São Borja, helenafbsb@gmail.com
- 6 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha - Campus São Borja, viniciusmarques74@gmail.com
- 7 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha - Campus São Borja, willian.chaves89@hotmail.com
- 8 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha - Campus São Borja, taniamara.chaves@iffarroupilha.edu.br

## Resumo

Esse trabalho relata uma atividade desenvolvida pelos bolsistas do subgrupo PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), Subprojeto do Curso de Licenciatura em Física, do Instituto Federal Farroupilha (IFFar), que teve como propósito explorar a estrutura e o funcionamento de uma câmera fotográfica. A tecnologia evolui tão rapidamente que, muitas vezes, acabamos por não acompanha-la, pois, equipamentos mais eficientes, rápidos e mais potentes, são a todo momento construídos para facilitar a vida do ser humano e trazer mais vantagens e eficiência. Ao decorrer dos anos é possível perceber, quanta tecnologia já foi feita, e quantas criações foram melhoradas, e por estarem evoluindo rapidamente, muitas vezes os primeiros modelos, hoje são desconhecidos pela maioria. Acredita-se que a primeira câmera fotográfica, denominada câmera escura tenha sido usada pelo filósofo grego Aristóteles para fazer observações astronômicas. O equipamento desenvolvia apenas a projeção da imagem de um determinado ambiente ou objeto iluminado. Foi a partir do aperfeiçoamento do francês Joseph Niépse que se obteve as primeiras imagens fotográficas no fim do século XI. A técnica de Niépse denominada heliografia, consistia na projeção do orifício em uma placa de metal coberta por substância química sensível à luz do sol, aonde a imagem era gravada. A atividade foi desenvolvida a partir de uma oficina para alunos da Educação Básica, onde os participantes puderam manipular algumas fotografias antigas e visualizaram diferentes maquinas fotográficas demonstrando que se pode aplicar o conhecimento cientifico em materiais próximos do aluno, levando em consideração que ciência e tecnologia têm efeitos recíprocos.

Palavras-chave : Educação Básica. Oficina Pedagógica. Enfoque CTSA.

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## Introdução

- O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência vivenciada, a partir da realização de uma oficina didática desenvolvida, pelos integrantes do PIBID Subprojeto de Física. Essa tinha como proposta discutir a estrutura e o funcionamento da primeira câmera fotográfica, também chamada de câmera escura de orifício. A oficina foi realizada durante a Semana Tecnológica (SEMTEC) 2017 no Instituto Federal Farroupilha - Campus São Borja.
- A fotografia é uma tecnologia que vem se aperfeiçoando a cada dia, principalmente com o surgimento da câmera digital. Com base nisso, entendemos que discutir os avanços tecnológicos envolvidos na produção da fotografia, permite mostrar a física envolvida no contexto de produção das imagens fotográficas no decorrer dos tempos, bem como discutir as questões tecnológicas, sociais, culturais e econômicas envolvidas na sua produção e divulgação.

Para tanto, a base do trabalho desenvolvido na oficina foi a exploração do funcionamento das primeiras câmeras fotográficas e de outras tecnologias advindas da mesma, ou explicáveis com base no mesmo princípio e conhecimentos físicos. Assim, foram exploradas câmeras fotográficas e retroprojetores de diferentes épocas de forma que se pudesse explorar sua evolução a partir dos tempos, esclarecendo que a base primaria de seu funcionamento é a projeção da luz, sendo esse o elemento chave para o funcionamento de ambos.

- O objetivo principal da atividade desenvolvida foi aprofundar e discutir aspectos sociais, culturais, e econômicos relacionados a evolução de aparatos tecnológicos que tenham como princípio físico de funcionamento a óptica.

Os objetivos específicos da atividade realizada foram: elucidar o princípio de funcionamento e a estrutura básica de uma câmera escura; explorar os fenômenos óticos relacionados ao funcionamento da câmera escura e também as propriedades da luz; explorar diferentes câmeras fotográficas e retroprojetores na perspectiva de compreender a evolução tecnológica envolvida.

## Metodologia

A oficina foi desenvolvida pelos alunos bolsistas do PIBID no Instituto Federal Farroupilha, durante a Semana Tecnológica. Este espaço é designado a mostra das produções e divulgação de trabalhos desenvolvidos na instituição, tanto nos Cursos Integrados quanto nos Cursos de Formação Superior. A oficina em questão foi desenvolvida para alunos dos Cursos Técnicos Integrados ambos de nível Médio e teve duração de 1h50min.

Em um primeiro momento o grupo de bolsistas elaborou o planejamento da atividade traçando os objetivos e escolhendo os procedimentos para o público alvo a ser atingido. Considerando-se a perspectiva de trabalhar o processo de aperfeiçoamento da câmara fotográfica como aparato tecnológico em evolução planejou-se em aprofundar aspectos relativos à história das câmeras fotográficas e dos retroprojetores. Também, foi realizada a confecção de câmeras escuras e a preparação dos demais materiais que foram utilizados, como fotografias antigas, modelos de retroprojetores, câmeras fotográficas e slides para apresentação.

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Figura 1 Bolsistas do PIBID junto aos projetores e câmera fotográfica.

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No segundo momento, durante a realização da oficina os bolsistas relataram aos participantes como se dava o funcionamento das máquinas fotográficas e dos projetores, debatendo sobre a importância dos mesmos na época em que foram construídos e utilizados destacando também sobre a vida e a obra de seus criadores.

Também foi apresentado um simulador de uma câmera fotográfica, onde foram observados e discutidos os efeitos físicos presentes em seu funcionamento. O Simulador tira fotos em vários ambientes e horários do dia sem sair do computador, além de exemplificar o que está acontecendo dentro de uma câmera DSLR quando alterado os controles de abertura de foto. O simulador pode ser comprado, porém a versão utilizada para a oficina foi um modelo de experimento gratuito.

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Figura 2: Imagem ilustrativa do Simulador CameraSim .

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Com esta perspectiva de trabalho tornou-se possível explorar elementos relativos a evolução da ciência e da tecnologia bem como,

[...] evidenciar como os contextos social, cultural e ambiental, nos quais se situam a ciência e a tecnologia, influenciam a condução e o conteúdo das mesmas; como ciência e tecnologia, por sua vez, influenciam aqueles contextos e, finalmente, como ciência e tecnologia têm efeitos recíprocos e suas inter-relações variam de época para época e de lugar para lugar (RAMSEY, 1993, apud SANOS e MORTIMER, 2002, p.11).

Houve demonstrações desses equipamentos, desde os mais antigos até os mais atuais, onde os participantes puderam manuseá-los e conferir as fotos registradas pelos mesmos. A atividade teve o desfecho, com todos os participantes observando as câmeras escuras confeccionadas pelos bolsistas de física.

Conforme Ribeiro e Verdeaux (2012), a compreensão da física e das ciências em geral apresenta dificuldades, pois na maioria das vezes, os conhecimentos explorados não fazem sentido ou não são significativos para os alunos.

A implementação de metodologias de ensino diferenciadas para o ensino da física auxiliam na compreensão dos conteúdos, tornando a sua compreensão mais acessível. Neste sentido, o trabalho desenvolvido teve como base a utilização de duas estratégias de ensino que, a saber: a história da ciência e a experimentação.

Conforme Quinta e Guerra (2009), a história da ciência não pode substituir o ensino comum das ciências, mas pode complementá-lo de várias formas. O estudo adequado de alguns episódios históricos permite compreender as interrelações entre ciência, tecnologia e sociedade (p.25). Neste sentido, a exploração da história da ciência como metodologia de ensino possibilitou explorar os limites e a evolução dos aparatos tecnológicos, bem como pensar acerca da importância social destes no contexto em que se inseriram. Esta perspectiva tornou-se ainda mais importante

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considerando-se que o público da oficina eram adolescentes que não vivenciaram esta construção tecnológica.

Por outro lado, o uso da experimentação tem sido uma ferramenta frutífera de ensino apontada por professores e alunos como um minimizador das dificuldades enfrentadas no ensino tradicional. Essa nova estratégia de ensino, nos últimos anos, vem sendo alvo de estudo de diversos autores e que os resultados desse trabalho têm permitido a criação e publicação de uma vasta bibliografia sobre o assunto. Nesta são investigadas as vantagens, a importância e as tendências que surgem com aplicação dessa atividade no ensino de Física (ARAÚJO &amp; ABIB, 2003 apud PEREIRA &amp; DA SILVA VENTURA &amp; ALVES, 2016).

Na educação escolar o trabalho com conceitos científicos de forma prática, auxilia e facilita para a aprendizagem e a compreensão conceitual por parte dos alunos. Neste sentido, a articulação entre teoria e prática é sempre um desafio, não apenas na área da educação. Entre pensar e fazer algo há uma grande distância que, no entanto, pode ser vencida. Um dos caminhos possíveis para a superação dessa situação é a construção de estratégias de integração entre pressupostos teóricos e práticas, o que, fundamentalmente, caracteriza as oficinas pedagógicas. (PAVIANI, 2009, p. 78).

Conforme Paviani (2009) o ambiente de ensino proposto em uma oficina didática constitui-se em uma maneira de produzir conhecimentos, com ênfase na ação, sobretudo porque permite explorar recursos diferenciados, sem perder de vista, no entanto, a base teórica adquirida.

Para isso, uso de metodologias como as oficinas transformam o foco tradicional da aprendizagem, passando a introduzir a reflexão a partir da ação, isto é, em numa oficina podem ocorrer apropriação, construção e produção de conhecimentos teóricos e práticos, de modo reflexivo.

Figura 4: Participantes da Oficina junto aos materiais que eles manusearam.

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## Conclusão

Após a realização da oficina o subgrupo PIBID procedeu à avaliação da proposta didática planejada e implementada. A avaliação foi realizada com base em

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um roteiro avaliativo preenchido pelos bolsistas o qual contempla os seguintes aspectos: pontos relevantes em termos de planejamento e implementação da atividade; pontos relevantes em relação a participação dos acadêmicos e alunos dos cursos técnicos integrados; aprendizagens adquiridas e; sugestões de melhorias do trabalho.

- A reflexão sobre a prática desenvolvida permitiu perceber que este tipo de atividade desempenha um papel muito eficaz para trabalhar com conhecimentos relacionados à física na Educação Básica. Percebemos que a teoria e prática devem ser trabalhadas de forma articulada, complementar e não separada, pois neste contexto a física faz mais sentido ao aluno.
- O contato com os materiais permitiu a percepção de que os conceitos físicos estudados na sala de aula podem ser utilizados na prática e empregados no dia-adia. Isso demonstra que a utilização de materiais concretos e aparatos tecnológicos favorecem a aproximação da ciência e a da tecnologia com os conhecimentos disciplinares, como a física, tornando assim o conhecimento cientifico acessível e a aprendizagem mais significativa.
- A proposta metodológica desenvolvida proporcionou grande interesse e participação dos alunos que estiveram na oficina, permitindo a complementaridade entre aspectos estudados em sala de aula pelos participantes e os desenvolvidos no espaço da oficina.

## Referências

CAMARA Sim. Disponível em &lt; https://camerasim.com/ &gt; Acessado em 13 de jul. de 2018

PAVIANI, Neires Maria Soldatelli. Oficinas pedagógicas: relato de uma experiência . CONJECTURA: filosofia e educação, v. 14, n. 2, 2009.

PEREIRA, Amanda Bianca Bezerra; DA SILVA VENTURA, Amanda Cristina; ALVES, Marília Genuíno. NOVOS RUMOS PARA O ENSINO DE FÍSICA: INVESTIGANDO O USO DA EXPERIMENTAÇÃO PARA O ESTUDO DA DILATAÇÃO LINEAR . Disponível em &lt; https://editorarealize.com.br/revistas/cintedi/trabalhos/TRABALHO\_EV060\_MD1\_SA 16\_ID655\_13072016213354.pdf &gt;. Acessado em 13 de jul. de 2018.

QUINTAL, João Ricardo; GUERRA, Andréia. A história da ciência no processo de ensino-aprendizagem. Física na Escola , v. 10, n. 1, 2009, p. 21-25.

RIBEIRO, Jair Lúcio Prados; VERDEAUX, M. Atividades experimentais no ensino de óptica: uma revisão . Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 34, n. 4, p. 4403.1-4403.9, 2012.

SANTOS, Wildson Luiz Pereira dos; MORTIMER, Eduardo Fleury. Uma análise de pressupostos teóricos da abordagem C-T-S (Ciência - Tecnologia - Sociedade) no contexto da educação brasileira . Ens. Pesqui. Educ. Ciênc. (Belo Horizonte) vol.2 no.2 Belo Horizonte July/Dec. 2000. Disponível em &lt; http://dx.doi.org/10.1590/1983-21172000020202 &gt;. Acessado em 23 de ago. de 2018.]

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.