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A AVALIAÇÃO EM LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA DO PNLD: ORIENTAÇÕES PRESENTES NO MANUAL DO PROFESSOR

Lucas Macedo Cunha, José Leandro Lima De Souza, Tânia Maria F. Braga Garcia

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
31/01/2019
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A AVALIAÇÃO EM LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA DO PNLD: ORIENTAÇÕES PRESENTES NO MANUAL DO PROFESSOR

Lucas Macedo Cunha 1 , José Leandro Lima de Souza , Tânia Braga Garcia 2 3

1

UFPR/Física/NPPD/CNPq, lmacedocunha@outlook.com 2 UFPR/Física/NPPD/CNPq, jose\_leand@outlook.com 3 UFPR/PPGE/NPPD/CNPq, tanbraga@mail.com

## Resumo

Relata investigação cujo objetivo é analisar as orientações para os professores quanto aos procedimentos avaliativos propostas em livros didáticos de Física aprovados no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Insere-se no campo de interseção entre a Didática Geral e a Didática da Física e considera a avaliação como um dos elementos escolares que contribui para acentuar os mecanismos de exclusão que configuram a sociedade brasileira. Toma como referência concepções de avaliação que privilegiam o acompanhamento do processo de ensino e de aprendizagem, em particular a avaliação formativa, em contraposição à lógica da classificação e hierarquização dos alunos pelo rendimento escolar. A pesquisa é de natureza exploratória e documental. O material empírico analisado nesta fase é composto por uma coleção didática de Física para o Ensino Médio, aprovada pelo PNLD em 2015 e 2018. O critério de escolha da obra foi o fato de ser a mais escolhida pelos professores, entre as opções apresentadas no Guia do PNLD, de acordo com a informação dada pelo PNLD no site do FNDE. As categorias de análise foram construídas com base no conceito de avaliação formativa e os resultados estão organizados em torno dos seguintes elementos: a) procedimentos sugeridos aos professores; b) instrumentos de avaliação apresentados; c) finalidades da avaliação; d) concepção de avaliação. As análises evidenciam que a elaboração das orientações aos professores está marcada especialmente pelas exigências das normatizações oficiais para o ensino médio e por indicações derivadas de elaborações do campo da Didática Geral.

Palavras-chave : Livros didáticos de Física, PNLD, Orientações ao professor sobre avaliação.

## Introdução

A pesquisa faz parte de um conjunto de estudos que focalizam os livros didáticos de Física nas suas diferentes relações com as politicas de produção e circulação, com os processos de curricularização e disciplinarização, de avaliação no âmbito do Programa Nacional do Livro Didático-PNLD e com o uso por professores e alunos na vida das escolas. Essas investigações, coordenadas pelo Núcleo de Pesquisas e Publicações Didáticas/UFPR, investigam os elementos que compõem a trama complexa de relações que dá existência aos livros didáticos, entendidos como objetos complexos da cultura escolar (Juliá,2001; Forquin,1993). Dessa forma, para além da análise do conteúdo dos livros, as pesquisas procuram compreendê-los no conjunto de relações que contribuem para explicar porque os livros didáticos são como são, e o que representam nos processos escolares e na experiência escolar em dada sociedade e em dado tempo histórico.

No caso brasileiro, as pesquisas necessitam tomar como referência inicial o fato de que os livros didáticos são recursos que têm sido disponibilizados de forma

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gratuita para os alunos das escolas públicas, em todos os níveis de ensino e em todas as disciplinas escolares. Trata-se da existência do Programa Nacional do Livro Didático (PLND) que desde 2009 adquire com recursos públicos e distribui os livros de Física para alunos do ensino médio, em ação coordenada pelo governo federal.

A aquisição dos livros é parte de um processo que inclui chamadas públicas para as editoras comerciais apresentarem seus títulos à avaliação de especialistas, a cada três anos. Quando aprovados, após o processo de avaliação cujos critérios são publicados nos editais, os livros didáticos são incluídos em uma lista de livros que os professores e as escolas podem escolher. A lista de obras aprovadas e a avaliação realizada são publicadas em um Guia do Livro Didático, atualmente disponibilizado à consulta por meio digital. Uma das exigências do PNLD é a apresentação, pelos autores, de orientações aos professores sobre a obra, seus fundamentos, sua proposta pedagógica, além de sugestões metodológicas e de leituras complementares. Algumas vezes esse material é identificado como manual para o professor. Entre os elementos que devem ser abordados, nas orientações, encontra-se o tema da avaliação, que é o foco de interesse da pesquisa que será aqui relatada.

## Contextualização da pesquisa e referenciais

Um primeiro elemento a ser destacado diz respeito às constatações de dificuldades existentes no ensino e aprendizagem dos conhecimentos físicos, nas diferentes etapas da escolarização, apontadas por professores e alunos e registradas cotidianamente em cursos, em aulas, no espaço escolar e mesmo na mídia. Mas para além do conhecimento cotidiano sobre o tema, as dificuldades também são apontadas por pesquisas há décadas. O Ensino de Física foi um dos primeiros campos disciplinares a se organizar para a pesquisa e a discussão sistemática e institucionalizada sobre o ensino, no Brasil, como se pode evidenciar nas Atas publicadas no Boletim n. 4 da Sociedade Brasileira de Física com o título -Simpósio Nacional sobre o ensino da Física‖, datado de dezembro de 1970.

Nessa publicação são apresentados problemas relativos ao ensino de Física que dizem respeito a diferentes elementos, entre os quais a formação de professores, a estrutura das escolas, a carreira docente e os aspectos didáticos e metodológicos do ensino, como os conteúdos e procedimentos. Retoma-se aqui a publicação para sublinhar que uma revisão bibliográfica sobre o tema das dificuldades para ensinar e aprender Física seria hoje uma tarefa quase impossível sem fazer recortes específicos, dada a quantidade de trabalhos publicados em eventos, de artigos e de livros que se dedicaram a analisar as dificuldades.

Mas, com a intenção de estabelecer alguns pontos referenciais que sustentam a pesquisa, destacam-se aqui elementos abordados na exposição feita naquele simpósio pela Professora Beatriz Alvarenga, da Universidade Federal de Minas Gerais, conhecida atualmente entre professores e alunos como coautora de uma coleção didática que circula há décadas nas escolas. Dizia a professora:

Ousamos formular hipótese sobre as principais falhas observadas e que julgamos ser, quase geral, em nossas experiências didáticas: 1 -- O esforço do professor é muito grande, e o resultado obtido é pequeno. 2 - A aprendizagem do aluno terá realmente valor na sua carreira? 3 - As aulas, em sua maioria, não despertam interesse dos alunos. 4 -- O número de informações fornecido é muito grande, de tal forma que sua retenção é

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impossível. 5 - O ensino é livresco e acadêmico, e os professores pouco tocam em problemas mais concretos. 6 - O ensino dá pouca ênfase à formação de atitudes, valores e habilidades. 7 - A disciplina é severa, sendo desagradável para o professor e para o aluno. 8 - A avaliação é feita visando apenas ao conhecimento que, na maioria das vezes, é baixo. 9 - Não há uma definição da filosofia adotada, isto é, não se sabe que transformação se espera, nos estudantes. 10 - A competição entre alunos é grande, agressiva e até mesmo doentia. (ALVARENGA, 1970, p.20. grifos nossos).

As finalidades e as formas de avaliação eram assim problematizadas pela autora. O decorrer das décadas seguintes trouxe transformações no sistema educacional brasileiro, por exemplo, a expansão da escolarização a partir da Lei 5692/71, que estruturou oito anos de ensino obrigatório chamado de 1º. Grau. No entanto o Ensino Médio permaneceu como uma etapa que não atende a maioria dos jovens, apesar da obrigatoriedade após nova Lei de Diretrizes e Bases, em 1996.

Do ponto de vista da avaliação, registram-se avanços nas discussões educacionais sobre o caráter excludente e classificatório dos processos avaliativos, especialmente nas décadas de 1980 e 1990, em trabalhos como os de Luckesi (1995). A prática de reprovação foi intensamente debatida e os sistemas educativos criaram mecanismos para evitar os dados elevados de retenção, muitas vezes em uma única disciplina escolar, que obriga os jovens a refazer todo um ano letivo e produzindo altos índices de desistência ou abandono escolar.

No campo do ensino de Física, as Atas do IX SNEF evidenciam algumas preocupações com o tema, em particular estabelecendo relações com o fracasso escolar e as explicações sociais sobre ele. Nessa perspectiva, uma mesa redonda foi registrada com o título Avaliação, Repetência e Evasão Escolar (p. 121). Mas também se organizou um grupo de trabalho intitulado A Política de Avaliação, Evasão, Recuperação (p.162), que chamou a atenção para a gravidade dos problemas relacionados à avaliação:

Não existe uma consciência do professor do que é avaliar. Nem sempre ele tem claro qual o processo ensino-aprendizagem em que está inserido. A avaliação é um problema muito sério (...) ela não tem contribuído para o crescimento do aluno. A maioria das vezes ela é ministrada de forma que o aluno apenas repete o que foi visto nas aulas, "vomita o que comeu". Não há o que pensar, apenas memorizar. Esta precariedade da avaliação está relacionada com a formação precária do professor (...). O preparo técnico pedagógico do professor deixa muito a desejar. Quanto à reprovação, entendemos que ela só faz sentido quando se tem condições de recuperar o aluno. (...) Deve-se conhecer a clientela com que se trabalha e considerar a realidade no contexto histórico social. (CARVALHO, 1991, p. 162).

Já ao final da década de 1990, A Lei nº 9.394/96, em sua Seção IV, estabelece no Artigo 36, inciso II que o currículo de ensino médio -adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes‖ (grifo nosso). E destaca, no Artigo 24, inciso V: -a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais‖. (BRASIL, 1996).

Quanto à presença do tema da avaliação nos documentos oficiais produzidos no Brasil a partir da década de 1990, observa-se que nas Orientações Curriculares para o Ensino Médio (BRASIL, 2006), o texto não faz referência

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explícita aos processos avaliativos no capítulo específico da Física (cuja autoria não é identificada no documento, diferentemente do caso das demais disciplinas). Os conhecimentos, nesse modelo curricular, foram organizados a partir de competências que o aluno deve desenvolver em cada uma das áreas, que não são específicas para cada disciplina escolar e não se referem explicitamente a conteúdos ou temas. Essa observação também se aplica aos documentos dos Parâmetros Curriculares Nacionais e dos PCN +, publicados nos anos 2000.

Situa-se, porém, uma referência feita no segundo documento, relacionada aos modos de ensinar e avaliar: ‖O ensino de Física vem deixando de se concentrar na simples memorização de fórmulas ou repetição automatizada de procedimentos, em situações artificiais ou extremamente abstratas, ganhando consciência de que é preciso lhe dar um significado, explicitando seu sentido já no momento do aprendizado, na própria escola média‖. (BRASIL, 2000, p. 60, grifos nossos).

A partir dessas normativas, gradualmente o tema da avaliação ganhou espaço em eventos como o SNEF, registrando-se a relevância de pesquisas, ainda não numerosas, focalizadas em práticas e proposições para a sala de aula. Elas superam as discussões de caráter geral - que também são relevantes, mas insuficientes - incidindo sobre conhecimentos disciplinares específicos. Destaca-se, por exemplo, a pesquisa de Bueno, Horii e Pacca (2013) que propõe formas de registro dos processos de ensino e aprendizagem de alunos de ensino médio, em uma temática específica, enfatizando o caráter processual e contínuo da avaliação.

No campo da Didática da Física, as dificuldades tradicionalmente apontadas em relação ao ensino e aprendizagem da disciplina sugerem a necessidade de estudos não apenas sobre as metodologias de ensino, mas também sobre os processos de avaliação que estão sendo propostos em alguns livros aprovados no PNLD. Os livros didáticos são recursos disponibilizados de forma gratuita para as escolas em função da existência do PNLD, um programa que desde 2009 distribui livros de Física para o Ensino Médio. Ainda que se reconheçam dificuldades e limites desse programa, deve-se sublinhar que os livros são comprados pelo governo federal com recursos públicos, o que remete à necessidade de uma atenção a esse material pelos professores e pesquisadores.

Por outro lado, segundo resultados de pesquisa realizada por Leite e Garcia (2017), os livros didáticos não se constituem em objeto de ensino nos cursos de formação de professores de Física, destacando os autores que este tema deveria merecer atenção dos formadores, uma vez que os livros são um recurso utilizado por muitos professores e estão disponíveis para o trabalho nas escolas. Acrescenta-se aqui que no manual do professor que compõe obrigatoriamente as obras didáticas no PNLD existem orientações didáticas sobre o ensino e, em particular, há algumas considerações e orientações sobre a avaliação que, em tese, o professor poderia incorporar às suas práticas, aproveitando as sugestões feitas pelo autor.

O tema da avaliação nos livros didáticos de Física ainda é pouco explorado pelas pesquisas acadêmicas. Considerando-se as referências apresentadas, ele foi tomado como foco na pesquisa aqui apresentada. Para além dos autores citados, a centralidade da avaliação nos processos de ensino e aprendizagem e as suas relações com os demais elementos da vida escolar foi apoiada em Perrenoud (1998).

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## Procedimentos da pesquisa

A pesquisa pode ser caracterizada como de natureza exploratória. A estratégia de produção dos dados escolhida foi a análise documental, uma vez que se trata de analisar o conteúdo dos manuais de orientação aos professores, os quais são parte constitutiva dos livros didáticos de Física no PNLD.

- O objetivo geral é analisar propostas de avaliação disponíveis nos livros didáticos que foram aprovados no PNLD e que estão disponíveis para a escolha dos professores de Física das escolas de ensino médio, em especial nas orientações didáticas e metodológicas elaboradas pelos autores. Como objetivos específicos, nesta fase exploratória, propôs-se: selecionar uma das coleções oferecidas Para a escolha dos professores; identificar a concepção de avaliação utilizada pelo autor; identificar procedimentos e estratégias de avaliação sugeridas nas orientações; e analisar as contribuições que as orientações podem dar na organização da avaliação e possíveis dificuldades dos professores diante das sugestões propostas nesse manual.

Do ponto de vista dos procedimentos, a pesquisa foi organizada em cinco etapas desenvolvidas entre abril de 2017 e junho de 2018: A) identificação das coleções aprovadas no PNLD entre 2012 e 2018; B) seleção do material a ser analisado; C) definição dos elementos de análise; D) leitura das orientações dadas ao professor para a identificação dos elementos relativos à avaliação; E) sistematização dos resultados com base nos referenciais teóricos escolhidos.

## Resultados: orientações sobre avaliação no manual do professor

A análise realizada teve a finalidade de identificar a concepção de avaliação proposta, bem como os procedimentos que são sugeridos aos professores. Os referenciais teóricos que sustentam a pesquisa permitem compreender que os professores usam os livros de formas muito diferentes e que não se pode inferir que as sugestões dadas são realizadas. Usa-se o conceito de apropriação na perspectiva de Rockwell (2001), para demarcar o espaço de ação dos sujeitos sobre os materiais que utilizam ao ensinar. No entanto, a análise dos livros é necessária para que se possa situar as proposições e verificar sua adequação às orientações curriculares nacionais e aos debates teóricos no campo educacional. Relembra-se que as orientações aos professores são uma exigência do edital do PNLD; também se relembra que os livros são considerados, no Programa, como instrumentos que contribuem para a formação dos professores.

## O material analisado: elementos gerais

- O livro escolhido para análise foi aprovado no PNLD 2018. O critério para essa escolha foi o fato de ter sido o mais solicitado pelos professores de Física das escolas publicas inscritas no programa, segundo dados disponíveis no site do PNLD que apresenta os quantitativos em relação a cada obra entregue pelo programa. Trata-se de um livro que já era bem aceito por professores de escolas públicas e privadas antes da existência do programa para o Ensino Médio. Em 2012 a obra não foi aprovada, mas voltou a ser incluída no Guia em 2015 e 2018, anos em que foi o mais solicitado pelos professores.

No guia do PNLD de 2015, na seção denominada -visão geral‖ que pode ser encontrada nas resenhas de cada obra, os avaliadores comentam: -A física é

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apresentada na coleção, a partir das áreas normalmente incluídas nos textos didáticos voltados para o ensino médio, seguindo a sequência que se tornou padrão nessa área curricular.‖ (BRASIL, 2015, p. 67, grifo nosso). NO PNLD de 2018 (BRASIL, 2018, p.76), os avaliadores destacam que -A coleção apresenta os conteúdos usualmente enfocados no Ensino Médio (...) organizando a abordagem dos assuntos a partir de uma estrutura principal composta de textos e exercícios‖, acrescentando que -a principal ênfase está atribuída aos exercícios quantitativos‖. Isso evidencia que o livro privilegia uma abordagem tradicional da organização dos conhecimentos, apresentando o conceito de cada conteúdo no início dos capítulos, ou ao longo dele, mas logo seguindo com a apresentação de vários exercícios dispostos em colunas, privilegiando a matematização dos conteúdos e os cálculos.

Os avaliadores destacam que -(...) a interdisciplinaridade e a discussão das relações entre ciência, tecnologia, sociedade e meio ambiente aparecem com menos destaque.‖ (BRASIL, 2015, p. 67). Já na edição seguinte, os avaliadores apontam alguma diferença quanto a esse aspecto: -A articulação dos conteúdos da Física com outras áreas curriculares torna-se possível, em especial, através da seção Pensando as Ciências, que apresenta discussões que visam à contextualização e a à interdisciplinaridade (BRASIL, 2018, p. 78). Evidencia-se uma redução do distanciamento da obra em relação às orientações nacionais que colocam ênfase na interdisciplinaridade como forma de tornar os conhecimentos mais significativos para os jovens.

Contudo, a avaliação dos especialistas não tem correspondência com as intenções expressas pelos autores; no manual do livro didático do PNLD 2015, cujas orientações se repetem no manual de 2018, os autores dizem que: -se nossos objetivos estão em ‗estabelecer relações entre o conhecimento físico e outras formas de expressão da cultura humana' e ‗articular o conhecimento físico com conhecimentos de outras áreas do saber científico', nós, professores, precisamos promover ações para que isso seja desenvolvido, e a abordagem interdisciplinar é o caminho mais efetivo.‖ (Manual do professor, 2015, p. 18). Em uma seção intitulada -O papel da avaliação‖, o autor chama a atenção para o fato de que -a avaliação é uma espécie de ‗calcanhar de Aquiles' da educação‖. (2015, p. 11); que há muitos pesquisadores com foco nessa área e também que são produzidos diversos trabalhos sobre o assunto, mas bem poucos com foco no Ensino de Física.

Com essa caracterização geral, em seguida são apresentados os resultados que respondem aos objetivos da pesquisa quanto á análise da concepção e dos procedimentos de avaliação sugeridos pelo autor aos professores.

## O que o livro sugere aos professores em relação à avaliação

As sugestões propostas na obra analisada, tanto no PNLD 2015 como no PNLD 2018, podem ser apresentadas para responder aos objetivos da pesquisa:

a) quanto aos procedimentos: os autores sugerem que a avaliação esteja centrada nas 15 competências dos PCN's e nas matrizes do Enem, classificadas em -representação e comunicação‖, -investigação e compreensão‖ e -contextualização sociocultural‖. Reproduzem os quadros de competências e explicam como as atividades podem ser articuladas ao cotidiano, como podem ser aplicadas algumas atividades de grupo ou experimentos em aula e também as atividades de textos e resolução de cálculos. Exploram pouco a relação entre os procedimentos e a concepção de competências, o que também tem sido uma dificuldade para os

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professores em suas práticas avaliativas, já que a tradição curricular no país é centrada em avaliação de conhecimentos denominados de conceituais.

b) quanto aos instrumentos: os autores destacam que a -avaliação contínua e com instrumentos diversificados‖ pode ser uma boa forma para garantir a aprendizagem. Fazem uma crítica ao uso de provas, apontando que esse tipo de atividade de avaliação pode causar ansiedade nos alunos e assim ocasionar -erros banais‖, que acabam por prejudicar não só o aluno, mas também o professor em seu trabalho. Assim, outros instrumentos deveriam ser priorizados, ainda que não sejam explicitamente descritos, do ponto de vista do que se espera e do que se pode obter com tais instrumentos. As indicações são feitas de forma genérica e são poucos os exemplos que estabelecem a relação entre os conhecimentos físicos propostos para o ensino, no livro do aluno, e os procedimentos para avaliar as competências - que poderiam ser relacionadas àqueles conhecimentos.

- c) quanto às concepções e finalidades da avaliação: referindo-se à avaliação contínua e formativa como uma forma mais adequada de avaliar, pode-se depreender que a finalidade seria o acompanhamento dos processos de aprendizagem dos alunos, o que corresponde às exigências das concepções presentes nos documentos curriculares oficiais. Os autores expressam uma crítica à escola tradicional que -se ocupa basicamente com a transmissão de conhecimentos‖, de alguma forma aceitando que o desenvolvimento das competências é a finalidade do ensino e, assim, o centro da avaliação. A intenção de acompanhar as dificuldades dos alunos e tentar resolvê-las é referida pelos autores, que apesar de apontarem a avaliação -contínua‖ e -formativa‖ como a mais adequada, fazem referência à ideia de -recuperação‖, incompatível com esses conceitos.

## Conclusões

As análises realizadas evidenciaram as dificuldades existentes para elaborar orientações sobre os processos avaliativos. Conceitos que circulam no discurso educacional nas últimas décadas foram apropriados no texto, mas as relações com as especificidades da Física são pouco exploradas. As orientações para organizar os processos avaliativos são de caráter geral e poderiam ser utilizadas em manuais de outras disciplinas com poucas modificações, observando-se assim uma abordagem excessivamente restrita das especificidades de aprendizagem em Física, baseadas nas competências estabelecidas nos PCN's e nas matrizes do Enem.

Apesar de propor uma avaliação contínua, mais apropriada aos modelos educativos atuais, as orientações do manual analisado sugerem a -recuperação‖, para os alunos com menor desempenho, nas situações em que o processo de ensino e aprendizagem não ocorreu de forma esperada. Embora seja importante alertar para a necessidade de outras formas de atendimento aos alunos, a ideia de recuperar conhecimentos, ou mesmo competências, não faz sentido na concepção educativa dos documentos de orientação curricular vigentes. Os instrumentos de avaliação sugeridos são diversos, mas pouco detalhados no manual do professor, e seria interessante verificar a relação desses instrumentos com as propostas de trabalho apresentadas pelos autores no livro dos alunos.

Assim, ao finalizar, indica-se a necessidade de dar continuidade à pesquisa para aprofundar as análises da relação entre os procedimentos de avaliação e os procedimentos didáticos propostos pelos autores, uma vez que a avaliação só pode

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ser transformada quando o ensino também se transforma, ao lado de outros elementos apontados por Perrenoud (1993). Por outro lado, aceitando que os manuais não apenas devem cumprir exigências formais dos editais, mas que podem contribuir com o trabalho dos professores, é necessário aprofundar as análises para outras obras aprovadas, incluindo aquelas que foram pouco escolhidas pelos professores, ampliando as pesquisas sobre o tema da avaliação nos livros do PNLD.

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