A FÍSICA DAS CORES NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Vinicius Pereira Da Costa, Verônica Gonsalves, Emilly Jesus De Carvalho, Samara Oliveira Santos, Raiane Almeida Santos, Marilene Batista Da Cruz Nascimento, Renato Santos Araújo, Marília Alana Costa De Jesus
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 30/01/2019
- Linha de pesquisa
- O Ensino De Física Na Educação Infantil E No Ensino Fundamental
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A FÍSICA DAS CORES NA EDUCAÇÃO INFÂNTIL
Vinicius Pereira da Costa 1 , Verônica Gonsalves 2 , Emilly Jesus de Carvalho 3 , Samara Oliveira Santos 4 , Raiane Almeida Santos 5 , Marilene Batista da Cruz Nascimento 6 , Renato Santos Araújo 7 , Marília Alana Costa de Jesus 8
- 1 Universidade Federal de Sergipe/DFCI, viniciuscostaofficial@gmail.com
- 2 Universidade Federal de Sergipe/DMAI, veronicagoncalves20@hotmail.com
- 3 Universidade Federal de Sergipe/DEDI, emillyjc18@hotmail.com
- 4 Universidade Federal de Sergipe/DEDI, osamara723@gmail.com
- 5 Universidade Federal de Sergipe/DLI, rayalmeida99.snt@gmail.com
- 6 Universidade Federal de Sergipe/DEDI, nascimentolene@yahoo.com.br
- 7 Universidade Federal de Sergipe/DFCI, raraujo.brasil@gmail.com.br
- 8 Universidade Federal de Sergipe/DFCI, mariliaalana33@gmail.com
## Resumo
Este artigo descreve um relato de experiência decorrente do desenvolvimento de uma oficina com crianças da educação infantil em uma escola municipal pública, na cidade de Itabaiana/Sergipe. Trata-se de uma atividade realizada por graduandos da Universidade Federal de Sergipe/Campus Prof. Alberto Carvalho, bolsistas do Programa de Educação Tutorial (PET) - Conexão de Saberes, que teve como objetivo apresentar as diferentes cores formadas pela mistura de tintas e luzes. Justifica-se esta ação a necessidade de promover uma aproximação entre a universidade e a educação básica, bem como trabalhar numa perspectiva interdisciplinar a partir de conceitos físicos, cognitivos e de práticas pedagógicas interativas no ambiente da sala de aula. O planejamento de uma oficina perpassa por um processo didático-pedagógico reflexivo e o trabalho com cores e luzes corroborou para a promoção de aprendizagem significativa das crianças da educação infantil, haja vista promover o desenvolvimento da cognição por meio de uma estrutura hierárquica de construção de conhecimento. Nessa perspectiva, essa ação contribuiu, ainda, para a formação inicial dos estudantes petianos no campo da aplicação de conhecimentos e habilidades em contextos práticos, na ressignificação de saberes orientados às atividades práticas e no envolvimento com a profissão docente.
Palavras-chave : Educação infantil. Aprendizagem significativa. Cores.
Luzes.
## Introdução
Este relato de experiência tem como objetivo descrever o desenvolvimento de uma oficina com crianças da educação infantil em uma escola municipal pública, na cidade de Itabaiana/Sergipe. Trata-se de uma atividade realizada pelos graduandos bolsistas do Programa de Educação Tutorial (PET) da Universidade Federal de Sergipe/Campus Prof. Alberto Carvalho.
A criança vê o mundo com um olhar diferenciado, cabendo aos educadores explorar estratégias para estimular o desenvolvimento cognitivo por meio de sentidos e significados. Jean Piaget (1896-1980) desenvolveu estudos com o objetivo de compreender como o ser humano conhece o mundo com vistas a
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descobrir os mecanismos cognitivos utilizados para tal. Segundo Viotto Filho, Ponce e Almeida (2009, p. 30),
[a] teoria piagetiana preocupa-se em compreender a gênese (origem) e a evolução do conhecimento humano e, diante desse objetivo, procura identificar quais são os mecanismos utilizados pela criança para conhecer o mundo. [...] há uma diferença qualitativa entre a lógica infantil (mais simples) e a lógica do adulto (mais complexa), pois os processos de construção da cognição humana se tornam complexos com o passar do tempo.
A educação infantil tem como foco trabalhar a lógica da criança, tanto na teoria quanto prática, devendo ser considerada a idade como parâmetro de avaliação da capacidade de realização das atividades. Desenvolver uma oficina com o tema cores e luzes para as escolas de educação básica abre diversas oportunidades tais como a exploração do raciocínio, da criatividade, da coordenação motora e da sensibilidade da criança nas dimensões sociais, afetivas e intelectuais.
De acordo com Costa (2015, p. 11),
[o] estudo das cores na educação infantil tem muitos objetivos, entre eles: desenvolver a coordenação motora, aguçar o raciocínio lógico, a criatividade, memorização e a sensibilidade [...]. Além de proporcionar atividades concretas e construtivas, o uso das cores na escola pode promover o desenvolvimento da integração social da criança, por meio de seus sentimentos que podem ser expressos também pelas cores.
Inicialmente, existia a crença de que a luz branca era a forma menos complexa de luz. Talvez por isso diversas tentativas de estudar as luzes e as cores não se sustentaram. Hoje o que conhecemos como a decomposição da luz branca era conhecido como 'o fenômeno das luzes'. Sabe-se que
[a] primeira ideia que ocorreu a todos da época - inclusive ao próprio Newton - foi que o prisma produzia cores - isto é, a luz branca seria transformada em uma série de cores pelo prisma. De fato, a luz branca sempre pareceu ser o tipo mais simples de luz. Quando ela passa através de um corpo colorido transparente ou translúcido ela adquire cores - e isso parece ser uma transformação da luz. Da mesma maneira, acreditava-se que o prisma criava as cores - isso não seria apenas uma separação das cores. (SILVA; MARTINS, 2003, p. 59).
Com o passar dos tempos, essa perspectiva mudou, principalmente, com as teorias que se desenvolveram no ramo da Física. René Descartes (1637), Robert Boyle (1664), Francisco Grimaldi (1665) e Robert Hooke (1665) realizaram vários experimentos, porém não chegaram a se aprofundar em seus estudos. A Teoria das Cores de Isaac Newton, nesse contexto, foi um marco científico ao defender que a luz branca é a soma de todas as cores do espectro visível. O cientista conseguiu, através de um experimento relativamente simples, provar a composição da luz branca.
De acordo com Silva e Martins, durante o experimento
[...] um feixe de luz solar passa através de um primeiro prisma e atinge um anteparo com um pequeno furo, de modo que uma pequena parte do espectro (uma única cor) passe através dele. Este feixe secundário atinge um segundo prisma. Newton observou que o segundo prisma não mudava a
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cor do feixe secundário, notando também que cores diferentes sofriam deflexões diferentes no segundo prisma [...]. (2003, p. 53).
Johann Wolfgang Von Goethe criou a Teoria das Cores (1810) paralela à de Newton. Goethe não era físico, mas se aprofundou na área de Ciências Naturais. Para esse pesquisador, Newton analisava as cores como um fenômeno unicamente físico, esquecendo-se da natureza perceptiva dos indivíduos e a pouco tempo foi descoberto que Goethe já havia realizado vários experimentos investigando as cores. Com base em suas pesquisas, o estudioso concluiu que as cores não espectrais, como o ciano e o magenta, possuem um papel importante para completar o círculo de cores, teoria que ainda é aceita (ARAUJO, 2005). Para Brito e Reis, Goethe
[...] considerava que o conhecimento profundo da natureza, bem como dos fenômenos que a formam, constitui uma grande vantagem ao artista, de modo que sua arte será capaz de captar as minúcias da natureza e descrevê-la em sua totalidade. A reprodução artística da natureza, segundo Goethe, não deveria limitar-se à reprodução fiel do real. Representar a natureza, portanto, deveria implicar no seu conhecimento e na sua compreensão enquanto matriz geradora e producente. (2016, p. 289).
Em outras palavras, Newton focava seus estudos na natureza da luz e buscava ter uma visão mais analítica, enquanto Goethe trabalhava com tintas e possuía um ponto de vista abrangente e poético. Por conta disso, diversos artistas que usavam cores adotaram a teoria de Goethe.
## Planejamento das Ações
A Oficina Cor e Luz na Educação Infantil emergiu da parceria do PET Educação - Conexão de Saberes, do Departamento de Educação (DEDI), com um projeto vinculado ao Ano Internacional da Luz desenvolvido pelo Departamento de Física (DFCI). Essa colaboração permitiu a aquisição de equipamentos e material necessários para a realização da atividade.
- O primeiro passo à execução envolveu o contato dos bolsistas do PET com a professora da turma de pré-escola da educação infantil para a apresentação da proposta. Após essa interlocução e o aceite da docente, iniciou-se o planejamento das atividades que resultou na seguinte programação:
## Quadro 1 -Ações Programadas para a Oficina
- 1° Momento: Dinâmica de interação com o uso de cores, visando estimular a interação entre os bolsistas (ministrantes da oficina) e as crianças.
- 2° Momento: Levantamento de concepções espontâneas dos alunos acerca do tema cor. O que é cor? Como você explica uma maçã ser vermelha? etc.
- 3° Momento: Introdução da dinâmica de soma de tintas com explicação do tipo de tintas e do uso correto de como utilizá-las.
- 4° Momento: Dinâmica de soma de tintas em que será entregue tintas para que, com a supervisão adequada, as crianças as misturem e observem as cores que surgem, como amarelo, azul e vermelho.
- 5° Momento: Apresentação do experimento de soma de luzes a partir da exposição de diferentes cores que se formam ao se somar as luzes vermelha, verde e azul.
- 6° Momento: Exposição das sombras coloridas destinado à discussão sobre a formação dessas sombras durante a exibição do experimento.
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## Cor e Luz: o relato da experiência
A visita ocorreu no período matutino. Ao chegar em sala de aula, foi encontrada uma quantidade de alunos inferior a esperada. Então, convidou-se outra turma para participar da oficina, perfazendo um total de 26 alunos da pré-escola com 4 e 5 anos de idade.
No primeiro contato, as crianças estavam tímidas e ao mesmo tempo curiosas sobre o que aconteceria a seguir. A oficina iniciou-se com os petianos apresentando-se e expondo as parcerias que possibilitaram o desenvolvimento da oficina naquele dia. Explicou-se um pouco sobre o que é o PET Educação e o Ano Internacional da Luz. Após isso, aplicou-se uma dinâmica de interação para tornar o ambiente acolhedor e tranquilizar as crianças quanto à presença estranha dos bolsistas/ministrantes. Esse momento permitiu uma conversação descontraída, tendo-se a oportunidade de se desenvolver sentimentos e emoções de segurança e afetividade. Ver figura 1:
Figura 1 -Dinâmica de Interação Inicial com as Crianças
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Em seguida, aplicou-se a dinâmica da mistura das tintas em que cada atitude dos bolsistas/ministrantes baseou-se na tentativa de estimular o desenvolvimento cognitivo por meio do lúdico. Para Seber (1995), a ludicidade promove a interação entre as crianças, bem como estimula a cognição e o desenvolvimento motor, social e afetivo, permitindo a criança descobrir, experienciar e imaginar. De início, as crianças foram organizadas em equipes para a explicação acerca da mistura das cores.
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Figura 2 -Iniciando a Dinâmica da Soma de Tintas
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As atividades foram supervisionadas pelos graduandos, tendo toda e qualquer dúvida sanada no mesmo instante. Durante a ação, os alunos misturaram as tintas e puderam ver o surgimento de cores quando se mistura tintas de cores diferentes (Figura 3).
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Figura 3 -Petianos e Crianças durante a Soma de Tintas
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Em seguida, as crianças foram liberadas para o lanche e o recreio em que tiveram a oportunidade para se divertirem e contarem aos amigos o que faziam. No retorno, os estudantes infantis conseguiram finalizar suas atividades e após o término da dinâmica de mistura de tintas foram discutidos os resultados obtidos, bem como o porquê das diferentes tonalidades de tintas encontradas. Levantaramse concepções espontâneas desses crianças que exibiram suas obras em painéis da sala de aula (Figura 4).
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Figura 4 -Alunos e Obras Finalizadas
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Por fim, apresentou-se o experimento de soma de luzes em que um bolsista explanou sobre a mistura de luzes de diferentes cores e iluminou objetos variados com diversas colorações para a promoção de aprendizagem significativa. Esta exige a atuação do professor na zona proximal do desenvolvimento da criança com vistas à mobilização dos conhecimentos prévios (Figura 5).
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Figura 5 -Zona de Desenvolvimento Proximal Fonte : Moretto (2010).
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Moreto (2010) sinaliza que a zona D indica o desenvolvimento cognitivo de um sujeito em um momento de sua vida. A linha pontilhada representa a zona proximal ou potencial de desenvolvimento (ZPD). Y representa um ponto localizado na região da ZPD que possibilita inter-relações com X , situado na zona de desenvolvimento ( ZD ), baseando-se na teoria de Lev Vigotsky (1896-1934).
Nessa perspectiva, a oficina Física das Cores visou à ressignificação do processo de ensino com discussões relevantes sobre o ato pedagógico fundado na tendência sociointeracionista (MORETTO, 2010 apud SANTANA et al 2016). Essas questões remetem à promoção de aprendizagem significativa que exige rupturas na epistemologia do saber fazer e do ser professor (Figura 6).
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Figura 6 -Apresentação do Experimento de Soma de Luzes
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Nessa última etapa, utilizou-se um experimento para demonstrar o processo de soma de luzes com vistas à exposição de como as cores dos objetos variam de acordo com a cor da luz que os ilumina. Evidenciou-se, ainda, que ao se somar luzes, obtém-se resultados diferentes daqueles que resultaram da mistura de tintas.
## Considerações Finais
O planejamento de uma oficina perpassa por um processo didáticopedagógico reflexivo. O trabalho com cores e luzes corroborou para a promoção da aprendizagem significativa das crianças da educação infantil ao estimular o desenvolvimento cognitivo a partir de uma estrutura hierárquica de construção de conhecimento. Além disso, trata-se de possibilidades diferenciadas que contribuem para a formação dos bolsistas no momento da definição de estratégias, conteúdos e metodologias de avaliação na sala de aula da educação básica.
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Essa ação foi uma oportunidade de aproximação entre a universidade e a educação básica, bem como colaborou para a formação inicial dos estudantes petianos no campo da aplicação de conhecimentos e habilidades em contextos práticos, no desenvolvimento de saberes orientados às atividades práticas e no envolvimento com a profissão docente.
No contexto da formação inicial de professor, as pesquisas indicam a necessidade de se considerar atividades práticas como um processo permanente de apropriação de conhecimento, visando à valorização da identidade dos estudantes. Isso significa que a oficina também corroborou para a formação identitária epistemológica dos petianos, haja vista constitui-se como uma prática social.
## Referências
ARAUJO, L. A. de. Teoria das cores de Goethe . 2005. Disponível em: <http://www. antroposofy.com.br/forum/download/artigos/A%20TEORIA%20DAS%20CORES%20 DE%20GOETHE.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2018.
BRITO, N.; REIS, J. A teoria das cores de Goethe e sua crítica a Newton. Revista Brasileira de História da Ciência . Rio de Janeiro, v. 9, p. 288-298, dez., 2016.
COSTA, E. de C. F. Cores : processos e aprendizados em artes visuais. Especialização em Ensino de Artes Visuais . 2015, 36f. Monografia. UFMG, Belo Horizonte, 2015.
MORETTO, Vasco Pedro. Prova : um momento privilegiado de estudo, não um acerto de contas. 9. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2010.
MORETTO, Vasco Pedro. Prova : um momento privilegiado de estudo, não um acerto de contas. 9. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2010. Resenha de: SANTANA, Julie Stefany Silva et al. Caderno de Ciências Humanas e Sociais , Aracaju, v. 3, n. 2, p. 307-312, mar., 2016.
NEWTON e as Cores . Mundo educação . Disponível em: <https://m.mundoe ducacao.bol.uol.com.br/amp/fisica/newton-as-cores.htm>. Acesso em: 23 jun. 2018.
SEBER, M. G. Psicologia da pré-escola : uma visão construtivista. São Paulo: Moderna, 1995.
SILVA, C.; MARTINS, R. A teoria das cores de Newton: um exemplo do uso da história da ciência em sala de aula. Ciência & Educação , v. 9, n. 1, p. 53-65, mar., 2003.
TEORIAS sobre a natureza da luz. Mundo educação . Disponível em: <https://m. mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/teorias-sobre-natureza-luz.htm>. Acesso em: 23 jun. 2018.
VIOTTO FILHO, I.; PONCE, R.; ALMEIDA, S. As compreensões do humano para Skinner, Piaget, Vygotski e Wallon: pequena introdução às teorias e suas implicações na escola. Psicologia da Educação , São Paulo, p. 27-55, jul.-dez., 2009.
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