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FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Kátia Da Silva Albuquerque Leão, Bianca Martins Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
30/01/2019
Linha de pesquisa
Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

## Kátia da Silva Albuquerque Leão 1 , Bianca Martins Santos 2

1 Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) - Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF) - Universidade Federal do Acre (UFAC), ksaleao79@gmail.com

2 Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) - Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF) - Universidade Federal do Acre (UFAC), bianca.santos@ufac.br

## Resumo

Desenvolver a atividade de professor de física ao longo dos últimos anos tem exigido dos profissionais não só conhecimento sistematizado, mas também promover a mudança da percepção dos estudantes sobre a Física. Destaca-se assim a importância dos trabalhos direcionados ao público docente para promover a qualificação dos mesmos. Neste sentido, o presente trabalho relata a experiência da aplicação de cursos de formações continuadas com professores de física do ensino médio, da rede estadual do Acre, bem como apresenta resultados sobre as contribuições de tais cursos à prática desse professor em exercício. A formação continuada tem um grande impacto na aprendizagem do docente, uma vez que inseridos numa sociedade no qual surgem novas problemáticas, inovações tecnológicas e científicas, este deve sempre se atualizar. A atividade relatada é desenvolvida por assessores pedagógicos das áreas de Química, Biologia, Ciências e Física. Em conjunto, tais assessores discutem, analisam as estratégias, metodologias de ensino e formas de aprendizagem, tendo como foco principal habilitar o professor a promover aulas mais atrativas e significativas para os alunos, para que este se torne o protagonista do próprio aprendizado. A metodologia de trabalho é realizada com encontros bimestrais durante o ano corrente, onde os profissionais expressam ideias, trocam experiências vividas na sala de aula, além de realizar atividades que poderão ser utilizadas na classe. Os resultados apontam que as formações foram consideradas positivas segundo as avaliações realizadas pelos participantes durante as ações ou via relatos dos docentes durante os acompanhamentos nas escolas, em ambas situações foi notório a gratificação dos formadores em ter contribuído para o professor em exercício aperfeiçoasse a própria prática.

Palavras-chave : Formação continuada, prática docente, metodologia de ensino.

## Introdução

Segundo Caldas Aulete (1985), 'formação' significa ação e efeito de formar, ato de tomar forma, desenvolver-se. A formação de um profissional da educação é algo contínuo que deve acompanhá-lo durante a vida profissional construindo assim degraus cada vez mais altos e assim influenciando mais pessoas que depende do docente compromissado e com ótima formação. O processo de formação não acaba na academia, pelo contrário, é ininterrupto possibilitando ao educador desenvolver senso crítico e saber reflexivo de forma decidida e construtora. Portanto é fundamental a participação em cursos de reciclagem de auto avaliação sobre a própria pratica docente, como resultado de um processo construtivo, já que a Formação Continuada interfere diretamente na perspectiva das práticas pedagógicas, na formação do educador e no cotidiano escolar.

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Essa necessidade sempre existiu, já que a ação docente é uma ação complicada que depende da eficiência da relação interpessoal e de processos individuais, como a capacidade de chamar atenção e de criar interesse dos educandos. As mudanças de padrões impostas pela sociedade nas últimas décadas intensificaram sobremaneira essa necessidade. Formar-se continuamente tornou-se obrigatoriedade para os professores numa escola que precisa lidar com gerações interativas, inquietas e tecnológicas.

Portanto, para que a capacitação do docente alcance o objetivo, precisa ser significativa para vida profissional. Todavia, quando a capacitação está desvinculada com a prática, conduz-se à baixa eficácia, sem promover a reflexão que a sala de aula é um projeto coletivo, entre professor e aluno. Tais deficiências leva a abnegação e a reações de indiferença por parte dos professores, por entenderem que certas atividades que prometem ser de formação, quase sempre, em nada colaboram para aumento profissional. Portanto para se ter um bom programa de formação continuada deve-se levar em conta alguns fatores, entre eles: partir das necessidades reais do cotidiano escolar do professor; apreciar o saber e a experiência, associando-os de forma dinâmica, teoria e prática; por isso deve-se ficar atento para que formação não se constitua numa receita pedagógica, onde o profissional vai seguir por completo e assim terá sucesso na sala de aula. Os procedimentos da formação continuada podem ser preciosíssimos, se alcançarem a aproximação entre a teoria e a prática pedagógica.

A formação continuada deve ser capaz de conscientizar o professor de que teoria e prática são 'dois lados da mesma moeda', que a teoria o ajuda a compreender melhor a prática e lhe dar sentido, além disso a prática proporciona o melhor entendimento da teoria ou, ainda, revela a necessidade de fundamentar-se nela.

Segundo Nóvoa (1995), o desenvolver-se de metodologias e dos instrumentos pedagógicos, tem como necessidade assegurar a reprodução das normas e dos valores próprios da profissão docente, estão na origem da institucionalização de uma formação especializada e longa, característica que sempre estará presente neste processo. Portanto, os estabelecimentos de formação de professores ocupam um lugar central na produção e reprodução de saberes da profissão docente, agindo expressivamente na construção e elaboração pedagógica de caráter comum.

A formação do professor vai além da aprendizagem de métodos, conceitos e procedimentos, requer um envolver-se maior com o ampliação curricular, o planejamento e a capacidade de solucionar problemas relacionados ao contexto escolar que surgem constantemente. Os debates que envolvem este assunto, dificilmente acabarão, houve muitos avanços nas palavras e pouco avanço prático, essencial na vida do educador autônomo, esse fato impede que o profissional entenda a profissão docente de outra forma.

A função de professor tem sido muitas vezes distorcida da verdadeira função docente, que é ensinar. Segundo Romanowski (2010, p. 17) '[…] todos sabemos que o professor é aquele que ensina, que educa. Mas outras pessoas que ensinam e educam e que não são professores, como, os pais e os religiosos'. Observa-se que o professor é um profissional formado para ensinar e auxiliar na construção do conhecimento, mas quando chega à escola encontra situações que o faz mudar de função, como acalmar, educar e ser psicólogo.

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Neste mesmo entendimento, Hengemühle (2008) faz a seguinte afirmação: o professor deixa de lado a responsabilidade de ser um ensinador de coisas para se transformar em algo como um fisioterapeuta mental, animador da aprendizagem, estimulador de inteligências que prega e faz o aluno empregar múltiplas habilidades operatórias.

É importante frisar que na faculdade não aprendemos a lidar com todas essas situações, muitas delas surgem levando em consideração ao meio em que se vive. Nesse contexto é necessário entender que a formação docente no âmbito de desenvolver os saberes, exige qualificação, valorização profissional e políticas adequadas para o trabalho do professor.

Freire (1996, p. 76) aponta que: 'outro saber fundamental a experiência educativa é o que diz respeito à natureza […] preciso conhecer as diferentes dimensões que caracterizam a essência da prática'. A experiência do professor ajuda a tomar a decisão correta para cada situação problema, mesmo não sendo função de professor, mas às vezes naquele momento só tem ele, então ele não tem outra opção a não ser tentar ajudar. O conjunto das diversas situações é que proporciona ao professor formação docente somado ao que ele aprendeu na graduação.

- A formação docente é um processo de maturação da pessoa, realizada a partir das experiências dos professores da instituição formadora, quanto dos próprios sujeitos. Segundo Freire (1996, p. 25), '[…] quem forma se forma e reforma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado'. Em outras palavras, durante o processo de formação, o docente adquire experiência e conhecimento que o transforma, ou seja, na maneira de pensar e agir. Também em vários outros pontos de vista sobre a mesma situação corrente.
- O conceito de formação docente está entrelaçado com a importância de ser professor, onde o ponto norteador e a busca da profissionalização é o aprendizado do discente, auxiliando-o com aulas dinâmicas facilitando a construção do conhecimento.

Segundo Romanowski (2010, p. 53), a dinâmica da aula caracteriza-se pela interação professor-aluno, sendo mediada pelo conhecimento. Ensinar e aprender são processos direcionados para o mesmo objeto: o conhecimento; ambos envolvem a cognição e a relação entre sujeitos. É nesse processo dinâmico, contraditório e conflituoso que os saberes dessa prática profissional são construídos e reconstruídos.

Daí a importância do professor adquirir os conhecimentos formadores, pois durante a prática pedagógica encontrará situações de conflitos, em que o mesmo necessita está preparado para resolver o que ocorrer no exercício da função. O conhecimento adquirido é de suma importância bem como a divulgação. Neste sentido deve compartilhar o mesmo com outros profissionais de educação, para que seja tomado como referência para novas práticas pedagógicas.

A formação continuada tem se tornado um campo com crescente busca pelos profissionais não apenas na educação, mas em todas as áreas do conhecimento, pois quanto mais aprendizado, maiores as chances desse profissional permanecer no mercado de trabalho.

Conforme Ferreira (2006), a 'formação continuada' é uma realidade no panorama educacional brasileiro e mundial, não só como uma exigência que se faz

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devido aos avanços da ciência e da tecnologia que se processaram nas últimas décadas, mas como uma nova categoria que passou a existir no 'mercado' da formação contínua e que, por isso, necessita ser repensada cotidianamente no sentido de melhor atender a legitima e digna formação humana.

O conhecimento não é algo estático, o mesmo está sempre em transformação e nas últimas décadas esse processo tem ocorrido de maneira ainda mais acelerada e tudo o que envolve o saber é influenciado por essas mudanças. Na área da educação não é diferente, como se pode constatar (Hengumühle, 2008).

A escola tem um papel importante diante dessas transformações, pois é o lugar encarregado e cabível para a construção do conhecimento, mas não o único espaço em que se adquire o saber, pois na atualidade o conhecimento está em todos os lugares e sempre disponível. Assim, da mesma forma como ocorre com o professor, a escola também precisa estar em consonância com as atualizações, para receber a clientela (os discentes) que a frequenta de forma correspondente com as necessidades. Daí a importância de despertar para a prática da formação continuada fazendo reflexões do que ocorre cotidianamente.

Contudo na capacitação profissional deve-se dar valor e estimular o planejamento docente envolto a um professor facilitador da aprendizagem, estabelecendo táticas de pensamento e de estímulo, voltando-se à importância da reflexão sobre a prática num contexto determinado.

## Metodologia

O trabalho relata a experiência vivenciada por uma formadora, ao longo dos três últimos anos, que atua na formação continuada de professores da rede estadual do Acre. As metodologias das formações, assim como o tema e objetivos, são pensadas em equipe, composta por formadores das áreas de Química, Física, Biologia e Ciências da Natureza, sempre pensando que formação continuada é um mecanismo permanente de capacitação, atualização e aperfeiçoamento necessário à atividade profissional, para melhorar a prática docente, no intuito de assegurar uma educação de qualidade e a transformação social.

A tabela a seguir demostra os temas trabalhados durantes os anos, bem como os objetivos a serem alcançados com as capacitações dos profissionais em educação, buscando vincular a teoria com prática. Na parte que se refere aos participantes, estão incluídos não só os professores de Física, mas também, docentes de Química e Biologia, bem como os coordenadores pedagógicos das escolas que comparecem as formações com intuito de auxiliar os professores no planejamento vertical.

Tabela 01: Resumo das formações dos professores. As siglas da tabela indicam: D (=duração), P (=Período de aplicação), T (=Total de participantes).

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Fonte: Relatórios das Formações de Ciências da Natureza - SEE/AC

Ao final de cada formação, faz-se o agradecimento pela participação e envolvimento dos professores nas atividades propostas durante as oficinas. Em seguida, solicita-se o preenchimento da ficha de avaliação para que a equipe de formação possa direcionar as abordagens das necessidades reais dos professores em sala de aula.

## Resultados e discussões

Analisando as avaliações realizadas pelos docentes durante os últimos anos, ficou notório que as atividades propostas possuem coerência e pode ser aplicada em sala de aula. Consideraram os experimentos viáveis, principalmente devido ao uso de materiais acessíveis e os temas relevantes. Alguns professores solicitaram mais sequências didáticas prontas (apesar de segundo eles já saberem elaborar uma sequência), que são materiais ofertados nas oficinas que servirão de suporte aos professores, facilitando assim a aplicabilidade na sala de aula, bem como a orientação e observação do coordenador pedagógico. Em uma avaliação geral gostaram da dinâmica das formações.

A prática e o ato de reflexão da prática exercida no espaço da sala de aula contribuem para o surgimento de uma ressignificação do conceito de professor, de aluno, de aula e de aprendizagem. É através de um processo formativo capaz de

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mobilizar os saberes da teoria da educação, que os docentes compreenderão e desenvolverão as competências e habilidades necessárias para a investigação da própria atividade. Dessa forma, podemos perceber a importância do professor na própria formação e na formação dos educandos. Agindo como mediador, o docente está dando a oportunidade aos alunos terem autonomia na construção do próprio conhecimento como forma de compreender a realidade social em que vivem.

## Considerações finais

Discorrer sobre formação continuada de professores é sempre um desafio. Algo é correto afirmar, a formação acadêmica não é suficiente para preparar um professor diante da demanda que a sociedade vem impondo, pois está construção se faz na prática, e o profissional, necessita de atualização constante ao longo da carreira. As capacitações são importantes e necessárias pois, de certa forma, suprem algumas carências da formação inicial e permitem que os docentes troquem experiências com outros educadores ampliando, assim, a aprendizagem ao longo da vida de forma colaborativa. O ideal é que nas formações os professores possam levar consigo materiais que possam vivenciar na escola, juntamente com os alunos.

Contudo o educador, não deve repetir a didática dos ex-professores, pois poderá acabar estagnado no tempo, o docente consciente e empenhado com o trabalho e investe na formação continuada, para não fracassar profissionalmente, exigir respeito e melhoria. O cotidiano do docente costuma ser cheio, não sobrando tempo para a leitura e investimento na profissão, são inúmeros problemas que acabam o desgastando e desmotivando, todavia, uma postura pesquisadora não é impossível por mais que as dificuldades sejam grandes, uma conduta pesquisadora é essencial ao desenvolvimento profissional.

É necessário que o professor tenha consciência do papel social para que possa ajudar o aluno a compreender a sociedade em que está inserido e a complexidade do conhecimento que se pretende adquirir, tendo como meta principal uma aprendizagem voltada para resolver os problemas que a vida nesta sociedade irá apresentá-lo, dando uma visão crítico-reflexiva das coisas que se apresentarão ao longo da vida. Com isso ele terá a possibilidade de compreender e interpretar os problemas que emergem no cotidiano.

Os professores precisam toma ciência da importância da formação inicial e continuada como um requisito da atualidade educacional que vivência mudanças nas formas do conhecimento. Entende que as aulas devem ser diversificadas para motivar o educando ao aprendizado, isso pode ser feito por meio da utilização de táticas que colaboram para a dinâmica do ensino. Assim, para facilitar a aprendizagem dos alunos, o professor deve utilizar várias estratégias, ou seja, a aplicação dos meios disponibilizados em uma formação continuada, por exemplo.

## Referências

AULETE, Caldas. Minidicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.

CRUZ, Evandro Costa; COSTA, Deuzeli Brandão da. A Importância da Formação Continuada e sua Relação com a Prática Docente. Revista Científica

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Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento . Edição 08. Ano 02, Vol. 03. pp 42-58, Novembro de 2017. ISSN:2448-0959

FERREIRA, Joanilson Araújo. Formação continuada e seus reflexos na prática dos educadores . Disponível em:

http://www.atenas.edu.br/Faculdade/arquivos/NucleoIniciacaoCiencia/REVISTAS/RE VIST2010/15.pdf. Acesso em: 03 de julho de 2018.

FERREIRA, Naura Syria Carapeto (org). Formação continuada e Gestão da educação . 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2006.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

FURTADO, Júlio. A importância da formação continuada dos professores . 2015. Disponível em: <http://juliofurtado.com.br/2015/07/22/a-importancia-da-formacaocontinuada-dos-professores/>. Acesso em: 03 jul. 2018.

HENGEMÜHLE, Adelar. Formação de Professores: da função de ensinar ao resgate da educação. Petrópolis, RJ: vozes, 2008.

NÓVOA, Antônio (org.). Profissão Professor . Portugal: Porto Editora. LDA, 1995

ROMANOWSKi, Joana Paulin. Formação e profissionalização docente . 4.ed.rev. Curitiba: IBEPEX, 2010.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.