A Teoria da Atividade como mediadora no processo de construção de uma Situação de Estudo sobre A Televisão
Andrea Borges Umpierre, Pedro Guilherme Backes De Oliveira, Jaqueline Ritter
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 30/01/2019
- Linha de pesquisa
- Currículo E Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A Teoria da Atividade como mediadora no processo de construção de uma Situação de Estudo sobre A Televisão
Andréa Borges Umpierre 1 , Pedro Guilherme Backes de Oliveira 2 , Jaqueline Ritter 3 1 FURG/PPGEC, andreaumpierre@yahoo.com.br 2 FURG/IMEF/ pedro.gbo@hotmail.com 3 FURG/PPGEQ/EQA, jaquerp2@gmail.com
## Resumo:
A presente pesquisa busca na Teoria da Atividade (TA) um referencial Teórico/metodológico mediador do trabalho docente na construção de uma Situação de Estudos (SE), que propõe a aprendizagem discente pela apropriação dos conceitos por meio da significação. De acordo com o referencial histórico-cultural a Atividade Humana é entendida como um processo psicológico que está relacionado às ações, sendo ela individual ou em grupo, que orientam os sujeitos aos seus objetivos. Com esse propósito o Grupo de Educação Química na produção curricular (GEQPC), da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) realiza acompanhamento pela pesquisa da produção curricular que é realizada coletivamente na interface universidade e escola e que se caracteriza como 'Atividade'. O objetivo deste trabalho consistiu em discutir como se desenvolveu uma SE, norteada e mediada pela TA identificando sua estrutura hierárquica: Motivo, Ações e Operações na construção da SE sobre televisão. Os dados da pesquisa foram subtraídos da gravação de um encontro de planejamento do GEQPC com os professores e através de transcrições de falas foi possível obter episódios válidos. Todos os episódios analisados passaram pelo critério de categorização em que foi possível identificar a presença ou não dos conceitos já referidos que fundamentam a TA. O tratamento dos dados, por meio de categorias, deu-se na sua conjunção com o referencial teórico da SE e TA.
Palavras Chaves: Teoria da Atividade, Situação de Estudo, Significação Conceitual
## Introdução
A realidade na escola compreende o contexto sócio histórico cultural da comunidade na qual está imersa, desta forma podemos pensar a escola como um local, espaço e tempo em que se produzem aprendizagens mediadas pelo ensino como um bem cultural que é transmitido e renovado de geração em geração. De acordo com a Abordagem histórico-cultural, o conhecimento sistematizado é capaz de desenvolver funções mentais superiores, que vão se constituindo a partir de motivações intrínsecas, mas muito mais por motivos extrínsecos advindos das relações intersubjetivas da qual o sujeito participa razão pela qual a escola tem um papel fundamental na vida das pessoas (VIGOTISKI, 2007). Essa motivação, ou motivo, pode se dar a partir da significação de conceitos, um processo psicológico que sempre remete a um histórico internalizado daquilo que o sujeito significou da representação de um objeto. Ademais, Vigotiski (2007) nos diz que o desenvolvimento da aprendizagem de um sujeito tem relação com o mundo social e cultural no qual está imerso.
Nesse sentido, os conhecimentos que são (re) construídos juntamente na escola e pela escola passam a constituir um processo curricular. Ao mesmo tempo, devemos pensar que essa construção deverá caracterizar uma política curricular, que é conflituosa, pois, ao admitir-se que o currículo nasce de uma seleção cultural, que deve levar em conta os sujeitos, os conceitos e as formas de entender e construir o mundo, também está em aberto e pode ser tratado como uma política cultural, segundo Lopes (2004).
Então, percebemos que políticas curriculares não são apenas documentos escritos com fins prescritivos. Devem incluir planejamentos, que são reconstruídos através das vivências e experiências docentes em múltiplos espaços e por diversos sujeitos no conjunto social da educação. Como um processo dialético, como
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docentes pesquisadores além de buscarmos interpretar e compreender políticas curriculares, é necessário desempenhar a docência como um lugar de produção curricular de tal forma que o ensinar motive o aluno a aprender.
Assim, as políticas curriculares deveriam induzir uma mudança teóricometodológica na postura e conhecimentos de professor, afinal sem que haja uma mudança nas concepções conceituais, metodológicas, curriculares, referindo-se ao lugar e à natureza do conhecimento escolar de pouco ou quase nada servem as reformas curriculares desarticuladas da formação docente. Defende-se que o processo de recontextualização de políticas públicas em práticas educacionais é um processo fundamentalmente de mediação e, por conseguinte de significação e apropriação de princípios e práticas curriculares (RITTER, 2017). Partindo desses pressupostos, é que, deseja-se vincular a produção curricular por Situações de Estudo (SE) como uma metodologia de ensino que tem por objetivo promover a significação conceitual segundo Vigotiski, com os aportes teóricos e metodológicos da TA .
Diante do exposto, é que o Grupo de Educação Química na produção curricular (GEQPC), da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) realiza acompanhamento pela pesquisa da produção curricular conjunta e mediada na interface universidade e escola, e faz dessa ação sua principal 'Atividade'. O grupo é constituído na interface por reunir professores desses dois contextos: professor da Universidade que atua em cursos de licenciatura em Química, Física e Biologia, licenciandos e pós-graduados, bem como professores da Escola de Educação Básica.
Nesse sentido a presente pesquisa se propõe a discutir como se desenvolveu uma SE, norteada pela Teoria da Atividade (TA), atribuindo à atividade docente qual seja a produção curricular um processo teórico metodológico que irá identificar três níveis da estrutura hierárquica da atividade proposta por Leontiev (1978), que está embasada na Motivação, Ação e Operação.
## Marco Teórico
Sendo a Atividade docente voltada a Atividade de significação conceitual, esta deve ser a motivação do professor no processo ensino e aprendizagem de seu aluno. Busca-se o referencial teórico e metodológico da Teoria da Atividade (TA) sistematizado por Leontiev, por apresentar-se como uma importante fundamentação em pesquisas sobre educação no mundo contemporâneo. A TA analisa as atividades humanas e diz que ela se orienta por nossos objetivos, segundo Leontiev (1983, p. 17)
El análisis de la actividad constituye el punto decisivo y el método principal del conocimiento científico del reflejo psíquico, de la conciencia. En el estudio de las formas de la conciencia social está el análisis de la vida cotidiana de la sociedad, de las formas de producción propias de esta y del sistema de relaciones sociales.
A atividade profissional docente é caracterizada por uma hierarquia entre prática e conhecimento, na qual a primeira encontra-se sujeita à última. Desta forma, o professor é visto como profissional que atua de forma prática, aplicando e mobilizando o estoque de conhecimentos teóricos que são produzidos pelos acadêmicos e pesquisadores universitários, fundamentalmente. A cultura do professor de escola como alguém capaz de produzir conhecimento novo acerca de seu objeto de ensino e fazer pesquisa acerca de seus processos ensino e de aprendizagem é um caminho a ser perseguido, almejado e constituído cuja aposta é nas parcerias Universidade e Escola. Com base em Leontiev (1983), os professores da escola encontram-se em 'Atividade', quando produzem curriculo e atividade de
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pesquisa. Neste sentido o processo psicológico é uma Atividade Humana, que está relacionado às ações, podendo ser ela individual ou em grupo e orientam os sujeitos aos seus objetivos.
A atividade docente no processo de produção de uma SE deve visar o caráter objetal, estrutura da atividade, consciência, significação social e sentido pessoal. Segundo Sangiogo et al. (2013), quando há o desenvolvimento de uma SE, deve-se dar o entendimento que o homem pode produzir conhecimento, levando em consideração a condição de reconstruírem-se conceitos históricos e culturais, a partir da tomada de consciência do processo de formação desse pensamento científico. Nessa perspectiva afirma-se que uma SE deve contemplar uma situação conhecida, em que o professor e os alunos devam assumir um modo de romper a linearidade da estrutura curricular das disciplinas de mesma área, sendo possível quebrar com a sequência didática dos conteúdos que tradicionalmente são desenvolvidos. Quanto a isso, Maldaner (2007a, p. 249-250) recomenda:
[...] um número relativamente pequeno de conceitos centrais sendo estes sempre representativos da disciplina, compondo uma totalidade para cada disciplina e para o conjunto delas; [...] transacionar apenas significados iniciais para conceitos que aparecem pela primeira vez, podendo evoluir no desenvolvimento das SEs; estimular a produção criativa e coletiva dos estudantes sobre o entendimento da situação estudada como uma totalidade; [...] permitir que sejam significados os conhecimentos científicos contemporâneos, uma decorrência natural quando se estuda uma situação concreta e as soluções tecnológicas atuais.
Sempre com o intuito de explicar a ciência e a realidade através de objetivos bem traçados para que SE compreenda à ciência que está sendo explicada, bem como o temática e a problemática atual que a SE elegeu para tal. Persegue-se o processo de dupla significação, em que o conhecimento científico irá assumir a natureza de conhecimento científico escolar, bem como 'o conhecimento significado na relação pedagógica passa do nível interpsíquico para o nível intrapsíquico da aprendizagem humana' (MALDANER; ZANON, 2004, apud UMPIERRE; RITTER, 2017, p. 574), da mesma forma que desenvolvem os sujeitos em interação pedagógica.
Leontiev (1978, p. 94) complementa dizendo que 'as significações são a cristalização da experiência humana, representam as formas como o homem apropria-se da experiência humana generalizada', assim, há uma relação estabelecida do homem, tanto na sua vida quanto na sua relação com o trabalho, construindo significações, que na maioria das vezes estão sempre em construção.
O professor é, portanto, o mediador entre o conhecimento e o aluno, entre os produtos culturais humanogenéricos e seres humanos em desenvolvimento. Tanto Vigotski (1988) quanto Leontiev (1978) enfatizam o caráter mediador do trabalho do professor (adulto responsável ou criança mais experiente) no processo de apropriação dos produtos culturais (ASBAHR, 2005, p. 108).
A partir desses pressupostos, o professor teria condições de auxiliar a escola na construção de um currículo que traz três princípios: o interesse dos menos favorecidos, participação e escolarização em comum e a produção histórica da igualdade. Mas construir um currículo neste formato não é uma tarefa fácil, e aí entra a figura do professor pesquisador mediador, que deverá ter uma nova postura, novos objetivos, novas estratégias e novas formas de avaliação.
## Metodologia
A partir de experiências vividas em pesquisas já realizadas no âmbito do GEQPC, são compreendidas as dificuldades dos docentes tanto da escola quanto
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da universidade em desenvolver atividades curriculares com este viés teóricometodológico. Por isso, no ano de 2017, produziu-se conjuntamente a SE Televisão, prevista para desenvolver-se em um trimestre escolar. Partiu-se da seguinte problemática indutora do planejamento inicial: A universalização do acesso à Televisão contribui no desenvolvimento da consciência social e intelectual das pessoas de determinada comunidade?
Para a área de CNT, definiu-se uma questão mais ligada às tecnologias: Como se forma a imagem nos diferentes televisores, de tubo de imagem e plasma?
- O início do processo de desenvolvimento de uma SE após escolha de um tema a ser estudado, segundo Maldaner (2007b) é: o grupo de professores deve organizar formas de explorar e significar os conceitos científicos considerados fundamentais por cada disciplina envolvida, com intuito de haver clareza por parte dos alunos na compreensão da SE em questão. E, a abordagem curricular por meio de SE tem por caminho didático-metodológico contemplar os princípios da contextualização e da interdisciplinaridade dos conteúdos escolares, dando ênfase à relação entre conceitos cotidianos e conceitos científicos e sua historicidade (Vigotski, 2001).
No âmbito desta pesquisa, para este artigo, objetivou-se analisar como se dá o processo de mediação dos professores na apropriação da SE, bem como procederam no desenvolvimento da mesma para suas atividades docentes. Buscamos na TA, como referencial Teórico/metodológico, o marco procedimental a partir do reconhecimento dos objetivos traçados, identificar as ações propostas e as operações desenvolvidas em sua estrutura hierárquica. Perguntou-se: Quais motivos, ações e operações foram reconhecidos na construção da SE sobre o tema televisão?
Os dados da pesquisa foram subtraídos da gravação de um encontro do GEQPC com os professores da Área de CNT, sendo que através das transcrições de falas desses sujeitos foi possível reconhecer as ações e operações que poderiam ser propostas na 'Atividade' de produzir SE. Para que fosse possível uma melhor análise foi selecionado episódios, que foram analisados à luz da TA e SE na sequência. Para análise dos dados, foi usada a metodologia de análise de conteúdo de Bardin (1977), em que o material empírico foi organizado em três etapas: primeira, a pré-análise, em que é feita uma leitura flutuante, a escolha dos documentos seguida da exploração do material, e a terceira é o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.
Todos os episódios analisados passaram pelo critério de categorização em que foi possível identificar a presença ou não dos conceitos que fundamentam a TA e sustentam a SE.
## Resultados e discussão
A discussão desse encontro se deu em função dos planos de aula da Química e da Física que tiveram a intenção de explicar como ocorre a formação de imagem na TV, sendo ela contextualizada com um artefato cotidiano e tecnológico. A exemplo dos conceitos de eletricidade, imã, lâmpada, substâncias presentes nos televisores, canhão eletrônico em TV de tubo de tubo de imagem e de plasma, desenvolveram-se as aulas. Os episódios foram demarcados pelas falas dos sujeitos envolvidos e caracterizados em termos de 'triades' pelo GEQPC, conforme o lugar e contexto que ocupam:
- - Professor da Universidade [PU]; - Professor da Escola (PE]; - Licenciado e pósgraduando [LP]
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Para o processo de identificação dos conceitos da TA que buscamos identificar obedecemos ao modelo abaixo, que representa sua estrutura hierárquica:
Figura 1: Representação Estrutura Hierárquica da Atividade
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1º Episódio - Evidencia a construção dos objetivos de cada ação a partir da significação conceitual orientada para o objeto referente - SE - Televisão
- [PU] é, realmente a questão mais ampla que deve entrar ali é ter a noção clara da presença da eletricidade como primeira opção de significação. [...]
- A primeira coisa que precisa, além da televisão, para ela funcionar é ligar na eletricidade, [...] e aí discutir um pouquinho que eletricidade é o fenômeno próprio da matéria, mostrar que para haver, por exemplo, condução de eletricidade , precisa ter um meio, vai ser importante, tanto na quântica quanto na eletrônica, entender esse meio, e alguns meios conduzem muito facilmente a eletricidade, e daí talvez se passe por esse processo: pela condução da eletricidade num meio material.
- [LP] Física: Eu achei muito positivo quando ela disse [que] (...) vai pedir para os alunos trazerem imãs pra ver as possibilidades dos alunos criarem imãs.
- [PU]: Porque trabalha diretamente com o fenômeno que ela quer explorar, que é o magnetismo .
- [PU] - Desde o início, então, não tem nenhum problema, o aluno não precisará saber aquela fórmula, mas saber o que é uma substância claramente que tem um nome tem uma fórmula claramente definida, por isso que a significação de substância tende a ser desde o início, por isso que eu falei átomo constitui materiais e os materiais são constituídos por substâncias, que tem então essas três coisas definidas, e isso vai acompanhar todo o pensamento químico, também no decorrer da biologia.
A teoria da Atividade se desenvolve a partir de cinco princípios e três níveis de hierarquia segundo Leontiev (1978), que são Atividade, ação e operação. Neste episódio que busca o desenvolvimento das ações e operações, leva em consideração as condições de realização da significação dos conceitos de eletricidade, átomo, substância e materiais, bem como os comportamentos rotineiros automatizados a sua abordagem. O que se busca como ação neste episódio, referese a mediação acerca de tratar os conceitos envolvidos na explicação de como o canhão de elétrons e a bobina funcionam na TV de tubo. O sujeito tem a capacidade, conscientemente, de unir um aspecto com outro, qual seja objeto referente e conceito, e essa deve ser a principal preocupação da SE e da TA como campo teórico interpretativo.
Toda essa ação deve sempre buscar a significação conceitual. Quanto a isso, Fialho (2005, p. 29) refere-se a Vygotski, 'o indivíduo se relaciona com os objetos através de um contexto com a mediação de artefatos, ferramentas ou signos culturais'. Assim a atividade ganha a mediação procedimental necessária para que SE tenha sua fundamentação teórica compreendida como um potente artefato tecnológico mediador.
## Episódio 2: o processo das operações de cada ação deve retomar os conceitos, pois é este o caminho para sua significação
- [PE] Física: a questão da captação. Até as gurias trouxeram num vídeo que, antigamente, a frequência da televisão era de 60 Hertz, os cachorros enxergavam imagens piscando; que, na verdade o vídeo é um conjunto de imagens muito rápido, na qual a gente não percebe que são imagens, para nós vira um vídeo, fica um movimento completo. E o cachorro, nessa frequência,
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pra ele não era um movimento. Mas as atuais, já com uma frequência maior, eles já conseguem ver. Então, esses conceitos de período, frequência, foram estudados dentro das aulas no conteúdo de Física. Justamente porque eu estou trabalhando ondas com eles. Né, então, depois trabalhando, claro, aí eu peguei questões de ondas, naturalmente, e vim para alguns conceitos de óptica com eles, conceito de refração, reflexão ... E aí eu tive que dar uma pausa. [...] Porque, o que aconteceu: eu percebi que eles estavam com muita dificuldade de conseguir acompanhar o conteúdo.
[PU externo] - Isso é normal.
[PE] Física: Fui lá, retomei aquele primeiro simulador das leis de Newton que eu tinha dado para eles e peguei de novo os conceitos de velocidade e deslocamento , e fui lá pro Movimento Retilíneo Uniforme , pra trabalhar só isso. Avancei no MRUV . Então eu fui trabalhando pra eles pegarem a questão (...). O que se percebeu, eles tinham muita dificuldade na questão de funções, e aí lá em ondas eu tenho funções. Questão gráfica . E aí lá em ondas, eu tenho uma senoide. Então o que eu digo: Vou ter que trabalhar um pouco de funções com esse povo, e um pouquinho dos gráficos onde eu não tenho uma senoide, eu tenho uma reta, horizontal ou, assim mesmo. [...] Então eu fiz isso, tive que sair um pouquinho do tema de estudo [...]
[PU] - Sim, mas isso é normal, numa situação às vezes você precisa fazer uma incursão no conteúdo que vai te ajudar a compreender; essa que é a finalidade. Mas deixa-me só fazer uma observação pra você ficar mais tranquilo nessas situações. É lógico que haverá, quando vocês estiverem organizados em sucessivas situações de estudo, ou seja, todo o currículo de fato organizado, por situações de estudo, haverá a volta dos conceitos.
Na tentativa de o professor de Física centralizar suas ações no processo de significação da 'óptica' a partir do pressuposto Vigotskiano, percebeu-se nesta intenção a dúvida acerca do quanto ele deveria ou não avançar na sua relação com outros conceitos (co) relacionados. Quanto a isso, a mediação do PU refere-se a um princípio básico da SE: 'o conceito evolui a cada nova recontextualização'. As conexões entre sentido e significado só irão evoluir através da mediação por signos e instrumentos (Vigotiski, 2007). E para isso a SE da televisão se mostrou forte. Toda representação conceitual dos episódios evidenciam uma linguagem repleta de significações. Nesse contexto os signos/conceitos devem estar evidenciados, e os professores da escola devem identificar os momentos em que os mesmos devem aparecer e caracterizar o conceito e o artefato. Como na fala do PU: [...] então haverá sempre nova oportunidade de retomar os mesmos conceitos em uma outra situação. Então, como é primeiro ano, a gente tem que ter uma capacidade crítica muito forte, de fazer uma primeira aproximação. Um primeiro nível, isso vale pra Física, Química e Biologia, e sempre trabalhar com os conceitos centrais (...) daquela matéria. Porque você precisa criar o sistema conceitual da disciplina, mas ao mesmo tempo deixar que o aluno consiga enxergar o mundo transitando entre elas. Então, o sistema conceitual (...) parte de um núcleo de alguns conceitos mais estruturantes possíveis.
## Episódio 3: o processo de avaliação também faz parte das ações
[PU] sobre avaliação, um exemplo]! Bom, ele não soube identificar... eu escrevi lá sulfato de cálcio... Dei uma fórmula, eu pedi pra ele dar o nome. Aí ele botou lá, nitrato de cálcio. Puxa, mas não soube identificar a fórmula de uma substância [composta fácil pelo nome] (...). Eu escrevi a fórmula do sulfato e ele respondeu nitrato. Não [está de todo errado], ele acertou a parte do cálcio. Ou seja, ele já está olhando a fórmula e produzindo significados. Só que agora falta um trechinho pra ele fazer mais um passo: Olha, se você falar nitrato, tem que ter o nitrogênio! Aqui talvez você não observasse que não tem o nitrogênio. Então você teve uma parte errada, mas uma parte você acertou. Que daí você estimula o que a gente chama de auto-estima, né.
[PE] Física: Não trabalhar somente em erros. E, sim, trabalhar com acertos.
- [PU] Isso, em cima do que ele faz. Ótimo.
- [PE] Física: Dos acertos. Voltar lá e mostrar que ele acertou isso e isso, mas faltou determinadas coisinhas ...
[PU] que você precisa dar uma olhada melhor. [...] porque nós temos que dar confiança. Porque lembra que a escola não tem a função de selecionar alunos. Quem tem a função de selecionar é o mercado de trabalho. É o concurso. Nós temos a função de dar confiança.
Como todo planejamento de uma aula, na SE também temos início, meio e fim. Interpretando a Atividade SE por meio de uma motivação comum a todos os professores da Área, este é o um objetivo comum a ser alcançado. O que melhor representa os objetivos
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individuais está relacionado ao ato consciente de identificar as ações e operações e por fim analisar quais ações se mostraram eficazes e que alcançou o objetivo traçado inicialmente. As ações, estão diretamente relacionadas as operações, afinal elas dependem de certas condições materiais, mas também de imateriais, por exemplo das condições subjetivas de cada professor que as executa. E esse ponto é o mais difícil, devem-se ter critérios bem coesos em relação aos conceitos que estão sendo abordados e fundamentalmente sobre como abordá-los, com que profundidade, evidenciando quais relações, etc. Haja visto que não se pretende esgotar o número de conteúdos que poderiam ser abordados na SE, mas sim os conceitos necessários para que a significação da SE tenha acontecido. Quanto a isso, identificamos essa pretensão quando o PU externo diz: [...]no caso da Física nós vamos precisar para explicar várias coisas de óptica , várias coisas de eletromagnetismo , várias coisas de circuito elétrico , várias coisas de magnetismo, e assim por diante... Ótimo. Mas isso tudo pode ser contornado? Pode. Numa situação de estudo única? Sim. Primeiro ano? Pode. Em três meses? Sim, pode. Só que você tem que dizer: eu não vou esgotar nada de magnetismo, não vou esgotar nada de eletricidade, não vou esgotar nada de circuito elétrico. Eu vou dar o suficiente, o núcleo central para que ele comece a entender, no caso, a situação proposta, que são os televisores, diversos tipos, tanto na formação de cores, tanto na difração, quanto no circuito elétrico.
Enfim, como essas mediações o professor deve compreender a importância do objetivo proposto pela SE e atribuir atividades avaliativas que buscam nos alunos uma postura de apropriação dos principais conceitos que à explicam. Essa avaliação deve dar oportunidade do desenvolvimento de uma abordagem curricular que consegue significar conceitos com as relações sociais, relações de trabalho, cultura, ciência e tecnologia conforme foram as recomendações de Maldaner e Ritter (2014), do GEQPC, e dos referenciais aqui abordados.
## Considerações Finais
Esta pesquisa buscou através da Teoria da Atividade (TA) compreender a 'Atividade Docente' no momento da elaboração de uma Situação de Estudo (SE) e legitimar a TA como um marco teórico-metodológico do GEQPC na produção curricular na interface universidade e escola. Esses dois marcos referenciais, da TA e SE, dão conta dessa atividade devido as interrelações que explicitam entre si um embasamento teórico na reflexão sobre uma prática e vice-versa. Minimizam-se os distanciamentos e dicotomias entre teoria e prática justamente no aporte da teoria Sociocultural de Vygotski, que busca explicar como se dá o desenvolvimento do indivíduo imerso nas interações sociais e culturais da qual participa. Seja ela a relação professor-aluno, professor-professor e aluno-aluno, ela é sempre constitutiva de novas aprendizagens.
Nesse sentido os resultados acerca das ações e operações na realização da Atividade de produzir SE, mostrarem-se contundentes, pois foi possível identificar o passo a passo de cada ação disciplinar e interdisciplinar que estava sendo proposta para o desenvolvimento da SE. E a interação dos conhecimentos específicos de cada sujeito e cada disciplina envolvidos na construção SE foram nitidamente de grande significado, pois a troca de saberes serviu de motivação para todos os envolvidos, bem como reconheceu-se que as operações iam se configurando a cada dúvida que era sanada. Assim, foi possível reconhecer o potencial da TA como um referencial teórico/metodológico, na qual identificou-se muito bem a atividade coletiva, que se liga à motivação de cada sujeito envolvido e que busca na transformação do objeto, um resultado relevante para si e para o outro.
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