O LIVRO DIDÁTICO DE FÍSICA E SUAS INFLUÊNCIAS NA PRODUÇÃO DO CURRÍCULO REAL
Camila Ferreira Aguiar, Nilson Marcos Dias Garcia
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 30/01/2019
- Linha de pesquisa
- Currículo E Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O LIVRO DIDÁTICO DE FÍSICA E SUAS INFLUÊNCIAS NA PRODUÇÃO DO CURRÍCULO REAL
## Camila Ferreira Aguiar 1 , Nilson Marcos Dias Garcia 2
1 UFPR - PPGE, camilaaguiar@ufpr.br
2 UTFPR - PPGTE/GEPEF E UFPR - PPGE/NPPD, nilson@utfpr.edu.br
## Resumo
Relata pesquisa que buscou verificar as influências que o livro didático de Física exerce no planejamento e desenvolvimento das aulas de uma docente. Realizada através de uma aproximação etnográfica junto a uma professora de Física da Rede Pública do Estado do Paraná, permitiu adentrar o espaço escolar e contextualizar como ela tem utilizado o livro didático. Por meio das observações de suas aulas e de uma posterior entrevista, desenvolvidas no primeiro semestre de 2017, buscou-se identificar a inserção do livro didático no planejamento dessas aulas, verificar as funções assumidas por esse material e inferir os pressupostos pedagógicos e epistemológicos sustentadores de sua prática docente. Pautada nos procedimentos metodológicos da etnografia, a pesquisa justificou-se pela necessidade de problematizar o livro didático a partir de uma teoria do currículo (Bonafé e Rodriguez) e apoiou-se teoricamente em Choppin, que apresenta as funções que o livro didático assume, e em Apple, Sacristán e Díaz que traçam as relações entre currículo e livro didático. Os resultados evidenciaram uma intensa presença do livro didático nas aulas da professora, como elemento pelo qual eram exploradas a teoria, as leituras e os exercícios aplicados em sala ou propostos para tarefa de casa. Esteve presente também servindo de suporte para a avaliação, na consulta do manual do professor e na organização do Plano de Trabalho Docente, documento fortemente embasado no livro didático. Concluiu-se que, para essa professora, o livro didático tem presença significativa em suas aulas, desempenhando um papel orientador e assumindo as funções referencial e instrumental, sendo, dessa forma, um influenciador do currículo real desenvolvido pela docente.
Palavras-chave : Livro didático, Currículo, Pesquisa de observação, Ensino de Física
## Introdução
A seleção e a forma com que os conteúdos são apresentados nos livros didáticos são indicativos do pensamento pedagógico predominante no período em que ele foi produzido. Assim, eles são materiais que podem contribuir na identificação de abordagens metodológicas e concepções de ensino e aprendizagem de determinados períodos da educação, razão pela qual se tornam importantes objetos de investigação.
Entretanto, de acordo com Garcia (2009b), somente na segunda metade do século XX as pesquisas passaram a contemplar de forma mais significativa esse material como objeto de pesquisa, sobre seu campo histórico, a ideologia manifesta em seus conteúdos ou seu uso como recurso no processo de escolarização, e mesmo como mercadoria.
Corroborando essa afirmação, Martínez Bonafé e Rodríguez (2013) mencionam serem poucas as pesquisas relacionadas à relevância dos livros
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didáticos na prática educacional e defendem a necessidade de uma abordagem que os problematize a partir de uma teoria do currículo.
Ademais, Montés Valls (2001) esclarece que as pesquisas educacionais dedicadas às análises, à revisão e à melhoria dos livros didáticos não devem se limitar apenas a esses materiais, pois precisam estender-se ao contexto de sala de aula. Para ele, é insuficiente abordar o estudo dos livros didáticos sob uma visão restritiva, como se fossem autônomos e independentes, posto ser fundamental considerá-los em sua relação com professores e alunos, num relacionamento complexo e distinto para cada disciplina escolar.
Tomando como referência esses pressupostos, desenvolveu-se uma pesquisa que teve por objetivo verificar, junto a uma professora de Física do Ensino Médio da Rede Pública do Estado do Paraná, as influências exercidas pelo livro didático em seu planejamento curricular e aulas.
Assim, buscou-se verificar as funções assumidas pelo livro didático em sala de aula mediante seu uso pela professora; identificar e analisar aspectos do livro que são selecionados ou omitidos em suas aulas e planejamento e identificar os modelos pedagógicos e epistemológicos por ela sustentados, por meio de suas ações e da maneira como ela desenvolve e planeja as aulas.
Como forma de alcançar esses objetivo, a opção metodológica contemplou uma pesquisa de caráter etnográfico, visando a compreender o processo de ensino no próprio espaço escolar por considerar que alguns aspectos das atividades da professora somente poderiam ser observados mediante um acompanhamento contínuo de suas aulas, durante um tempo determinado, e que pudessem romper, conforme Garcia (1996), a visão estereotipada sobre o ensino aprendizagem e a relação entre professores e alunos, bem como esclarecer alguns dos processos sutis que ocorrem nesse espaço.
## Os livros didáticos e o currículo real
Nesse trabalho assumimos, concordando com Garcia (2009a), o conceito que o livro didático é um material impresso, de conteúdo didatizado, estruturado didática e metodologicamente, voltado para o ensino de alunos, expressando o conteúdo de determinada disciplina escolar e atividades com vistas à aprendizagem.
A autora ainda aponta que esses materiais afetam a vida cotidiana das escolas, de diferentes formas e em diferentes situações. Por outro lado, são os sujeitos escolares que definem boa parte das condições de escolha e apropriação dos livros didáticos, como também parte significativa das condições em que ocorre o aprendizado.
De modo a complementar esta definição, Choppin (2004) acrescenta que os livros didáticos são ferramentas pedagógicas com a finalidade de facilitar a aprendizagem e servir de suporte daquilo que a sociedade acha necessário transmitir a outras gerações. São também vetores de comunicação e instrumentos de unificação que, além de prescrições de um programa, transmitem sistema de valores, ideologia e cultura.
Para este autor, os livros didáticos podem assumir quatro funções. A referencial, denominada também de curricular ou programática, segundo a qual o livro didático é a tradução do programa curricular, suporte dos conteúdos e
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depositário de conhecimento, técnicas e habilidades. Na instrumental, o livro didático coloca em prática métodos de aprendizagem e propõe atividades e exercícios que buscam facilitar a memorização dos conhecimentos e favorecer a apropriação de habilidades e de resolução de problemas. A ideológica e cultural, a mais antiga, é definida quando o livro se configura um dos vetores essências da língua, cultura e valores das classes dirigentes. E a documental, que visa a desenvolver o espírito crítico do aluno, todavia, depende de um nível de formação elevado do professor.
Contudo, as perspectivas educacionais do livro didático não se limitam ao seu potencial didático-pedagógico, visto que a forma e o conteúdo apresentados remetem-se a um vasto conhecimento disponível, e seu vínculo com o currículo está sujeito às determinações do estado acerca dos saberes legítimos ensinados na escola. (DÍAZ, 2011).
Concordando com essa perspectiva, Apple (2000) afirma ser o livro didático que define, na maioria das vezes, qual a cultura legítima a transmitir, dado ser esse material que estabelece as condições para o ensino e aprendizagem nas salas de aula em vários países de todo o mundo.
Além de controlar as mensagens culturais, conforme Sacristán (2000), os livros didáticos, como tradutores das prescrições curriculares, divulgam os códigos pedagógicos, elaboram conteúdos e planejam a prática para o professor. Dessa forma, o autor considera que o currículo transmitido pelo livro didático costuma refletir um projeto educativo globalizador, e se constitui agrupador de facetas culturais, das necessidades do indivíduo para o desempenho em sociedade, de aptidões e de habilidades consideradas fundamentais.
Por essa razão, Apple (2000) esclarece que o currículo não se restringe a uma simples reunião de conhecimentos, em virtude de ser parte de uma tradição seletiva, de uma visão de algum grupo sobre o que é o conhecimento legítimo, e resulta de conflitos, tensões e compromissos culturais, políticos e econômicos. E, embora a responsabilidade de principal regulador dos conteúdos pertença ao currículo, Gatti (1997) evidencia que frequentemente a determinação curricular apenas se consolida a partir da sua incorporação nos livros didáticos.
Sendo assim, essa seleção, para Furtado (2009), não se fecha em uma mera seleção de conteúdos, uma vez que demanda uma concepção de ensino, de ser humano, de cultura e de mundo, explicando que a tomada de decisões acerca do currículo deve estar articulada aos problemas locais de onde a escola está inserida.
Mediante o exposto, Apple (2000) considera os livros didáticos parte do currículo, pois participam do sistema de conhecimento organizado da sociedade e transmitem aquilo que ela considera como legítimo e verdadeiro, contribuindo na referência do que é o conhecimento, a cultura, as crenças e a moralidade.
Voltando o olhar para as disciplinas de Ciências Naturais, Lorenz e Barra (1986) esclarecem que, desde o início do século XIX, os materiais didáticos desempenham, nesta área de conhecimento, um importante papel no ensino e sua concepção, estabelecendo não só os conteúdos, mas também sua organização e desenvolvimento, interferindo, nesse sentido, na organização do currículo das disciplinas.
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No campo de ensino de Física, Garcia (2012) aponta que, devido tanto às reformas educativas quanto aos resultados de investigação desse campo, novos conteúdos e novas formas de trabalhar os conhecimentos físicos têm sido incorporados pelos livros didáticos. No entanto, é oportuno considerar que, de acordo com Bittencourt (2008), os programas curriculares e os livros didáticos são produzidos simultaneamente, influenciando-se mutuamente, tanto na proposição de conteúdos quanto na organização das disciplinas.
## A prática docente
Sob certa concepção, o professor é o mediador entre o currículo prescrito e os alunos, pois é ele quem planeja sua atuação em função das diversas condições e do contexto em que se insere. No entanto, Sacristán (2000) adverte que é necessário analisar o processo de construção do currículo, que tem como indutor os meios didáticos, pois eles pré-elaboram e pré-planejam a atuação docente. Nessa relação, o currículo proposto sofre diversas modificações e modifica o próprio professor, pois os significados atribuído a ele pelos professores influenciam sua formação e concepção profissional e institucional.
Nesse entendimento, o ato de ensinar se caracteriza como um processo complexo, levando professores e alunos, muitas vezes, a buscar segurança nos livros didáticos. Entretanto, apesar dos livros didáticos, com os conteúdos previamente definidos, serem um mediador do conhecimento, Sacristán (2000) afirma ser o professor quem define o conteúdo abordado em classe, destacando alguns conhecimentos em detrimentos de outros, em função de valorizações e opções pessoais, condições de aula, crenças epistemológicas e concepções pedagógicas.
Desta maneira, Pérez Gomez (1998) explica que a atuação docente, assim como sua maneira de intervir em sala de aula, depende em grande parte das suas concepções e crenças pedagógicas. São elas que influem no comportamento docente, em todas as fases do ensino. Young (1981), por sua vez, pondera existir uma conexão entre os estilos pedagógicos e as crenças epistemológicas, pois as crenças são relativas ao conhecimento, à avaliação e ao controle.
Sistematizando essas ideias, Becker (2008) propõe três modelos pedagógicos e mostra como cada um deles é sustentado por determinada epistemologia, consubstanciadas em três concepções de pedagogia: a diretiva, centrada no professor e apoiada por uma epistemologia empirista; a não diretiva, fundamentada numa epistemologia apriorista centrada no aluno; e a relacional, que promove uma dialetização dos polos da relação pedagógica e se apoia numa epistemologia construtivista.
Dada essa complexidade, para contemplar esses e outros aspectos da prática docente, torna-se necessário acompanhar as atividades dos professores em seu cotidiano escolar, razão pela qual as pesquisas de natureza etnográfica são recomendadas. Rockwell (1995) considera a etnografia a melhor maneira de evidenciar o modo de vida da escola, pois, a partir dela, as práticas e perspectivas de professores e alunos observadas revelam aspectos que, muitas vezes, permanecem ausentes no planejamento educacional e nos debates pedagógicos.
Em vista disso, observar a sala de aula durante um determinado período permite estabelecer relações de diversas naturezas, como a proposta por esta
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pesquisa, que investigou relação estabelecida pelo professor com o livro didático, e as influências que este exerce na execução do currículo real pelo professor.
## O livro didático na atividade da docente
Como requisito essencial da pesquisa, o livro didático deveria ser utilizado regularmente nas aulas. Após contatos, foi possível desenvolver o acompanhamento das atividades de uma professora de Física de um Colégio da Rede Pública de Ensino do Paraná, na cidade de Curitiba, durante os meses de abril a junho de 2017, com duas turmas de primeiro e duas turmas de segundo ano do Ensino Médio.
A professora em questão leciona para o Ensino Médio há 20 anos, tendo iniciado sua atuação docente ainda como aluna da graduação. Organiza e planeja sua disciplina recorrendo ao Plano de Trabalho Docente (PTD), documento no qual ela registra seu planejamento e elementos como conteúdo, metodologia, avaliação e bibliografia.
Neste documento, o livro didático registrado é o 'Física Conceitos e Contextos: pessoal, social, histórico', de autoria de Maurício Pietrocola et al. e segue seu conteúdo programático: para o primeiro ano do ensino médio, os meses de maio e junho estavam destinados às unidades de Cinemática e de Dinâmica; já para o segundo ano do ensino médio, esses meses se detinham às unidades de Calor e de Ótica, conforme previsto nos sumários dos livros destinados ao primeiro e ao segundo ano.
Contudo, durante o período de observações, foi verificado que, apesar do livro de Pietrocola et al estar registrado no PTD, os conteúdos de aula eram pautados por outros dois: o livro 'Física', de Bonjorno et al, aprovado pelo PNLD 2015, e recebido pelos alunos; e o 'Física Completa', também de Bonjorno et al., de 2001, portanto antes do PNLD do Ensino Médio, de posse somente da professora. Isso ficou claro pela sequência programática desenvolvida no primeiro ano, correspondente à Unidade 2 do 'Física', compreendida por Cinemática Escalar e seus respectivos tópicos: Introdução ao estudo dos movimentos, Movimento Uniforme e Movimento Uniformemente Variado. Da mesma forma, no segundo ano foi desenvolvida a Unidade 1 do segundo volume desse livro, Termologia, com os capítulos de Termometria, Calorimetria, Mudança de Fase e Transmissão de calor. E também ficou evidente pelo uso constante do 'Física Completa' pela professora.
Comparando os dois livros, foi possível verificar que o 'Física Completa' apresenta características mais propedêuticas, voltadas ao vestibular e ao ENEM, contemplando conteúdos teóricos pouco extensos e exercícios resolvidos seguidos por propostos de aplicação imediata. O seu Guia, por sua vez, oferece apenas resoluções para os exercícios propostos, não contemplando encaminhamento pedagógico.
O 'Física', no que lhe diz respeito, dispõe de conteúdo teórico mais amplo e contextualizado e sugere mais atividades propostas e resolvidas que o 'Física Completa'. Entretanto, embora seu Guia seja concordante com os Parâmetros Curriculares Nacionais quando sugerem que se deva atribuir significado ao ensino de Física, evitando a memorização de fórmulas e a repetição, a apresentação dos conteúdos ainda estimula essa memorização e repetição, aproximando-se bastante da perspectiva de sua edição de 2001.
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O diferencial entre eles fica mais evidente em algumas seções presentes no 'Física', não disponíveis no 'Física Completa', como por exemplo: 'Experimento', 'Pense e Responda', 'Saiba Mais Sobre', mas que, frente aos exercícios resolvidos e propostos, se apresentam em menor número.
Portanto, mesmo que os autores apontem para uma característica mais inovadora no 'Física', seu núcleo permanece com essência propedêutica e voltada ao vestibular, e a presença de outras seções não o torna menos diretivo que o 'Física Completa'.
Foi observado ser comum a professora cumprir a sequência programática do 'Física', livro de adotado para os alunos, porém, apresentar a teoria proposta pelo 'Física Completa', livro o qual os alunos não tinham acesso. Por esse motivo, era necessário aos alunos copiarem a matéria escrita no quadro, muitas vezes bastante semelhante ao livro, no entanto, não exatamente igual, pois a professora acabava modificando ou pulando alguns trechos do conteúdo.
Os exercícios resolvidos e propostos, por sua vez, eram extraídos de ambos os livros: 'Física' e 'Física Completa', conforme a seleção feita pela professora, entre os livros, de acordo com o que considerava mais adequado.
Foi evidenciado, nesse acompanhamento, que o livro didático se apresentou como um instrumento bastante presente nas atividades de sala de aula. Desempenhou, por vezes, inclusive, o papel de controlador, pois várias atividades destinadas aos alunos, para resolver em sala ou como tarefa de casa, eram apoiadas nos livros e assim passíveis de conferência pela professora, com atribuição de nota.
## Considerações
No decorrer da observação das atividades da docente foram explicitadas duas das funções do livro didático atribuídas por Choppin (2004): a instrumental e a curricular. A primeira foi evidenciada pelo uso sistemático de exercícios dos livros que visavam a facilitar a memorização. E, como o livro orientou o programa desenvolvido, acabou por revelar sua função referencial, já no PTD.
Considerando-se que tanto o livro didático quanto a docente possuem seus pressupostos pedagógicos, verificou-se também haver conexão de concepção entre o livro utilizado e a prática da professora.
- O livro Física Completa possui proposta diretiva, o que reflete uma concepção epistemológica empirista, adequando-se, assim, mais à ação centralizadora da professora. Da mesma forma o 'Física', aprovado pelo PNLD, também se apresenta com uma característica empirista, seguindo o modelo de apresentação sumária da teoria seguida de diversos exercícios. Ainda que ambos tenham diferenciações, tanto pelo intervalo de tempo em sua produção, quanto pelo fato de o mais recente atender aos requisitos do PNLD, eles apresentam concepções de ensino similares.
A professora, por sua vez, também se apresentou bastante diretiva, como protagonista dentro de sala de aula: determina o tempo para estudar e apresentar a teoria, para os alunos realizarem a cópia, para prestarem atenção na explicação e discussão do assunto, guiando todo o processo. Dessa maneira, ela acaba por
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reforçar a característica diretiva do livro, que, por sua vez, também a influencia em sua concepção como docente, reforçando-se mutuamente.
Foi assim possível constatar que o livro didático exerceu grande influência no planejamento e desenvolvimento do currículo real pela professora. Evidências dessa constatação podem ser verificadas pelo fato de que, independentemente de ter ou não sido utilizado durante as aulas, o livro 'Física Conceitos e Contextos' sustentou o Plano de Trabalho Docente. Já os livros 'Física Completa' e 'Física', oportunizaram o desenvolvimento das aulas e das práticas escolares, orientaram o conteúdo, os exercícios, a avaliação, os debates e as reflexões, que ocorreram em função de suas propostas, configurando-se como um guia curricular na prática docente.
De maneira geral, verificou-se que as influências do livro didático nas aulas e planejamento dessa professora foram amplas, assim como foram diversas as funções que os livros assumiram no contexto escolar. No entanto, é importante registrar, que, sendo a docente quem escolhe o livro didático e os aspectos que prefere nele salientar, não é qualquer livro didático que poderá exercer forte influência sobre o currículo desenvolvido por ela, mas, de maneira geral, somente aquele com o qual ela possa estabelecer uma relação complexa e dinâmica entre as suas concepções e as assumidas pelo livro didático.
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