A UTILIZAÇÃO DE JOGOS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DE FÍSICA
Izabelly Christiny Da Silva, Cristiane Teixeira Oliveira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 30/01/2019
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A UTILIZAÇÃO DE JOGOS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DE FÍSICA
## Izabelly Christiny da Silva¹, Cristiane Teixeira Oliveira²
1 IFNMG- Campus Salinas, bellycs20@gmail.com
²IFNMG- Campus Salinas, kiiu.oliver@gmail.com
## Resumo
O presente trabalho objetiva discutir resultados obtidos através de observações e de uma entrevista realizada com dez alunos do 9º ano de uma escola pública do norte de Minas Gerais. Compreendemos que o lúdico vem ganhando espaço dentro das escolas, desenvolvendo a criatividade e o raciocínio lógico nos alunos, devido à associação de conteúdos, além de ser um recurso facilitador e motivador da aprendizagem. Sendo assim, vemos a importância de introduzir e trabalhar o lúdico dentro da sala de aula, tendo em vista a educação em nosso presente e buscando com o jogo uma tentativa para melhorá-la. O jogo utilizado consistiu em uma adaptação da batalha naval, onde a turma foi dividida em grupos e teve que responder as questões propostas, relacionadas ao conteúdo de Termologia. Essa atividade foi uma forma de fixar o conteúdo estudado e pode ser vista como uma maneira de diversificar as aulas de Física, onde o aluno aprende brincando e interagindo com os demais colegas. Destacamos ainda os motivos do desinteresse, por parte de alguns alunos, durante as atividades realizadas.
Palavras-chave : Lúdico. Ensino de Física. Metodologias.
## Introdução
Atualmente, podemos observar nas escolas a presença de alunos desinteressados, desmotivados e professores que não se dedicam o quanto deveriam para trazer esses alunos para uma participação efetiva nas aulas. Podemos perceber que a metodologia tradicional aplicada no ensino básico não tem gerado motivação e aprendizagem de qualidade entre os alunos. Mas continua sendo utilizada em muitas escolas e falhando no processo de ensino e aprendizagem. Segundo Pimentel (2007), dentre as tantas deficiências verificadas nas aulas, principalmente de Física, a falta de motivação dos alunos evidencia como um dos grandes obstáculos para melhoria do processo ensino-aprendizagem. Para Paulo Freire (1986) esse tipo de metodologia é baseado em aulas onde o professor exerce a função de depositante de informações, o que dita sua sapiência, o único que fala.
Nas aulas de Ciências do ensino fundamental, o ensino de Física obedece essa mesma metodologia causando cansaço e desinteresse quanto à disciplina. Pesquisas apontam que é necessário aplicar novas metodologias que tornem as aulas dinâmicas e aguce o interesse dos alunos quanto ao aprendizado. Diante disso, os jogos como metodologia para ensino e aprendizagem de Física, atualmente, vêm ganhando espaço dentro de nossas escolas, numa tentativa de trazer o lúdico para dentro da sala de aula. Friedmann (1966) expressa em suas autorias a importância do lúdico, intensificando os pontos positivos, ao tê-lo como aliado em sala de aula, abrindo novos caminhos para melhorar o ensino.
A palavra lúdico vem do latim, ludus e significa brincar. Para a criança, o interesse em brincar é muito grande e com a utilização de jogos lúdicos algumas habilidades são desenvolvidas como: a observação, diferenciação de cores, figuras
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e formas, autonomia, aceitação do erro e regras. Ao analisar o que faz, ela cria o seu ponto crítico, levanta hipóteses, descobre e compartilha ideias com seus colegas. Trabalha suas reflexões e argumentação. O jogo estimula a curiosidade, concretizando e ampliando seu conhecimento, desenvolve a organização nos alunos e aprimora o trabalho em equipe.
Os jogos vêm ganhando espaço dentro das escolas, porém, muitas vezes ele é concebido apenas como um passatempo ou uma brincadeira e não como uma atividade que pretende auxiliar o aluno a pensar com clareza, desenvolvendo sua criatividade e seu raciocínio lógico. Um bom jogo deve ser interessante e desafiador, deve permitir que a criança avalie seu desempenho, o resultado deve ser claro para que ela consiga se avaliar e criar novas tentativas, além de proporcionar a participação do grupo todo durante todo o jogo. Deve também proporcionar um contexto estimulador da atividade mental da criança com sua capacidade de cooperação, sendo esse jogado de acordo com as regras pré-estabelecidas.
Os jogos devem envolver todos os alunos e as limitações que cada um possuí para o aprendizado precisa ser levado em conta na escolha do jogo. Com isso, cabe ao educador o papel de conhecer bem a realidade onde atua e a preparação de aulas com a utilização de jogos, escolhendo técnicas para uma exploração de todo o potencial do jogo. Também deve analisar as metodologias adequadas ao tipo de trabalho que pretende. Ao se trabalhar com o lúdico não se deve esquecer o objetivo principal de ensinar a Física. Utilizado de forma correta, o jogo reforça a aprendizagem e transforma a sala de aula. As aulas passam de desmotivadoras à prazerosas tanto para os professores quanto para os alunos.
Vemos então a importância de se trabalhar e introduzir o lúdico em sala de aula. Visando a educação em nosso presente e buscando com o jogo uma tentativa para melhorá-la. Empenhando papel fundamental para o crescimento do aluno e contribuindo para o processo de ensino-aprendizagem. Com isso, o trabalho tem por objetivo discutir os resultados obtidos através da utilização do lúdico em uma turma de 9º ano de uma escola da rede pública.
## Metodologia
O projeto foi desenvolvido durante o Estágio Supervisionado I, disciplina do curso de Licenciatura em Física, com alunos de uma turma do Ensino Fundamental, na escola Estadual Professor Levindo Lambert em Salinas, Minas Gerais. Inicialmente trabalhamos com os alunos o conteúdo de Termologia, utilizando um texto que destacava os principais conceitos do tema, em seguida, utilizamos uma adaptação da 'Batalha Naval', com perguntas relacionadas ao conteúdo trabalhado, como forma de fixação do conteúdo e de avaliação do conhecimento dos estudantes.
A pesquisa teve uma abordagem qualitativa, que se caracteriza por ser um processo indutivo que tem como foco a fidelidade ao universo de vida cotidiano dos sujeitos, segundo André (1983) ela visa apreender o caráter multidimensional dos fenômenos em sua manifestação natural, bem como captar os diferentes significados de uma experiência vivida, auxiliando a compreensão do indivíduo no seu contexto. Utilizamos os dados coletados através de observações feitas durante a execução do jogo e de uma entrevista realizada com dez alunos. De acordo Simioni, a entrevista possibilita a obtenção de dados referentes aos diversos
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aspectos da vida social; é uma técnica muito eficiente para a coleta de dados em profundidade acerca do comportamento humano; os dados obtidos são suscetíveis de classificação e de quantificação. Essa entrevista foi feita individualmente para que os alunos tivessem mais liberdade para expor a sua opinião.
## Descrição
Trabalhamos com o conteúdo de Termologia na turma, fazendo uso de um texto informativo e destacando os seguintes tópicos:
- ⚫ Mudança de temperatura;
- ⚫ Escalas de temperatura;
- ⚫ Ponto de Fusão e Ebulição;
- ⚫ Dilatação e contração térmica.
Na aula seguinte, levamos o jogo "FÍSICA NAVAL" (Figura 01), com o objetivo de rever os conceitos trabalhados. Elaboramos 30 questões, dentre estas: questões históricas e teóricas, abordando os conceitos estudados pelos alunos até a data de aplicação do jogo. A lista com as 30 questões foi impressa e se manteve sobre a posse do mediador do jogo. Desenhamos figuras representativas, dentro do contexto do jogo 'batalha naval', de barcos e bombas (35 figuras distribuídas pelo tabuleiro, sendo 30 bombas e 5 barquinhos), com isso montamos o tabuleiro que foi realizado no jogo.
Figura 01 : Figura de autoria própria apresentando tabuleiro utilizado durante o jogo.
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## Regras do jogo
- 1. Inicialmente a sala foi organizada, de forma a serem formados quatro grupos de no máximo 10 participantes, isolados uns dos outros.
- 2. O tabuleiro do jogo foi fixado em um determinado ponto da sala possibilitando a visão de todos os grupos.
- 3. Determinamos o momento em que o jogo se encerraria. Com o auxílio de um dado, a equipe que tirou o maior número iniciou o jogo, a partir deste, utilizou-se a equipe que estava posicionada à direita da primeira equipe e assim sucessivamente.
- 4. A primeira equipe escolheu um número e uma letra, o mediador virou o cartão correspondente e verificou a figura que ilustrava: se fosse uma bomba, a
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equipe deveria responder corretamente uma questão para que seu grupo pontuasse, se fosse a figura de um barco, essa equipe ganharia a pontuação sem ter que respondido à questão, dando sequência para que o outro grupo escolhesse.
- 5. Cada equipe teve um minuto para responder corretamente à questão.
- 6. Acertando a questão a equipe pontuava e passava a vez para o outro grupo.
- 7. Quando a equipe da vez não respondia ou errava a resposta, a mesma questão era passada para o outro grupo.
- 8. Terminada a primeira rodada, uma segunda combinação era escolhida pela equipe 2 e o jogo seguiu como o descrito a cima.
- 9. A pontuação das equipes foi marcada no próprio quadro da sala de aula.
- 10. Ganhou o jogo a equipe com maior pontuação após completar o tempo determinado para a execução do jogo.
- 11. A equipe vencedora recebeu um prêmio correspondente ao jogo.
## Discussão e Resultados
Como o jogo foi uma atividade diferenciada, seu caráter lúdico fez com que nosso trabalho, proporcionasse aos estudantes a compreensão do tema estudado aliado a uma atividade divertida e atrativa. Durante a aula, os estudantes afirmaram que o jogo contribuiu bastante para uma melhor compreensão dos conceitos de Física envolvidos, alegando ser uma atividade bem interativa. A maioria dos alunos participaram de modo ativo e responderam às perguntas propostas de maneira eficaz, quando não respondiam corretamente era feita uma discussão, que possibilitava o direcionamento à construção das ideias relacionadas aos conceitos envolvidos, isso nos permitiu concluir que a abordagem foi bastante proveitosa e alcançou os objetivos pretendidos.
Apesar da grande maioria dos estudantes reagirem positivamente diante da proposta de trabalho, mostrando-se curiosos e motivados a participarem da aula, durante o processo de realização da atividade pudemos observar o desinteresse de alguns alunos, pois os mesmos se opuseram a participar. Diante disso, a entrevista surgiu como uma forma de compreender esse desinteresse e buscar meios de superá-lo. A entrevista seguiu um roteiro com as seguintes perguntas:
- ⚫ Qual a sua opinião sobre o jogo 'Física Naval' aplicado na sala de aula?
- ⚫ A que se deve o desinteresse e desmotivação durante as atividades em sala de aula?
- ⚫ Aponte pontos positivos e negativos sobre a utilização do jogo.
A maioria dos alunos apontaram que foi uma forma dinâmica de avaliar o conhecimento, tirando-os da rotina de prova. Porém uma aluna sugeriu que fosse passado exercícios, pois nem todos participam desse tipo de atividade, seja por timidez ou por não saber o conteúdo, mesmo que já tivesse sido explicado.
A aluna B, que não participou do jogo, disse que 'as aulas devem seguir o modo tradicional, pois os estudantes costumam escorar uns nos outros e isso leva
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também a conversas, muitas vezes, desnecessárias. Deste modo, o jogo foi inútil, não tinha motivo eu participar'.
Analisando as respostas dadas pelos alunos sobre o desinteresse, podemos considerar que a principal causa da desmotivação nas aulas deve-se ao caráter que a disciplina possui. A Física tem se caracterizado como uma disciplina difícil, por ter várias fórmulas e teorias, e esta é uma das causas da falta de interesse dos alunos pela disciplina. Mesmo utilizando textos conceituais, os alunos acabam apenas decorado e não sabem aplicá-la à realidade. Antunes (2002 p. 29) reforça que,
[...] os saberes não se acumulam, não constituem um estoque que se agrega à mente, e sim à transformação da integração, da modificação, do estabelecimento de relação e da coordenação entre esquemas de conhecimentos que já possuímos, em novos vínculos e relações a cada nova aprendizagem conquistada.
O ato de decorar capacita o aluno para apenas obter nota, os alunos são adestrados a reproduzir informações sem compreender seu verdadeiro sentido.
## Considerações Finais
A realização dessa atividade de caráter lúdico permitiu a construção e consolidação dos conhecimentos relacionados à Termologia, isso que foi identificado ao observarmos a atuação e o comportamento dos estudantes durante a atividade. Consideramos que o jogo se mostrou bastante produtivo quanto as nossas expectativas, já que percebemos um grande envolvimento dos estudantes com o mesmo, bem como por meio da postura dos mesmos nos debates que surgiram durante a realização do jogo. De acordo com as falas dos estudantes, o jogo foi considerado um bom recurso didático para as aulas de Física, o que nos leva a entender enquanto futuros professores o papel de recursos didáticos alternativos como uma possibilidade de melhoria para o ensino de Física.
Observamos durante a pesquisa que o professor aprovou a utilização do jogo e ainda considerou utilizá-lo como substituição das listas de exercício. Destacamos que um jogo quando bem orientado, oportuniza constatar os erros ou lacunas, favorecendo a tomada de consciência que é necessária para a construção de novas estratégias e auxilia o desenvolvimento de habilidades como: observação, análise, levantamento de hipóteses, busca de suposição, reflexão, tomada de decisão, organização e argumentação, criando assim estratégias para aprender e levando à autonomia.
Podemos destacar também os pontos negativos, que estão relacionados ao desinteresse e desmotivação por parte dos alunos entrevistados; consideramos que não adianta o professor inovar em suas aulas, fazendo uso de metodologias diferenciadas e buscar desenvolver no aluno a autonomia e o senso crítico, se o mesmo não está disposto a aprender.
Portanto, podemos concluir que os jogos educativos, são bons auxiliares no processo de ensino-aprendizagem, se for trabalhado de forma correta e objetiva, e não apenas para diversão.
## Referências Bibliográficas
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ANDRÉ, M. E. D. A. (1983). Texto, contexto e significado: algumas questões na análise de dados qualitativos. Cadernos de Pesquisa, (45): 66-71.
ANTUNES, Celso. Novas maneiras de ensinar, novas formas de aprender. Porto Alegre: Artmet, 2002.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido . 43ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
FRIEDMANN, A. Brincar: crescer e aprender: o resgate do jogo infantil. São Paulo. Moderna, 1996
PIMENTEL, Erizaldo Cavalcante. A Física nos Brinquedos - O brinquedo como recurso institucional no ensino da Terceira Lei de Newton/ UnB, Brasília, 2007.
SIMIONI, Darlei. MASTER . Métodos de coletas de dados. Disponível em: <http://darleisimioni.blogspot.com/2010/09/metodos-de-coleta-de-dados.html>. Acesso em: 15 Jul 2018.
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