ESTUDO QUANTITATIVO DA PRODUÇÃO ACADÊMICO-CIENTÍFICA SOBRE O ENSINO DA FÍSICA DAS RADIAÇÕES IONIZANTES
Igor Machado Nossa, Lucas Galdino Mendes, Leandro Londero
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 30/01/2019
- Linha de pesquisa
- Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ESTUDO QUANTITATIVO DA PRODUÇÃO ACADÊMICO-CIENTÍFICA SOBRE O ENSINO DA FÍSICA DAS RADIAÇÕES IONIZANTES
## Igor Machado Nossa 1 , Lucas Galdino Mendes 2 , Leandro Londero 3
- 1 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', igornossa@gmail.com
- 2 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', lucasgaldiino@hotmail.com
- 3 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho'/Departamento de Educação/Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, leandro.londero@unesp.br
## Resumo
Apresentamos os resultados de um levantamento sobre o ensino da Física das Radiações Ionizantes, com foco nos trabalhos publicados na área de Ensino de Ciências/Ensino de Física, em âmbito nacional. Primeiramente, definimos os descritores que direcionaram as buscas realizadas. Optamos por realizar a revisão em três tipos de publicações: as teses e dissertações defendidas em Programas de Pós-graduação da área de Educação e Educação em Ciências; atas de congressos científicos e periódicos indexados, ambos da área de Educação em Ciências. Procuramos responder o seguinte problema: Qual é a frequência (absoluta e percentual) de estudos sobre o Ensino da Física das Radiações Ionizantes publicados em âmbito nacional? Para tanto, revisamos os periódicos, o banco de teses e dissertações da CAPES e os congressos da área de Educação em Ciências/Ensino de Física, identificamos a frequência de produções por volume, década, região e instância administrativa. O estudo pode ser justificado pela necessidade de conhecermos os trabalhos já realizados para termos acesso aos seus resultados e sugestões para que isso possa ser usado como fundamento para trabalhos futuros. Identificamos um conjunto de 140 produções, distribuídas em 05 revistas, 09 programas de pós-graduação e 03 eventos científicos. A maior quantidade de produções pertencem aos eventos. Baseado nos dados obtidos, apesar do índice de publicações sobre o tema 'Radiações' ser muito baixo nas últimas décadas, verificamos que houve um crescimento no número de trabalhos durante os últimos anos, mostrando que o tema Radiações vem sendo alvo de interesse dos investigadores em educação e professores.
Palavras-chave : Revisão de literatura, Radiações ionizantes, Ensino de Física.
## Introdução
A descoberta da radioatividade ocorreu pouco tempo após a descoberta dos raios-x como Lima, Pimentel e Afonso (2011) apontam:
Os primeiros relatos sobre a radioatividade, devidos a Antoine-Henri Becquerel (1852-1908), foram feitos apenas alguns meses após a divulgação da existência dos raios-x, feita por Wilhem Conrad Roentgen (1845-1923). A população e a mídia podiam perceber de imediato os efeitos desses últimos. Por exemplo, eles permitiam a visão interior do corpo humano por meio das radiografias, causando um impacto maior que a radioatividade, que não podia ser vista pelas pessoas.
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Em virtude do aparecimento do elétron, da radioatividade e dos raios-x, muitos cientistas se dedicaram a estudar esses acontecimentos para serem capazes de interpretá-los. Como a física clássica não conseguia responder as questões que esses eventos suscitavam, uma nova ciência passou a ser construída.
De acordo com Strathern (2000), 'a radioatividade estava conduzindo a ciência para uma nova era. A física clássica acreditava que o universo operava de maneira essencialmente mecânica.'
A partir da descoberta de Roetgen, começaram a surgir mais pessoas que empenhavam-se arduamente na tentativa de compreender esse novo fenômeno. Becquerel, realizou experimentos com um sal duplo de Urânio que acreditava ser um tipo de fluorescência invisível, a qual era capaz de ionizar gases, entretanto possuía um poder de penetração maior que o raio X. De acordo com Strathern (2000), 'o beco sem saída em que Becquerel se viu metido com seus experimentos oferecia um desafio empolgante', que acabou sendo investigado inicialmente por Marie Currie e posteriormente recebendo a companhia de seu marido Pierre.
Com relação ao ensino da Física das Radiações, podemos inferir que ele é pouco explorado no ensino médio. O estudo das radiações segue previsto nos currículos como um dos conteúdos de Física Moderna que deveria ser abordado, pois se trata de um assunto com diferentes aplicações práticas, podendo ser ministrado no contexto de uma abordagem interdisciplinar.
Nessa perspectiva, desenvolvemos esse trabalho com o intuito de realizar um levantamento completo acerca das produções sobre radiações ionizantes em periódicos científicos, atas de congressos e teses e dissertações. Com nosso trabalho, objetivamos realizar uma revisão bibliográfica analisando aspectos quantitativos referentes às produções acadêmicas sobre o ensino da Física das Radiações Ionizantes.
Essa pesquisa se enquadra como 'estado da arte', pois faz um levantamento produções nos periódicos científicos e bibliografia usada em teses e dissertações. Segundo Romanowski e Ens (2006), 'os estudos realizados a partir de uma sistematização de dados, denominada 'estado da arte', recebem esta denominação quando abrangem toda uma área do conhecimento nos diferentes aspectos que geraram produções.'
## Objetivo, problema e questões de estudo
Objetivamos conhecer a frequência de produção acadêmica sobre o Ensino da Física das Radiações Ionizantes, tomando como fonte de informações os periódicos científicos da área de Educação em Ciências/Ensino de Física, as atas de congressos e as teses e dissertações que tratam deste tópico curricular, defendidas em programas de pós-graduação.
Perante isso, procuramos responder o seguinte problema: Qual é a frequência (absoluta e percentual) de estudos sobre o Ensino da Física das Radiações Ionizantes publicados em âmbito nacional?
Várias questões que parecem relevantes permearam este estudo, são elas: Qual a frequência de estudos por tipo de publicação? Qual a frequência de estudos por região geográfica, por estado da federação e, por instância administrativa? Em
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quais instituições e programas de pós-graduação eles foram desenvolvidos? Que periódicos científicos foram utilizados para a divulgação dos estudos?
- O estudo pode ser justificado pela necessidade de conhecermos os trabalhos já realizados para termos acesso aos seus resultados e sugestões para que isso possa ser usado como fundamento para trabalhos futuros, além de mostrar as frequências, os programas de pós-graduação e os períodicos científicos que mais se destacam.
## Desenvolvimento
Primeiramente, definimos os descritores que direcionaram as buscas realizadas. Optamos por realizar a revisão em três tipos de publicações: as teses e dissertações defendidas em Programas de Pós-graduação da área de Educação e Educação em Ciências; atas de congressos científicos e periódicos indexados, ambos da área de Educação em Ciências.
A catalogação das teses e dissertações foi realizada por meio de consulta ao Banco de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). De acordo com as informações presentes no sítio eletrônico da CAPES, o Banco de Teses faz parte do Portal de Periódicos desta agência e constitui-se em uma ferramenta de busca e consulta a resumos de teses e dissertações defendidas em todo o país nos cursos de doutorado e mestrado reconhecidos pela CAPES.
As informações presentes no banco são fornecidas à CAPES pelos programas de pós-graduação, que se responsabilizam pela veracidade dos dados. No banco é possível realizarmos a busca por autor, título e palavras-chave. Em nosso estudo, realizamos a busca por meio das seguintes palavras-chave: Radioatividade, Radiação, Física Nuclear, Decaimento Radioativo, Marie Curie, Becquerel e Usinas de Energia Nuclear.
Após identificarmos as teses e dissertações, passamos para a etapa de localização e acesso ao texto completo destas produções. Para tanto, acessamos o portal do Ministério da Educação denominado 'Domínio Público'. Ele foi lançado em 2004 e é uma biblioteca digital desenvolvida em software livre que permite a coleta de obras científicas, artísticas e literárias, na forma de textos, sons, imagens e vídeos que tenham a sua divulgação autorizada. Quando não foi possível obtermos acesso aos textos completos por meio do portal 'Domino Público', acessamos os sites dos programas nos quais os estudos foram realizados.
As produções identificadas foram registradas em tabelas nas quais registramos o tipo de produção (tese ou dissertação), ano da publicação, nome do autor, título e orientador do estudo e instituição na qual foi desenvolvida.
Na continuidade, mapeamos as produções divulgadas em congressos da área de Educação em Ciências/Ensino de Física e registradas em suas respectivas atas. Utilizamos como critério de seleção, dos congressos a serem revisados, o fato deles serem destinados especificamente para a comunidade de Educadores em Física ou de Educadores em Ciências. Outro aspecto que levamos em consideração é o de possuirmos os anais/atas de todas as edições realizadas.
Assim, optamos por revisar as atas de três congressos que consideramos como os de maior expressão em nossa comunidade nacional, são eles: Simpósio
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Nacional de Ensino de Física - SNEF (I até a XXI edição), Encontro de Pesquisa em Ensino de Física - EPEF (I até a XIV edição) e o Encontro Nacional de Educação em Ciências - ENPEC (I até a IX edição).
Os congressos escolhidos para revisão são bianuais, sendo os dois primeiros promovidos pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) e o último pela Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC). Os dois primeiros são realizados em anos alternados, assim como o primeiro e o último. Foram revisadas todas as edições de cada um deles, as quais tivemos acesso e realizadas até a data da redação desta revisão, ou seja, fevereiro de 2015.
As produções identificadas nesta etapa foram registradas em tabelas nas quais registramos o congresso no qual o trabalho foi apresentado, sua edição e ano de realização, o título do estudo e nome do(s) autor(es).
Tendo concluída a revisão das teses e dissertações e dos trabalhos registrados nas atas dos eventos, iniciamos a revisão dos periódicos nacionais. Optamos por revisar os 15 periódicos com maior relevância para a área de Ensino de Ciências. Assim, os periódicos revisados foram: A Física na Escola; Alexandria Revista de Educação em Ciência e Tecnologia; Caderno Brasileiro de Ensino de Física; Ciências em Foco; Ciência em Tela; Ciência & Educação; Ciência & Ensino; Ensaio - Pesquisa em Educação em Ciências; Experiências em Ensino de Ciências; História da Ciência e Ensino: construindo interfaces; Investigações em Ensino de Ciências; Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia; Revista Brasileira de Ensino de Física; Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências e; Tear: Revista de educação ciência e tecnologia.
Todos os periódicos foram revisados em suas respectivas páginas na internet e, as informações relativas aos volumes, números e anos revisados, quantidade de trabalhos encontrados, títulos e autores foram registradas em tabelas.
## Resultados
Mapeamos um total de 140 produções sobre Ensino das Física das Radiações Ionizantes, os quais foram encontrados em periódicos e eventos selecionados e no banco de teses e dissertações da CAPES. Do total de 140 produções, 7 foram publicados em periódicos científicos, 21 são dissertações e 112 foram identificados nas atas de eventos científicos.
## Frequência de estudos por tipo de publicação
Nesta sessão apresentamos as frequências encontradas por tipo de publicação revisada. Iniciamos com os estudos publicados em periódicos indexados, após apresentaremos os índices de teses e dissertações. Por fim, finalizamos com os quantitativos das atas de congressos.
## Artigos em Periódicos
Mapeamos um total de 07 estudos no que se refere à periódicos científicos. O Quadro 01 apresenta os trabalhos que foram identificados entre os anos de 1990 e 2017 por periódico revisado.
Quadro 01: Trabalhos identificados nos periódicos científicos
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## Teses e Dissertações
Mapeamos um total de 21 dissertações, as quais foram desenvolvidas nas últimas duas décadas. Não identificamos nenhuma tese de doutorado. A Figura 01 mostra a evolução temporal para as dissertações de mestrado.
Figura 01: Evolução temporal para dissertações
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## Atas de Congressos
O mapeamento das atas de congressos foi realizado utlizando-se de 20 edições do SNEF, 16 edições do EPEF e 11 do ENPEC, totalizando 47 edições onde foram encontradas um total de 112 produções, sendo 67 no SNEF, 30 no ENPEC e 15 no EPEF. Foram encontrados trabalhos em 12 edições do SNEF, 09 do ENPEC e 08 edições do EPEF. A Figura 02 mostra a evolução temporal dos trabalhos.
Figura 02: Evolução temporal dos trabalhos identificados
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O SNEF é o evento científico que obteve maior quantidade de trabalhos publicados com o tema em questão. Isso pode ser justificado pelo fato do SNEF ser o
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único, entre os três congressos escolhidos, que aceita relatos de experiências. Além disso, ele é o mais antigo entre os eventos analisados. O primeiro SNEF ocorreu em 1970 e os primeiros trabalhos sobre o ensino da Física das Radiações Ionizantes foram apresentados em sua IX edição (1991). Já no ENPEC o primeiro trabalho sobre o tema foi identificado em sua II edição (1999) e, no EPEF, na V edição (1997), mostrando que houve maior interesse nessa temática partir dos anos 90.
## Frequência de estudos por região geográfica e por estado da federação
As produções identificadas foram classificadas em tabelas contendo os seguintes aspectos: estado e região onde cada uma foi publicada. Afim de termos um aspecto geral, construiu-se a Figura 03 que reuni os dados de todos os tipos de publicações.
Figura 03: Quantidade de publicações por região e estado
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Pela figura podemos observar que as regiões que mais produziram foram a região Sudeste e a região Sul com, respectivamente, 76 e 39 trabalhos produzidos sobre o ensino da física das radiações ionizantes. Com bem menos produções as regiões do Centro-oeste e do Nordeste, produziram até este presente estudo, respectivamente, 13 e 11 trabalhos. Já o Norte possui apenas 1 produção, que é um trabalho publicado em um congresso nacional.
## Frequência de estudos por instituição de ensino e por Programa de Pós-Graduação
Afim de saber por quais Programas de Pós-Graduação foram defendidas as dissertações que identificamos, analisamos cada dissertação e tabulamos seu
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respectivo Programa. O Quadro 02 apresenta os programas e a quantidade de dissertações defendida por cada um deles.
Quadro 02: Quantidade de dissertações por Programa de Pós-Graduação
## Frequência de estudos por instância administrativa
Os estudos encontrados também foram organizados de acordo com a instância administrativa por onde foram realizados.
Quadro 03: Quantidade de trabalhos por instância admnistrativa
A partir do quadro podemos perceber que a maior parte dos trabalhos foram publicados a partir de instâncias federais, em todos os tipos de trabalhos. Em segundo lugar, vem as instâncias estaduais, porém no caso da dissertações as instâncias privadas obtiveram uma maior quantidade de estudos.
## Considerações Finais
Em nosso trabalho, identificamos um conjunto de 140 produções, distribuídas em periódicos, dissertações e trabalhos publicados em eventos científicos. A maior quantidade de produções ocorrem nos eventos, com destaque ao SNEF que detém 67 trabalhos deste total.
Baseado nos dados obtidos, apesar do índice de publicações sobre o tema 'Radiações' ser muito baixo nas últimas décadas, verificamos que houve um crescimento no número de trabalhos durante os últimos anos, mostrando que o tema Radiações vem sendo alvo de interesse dos investigadores em educação e professores.
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Vale ressaltar que muitas vezes na formação do licenciando há poucas disciplinas que abordam essa temática, o que dificulta ainda mais a inserção desse assunto nas aulas de física ou química na escola básica.
## Agradecimentos
Agradecemos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a Pró-reitoria de Pesquisa da Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' (PROPe/UNESP) pelas bolsas de Iniciação Científica concedidas ao primeiro e ao segundo autores, respectivamente.
## Referências
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