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ESTUDO DO TEMA ''INOVAÇÃO EDUCACIONAL" PARA ABORDAGEM DE CONTEÚDOS DE FÍSICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL POR INTERMÉDIO DE UM CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA DOCENTE

Sorandra Corrêa De Lima, Roberto Nardi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
O Ensino De Física Na Educação Infantil E No Ensino Fundamental
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ESTUDO DO TEMA 'INOVAÇÃO EDUCACIONAL' PARA ABORDAGEM DE CONTEÚDOS DE FÍSICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL POR INTERMÉDIO DE UM CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA DOCENTE

## Sorandra Corrêa de Lima 1 , Roberto Nardi 2

1 Universidade Federal de Uberlândia/Instituto de Física/ sorandra@ufu.br 2 Universidade Estadual Paulista. UNESP. Faculdade de Ciências. Departamento de Educação. Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciencias. Programa de Pós-graduação em Educação para a Ciência/robanardi@gmail.com

## Resumo

Esta comunicação é um corte de uma pesquisa de doutorado sobre o tema da Inovação Educacional, Ensino de Física nos anos iniciais e educação continuada. A pesquisa foi realizada em uma escola pública, por meio de parceria com a universidade, que se dispôs a assessorar docentes dos anos iniciais do ensino fundamental, atuando no primeiro e segundo ciclos, em questões relacionadas ao ensino de Ciências, particularmente de Física. O presente artigo, trata de primeira etapa da pesquisa, a qual houve a necessidade de definir o que entendemos por inovação educacional e como esse tema está presente em trabalhos recentes envolvendo a formação de professores na área de ensino de Ciências. A pesquisa permitiu o acesso a dados significativos que poderíamos readaptarmos e utilizarmos à nossa pesquisa, como por exemplo: torna-se pertinente aprofundar aspectos tendo em vista a formação epistemológica dos professores bem como aspectos relativos à concepção de aprendizagem; a associação dos termos mudança e inovação no seu sentido epistemológico da Ciência, o estabelecimento de relações entre visões dos professores com as estratégias consideradas inovadoras em sala de aula e o uso de determinadas metodologias e recursos inovadores em propostas de formação (continuada) docente, que favoreçam a autonomia docente; a necessidade de mudança de mentalidade docente, para que o mesmo, possa aderir e incorporar as inovações proposta à sua prática e currículo escolar.

Palavras-chave : Inovação Educacional; Formação Continuada; Ensino de Física nos anos iniciais; Ensino de Ciências

## O termo 'Inovação Educacional'

É sabido que tudo o que geralmente se deseja romper com a tradição e a rotina para obter resultados positivos/ sucesso, seja em um projeto ou em um curso, temos a liberdade de utilizar termos, como: inovação, mudança e reforma, sem se preocupar realmente com a origem e o significado dessas palavras. (QUADROS, 2013). Nesse sentido, desenvolvemos uma pesquisa de doutorado relacionada ao tema da Inovação Educacional, Ensino de Física nos anos iniciais e educação continuada. A pesquisa foi realizada em uma escola pública, por meio de parceria com a universidade, que se dispôs a assessorar docentes dos anos iniciais do ensino fundamental, atuando no primeiro e segundo ciclos, em questões relacionadas ao ensino de Ciências, particularmente de Física. O presente artigo, trata de primeira etapa da pesquisa, a qual houve a necessidade de definir o que entendemos por inovação educacional e como esse tema está presente em trabalhos recentes envolvendo a formação de professores na área de ensino de Ciências.

Torna-se importante diferençarmos inovação de mudança, ajuste ou melhora, e inovação de reforma, já que nem toda mudança ou reforma é necessariamente uma inovação.

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Para Cardoso (1992), inovação é uma mudança deliberada e intencional com a finalidade de melhorar o sistema educativo, não tem sentido unidimensional e se caracteriza mais como um processo do que como um produto acabado Assim, a . inovação relaciona-se com intencionalidade, originalidade, novidade e racionalidade.

Para Marcelo García (2009), a mudança refere-se à passagem de uma situação ou posição para outra, onde não é necessário inventar algo, basta adotar, por exemplo, outras práticas. Já inovação é sinônimo de invenção planejada ou intervenção deliberada. Uma inovação deve, portanto, durar, alcançar certo nível de utilização e adotar uma forma parecida a que se propunha quando foi projetada. Nesse sentido, segundo Alencar (1996), são diversos os fatores que contribuem para a configuração de um processo inovador, implicando além das ideias criativas dos indivíduos, motivação para efetivar as ideias, conhecimento e recursos materiais.

Assim, inovação 'possui o caráter intencional, sistemático e planejado, em oposição às mudanças espontâneas' (MESSINA, 2001, p. 226). E, 'Toda inovação tem a pretensão de suscitar mudanças, pois esse é seu fim último' (FARIAS, 2006, p. 55).

De acordo com Blanco e Messina (2000), um dos principais problemas em relação à inovação é a falta de um marco teórico suficientemente desenvolvido, que permita identificar o que é e o que não é inovador no âmbito educativo. Nesse sentido, as autoras realizaram um estudo tipo 'estado da arte' das Inovações Educativas na América Latina e no Caribe, a partir do qual propuseram alguns critérios que podem caracterizar uma experiência inovadora, diferenciando-a de uma simples mudança, ajuste ou melhora do sistema educativo.

Os critérios listados por Blanco e Messina (2000), tentam evidenciar traços comuns entre os diferentes autores quanto à caracterização de uma inovação educacional. E de acordo com as autoras, os critérios estão estritamente relacionados entre si e o conjunto de todos pode definir uma inovação educativa. São eles:

- a) inovação supõe transformação e mudança qualitativa significativa, não simplesmente melhora ou ajuste do sistema vigente; b) uma inovação não é necessariamente uma invenção, mas sim algo novo que propicia um avanço no sistema para a sua plenitude, uma nova ordem ou sistema; c) a inovação implica uma intencionalidade ou intervenção deliberada e em consequência tem de ser planejada; d) a inovação não é um fim em si mesma, mas um meio para melhorar os fins da educação; e) a inovação implica uma aceitação e apropriação da mudança por aqueles que têm de realiza-la; f) a inovação implica uma mudança de concepção e de prática; g) a inovação é um processo aberto e inconcluso que implica a reflexão a partir da prática (FERNANDES, 2015, p. 315).

Agora, em relação à diferenciação dos termos inovação e reforma, entendemos que o último esteja relacionado à magnitude e extensão, ou seja, a uma mudança em grande escala em um sistema educativo. Enquanto que, a inovação situa-se no nível mais real e limitado das escolas e das salas de aula (KÜLLER, 2010). Fernandes (2015) explica que 'as reformas estão relacionadas às transformações de legislações ou de objetivos de ensino e não em mudanças pontuais de sala de aula, como, por exemplo, das estratégias de ensino e aprendizagem' (p. 146).

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O próximo item, evidencia parte de uma Revisão bibliográfica maior que foi feita na pesquisa de doutorado mencionada no início deste artigo.

## 2. Produções acadêmicas em Inovação Educacional na área de Ensino de Ciências

Tratamos de pesquisas com o objetivo de identificação do conceito de inovação na literatura, nos principais periódicos da área de Ensino de Ciências, por meio de periódicos e sites de credibilidade comprovada por instituições acadêmica: Ciência & Educação, Revista Brasileira de Ensino de Física (Online), Investigações em Ensino de Ciências (Online); Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências (Online) ; Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências.

A metodologia de análise consistiu primeiramente na seleção de artigos pela seguinte palavra-chave: Inovação educacional. Em seguida, pela leitura na íntegra das pesquisas para contextualizarmos os objetivos da pesquisa, principais considerações para abordar o tema Inovação. Limitamos nossa pesquisa à produção nacional e aos volumes disponíveis on line no portal da Capes ou das revistas.

## 2.1 O que dizem as pesquisas que tratam a inovação educacional na área de ensino de ciências?

Apresentamos o Quadro 1, com as pesquisas encontradas nos periódicos mencionados no ítem anterior.

Quadro 1 - Principais características (objetivos, metodologias/estratégias utilizadas) das experiências realizadas e seus principais resultados.

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- O estudo de Figueirêdo e Justi (2011) nos concebe como principal contribuição, seu papel como um referencial teórico-prático estruturador de futuras propostas de formação (continuada) docente. Os autores consideram que a pesquisa-ação propiciou pontos positivos quanto à inovação no ensino e autonomia dos docentes:

[...]

os docentes puderam conhecer uma nova estratégia de ensino e reconhecer tanto a validade dessa proposta em seus contextos de sala de

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aula quanto seu potencial pessoal para elaborar e desenvolver inovações no ensino - o que, como evidenciado pelos relatos dos professores, favoreceu uma formação para a autonomia (FIGUEIRÊDO; JUSTI, 2011, p. 19).

E por falar em sentido epistemológico, Cachapuz, Praia e Jorge (2004) abordam a importância da construção e formação epistemológica da Educação em Ciências.

Massoni e Moreira (2014) associaram os termos mudança e inovação no seu sentido epistemológico da Ciência e estabeleceu relações entre essas visões dos professores com as estratégias consideradas inovadoras em sala de aula, a qual os autores definem por ser diferente ou nova. Para auxiliar na análise, foram construídas quatro categorias buscando agrupar as diferentes estratégias adotadas pelos professores: a) Estratégia inovadora, quando se destacou das demais utilizadas pelo docente, por ser diferente ou nova; b) Estratégia diversificada, quando o professor fez uso de diferentes táticas em uma mesma aula. Por exemplo: aula teórica ou resolução de exercícios com discussões abertas, ou acompanhadas de pequenas demonstrações etc.; c) Estratégia tradicional, quando foi a tipicamente tradicional, baseada em aula expositiva e/ou resolução de exercícios conduzida pelo professor, ou aplicação de avaliações escritas; e, d) Aula suspensa, para englobar horas-aula envolvendo outras atividades da escola que não aulas de Física, paralisações, suspensão de aula por falta de professor etc. (MASSONI; MOREIRA 2014, p. 604).

Tenreiro-Vieira e Vieira (2005), enfatizam que a formação de professores deve ser considerada fundamentalmente por duas razões: '1) o currículo enunciado exige mudança de mentalidades e, como tal, importa que haja adesão por parte destes; e 2) os próprios professores reconhecem que não sabem como integrar a orientação CTS no ensino das ciências (TENREIRO-VIEIRA; VIEIRA, 2005, p. 2).

Finalizamos com as considerações da pesquisa de Leal e Mortimer (2008):

Do seu ponto de partida acadêmico-epistemológico-pedagógico, a inovação ganha volume ao envolver diferentes demandas dos alunos e também aspectos estruturais, administrativos e operacionais, relacionados à disponibilidade de tempos e materiais, à estrutura das salas de aula, ao tamanho das turmas etc. Nesse sentido, um professor afirma: ' não dá para aplicar na escola, já que as turmas são grandes e não há laboratório e material para a realização de experimentos'. Por outro lado, a falta de acesso à prática da pesquisa educacional e a seus resultados, a congressos e a grupos de discussão e estudos sobre a prática educativa e os seus fundamentos, vem limitar as possibilidades da apropriação do discurso inovador realizada pelos professores do Ensino Médio (p. 228, grifo do autor)

A seguir, com base nesse tópico do levantamento bibliográfico, elaboramos alguns direcionamentos para nossa pesquisa de doutorado ao tratar do tema inovação educacional.

## Considerações finais

Esta etapa inicial do estudo ajudou-nos a refletir como o tema 'Inovação Educacional', vem sendo discutido em pesquisas na área de Ensino de Ciências. Percebemos que torna-se pertinente aprofundar aspectos tendo em vista a formação epistemológica dos professores bem como aspectos relativos à concepção de

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aprendizagem; a associação dos termos mudança e inovação no seu sentido epistemológico da Ciência, o estabelecimento de relações entre visões dos professores com as estratégias consideradas inovadoras em sala de aula e o uso de determinadas metodologias e recursos inovadores em propostas de formação (continuada) docente, que favoreçam a autonomia docente; a necessidade de mudança de mentalidade docente, para que o mesmo, possa aderir e incorporar as inovações proposta à sua prática e currículo escolar.

Nesse sentido, nos auxiliou em possíveis direcionamentos listados a seguir, para compreensão e diferenciação do tema, e o principal, na elaboração e desenvolvimento de uma proposta de um curso de formação continuada sobre o ensino de física: a) diferenciar os conceitos inovação, mudança e reforma; b) estabelecer critérios de caracterização de uma inovação educacional; c) caracterizar os tipos de inovação educacional, d) associar o tema Inovação ao campo de pesquisa Ensino de Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental. e) diagnosticar as principais dificuldades e expectativas dos professores de ciências em relação ao ensino de ciências nesse nível de ensino; f) averiguar as concepções dos docentes sobre ensino, aprendizagem e Ciência; g) revisitar o ensino do professor, contemplando referenciais e a produção acadêmica de pesquisas na área; h) planejar e acompanhar com o professor de Ciências, possíveis inovações no planejamento e ações de suas aulas de Ciências.

## Referências

ALENCAR, E. M. L. S. A gerência da criatividade : abrindo as janelas para a criatividade pessoal e nas organizações. São Paulo: Makron Books, 1996.

BLANCO, G. R.; MESSINA. G. R. Estado del arte sobre las innovaciones educativas en América Latina . Santafé de Bogotá: Convênio Andrés Bello, 2000.

CACHAPUZ, A. PRAIA, J.; JORGE, M. Da educação em ciências às orientações para o ensino das ciências: um repensar epistemológico. Ciência & Educação , Bauru, v. 10, n. 3, p. 363-381, 2004.

CARDOSO, A. P. As atitudes dos professores e a inovação pedagógica. Revista Portuguesa de Pedagogia , Coimbra, ano 26, n. 1, p. 85-99, 1992.

FARIAS, I. M. S. Inovação, mudanças e cultura docente . Brasília, DF: Liber Livro, 2006.

FERNANDES, R. C. A. Inovações pedagógicas no ensino de ciências dos anos iniciais : um estudo a partir de pesquisas acadêmicas brasileiras (1972-2012). 2015. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, 2015.

FIGUEIRÊDO, K. L.; JUSTI, R. Uma proposta de formação continuada de professores de ciências buscando inovação, autonomia e colaboração a partir de referenciais integrados. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , Belo Horizonte, v. 11, p. 169-190, 2011.

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