PROFESSOR DE FÍSICA: COMO ESCOLHE E USA O LIVRO DIDÁTICO
Nicole Cardoso Bilésimo, Ivani Teresinha Lawall
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 29/01/2019
- Linha de pesquisa
- Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PROFESSOR DE FÍSICA: COMO ESCOLHE E USA O LIVRO DIDÁTICO
## Nicole Cardoso Bilésimo 1 , Ivani Teresinha Lawall 2
1 UDESC/CCT/DFIS/GEPEFT/Bolsista PROBIC: ncbilesimo@gmail.com 2 UDESC/CCT/DEFIS PPGECMT GEPEFT: ivani.lawall@udesc.br
## Resumo
Este trabalho tem por objetivo investigar o perfil profissional de um grupo de docentes da disciplina de Física, estabelecendo-se um comparativo entre os procedimentos de escolha e uso do Livro Didático adotados pelos professores que basearam sua escolha no edital de 2015 e aqueles que empregaram o edital de 2017. Foi realizado um levantamento de natureza qualitativa, encaminhando-se questionários a professores de Ciências do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de Física, Química, Matemática e Biologia, na região norte do estado de Santa Catarina. Para isto, os questionários continham perguntas abertas e fechadas, aspectos referentes ao seu perfil profissional e sobre os critérios adotados na escolha e uso de recursos didáticos. Os resultados mostraram que a maioria dos professores do primeiro grupo, que utilizaram o edital de 2015, estão na terceira fase de desenvolvimento profissional, conforme a classificação proposta por Huberman (2000). Já para os professores do segundo grupo, correspondente ao edital de 2017, os docentes encontram-se majoritariamente na primeira fase. Não foram constatadas diferenças significativas com relação ao uso de recursos didáticos comparando-se as respostas dos dois grupos, mas no que concerne à escolha do LD, houve algumas divergências, que podem estar associadas com a diferença de comportamento adotadas por professores que se enquadram em fases distintas de desenvolvimento profissional.
Palavras-chave : Livro Didático. Física. Edital PNLD. Desenvolvimento profissional.
## Introdução
O Livro Didático (LD) é um elemento pensado e elaborado para servir como mais um dos materiais de apoio ao trabalho do docente. Mesmo em uma época de grandes avanços tecnológicos, o LD segue amplamente utilizado por professores e alunos, sendo o único material com presença garantida pelo Estado dentro das salas de aula. Nesse sentido, destacam-se as ações do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que são parte de uma política educativa ampla que desde a década de 1990 propõe orientações para o ensino (PCN e outros documentos) e avalia resultados de aprendizagem (SAEB, PISA e outros). Os LDs guardam correspondência com essas ações, uma vez que são avaliados a partir de indicadores nacionais que incluem aspectos relativos à cidadania, aos conteúdos e aos métodos de ensino.
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Entretanto, não raro o LD cumpre o papel de substituto do professor, dada a proposição tentadora de um livro que traz tudo pronto em detalhes, bastando ao professor solicitar ao aluno que abra a página e resolva exercícios. Para Morais e Albuquerque (2005), o LD vem atuando no sentido de regimentar a atividade do professor, uma vez que regulamenta a sequência dos conteúdos que serão ensinados, os exercícios a serem feitos e a forma de correção destes. Desta forma, os conteúdos e metodologias adotados pelo professor ficam restritos àqueles constantes no livro utilizado.
É indispensável que os professores tenham participação no processo de escolha dos LDs a serem utilizados nas escolas, uma vez que são eles os encarregados de colocar em prática novas metodologias. Tendo isso em mente, fazse necessário compreender como ocorre o processo de escolha das coleções didáticas nas instituições de ensino, bem como conhecer aspectos referentes ao perfil profissional e à formação de docentes. Segundo Tardif (2002), o desenvolvimento do saber profissional guarda estreita relação tanto com suas fontes e lugares de aquisição quanto aos seus momentos e fases de construção.
Este estudo tem por objetivo investigar o perfil de professores da disciplina de Física e comparar procedimentos da escolha e uso do LD adotados por dois grupos de professores: aqueles que escolheram os LDs a partir do edital de 2015 e aqueles que fizeram a escolha a partir do edital de 2017. Para isso, foram encaminhados questionários aos professores, contendo questões abertas e de múltipla escolha acerca do perfil profissional e das formas de escolha e uso de recursos didáticos utilizados em sala de aula, mantendo o foco no LD.
## Aportes Teóricos
O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) é responsável por intermediar a seleção e a distribuição de livros didáticos (LDs) nas escolas, nos níveis Fundamental e Médio. Nas escolas, o processo de escolha das coleções didáticas normalmente ocorre de modo democrático, a partir da reunião de docentes e tendo como referência o guia do livro didático. Os professores ficam encarregados de escolher a coleção didática a ser utilizada na escola em que atuam, devendo haver consenso entre os docentes de um mesmo ano ou série sobre a obra eleita.
Há dois meios de se efetivar a escolha do LD: pela internet, em aplicativo específico na página do FNDE 1 , ou pelo formulário impresso remetido pelos correios. No caso da segunda hipótese, o FNDE envia um formulário às escolas cadastradas no censo escolar, que deve ser corretamente preenchido para que a opção seja processada. É indispensável a escolha de dois títulos, obrigatoriamente de editoras diferentes, um em primeira opção e outro em segunda opção. Tal mecanismo tem a função de preservar a escolha do docente caso o título em primeira opção não venha a ser negociado pelo FNDE.
Espera-se que os professores assumam a importante tarefa de participar ativamente do processo de escolha do LD, pois são eles que implantarão novos conteúdos e metodologias em sala de aula. Nesse sentido, faz-se necessário
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analisar também o desenvolvimento profissional dos docentes. De acordo com Tardif (2002), a consolidação do saber profissional está associada não só às suas fontes e lugares de aquisição, mas também aos seus momentos e fases de construção. Outros autores (Hubermann, 2000; Fuller & Bown, 1975; Kagan, 1992) dividem o desenvolvimento profissional dos professores em fases, que podem ser definidas como mudanças que ocorrem ao longo do tempo, em aspectos que determinam o comportamento, o conhecimento, as imagens, as crenças ou as percepções dos professores.
Huberman (2000) utiliza como base para explicar o ciclo profissional dos professores o tempo de serviço. Estas fases representam estágios de desenvolvimento dentro da profissão, e encontram-se detalhadas abaixo:
- · FASE 1 - Entrada na carreira (de 1 a 3 anos de profissão) - Na fase inicial da carreira, o professor encontra-se mais preocupado com o controle da sala de aula e com o domínio da disciplina do que com questões referentes ao ensino e aprendizagem. Esta fase é marcada pelo choque de realidade, quando o professor percebe as diferenças entre as convicções acumuladas durante seu estágio de formação acadêmica e as situações com as quais se depara na prática.
- · FASE 2 - Estabilização (de 4 a 6 anos de profissão) - O docente que se encontra nesta fase da carreira está mais focado com questões relacionadas à autoafirmação e à construção de uma identidade profissional própria em meio aos colegas mais experientes. O professor sente-se mais seguro em sala de aula e experimenta maior autonomia, o que caracteriza esta fase como estágio de estabilização.
- · FASE 3 - Diversificação e Experimentação (de 7 a 25 anos de profissão) - A terceira fase da carreira de professor é a fase na qual, após estabelecer-se no meio, o docente passa a sentir a necessidade de experimentar novos materiais didáticos, metodologias de ensino e avaliação e modos diferentes de trabalhar e se relacionar com os alunos. Esta fase da formação profissional é a qual os professores sentem-se mais motivados na busca por novos desafios.
- · FASE 4 - Serenidade e distanciamento afetivo (de 25 a 35 anos de profissão) - Nesta fase, acontece um distanciamento entre professor e alunos. O docente passa a buscar por uma situação mais estável, atuando em sala de aula muitas vezes de forma monótona, sem as inovações da fase anterior. Os profissionais nesta fase podem também aderir a atitudes conservadoras, mostrando-se resistentes às mudanças.
- · FASE 5 - Preparação para a aposentadoria (de 35 a 40 anos de profissão) Ao final da carreira, o professor comumente prefere dedicar-se a projetos pessoais, distanciando-se das questões escolares.
Assim, o desenvolvimento de uma carreira é um processo e não uma sucessão de acontecimentos isolados. As fases não são regras, podendo ocorrer ou não, e mesmo ocorrendo, a sequência não será a mesma para todos, visto que cada sujeito atua num diferente meio profissional e provém de diversas criações tanto pessoais quanto profissionais (Huberman, 2000). As questões de sala de aula, os problemas que lhes são apresentados, fazem parte de seu processo de construção pessoal e determinam o professor que se tornou.
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## Metodologia
Foi realizado um levantamento de natureza qualitativa, encaminhando-se questionários a professores de Ciências do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de Física, Química, Matemática e Biologia, nos modos impresso e digital, na região norte do estado de Santa Catarina. O material enviado continha questões abertas e de múltipla escolha, com perguntas referentes ao perfil, uso de materiais didáticos no preparo e no momento da aula, e aspectos priorizados na escolha dos LDs. A opção por aplicar-se questionários justifica-se pela necessidade de se obter informações variadas de um grande número de participantes.
Em um primeiro encaminhamento a escolas próximas da IES, ocorrido no segundo semestre de 2014, obteve-se doze respostas. Em um segundo envio já em 2015, desta vez a professores da rede municipal em um curso de formação continuada, somaram-se quatorze respostas. Em um terceiro encaminhamento, ainda em 2015, a professores da rede estadual da região, tiveram onze questionários respondidos. Naquele mesmo ano, ocorreu mais um envio, a professores de Física da 2ª GERED, obtendo-se mais seis respostas. Aqui, os questionários respondidos somente pelos professores de Física totalizam dezenove respostas.
Em 2017, os questionários foram enviados a um grupo de professores da área de Ciências em um curso de formação continuada, havendo mais oito respostas, apenas de professores de Física. As respostas foram selecionadas conforme os aspectos da análise de conteúdo proposta por Bardin (2007). Os mesmos são relevantes para identificar como funciona a escolha do LD e o que o profissional prioriza ao escolher este material, como ele é utilizado em sala de aula e quais são os recursos didáticos mais importantes e mais utilizados por ele, dentro das fases de desenvolvimento profissional proposta por Hubermann.
A seleção das respostas, fundamentada na análise de conteúdo, resultou na criação de duas categorias: uma dedicada a compreender como acontece o i) uso de recursos didáticos, e outra voltada a analisar os ii) processos de escolha do LD pelos professores nas escolas.
Para a análise das respostas dos questionários, nos centraremos nos professores da componente curricular Física. Inseriram-se algumas considerações feitas pelos próprios professores nas questões abertas, entretanto a identidade dos profissionais está sendo apresentada por professor A e professor B, omitindo nomes.
## Apresentação da Discussão dos Resultados
A seguir, faz-se uma análise comparativa das respostas, dividindo-as em referentes ao edital de 2015 e ao edital 2017. Na primeira parte descreve-se o perfil dos professores e na segundo parte a análise em relação ao LD, entre elas, as formas de uso dos recursos didáticos, e os critérios de escolha dos LDs.
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## Perfil dos Professores
Na sequência, descreve-se o perfil dos professores de Física, em relação à fase de atuação, carga horária e grau de formação, traçando-se um paralelo entre as respostas obtidas em relação ao edital 2015 e ao edital 2017. Para a seleção dos profissionais em fases de desenvolvimento profissional, utilizou-se como referência o estudo de Hubermann (2000).
As respostas obtidas por meio dos questionários permitiram classificar os professores de acordo com suas fases de atuação. Entre os professores que fizeram a escolha do LD baseando-se no edital de 2015, três estão na primeira fase, três estão na segunda fase, doze estão na terceira fase e um está na quarta fase, totalizando dezenove respostas. Já para o edital de 2017, há três professores na primeira fase, dois na segunda fase, e dois na terceira fase, conforme o ciclo de desenvolvimento profissional de Huberman. Um professor não informou seu tempo de atuação.
Estes resultados indicam que a maioria dos professores que efetuaram a escolha do LD utilizando o edital de 2015 encontram-se na terceira fase, e por isso apresentam maior segurança em suas escolhas, estando abertos a experimentarem novos materiais e metodologias. Para aqueles que utilizaram o edital de 2017, a maioria está ainda na primeira fase, na qual os professores estão buscando adaptarse à realidade da sala de aula e ao desempenho da profissão.
Em relação a formação continuada como cursos de pós-graduação, os professores que responderam o questionário utilizando o edital de 2015, há dez graduados, cinco pós-graduados a nível especialização e quatro mestres, totalizando dezenove respostas. Entre os resultados baseados na escolha do edital de 2017, há quatro graduados, um especialista e três mestres.
## Análise em relação ao livro didático
Nesta parte do texto, serão estudadas as formas e critérios seguidos pelos docentes em relação ao uso e escolha dos materiais didáticos, relacionando-os com as fases de desenvolvimento profissional. Apresentaremos os resultados, dividindo as respostas em duas categorias: uso de recursos didáticos e escolha do LD.
## I. Uso de recursos didáticos
Na análise das respostas dos professores que utilizaram o edital de 2015 a justificativa dos professores é que o livro didático é utilizado frequentemente pelos professores no preparo de aulas, provas e demais avaliações, e pelos alunos em atividades complementares, leituras, bem como no acompanhamento das aulas. Os professores também relataram que utilizam com frequência, além do livro, recursos como vídeos, internet, visitas e laboratório.
Entre os professores que escolheram o LD de acordo com edital de 2017, cinco afirmam que utilizam frequentemente ou sempre o LD adotado pela escola
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durante as suas aulas. Vídeos e Internet também são usados com relativa frequência, enquanto que o laboratório utilizado às vezes ou frequentemente por quatro deles. Quanto ao livro didático, os professores indicaram que o utilizam frequentemente na preparação de suas aulas e do planejamento anual, considerando-o como material de apoio. Os livros são utilizados pelos alunos para resolverem exercícios e, às vezes, para leitura de textos, ou como material para estudarem para as avaliações e realizarem outros exercícios avaliativos.
Aqui, percebe-se a partir da análise das respostas que não há diferença significativa nos recursos didáticos utilizados pelos professores, comparando as respostas dos dois grupos (edital de 2015 e edital de 2017), mesmo que os docentes se encontram em fases diferentes de desenvolvimento. Também não houve divergência destacável nas formas do uso do LD pelos professores e alunos. Considerando o tempo de serviço dos professores temos também a questão na mudança da legislação sobre a formação. Os professores do grupo 1 estavam na fase da diversificação e experimentação, os do grupo 2 em sua maioria estão nas duas primeiras fases do Huberman, uma conjectura para resultados semelhantes na escolha pode ser que existe indícios de que os documentos legais sobre formação de professores tiveram mudança na formação docente, provocando provavelmente mudanças no desenvolvimento dos professores.
## II. Escolha do LD
Entre as razões apresentadas para a escolha do LD para os professores que utilizaram o edital de 2015, estão a presença de textos históricos, situações cotidianas, atividades experimentais seguras e de baixo custo e exemplificações claras. Um motivo apontado como excludente no processo de escolha do LD foi a apresentação de uma abordagem predominantemente matemática, acompanhada de pouca contextualização. Parte considerável dos profissionais relatou que são influenciados pela avaliação presente no Guia do Livro Didático. Alguns também afirmam que levam em conta a opinião de colegas.
A Professora A., que está na primeira fase, descreve que prefere as coleções que trazem atividades diferenciadas. Apesar de esta não ser uma atitude comum para um professor da primeira fase, é preciso considerar as mudanças curriculares ocorridas nos cursos de licenciatura nos últimos anos, nos quais a abordagem sobre as metodologias inovadoras que um professor pode utilizar em sala têm ganhado maior ênfase. Segundo a Professora A.:
Professora A: 'As coleções chegaram na escola no final do ano letivo de 2014. A direção liberou 90min para que os professores pudessem analisar as coleções e optar por três opções. Escolhi a coleção praticamente sozinha dando prioridade para a coleção que trazia textos históricos, atividades experimentais, exemplos e exercícios. O guia do livro didático chegou após que a coleção já havia sido escolhida'.
O professor B., que está na terceira fase de desenvolvimento profissional, respondeu que prefere abordagens inovadoras no momento da seleção do LD, conforme segue:
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Professor B: 'A forma diferenciada que trata os conteúdos da disciplina. Desde a sequência dos conteúdos, não seguindo a clássica mecânica no primeiro ano, termo no segundo e eletro no terceiro. até a abordagem bem mais contextualizada e diversificada dos habituais livros didáticos de física'.
Nos resultados obtidos para o edital de 2017, os professores que descreveram o processo de escolha do LD alegaram que o mesmo ocorreu de forma democrática, no qual as coleções eram selecionadas por voto da maioria. A maioria deles indicou que opta por determinada coleção didática por já conhecê-la ou por indicação de colegas. É importante lembrar que a maioria dos professores que responderam ao questionário no período posterior a 2017 encontram-se na primeira fase de desenvolvimento profissional, e por isso possuem menor segurança em suas decisões.
Quanto às razões que levariam ao descarte de uma coleção, apareceram matematização excessiva, foco no vestibular, sequência didática muito diferente da tradicional, pouca contextualização, textos longos e de difícil compreensão.
Aqui, apareceu certa discordância nas respostas. Os professores que empregaram o edital de 2015, e que estão majoritariamente na terceira fase, levavam em consideração as ideias de colegas, a avaliação presente no Guia do LD e suas impressões pessoais no momento da escolha do livro a ser utilizado. Já as respostas dos professores que realizaram a escolha do LD por meio do edital de 2017 e que estão, em sua maioria, na primeira fase, apontam que os docentes preferem basear-se simplesmente na opinião de colegas aos selecionarem uma obra didática, ou optam por coleções já conhecidas.
Para o primeiro caso, no qual os professores estão predominantemente na terceira fase de desenvolvimento profissional, há maior liberdade e convicção nas escolhas por parte do profissional, que já possui certa experiência de atuação em sala de aula. Já no segundo caso, o mesmo não foi observado devido à menor autoconfiança dos profissionais, que se encontravam preponderantemente nas fases iniciais de desenvolvimento profissional.
## Considerações Finais
Este estudo teve por objetivo investigar o perfil de professores da disciplina de Física e as relações de escolha e uso de recursos didáticos, destacando-se o LD. Foi estabelecido um comparativo entre as respostas obtidas por questionários em relação ao edital de 2015 e ao edital de 2017. Observando-se o perfil, os professores do primeiro grupo estavam, em sua maioria, na terceira fase de desenvolvimento profissional, já os profissionais do segundo grupo encontravam-se majoritariamente na primeira fase.
Infere-se a partir das respostas que os professores que participaram do edital de 2015 consideram mais fatores para a escolha do LD, tais como a avaliação que consta no Guia do Livro Didático, opinião de terceiros e análises próprias. Já os profissionais que participaram do edital de 2017 têm uma maior tendência de optar por uma determinada coleção didática em função de conhecê-la ou por indicação de colegas. Uma explicação razoável é o fato de que os professores que responderam
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ao questionário mais recentemente estão, em grande parte, nas primeiras fases de atuação, e por isso têm menor experiência e segurança em suas escolhas.
Em relação aos demais aspectos, as respostas mantiveram-se semelhantes. Não foram observadas diferenças significativas com relação ao uso de recursos em sala de aula, bem como quanto ao uso de recursos em si. As respostas divergem mais quando se faz um panorama entre as fases de atuação. Foi constatado que profissionais que estão na mesma fase de desenvolvimento profissional tendem a apresentar respostas semelhantes.
Uma análise que poderia ser feita é referente se os documentos oficiais de formação de professor tem gerado mudanças na formação de novos professores e nas fases de desenvolvimento. Este estudo poderá prosseguir futuramente, comparando-se as respostas à medida que novos editais são lançados. Contudo, há a necessidade de encontrar formas de estimular a participação e o retorno dos professores, uma vez que o número de respostas obtidas ainda é baixo, se comparado ao número de questionários enviados.
## Bibliografia
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TARDIF, M.; Saberes docentes e formação profissional. 2. Editora Vozes. Petrópolis, RJ. 2002.
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