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Princípio da Equivalência no Ensino Médio: Um relato de experiência didática baseada na Teoria da Aprendizagem Significativa

João Henrique Moreira Santos, Marco Antônio Silva Trindade, Roberto Dos Santos Menezes Júnior, Dielson Pereira Hohenfeld

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
29/01/2019
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O PRINCÍPIO DA EQUIVALÊNCIA NO ENSINO MÉDIO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA BASEADA NA TEORIA DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

João Henrique Moreira Santos 1 , Roberto dos Santos Menezes Júnior 2 , Marco Antônio Silva Trindade³, Dielson Pereira Hohenfeld 4

- 1
- Universidade do Estado da Bahia-UNEB / Colégio N.S. da Conceição, jherms123@hotmail.com 2 Instituto Federal da Bahia/Departamento de Física/IFBA, rsmjr1003@gmail.com
- ³Universidade do Estado da Bahia - UNEB / Departamento de Ciências Exatas e da Terra-Campus I/ Colegiado de Física, matrindade@uneb.br
- 4 Instituto Federal da Bahia/Departamento de Física/IFBA, dielson.dph@gmail.com

## Resumo

O presente trabalho relata uma experiência didática em Física, realizada no Instituto Federal da Bahia (IFBA), em Salvador. A metodologia utilizada foi a aplicação de um estudo dirigido com tirinhas sobre tópicos da Teoria da Relatividade Geral (TRG) baseada na Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel. Tal estudo dirigido é fruto de um produto educacional criado dentro do Mestrado Profissional em Ensino de Física (MNPEF) Polo 60: UNEB - Universidade do Estado da Bahia e parte da necessidade dos professores de abordarem conteúdos de Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio. A linha de pesquisa desse programa para o Ensino Médio propõe a atualização do currículo de Física no que diz respeito ao domínio de conteúdos da disciplina e de técnicas atuais de ensino para aplicação em sala de aula. Em particular, abordaremos no presente relato o tópico Princípio da Equivalência de Albert Einstein, além das características de um estudo dirigido; e, por fim, discutiremos os resultados da aplicação desta estratégia de ensino. Ao final da sequência didática, foi realizado um teste para demonstração de possíveis indícios de aprendizagem significativa.

Palavras-chave : Princípio da Equivalência, Aprendizagem Significativa, Relato de Experiência, Ensino Médio.

## Introdução

Há um consenso na comunidade de pesquisadores em Ensino de Física sobre a importância de incluir conceitos básicos da Física Moderna e Contemporânea (FMC) para os alunos. Para Pinto e Zanetic (1999), é preciso transformar o ensino de Física tradicionalmente oferecido por nossas escolas - que avança, no máximo, até o início do século XX - em uma prática que contemple o desenvolvimento tecnológico da Física Moderna. Nessa perspectiva, muitas são as justificativas a favor da atualização curricular com abordagem de tópicos da FMC (Ostermann; Moreira, 2000), o que já é sustentado pelos documentos oficiais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). A partir dessa e de outras inquietações, foi proposto e aplicado um estudo dirigido sobre a TRG, dada a necessidade da inserção da FMC na Educação Básica. Tal estudo originou-se dentro do MNPEFUNEB e sua estratégia de ensino, segundo Libâneo (1994), proporciona:

- · Desenvolver habilidades e hábitos de trabalho de forma independente e criativa;

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- · Possibilitar ao professor a observação de cada aluno em suas dificuldades e progressos, bem como a verificação da eficácia do seu próprio trabalho na condução do ensino.
- · Possibilitar a cada aluno, individualmente, resolver problemas, vencer dificuldades e desenvolver métodos próprios de aprendizagem; dentre outras.
- O presente relato de experiência se fundamenta no que Einstein chamou de 'O Pensamento mais feliz da minha vida' e todo o raciocínio se baseou no Princípio de Equivalência (PE). Mostraremos como os alunos de uma turma do Ensino Médio compreenderam este pensamento a partir de algumas situações-problema sobre tal temática. Partimos, inicialmente, da ideia newtoniana de gravidade para a ideia einsteiniana do PE: as medidas realizadas em um laboratório em queda livre são equivalentes àquelas realizadas sem gravidade. ''Também pela noção oposta: um laboratório no espaço distante de astros, acelerado por foguetes, era equivalente a outro em repouso em um campo gravitacional .' (WILL,1996, p.28, grifo nosso).

## Descrição do Trabalho

A teoria educacional que fundamenta o presente trabalho é a teoria cognitivista de David Ausubel, chamada de Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS). Segundo tal autor (Ausubel,1980, p.34),

A essência do processo de aprendizagem significativa é que ideias simbolicamente expressas sejam relacionadas de maneira substantiva (não literal) e não arbitrária ao que o aprendiz já sabe, ou seja, a algum aspecto de sua estrutura cognitiva especificamente relevante para a aprendizagem dessas ideias. Este aspecto especificamente relevante pode ser, por exemplo, uma imagem, um símbolo, um conceito, uma proposição, já significativo.

A construção do estudo dirigido se deu a partir da análise das suas duas principais funções: a primeira é de consolidação dos conhecimentos por meio de uma combinação da explicação do professor com exercícios. A segunda é a busca da solução dos problemas por meio de questões que os alunos possam resolver criativamente e de forma independente (LIBÂNEO,1994).

A sequência didática foi colocada em prática em uma turma de terceira série do Ensino Médio durante a última unidade escolar do ano letivo de 2017, em quatro aulas. Entretanto descreveremos apenas duas delas. A turma foi escolhida devido ao fato de os alunos já terem visto a maioria dos conteúdos de Física necessários para a compreensão da TRG.

## Aula 1: Leis de Newton, Força peso e Força normal

Na primeira aula, mapeamos os conhecimentos prévios dos alunos, os quais Ausubel chamara de subsunçores:

...nesse processo a nova informação interage com uma estrutura de conhecimento específica, a qual Ausubel define como conceitos subsunçores ou, simplesmente, subsunçores ( subsumers ), existentes na estrutura cognitiva do indivíduo. A aprendizagem significativa ocorre quando a nova informação ancora-se em conceitos relevantes preexistentes na estrutura cognitiva de quem aprende (MOREIRA e MASINI, 2006, p.17).

Verificamos tais conhecimentos através da criação de tirinhas, nas quais foi apresentado um personagem chamado Betinho que guia todo o estudo dirigido.

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Nesse material constam os seguintes assuntos: Leis de Newton, Força peso e Força normal.

Duas perguntas faziam parte do contexto: Se Betinho estiver sobre uma balança calibrada para medir força em newtons, em um elevador parado, qual valor ela registrará? Esse valor será maior, igual ou menor que o peso do garoto?

Por unanimidade os alunos responderam que o valor marcado seria igual ao valor do peso. Segue abaixo a figura da tirinha e sua respectiva resposta, após discussões com os alunos:

Figura 01: Situação-problema e sua respectiva resposta

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Resultado da aula: A maioria dos alunos identificaram as leis de Newton no cotidiano a partir de exemplos nos slides. Muitos conceberam a dependência da Força Peso com o campo gravitacional e, em primeiro momento, perceberam que a marcação da balança reflete o valor da Força Normal. Ao final desta aula, o estudo dirigido foi entregue para que os alunos lessem e respondessem algumas questões sobre o tema da Aula 1

## Aula 2: O princípio da Equivalência (PE)

Nesta aula, os alunos foram dispostos em grupos para a leitura e correção das situações-problema do estudo dirigido. A formação dos grupos teve como propósito que os membros fizessem juntos algumas tarefas, discutindo as suas respostas.

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Figura 02: Imagens das Questões 02 e 03 do Estudo Dirigido

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A Questão 02 do estudo dirigido, presente na primeira parte da Figura 02, aborda uma situação parecida com a da Aula 1: um garoto sobre uma balança e as seguintes perguntas:

- a) Quantas forças agem no Betinho quando ele sobe na balança?
- b) Qual a causa de cada força exercida sobre Betinho?

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- c) Qual a indicação da balança, em N?
- d) Para você, Betinho se sente: (i) mais pesado, (ii) mais leve ou (iii) com peso normal? Justifique.

Na Questão 02, os alunos deram respostas parecidas e corretas, visto que o mapeamento dos conhecimentos prévios, feito na primeira aula, mostrou que eles realmente sabiam responder esse tipo de questão. O nosso enfoque será na questão 03, presente na segunda parte da Figura 02. É uma situação nova para os alunos, já que o estudo da situação-problema não é feito aqui na Terra, e sim bem longe de qualquer corpo celeste; local onde o valor do campo gravitacional pode ser considerado aproximadamente nulo. Este foi o momento de verificarmos alguns conceitos básicos da Teoria da Aprendizagem Significativa presentes no estudo dirigido. Seguem as perguntas da Questão 03:

- a) Durante o movimento ascendente, qual o valor da Força resultante sobre o Betinho?
- b) Qual ou quais força(s) age(m) em Betinho?
- c) Determine o valor da(s) força(s) que atua(m) no garoto.
- d) Qual o valor do Peso de Betinho dentro do elevador-foguete?
- e) Qual a indicação da balança em N? Compare esse valor com a sua resposta da questão 02, letra c.
- f) Analisando a resposta do quesito anterior, o garoto se sentirá: (i) mais pesado, (ii) mais leve ou (iii) com peso normal? Justifique.

Trazemos aqui exemplos de respostas e justificativas de três alunos que são interessantes para o entendimento de como foi discutido o tema durante a aula:

Quadro 01: Algumas respostas dos alunos para a Questão 03

Conforme as respostas, principalmente dos alunos A1 e A2, percebemos que há um indício de uma relação entre o conhecimento prévio e o novo material. Esse tipo de aprendizagem, no qual o conteúdo a ser aprendido é 'descoberto' pelo aluno, é chamado, dentro da Teoria da Aprendizagem Significativa, de Aprendizagem por Descoberta. Porém não basta apresentar o conteúdo ao aluno, mas fazer com que a nova informação ou conteúdo se incorpore de forma não

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arbitrária à estrutura cognitiva do aprendiz (MOREIRA e MASINI, 2006.p.23). Iremos fazer tal averiguação em um teste.

Após ouvirmos todas as respostas e terminarmos a Questão 03, apresentamos o Texto 1, 'O PRINCÍPIO DA EQUIVALÊNCIA', e posteriormente os alunos fizeram sua leitura. Este texto possui as características de um organizador prévio comparativo, que é um recurso instrucional preparado quando o novo material é relativamente familiar e ajuda o aluno a integrar novos conhecimentos ao mesmo tempo em que os discrimina de outros conhecimentos já existentes em sua estrutura cognitiva (MOREIRA,2011).

Resumo do texto1: É apresentada aos alunos a outra situação do PE, que consiste em um rapaz dentro de um elevador em queda livre ter a mesma sensação que um astronauta flutuando no espaço. As duas situações são indistinguíveis. Seguem abaixo as imagens presentes no texto:

Figura 03: Imagens presentes no Texto 1: O princípio da Equivalência

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Após a leitura do Texto, os alunos responderam a questão 06 do estudo dirigido, na qual o personagem está dentro de um elevador em queda.

Figura 04: Imagem da Questão 06

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Quadro 04: Questão 06 do Estudo Dirigido

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Algumas respostas interessantes de dois alunos:

## Quadro 05: Algumas Respostas dos alunos para a Questão 06

*Após a resposta do aluno A1, o professor foi ao quadro e respondeu a questão apresentando o valor da força normal como sendo nulo.

Segundo Moreira (2011), a avaliação da aprendizagem significativa é feita mediante a compreensão, captação de significados, capacidade de transferência do conhecimento a situações não conhecidas, não rotineiras. Nessa perspectiva, elaboramos no teste duas questões, a VI e a VIII, com o intuito de avaliar indícios de: aprendizagem por subordinação correlativa e eficácia do organizador prévio (Texto 1) para uma possível aprendizagem por subordinação derivativa.

A aprendizagem é chamada correlativa se o material aprendido for uma extensão, elaboração, modificação ou qualificação de conceitos ou proposições anteriormente adquiridas, ou seja, a nova ideia alarga o significado de algo mais amplo que estava na estrutura cognitiva do aprendiz. (MOREIRA e MASINI, 2006.p.28). Já a aprendizagem por subordinação derivativa se dá quando o material aprendido é entendido como um exemplo específico de conceitos, corroborando e reforçando algum subsunçor.

A seguir, temos o número de respostas obtidas dos alunos agrupadas de acordo com a identificação do Princípio da Equivalência (PE).

Tabela 01: Identificação das respostas dadas na Questão VIII discursiva

Pode-se observar que 9 alunos conseguiram fazer a correlação do princípio da equivalência em situações de movimento circular, ou seja, a aceleração centrípeta fazendo o papel de uma gravidade artificial. Apenas 4 alunos responderam que o propósito da rotação é que a nave tenha uma aceleração, mas não fizeram referência ao principal papel desta aceleração, e, por último, 11 alunos não conseguiram identificar o PE na questão, e dentre estes, 5 deixaram a questão em branco. Na questão VIII, a aceleração centrípeta é um caso particular de aceleração aplicada a movimentos circulares. Provavelmente a subsunção é

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correlativa: o que antes se aplicava a movimentos retilíneos (elevador-foguete no espaço) agora se aplica também a movimentos curvilíneos (estações espaciais em rotação).

Algumas respostas dos alunos sobre a questão VIII da tabela 02 estão apresentadas abaixo e trazem em destaque as principais relações estabelecidas com a identificação ou não do PE:

- A1: Para manter a 'gravidade '.
- da
- A2: Essa rotação constante é efetuada no intuito de recriar a gravidade Terra.
- A3: Formar gravidade através da aceleração criada pela rotação.
- A4: A rotação tem o propósito de formar uma força radial...serve para fazer uma simulação da gravidade por força centrípeta.
- A5: O propósito é ganhar aceleração .
- A6: Ganhar uma aceleração radial própria de movimentos circulares.
- A7: Já que não há presença de nenhuma força gravitacional , ela passeia aleatoriamente.
- A eficácia do Texto 1, usado como organizador prévio comparativo, e as respostas da Questão 06 do estudo dirigido nos darão um norte para validarmos possíveis indícios de aprendizagem por subsunção derivativa. Abaixo temos a figura da questão VI do teste e, posteriormente, uma tabela com as identificações dos alunos.

Figura 03: Questão VI da avaliação

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Tabela 02: Identificação das respostas dadas na Questão VI

Através de uma análise dos dados, percebe-se que a grande maioria dos estudantes conseguiu estabelecer relações corretas sobre as principais situações do Princípio da Equivalência. Apenas 2 alunos fizeram a relação (1) com (5) e (2) com (8) respondendo de maneira equivocada a questão.

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## Considerações Finais

Acreditamos que o presente relato de experiência possibilite que os professores do Ensino Médio concebam o ensino da TRG como factível na educação básica. Tal metodologia do estudo dirigido trouxe motivação e grandiosas discussões para os alunos, que, a partir daí, levantaram questionamentos sobre, por exemplo, o filme 'Interestelar', buracos negros, ondas gravitacionais, deformação do espaço-tempo e outros temas. Do ponto de vista da teoria da aprendizagem que fundamentou o presente trabalho, vimos que as ideias de David Ausubel se encaixaram em cada etapa da sequência didática e promoveram indícios de aprendizagem significativa.

## Referências

AUSUBEL, D. P.; NOVAK, J. D.; HANESIAN, H. Psicologia Educacional . 2 ed. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980.

LIBÂNEO, J. C. Didática . 22ª ed. São Paulo: Cortez, 1994

MOREIRA, M. A e MASINI, E. F. S. Aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel . 2. ed. São Paulo: Centauro, 2006

MOREIRA, M.A. Aprendizagem Significativa: a teoria e textos complementares . 1. ed., São Paulo: LF Editorial, 2011

OSTERMANN, F., MOREIRA, M. A. Uma revisão bibliográfica sobre a área de pesquisa 'Física Moderna E Contemporânea No Ensino Médio'. Porto Alegre, Investigações em Ensino de Ciências, v.5, p. 23-48, 2000

PINTO, A. C.; ZANETIC, J. É possível levar a física quântica para o ensino médio? Caderno Catarinense de Ensino de Física, Florianópolis, v. 16, n. 1, p. 7-34, abr. 1999.

WILL, Clifford M. Einstein Estava Certo?. Trad. de Mary Grace Fighiera Perpétuo - Brasília: Editora UnB, 1996

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.