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RADIAÇÃO NOS ALIMENTOS: UMA PROPOSTA PARA TRABALHAR A RADIOATIVIDADE NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Silvana Nascimento, Diana Almeida, Eider Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Abordagem Ctsa E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## RADIAÇÃO NOS ALIMENTOS: UMA PROPOSTA PARA TRABALHAR A RADIOATIVIDADE NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Silvana Nascimento 1 , Diana Almeida , Eider Souza 2 3

## Resumo

O presente trabalho objetivou apresentar a análise de uma proposta de minicurso voltada para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) pautada na perspectiva CTSA. O estudo parte do desejo de contribuir na formação desse público, que na sua maioria é constituído de alunos com demandas específicas e diferenciadas, objetivando uma formação de cidadão críticos e participativos. O minicurso foi intitulado por 'Radiação nos alimentos'. Utilizamos a metodologia dos três momentos pedagógicos, partindo da problematização do acidente radiológico de Goiânia, em 1987. Na sequência, apresentamos alguns dilemas relacionados ao conteúdo conceitual da Radioatividade, com o intuito de perceber se os alunos são capazes de compreender algumas questões relacionadas à radiação nos alimentos, bem como entender como essa questão está presente em seu cotidiano. Além de apresentar a proposta do minicurso, apresentamos uma análise dos dados obtidos por meio de um questionário pré e pós aplicação do curso. Os dados desse questionário foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo temática de Bardin. De forma geral, os alunos se mostraram informados em relação à radiação relacionadas aos equipamentos tecnológicos, mas desconhecedores da radiação nos alimentos. Após o minicurso, foi unânime o interesse dos alunos sobre a temática, principalmente quanto ao alimento 'leite em Pó', possuir radiação.

Palavras-chave : Ciência-Tecnologia-Sociedade-Ambiente, Três Momentos Pedagógicos, Educação de Jovens e Adultos, Radiação.

## Introdução

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional do Brasil, a LDB, nos diz que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) será destinada 'àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos nos ensinos fundamental e médio na idade própria e constituirá instrumento para a educação e a aprendizagem ao longo da vida' (BRASIL, 1996, art.37). As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica nos alerta que para se trabalhar na EJA é necessário ter em mente as especificidades deste público, em sua maioria jovens e adultos trabalhadores, além de que o ensino deve se pautar na flexibilidade curricular, 'de modo a permitir percursos individualizados e conteúdos significativos' (BRASIL, 2013, p.73).

A resolução nº 3/2010, que institui as diretrizes Operacionais para a EJA, afirma que as instituições superiores formadoras de professores deverão estabelecer "políticas e ações específicas para a formação inicial e continuada de professores de Educação Básica de jovens e adultos, bem como para professores

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do ensino regular que atuam com adolescentes, cujas idades extrapolam a relação idade-série" (BRASIL, 2013, p.371-2).

Entendendo que a educação básica deve transcender o espaço e o tempo escolar e se concretizar nas relações, além de ser indispensável para todo indivíduo exercer o pleno exercício da cidadania e ter acesso aos direitos assegurados pela Constituição Federal, esse trabalho buscou analisar o minicurso ministrado na EJA, pautado na perspectiva Ciência, Tecnologia, Sociedade e Meio Ambiente (CTS), sobre 'Radiação nos Alimentos'. O minicurso é fruto de uma intervenção didática elaborada durante o estágio supervisionado do curso Licenciatura em Física da UFRB, que no âmbito maior, objetivava que seus licenciandos contribuísse na formação crítica e reflexiva dos estudantes da EJA, que na sua maioria é constituído de alunos com demandas específicas e diferenciadas.

## Metodologia

Para atingir o objetivo proposto, planejamos e aplicamos o minicurso sobre a radiação nos alimentos para uma turma da EJA na cidade de Amargosa/BA. O minicurso foi montado para ser aplicado em dois encontros de 2h/aulas ou intensivo com duração de 3h, priorizando de maneira contextualizada a história da radiação.

A construção da proposta do minicurso seguiu algumas etapas: 1 . Estudo e discussão da fundamentação teórica; 2. Observação da sala de aula em que seria aplicado o minicurso; 3 . Escolha do tema e seleção dos conteúdos a serem trabalhados; 4 . Construção e reconstrução da proposta; 5. Apresentação e reapresentações da proposta ao professor da disciplina de estágio; 6 . Apresentação da proposta ao professor efetivo da escola da turma da EJA; 7. Aplicação do minicurso.

A metodologia do minicurso foi baseada na metodologia de ensino dos Três Momentos Pedagógicos (3MP ) de Delizoicov e Angotti (1990), que foram originalmente propostos como desdobramento da educação problematizadora de Paulo Freire. O instrumento utilizado para analisar o minicurso proposto foi um questionário de sondagem (pré e pós). E os dados de coleta desse instrumento foram analisados através da técnica de análise de conteúdo temática de Bardin (2007).

## CTSA e a Radiação dos alimentos

Segundo Conrado e El-Hani (2010), a perspectiva CTSA visa uma formação cidadã que possibilita o indivíduo se tornar cidadão ativo, crítico, reflexivo, responsável e solidário, quanto aos assuntos que envolvam conhecimentos científicos e tecnológicos que predominem na sociedade e no ambiente.

A educação para a cidadania tem como responsabilidade formar cidadãos para participar das decisões políticas, capacitando a população para agir coletivamente, a partir de um acesso igualitário e autêntico aos conhecimentos básicos para compreender e atuar sobre os problemas sociais (ZACAN, 2010 apud CONRADO; EL-HANI, 2010, p. 02).

Assim, uma proposta educacional CTSA prioriza uma participação mais ativa, colocando os problemas sociais como ponto de partida e chegada, rompendo com o modelo tradicional de ensinar, uma vez que é voltada para a reconstrução social. Possibilita ainda se trabalhe a ciência na educação, no viés da tecnologia e

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suas implicações na sociedade e no ambiente, podendo proporcionar um ensino voltado para a cidadania, ao problematizar as implicações das ciências na perspectiva tecnológica, ambiental e social (QUINATO, 2013).

A fim de atender a essas demandas, pensamos em um minicurso sobre a radiação nos alimentos, onde o ensino partisse da problematização contextualizada das discussões sobre a história da radiação. Paralelamente, buscou-se a realização de uma reflexão crítica voltada para a formação de cidadãos críticos, capazes de inferir sobre questões relacionadas à radiação dos alimentos mais comuns na região.

A escolha da temática se justifica pelo fato da radiação estar presente no cotidiano e, apesar disso, ainda não ser um assunto de domínio público. Deste modo, o tema radiação nos alimentos se adequa nessa proposta, pois além de ser pouco trabalhado, é urgente a necessidade da inserção de tópicos Física Moderna e Contemporânea (FMC) aos estudantes secundarista, já que a discussão sobre esse conteúdo poderá proporcionar aos estudantes da EJA uma formação cidadã (OSTERMANN; MOREIRA, 2000).

Definimos que o conteúdo conceitual seria a radioatividade , já que todos nós estamos expostos a uma taxa de radiação ao longo da vida, mas que nem sempre associamos a radiação às implicações tecnológicas ao nosso entorno e nem muito menos ao uso de materiais radioativos. Assim, se formos capazes de compreender sobre essa temática, conseguiremos dialogar com diferentes problemas da sociedade, bem como questões relacionadas a essas problemática e tomar decisões visando o bem comum (CONRADO; EL-HANI, 2010).

## Elaboração do minicurso

Antes de apresentar a análise da aplicação do minicurso, faz-se necessário apresentar, sucintamente, como ocorreu cada um dos momentos da minicurso. Desta forma, seguindo a metodologia dos 3MPs, o curso foi dividido em: problematização inicial, organização do conhecimento e aplicação do conhecimento.

O minicurso teve início com a aplicação de um questionário diagnóstico com 6 perguntas sobre radiação, conforme o quadro 1 , cuja intencionalidade parte do desejo de termos elementos para comparar os conhecimentos prévios antes e posterior a aplicação do minicurso.

Quadro 01: Questões utilizadas no teste diagnóstico

Fonte: produção dos autores

No primeiro momento, chamado de problematização inicial, apresentamos a manchete da época do acidente com radiação em Goiânia ' Césio-137: A menina

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que brilhava no escuro ' 1 , seguindo do vídeo ' O acidente de Goiânia ' 2 , e da discussão das duas primeiras questões do questionário, enfatizando o diálogo destas discussões com situações aproximadas da realidade do estudante, finalizando com uma apresentação intitulado por ' Onde está presente a radiação na natureza? Nessa apresentação, abordamos como a radiação está presente na natureza e mostramos que nem todo tipo de radiação é necessariamente prejudicial à saúde, uma vez que a radiação danosa ao ser humano depende do tipo e da quantidade a que se é exposto.

Para ilustrar as diferentes fontes de radiação foi discutido o elemento urânio , com ênfase nas reservas naturais no Brasil, com destaque para a reserva localizada na cidade de Caetité-Ba. Na sequência, apresentamos a utilização e aplicação da radiação em diversas atividades, tais como: produção de energia, aplicações na agricultura, na medicina, indústria e outros. Assim, objetivamos apresentar extensões do conhecimento conceitual, enfatizando que a radiação está presente no cotidiano, seja em fontes naturais (Sol, rochas, minerais e etc.) ou artificiais (principalmente de procedimentos médicos).

No segundo momento, apresentamos os conteúdos conceituais científicos da física moderna e contemporânea que julgamos necessários para a compreensão da temática, como: radiação, radioatividade, raio X, radiação ionizante e nãoionizante, processo de irradiação. Após a sistematização dos conceitos foi feita uma abordagem com ênfase na história da radiação com ênfase nos estudos pioneiros da radioatividade, com destaque em Marie Curie (1867-1934), Pierre Curie (18591906), Henri Becquerel(1852-1908) e Roentgen (1845-1923), apresentando seus estudos com as propriedades do polônio, rádio e urânio, e do Raio X; também mostramos a visita de Marie Curie e sua filha Irene ao Brasil, em 1926; e finalizamos com os grandes acidentes radioativos acontecidos no mundo: Chernobyl ocorrido em abril de 1986, Fukushima em março de 2011 e o acidente de Goiânia em setembro de 1987.

Destacamos que a proposta do minicurso seguiu também abordar os conteúdos de aprendizagem na linha de Zabala (1998), ou seja, enfatizando o conceitual , que trata dos fatos, conceitos e princípios; mas também enfatizamos os procedimentais e os atitudinais , objetivando valores e atitudes nos estudantes.

- O acidente de Goiânia foi retomado com outras manchetes da época despertando a atenção dos alunos , tais como ' Goiânia ficou exposta à radiação por 16 dias ' 3 , ' Césio em ferro velho espalha radioatividade em Goiânia ' 4 , ' Goiânia 'pior acidente do mundo '' 5 (grifo do autor) e por meio de fotografias da época em contraste com fotografias atuais dos locais do acidente e de alguns dos

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sobreviventes da tragédia, discutindo assim o processo de tratamento, descontaminação e as consequências do acidente que persistem até os dias presentes. Nas fotografias, destacamos o registro da descontaminação do local e das pessoas e como todo o processo se complicou pela desinformação da população e a repercussão na mídia, como relata Cruz:

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Após Goiânia, um clima de 'The Day After' tem acompanhado sua população. Os meios de comunicação noticiam, constantemente, boletins médicos, descoberta de novos focos de radiação, depósito de lixo atômico etc. Sobretudo o que transparece é a perplexidade, o pânico e a desinformação. Pelas ruas as pessoas perguntam se a radiação é um vírus, se ela reproduz, ou se é contagiosa, o que é contaminação, o que é lixo atômico etc (CRUZ, 1987, p. 184)

Após a organização do conhecimento conceitual, via abordagem contextualizada da história e no viés da perspectiva CTSA, destacando algumas de suas implicações na sociedade e no meio ambiente, iniciou-se o terceiro momento pedagógico do minicurso (aplicação do conhecimento), tratando da radiação natural presente em alimentos como, banana, leite em pó, carne, castanha do Pará, e etc. Abordando a legislação para irradiação de alimentos no Brasil, seja para desinfecção ou atraso na maturação ou brotamento e outros. Abordando sistematicamente o conhecimento que foram sendo trabalhados nos outros dois momentos, analisando e interpretando as questões e situações iniciais, e estendendo para outras que foram explicitadas pelos conhecimentos estudados.

Por fim, finalizamos o minicurso com a reaplicação do questionário de diagnóstico inicial, que será analisado na sequência.

## Análise e discussão dos resultados

A escolha do tema teve uma importância histórica, uma vez que fazia 30 anos da ocorrência do acidente de Goiânia. A escolha da manchete e do vídeo para a problematização inicial perpassou por um resgate histórico e provocar inquietação com outros acidentes sobre a radiação que ocorreu no mundo. Ao abordar os principais acidentes com radiação no decorrer da história é retomando a problematização inicial com o acidente de Goiânia, levando mais especificamente para a abordagem CTSA. Reiteramos que se faz necessidade ter conhecimentos científicos para utilização correta das tecnologias, de modo que não se cause problemas na sociedade e nem para o meio ambiente.

- O acidente radiológico foi consequência de diversos fatores, iniciando pelo descarte incorreto dos resíduos radioativos, esbarrando na falta de conhecimentos científicos da população e agravando ainda mais o problema. Apesar de se ter passado mais de três décadas do acidente, ainda é um tema atual e boa parte da população não possui informações sobre as implicações da radiação no ambiente e na sociedade, desconhecendo os riscos do descarte incorreto do lixo radioativo, por exemplo. Assim, com esse exemplo, exemplificamos como a perspectiva ambiental foi abordar por meio do descarte correto do lixo radioativo.

Nessa perspectiva, foi enfatizada como foi descartado os resíduos contaminados do acidente de Goiânia, tendo em vista que se os resíduos tivessem o descarte correto, provavelmente, não teria acontecido o acidente e generalizamos para os descartes dos resíduos em geral. Enfatizando contemplar a aprendizagem dos conteúdos conceitual, procedimental e atitudinal.

Quanto às questões sobre a radiação nos alimentos, apresentamos alguns alimentos que possuem em sua composição natural isótopos radioativos, emitindo assim radiação ionizante. Fazendo o contraponto com a regulamentação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para a utilização de produtos radioativos.

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Ao tratarmos da aplicação da radiação para a conservação dos alimentos, abordando as vantagens e desvantagens. Apresentamos uma pesquisa sobre a radiação no leite em pó que tem em sua composição isótopos radioativos de potássio e césio-137, sendo este último o mesmo que causou o acidente em Goiânia.

Ao responderem sobre ' Radiação é algo novo no meio-ambiente? Por quê? ' (Questão 1), dos 16 alunos presentes ao final da minicurso, 02 (dois) não souberam responder e 14 (quatorze) alunos responderam que não e a maioria justificou o motivo. Dentre as respostas, temos informações tais como as apresentadas pelos alunos A3 e A6: 'Não, porque já existe há muito tempo ' e ' Não, essa radiação vem de muitos anos atrás '. Podemos, assim, perceber que de alguma maneira eles inferem que não é algo recente na natureza.

Apresentamos no gráfico 1, mais especificamente à esquerda do gráfico, as respostas dos sujeitos quanto à questão 2 , onde os números de 1-16 representam cada um dos alunos A1 a A16 e as letras: a , b, c, d , e e correspondem a cada uma das alternativas das questões. Já na parte mais à direita do gráfico 1, apresentamos uma categorização das respostas dos estudantes quanto à questão 3 .

Gráfico 1 : Exposição e presença da radiaçãoFonte: produção dos autores

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Analisando o gráfico 1 à esquerda , percebemos que apenas os alunos A2 e A7 marcaram todas as alternativas da questão 2, como sendo alternativas que podem nos deixar expostas à radiação; que 25 % dos alunos (A3, A4, A5 e A6) responderam que todas as alternativas podem conter exposição à radiação, mas não acham que aja exposição quanto a alternativa 'Dormir com alguém'; Na sua maioria, percebemos quanto à alternativa da letra c 'Dormir com alguém', temos que mais de 80% da turma não considera que possa ser possível ficar exposto à radiação dessa maneira.; e o apenas o aluno A1 que se absteve.

Associamos e categorizamos as alternativas ' tomar leite em pó ', com frequência de 10 vezes e ' comer banana ', com frequência de 11 vezes, à categoria de Alimentos ; e 'tirar radiografias', 12 vezes e 'fazer radioterapia', 8 vezes, associamos à Aparelhos Tecnológicos . Percebemos, assim, que os alunos, quando responderam à questão 2, informam mais significativamente à presença da radiação, nos alimentos e em procedimentos médicos.

Destacamos no gráfico 1 à direita , as palavras que categorizamos como sendo referentes às categorias citadas pelos alunos ao responderem à questão 3: Alimentos (A), Máquinas/Aparelhos Tecnológicos (T), Outros (O) e Natureza (N). Tivemos uma frequência de 32 vezes para palavras que as categorizamos como se referindo à categoria Alimentos ; 16 palavras para se referindo à categoria Aparelhos Tecnológicos , 5 palavras se referindo à categoria Natureza e 5 se referindo à categoria outros . Podemos perceber a maior ocorrência das palavras relacionadas a alimentos sendo o dobro das relacionadas à tecnologia.

Para uma melhor visualização das respostas da questão 3 , apresentamos no quadro 2 o esquema de como foi realizado a categorização das palavras esquematizadas numericamente no gráfico 1 à esquerda:

Quadro 02: palavras citadas pelos sujeitos na questão 3.

Fonte: produção dos autores

Destacamos que todos a turma respondeu a questão ' Onde está presente a radiação?' ( Questão 3) . Isso nos indica que, nesta questão, o minicurso causou algum efeito positivo, apesar que conforme apresentamos na análise da questão 2, nesta questão eles conseguiram explicitar, aplicar o conhecimento da temática em outras formas. Dentre as diversas respostas explicitadas pelos alunos,

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apresentamos algumas dos alunos A1, A3, A5, A6 e A16, respectivamente: ' A radiação está presente no raio X, no celular, no Sol, etc .'; ' Em tudo, cadeira, mesa, celular e etc .'; ' Está presente na terra, nos alimentos e outros aparelhos, etc .'; ' Em algum alimento como, carne, banana, celular e máquinas de radiografia '; e ' Em aparelhos celulares, computadores, televisores, máquinas de tirar radiografias, etc .'

Quanto à questão 'Por que alimentos contêm radiação?' (Questão 4) , os alunos apontaram para fatores referentes à meio-ambiente, produção, conservação, composição, e também apontaram para fatores devido à exposição pela radiação. Tais afirmações podem ser visualizadas nas respostas dos alunos A1, A5, A8 e A15: ' Esses alimentos possuem radiação pelo modo que esses alimentos são produzidos '; ' Depende, uns contém para durar mais tempo '; ' Porque contêm potássio (potássio 40, 40K) '; ' Porque ficaram expostos a radiação ou possuem, etc .'

Quanto à questão ' Uma pessoa que sofreu danos por radiação pode contaminar outras pessoas?' (Questão 5) , toda a turma respondeu unanimemente que SIM, mostrando assim mais um indicativo diferente da análise da questão 1. Podemos comprovar esta afirmação analisando as respostas de alguns alunos A1, A5, A11 e A16: ' Pode contaminar sim, se tiver contato com a pele ou até pelo fato de conversar ou dormir '; 'Sim. Depende do nível de contaminação'; ' Sim, tem que passar por vários tratamentos em algum tempo até passar o período ; e ' Se a pessoa que foi contaminada tiver feito o tratamento, não corre risco de contaminar outras '.

Quanto à questão, 'Qualquer nível de radiação faz mal à saúde?' todos os alunos afirmam que depende do nível de radiação, como podemos notar nas respostas dos alunos A2, A6 e A7 : 'Não! Há uma quantidade que podemos ter no corpo.' 'Não, só se estiver com um nível alto.' e 'Não, porque a radiação dos alimentos naturais podem fazer bem a saúde.'. Enfim podemos perceber que os alunos conseguiram associar a contaminação com o nível de radiação.

## Considerações finais

Considerando a análise apresentada do questionário pós minicurso, acreditamos que os alunos conseguiram de alguma forma responder às questões de modo satisfatório, apresentado argumentos que foram trabalhados durante o minicurso. A proposta de minicurso de apenas 3h foi suficiente para contemplar os 3MPs da proposta. Acreditamos que a continuidade do debate da temática por mais um encontro, resultaria em formação mais eficaz, embora tenhamos apresentamos e discutimos, pós término da aplicação do questionário, as possíveis respostas que esperávamos ter dos estudantes. Por fim, de uma forma geral, os alunos se mostraram informados em relação à radiação relacionadas aos equipamentos tecnológicos e interessados em aprender mais sobre a radiação nos alimentos.

## Referências

BARDIN, L. Análise de conteúdo . Lisboa: Edições 70. 3a ed., 2007.

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica . Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. Disponível em:

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&lt;http://educacaointegral.org.br/diretrizes\_curiculares\_nacionais\_2013&gt;. Acesso em 27 jun.2018.

CONRADO, D.M; EL-HANI,C.N. Formação de cidadão críticos na perspectiva CTS: reflexões para o ensino de ciências. In: II Simpósio Nacional de Ensino de Ciências e Tecnologia , 2010.

CRUZ, F. F. de S. Radioatividade e o acidente de Goiânia. In: Caderno Catarinense do Ensino de Física . Florianópolis, v. 21, p. 164-169, dez. 1987.

DELIZOICOV, J. D; ANGOTTI, A, P. Metodologia do ensino de ciências . São Paulo: Cortez, 1994.

QUINATO, G. A. C. Educação Científica, CTSA e Ensino de Física: contribuições ao aperfeiçoamento de situações de aprendizagem sobre entropia e degradação de energia. Dissertação de Mestrado. UNESP/Campus Bauru, 2013.

OSTERMANN, F.; MOREIRA, M. C. Uma revisão bibliográfica sobre a área de pesquisa 'Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio'. Revista Investigações em ensino de ciências , v.5, n.1, 2000. Disponível em: http://www.if.ufrgs.br/public/ensino. Acesso em: 18 abr.2018.

ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar . Porto Alegre: Artmed, 1998.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.