Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

O POTENCIAL DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELOS PIBIDIANOS PARA A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE FÍSICA

Gicelia Maria De Oliveira Santos, Renato Santos Araujo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2019

Texto completo

## O POTENCIAL DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELOS PIBIDIANOS PARA A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE FÍSICA 1

*Gicélia Maria de Oliveira Santos , Renato Santos Araujo 1 2

1 Universidade Federal de Sergipe/PPGECIMA, gicelia.afisica@gmail.com 2 Universidade Federal de Sergipe/DFCI, raraujo.brasil@gmail.com

## Resumo

O presente trabalho tem como objetivo identificar o potencial das atividades desenvolvidas pelos alunos bolsistas do PIBID de cursos de Licenciatura em Física para a formação docente. Ele se justifica porque uma educação de qualidade é condição sine qua non para a promoção de igualdade de oportunidades numa sociedade. E para isso, professores com formação adequada e condições dignas para o exercício da profissão são necessários. Esse estudo adotou a teoria dos saberes docentes para a sua realização. Ele se apoiou em uma abordagem qualitativa na forma de um estudo de casos onde cada subprojeto PIBID de Física estudado foi representado pela figura do professor coordenador de área. O instrumento de coleta de dados foi a entrevista semiestruturada e para a análise dos dados utilizou-se a técnica da análise temática de conteúdo. Foram construídas três categorias acerca do potencial das atividades desenvolvidas pelos pibidianos: 'Saberes curriculares', 'Saberes profissionais' e 'Saberes experienciais'. A partir da análise de dados, observa-se que a realização das diversas atividades no contexto do PIBID possibilitou a mobilização de diversos saberes docentes, sendo portanto, um programa que possui o potencial de aprimorar a formação teórica e prática do futuro professor.

Palavras-chave : PIBID; Formação Docente; Ensino de Física.

## Introdução

Desde o século passado o país vive uma carência de professores qualificados na educação básica (ARAUJO; VIANNA, 2010). Seus efeitos são visíveis no desempenho dos alunos e nas grandes avaliações como o Sistema de Avaliação da Educação Básica/INEP, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica/INEP e o Programme for International Student Assessment/OCDE. Buscando reverter essa realidade, diversas políticas públicas foram implementadas.

Dentre elas destaca-se o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Criado em 2007, o PIBID é 'considerado a iniciativa mais assertiva em esfera nacional no que se refere à qualificação da formação de professores' (SOUZA; TESTI, 2016, p. 52). Um dos objetivos do PIBID é incentivar a formação de professores em nível superior para a educação básica, elevando a qualidade dessa formação por meio da integração entre esses níveis de ensino. Dessa forma, busca-se também mobilizar os professores da escola como coformadores dos futuros docentes, valorizando assim o saber experiencial que possuem e os valorizar, tornando-os protagonistas nos processos de formação inicial para o magistério (CAPES, 2015). Esse foi o contexto desse estudo que teve como objetivo identificar o potencial das atividades desenvolvidas pelo PIBID nos cursos de Licenciatura em Física para melhorar a formação dos alunos.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Saberes Fundamentais para o Exercício da Docência

Algumas políticas públicas atuais parecem estar em acordo com os princípios do modelo da racionalidade prática de formação de professores (PEREIRA, 1999). Esse modelo ganhou espaço nas discussões sobre a formação de docentes no Brasil no final dos anos 1980. Ele teve como precursor o pesquisador estadunidense Donald Schön, que lançou a ideia sobre a 'reflexão na educação' e teve sua teoria incorporada e defendida por outros pesquisadores (TARDIF, 2000; FEIMAN 2 , 2001 apud GARCIA, 2006; NÓVOA, 2006). A epistemologia que permeia o modelo da racionalidade prática foi enunciada por Tardif (2000, p. 10) como 'o estudo do conjunto dos saberes utilizados realmente pelos profissionais em seu espaço de trabalho cotidiano para desempenhar todas as suas tarefas'. Uma das consequências dessa epistemologia e que se contrapõe aos princípios da racionalidade técnica é 'considerar os professores [da educação básica] como atores, detentores de saberes práticos e capazes de assinar como coautores de sua própria formação' (TARDIF, 2000, p. 48-49).

O processo de formação docente deve visar a formação de um profissional que tem como objeto de trabalho o ser humano (TARDIF, 2012, p. 266). Isso implica dizer que os cursos de formação de professores devem levar em conta que a prática docente deve ser 'realizada concretamente numa rede de interações com outras pessoas, num contexto onde o elemento humano é determinante e dominante e onde estão presentes símbolos, valores, sentimentos, atitudes, que são passíveis de interpretação e decisão' (TARDIF, 2012, p. 49-50).

Para lidar com essas demandas, são necessários subsídios que serão retratados aqui como saberes docentes. Esses saberes são definidos como 'os conhecimentos, o saber-fazer, as competências e as habilidades que os professores mobilizam diariamente, nas salas de aula e nas escolas, a fim de realizar concretamente as suas diversas tarefas' (TARDIF, 2012, p. 9). Assim, o 'saber docente se compõe, na verdade, de vários saberes provenientes de diferentes fontes. Esses saberes são os saberes disciplinares, curriculares, profissionais (incluindo os das ciências da educação e da pedagogia) e experienciais' (TARDIF, 2012, p. 33). Esses saberes e suas respectivas definições são apresentados no Quadro 01.

Quadro 01: Classificação dos saberes docentes.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

história da humanidade, são administrados pela comunidade científica e o acesso a eles deve ser possibilitado por meio das instituições educacionais.

São conhecimentos relacionados à forma como as instituições educacionais fazem a gestão dos conhecimentos socialmente produzidos e que devem ser transmitidos aos estudantes (saberes disciplinares). Apresentam-se, concretamente, sob a forma de programas escolares (objetivos, conteúdos e métodos) que os professores devem aprender e aplicar.

São os saberes que resultam do próprio exercício da atividade profissional dos professores. Esses saberes são produzidos pelos docentes por meio da vivência de situações específicas relacionadas ao espaço da escola e às relações estabelecidas com alunos e colegas de profissão. Nesse sentido, 'incorporam-se à experiência individual e coletiva sob a forma de habitus e de habilidades, de saber-fazer e de saber ser' (p. 38).

## Saberes Curriculares

## Saberes Experienciais

Fonte: (TARDIF, 2004 apud CARDOSO; DEL PINO; DORNELES, 2012, p. 2-3).

Na vivência prática da profissão, os professores constroem saberes específicos por meio da experiência com os alunos e adquirem habilidades em diferentes contextos de sala de aula (TARDIF, 2012). Esses saberes, chamados de saberes experienciais , 'formam um conjunto de representações a partir das quais os professores interpretam, compreendem e orientam sua profissão e sua prática cotidiana em todas as suas dimensões' (TARDIF, 2012, p. 49). A aprendizagem do saber experiencial não acontece por meio de teorias transmitidas nos cursos universitários, mas por fontes diversas (como o relacionamento com professores mais experientes), em diferentes lugares e 'em momentos diferentes: história de vida, carreira, experiência de trabalho' (TARDIF, 2012, p. 109). Em seu ambiente de trabalho, o professor lida com situações concretas que exigem improvisação e habilidade pessoal.

## Procedimentos Metodológicos

Esse estudo fez uso de uma abordagem qualitativa e se classifica como uma pesquisa exploratória na forma de um estudo de casos. Os casos são os subprojetos PIBID de Física das instituições estudadas. Os sujeitos da pesquisa foram os professores universitários bolsistas do PIBID na posição de coordenadores. Os sujeitos incluídos nesse estudo foram selecionados por meio de amostragem não probabilística por conveniência, tendo como critérios: a proximidade geográfica e a importância de alguns Estados no cenário nacional. Por se tratar de uma pesquisa com seres humanos, a mesma foi submetida a um comitê de ética, tendo sido aprovada sob o número CAAE: 55605116.2.0000.5546.

Para o contato inicial fez-se uso dos Relatórios de pagamento de bolsistas do PIBID/CAPES (CAPES, 2018). Esses documentos informavam o nome e a instituição dos bolsistas dos subprojetos de física. A partir dessa informação, entrouse em contato por e-mail convidando os sujeitos para participar da pesquisa.

- O instrumento de coleta de dados utilizado foi a entrevista semiestruturada. Ela foi guiada por um roteiro composto por questões abertas 'em que o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada' assim como o próprio entrevistador que não precisa rigorosamente se deter ao roteiro pré-estabelecido (DESLANDES; GOMES;

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

MINAYO, 2009, p. 64). Dessa entrevista, a seguinte pergunta foi utilizada nesse trabalho: Quais atividades foram desenvolvidas pelos alunos bolsistas do PIBID? Os áudios das entrevistas foram transcritos e os registros produzidos foram analisados segundo a Análise Temática do Conteúdo (BARDIN, 1977) por meio da ' 1) a préanálise, 2) a exploração do material e 3) o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação ' (ibid., p. 95).

## Resultados

Os sujeitos da pesquisa (9 professores coordenadores de área) foram questionados a respeito das atividades desenvolvidas pelos pibidianos tanto na universidade quanto na escola. A partir da análise da transcrição das entrevistas, foram criadas as seguintes categorias: saberes curriculares, saberes profissionais e saberes experienciais . Os saberes disciplinares não foram adotados como categoria pela ausência de respostas que fizessem referência a esse tipo de saber docente.

Dentre as atividades desenvolvidas pelos licenciandos bolsistas do PIBID, elencaram-se na categoria de Saberes Curriculares os temas relacionados às atividades que mobilizam os saberes curriculares dos licenciandos referentes ao ensino de física. As atividades desenvolvidas na escola e na universidade que possuíam essas características compuseram os seguintes temas: construção de experimentos; elaboração de aulas e oficinas temáticas ; atividades de divulgação científica ; utilização de TICs ; contextualização da Física ; preparação dos alunos para provas nacionais ; ministrar curso de nivelamento ; e elaboração de materiais lúdicos .

- O tema construção de experimentos (N=5) contém as respostas que apontam para a construção de aparatos experimentais de baixo custo na universidade. Os mesmos são socializados com os outros licenciandos, discutindose a forma de utilização em sala de aula e depois são levados para a escola para demonstração experimental, auxiliando o licenciando na construção do saber curricular.

'Na escola, nós temos [...] os experimentos que são levados à medida que os professores vão solicitando e que são aplicados durante as aulas. [...] Tínhamos também a produção dos experimentos em determinados instantes porque eles não conseguiam montar sozinho então a gente fazia nas reuniões para discutir melhor isso aí' (Coordenador A).

- O tema elaboração de aulas e oficinas temáticas (N=3) foi associado aos relatos de atividades de construção de oficinas pelos pibidianos ou aulas e sequências de ensino. Esses tipos de atividades exigem do licenciando uma reflexão sobre o objetivo da aula, quais temas abordar ou quais seriam os métodos mais adequados para se trabalhar com cada conteúdo. Ou seja, sobre o planejamento das atividades, prática fundamental no trabalho docente.

'Eu acho que é importante que se faça [experimentos simples], mas, assim, o foco não é o experimento simples em si, porque eu acho que você tem que usar todas as estratégias possíveis. Tal conteúdo não tem como você usar experimentos, tudo bem, você pode levar um vídeo, você pode até usar uma simulação, enfim, os alunos [bolsistas do PIBID] eles vão atrás de tudo, trabalha a história da ciência, trabalha muitos recursos metodológicos. A gente já fez também sequências didáticas sobre termodinâmica, usando ar-condicionado caseiro.' (Coordenador D).

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

- O tema atividades de divulgação científica (N=2) refere-se à participação dos pibidianos em ações de divulgação científica como feiras de ciências. Aqui, os licenciandos recorrem ao saber curricular da Física quando, por exemplo, selecionam os experimentos mais adequados ou orientam os alunos da escola para a realização das atividades dessas feiras.

'Realizamos também em conjunto com a escola uma feira de exatas que a gente chamou de exatas onde teve, eu não sei exato, mas teve Química Matemática e Física, reuniu todos os coordenadores de área e junto dos outros supervisores e foi encabeçado isso então foi essa a participação do PIBID e lá os alunos bolsistas orientaram os alunos [da escola]' (Coordenador I).

- O tema utilização de TICs (N=3) apresenta o uso desse recurso didático pelos pibidianos com os alunos da educação básica. Os vídeos e simulações computacionais foram utilizados para a demonstração de conteúdos de Física e laboratório virtual, possibilitando a realização de atividades de experimentação mesmo na ausência de laboratórios de ciência.
- 'Como o PIBID não tem tanto recurso, principalmente hoje, a gente optou por esses experimentos de baixo custo e a própria informática, simulações, softwares de simulação experimental como uma medida. Obviamente que ele não substitui o laboratório, mas ele serve como uma medida paliativa à falta do laboratório, não o substitui' (Coordenador B).
- O tema contextualização da Física (N=1) relata a utilização da contextualização nas atividades, enriquecendo os métodos de ensino dos futuros professores visto que se constitui em uma abordagem transversal a qualquer conteúdo, representando dessa forma um aspecto do saber curricular.
- 'A gente partiu fortemente para trabalhar com cotidiano e com experimentação, por exemplo, toda aproximação, uma boa parte da aproximação para a física moderna se deu através do uso de lâmpadas e de espectroscópios construídos em casa com pedaços de dvd, com materiais de baixo custo.' (Coordenador E).
- O tema preparação dos alunos para provas nacionais (N=1) refere-se às atividades preparatórias para provas como a Olimpíada Brasileira de Física. Essa prática requer do licenciando um aprofundamento do conteúdo cobrado nessas provas e do formato de suas questões.

'A gente fez, por exemplo, treinamento para olímpiada etc., mas, é difícil' (Coordenador B).

- O tema ministrar curso de nivelamento (N=1) apontou a realização de cursos de nivelamento das disciplinas de Matemática e Física nas escolas e de Física na universidade pelos pibidianos. Isso requer do licenciando o planejamento de aulas, domínio de conteúdos e elaboração de apostilas, o que contribui para a apropriação dos saberes curriculares da Física.
- '[...] curso de nivelamento de matemática, a gente fez o curso de nivelamento de matemática básica, básica mesmo que a gente sabe que os alunos têm dificuldades [...] a gente gerou uma apostila [...] curso de nivelamento em física que o professor pediu [...]. Dentro da universidade, eu comecei esse semestre com dois alunos do PIBID, a gente está fazendo um nivelamento para os alunos de Física do início do curso.' (Coordenador I).
- O tema elaboração de materiais lúdicos (N=1) apresenta a construção de jogos educativos.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

'Às vezes com alguns jogos que são feitos, jogos educativos aonde os pibidianos mesmo desenvolvem, constroem' (Coordenador F).

Algumas das atividades desenvolvidas no contexto do PIBID possuíam o potencial de mobilizar os saberes profissionais. As atividades desenvolvidas compuseram os seguintes temas: discussão de artigos científicos e utilização de portfólios para relatos de atividades .

As atividades do tema discussão de artigos científicos (N=2) possibilita a socialização de conhecimentos científicos variados (saberes baseados nas ciências e na erudição). Segundo Galiazzi e Moraes (2002), o educar pela pesquisa 'ajuda aos formandos a se impregnarem na teoria dentro da prática ao possibilitar ir à realidade e examiná-la a partir de bases teóricas. É, portanto, uma forma de aproximação entre teoria e prática' (p. 26-27).

'Uma vez por semana, sempre tem um aluno apresentando um artigo científico. Ora eles escolhem, ora nós orientadores escolhemos por eles. Na reunião, eles vão lá, apresentam, a gente discute' (Coordenador D).

- O tema utilização de portfólios para relatos de atividades (N=1) refere-se a elaboração de relatórios, requerendo dos licenciandos a aprendizagem da descrição e reflexão das atividades desenvolvidas. Além disso, possibilita a avaliação crítica da prática.

'A gente trabalha com portfólio, portfólios reflexivos [...]eles fazerem uma reflexão em relação ao que eles desenvolvem no semestre [...] ele é baseado muito na reflexão do aluno, e eles, conforme ele vai passando o tempo, eles conseguem não só colocar no papel as ideias, mas relacionar essas ideias com questões teóricas....' (Coordenador F).

- A categoria Saberes Experienciais contém os temas relacionados às atividades com o potencial de mobilizar saberes experienciais realizadas pelos pibidianos. Essas atividades compuseram os seguintes temas: ministrar monitoria/nivelamento ; participação nos projetos da escola ; oferta de oficinas temáticas na escola ; e observação das aulas .
- O tema ministrar monitoria/nivelamento (N=2) compreende as atividades de tirar as dúvidas e os cursos de nivelamento voltados para sanar as dificuldades em Matemática e Física dos alunos da educação básica. Essa vivência amplia as experiências vividas em sala de aula como docente e permite ao futuro professor um melhor preparo para enfrentar as 'singularidades das situações educativas' (STENHOUSE 3 , 1987 apud CONTRERAS, 2012, p. 128), desenvolvendo saberes experienciais.

'... na escola era trabalhar com os alunos um pouco de tirar dúvidas, a gente usava o começo do tempo para a monitoria...' (Coordenador E).

- O tema participação nos projetos da escola ( N=1 ) se dava por meio da realização de diversas atividades, como a apresentação de palestras motivacionais, possibilitando uma vivência diferenciada daquela oferecida durante a formação inicial, mas articulada às atividades realizadas pela escola (projetos pedagógicos, por exemplo) que permitem objetivar os saberes da experiência (TARDIF, 2012).

'Palestras motivacionais de informação sobre a área de ciências' (Coordenador B).

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

- O tema oferta de oficinas temáticas na escola (N=2) está associado às atividades caracterizadas pela combinação de vários recursos didáticos para os alunos colocarem a 'mão na massa'. Essa vivência possibilita a construção de saberes específicos por meio da experiência com os alunos e permite que adquiram habilidades de atuação em diferentes contextos de sala de aula (TARDIF, 2012).
- '...o foco não é o experimento simples em si, porque eu acho que você tem que usar todas as estratégias possíveis [...]pode levar um vídeo, você pode até usar uma simulação [...]a história da ciência, trabalha muitos recursos metodológicos.' (Coordenador D).
- O tema observação das aulas (N=1) apresentou a análise e a reflexão feita pelo pibidiano da atuação do professor supervisor. Ou seja, a observação da prática docente.

'Na escola, observação das aulas, atividades de intervenção com os alunos supervisionadas pelo supervisor' (Coordenador H).

## Considerações Finais

Esse trabalho ouviu os professores coordenadores do PIBID dos cursos de Licenciatura em Física de uma amostra de instituições públicas de diferentes Estados para discutir o potencial formativo das atividades desenvolvidas no contexto. De modo geral, a análise de dados mostrou que as atividades citadas mobilizam diversos saberes docentes. Os saberes curriculares foram desenvolvidos em atividades como a construção de experimentos e a utilização de TICs, as quais trouxeram contribuições para a apropriação dos saberes curriculares da Física dos pibidianos. Os saberes profissionais, por sua vez, foram abordados na discussão de artigos científicos e a utilização de portfólios para relatos de atividades, o que contribuía para a socialização dos conhecimentos pedagógicos. Os saberes experienciais foram mobilizados por meio da oferta de monitoria e cursos de nivelamento e a participação nos projetos da escola, ampliando as experiências docentes e permitindo os pibidianos que adquiram habilidades de atuação em diferentes contextos de sala de aula (TARDIF, 2012). O PIBID, dessa forma, por possibilitar uma formação mais abrangente, é um programa que possui o potencial de aprimorar a formação teórica e prática do futuro professor.

## Referências

ARAUJO, R. S.; VIANNA, D. M. A história da legislação dos cursos de Licenciatura em Física no Brasil: do colonial presencial ao digital a distância. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 32, n. 4, p. 4403, 2010. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/rbef/v32n4/10.pdf>. Acesso em 14 mar. 2018.

BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Tradução Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro. 1. ed. Lisboa: Edições 70, 1977.

CAPES. DEB. Relatório de Gestão 2009-2014. Brasília: CAPES, 2015. Disponível em: <http://www.capes.gov.br/images/stories/download/bolsas/20150818\_DEB-relatorio-de-gestaovol-1-com-anexos.pdf>. Acesso em: 02 mar. 2017.

CAPES. Relatórios e Dados. Brasília: MEC. 2018. Acessado em 12 de jul. de 2018. Disponível em: < http://www.capes.gov.br/educacao-basica/capespibid/relatorios-edados>.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

CARDOSO, A. A.; DEL PINO, M. A. B.; DORNELES, C. L. Os saberes profissionais dos professores na perspectiva de Tardif e Gauthier: contribuições para o campo de pesquisa sobre os saberes docentes no Brasil. In: Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul, IX, 2012, Caxias do Sul. Anais... Caxias do Sul: Programa de Pós-graduação em Educação, 2012. Disponível em: < http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/66 8/556>. Acesso em: 14 mar. 2018.

CONTRERAS, J. A autonomia de professores . Tradução: Sandra Trabucco Valenzuela; revisão técnica, apresentação e notas à edição brasileira Selma Garrido Pimenta. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2012.

DESLANDES, S. F.; GOMES, R.; MINAYO, M. C. S (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 28. ed. Petrópolis: Vozes, 2009.

GALIAZZI, M. C.; MORAES, R. Educação pela pesquisa como modo, tempo e espaço de qualificação da formação de professores de ciências. Ciência e Educação , Florianópolis, v.8, n.2, p. 237-252, 2002. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ciedu/v8n2/08.pdf >. Acesso em: 14 mar. 2018.

GARCÍA, C. M. 'Políticas de inserción a la docencia' : Del eslabón perdido al puente para el desarrollo profesional docente. Documento elaborado para o Taller Internacional. 'Las políticas de inserción de los nuevos maestros en la profesión em novembro de 2006. Disponível em: <

docente: La experiencia latinoamericana y el caso colombiano' (Bogotá, Colômbia) http://www.ub.edu/obipd/docs/politicas\_de\_insercion\_a\_la\_docencia\_del\_eslabon\_ perdido\_al\_puente\_para\_el\_desarrollo\_profesional\_docente\_garcia\_c\_m.pdf> Acesso em: 07 dez. 2016.

NÓVOA, A. Desafios do trabalho do professor no mundo contemporâneo . 2006. Disponível em: <http://www.sinprosp.org.br/arquivos/novoa/livreto\_novoa.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2016.

PEREIRA, J. E. D. As licenciaturas e as novas políticas educacionais para a formação docente. Educação & Sociedade , n. 68, 1999. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/es/v20n68/a06v2068.pdf >. Acesso em: 14 mar. 2018.

SOUZA, N. C. A. T.; TESTI, B. M. O PIBID no contexto das Políticas de Formação Inicial: um novo olhar para o processo de iniciação à docência. Revista Imagens da Educação , v. 6, n. 1, 2016, p. 50-58. Disponível em: < http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ImagensEduc/article/view/26779/pdf\_60 >. Acesso em: 14 mar. 2018.

TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional . 13. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.

TARDIF, M. Saberes profissionais dos professores e conhecimentos universitários: Elementos para uma epistemologia da prática profissional dos professores e suas consequências em relação à formação para o magistério. Revista Brasileira de Educação . n. 13, 2000, p. 5-24. Disponível em: http://www.joinville.udesc.br/portal/professores/jurema/materiais/RBDE13\_05\_MAU

RICE\_TARDIF.pdf. Acesso em: 14 mar. 2018.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.