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DIDÁTICA DA FÍSICA: CONTRIBUIÇÕES DOS MANUAIS DIDÁTICOS PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA DISCIPLINA ESCOLAR

Fernanda Esthenes Do Nascimento, Tânia Maria Figueiredo Braga Garcia

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DIDÁTICA DA FÍSICA: CONTRIBUIÇÕES DOS MANUAIS DIDÁTICOS PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA DISCIPLINA ESCOLAR

Fernanda Esthenes do Nascimento 1 , Tânia Maria F. Braga Garcia 2

1 UFPR/NPPD/PPGE, esthenes@yahoo.com.br 2 UFPR/NPPD/PPGE, tanbraga@gmail.com

## Resumo

O trabalho relata resultados de investigação que analisou manuais de Didática Geral e Didática das Ciências Naturais, bem como manuais de Metodologia do Ensino Geral e Metodologia de Ensino de Ciências publicados no Brasil, que têm como objetivo orientar professores das séries iniciais para ensinar os conhecimentos físicos, contribuindo para a compreensão de como vem sendo constituída uma Didática da Física no decorrer do último século. Esses manuais são entendidos como materiais que contribuem para a formação inicial e continuada de professores, ensinando a ensinar e permitem investigar as transformações que as orientações vão sofrendo ao longo dos anos, seja para verificar a permanência de formas de compreender o ensino, seus objetivos, métodos, recursos, seja para analisar as transformações ocorridas. Foram inventariados trinta e três manuais e foram analisados cinco manuais específicos publicados após os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN'S), o que permitiu identificar conhecimentos físicos propostos para as séries iniciais - como movimento, energia, luz e sobra - e também procedimentos sugeridos - como observação e problematização, elementos indiciários da contribuição dada pelos manuais para professores na constituição de uma Didática da Física ao longo das últimas décadas.

Palavras-chave : Manuais Didáticos, Formação de Professores, Didática da Física, Conhecimentos físicos nas séries iniciais.

## Introdução

Os livros escolares constituem-se um elemento da cultura escolar e, como tal, são considerados como fontes relevantes para o estudo de diferentes aspectos da escolarização, bem como das relações que as sociedades estabelecem com os livros e a leitura, de forma mais ampla. No caso brasileiro, os livros escolares também têm influência sobre a leitura para além dos muros escolares, como revelam os resultados de pesquisa intitulada 'Retratos da Leitura no Brasil' 1 , cujo objetivo era medir a intensidade, forma, motivação e condições de leitura da população brasileira. A pesquisa indica que 66% dos entrevistados tem o livro didático como o seu primeiro gênero de leitura, seguido pela Bíblia, o que justifica a preocupação dos pesquisadores em estudá-los.

O acesso dos brasileiros aos livros didáticos se dá, principalmente, por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 2 . Esse programa foi criado pelo

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governo federal na década de 1980, para subsidiar o trabalho pedagógico dos professores. Atualmente, todos os alunos da escola básica recebem seus exemplares, mas os livros também são compreendidos como suporte ao trabalho do professor. Ao lado do PNLD, o Ministério da Educação mantém desde 1997 outros programas relacionados aos livros escolares, como o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), 'cuja finalidade é de promover o acesso à cultura e o incentivo à leitura nos alunos e professores por meio da distribuição de acervos de obras de literatura, de pesquisa e de referência' (BRASIL, 2008). Dentro do PNBE existe uma ação específica denominada PNBE do Professor que tem por objetivo 'adquirir obras de referência para ajudar os professores da educação básica regular e da educação de jovens e adultos na preparação dos planos de ensino e na ampliação de atividades em sala de aula com os alunos'. (BRASIL, 2008).

Dentre esses livros destinados aos professores, encontra-se um tipo específico de obra que se constituiu no interesse desta pesquisa. Elas são destinadas a orientar o ensino e recebem denominações como manuais de didática, manuais de metodologia de ensino, manuais de prática de ensino, entre outras. Esses manuais estão relacionados à formação de professores, pois pretendem contribuir para a organização do ensino nas diferentes disciplinas escolares. Entre eles, podem ser encontrados manuais de Metodologia de Ensino de Ciências e de Física, para professores dos diferentes níveis de ensino, os quais foram objeto de atenção na pesquisa aqui relatada.

## Manuais para professores: um conjunto diverso e pouco estudado

Manuais para professores foram produzidos no Brasil desde a segunda década do século XX, e incluem uma diversidade de obras com características diferenciadas. Nagle (2009) utilizou a denominação 'literatura pedagógica' para definir tais livros que cumprem a função principal de se dirigir aos professores em formação, naquele momento especialmente as normalistas.

Ao longo do século XX essa literatura se transformou na relação com outras transformações do sistema educacional e da formação docente. Diferentes denominações são usadas pelos pesquisadores para identificar essas obras. Silva (2018) utiliza a expressão 'manuais pedagógicos' tanto para livros que apresentam fundamentos da Educação (por exemplo, os de Filosofia da Educação), como os que apresentam métodos de ensino (como os de Didática, por exemplo).

Portanto, entre os manuais pedagógicos, existem alguns que têm como objetivo 'ensinar a ensinar' as disciplinas escolares. Segundo Garcia (2006), não são obras que se propõem a apresentar o conteúdo de uma disciplina - como acontece com o livro didático para os alunos - mas se propõem a orientar o ensino. Para as autoras, estes são os manuais de Didática, Geral ou Específica.

A análise desses manuais permite compreender o movimento pelo qual determinados modos de ensinar foram se consolidando ao longo do século, e também permite traçar a trajetória dos conteúdos a ensinar. Assim, são considerados 'elementos visíveis do código disciplinar' (Cuesta Fernandez, 1998) que contribuem para compreender a constituição das disciplinas escolares - neste caso aquelas relacionadas ao campo da Didática Geral e das Didáticas Específicas.

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A revisão bibliográfica realizada indicou que os primeiros estudos voltados a estes manuais de Didáticas Específicas foram desenvolvidos por Carvalho (1999), que estudou os manuais de Metodologia de Ensino da Geografia; e Schmidt (2005) que analisou os manuais de Metodologia de Ensino de História. Outros estudos têm sido desenvolvidos, mas ainda há lacunas a serem preenchidas nessa temática.

Ao analisar os manuais voltados à formação de professores de História, Urban (2009) concluiu que a forma de pensar o ensino e a aprendizagem repercutem o contexto e a época em que o manual foi produzido, e que no caso em estudo as tendências à normatização do ensino permanecem com uma forte ligação com a Psicologia e Pedagogia, além de manter a ideia de orientar o professor a ensinar a partir desses campos de conhecimento. Segundo Urban (2009), em relação aos manuais de História brasileiros, ficou evidente a focalização sobre a história do ensino de História, mais do que sobre uma compreensão voltada ao ensino e aprendizagem. Ela constatou que '[e]m manuais, legislações e ementas voltados à formação de professores, os elementos do código disciplinar são identificados com a ideia de normatização, além da recuperação da história do ensino de História'. (URBAN, 2009).

Para Rodrigues Junior (2010; 2015), no caso da disciplina de História esses manuais foram concebidos para propor métodos de ensino e reflexões sobre os processos de ensino e aprendizagem, de maneira a constituírem-se como textos de uma didática específica. Em suas pesquisas, o autor evidenciou também a influência de perspectivas construtivistas e sócio interacionistas sobre a compreensão do que é a aprendizagem; e constatou um crescimento no número de publicações de manuais de Didática da História na última década.

No caso da Física, em pesquisa realizada sobre os manuais de Didática Geral e Didática Específica, Garcia e Nascimento (2015) concluem que é possível entender a Física como um conhecimento que é considerado necessário e útil ao desenvolvimento dos alunos, desde os primeiros manuais de Didática do século XX. Para os autores, a pesquisa realizada permitiu, entre outros elementos, 'compreender como as ideias gerais de ensino, tratadas na Didática Geral, influenciam a presença de determinados conteúdos e métodos nas Didáticas Específicas, neste caso as Ciências e a Física' (GARCIA; NASCIMENTO, 2015).

Destaca-se, assim, a importância de tomar os manuais destinados a orientar ensino como objeto de investigação pela potencialidade que os estudos têm de esclarecer elementos relacionados à formação de professores, expressos pelos autores dessa categoria de manuais. Por meios deles pode-se compreender o valor atribuído aos conteúdos, bem como os movimentos em direção a determinadas concepções de ensino e de aprendizagem que se revelam nas sugestões de como ensinar, frequentes nas orientações dos manuais de Didáticas Específicas.

Os manuais - entendidos a partir do que a palavra indica (Garcia, 2006) parecem guardar essa função, ao longo do tempo; colocar nas mãos do professor, de forma precisa, os elementos garantidores do sucesso do seu trabalho. É importante destacar que no caso específico da Física os manuais têm grande relevância porque trazem orientações aos professores das séries iniciais sobre como inserir conteúdos tão complexos, mas ao mesmo tempo tão importantes na formação das crianças. Esses manuais foram concebidos como uma forma de orientar os professores levando-se em conta que, em sua maioria, eles não têm formação específica em Física.

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## Procedimentos de pesquisa

Para a realização da pesquisa buscou-se localizar diferentes tipos de manuais que foram produzidos especialmente para a orientação do ensino. Dentro de um projeto mais amplo, a intenção é a formação de um acervo físico desse tipo obra e a produção de uma base virtual, permitindo o acesso aos dados produzidos no projeto. Os manuais localizados foram separados por campo de conhecimento e por disciplinas escolares, compondo um acervo físico que, no momento, conta com cerca de duas centenas de obras, tanto de Didática Geral como das Didáticas Específicas, números que são alterados na medida em quem que novas obras são localizadas ou produzidas.

No caso especifico dos manuais de Ciências e de Física, atividades têm sido desenvolvidas desde 2008, incluindo uma etapa inicial, bibliográfica, para identificação preliminar de obras com as características definidas para a constituição do acervo. Paralelamente, foi realizada também uma pesquisa em bibliotecas, em sebos e livrarias. A partir do levantamento inicial, as obras foram catalogadas e se procedeu à aquisição de títulos disponíveis em sebos e livrarias. Doações de acervos pessoais também foram recebidas.

Inicialmente, com apoio em alguns procedimentos da análise de conteúdo (FRANCO, 2001), foram selecionados para leitura prévia os manuais de Didática Geral que traziam orientações específicas de como ensinar conhecimentos físicos. A constatação de que isso ocorria desde as primeiras obras definiu que a pesquisa está situada no campo de diálogo entre a Didática Geral e as Didáticas Específicas. Posteriormente, foram analisados os manuais de Didática das Ciências e da Física, o que resultou em um inventário que descreve todas as obras quanto a sua estrutura, à presença dos conhecimentos físicos e à identificação dos professores a quem se destinam (séries iniciais, séries finais ou Ensino Médio). 3

Nos limites deste texto, serão apresentados resultados das análises do conteúdo de cinco obras publicadas a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais (década de 1990), que apresentam orientações aos professores das séries iniciais para ensinar conhecimentos físicos: 'Ciências no ensino fundamental: o conhecimento físico', de Anna Maria Pessoa de Carvalho e colaboradores; 'Ciências: fácil ou difícil?', de Nélio Bizzo; 'Ciências e Didática', de Simone Selbach e colaboradores; 'Ciências. Soluções para dez desafios do professor', de Rogério G. Nigro; e 'O ensino de Física para crianças de 3 a 8 anos: uma abordagem construtivista', de Rheta Devries e Christina Sales.

## Ensinar Física nas séries iniciais: o que dizem os manuais sobre conteúdos e procedimentos de ensino

Tomando como referência procedimentos técnicos apresentados por Franco (2001), durante a leitura foram estabelecidas duas categorias de análise do conteúdo dos manuais, baseadas em elementos constitutivos da Didática: a) Conteúdos para o ensino de conhecimentos físicos nas séries iniciais e; b) Metodologia e estratégias de ensino sugeridas para ensinar o conhecimento físico.

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Ao analisar os manuais pode-se perceber que o conteúdo com maior indicação - que aparece em três dos cinco - é Movimento. Ressalta-se que o tema é também valorizado em outras fases da escolarização, constituindo-se em conteúdo que, a par dos debates sobre seu papel e relevância diante de outros conteúdos da Física, é valorizado tanto em programas quanto nos livros didáticos do Ensino Médio. Em dois manuais os conteúdos Ar e Luz e sombra são sugeridos. Tais temas já estão presentes em manuais do século passado, por exemplo no manual 'Didáctica' de João Toledo (1930), que se apoia no método intuitivo de ensino para sugerir que os conteúdos tenham proximidade com a vida dos alunos e que o professor estimule a observação de fenômenos. Destaca-se, assim, a permanência dessa temática ao longo do tempo.

- O quadro a seguir mostra os conteúdos sugeridos nos manuais analisados, mantendo-se as terminologias usadas pelos autores.

QUADRO 1 - CONTEÚDOS SUGERIDOS NOS MANUAIS ANALISADOS

Fonte: XXXXX (2016)

Dois manuais entre os cinco analisados foram concebidos especificamente para orientar o conhecimento físico nas séries iniciais, portanto a localização dos conteúdos/temas foi feita de forma direta e explícita. Já nos outros manuais, os conteúdos relacionados com os conhecimentos físicos também são sugeridos, mas como um elemento inserido nos conhecimentos de Ciências Naturais.

Em relação aos procedimentos para ensinar, todos os manuais analisados apresentam similaridade nas indicações e sugestões. A experimentação, a observação e a discussão aparecem como estratégias recomendadas para que os professores utilizem em sala de aula. Ressalta-se que algumas dessas orientações para as séries iniciais foram encontradas desde 1930, nos manuais de Didática Geral que utilizavam o método intuitivo e ressaltavam o papel da indução.

O quadro a seguir sintetiza os elementos metodológicos encontrados nas cinco obras analisadas.

QUADRO 2 - PROCEDIMENTOS SUGERIDOS NOS MANUAIS ANALISADOS

Fonte: XXXXX (2016)

Embora aparentemente semelhantes, deve-se atentar para o significado que as sugestões efetivamente têm, em cada momento histórico. Carvalho et al (1998) dizem que o trabalho prático é inquestionável na Ciência e deveria ocupar primeira

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posição no ensino, destacando que antigamente os experimentos serviam apenas para apresentar os fenômenos para os alunos, mas posteriormente se passou a utilizar o laboratório didático como um local onde se pretendia que os alunos redescobrissem todo o conhecimento.

No entanto, para esses autores, em uma perspectiva construtivista não se espera que os alunos descubram novos conhecimentos com a prática, pois a principal função da experimentação é, 'com a ajuda do professor e a partir de hipóteses e conhecimentos anteriores, ampliar o conhecimento do aluno sobre os fenômenos naturais e fazer com que ele relacione com sua maneira de ver o mundo'. (CARVALHO et al, 1998, p. 20). Preocupações semelhantes foram encontradas também nas outras obras analisadas, evidenciando a predominância do papel mediador que o professor assume nas concepções construtivistas e sócio interacionistas de aprendizagem.

Em síntese, pode-se reconhecer a presença de indícios de que, tanto nos documentos oficiais de orientação curricular quanto nos manuais, há uma configuração que anuncia a constituição de uma Didática da Física, por meio da proposição de conhecimentos físicos que devem ser objeto de ensino para os anos iniciais do ensino fundamental. Pode-se também dizer que há evidências de uma estruturação de formas consideradas adequadas para ensinar conhecimentos físicos nas séries iniciais, o que aponta também para esse processo de configuração de uma Didática da Física, nas quais se pode localizar consenso quanto a determinados temas e procedimentos, trazidos pelos manuais com a finalidade de orientar os professores em sua prática de ensino.

## Considerações finais

A análise empírica dos manuais localizados e, ao final, a análise detalhada dos cinco manuais selecionados permitiu constatar que há uma diversidade de tipos de manuais, com estruturas distintas embora todos tenham a finalidade de fornecer orientações para os professores. Há obras que apresentam reflexões sobre aspectos do ensino e da aprendizagem; há outras que intercalam reflexões e sugestões. Foram encontradas ainda obras que selecionam um tema e exploram teoricamente as possibilidades de trabalho, ou ainda propõem atividades de sala de aula para desenvolver aquela temática. A maior parte delas se dirige aos professores, embora de formas diferenciadas.

A análise evidencia que os autores pretendem contribuir para que o ensino de Ciências e o ensino dos conhecimentos físicos possam produzir melhores resultados. Para isso, explicam elementos da Ciência, apresentam teorias, fundamentam suas opiniões e sugerem temas e formas de ensinar. Com apoio nas contribuições feitas por Urban (2009), Hegeto (2014) e Rodrigues Júnior (2015), a análise dos manuais permite identificar elementos considerados pelos autores como necessários e adequados ao ensino dos conhecimentos físicos nos anos iniciais. Tais elementos, em alguns casos, foram apresentados de forma orgânica e articulada em torno de finalidades, objetivos, temas e procedimentos, sugerindo a estruturação de uma perspectiva didática definida.

É interessante destacar que em 2014 foi publicado um manual com o título 'Didática da Física', de autoria de Roberto Nardi e Olga Castiblanco. Embora não

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esteja direcionado para os anos iniciais, permite sublinhar dois pontos. Primeiro, destaca-se que o manual 'apresenta uma estrutura teórica associada a sugestões de atividades práticas que relacionam objetivos, conteúdos e metodologias de ensino, visando garantir coerência entre o que se diz e o que se faz em sala de aula', nas palavras dos próprios autores (2014, p.7). Tem-se, aqui, a ideia de um conjunto de orientações articuladas em torno de fundamentos e de elementos didáticos - portanto um manual didático, no sentido estrito da expressão.

- O segundo ponto a destacar é a que, ao lado das obras de Didática das Ciências, agora se pode encontrar uma obra de Didática da Física, o que pode ser indício de que os manuais foram gradualmente abrindo espaços para os conhecimentos físicos nas séries iniciais, com conteúdos e procedimentos especificamente indicados pelos autores; e que esse processo está relacionado com a constituição do que Nardi e Castiblanco (2014) chamam de 'Didática da Física como disciplina de cursos de licenciatura em Física' (p. 7), mas que também prenuncia uma disciplina para os cursos de formação de professores para as séries iniciais. Há necessidade de aprofundar essa discussão em futuras pesquisas.

Os manuais, assim, evidenciam aspectos da construção de tal disciplina, e confirmam que podem ser compreendidos como elementos visíveis do código disciplinar, conceito usado por Cuesta Fernandez (1998) e que serviu de referência a pesquisas citadas, produzidas no núcleo de pesquisas em publicações didáticas NPPD/UFPR. Para finalizar reafirma-se a importância de tomar os manuais destinados aos professores como objeto de investigação, dada sua potencialidade para esclarecer elementos relacionados à formação de professores, ao valor atribuído aos conteúdos, bem como à presença de determinadas concepções de ensino e de aprendizagem que se revelam nas sugestões de como ensinar, neste caso em particular as Ciências e os conhecimentos físicos.

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