O ENSINO DE FÍSICA TÉRMICA UTILIZANDO HISTÓRIA EM QUADRINHOS
Franklin José Bomfim Ramos, George Kouzo Shinomiya
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 28/01/2019
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2019
Texto completo
## O ENSINO DE FÍSICA TÉRMICA UTILIZANDO HISTÓRIA EM QUADRINHOS
## Franklin José Bomfim Ramos 1 , George Kouzo Shinomiya 2
1 Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, Porto Seguro, BA, verboiando@yahoo.com.br 2 Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC, george@uesc.br
## Resumo
Este trabalho tem como objetivo principal propor uma metodologia de ensino utilizando o recurso da História em Quadrinho (HQ) por se tratar de material lúdico, agradável e de fácil acesso. As HQ tem se mostrado um recurso de ensino-aprendizagem que possibilita ao professor ministrar aulas fora do tradicionalismo lousa e pincel, de maneira mais divertida e menos pragmática. O interesse aqui depositado é mostrar como o professor pode utilizar este recurso da HQ de maneira eficiente sem abrir mão do rigor científico e matemático de que a física necessita. Assim, procuramos desenvolver argumentos e exemplificações que sirvam de motivação para o aprendizado de termodinâmica com uma HQ. De início fizemos inúmeras leituras, selecionando HQ cujo tema pudesse ser o catalisador de uma aula de física. As histórias escolhidas compõem uma sequência de ensino e aprendizagem sobre física térmica, começando pelos conceitos de calor, temperatura e condução térmica; em seguida utilizamos outra HQ para discutir escalas termométricas e gráficos de temperatura; por fim fazemos uso de outra HQ para discutirmos a 1ª e a 2ª lei da Termodinâmica.
Palavras-chave: Ensino de Física, Termodinâmica, História em Quadrinho.
## Introdução
- O processo de ensino-aprendizagem é verificado em uma ação biunívoca entre quem facilita o conteúdo e quem pretende aprendê-lo, uma vez que 'quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender' (Freire, 1996). Neste sistema é imprescindível que o professor/facilitador saiba qual recurso utilizar para melhor alcançar seu intento, para não tornar a sua aula um exercício enfadonho e repetitivo onde o aluno é obrigado a decorar definições e fórmulas que, para ele, pouco ou nada fazem sentido, e não têm relação nenhuma com o seu cotidiano e seus anseios de vida.
- O ensino de Física não deve estar motivado pelo conhecimento desta disciplina por si só, aprender por aprender, porém deve
ser compreendido como um instrumento para a compreensão do mundo. Não se trata de apresentar ao jovem a Física para que ele simplesmente seja informado de sua existência, mas para que esse conhecimento transforme-se em uma ferramenta a mais em suas formas de pensar e agir (PCN+, Ensino Médio)
Mesmo ciente da necessidade de uma educação interdisciplinar e mesmo compreendendo que o conhecimento histórico é importante no sentido de demonstrar que as ciências progridem gradativamente devido às contribuições de diversos pesquisadores que persistiram, entre tentativas, erros e acertos, defrontamo-nos ainda com a dúvida acerca do principal recurso pedagógico utilizado
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
pelo professor: o livro didático. Será que este recurso é suficiente e exclusivo para favorecer o entendimento das Ciências Naturais conforme aqui proposto?
Para que o professor consiga ministrar uma aula que faça sentido para o aprendente, ele deve ter à sua disposição recursos variados para facilitar o aprendizado do conteúdo a ser ensinado, diversas tecnologias educacionais que, quando bem utilizadas, podem aperfeiçoar o ensino e melhorar o aprendizado. Entende-se por tecnologia educacional não só a ferramenta eletroeletrônica que, por si só, sem a intervenção planejada e intencional do professor, nada faz de construtivo para o processo de ensino, e que, sobretudo, não desloca o estudante de um estado de menor para um de maior conhecimento.
Entendemos como Tecnologia Educacional todo e qualquer recurso utilizável pelo professor (computador, retroprojetor, jogos, aplicativos digitais, revistas, Histórias em Quadrinhos, etc.), que possibilite ao estudante conhecimentos e habilidades para resolver seus próprios problemas, para criar suas próprias estratégias de raciocínio que lhe possibilitará enxergar relações e fazer conexões entre os diversos caminhos do conhecimento. Uma tecnologia educacional só o é se o professor dela fizer uso com intuito de promover saberes que qualifiquem o indivíduo a uma condição psicossocial mais íntegra, mais autônoma no sentido de torná-lo detentor do conhecimento.
Deste modo, tem-se nas Histórias em Quadrinhos um recurso educacional potencialmente relevante e motivador para o ensino de física, com o encanto da arte visual que motiva e desperta a curiosidade, pois possuem linguagem coloquial, de fácil compreensão e sem o propósito de serem científicas, o que as tornam mais acessíveis aos jovens, de modo geral. Outro fator relevante nos conteúdos das HQs é a rapidez com que passam a mensagem, sem delongas nem subjetividades, pois, de acordo com Caruso e Freitas (2009, p. 359),
em uma sociedade que passa por mudanças cada vez mais velozes e na qual a imagem se impõe de forma marcante, a rápida decodificação dos quadrinhos é um elemento facilitador do aprendizado, pois é fácil notar a diminuição do poder de concentração dos jovens em uma atividade específica, principalmente se ela diz respeito aos estudos.
Dizer que a HQ tem linguagem coloquial e informal, por vezes se utilizando de gírias e conceitos do senso comum não significa dizer que o conhecimento científico será negligenciado ou que o cuidado com as definições da Física ficará em segundo plano. Não, pois é justamente neste ponto que se torna imprescindível a intervenção do professor enquanto mediador do conhecimento, aquele que, utilizando-se de um recurso não formal, com características artísticas como HQ, consegue tornar o ensino de Física encantador e significativo com igual profundidade nas explicações, tendo a vantagem de, agora, obter a devida atenção dos alunos.
## As HQ como recurso didático
As HQs têm se mostrado um recurso de ensino-aprendizagem que possibilita ao professor ministrar aulas além do tradicionalismo lousa e pincel. Sem tecer críticas a esta modalidade de ensino, pois quando feita com eficiência e no momento oportuno tem sua necessidade e importância de ser, entretanto queremos aqui abordar mais um recurso com o qual o professor possa contar e, espera-se,
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
utilizar em sua sala de aula a fim de tornar o ensino de Física Térmica mais atraente, alegre e problematizador, sem perder o rigor científico de que a física necessita.
O uso da HQ em uma aula de Física acrescenta o aspecto lúdico na prática pedagógica do professor desta disciplina, acostumado, em muitos casos, às aulas expositivas onde o quadro é preenchido com fórmulas e exercícios repetitivos onde o aluno é unicamente treinado a passar nas provas, sem refletir sobre os conflitos que motivaram os assuntos que ele estuda, sem perceber a relação entre as leis da física e o desenvolvimento da tecnologia, por exemplo.
Espera-se do professor de Física a compreensão de que esta ciência deve ser parte intrínseca da cultura humana, presente em suas diversas manifestações, tais como representações artísticas ou literárias, peças de teatro, letras musicais e qualquer ação humana na qual a ciência sirva de alicerce para a melhoria na qualidade de vida do ser (PCN+ - FÍSICA, p. 15). Através deste prisma de observação, reconhecer fenômenos físicos abordados em uma HQ, mesmo que de maneira sutil aos olhos mais distraídos, implica em aproveitar aquela história como um aporte didático para, no mínimo, fomentar a discussão do que há de científico ou exagerado na fábula da arte.
É comum, em adultos, a permanência do gosto pelos quadrinhos, pois este tipo de texto remonta à sua infância, está em sua memória afetiva, fato que contribui para o uso da HQ de maneira pedagógica, sem causar estranhamento por parte do estudante, ao contrário, criando empatia e afeição com a nova proposta, prérequisitos necessários para o ensino-aprendizagem de qualquer disciplina e mais especificamente de Física. Quando o ensino conta com o apoio da HQ, o público alvo já a recebe com a sensação familiar de já conhecer aquela arte, de quem já entende o que está sendo proposto pelo professor, antes mesmo das explicações formais contextualizadas a partir das historinhas.
A leitura das HQs requer do indivíduo mais do que a compreensão dos textos lá inseridos, circunscritos em balões que representam as falas dos personagens, requer também a compreensão das imagens que representam os personagens com suas falas, sentimentos, ações e reações; interpretações de sons e sentimentos através de onomatopéias, isto é, os nomes dados aos sons e grunhidos produzidos pelos seres e objetos. Os sentidos aguçados pela leitura de HQ vão além dos comumente necessários em leitura de texto didático e acadêmico, pois a dimensão da arte sequencial vai além da compreensão lógico-racional, é onde o lúdico 'toca' o indivíduo e lhe encanta, convidando-o a tomar conhecimento e fazer parte do seu enredo.
Quando texto e imagem se juntam em uma simbiose de intenção e de interdependência, promovendo reflexão e questionamento, prazer e conhecimento, o resultado não será outro senão o de promover o indivíduo para alicerces mais elevados e seguros de conhecimento adquirido, apropriado. Portanto acreditamos na possibilidade de se ensinar Física através deste recurso didático não formal, no tocante à inter-relação entre desenvolvimento cognitivo e percepção artística para a mútua evolução do conhecimento e da sensibilidade através do viés pedagógico.
## O ensino por investigação
Para se utilizar a HQ em uma aula de física não basta somente levar a revistinha para a sala e mandar os alunos lerem. Para utilizar tal recurso com
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
eficiência pedagógica e otimização do tempo e do conteúdo pretendido é necessário uma metodologia onde os alunos participem o máximo possível, investiguem, cogitem sobre os problemas levantados pelas HQs e participem do resultado.
- O professor pode, portanto, utilizar o método de ensino por investigação, pois assim os estudantes serão questionados em suas convicções científicas, podendo levantar hipóteses e propor soluções para os problemas. Dessa maneira os conteúdos não serão dispostos sumariamente no quadro ou projetados através de multimídia, à revelia do estudante que observa passivamente como um telespectador anônimo e alheio ao desenrolar de um saber que parece não ser para ele. De acordo com Vieira, (2012, p. 21)
Entende-se o ensino por investigação como uma abordagem de ensino que reproduz parcialmente a atividade científica, permitindo que os alunos questionem, pesquisem e resolvam problemas, levantando hipóteses e investigando até chegarem a explicação desses fenômenos.
Desse modo, neste tipo de ensino, o professor não assume o papel de depositante do conhecimento como se o estudante fosse uma caixa vazia e inerte, porém, assume a postura de educador e parceiro dando encaminhamento a suas aulas com perguntas, questionamentos, problemas, com a finalidade de, à semelhança de um maestro que rege uma orquestra no compasso dos acordes préestabelecidos, encaminhar os estudantes às informações pretendidas e aos conceitos científicos. A intenção é sensibilizar o estudante, atrair seu interesse, envolvê-lo cognitiva e afetivamente (VIEIRA, 2012), conduzindo-o de maneira sutil pelos caminhos da ciência a ponto de parecer que o conhecimento partiu única e exclusivamente dele. Assim acontecendo, o aprendizado provocará a certeza de que o conhecimento científico é acessível e pode ser obtido de forma divertida e prazerosa.
- O ensino por investigação não é aquele de respostas prontas, acabadas e inquestionáveis, onde o estudante sequer tem a oportunidade de contradizê-las com outro argumento que fomentaria o diálogo construtivo em busca de outro patamar de conhecimento. É, ao contrário, a interação dialógica entre docente e discente como duas pessoas, seres humanos que estão em busca de mais conhecimento, onde o primeiro tem a função de facilitador, aquele de mais experiência que indicará o caminho e a metodologia que levará o segundo à apropriação do conhecimento e da ciência que lhe foi compartilhada.
- O estudante que aprende a investigar aprende também a observar, refletir, fazer suposições, construir explicações e analisar dados em tabelas e gráficos. No ensino de Física por investigação, seja através de leitura de textos, experimentos em laboratório, discussão de temas ou debates, é comum o aprendente interagir com os colegas, entrar em contato com o objeto de estudo, com a natureza, sempre sob o olhar cuidadoso do professor que assume o papel de incentivador do conhecimento pela busca curiosa e astuta, por vezes meticulosa, por vezes divertida.
Dessa maneira, ressaltamos que se o professor se dispõe a utilizar as HQ como ferramenta pedagógica para o ensino de Física ou qualquer outra disciplina, deve fazê-lo de maneira proveitosa, sem subutilizar este material de apoio rebaixando-o a uma mera revistinha de entretenimento, onde o aluno perderia a oportunidade de, com a ajuda dela, adentrar o mundo científico e investigativo com o prazer e a sutileza que esta arte sequencial detém.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Assim como qualquer outro recurso didático, o uso, por si só, das HQ em sala de aula não garante uma educação de qualidade. É preciso que o professor saiba como utilizá-las de maneira adequada para que tais HQ sejam aproveitadas em suas potencialidades imagéticas, informativas, lúdicas e gráficas, caso contrário elas não passarão de um instrumento de diversão à parte da aula e do conteúdo que se pretende discutir. De acordo com Schnor, Fialho, Laurindo (2017, p. 4), 'é importante ressaltar que cada idade possui necessidades de ensino e aprendizagem diferentes, portanto, a maneira como os quadrinhos serão trabalhados em sala de aula é indispensável'.
## Ensinando Física Térmica utilizando HQ.
De início, vale salientar que o professor interessado neste tipo de recurso didático, deve se dedicar à leitura e pesquisa de varias histórias em quadrinhos, de diversos autores, com olhar atento para a temática e o assunto. Na maioria das vezes ele não encontrará nas HQs possibilidades de conexão com a física, no entanto, tão logo perceba, em alguma historinha ou tirinha, alguma possibilidade de ser aproveitada em sala de aula para qualquer assunto de física, já terá valido à pena a busca.
Destacamos aqui algumas HQ encontradas da série Turma da Mônica. Optamos por esta coleção por ser a revista em quadrinho nacional de maior divulgação. A HQ encontrada se chama 'Temperatura Elevada', onde é possível iniciar uma aula sobre Calor: definição de calor e sua diferença de temperatura, processos de transferência de calor, condução térmica, fluxo de calor, o que é um isolante térmico, etc.
Figura 1: Trecho da HQ 'Temperatura Elevada', onde se verifica fenômenos térmicos
<!-- image -->
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Este é um trecho da HQ citada e deve nos levar a questionar o estudante a respeito de algumas afirmações do senso comum e pouco refletidas do ponto de vista da ciência, tais como: 'este cobertor é muito quentinho', 'fecha a porta para o frio não entrar', 'vista um casaco para se proteger do frio'; como se o frio fosse algo físico e material que chegasse aos corpos, esfriando-os, retirando deles o calor. Idéias como essas estão presentes no dia-a-dia das falas das pessoas sem ao menos causar estranheza em quem as ouve.
Com este quadro o professor poderá iniciar sua aula perguntando aos estudantes por que Cranícola estava dormindo de cobertor e por que o cobertor nos dá a sensação de aquecimento? Após a resposta dos alunos, o professor pode continuar o diálogo investigando a função do cachecol envolvido no mesmo personagem pelo seu amigo Penadinho. Note que a intenção não é dar respostas prontas, porém estimular os alunos a encontrarem soluções científicas para o fenômeno da condução e do isolamento térmico.
A próxima HQ que destacamos tem como foco central o ensino de escalas de temperatura, uma vez que retrata um episódio em que Cascão está confuso com um termômetro que não está graduado na escala Celsius, mas ele não sabe disso. É preciso que seu amigo, Nimbus, ao saber que o termômetro foi trazido de outro país deduza que o mesmo esteja graduado em outra escala e, assim, esclareça a Cascão do motivo da confusão e que o aparelho não está quebrado.
Figura 2: Cascão é esclarecido pelo amigo de que seu termômetro está graduado em Fahrenheit
<!-- image -->
Inúmeras são as possibilidades de se trabalhar conceitos de física por meio das HQs, nesta se verifica que existem outras formas se representar a temperatura medida, não necessariamente com a escala usual aqui no Brasil, a Celsius. É importante para os alunos perceberem como a falta da unidade de medida em uma grandeza física ocasiona em perda de clareza na informação. Cascão, na HQ citada, esqueceu-se de observar em qual unidade de medida a escala estava indicando a temperatura ambiente e por isso quase se precipitou a tomar banho, fato que, em se tratando deste personagem, representaria a sua morte.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## Conclusão
De que forma podemos melhorar a prática pedagógica do professor de Física? Como demonstrar para o estudante que a Física é atraente e compreensível para todos, nem mais nem menos que quaisquer outras disciplina s como Português, Arte, História, Geografia, etc., e que é possível se aprender qualquer assunto de qualquer disciplina, mesmo não optando por ela como opção de carreira?
Quem se propõe a ser professor de Física na Educação Básica, deve ter em mente as dificuldades que enfrentará no exercício da docência como, por exemplo, as dificuldades dos estudantes que afetam suas habilidades necessárias para se compreender esta disciplina em suas nuances, tais como: a habilidade com a leitura e interpretação que os ajudará a raciocinar em torno de um problema, cercando-se das hipóteses e questionamentos que os conduzirão pelos caminhos do resultado e a habilidade com os cálculos e raciocínio lógico que lhes permitirá a compreensão de leis e padrões na Física, que possibilitará compreender as regularidades previsíveis presentes na natureza.
- A escolha das Histórias em Quadrinhos no ensino de Física, mais especificamente para ensinar física térmica, deve ter a motivação de diminuir estas dificuldades, estreitando os laços entre o que se pretende ensinar e o que se quer aprender. Por isso buscamos fomentar uma prática docente a partir da qual qualquer professor possa criar seu próprio plano de aula com as revistinhas em quadrinho que ele terá pesquisado e percebido o potencial pedagógico para uso didático.
- O acervo de revistinhas de Histórias em Quadrinhos é vasto, acessível em todas as bancas de revistas e não para de crescer, com materiais nacionais como a Turma da Mônica, Turma do Pererê, e importados como as revistas da Walt Disney, da Marvel, os Mangás, etc., por isso esperamos que os professores, de diversas áreas continuem pesquisando HQ e criando suas próprias aulas com novos assuntos. O Ensino de Física e os estudantes só terão a ganhar com este desenvolvimento, pois ficará mais fácil de enxergar esta ciência mais presente no seu dia-a-dia.
## REFERÊNCIA
Carvalho, A. M. P.de. (ORG.) . Ensino De Ciências Por Investigação: Condições Para Implementação Em Sala De Aula . Cengage Editora, 2014. ISBN: 9788522114184.
Fioresi, C. A.; Cunha, M. B. Processo Para Elaboração De Histórias Em Quadrinhos: Um Estudo Com Estudantes Do Ensino Médio. XVIII Encontro Nacional de Ensino de Química (XVIII ENEQ) Florianópolis, SC, Brasil - 25 a 28 de julho de 2016.
Freire, Paulo.; Pedagogia Da Autonomia: Saberes Necessários À Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996, Coleção Leitura.
Gonçalves, D. C., Andrade, M. F., HISTÓRIAS EM QUADRINHOS COMO RECURSO DIDÁTICO PARA O ENSINO DE FÍSICA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina - Campus Araranguá no Curso de Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF). Setembro de 2026.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Palhares, M. C. História em Quadrinhos: Uma Ferramenta Pedagógica para o Ensino de História. PDE - Paraná, 2008
Schnor, C. E. P.; Fialho, J. S. Uso De HQ No Ensino De Língua Portuguesa. Revista Pandora Brasil - Nº 83 - Junho 2017 - ISSN 2175-3318 - "Letras em Foco'
SBF; PCN+ - ENSINO MÉDIO: Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais . Disponível em
http://www.sbfisica.org.br/arquivos/PCN\_FIS.pdf, acessado em 10 de junho de 2016.
Souza, E. O. R. de. Física em Quadrinhos: uma abordagem de ensino , Rio de Janeiro, 2014.
Testoni, L. A., Souza, P. H. de, Nakamura, E., Paula, S. M. de. Histórias Em Quadrinhos Nas Aulas De Física: Uma Proposta De Ensino Baseada Na Enculturação Científica. Atas do IX Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências - IX ENPEC Águas de Lindóia, SP - 10 a 14 de Novembro de 2013.
Vieira, F. A. da C. Ensino por Investigação e Aprendizagem Significativa Crítica: análise fenomenológica do potencial de uma proposta de ensino , 2012.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.