AS CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS PRESENTES NOS LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA: UM ESTUDO SOBRE OS LIVROS APROVADOS NO PNLD 2015
Thaís Ananda Dos Santos, Alisson Antonio Martins, Nilson Marcos Dias Garcia
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 28/01/2019
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## AS CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS PRESENTES NOS LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA: UM ESTUDO SOBRE OS LIVROS APROVADOS NO PNLD 2015
## Thaís Ananda dos Santos 1 , Alisson Antonio Martins 2 , Nilson Marcos Dias Garcia 3
1 UFPR/PPGE, thaisananda\_s@hotmail.com 2 UTFPR/DAFIS e PPGFCET, amartins@utfpr.edu.br
3 UTFPR/PPGTE-GEPEF e UFPR/PPGE-NPPD, nilson@utfpr.edu.br
## Resumo
São apresentados resultados de uma investigação que teve como objetivo central identificar e analisar como as concepções pedagógicas se manifestam nos livros didáticos de Física da edição do PNLD 2015. Para essa identificação, desenvolveu-se um instrumento de análise que teve como referência as concepções pedagógicas propostas por Dermeval Saviani: pedagogia tradicional, pedagogia renovadora, pedagogia tecnicista e pedagogia neoprodutivista com o intuito de auxiliar os professores da rede pública de ensino na escolha do livro didático de Física que dialogue com a sua ação pedagógica. Organizado em blocos, as questões que o compuseram se apoiaram nas concepções pedagógicas e também nas indicações presentes nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, no edital do PNLD, no Guia do Livro Didático e na produção acadêmica recente sobre a temática. Após a aplicação do instrumento em onze livros didáticos de Física aprovados no PNLD 2015, os resultados apontaram que, em maior parte, os livros apresentam uma organização que reflete uma adesão à concepção pedagógica tradicional, apresentando, entretanto, alguns elementos diferenciadores, como, por exemplo, atividades experimentais, que em alguns livros estimulavam o pensamento crítico do aluno. Complementarmente foi analisada a trajetória acadêmica e profissional dos autores destes livros didáticos a fim de buscar relações entre sua formação e a sua opção pedagógica. Percebeu-se também uma tendência à padronização dos livros didáticos, certamente devido aos critérios presentes no edital do PNLD, que contribui para que as obras sejam semelhantes entre si.
Palavras-chave : Análise de livro didático. Concepções pedagógicas. Livro didático de Física.
## Introdução
O livro didático tem presença massiva nas Escolas da Rede Pública do Brasil, resultado do alto investimento realizado pelo Governo Federal no Programa Nacional do Livro Didático - PNLD, que os distribui gratuitamente a professores e alunos das escolas públicas brasileiras. Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) 1 indicam que em 2015 foram investidos R$ 1.156.218.243 na sua aquisição e distribuição, o que justifica o desenvolvimento de investigações que o tomem como objeto. Justificam-se as investigações também porque, conforme Lajolo (1996), em países como o Brasil, que tem uma estrutura
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precária de ensino, ele pode se tornar o único material de apoio para os professores e muitas vezes, o único livro a que alunos e mesmo seus familiares terão acesso.
Fazendo parte do processo previsto no edital do PNLD, é de extrema importância a seleção dos livros didáticos pelos professores, já que eles irão desempenhar um papel relevante no processo de ensino e aprendizagem dos alunos. Zambon (2012) apontou que, usualmente, a sua escolha tem sido realizada a partir de propagandas das editoras e em breves reuniões nos intervalos das aulas pelos professores. Assim, torna-se essencial o estabelecimento de critérios que viabilizem a participação e a avaliação dos livros pelos professores, para que eles tenham conhecimento das possibilidades e limitações das obras, e que possam escolher aquelas que mais se alinhem com a sua prática pedagógica (VERCEZE; SILVINO, 2008). Nesse contexto, Martins e Garcia (2017) ressaltam a importância de se desenvolver pesquisas que busquem compreender relações e influências que determinam a constituição do livro didático que não se limitem aos aspectos relativos aos conteúdos das ciências de referência.
Tendo como base essas considerações, desenvolveu-se uma pesquisa que teve como principal objetivo analisar os livros didáticos de Física do PNLD 2015 a partir das concepções pedagógicas predominantes no Brasil, tomando-se como referência aquelas mais difundidas na história da educação brasileira, categorizadas por Dermeval Saviani (2013). Para tanto, empreendeu-se uma pesquisa de caráter bibliográfico (GIL, 2010), que está dividida em três momentos. No primeiro momento, apresentaremos uma descrição das concepções pedagógicas. No segundo, descreve-se a metodologia utilizada e como foi elaborado o instrumento de análise. Por fim, no terceiro momento, apresentaremos os resultados obtidos pela aplicação do instrumento nos livros didáticos.
## Concepções pedagógicas
Para Saviani (2005), o conceito de pedagogia pode ser entendido como uma teoria da educação que se organiza em função da prática educativa. Nesse sentido, a pedagogia tem a função de ponderar a relação professor-aluno e orientar o processo de ensino-aprendizagem. Posto isso, é possível observar duas grandes concepções pedagógicas: a primeira, formada por aquelas que privilegiariam a teoria sobre a prática e a segunda, composta por concepções que submetem a teoria à prática. No primeiro grupo estariam as vertentes da pedagogia tradicional e no segundo, as variadas modalidades da pedagogia nova. Partindo dessas considerações, será realizada uma breve explicação das concepções pedagógicas desenvolvidas por Dermeval Saviani.
## Pedagogia tradicional
A pedagogia tradicional tem início, no Brasil, em 1549 com a chegada dos jesuítas e com criação das primeiras instituições de ensino do país. Essa concepção pedagógica tem duas vertentes, a religiosa e a leiga. A vertente religiosa é baseada no Ratio Studiorum , que foi um plano educacional normativo composto por um conjunto de regras que tinha como ideário pedagógico uma perspectiva essencialista do homem, ou seja, o homem teria uma essência imutável e universal, logo, o objetivo da educação seria moldar cada existência humana para atingir essa essência universal. Já a vertente leiga, implantada no Brasil em 1749, era pautada nas ideias iluministas tendo a razão como ideário pedagógico. Apesar de existirem
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várias similaridades entre essas vertentes, a educação tradicional leiga tinha a função de preparar o homem para atender às demandas da sociedade capitalista em detrimento dos interesses eclesiásticos. Em suas duas vertentes, a pedagogia tradicional tem como característica o professor como detentor do conhecimento e a passividade do aluno no processo de ensino e aprendizagem.
## Pedagogia nova
Na década de 1930 emerge a pedagogia da Escola Nova ou Renovadora, que foi introduzida por um grupo de intelectuais que fizeram parte do 'Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova'. O ideário da pedagogia renovadora está apoiado nos pressupostos da corrente filosófica denominada pragmatismo de Jonh Dewey, tendo no Brasil como representante mais significativo Anísio Teixeira. Esta concepção pedagógica postula que a escola deve ser organizada como uma comunidade em miniatura que estimularia o trabalho em grupo e a aprendizagem decorreria da relação do indivíduo com o ambiente, professores e outros alunos.
Como o processo educacional está centrado no indivíduo, procura-se estimular atividades espontâneas com a finalidade de satisfazer suas necessidades, de forma que tenham uma relação com a ação educativa. Assim, o mais importante não é aprender, mas 'aprender a aprender' (SAVIANI, 2013). Nessa organização escolar, o professor é um cooperador que auxilia o aluno em suas investigações e experiências. Essa concepção pedagógica coexistiu com a pedagogia tradicional, tendo maior expressividade entre os anos 1947 e 1961.
## Pedagogia tecnicista
A partir da década de 1960 começa a se articular a pedagogia tecnicista, que se apoia na Teoria do Capital Humano, que afirma que investimentos na educação podem tornar os indivíduos mais produtivos. No Brasil, essa pedagogia passa a ser dominante a partir do golpe militar de 1964. Baseada nessa estrutura que busca eficiência e produtividade, a pedagogia tecnicista reorganiza o processo educacional tornando-o objetivo e operacional, focando no comportamento do indivíduo com o intuito de adaptá-los às condições do capitalismo.
As consequências para o ensino dessa concepção pedagógica, que procurava operacionalizar e mecanizar o processo educacional, foi o crescimento de propostas pedagógicas que tinham um enfoque sistêmico e a máxima do 'aprender a fazer' (SAVIANI, 2013). Assim, a organização racional dos meios é que garante a eficácia do processo de ensino-aprendizagem. Exemplos de materiais amplamente difundidos nesse período são o microensino, o telensino e a instrução programada, entre outros. Nessa perspectiva, professor e aluno são vistos como executores de processos, o que se assemelha ao processo fabril.
## Pedagogia Neoprodutivista
As ideias neoprodutivistas, surgidas nos anos 1980, se tornam hegemônicas nos anos 1990. Suas origens, dentre outros aspectos, remetem ao contexto da estrutura social pós-moderna e ao fracasso da escola pública. Essa concepção pedagógica também se organiza com base na eficiência e na produtividade, porém, admite que na atual conjuntura econômica não há lugar para todos no mercado de trabalho. Isso se dá pelo crescente processo de automação que gera a exclusão dos
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trabalhadores. Assim, a pedagogia neoproduvista se configura em um cenário de 'pedagogia da exclusão' e ainda inculca nos indivíduos que essa condição de exclusão é sua responsabilidade.
Esse contexto econômico atinge as bases pedagógicas da educação, surgindo o neoescolanovismo, neoconstrutivismo e neotecnicismo. O neoescolanovismo dá um novo significado ao lema 'aprender a aprender' associando o aprender a se adequar à sociedade, a buscar conhecimentos por si só, a estar em constante atualização para ter chances de ascensão social. Já o neoconstrutivismo objetiva a aquisição de competências para que o indivíduo possa adquirir comportamentos flexíveis e se ajustar às condições da sociedade. Por fim, o neotecnicismo, que também tem a finalidade de promover a máxima produtividade, diferencia-se do tecnicismo pelo fato de deslocar o controle da eficiência do processo para os resultados. É o Estado que avalia os alunos e escolas através de provas de larga escala, por exemplo, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).
## Metodologia
Para atingir o objetivo da pesquisa, foi elaborado um instrumento para examinar os livros didáticos de Física e verificar de que modo as concepções pedagógicas se manifestam. Os dados foram coletados em onze livros didáticos de Física do 3º ano do Ensino Médio aprovados no PNLD 2015. Para a organização do instrumento, as concepções tomadas como referência foram: Pedagogia Tradicional, Pedagogia Renovadora, Pedagogia Tecnicista, Pedagogia Neoprodutivista.
A constituição e a apreciação dos dados foram desenvolvidas por meio de procedimentos da análise de conteúdo (BARDIN, 2011). Este método se constitui de um conjunto de técnicas de análise sistematizados para descrição do conteúdo analisado. A partir dos dados construídos, foram realizadas inferências, produzindose conhecimentos além dos manifestos nos conteúdos das mensagens.
## Instrumento de análise
A elaboração do instrumento de análise dos livros didáticos partiu de três fontes: as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM), por apresentarem um conjunto de normas sobre os fundamentos e procedimentos a respeito da organização do currículo e da prática pedagógica; o Guia do Livro Didático do PNLD 2015, por conter uma análise das obras aprovadas no edital e, por fim, a produção acadêmica recente sobre livros didáticos e ensino de Física.
A partir da leitura desses documentos, encontrou-se temas recorrentes que permitiram estabelecer as seguintes categorias: experimentação, tipos de exercício e apresentação e abordagem dos conteúdos de Física. Com base nessas categorias, foram elaboradas as questões que compuseram o instrumento.
A categoria 'Experimentação' foi fundamentada em dois artigos, 'Atividades experimentais no ensino de Física: diferentes enfoques, diferentes finalidades', de Araújo e Abib (2003) e 'Regras da transposição didática aplicadas ao laboratório didático', de Alves Filho (2000). O primeiro artigo busca compreender quais são as possibilidades e tendências da experimentação como estratégia de ensino no nível médio e o segundo analisa o laboratório didático de Física a partir das regras da
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transposição didática. Partindo das discussões realizadas nos artigos e das descrições sobre experimentação no Guia, foram elaborados itens que permitiam identificar e analisar que concepção pedagógica estava sendo contemplada no livro.
Para embasar a categoria 'Tipos de exercícios' foram escolhidos dois trabalhos, o artigo 'Questionando a didática de resolução de problemas: elaboração de um modelo alternativo', de Gil et. al. (1992), e a monografia 'A técnica de resolução de problemas aplicada no ensino de Física', de Cardoso (2007). No artigo, os autores entendem que problema, citando Krulik e Rudnik (1980), são situações difíceis, que não há soluções fechadas. Além disso, criticam que a didática habitual da resolução de problemas favorece o operativismo que se converte em erros conceituais e metodológicos, ao invés de proporcionar uma aprendizagem significativa. Já na monografia, a autora define que existe uma diferença entre exercícios e problemas, no sentido que para exercícios há mecanismos rápidos para obter a solução, enquanto problemas exigem reflexão e uma sequência de passos para solucioná-lo. Tomando como base essas diferenciações, buscou-se identificar as concepções pedagógicas manifestas nos exercícios.
A categoria 'Apresentação e abordagem dos conteúdos de Física' foi composta por cinco subcategorias: memorização, contextualização, filosofia, história e sociologia da ciência, interdisciplinaridade e aplicações tecnológicas. A escolha dessas categorias se deu pelo fato de expressarem características das concepções pedagógicas. Como suporte teórico dessa categoria, foi utilizado o Guia do Livro Didático e artigos produzidos sobre as temáticas das subcategorias (SASSERON; CARVALHO; PESSOA, 2016; CARDOSO et. al. 2008; PAGLIARINI, 2007).
Por fim, algumas questões do instrumento de análise foram criadas a partir da própria conceituação das concepções pedagógicas. O instrumento de análise foi elaborado na forma de questionário, organizado em quatro blocos. Cada bloco é composto por quatro questões e representa uma concepção pedagógica. Para valoração das questões utilizou-se a escala Likert a fim de verificar a frequência com que indicativos das categorias estavam presentes nos livros didáticos analisados. Essa frequência foi obtida a partir dos registros dos seguintes indicadores: (S) Sempre, (G) Geralmente, (AV) Às vezes, (R) Raramente e (N) Nunca.
No Quadro 01 é apresentado um trecho que ilustra algumas questões que constituem o instrumento de análise. Esse bloco é referente à pedagogia tradicional.
Quadro 01 : Pedagogia Tradicional (Bloco I)
Fonte: Autoria própria
A validação do instrumento foi realizada mediante a aplicação do Alpha de Cronbach (α), que é um coeficiente que mede a confiabilidade de um conjunto de indicadores. Dentre as variadas possibilidades de métodos estatísticos, o Alpha de
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Cronbach é considerado adequado para questionários em escala Likert, pois esse coeficiente determina se a escala é realmente confiável, avaliando e refletindo a confiabilidade de cada item que a compõe. Os valores de α variam de 0 a 1,0. Quanto mais próximo de 1,0 o valor obtido, mais consistente é o instrumento de análise. Aplicado ao instrumento, foi obtido um coeficiente de 0,7, indício de uma boa consistência interna (VIEIRA, 2009; MOROCO; GARCIA-MARQUES, 2006).
Simultaneamente à constituição do instrumento de análise, realizou-se uma pesquisa sobre a trajetória acadêmica e profissional dos autores de livros didáticos de Física do PLND 2015. Essa pesquisa ocorreu mediante buscas em redes e mídias sociais e pelo currículo dos autores na Plataforma Lattes. A finalidade dessa busca foi mapear o seu perfil e tentar delinear relações entre a formação dos autores e as concepções pedagógicas que aparecem em suas obras.
## Resultados
Após a aplicação do instrumento aos livros didáticos, foi possível verificar a presença de indicativos das diversas concepções pedagógicas. Dentre eles, prevaleceram aqueles característicos da concepção pedagógica tradicional.
Corroborando essa observação, nos livros analisados a maior parte dos exercícios reforça a memorização e é desconexa da realidade do aluno e nos boxes são destacadas as fórmulas, facilitando sua memorização. Apesar dos textos, em sua maioria, não necessitarem da explicação do professor, a forma como são apresentados os conteúdos também privilegia a memorização, pois reduz os conhecimentos físicos ao formalismo matemático, estimulando a passividade do aluno no processo de ensino aprendizagem.
Também presentes, mas com menor expressividade, os livros apresentaram características da concepção pedagógica tecnicista. Essa concepção foi perceptível, principalmente, na estruturação das obras, que apresenta os conteúdos de modo compartimentalizado, resultando numa desconexão entre esses. Os experimentos, majoritariamente, são organizados por roteiros que visam comprovar a teoria vista anteriormente, organização que não contempla a discussão, induzindo o aluno a apenas observar o fenômeno. Os exercícios, por sua vez, em geral, são propostos de forma hierárquica em termos de dificuldades. Por outro lado, poucos são os textos que apresentam expressões matemáticas de forma isolada e sem significado.
Quanto à pedagogia renovadora, alguns traços de sua presença foram perceptíveis, especialmente em questões conceituais, experimentos abertos com o intuito de que aluno aprimore seu senso crítico. Porém, como as obras contêm em média apenas cinco experimentos, ela se apresenta pouco expressiva. Outro ponto a ser destacado, ainda que em poucos livros, é a apresentação da Física como um conjunto de conhecimentos construídos pela sociedade, desmistificando a ideia de que a Física foi construída por gênios idealizados e a estruturação do conteúdo relacionando-o com o cotidiano do aluno. Entretanto, foram poucas as obras que desenvolvem os conteúdos utilizando outras possibilidades além do formalismo matemático.
A concepção menos percebida na análise, segundo os elementos do instrumento, se comparada às outras concepções, foi a neoprodutivista. A interdisciplinaridade, aspecto recomendado inclusive pelo PNLD e característica dessa concepção, foi perceptível de forma esporádica e apenas em textos isolados,
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não no corpo principal do texto. Algumas das atividades experimentais propostas também apresentam componentes da concepção neoprodutivista, por exemplo, experimentos de baixo custo, mas, como visto anteriormente, os livros propõem poucos experimentos, o que faz com que esse aspecto seja pouco relevante no conjunto. Em relação aos exercícios, procura-se contextualizá-los, sendo apresentados alguns aplicados no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Entretanto, a maioria é de exercícios de vestibulares ou elaborados pelos autores.
A respeito dos dados levantados sobre o percurso acadêmico e profissional dos autores dos livros didáticos de Física da edição do PLND 2015, verificou-se que a maior parte deles possui graduação em Física e têm experiência docente na área no nível médio. Percebeu-se que, nos livros que apresentam propostas diferenciadas, os autores estão ligados a grupos de pesquisa em Ensino de Física, o que permitiu inferir que a formação acadêmica influencia na concepção pedagógica adotada pelo autor.
## Considerações finais
Em linhas gerais, o desenvolvimento da pesquisa também evidenciou uma tendência à padronização dos livros didáticos de Física, certamente pelo processo de avaliação ao qual as obras devem se submeter para serem aprovadas pelo PNLD, implicando numa organização dos conteúdos e na estrutura das coleções que atendam as prescrições do edital, resultando em um currículo pouco flexível.
Finalizando, considerando-se que o instrumento foi elaborado baseando-se no contexto da história da educação brasileira, entendemos que ele pode ser de grande utilidade na escolha dos livros didáticos de Física do PNLD. Devido à presença intensa dos livros didáticos nas salas de aula, instrumentos que promovam uma reflexão quanto à sua escolha, permitindo que os professores identifiquem a perspectiva sob a qual são apresentados os conteúdos e como podem dialogar com a sua prática pedagógica devem ser elaborados e estimulados o seu uso.
## Referências
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