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FLEXIBILIDADE COGNITIVA E TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL NO ENSINO DE FÍSICA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Graciely Rocha Braga, Wagner Duarte José

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FLEXIBILIDADE COGNITIVA E TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL NO ENSINO DE FÍSICA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

## Graciely Rocha Braga 1 , Wagner Duarte José 2

1 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Programa de Pós-Graduação em Ensino, gracy.rb@hotmail.com

2 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia /Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas, wagnerjose@uesb.edu.br

## Resumo

No ensino de Ciências/Física, o currículo da Educação de Jovens e Adultos (EJA) orienta que o ensino deve proporcionar no aluno a habilidade de formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas reais, colocando em prática conceitos, procedimentos e atitudes desenvolvidos no aprendizado escolar. Todavia, as pesquisas revelam a insuficiência do ensino tradicional para as necessidades formativas e as orientações curriculares da EJA. Neste trabalho, de cunho teórico, analisamos as contribuições da Teoria Histórico-Cultural e da Flexibilidade Cognitiva para o ensino e a aprendizagem de Física. Objetivamos dialogar com pesquisadores e educadores sobre possíveis contribuições da Flexibilidade Cognitiva como uma estratégia didática para a Teoria Histórico-Cultural no ensino e, principalmente, na aprendizagem de Física na EJA. Acreditamos que a capacidade de acessar conhecimentos anteriores presentes na memória e (re)organizá-los para solucionar uma nova situação ou problema, denominada de Flexibilidade Cognitiva, estabelece demarcada sintonia com pressupostos teóricometodológicos da Teoria Histórico-Cultural nas aulas de Física da EJA, a fim de promover nos sujeitos da EJA uma aprendizagem que desenvolva um pensar crítico e emancipador sobre o mundo que o cerca.

Palavras-Chave: Teoria Histórico-Cultural; Flexibilidade Cognitiva; Educação de Jovens e Adultos.

## Introdução

A proposta curricular da Educação de Jovens e Adultos na Rede Estadual de Ensino no Estado da Bahia, intitulada 'Educação de Jovens e Adultos: aprendizagem ao longo da vida' busca resgatar a cidadania e reparar consequências históricas e sociais que deram origem a um grupo com poucas oportunidades de estudo (RANGEL, 2011, SANTOS, 2015).

- O perfil destes sujeitos requer, com maior ênfase, a apropriação de conhecimentos relacionados às suas práticas cotidianas, de modo a compreenderem e intervirem criticamente na realidade. A Teoria Histórico-Cultural considera esses aspectos, afirma que a atividade representa a ação humana que intermedia o sujeito da ação (homem) e o objeto. Para Vygotsky, a aprendizagem é uma atividade social, mediante a qual o indivíduo apreende elementos da cultura e, na escola, por meio de orientação e mediação, os conhecimentos científicos.

No ensino de Ciências/Física, o currículo da EJA orienta que o ensino deve proporcionar no aluno a habilidade de formular questões, diagnosticar e propor

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soluções para problemas reais, colocando em prática conceitos, procedimentos e atitudes desenvolvidos no aprendizado escolar (Brasil, 2002). Trata de se desenvolver nos estudantes a Flexibilidade Cognitiva, conceito abordado por Rand Spiro e colaboradores na Teoria da Flexibilidade Cognitiva. A Flexibilidade Cognitiva possibilita a transferência de conhecimentos avançados em domínios complexos e pouco-estruturados, pois essa é compreendida como a capacidade de reorganizar o conhecimento para aplicá-lo em uma nova situação ou problema (SPIRO ET AL, 1987; CARVALHO, 2000).

Neste trabalho, analisamos as contribuições da Teoria Histórico-Cultural e da Flexibilidade Cognitiva para o ensino e a aprendizagem de Física. Objetivamos dialogar com pesquisadores e educadores sobre possíveis contribuições da Flexibilidade Cognitiva como uma estratégia didática para a Teoria Histórico-Cultural no ensino e, principalmente, na aprendizagem de Física na EJA. Nossa meta é abrir possibilidades de inovação num espaço de ensino e pesquisa que tem sido pouco debatido, com ponderações sobre a implementação e relevância de novas metodologias para o público adulto (VILANOVA, 2008).

## Vygotsky e a Aprendizagem na Perspectiva Histórico-Cultural

A Teoria Histórico-Cultural, corrente psicológica iniciada com Lev Semyonovich Vygotsky, recebeu, ao longo dos anos, contribuições de outros estudiosos, entre os quais destacamos Alexis Nikolaevich Leontiev e Vasily Davydov (LIBÂNEO; FREITAS, 2006). Vygotsky preocupou-se em estudar como se dava o desenvolvimento das funções psicológicas superiores no ser humano e utilizou o materialismo histórico e dialético de Marx para explicar esse desenvolvimento.

Ao nascer, o individuo possui as funções psicológicas elementares tais como ações, reflexões e simples associações, funções apresentadas por outros animais. A partir da relação com o meio e com outros indivíduos (atividade externa), o sujeito vai internalizando formas culturais de comportamento e pensamento (atividade individual) e, desta forma, o raciocínio dedutivo, a atenção, a memória voluntária e ativa, o pensamento abstrato, a consciência das ações vão se desenvolvendo. Estes qualificam as funções psicológicas superiores, comportamento tipicamente humano. (VYGOTSKY, 1991, p.17-29)

Para o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores, o ser humano (sujeito) relaciona-se com o mundo (objeto) de forma indireta e mediada. Nessa mediação, os instrumentos ligados à inteligência prática da criança e os signos são importantes elementos que, no individuo adulto, se combinam para conceber atitudes relevantes. O instrumento media a ação do sujeito sobre o objeto, situa-se no campo da prática de forma literal, não simbólica, é uma ação concreta e tem a função de conduzir uma atividade, visa o domínio da natureza. Os signos regulam a ação, auxiliam no processo da atividade interna do próprio sujeito, mas fazem isso no campo psicológico e não da ação concreta, são orientados visando o domínio do próprio indivíduo. Instrumentos e signos compartilham uma propriedade importante, ambos envolvem uma atividade mediada (VYGOTSKY, 1991).

Tendo que o processo de desenvolvimento avança mais lentamente que o processo de aprendizagem (VYGOTSKY 1991), o uso de signos e instrumentos age de forma significativa no desenvolvimento da criança. Para Vygotsky, a

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aprendizagem é uma atividade social pela qual os indivíduos assimilam os modos sociais de atividade e, na escola, os conhecimentos científicos, perante condições de orientação, mediação, interação social e cultural (NUÑEZ; FARIA, 2004, p.51).

## A Aprendizagem como uma das principais atividades da educação escolar e a Atividade de Estudo

Leontiev, com na teoria histórico-cultural de Vygotsky, elabora uma teoria sobre a atividade humana e os seus vínculos com os processos internos da mente, desponta-se à teoria da atividade (NUÑEZ; FARIA 2004). De acordo com Leontiev, uma atividade é composta de ações e operações sobre um objeto a partir de um motivo, que é a necessidade de se apoderar do objeto. Desta forma, a aprendizagem e o ensino passam a ser compreendidos como uma forma de atividade humana uma vez que é no ensino e na aprendizagem que se produzem a interação do mediador/orientador (professor) com o sujeito aprendiz e o seu objeto de estudo, o conhecimento científico.

Segundo os estudos de Leontiev, a atividade individual de aprendizagem é composta pelos elementos: necessidade, motivo, finalidade e condições para obter a finalidade; estes elementos se relacionam com: atividade, ações e operações. Ideias fortalecidas por Davydov,

Um determinado motivo incita uma pessoa a propor-se uma tarefa para assegurar a finalidade que, quando apresentada sob certas condições, requer a realização de uma ação para que a pessoa consiga criar ou adquirir o objeto que responde às demandas do motivo e satisfaça a necessidade. O procedimento e o caráter do cumprimento da ação dirigida a resolver a tarefa estão determinados pela finalidade desta. Por sua vez, as condições da tarefa determinam as operações concretas na execução da ação (1988, p.28).

Segundo este autor, a aprendizagem escolar é uma atividade que tem como finalidade garantir a aquisição do conteúdo escolar. Após a seleção dos conteúdos, as atividades são estruturadas de forma que se harmonizem com as necessidades e motivações dos alunos para que o aprendiz se sinta incentivado e desenvolva ações em torno do objeto. Os procedimentos a serem determinados estruturarão a parte didático-metodológica da atividade e definirão as ações para garantir a finalidade da atividade e as operações, que proporcionam condições necessárias para obter a finalidade.

Mas não é qualquer ensino que promove a aprendizagem e nem qualquer atividade que garante a apropriação do conhecimento científico. Atividades que tem por finalidade propiciar a apreensão de conhecimentos teóricos são conhecidas como Atividade de Estudo. Para Alberti e Bastos (2008), a atividade de estudo consiste em uma atividade planejada com determinada finalidade propiciando o ensino e a aprendizagem de conceitos que os alunos precisam aprender.

Davydov, com base nas teorias de Vygotsky e Leontiev, elaborou uma teoria denominada teoria do ensino desenvolvimental. Nesta teoria, mais do que manter a ideia fundamental da teoria histórico-cultural de que o ensino e a educação são formas universais do desenvolvimento psíquico do aluno dos quais os processos estão ligados a fatores socioculturais, o autor aprofunda o entendimento sobre a atividade de aprendizagem. Portanto, a função da escola consiste em ensinar os

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estudantes a pensarem por si mesmos mediante um ensino que potencialize o desenvolvimento mental (LIBÂNEO, 2006).

O ensino e a educação são os meios com que os adultos organizam a atividade para os alunos e, graças a sua realização estes reproduzem em si as necessidades surgidas historicamente, indispensáveis para a solução com êxito das diversas tarefas da vida produtiva e cívica das pessoas. (DAVYDOV 1988 apud ALBERTI e BASTOS,2008 p. 249)

Os procedimentos da atividade são inicialmente assimilados em sua forma externa e, aos poucos, vão se transformando em processos mentais internos. Nesta passagem, durante a realização da atividade, temos o papel importante de mediação desenvolvido pelo professor, que deve se apropriar de instrumentos necessários para ampliar o desenvolvimento mental interno dos seus alunos. Davydov propõe uma organização didática que visa unir a atividade de ensino do professor com a atividade de aprendizagem do aluno, propiciando a aquisição do pensamento teórico-científico e, consequentemente, a ampliação do desenvolvimento mental (LIBÂNEO; FREITAS, 2006).

Davydov reforça a concepção de que o conhecimento científico teórico é o âmago da atividade de estudo, a base do ensino desenvolvimental. Toda a estrutura e organização da atividade se dá em torno do conteúdo que, para ser apreendido, deve se relacionar com os motivos e as necessidades do sujeito que o apreende. Outro aspecto abordado por Davydov diz respeito aos professores, que devem dominar o conteúdo a ser ensinado e os instrumentos, meios e técnicas de ensino.

## Contribuições da Teoria Histórico-Cultural para o ensino-aprendizagem de Física por meio de Atividades de Estudo

Considerar que a aprendizagem, como atividade humana, se dá por meio da internalização de elementos determinados historicamente e organizados culturalmente a partir das trocas com o meio e com o outro é ponderar que o aluno, ao chegar à escola, já possui uma gama de conhecimentos que devem ser considerados e aproveitados no processo de ensino, algo importante para todas as modalidades de ensino, mas que na EJA é certamente mais expressivo.

Outro importante conceito da teoria histórico-cultural é o de pensar no desenvolvimento humano por processos mediados que garantam o desenvolvimento. Para isto, o professor da EJA deve ser visto como mediador do processo e não mais o detentor do processo, utilizando didáticas que assegurem a atuação de educador e educando.

Se o aprendizado antecede o desenvolvimento, o professor precisa empenhar-se em promover um ensino que intensifique a aprendizagem fazendo a mediação entre o desenvolvimento potencial (ligado à capacidade de resolver problemas, mas com a ajuda de alguém mais experiente) e o desenvolvimento real (engloba as funções mentais que já estão completamente desenvolvidas levando o sujeito a agir sozinho). Ou seja, maximizar a zona de desenvolvimento proximal do aluno (aquilo que, no momento, o sujeito ainda não possui e só consegue fazer com alguém; todavia, mais adiante conseguirá fazer sozinho) (VYGOTSKY, 1991).

O intento do ensino da Física é proporcionar ao estudante, condições de adquirir conhecimentos em Ciência e Tecnologia (C&T) para compreender o mundo

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a sua volta, mas raramente isto é alcançado. Pesquisas também apontam que o ensino tradicional prioriza a divisão entre a parte teórica e a prática, não favorecendo o desenvolvimento do aluno (ARRUDA, 2003), revelando a insuficiência do ensino tradicional para as necessidades formativas e as orientações curriculares da EJA.

Na relação do aluno adulto com o conteúdo da atividade escolar que, segundo a teoria da atividade, é o conhecimento científico, o professor de Física pode fazer uso de diversos recursos didáticos, como situações-problemas, equipamentos tecnológicos, jogos, experimentos, hipermídias. A finalidade é despertar o interesse dos alunos pelo conteúdo da disciplina, levantar as concepções prévias dos alunos sobre o assunto e problematizá-las, proporcionar um ambiente de aprendizado dinâmico com a interação com o outro.

Como exemplar, citamos a pesquisa desenvolvida por Richter (2013) no Ensino Médio, na qual analisa se as atividades de estudo mediadas por hipermídias educacionais no ensino aprendizagem de Física contribuem para a interação colaborativa entre os estudantes. A autora verificou que as atividades não devem ser apenas utilizadas para resolver problemas escolares, mas, elaboradas considerando a realidade e o contexto escolar do estudante, devem permitir que o estudante transponha o conhecimento para situações semelhantes às situações encontradas no seu cotidiano, durante a resolução das atividades.

## Flexibilidade Cognitiva como estratégia didática para a Teoria HistóricoCultural no ensino de Física da EJA

A Teoria da Flexibilidade Cognitiva (TFC) foi desenvolvida por Spiro e colaboradores (1987) com o intento de investigar o problema da transferência do conhecimento para domínios de conhecimento complexo e pouco-estruturados, caracterizados pela falta de regularidade, amplitude conceitual, variabilidade na aplicação e interligação entre diferentes conceitos. A transferência acontece quando o sujeito resgata os conhecimentos prévios a partir de diferentes fontes de conhecimento presentes na memória e os (re)arranja de forma a resolver uma nova situação. Esse processo dinâmico e flexível é denominado pela TFC de Flexibilidade Cognitiva (SPIRO ET AL, 1987).

Uma questão crucial para a Flexibilidade Cognitiva diz respeito à forma como o conhecimento é ensinado e apreendido, pois a TFC aponta o excesso de simplificação das estratégias de aprendizagem como uma das causas da dificuldade que o sujeito aprendiz apresenta em adquirir conhecimento em domínios complexos e pouco-estruturados (REZENDE E COLA, 2014). Para isto, a TFC utiliza uma abordagem centrada em casos que podem apresentar ou representar situações concretas nas quais se aplica o conhecimento conceitual. Cada caso pode ser dividido em uma unidade menor, os mini-casos, estes permitem que aspectos do caso sejam estudados e passem ter importância (CARVALHO, 2000).

Vasconcelos e Leão (2014) utilizaram o FlexQuest, um dispositivo didático dentro da Web que se baseia em casos e mini-casos reais obtidos na internet, para implementar princípios da TFC como estratégia de aprendizagem nas aulas de Química do 1º ano do Ensino Médio. O trabalho mostrou que o dispositivo baseado em situações reais possibilitou o desenvolvimento de um olhar crítico frente aos conteúdos veiculados em telejornais como também, a compreensão do conteúdo.

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A TFC também vem sendo utilizada para fundamentar a construção e utilização de hiperdocumentos com conteúdo das Ciências da Terra por estudantes da educação básica em ambientes de ensino e aprendizagem, nos estudos de Bolacha e Amador (2003). Os autores concluíram que a estrutura hipertextual em rede favorece a flexibilidade cognitiva e promove as aprendizagens combinatórias, associadas a raciocínios do tipo interpretativo e explicativo.

No ensino de Física, Vidmar (2017) investigou em que medida a estruturação de atividades didáticas de Física baseadas nos pressupostos da TFC e mediadas por hipermídias contribui para potencializar a realização de travessias temáticas por estudantes do ensino médio. Os resultados obtidos permitem concluir que as atividades didáticas favoreceram a realização das travessias temáticas pelos estudantes, essencial para o desenvolvimento da Flexibilidade Cognitiva.

Estes estudos partilham em comum que a Flexibilidade Cognitiva busca desenvolver no estudante, estruturas cognitivas flexíveis para que este possua a habilidade de 'pensar por si mesmo' (SPIRO ET AL, 1987), ao aplicar o conhecimento adquirido na escola para a grande variedade de situações em que esse conhecimento é relevante. A capacidade de usar o conhecimento de forma flexível e adaptá-lo de forma eficiente a contextos diferentes pode ser uma estratégia viável de trabalho para potencializar o desenvolvimento cognitivo dos sujeitos aprendizes da EJA.

Ao tratarmos da educação escolar temos a aprendizagem como principal atividade que interpõe o sujeito aprendiz e o objeto do conhecimento, ideias exploradas por Leontiev e Davydov. O processo de aprendizagem é mais do que a aquisição de informações, é a capacidade de pensar sobre várias coisas, pois é o aprendizado que possibilita o desenvolvimento e torna o que antes era apenas desenvolvimento proximal em um desenvolvimento real.

No mundo complexo e marcado pelas constantes mudanças socioeconômicas, científicas e tecnológicas, a aquisição dos conhecimentos de Física por meio da aprendizagem deve conceber no educando adulto um pensamento autônomo, analítico e dinâmico para além dos problemas de sala de aula. Nessa perspectiva, verificamos que a Flexibilidade Cognitiva se ajusta aos objetivos da THC, vindo a constituir atividades de estudo que tenham como uma de suas finalidades propiciar a transferência do conhecimento para diferentes situações.

Em recente trabalho, Braga e José (2018), analisaram um dos capítulos do livro didático da Educação de Jovens e Adultos da temática Energia e Consumo, buscando verificar sua potencialidade para promover a flexibilidade cognitiva nos educandos em aulas de Física. Os autores verificaram que o livro apresenta os conhecimentos da Física em diferentes situações e com diferentes abordagens: situações cotidianas, funcionamento de aparelhos tecnológicos, notícias de jornais, acontecimentos históricos e ambientais, entre outros, possibilitando o desenvolvimento no aluno de um pensamento flexível.

## Considerações Finais

Conhecimentos que não parecem exercer influência significativa na formação cultural científico-tecnológica e na melhoria do raciocínio na solução dos problemas da Física ou da vida diária, falta de motivação dos estudantes em

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aprender Física, em função do formalismo matemático desprovido de significados, são algumas das dificuldades apontadas nas pesquisas (ARRUDA, 2001) concernentes ao ensino e aprendizagem da Física. Na EJA, essas dificuldades são acrescidas das especificidades dos sujeitos aprendizes, afirmando a necessidade de metodologias diferenciadas das tradicionais com ferramentas didáticas que auxiliem no processo de ensino e aprendizagem.

A Teoria Histórico-Cultural, ao ponderar que o desenvolvimento pleno do ser humano depende do aprendizado que ele estabelece em um determinado grupo cultural com base na sua interação social com outros indivíduos (ROCHA; DE CHIARO, 2016), assegura que o ensino de Física na EJA considere as vivências dos educandos de forma a contextualizar os conteúdos, permitindo a participação ativa dos aprendizes e emprego de dispositivos didáticos que auxiliem no processo de aprendizagem. A teoria da atividade e a teoria do ensino desenvolvimental oferecem aportes teórico-metodológicos para que o professor aprimore sua didática por meio de atividades de estudo.

Na Teoria Histórico-Cultural, a aprendizagem é a capacidade de ter um pensamento autônomo sobre variadas situações de modo que o sujeito tenha mecanismos para intervir no seu mundo e em si mesmo (VYGOTSKY, 1991). A análise que realizamos nesse trabalho sugere que a capacidade de acessar conhecimentos anteriores presentes na memória e (re)organizá-los para solucionar uma nova situação ou problema, denominada de Flexibilidade Cognitiva, tem potencial contribuir com os pressupostos teórico-metodológicos da Teoria HistóricoCultural nas aulas de Física da EJA, a fim de promover nos sujeitos da EJA uma aprendizagem que desenvolva um pensar crítico e emancipado sobre o mundo que o cerca.

## Referências Bibliográficas

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