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O USO DO APLICATIVO PLICKERS NO ENSINO DE FÍSICA

Gabriela Fuelber Da Luz, Samuel Willian Schwertner, Nathália Bender Tessaro, Mara Fernanda Parisoto

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O USO DO APLICATIVO PLICKERS NO ENSINO DE FÍSICA

## Gabriela Fuelber da Luz 1 , Nathália Bender Tessaro 2 , Samuel Willian Schwertner Costiche 3 , Orientadora Prof.ª Drª Mara Fernanda Parisoto 4

- 1 Universidade Federal do Paraná (UFPR), gabriela.fuelber@gmail.com
- 2 Universidade Federal do Paraná (UFPR), bendertessaro@gmail.com
- 3 Universidade Federal do Paraná (UFPR), samuelcostiche1@gmail.com
- 4 Universidade Federal do Paraná (UFPR), marafernandaparisoto@gmail.com

## Resumo

Neste artigo propomos a utilização do aplicativo Plickers como ferramenta de avaliação, pesquisa e estruturação de aulas voltadas ao ensino de cinemática nas aulas de Física. Diante da necessidade da inserção de recursos tecnológicos na dinamização do ensino em geral, analisamos a relação custo-benefício do aplicativo em comparação com outros dois recursos análogos, a saber, o Clickers e o Socrative, e considerando as ferramentas de avaliação e armazenamento de dados do aplicativo Plickers, discutimos como a implementação do mesmo mostra-se gradualmente efetiva no desempenho dos alunos e na detecção de dúvidas pelo professor. Os dados obtidos através do Pré-Teste e do sistema de armazenamento e organização de dados do aplicativo foram organizados em tabelas e gráficos que comparam o desempenho dos alunos do Projeto Licenciar Formação inicial e continuada de professores e alunos de ensino médio nos laboratórios de Física na UFPR antes e após a utilização do Plickers, que visava detectar e corrigir as falhas conceituais dos alunos com relação aos conteúdos da emenda do projeto. Concluímos que a utilização deste recurso representa um avanço significativo na rapidez e eficiência com que o(s) professor(es) percebem e expõem possíveis falhas conceituais da aula. Além disso, propicia um ambiente dialogicamente construído que converge para a autonomia do aluno na construção de seu conhecimento, mantendo a bagagem teórica necessária para a aprendizagem da disciplina de Física pela mediação do professor diretamente no objeto de dúvida do aluno.

Palavras-chave : Avaliação por pares, Plickers, Cinemática.

## Introdução

Avaliação formativa é considerada uma atividade permanente e crítico-reflexiva para o acompanhamento do processo de aprendizagem em ações educacionais. No ensino, é utilizada visando fornecer um feedback a professores e alunos acerca do que o aluno aprendeu, necessita aprender, quais são suas necessidades individuais e aspectos da explicação que precisam ser modificados, com o intuito de individualizar o atendimento ao aluno e solucionar as falhas na aprendizagem (BLOOM et al., 1983).

Na metodologia ativa o professor exerce a função de mediador no ensino, desenvolvendo a aprendizagem através da problematização e contextualização do conteúdo estudado, envolvendo ativamente os alunos em seu processo de formação (BERBEL, 2011). A inserção de recursos avaliativos dinâmicos nas escolas é, neste sentido, uma forma concreta de atender simultaneamente a efetividade avaliativa do docente e a necessidade da participação autônoma do aluno, modernizando o

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ensino na medida saudável entre o abstrato e o lúdico, sem que a inserção da tecnologia na escola seja mera convenção por conta de seu intenso uso na sociedade em geral, como enfatiza PRADO:

'Repensar a Educação não significa simplesmente acatar as propostas de modernização, mas sim repensar a dinâmica do conhecimento de forma mais ampla, e, consequentemente, o novo papel do educador como mediador desse processo' (PRADO, 1999).

A aprendizagem baseada em problemas e a Hands-on-Tec (mãos nas tecnologias digitais), são exemplos de metodologias de ensino ativo que consistem no questionamento instigativo feito pelo docente, motivando a curiosidade dos alunos e a promoção de sua autonomia quando bem aplicados (PEREIRA & SCHUHMACHER, 2013; DITZZ & GOMES, 2017) . O aplicativo Plickers, em especial, utilizado como ferramenta auxiliar no Projeto Licenciar - Formação inicial e continuada de professores e alunos de ensino médio nos laboratórios de Física na UFPR, pode ser facilmente implementado devido a seu baixo custo, o que frente a sua efetividade, fez com que este se tornasse a principal ferramenta de avaliação e pesquisa nas atividades do projeto.

## Utilização de dispositivos móveis no ensino.

O uso de dispositivos móveis como Smartphones, Personal Digital Assistants (PDAs) e Tablets melhora o processo educativo, na medida em que é um instrumento auxiliar do trabalho pedagógico do docente, contribuindo no acesso às informações e conhecimentos por parte dos alunos, e tornando as aulas mais atrativas para os estudantes (SOUSA, 2011, p. 27; RAMOS, 2012), tanto pela familiaridade dos alunos com este tipo de ferramenta, quanto pelas características que lhe distinguem do ensino comum, como afirma MORAN:

'O vídeo é sensorial, visual, linguagem falada, linguagem musical e escrita. Linguagens que interagem superpostas, interligadas, somadas, não separadas. Daí a sua força. Somos atingidos por todos os sentidos e de todas as maneiras. O vídeo nos seduz, informa, entretém, projeta em outras realidades (no imaginário), em outros tempos e espaços' (MORAN, 1995, p. 27)

Questionários sistemáticos, mediados por celulares, além de um meio de avaliação dos estudantes podem ser usados também para avaliação da prática docente, pois é possível constatar imediatamente conteúdos que foram absorvidos ou não pelos mesmos, corrigindo-os direta e imediatamente, além de fornecerem um compilado de informações armazenáveis que viabilizam a reformulação e estruturação das aulas.

## Plickers

O aplicativo Plickers é uma ferramenta de avaliação disponível na Internet (web) e gratuito, onde o professor pode coletar dados em tempo real, sem a necessidade de dispositivos eletrônicos dos alunos. O aplicativo está disponível para Android, iOS e possui um link online , onde os professores podem elaborar

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questionários para aplicarem em uma turma obtendo um feedback instantâneo das respostas individuais de seus alunos.

- O programa fornece ao professor a ferramenta para gerar turmas e inserir até 63 alunos (Figura 1), onde cada um possuirá um número de identificação que auxilia a análise estatística dos discentes e a leitura de respostas. Através de um cartão resposta impresso ( QR CODE ), cada aluno dispõe de quatro alternativas (a,b,c,d) pelas quais fornece sua resposta ao problema proposto (Figura 2).

Figura 1: Exemplo de Turma.

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Figura 2: Exemplo de Card.

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Uma vez selecionada a questão, o professor permite que os alunos a analisem e escolham a alternativa que julgam ser correta, colocando-a em modo ' Live View ' (Figura 3). Cada resposta é contabilizada em um gráfico através da leitura do código pelo dispositivo móvel do professor, que de modo anônimo, exibe os índices de acerto e erro da turma. Pessoalmente, o professor dispõe ainda de informações acerca de qual(ais) alunos acertaram ou erraram a questão (Figura 4). Por fim, o professor faz uma abordagem geral ou individual atenuando e corrigindo os erros dos alunos, atividade que pode ainda ser feita em um contexto de debate entre os alunos, a fim de chegarem à um consenso por seus próprios argumentos.

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Figura 3: Exemplo de questão, utilizando Live View.

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Figura 4: Estatísticas das respostas obtidas.

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## Organização e objetivo do projeto

O projeto possui a participação de 8 alunos que cursam o Ensino Médio tanto em escolas públicas como particulares, na faixa etária dos 15 a 17 anos, isto é, no período de preparação para os vestibulares. As aulas foram divididas em duas partes, sendo uma delas teórica e lúdica, a outra experimental (Tabela 1). Inicialmente foi aplicado um pré-teste a fim de avaliar o nível de conhecimento prévio dos alunos, e contrastar os desempenhos inicial e final, identificando ponto a ponto os eventuais objetos de dúvida dos alunos.

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Tabela 1: Ementa das aulas de Física.

## Resultados Obtidos

Os resultados obtidos através dos questionários, do Pré-Teste e do aplicativo Plickers, foram organizados em tabelas (Tabelas 2 e 3), por percentual total de acordo com a quantidade de acertos, gerando a situação de cada aluno, que serviram para análise do desenvolvimento da aprendizagem individual e da turma como um todo.

Tabela 2: Percentual de acertos e análise individual dos alunos no Pré-Teste.Tabela 3: Percentual de acertos e análise individual dos alunos no Plickers.

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As questões estão separadas por três tonalizações de bege diferentes (gradualmente acentuadas) que correspondem a diferentes abordagens do conteúdo de cinemática. A partir disso podemos realizar duas análises distintas: Análise por conteúdo abordado e por desempenho geral da turma.

## Análise por conteúdo abordado

Como as abordagens da cinemática estão separadas por cores diferentes a análise por conteúdo foi feita a partir de cada tonalização.

A cor mais clara corresponde a questões que abordaram conceitos de MRUV (movimento retilíneo uniformemente variado) e MRU (movimento retilíneo uniforme). Observa-se que inicialmente no Pré-Teste a soma da turma foi de 32 acertos de um total de 48 questões propostas, obtido através da multiplicação do número de questões pelo número de alunos, totalizando 66%. Já nas questões aplicadas em sala após uma nova explicação de um total de acertos igual a 24 questões os alunos acertaram 19 questões, totalizando 79% de êxito. Sendo assim há um ganho de 12,5%.

A tonalização intermediária relaciona-se com a análise de gráficos aplicados ao MRUV e MRU. A princípio, no Pré-Teste, as questões de análise gráfica os alunos não tiveram um bom êxito. Houveram apenas 13 acertos de um total de 48 questões, cerca de 27% de acertos. Após a aula de gráficos, os alunos acertaram 17 respostas do total de 32 questões, isto é, 53% das questões foram corretamente respondidas, o que representa um avanço de 26%.

E por fim a cor mais escura é referente a movimento em duas dimensões. A primeiro modo, os alunos acertaram 22 respostas de 64 questões, totalizando 34% de respostas corretas. Posteriormente, alcançaram 46% de êxito que corresponde à 11 acertos de 24 questões, efetivando 12% de avanço na aprendizagem. Na continuação do projeto, estes dados serão analisados segundo o pacote estatístico SPSS, a fim de verificar se houve aprendizagem significativa ao longo das aulas.

## Análise por desempenho geral da turma

GRÁFICO 1: Porcentagem de erros e acertos ao longo das aulas.

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A utilização do aplicativo como ferramenta avaliativa permitiu que os níveis de desempenho dos alunos fossem imediatamente analisados. Uma vez que as respostas eram apresentadas anonimamente em um diagrama (ver figura 4), cada aluno confrontava-se com sua resposta e o gabarito, sendo levado então a refletir acerca de seu erro ou acerto. Especialmente no decorrer da segunda e terceira aulas, onde o conteúdo anterior era indispensável, houve um aumento no número de erros percentuais dos alunos, o que levou a criação de um ambiente de divergentes respostas para as quais a reflexão dialógica foi explorada. Este cenário, previamente concebido pela formulação de questões conceituais que exigiam o entendimento completo do fenômeno físico estudado, foi guiado de modo a desenvolver as aulas com o debate das concepções dos próprios alunos, que ao final culminaram em um consenso geral da turma, senão por suas próprias conclusões, através da intervenção e mediação dos professores, concretizando o papel autônomo do aluno tanto no mérito de seu acerto, quanto na consideração e identificação de seu erro (KENSKI, 2008, p.14). Constatamos que os alunos mantinham certa dificuldade em assimilar o conteúdo de aulas anteriores com o conteúdo das aulas posteriores, e este tornou-se o principal alvo de intervenção e mediação por parte dos professores. Em torno disto um modelo de aula foi traçado (Figura 5), valorizando a interação dialógica dos alunos e, ao mesmo tempo, a importância da bagagem teórica ministrada pelo professor.

Figura 5: Planejamento de aula.

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## Considerações Finais

Ao longo da utilização de metodologias ativas, em especial com relação ao aplicativo, apontamos o aumento gradativo do desempenho dos alunos nos exercícios propostos. Nota-se que a utilização do aplicativo Plickers, além de ser usado como ferramenta de avaliação dos estudantes, também pode ser útil para avaliar a prática docente, pois possibilita a formulação de estratégias para identificar e corrigir possíveis falhas no processo de interiorização do conteúdo de forma rápida. Estes dados levam a crer que, na aplicação de um pós-teste, o contraste no desempenho dos alunos seja significativamente positivo, bem como a aplicação

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contextualizada e experimental sugere que haja uma interiorização prolongada do conteúdo, ao contrário de seu entendimento e aplicação momentânea, como se pretende com o uso de metodologias ativas.

## Referências

BERBEL, N.A.N. As metodologias ativas e a promoção da autonomia de estudantes. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Londrina, v. 32, n. 1, p. 25-40, jan./jun. 2011.

BLOOM, B. S.; HASTINGS, J. T.; MADAUS, G. F. Manual de Avaliação Formativa e Somativa do Aprendizado Escolar. S. Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1983.

- DITZZ, Áquila Jerard Moulin; GOMES, Geórgia Regina Rodrigues. A UTILIZAÇÃO DO APLICATIVO PLICKERS NO APOIO À AVALIAÇÃO FORMATIVA. Revista Tecnologias na Educação - Ano 9 - Número/Vol.19 - Julho 2017. Disponível em:
- &lt; http://tecedu.pro.br/wp-content/uploads/2017/07/Art19-vol19-julho2017.pdf&gt;. Acessado em: 01/07/2018.

MORAN, J. M. O vídeo na sala de aula. Comunicação e educação. São Paulo, v.1, n.2, p. 27-35, Jan./abr. 1995.

PEREIRA, Fernando Candido; SCHUHMACHER, Elcio. HANDS-ON-TEC E A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA DE CONCEITOS DE FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA. Meaningful Learning Review - V3(2), pp. 22-34, 2013. Disponível em: &lt;http://www.if.ufrgs.br/asr/artigos/Artigo\_ID46/v3\_n2\_a2013.pdf&gt;. Acessado em: 07/07/2018.

PRADO, M. E. B. B. O uso do computador na formação do professor: um enfoque reflexivo da prática pedagógica. Coleção Informática para a mudança na Educação, ProInfo-SEEDMEC, 1999.

RAMOS, Márcio Roberto Vieira. O USO DE TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA. Revista Eletrônica: LENPES-PIBID de Ciências Sociais. Edição Nº. 2, Vol. 1, jul-dez. 2012.

SOUSA, RP., MIOTA, FMCSC., and CARVALHO, ABG., orgs. Tecnologias digitais na educação [online]. Campina Grande: EDUEPB, 2011. 276 p. Disponível em: &lt;https://static.scielo.org/scielobooks/6pdyn/pdf/sousa-9788578791247.pdf&gt;. Acessado em: 01/07/2018.

KENSKI, Vani Moreira (2008). Novos processos de interação e comunicação no ensino mediado pelas tecnólogas. Disponível em: &lt;http://www.prpg.usp.br/attachments/article/640/Caderno\_7\_PAE.pdf&gt;. Acessado em: 02/07/2018.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.