ESTIMULANDO MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS POR MEIO DO PLURALISMO METODOLÓGICO NO ENSINO DE CIRCUITOS ELÉTRICOS
Gabriel Santos Ortiz, Luciano Denardin
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 28/01/2019
- Linha de pesquisa
- Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ESTIMULANDO MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS POR MEIO DO PLURALISMO METODOLÓGICO NO ENSINO DE CIRCUITOS ELÉTRICOS
## Gabriel Santos Ortiz¹, Luciano Denardin²
- 1 Escola de Ciências/Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, gabriel.ortiz.001@acad.pucrs.br
- ² Escola de Ciências/Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, luciano.denardin@pucrs.br
## Resumo
Este trabalho investigou como a pluralidade de metodologias de ensino pode contribuir com o desenvolvimento das diferentes inteligências dos estudantes de ensino médio. Realizou-se uma revisão bibliográfica sobre a teoria de inteligências múltiplas de Gardner e sobre o pluralismo metodológico com o intuito de desenvolver uma unidade de aprendizagem democrática que estimulasse diversas inteligências e que envolvesse o maior número possível de estudantes. Os dados foram coletados por meio da gravação em áudio das aulas, da observação participante e de um questionário aplicado ao fim da unidade. Para realizar a análise dos dados optou-se pela Análise Textual Discursiva sendo o próprio espectro de inteligências definido como categorias a priori. Observou-se que algumas metodologias estimularam um leque de inteligências que não era esperado inicialmente. Além disso, a realização de atividades mais práticas em grupos se mostrou a melhor maneira de estimular diversas inteligências. Por fim, verificou-se a manifestação de oito inteligências durante a pesquisa, fato que só foi possível devido à diversidade de metodologias utilizadas.
Palavras-chave : inteligências múltiplas, pluralismo metodológico, ensino de física, circuitos elétricos.
## Introdução
O ensino de física no Brasil, de maneira geral, se mantém com um caráter expositivo, se resumindo à memorização de nomenclaturas científicas, regras e receituários, conceitos abstratos e resolução de exercícios utilizando fórmulas mal compreendidas (DELIZOICOV; ANGOTTI; PERNAMBUCO, 2009). Gardner (1993) propicia um importante debate educacional ao afirmar que as escolas têm a tradição de supervalorizarem as inteligências lógico-matemática e linguística e desvalorizarem alunos com outras inteligências. Laburú e Carvalho (2013) contribuem ao debate sobre essa questão ao criticarem a ideia de que exista um método ideal e universal para ser aplicado em sala de aula. Dessa forma, com o intuito de alcançar diferentes alunos, os autores acreditam que os professores devem buscar diversificar ao máximo suas estratégias de ensino e sugerem a ideia do pluralismo metodológico.
Visando a contribuir na construção de um ensino mais democrático, crítico, ativo e que respeite as individualidades dos estudantes, este trabalho analisou como uma unidade de aprendizagem de circuitos elétricos focada no pluralismo metodológico pode auxiliar a desenvolver diferentes inteligências e incluir mais alunos durante os processos de ensino e aprendizagem.
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## Fundamentação Teórica
## As Inteligências Múltiplas de Gardner
A teoria de Inteligências Múltiplas de Howard Gardner foi um marco no campo da psicologia cognitiva ao se contrapor à visão tradicional de inteligência como uma capacidade absoluta e mensurável do ser humano. Partindo de alguns critérios, Gardner (1993) propõe que as inteligências podem ser encaradas como um espectro de competências associadas a elas. As inteligências propostas por Gardner podem ser classificadas, de maneira resumida, como apresentado no Quadro 1.
Quadro 1: Inteligências Múltiplas
FONTE: adaptado de Gardner; Kornhaber; Wake (1998) e Gardner (2001)
Considerando que o sistema educacional não costuma levar em conta a diversidade de inteligências dos estudantes, Gardner (2001) defende que os educadores devam ensinar qualquer disciplina ou conceito de várias formas, ativando diferentes inteligências, pois essa pluralidade de abordagens permitiria que o professor envolvesse mais estudantes.
## O Pluralismo Metodológico
De acordo com Laburú e Carvalho (2013) foram as ideias de anarquismo epistemológico de Feyerabend que inspiraram diretamente a concepção do pluralismo metodológico. Assim como o filósofo defendia uma metodologia pluralista para o desenvolvimento científico, os autores entendem que, em um ambiente tão complexo e plural quanto a sala de aula, a adoção de uma única metodologia de ensino parece inadequada aos processos de ensino e aprendizagem. Porém é importante ressaltar que a ideia de anarquismo não significa a rejeição aos princípios já estabelecidos, e sim, a oposição a uma concepção imutável considerada como a única correta e capaz de resolver todos os problemas. O
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pluralismo, portanto, não nega as metodologias existentes, mas critica o uso de um método único, fixo, restrito e considerado universalmente válido. É preciso compreender que todas metodologias, incluindo as menos populares, têm suas vantagens e desvantagens e podem ser úteis para determinadas situações de sala de aula (LABURÚ; CARVALHO, 2013).
- O professor pluralista deve ser incentivado a ter uma prática profissional criativa, crítica e curiosa, sempre se mantendo inconformado e buscando uma solução nova para cada momento. Ele precisa ter consciência de que nunca chegará em um resultado absoluto e deve estar sempre disposto a examinar, experimentar, inovar e arriscar outras abordagens em sala de aula (LABURÚ; CARVALHO, 2013).
## Metodologia
A pesquisa foi realizada com 34 estudantes, com idades entre 16 e 18 anos, matriculados em três turmas do 3º ano do ensino médio de uma escola pública estadual em Porto alegre, Rio Grande do Sul.
Desenvolveu-se uma unidade de aprendizagem sobre circuitos elétricos buscando adotar uma grande variedade de metodologias, de forma a respeitar as individualidades de cada aluno e trabalhar com eles diversas inteligências. Para identificar que ações pedagógicas seriam mais adequadas para explorar as diferentes inteligências, utilizaram-se as relações entre atividades de ensino e inteligências propostas por Armstrong (2001).
A pesquisa teve caráter qualitativo e os dados utilizados foram coletados de quatro maneiras: gravação em áudio das aulas; atividades entregues pelos estudantes; questionário para ser respondido pelos estudantes e observação participante ao longo das aulas com auxílio de um diário.
Como metodologia de análise foi utilizada a Análise Textual Discursiva (ATD), proposta por Moraes e Galiazzi (2006), sendo as próprias inteligências do espectro de Gardner definidas como categorias a priori .
## Análise dos Resultados
## Inteligência Linguística
Como sugerido por Armstrong (2001), uma forma de trabalhar a inteligência linguística com os alunos é por meio da leitura de textos, diálogo e escrita das ideias. Para estimular a reflexão dos estudantes quanto do papel da escola na sociedade, optou-se pela leitura de um texto, debate e algumas questões para que os estudantes expressassem suas ideias por meio da escrita. Uma das questões solicitava que os estudantes manifestassem suas opiniões sobre o modelo de ensino da escola. Ao opinar sobre seu ensino, alguns alunos demonstraram interesses específicos que podem ser relacionados com suas inteligências, por exemplo:
Se houvesse mudança, eu gostaria que fosse no modo de dar aula, que é aquela coisa só de falar, só PowerPoint. Não consigo aprender assim, só com texto mesmo. Também mudaria o jeito de avaliar, pois acho que a palavra prova carrega um peso muito grande, eu sou uma que fico muito nervosa. (ALUNA U)
Percebe-se que a aluna critica a aula expositiva que predomina na sua escola e afirma que só consegue aprender o conteúdo por meio da leitura, sendo um
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forte indicador de inteligência linguística (ARMSTRONG, 2001). No que tange à avaliação, sua opinião vai ao encontro das ideias de Gardner (2001), defendendo que a prova não é um bom instrumento avaliativo.
Armstrong (2001) preconiza que estudantes com inteligência linguística pensam com palavras e uma das ferramentas para estimulá-los seria os debates. Pensando nisso, foi realizado um seminário sobre fontes de energia na Aula 14. Para que os estudantes exercitassem a expressão das ideias debatidas por meio da escrita, eles foram orientados a responderem alguns comentários de uma publicação do Facebook sobre o licenciamento ambiental de uma usina hidrelétrica que lhes foi entregue. Durante a entrega da atividade, foi feito o seguinte comentário:
Bah! Adoro responder as coisas no Facebook! (ALUNO Y)
- O interesse do aluno em responder comentários em redes sociais pode indicar que ele gosta de debater e se sente à vontade em expressar suas ideias na forma escrita, sugerindo a presença de inteligência linguística e, talvez, existencial.
## Inteligência Lógico-Matemática
Pensando que jogos matemáticos são um bom estímulo à inteligência lógicomatemática (ARMSTRONG, 2001), foi desenvolvido um jogo de cartas sobre circuitos elétricos para ser aplicado durante a Aula 10. Usando os conceitos abordados em aula, os alunos deveriam deduzir as cartas que seriam necessárias para alcançar seus objetivos. O diálogo abaixo apresenta uma tentativa para resolver o problema:
Aluno E: Sor, a gente tem que montar um circuito paralelo com uma corrente total de 1A. Estou pensando em fazer o cálculo da resistência equivalente por essa fórmula. Estou indo pelo caminho certo?
Professor: Essa é uma possibilidade, mas vai dar muito trabalho. Acho que seria mais fácil tu analisares as possibilidades de corrente ramo a ramo.
Aluno E: Tá... Se eu colocar uma bateria de 10V com uma lâmpada de 20Ω e duas de 40 Ω, minhas correntes vão ser de 0,5A, 0,25A e 0,25A, que somadas dá o 1A.
Apesar do conteúdo de resistência equivalente não ter sido muito explorado em sala de aula até aquele momento da unidade de aprendizagem e o professor ter desenvolvido exemplos específicos para o jogo sem esse conceito, o Aluno E imaginou uma sequência de cálculos que poderia ser realizada utilizando esse conceito, demonstrando o uso da inteligência lógico-matemática.
## Inteligência Espacial
Gardner, Kornhaber e Wake (1998) relacionam a inteligência espacial com a capacidade de perceber a organização dos objetos no espaço de maneira precisa. Pensando nisso, diversas atividades experimentais foram propostas durante a unidade de aprendizagem. Durante a Aula 2, por exemplo, os alunos receberam materiais para testar a eletrização por atrito de forma a introduzir os conceitos de carga elétrica. O diálogo abaixo evidencia que o Aluno V percebe como realizar a montagem antes de seus colegas:
Aluno W: Sor, como que a gente monta isso?
Aluno V: Tem que botar o alfinete por baixo e a rolha por cima, olha aqui!!
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Observando as tentativas dos colegas, o Aluno V consegue visualizar mentalmente a maneira correta de arranjar os materiais, um forte indício do uso de sua inteligência espacial. A interação com seu colega sugere que, além da inteligência espacial, experimentos em grupo também permitem o desenvolvimento da inteligência pessoal.
Além dos experimentos em aula, nas aulas 15 e 16, os alunos tiveram que trabalhar em uma maquete residencial na qual deveriam apresentar alguns dos circuitos elétricos da instalação elétrica da casa. Observando as maquetes na Figura 1, fica claro que, além da inteligência espacial, o manuseio de objetos em escala reduzida e a organização adequada dos mesmos exigiu da coordenação motora dos alunos, um forte indicador de que a inteligência corporal-cinestésica foi utilizada (ARMSTRONG, 2001).
Figura 1:
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Planta baixa e maquetes produzidas pelos estudantes. FONTE: arquivo pessoal dos autores.
## Inteligência Corporal-Cinestésica
Assim como para a inteligência espacial, experimentos práticos são uma boa alternativa para explorar a inteligência corporal-cinestésica (ARMSTRONG, 2001). Na Aula 3, por exemplo, os alunos foram desafiados a acenderem um LED com o intuito de identificarem que situações permitiam a condução de corrente elétrica. No diálogo abaixo é possível perceber o interesse do Aluno X no material apresentado:
Aluno X: Consegui sor! E se eu colocar dois LEDs? Eu consigo acender dois LEDS?
Professor: . Se você ligar da forma adequada, vai conseguir acender os dois.
Aluno X: Ah olha só! Consegui acender dois LEDs, olhem só, Aluna T, Aluna U, fiz dois LEDs acenderem!
A motivação do Aluno X em ir além do pedido pelo professor e continuar manipulando os materiais para construir um circuito mais complexo é um forte indício da inteligência corporal-cinestésica (ARMSTRONG, 2001).
## Inteligência Intrapessoal
A inteligência intrapessoal está relacionada com o autoconhecimento do indivíduo e uma das formas de colocá-la em prática é por meio de autoavaliação (ARMSTRONG, 2001). Em uma das perguntas entregues na aula 1, esperava-se que os alunos questionassem também seu próprio esforço dentro da sala de aula, como pode ser observado na resposta abaixo:
Esse ano eu não estou me esforçando, confesso que não sinto vontade de ir para aula, acho que é por eu ter que estagiar e acordar cedo e também por me estressar com algumas professoras. (ALUNA P)
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Percebe-se que a aluna refletiu e tem consciência do seu pouco esforço na escola. Ainda assim, avança na reflexão buscando compreender as razões por trás de sua baixa motivação, indicando o uso da inteligência intrapessoal.
## Inteligência Interpessoal
A inteligência interpessoal está relacionada com a capacidade de compreender e se relacionar com o outro. Em um dos experimentos já citados, quando o Aluno X está motivado por ter acendido dois LEDs, além de compartilhar isso com as colegas, ele faz o seguinte pedido ao professor:
Professor, posso levar para casa? Vou mostrar para o meu pai que eu consigo acender um LED! (ALUNO X)
Armstrong (2001) entende que quando um estudante ensina algo a outra pessoa, ele está trabalhando sua inteligência interpessoal. A fala do estudante demonstra seu interesse em compartilhar o conhecimento construído com outras pessoas, neste caso seu pai, sendo então um forte indício dessa inteligência.
Durante a primeira aula de revisão e exercícios (Aula 8), um aluno estava tendo dificuldades para compreender um exercício e seu colega se levantou e foi até o quadro para tentar lhe explicar:
Aluno O: Sor, eu não entendi o porquê da montagem x não estar certa.
Aluno N: Ah meu, quando a gente acendeu o LED, ele tinha duas perninhas e ele só acendia se a gente ligasse um polo da pilha em cada perninha, porque daí formava um caminho fechado para a corrente passar. A lâmpada não tem as perninhas, mas ela tem dois terminais. Um fica aqui embaixo e outro fica aqui pelas laterais.
Ao se levantar e se expor na frente da turma para discutir o exercício com seu colega, o Aluno N demonstrou estar utilizando sua inteligência interpessoal, visto que o tutoramento de colegas é considerado uma atividade importante para o desenvolvimento dessa inteligência (ARMSTRONG, 2001).
## Inteligência Existencial
Pensando que a inteligência existencial está relacionada com a reflexão de questões fundamentais (GARDNER, 2001), ela pode ser trabalhada ao se propor debates que induzam os estudantes à reflexão e ao pensamento crítico. Nas questões da Aula 1, alguns estudantes parecem ter refletido sobre questões essenciais e realizado uma análise crítica. Um exemplo disso é o excerto abaixo:
Consigo aprender do jeito que é ensinado mas acho a infraestrutura inadequada e uma falta de motivação generalizada por parte de alunos e professores. Acredito que uma maior autonomia de disciplinas e horários de acordo com a aptidão do estudante seria o melhor modo de motivar a todos, inclusive a mim. (ALUNO A)
Ele demonstra ter refletido sobre o papel que a educação escolar deve ter na vida das pessoas na sociedade e, para ele, os estudantes deveriam poder se concentrar especificamente nos assuntos que mais lhe interessam. Independentemente da posição assumida pelo aluno, o fato dele questionar criticamente o status quo é um forte indicador de inteligência existencial.
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## Inteligência Naturalista
No diálogo abaixo é possível identificar a consciência dos estudantes sobre problemas ambientais ao debater a publicação do Facebook entregue a eles:
Aluna G: Ah, eu não sei se eu concordo com a suspensão da licença ambiental. Vou ter que dar uma pesquisada na região para ver o que tem lá e se causaria danos mesmo.
Aluno K: Ai óbvio que teriam danos. Eles iam alagar uma região enorme, iam afetar a fauna, a flora, os habitantes da região, os povos indígenas...
Aluna G: Eu não estou dizendo que não afetará ninguém, só estou questionando como tu pode saber que vai afetar. Por isso que a gente precisa de mais informações para analisar isso.
Essa tomada de consciência sobre os impactos ambientais e sociais indica o desenvolvimento de suas inteligências naturalistas. O Aluno K adotou uma postura mais radical, garantindo que uma usina na região iria causar todos os problemas com os quais ele havia se deparado em sua pesquisa. Em contrapartida, a Aluna G assume uma postura mais moderada, apresentando uma reflexão mais crítica e racional.
## Avaliação das Aulas pelos Alunos
Ao final da unidade de aprendizagem os alunos responderam anonimamente a um questionário que avaliava as aulas. Uma das questões solicitava que os estudantes indicassem seu nível de satisfação para cada aula com base no quanto gostaram delas. No gráfico 1 é possível observar a distribuição das notas.
Gráfico 1: Distribuição das notas das aulas avaliadas pelos alunos.
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Percebe-se que as aulas que envolveram experimentos práticos com circuitos elétricos (como a 3, a 6 e a 7) foram as que obtiveram as melhores avaliações. Além delas, aulas com propostas diferentes como o jogo e o seminário de fontes de energia também parecem ter interessado os estudantes.
Por outro lado, ficou claro que as aulas que buscaram aprofundar o conteúdo matematicamente por meio de exercícios (como a 5, a 8 e a 9) foram as piores avaliadas. Ainda assim, é importante observar que mesmo essas aulas foram consideradas muito boas por alguns estudantes, o que reforça a existência de
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diversidade entre eles. Da mesma forma, algumas aulas muito bem avaliadas pela maioria da turma também receberam notas baixas de alguns alunos, o que indica que nenhuma metodologia garantiu o interesse de todos. Ainda assim, foi possível alcançar quase todos os alunos com a pluralidade de metodologias, pois todos que responderam o questionário se identificaram com alguma aula.
## Considerações Finais
Foi necessário optar por uma combinação de metodologias de ensino para abordar o maior número de inteligências possíveis e respeitar a diversidade de preferências entre os alunos. A realização de atividades mais práticas em grupos se mostrou a melhor maneira de estimular diversas inteligências, visto que podem envolver as inteligências lógico-matemática, espacial, corporal-cinestésica e pessoal e ainda foram as atividades que mais interessaram os estudantes. Além disso, mesmo que as atividades tenham sido propostas visando o desenvolvimento de inteligências específicas, a posição mais ativa dos alunos durante as aulas permitiu que, em algumas, eles apresentassem outras inteligências. Atrair o interesse de quase todos os estudantes e a manifestação de oito inteligências durante a pesquisa, porém, só foi possível devido à diversidade de metodologias utilizadas.
Por fim ressalta-se mais uma vez a importância da ideia de professor inconformado presente no pluralismo metodológico (LABURÚ; CARVALHO, 2013). Apesar da pluralidade de métodos ter alcançado o objetivo de estimular diversas inteligências, é preciso ter cautela ao imaginar que a proposta de uma atividade vai, necessariamente, estimular determinadas inteligências em todos os alunos. Mesmo obtendo resultados positivos, acredita-se que pesquisas futuras podem aperfeiçoar o ensino fundamentado nas inteligências múltiplas e encontrar formas de motivar a participação de todos os alunos ou até mesmo propor uma forma de proporcionar atividades diferentes para grupos de alunos com diferentes inteligências.
## Referências
ARMSTRONG, T. J. Inteligências Múltiplas Na Sala De Aula . 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.
DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino De Ciências : Fundamentos e Métodos. 3 ed. São Paulo: Cortez, 2009.
GARDNER, H. Frames Of Mind: The Theory Of Multiple Intelligences. 2 ed. Nova Iorque: Basic, 1993.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. Inteligência Um Conceito Reformulado: O Criador Da Teoria De Inteligências Múltiplas Explica E Expande Suas Ideias Com Enfoque No Século XXI. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
GARDNER, H.; KORNHABER, M. L.; WAKE, W. K. Inteligência: Múltiplas Perspectivas . Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artmed, 1998.
LABURÚ, C. E.; CARVALHO, M. Educação científica: Controvérsias Construtivistas E Pluralismo Metodológico. Londrina: Eduel, 2013.
MORAES, R.; GALIAZZI, M. C. Análise Textual Discursiva: Processo Reconstrutivo De Múltiplas Faces. Ciência & Educação , Bauru, SP, v. 12, n. 1, 2006.
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